"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, outubro 18, 2010

As mudanças no Conselho de Segurança



Por Edson Joanni
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington
A presença inédita de todos os países membros dos grupos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a partir de janeiro de 2011, deverá aumentar a pressão por reformas no órgão.
Essa pressão, porém, deverá ocorrer mais no âmbito do Ibas do que entre os países do Bric, afirmam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
Na semana passada, após África do Sul e Índia terem sido eleitas para vagas não-permanentes, o Ibas divulgou um comunicado reiterando a "necessidade urgente de ampliação do Conselho de Segurança".
"Tanto na categoria de membros permanentes como não-permanentes, a fim de permitir maior participação dos países em desenvolvimento", diz o texto.
re os países do Bric, porém, a BBC Brasil apurou que não houve ainda diálogo sobre uma possível cooperação dos quatro países dentro do órgão.
Ampliação
O Brasil, que integra tanto o Ibas quanto o Bric, ocupa desde janeiro deste ano uma das dez vagas rotativas do conselho - que são válidas por dois anos - e é candidato declarado a um assento permanente em uma eventual ampliação do órgão.
China e Rússia já são membros permanentes, ao lado de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, e têm direito a veto nas votações.
África do Sul e Índia - países eleitos na semana passada ao lado de Alemanha, Portugal e Colômbia - também têm a ambição de conquistar vagas permanentes no caso de reforma do Conselho.
Segundo especialistas, é exatamente essa diferença no status dentro do Conselho que torna mais fácil uma atuação conjunta do Ibas, grupo cujos três integrantes são países em desenvolvimento com vagas não-permanentes no órgão.
"É preciso considerar que Rússia e China são membros permanentes, o que estabelece uma certa diferença entre os quatro países do Bric. Diferença que não é pequena", diz uma fonte diplomática.
"Embora tenham posições às vezes divergentes dos outros três membros permanentes, há uma dinâmica própria desses cinco países (membros permanentes) que afeta qualquer dinâmica do Bric."
Essa dinâmica entre os cinco membros permanentes envolve concessões em determinados temas para obter apoio em outros e pode interferir em tentativas do Bric de atuar conjuntamente.
Hegemonia
Segundo especialistas, os quatro membros do Bric têm algumas diretrizes de política externa similares, o que deverá levar a consenso em determinados temas dentro do Conselho, mas apesar disso há muitas diferenças entre os países.
"O Bric não é e nunca vai ser um bloco hegemônico", diz o diretor do programa de estudos de América Latina da Universidade Johns Hopkins, Riordan Roett.
Roett cita o fato de estarem localizados em partes "muito diferentes" do mundo e diz que o Brasil, por exemplo, não teria motivos para se envolver em questões internas, como as disputas entre a Índia e o Paquistão.
Especialistas afirmam que os membros do Bric poderão obter apoio mútuo em questões pontuais, mas essa colaboração deve ocorrer caso a caso.
"Todos têm prioridades diferentes", afirma Roett. "A colaboração dentro do Conselho vai depender do tema."
Segundo Roett, a cooperação entre os países do Bric é mais fácil em fóruns como o G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento), em questões como comércio internacional ou pressões para reformar o FMI.
Vaga permanente
Roett afirma que, apesar da nova configuração do Conselho de Segurança poder representar maior pressão por reforma, uma ampliação deve envolver negociações "muito difíceis" por parte dos cinco membros permanentes.
Segundo Bruce Jones, especialista em ONU do Instituto Brookings, em Washington, a atuação brasileira no caso da última rodada de sanções contra o Irã (aprovada pelo Conselho apesar do voto contrário do Brasil) acabou reforçando a percepção dos "perigos" de uma reforma, pelo menos na ótica dos Estados Unidos.
"Todos sabem que se houver reforma, o Brasil é parte dessa história", diz.
"A posição do Brasil em relação ao Irã feriu gravemente as possibilidades de conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança, pelo menos na perspectiva de Washington", afirma Jones.
Laboratório
Apesar de afirmarem ser difícil uma ampliação do Conselho de Segurança no curto prazo, especialistas dizem que a nova configuração do órgão, a partir de janeiro, será observada atentamente, por reunir um grupo muito importante de países.
"O Conselho de Segurança vai ser observado como um laboratório de como poderia funcionar caso fosse ampliado", diz uma fonte diplomática.
Jones diz que Brasil e Índia, como integrantes do Bric, têm de usar este ano em que estarão juntos no Conselho para mostrar que podem contribuir.
"E essa contribuição não significa a mesma coisa que votar contra os Estados Unidos", afirma.
"Devem buscar alguma grande questão para a qual possam fazer uma contribuição importante. Pode ser qualquer tema, Mianmar, Iraque, Sudão. O importante é que encontrem uma questão relevante e mostrem que estão preparados para assumir um papel de destaque."

Cardeal da Eletrobrás trucida Folha e Época

Conversa Afiada - Publicado em 17/10/2010

Ou o Serra é quem terceiriza o PiG ?
 

O Conversa Afiada reproduz a nota oficial que Vitor Cardeal enviou à Folha (*) e à Época – clique aqui para ler “ a próxima calhordice do PiG “.


Com relação à matéria de capa da edição da Folha de 17.10.2010 – “Irmão de diretor de estatal negocia projetos de energia” – venho esclarecer os seguintes aspectos:

 1-  o engenheiro Edgar Luiz Cardeal é meu irmão e trabalha em projetos de energia elétrica há mais de 42 anos. Nenhum desses projetos faz parte de programas sob a minha coordenação. Portanto, não há conflito de interesses entre as atividades de meu irmão e as minhas, no Sistema Eletrobras;
 2-  aposentado desde 1997, o engenheiro Edgar Luiz Cardeal,  por razões éticas, não presta serviços a empresas do Sistema Eletrobrás. Ele trabalha como consultor, engenheiro e empresário, para projetos do setor elétrico privado, por meio da DGE Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos, empresa de sua propriedade;
 3-  as condições de pagamento dos serviços contratados com a DGE são estabelecidas apenas pelas partes contratantes;
 4-  de acordo com o atual modelo do setor elétrico brasileiro, implementado no ano de 2004, a compra e venda de energia elétrica é efetivada por meio de leilões públicos. A fiscalização da aplicação do modelo é de responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL;
 5-  não é verdadeira a informação de que o Governo compra energia. A energia é comprada pelas empresas concessionárias de distribuição, auto-produtores, consumidores livres e cooperativas de eletrificação rural. Esta compra ocorre por intermédio de leilões públicos, vencendo aqueles produtores de energia que ofertarem o menor preço, o que contribui para uma menor tarifa, em benefício da população;
 6-  quanto ao PROINFA – Programa de Incentivo de Fontes Alternativas de Energia Elétrica, criado pela Lei n° 10.438, de abril de 2002,  os projetos foram habilitados, selecionados e contratados através de um certame público, iniciado e encerrado em 2004. Desde então nenhum outro empreendimento foi contratado no âmbito do PROINFA;
 7-  portanto, repudio com todas as letras a reportagem. A única verdade sem distorção no texto publicado é a de que meu irmão Edgar Luiz Cardeal é um reconhecido profissional e bem sucedido empresário do setor elétrico. Ao que me conste, não há ilegalidade alguma em ter um irmão ganhando a vida honestamente, de acordo com as leis de mercado.

 Atenciosamente

Valter Cardeal
Diretor de Engenharia da ELETROBRAS

Nem o Serra nem a Mônica. PSDB é que desmente aborto

Conversa Afiada - Publicado em 17/10/2010

Serra passa o abortômetro ao Guerra

O José Serra acaba de fazer uma revelação fantástica: o presidente do PSDB, o deputado Sérgio Guerra, detém um abortômetro.

Como a lanterna de Diógenes, Sergio Guerra sai pelo Brasil afora, ultrapassa a Cordilheira dos Andes e vai a Santiago do Chile rastrear abortos com seu infalível abortômetro.

Nessa Cruzada contra os Infiéis, o abortômetro do Sergio Guerra constatou que a Monica Serra não fez aborto.

Embora, uma aluna da Monica Serra tenha dito, com todas as letras que ela mesma, a Monica, contou que fez aborto.

Por que não foi o Serra quem desmentiu ?

Afinal, qualquer marido perceberia se a mulher fez um aborto com quatro meses de gravidez.

Por que não foi a própria Mônica, aquela salvou os mineiros do Chile  com a cápsula que recebeu de N. S. da Aparecida ?

(Onde fomos parar ?, amigo navegante !!!)

É provável que o abortômetro do Sergio Guerra tenha localizado muitos abortos nas vielas escuras deste país, a mando da Dilma (ou do Vitor Cardeal – clique aqui para ler sobre a nova calhordice que se arma no PiG (*))

Segundo a Folha (**) , na pág. A14, “Campanha (sic) de Serra nega relato de ex-aluna – Em nota, assessoria do PSDB afirma que Monica Serra nunca se submeteu a um aborto”.

Portanto, aguarda-se para as próximas horas,  uma reação fulminante do José Serra: entrará com ações judiciais contra Sheila Ribeiro, a aluna; contra o jornal Correio do Povo, que primeiro publicou a denúncia; contra o Terra, que a divulgou; contra este ordinário blog; e contra a Folha, que também deu curso à denúncia.

Este Conversa Afiada espera um julgamento trepidante, com a acareação da Sheila com sua professora, D. Monica.

(Da mesma forma, o Conversa Afiada aguarda o processo judicial que José Serra e Fernando Henrique Cardoso vão mover contra Saulo Ramos, que, em seu livro “Código da Vida”, conta como Serra e Fernando Henrique, na memorável Operação Lunus, destruíram a candidatura de Roseana Sarney em 2002.)

Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Efeito Erenice Continua

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 12 de outubro de 2010.

"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe". (Cícero, 42 AC)

A “desmanche” do estado continua. O assalto aos cofres públicos tem sido uma prática constante na “República Petista”. Amigos, camaradas, companheiros, familiares e correligionários sem qualquer qualificação ocupam postos na máquina governista com um único objetivo: locupletar-se. Quando os meliantes são devidamente identificados nenhuma medida é tomada pela “Camarilha Palaciana” que, invariavelmente, se defende afirmando “que tudo não passa de intriga da oposição”. Infelizmente a proximidade de todos os envolvidos, até agora, com o primeiro escalão do governo PeTralha leva a crer que existe uma íntima e cúmplice ligação entre os mesmos.

Leia a reportagem de Diego Escosteguy.

- Faltam 5 milhões
Diego Escosteguy, Revista VEJA, edição 2186, 13 Out 2010

Companheira de cela e ex-assessora de Dilma Rousseff foi investigada pelo TCU e Ministério de Minas e Energia por contrato sem licitação que deixou rombo milionário

A uruguaia Maria Cristina de Castro era uma jovem sindicalista e simpatizante do Partido Socialista quando se apaixonou pelo brasileiro Tarzan de Castro, militante de esquerda exilado em Montevidéu. (...) Em 1970, Cristina de Castro e o companheiro fugiram para o Brasil. Pouco tempo depois, no entanto, a polícia estourou o esconderijo dos dois. Presa e acusada de atividades subversivas, a uruguaia acabou transferida para o presídio Tiradentes, em São Paulo. Lá, veio a conhecer a companheira de guerrilha que, 30 anos depois, mudaria os destinos de sua vida: Dilma Vana Rousseff, presa por militância no grupo de extrema-esquerda VAR-Palmares. Conta Cristina de Castro: “Dividíamos um beliche na mesma cela. Partilhávamos tudo, nossa intimidade. Ela se tornou uma grande amiga”. Dilma a apelidou carinhosamente de “Tupamara”, referência ao Tupamaros, grupo guerrilheiro que desafiava a ditadura militar uruguaia. Finda a temporada na cadeia, cada uma seguiu seu caminho. Em 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República, a companheira de cela de Cristina virou ministra de Minas e Energia. Dilma se lembrou da Tupamara, que morava em Goiânia e militava no PT. “Dilma me chamou para trabalhar diretamente com ela”, disse Cristina de Castro, que foi nomeada assessora especial no gabinete da amiga. Não se sabe o que credenciou a uruguaia a ocupar um cargo tão relevante e estratégico quanto esse – a não ser a “grande amizade” com a candidata petista à Presidência. Dilma deixou a pasta de Minas e Energia em 2005 para ocupar a chefia da Casa Civil. Cristina de Castro continua ali até hoje. Já viajou seis vezes ao Uruguai com as despesas custeadas pelos brasileiros que pagam impostos.

Os auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) e técnicos do Ministério de Minas e Energia, porém, acusam Cristina de Castro de conduta imprópria que vai muito além, em volume de dinheiro, do que viajar ao país natal por conta dos cofres nacionais. As suspeitas dizem respeito a um contrato de 14 milhões de reais, dos quais 5 milhões podem ter sido desviados. O caso remonta ao primeiro ano do governo, quando Dilma baixou uma portaria concedendo “plenos poderes” para que a amiga coordenasse a modernização da área de informática da pasta. O que fez a assessora? Em vez de elaborar um plano, montar um projeto e licitar os serviços e produtos necessários, Cristina de Castro entregou tudo ao CPqD – fundação privada com sede em Campinas, que, até as privatizações dos anos 90, pertencia ao sistema Telebrás. Essa fundação faz pesquisas e presta serviços de informática. O CPqD recebe milhões de reais por ano de fundos públicos e tem reconhecida competência em muitas áreas de atuação. Não obstante, a fundação CPqD é uma das que mais trabalho dão aos auditores do TCU. Em outubro de 2003, a assessora uruguaia assinou o contrato de 14 milhões de reais, sem licitação, com aquela fundação. O dinheiro foi pago, mas deu tudo errado – ao menos para o contribuinte. Os serviços não foram inteiramente prestados. O pagamento sim, esse foi integralmente entregue.

O TCU apontou um rosário de ilegalidades no contrato. Não se cumpriram os mais elementares requisitos formais. O plano de modernização, que deveria servir de fundamento para uma posterior licitação dos serviços, foi produzido pelo próprio CPqD. Segundo o TCU, a pasta deveria ter feito licitação. Houve um pagamento de 4,8 milhões para a criação de um “sistema de acompanhamento”, que nunca entrou no ar. Escreveram os auditores: “O mencionado sistema encontra-se abandonado, sem qualquer serventia”. Diante do descalabro, em 2005 os técnicos recomendaram a aplicação de multa à assessora Cristina de Castro. Auditores internos da pasta corroboraram a existência das ilegalidades. O resultado da sindicância, contudo, morreu nas gavetas da assessoria jurídica do ministério. Quem era a chefe desse setor, quando Dilma era ministra? Erenice Guerra, que dispensa apresentações. O processo tramitou lentamente no TCU. Por coincidência ou não, o embaraçoso assunto para a candidata Dilma foi resolvido há poucas semanas. O ministro Raimundo Carreiro, ex-funcionário do Congresso e indicado para o cargo pelo senador governista José Sarney, decidiu levar o caso a plenário. Reconheceu as ilegalidades, mas disse que não haveria razão para punir a Tupamara. Seu voto foi acolhido pela corte. Durante uma semana, VEJA pediu ao Ministério de Minas e Energia, sem sucesso, acesso à prestação de contas do contrato.

Na última quinta-feira, a reportagem foi à sede do ministério, identificou-se na portaria e se dirigiu à sala onde ficam esses documentos. Pediu acesso e foi prontamente atendida. Enquanto manuseava a papelada, assessores da pasta assomaram ao local e, em ato truculento, expulsaram a reportagem. Disse uma assessora, no rompante típico da mentalidade que confunde público e privado: “Não é qualquer um que chega aqui e pode olhar o processo. Isso aqui não é sua casa”. Procurado, o presidente do CPqD, Hélio Graciosa, informou: “Não fomos acionados pelo TCU. Mas tenho certeza de que não recebemos sem fazer o serviço”.
 


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

domingo, outubro 17, 2010

Em carta, Marina acusa PT e PSDB de 'pragmatismo sem limites'

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Ao oficializar sua neutralidade no segundo turno da eleição presidencial, a candidata derrotada Marina Silva (PV) leu neste domingo uma carta aberta aos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
O texto acusa petistas e tucanos de travarem uma disputa "até as últimas consequências" e aderirem a um "pragmatismo sem limites".
"A agressividade de seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma cultura política de paz", diz a carta.
Em votação simbólica, a ex-presidenciável, que recebeu 19,6 milhões de votos, referendou a posição para a nova etapa da corrida presidencial.
Dos 92 votantes, apenas quatro declararam apoio a Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). Mesmo Fernando Gabeira, o candidato derrotado ao governo do Rio que contou com o apoio do tucano no primeiro turno, preferiu a independência do partido.
Individualmente, os filiados estão liberados para aderir às campanhas da petista ou do tucano. É o que Gabeira faz ao endossar a candidatura de Serra.

Leia a íntegra do documento:


"Carta Aberta aos Candidatos à Presidência da República

São Paulo, 17 de outubro de 2010
Prezada Dilma Rousseff, Prezado José Serra,

Agradeço, inicialmente, a deferência com que ambos me honraram ao manifestar interesse em minha colaboração e a atenção que dispensaram às propostas e ideias contidas na "Agenda para um Brasil Justo e Sustentável" que nós, do Partido Verde, lhes enviamos neste segundo turno das eleições presidenciais de 2010.
Embora seus comentários à Agenda mostrem afinidades importantes com nosso programa, gostaríamos que avançassem em clareza e aprofundamento no que diz respeito aos compromissos. Na verdade, entendemos que somos o veículo para um diálogo de ambos com os eleitores a respeito desses temas. Nesse sentido, mantemo-nos na posição de mediadores, dispostos a continuar colaborando para que esse processo alcance os melhores resultados.
Aos contatos que tivemos e aos documentos que compartilhamos, acrescento esta reflexão, que traz a mesma intenção inicial de minha candidatura: debater o futuro do Brasil.
Quero afirmar que o fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade em relação aos rumos da campanha. Creio mesmo que uma posição de independência, reafirmando ideias e propostas, é a melhor forma de contribuir com o povo brasileiro.
Já disse algumas vezes que me sinto muito feliz por, aos 52 anos, estar na posição de mantenedora de utopias, como os brasileiros que inspiraram minha juventude com valores políticos, humanos, sociais e espirituais. Hoje vejo que utopias não são o horizonte do impossível, mas o impulso que nos dá rumo, a visão que temos, no presente, do que será real e terreno conquistado no futuro.
É com esse compromisso da maturidade pessoal e política e com a tranquilidade dada pelo apreço e respeito que tenho por ambos que ouso lhes dirigir estas palavras.
Quando olhamos retrospectivamente a história republicana do Brasil, vemos que ela é marcada pelo signo da dualidade, expressa sempre pela redução da disputa política ao confronto de duas forças determinadas a tornar hegemônico e excludente o poder de Estado. Republicanos X monarquistas, UDN X PSD, MDB X Arena e, agora, PT X PSDB.
Há que se perguntar por que PT e PSDB estão nessa lista. É uma ironia da História: dois partidos nascidos para afirmar a diversidade da sociedade brasileira, para quebrar a dualidade existente à época de suas formações, se deixaram capturar pela lógica do embate entre si até as últimas consequências.
Ambos, ao rejeitarem o mosaico indistinto representado pelo guarda-chuva do MDB, enriqueceram o universo político brasileiro criando alternativas democráticas fortes e referendadas por belas histórias pessoais e coletivas de lutas políticas e de ética pública.
Agora, o mergulho desses partidos no pragmatismo da antiga lógica empobrece o horizonte da inadiável mudança política que o país reclama. A agressividade de seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma cultura política de paz e o debate de projetos capazes de reconhecer e absorver com naturalidade as diferentes visões, conquistas e contribuições dos diferentes segmentos da sociedade, em nome do bem-comum.
A permanência dessa dualidade destrutiva é característica de um sistema politico que não percebe a gravidade de seu descolamento da sociedade. E que, imerso no seu atraso, não consegue dialogar com novos temas, novas preocupações, novas soluções, novos desafios, novas demandas, especialmente por participação política.
Paradoxalmente, PT e PSDB, duas forças que nasceram inovadoras e ainda guardam a marca de origem na qualidade de seus quadros, são hoje os fiadores desse conservadorismo renitente que coloniza a política e sacrifica qualquer utopia em nome do pragmatismo sem limites.
Esse pragmatismo, que cada um usa como arma, é também a armadilha em que ambos caem e para a qual levam o país. Arma-se o eterno embate das realizações factuais, da guerra de números e estatísticas, da reivindicação exclusivista de autoria quase sempre sustentada em interpretações reducionistas da história.
Na armadilha, prende-se a sociedade brasileira, constrangida a ser apenas torcida quando deveria ser protagonista, a optar por pacotes políticos prontos que pregam a mútua aniquilação.
Entendo, porém, que o primeiro turno de 2010 trouxe uma reação clara a esse estado de coisas, um sinal de seu esgotamento. A votação expressiva no projeto representado por minha candidatura e de Guilherme Leal sinaliza, sem dúvida, o desejo de um fazer político diferente.
Se soubermos aproveitá-la com humildade e sabedoria, a realização do segundo turno, tendo havido um terceiro concorrente com quase 20 milhões de votos, pode contribuir decisivamente para quebrar a dualidade histórica que tanto tem limitado os avanços políticos em nosso país.
Esta etapa eleitoral cria uma oportunidade de inflexão para todos, inclusive ou principalmente para vocês que estão diante da chance de, na Presidência da República, liderar o verdadeiro nascimento republicano do Brasil.
Durante o primeiro turno, quando me perguntavam sobre como iria compor o governo e ter sustentação no Congresso Nacional, sempre dizia que, em bases programáticas, iria governar com os melhores de cada partido. Peço que vejam na votação concedida à candidatura do PV algo que ultrapassa meu nome e que não se deixem levar por análises ligeiras.
Esses votos não são uma soma indistinta de pendores setoriais. Eles configuram, no seu conjunto, um recado político relevante. Entendo-os como expressão de um desejo enraizado no povo brasileiro de sair do enquadramento fatalista que lhe reservaram e escolher outros valores e outros conteúdos para o desenvolvimento nacional.
E quem tentou desqualificar principalmente o voto evangélico que me foi dado, não entendeu que aqueles com quem compartilho os valores da fé cristã evangélica, vão além da identidade espiritual. Sabem que votaram numa proposta fundada na diversidade, com valores capazes de respeitar os diferentes credos, quem crê e quem não crê. E perceberam que procurei respeitar a fé que professo, sem fazer dela uma arma eleitoral.
Os exemplos de cristãos como Martin Luther King e Nelson Mandela e do hindu Mahatma Ghandi mostram que é possível fazer política universal com base em valores religiosos. São inspiração para o mundo. Não há porque discriminar ou estigmatizar convicções religiosas ou a ausência delas quando, mesmo diferentes, nos encontramos na vontade comum de enfrentar as distorções que pervertem o espaço da política. Entre elas, a apropriação material e imaterial indevida daquilo que é público, seja por meio de corrupção ou do apego ao poder e a privilégios; a má utilização de recursos e de instrumentos do Estado; e o boicote ao novo.
Assim, ao contrário de leituras reducionistas, o apoio que recebi dos mais diversos setores da sociedade revela uma diferença fundamental entre optar e escolher. Na opção entre duas coisas pré-colocadas e excludentes, o cidadão vota "contra' um lado, antes mesmo de ser a favor de outro. Na escolha, dá-se o contrário: o voto se constrói na história, na ampliação da cidadania, na geração de novas alternativas em uma sociedade cada vez mais complexa.
A escolha, agora, estende-se a vocês. É a atitude de vocês, mais que o resultado das urnas, que pode demarcar uma evolução na prática política no Brasil. Podemos permanecer no espaço sombrio da disputa do poder pelo poder ou abrir caminho para a política sustentável que será imprescindível para encarar o grande desafio deste século, que é global e nacional.
Não há mais como se esconder, fechar os olhos ou dar respostas tímidas, insuficientes ou isoladas às crises que convergem para a necessidade de adaptar o mundo à realidade inexorável ditada pelas mudanças climáticas. Não estamos apenas diante de fenômenos da natureza.
O mega fenômeno com o qual temos que lidar é o do encontro da humanidade com os limites de seus modelos de vida e com o grande desafio de mudar. De recriar sua presença no planeta não só por meio de novas tecnologias e medidas operacionais de sobrevivência, mas por um salto civilizatório, de valores.
Não se trata apenas de ter políticas ambientais corretas ou a incentivar os cidadãos a reverem seus hábitos de consumo. É necessária nova mentalidade, novo conceito de desenvolvimento, parâmetros de qualidade de vida com critérios mais complexos do que apenas o acesso crescente a bens materiais.
O novo milênio que se inicia exige mais solidariedade, justiça dentro de cada sociedade e entre os países, menos desperdício e menos egoísmo. Exige novas formas de explorar os recursos naturais, sem esgotá-los ou poluí-los. Exige revisão de padrões de produção e um fortíssimo investimento em tecnologia, ciência e educação.
É esse, em síntese, o sentido do que chamamos de Desenvolvimento Sustentável e que muitos, por desconhecimento ou má-fé, insistem em classificar como mera tentativa de agregar mais alguns cuidados ambientais ao mesmo paradigma vigente, predador de gente e natureza.
É esse mesmo Desenvolvimento Sustentável que não existirá se não estiver na cabeça e no coração dos dirigentes políticos, para que possa se expressar no eixo constitutivo da força vital de governo. Que para ganhar corpo e escala precisa estar entranhado em coragem e determinação de estadista. Que será apenas discurso contraditório se reduzido a ações fragmentadas logo anuladas por outras insustentáveis, emanadas do mesmo governo.
E, finalmente, é esse o Desenvolvimento Sustentável cujos objetivos não se sustentarão se não estiver alicerçado na superação da inaceitável, desumana e antiética desigualdade social. Esta é ainda a marca mais resistente da história brasileira em todos os tempos, em que pesem os inegáveis avanços econômicos dos últimos 16 anos, que nos levaram à estabilidade econômica, e das recentes conquistas sociais que tiraram da linha da pobreza mais de 24 milhões de pessoas e elevaram à classe média cerca de 30 milhões de pessoas.
A sociedade, em sua sábia intuição, está entendendo cada vez mais a dimensão da mudança e o compromisso generoso que ela implica, com o país, com a humanidade e com a vida no Planeta. Os votos que me foram dados podem não refletir essa consciência como formulação conceitual, mas estou certa de que refletem o sentimento de superação de um modelo. E revelam também a convicção de que o grande nó está na política porque é nela que se decide a vida coletiva, se traçam os horizontes, se consolidam valores ou a falta deles.
Essa perspectiva não foi inventada por uma campanha presidencial. Os votos que a consagram estão sendo gestados ao longo dos últimos 30 anos no Brasil, desde que a luta pela reconquista da democracia juntou-se à defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades, no campo e na floresta.
Parte importante da nossa população atualizou seus desafios, desejos e perspectivas no século 21. Mas ainda tem que empreender um esforço enorme e muitas vezes desanimador para ser ouvida por um sistema político arcaico, eleitoreiro, baseado em acordos de cúpula, castrador da energia social que é tão vital para o país quanto todas as energias de que precisamos para o nosso desenvolvimento material.
Estou certa de que estamos no momento ao qual se aplica a frase atribuída a Victor Hugo: "Nada é mais forte do que uma idéia cujo tempo chegou".
O segundo turno é uma nova chance para todos. Para candidatos e coligações comprometerem-se com propostas e programas que possam sair das urnas legitimados por um vigoroso pacto social entre eleitos e eleitores. Para os cidadãos, que podem pensar mais uma vez e tornar seu voto a expressão de uma exigência maior, de que a manutenção de conquistas alie-se à correção de erros e ao preparo para os novos desafios.
Mesmo sem concorrer, estamos no segundo turno com nosso programa, que reflete as questões aqui colocadas. Esta é a nossa contribuição para que o processo eleitoral transcenda os velhos costumes e acene para a sustentabilidade política que almejamos.
Como disse, ousei trazer a vocês essas reflexões, mas não como formalidade ou encenação política nesta hora tão especial na vida do país. Foi porque acredito que há terreno fértil para levarmos adiante este diálogo. Sei disso pela relação que mantive com ambos ao longo de nossa trajetória política.
De José Serra guardo a experiência de ter contado com sua solidariedade quando, no Senado, precisei de apoio para aprovar uma inédita linha de crédito para os extrativistas da Amazônia e para criar subsídio para a borracha nativa. Serra dispôs-se a ele mesmo defender em plenário a proposta porque havia o risco de ser rejeitada, caso eu a defendesse. Com Dilma Rousseff, tenho mais de cinco anos de convivência no governo do presidente Lula. E, para além das diferenças que marcaram nossa convivência no governo, essas diferenças não impediram de sua parte uma atitude respeitosa e disposição para a parceria, como aconteceu na elaboração do novo modelo do setor elétrico, na questão do licenciamento ambiental para petróleo e gás e em outras ações conjuntas.
Estou me dirigindo a duas pessoas dignas, com origem no que há de melhor na história política do país, desde a generosidade e desprendimento da luta contra a ditadura na juventude, até a efetividade dos governos de que participaram e participam para levar o país a avanços importantes nas duas últimas décadas.
Por isso me atrevo, seja quem for a assumir a Presidência da República, a chamá-los a liderar o país para além de suas razões pessoais e projetos partidários, trocando o embate por um debate fraterno em nome do Brasil. Sem esconder as divergências, vocês podem transformá-las no conteúdo do diálogo, ao compartilhar idéias e propostas, instaurando na prática uma nova cultura política.
Peço-lhes que reconheçam o dano que a política atrasada impõe ao país e o risco que traz de retrocessos ainda maiores. Principalmente para os avanços econômicos e sociais, que a sociedade brasileira, com justa razão, aprendeu a valorizar e preservar.
Espero que retenham de minha participação na campanha a importância do engajamento dos jovens, adolescentes e crianças, que lhes ofereçam espaço de crescimento e participação. Que acreditem na capacidade dos cidadãos e cidadãs em desejar o novo e mostrar essa vontade por meio do seu voto. Que reconheçam na sociedade brasileira uma sociedade adulta, o que pressupõe que cada eleitor escolha o melhor para si e para o país e o expresse, de forma madura, livre e responsável, sem que seu voto seja considerado propriedade de partidos ou de políticos. Pois, como repeti inúmeras vezes no primeiro turno, o voto não era meu, nem da Dilma, nem do Serra. O voto é e sempre será do eleitor e de sua inalienável liberdade democrática.
Esta é minha contribuição, ao lado das diretrizes de programa de governo que são um retrato do amadurecimento de quase 30 anos de construção do socioambientalistmo no Brasil. Espero que a acolham como ela é dada, com sinceridade. A utopia, mais que sinal de ingenuidade, é mostra de maturidade de um povo cujo olhar eleva-se acima do chão imediato e anseia por líderes capazes de fazer o mesmo.

Que Deus continue guiando nossos caminhos e abençoando nossa rica e generosa nação.

Marina Silva"

 
Como bem disse Marina, seu resultado tem sofrido reducionismo. Quem defende o partideco, acha que a vitória continua ganha e faz esse tipo de análise. Vi muitos votarem na Marina não pela questão verde (muito menos rosa), mas pelos resultados e argúcia mostradas nos debates. Ali e não em outras bobagens que se fala por aí, a Dilma perdeu votos.
Mais uma vez digo que, espero sinceramente que a turma do partideco acorde e aprenda a fazer campanha e eleger candidatos.
Imagino que se o voto não fosse obrigatório (como parecem defender conhecidos bem humorados em nome da democracia), Marina teria levado no primeiro turno.

sábado, outubro 16, 2010

Viva a Democracia

O segundo turno em Brasília, de acordo com pesquisa do Ibope mostra o candidato Agnelo Queiroz (PT) na frente pela disputa do governo do Distrito Federal com 53% das intenções de voto. A candidata Weslian Roriz (PSC), mulher do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), aparece 35 %. Mas, alguém duvida que isso possa mudar? Se fosse algo tão irreal a candidata Weslian Roriz teria ido para o segundo turno?
E onde fica o Tiririca?Ainda caçam o coitado,mas, é justo, afinal de contas ele não tem apadrinhamento politico na democracia.


sexta-feira, outubro 15, 2010

Eleições

Como não sou analista político, o que escrevo se resume a comentários pessoais. Mas, dos resultados da eleição recente, dois me surpreenderam. Uma é a derrota de Tasso Jereissati no Ceará e a outra a vitória de Tarso Genro no Rio Grande do Sul.
Com relação à primeira, até agora não consigo entender o que aconteceu. Cacique antigo da política cearense que dominava com maestria o estado, tendo promovido a eleição de diversos companheiros do partido ou não, Tasso não conseguiu repetir a façanha de se perpetuar no poder. Minha dúvida é se a derrota vai se refletir sobre os seus apadrinhado políticos. Cid Gomes foi reeleito, talvez seja um reflexo de que sua perda de poder não é assim tão grande. Além de que outro apadrinhado político que é Ciro Gomes, agora está novamente na linha de frente pró-Dilma (falarei sobre isso um pouco mais).
Agora a vitória esmagadora de Tarso Genro, me surpreendeu tanto quanto a derrota de Tarso. Nesse me arrisco a débitar de sua vitória o sentimento anti-Ieda que existia no estado. Basta lembrar que nas eleições passadas Ieda foi eleita de forma não intencional através do voto anti-PT. Espero que o partido não acredite que a vitória de Tarso tenha sido por mérito.
Partindo para a questão presidencial. Temos nos avizinhando o segundo turno. A tão famosa vantagem de Dilma, já não é tão segura. Lembro-me de Einstein quando disse que só existiam duas coisas infinitas, o universo e a estupidez humana. No caso a segunda me lembra o PT. Não acredito que depois de fazer diversas idiotices seguidas (desde a corrida presidencial contra Collor) que o partido não tenha constituido uma linha de ação mínima que seja, que possa orientar seus candidatos a manter suas vantagens eleitorais.
Como já havia falado aqui antes, o jogo de cena da saída de Ciro Gomes da disputa eleitoral traria mais desvantagens para Dilma do que para Serra. E agora estamos correndo o risco pelas inépcias do partido de ter como presidente José Serra. 
Até quando viveremos da sorte? Porque para mim, depois de tantas tentativas, a eleição de Lula foi pura sorte. Sorte de termos um governo que não soube distribuir a renda, sorte da conjuntura econômica ter desfavorecido o governo anterior e ele não ter sabido responder a altura, sorte do povo ter se cansado das falácias de Fernando Henrique.
Então, por favor, PT, acorde, aprenda a fazer política e nos livre de mais quatro anos de PSDB.

Reserva de Vagas

Existem temas que me atormentam, esse é um deles. Estava navegando na net em busca de uma discussão que relacionasse sistema de cotas e segurança pública. De repente encontrei esse artigo de Rildon Aurelino Evaristo Damaceno, que demonstrando total desconhecimento do que critica, escreve a asneira de considerar o sistema de cotas militares um privilégio de casta, pois " os militares ou seus filhos e filhas nunca foram discriminados ou perseguidos ao longo da história pátria, e não se enquadram com algumas exceções no conceito de carentes", ipsis literis.
Como já  havia publicado aqui antes, o primeiro Colégio Militar que foi o do Rio de Janeiro, surgiu para abrigar órfãos de militares mortos durante a Guerra do Paraguai em virtude da insensibilidade dos governos de então, sempre parcimoniosos, como os de todas as épocas, com relação aos pleitos e as necessidades da classe militar.
A criação dos demais Colégios foi uma forma de superar os inúmeros inconvenientes provocados pelas sucessivas transferências de oficiais e graduados ao longo de suas carreiras.
Por último e não menos importante, convém registrar que todos os integrantes dos Corpos diretivos, docentes, auxiliares de ensino, monitores, pertencem aos quadros do Exército (oficiais e graduados) e as despesas com sua manutenção oriundas do reduzido orçamento anual de verbas, historicamente alocadas ao Exército Brasileiro.
Gostaria de saber se o senhor Rildon Aurelino Evaristo Damaceno, pensaria da mesma forma se tivesse que ser transferido de três em três anos, podendo se alocado em áreas como São Gabriel da Cachoeira (entre tantos iguais) que apresentam extrema carência do sistema educacional e após sucessivas transferências viesse a se fixar (temporariamente) em uma cidade que tivesse um "Colégio Judicial". Se ao sentitr na pele tal situação ele não adoraria poder por seus filhos dentro de uma instituição que garantiria um ensino de qualidade e uma chance de ingresso no ensino superior.
Se o objetivo do senhor Rildon era criticar apenas os colégios militares ligados às polícias militares estaduais, deveria pensar que as praças (soldados, cabos e sargentos) estão bem longe de ter salários equivalentes de classe média (talvez o único lugar em que se aproxime disso seja Brasília, mas o custo de moradia local elimina essa vantagem). E não sei se os oficiais subalternos (tenentes) tem salário que possa ser considerado classe média.
Como já disse aqui várias vezes, criticar o outro é fácil, principalmente quando se tem duas férias ao ano, salários elevados e reajustados por canetadas do próprio poder e a facilidade da estabilidade tanto funcional como de moradia.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Maria Rita Kehl: Dois pesos…

 Estadão - 02 de outubro de 2010 | 0h 00

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

Esse artigo de Maria Rita Kehl mostra com clareza uma parte do jogo politico (no caso a boataria)  que vem sendo utilizada na campanha presidencial. Imagino se não existe ninguém (já que dizem possuir excelentes intelectuais nos quadros do partido) no PT que pudesse ter escrito algo assim em relação à questão do aborto? Precisava-se desqualificar membros da igreja por defenderem uma opinião da instituição? E não me venham com a desculpa de que parte da Igreja falou que o compromisso deve ser com a dignidade humana... Bem, queria ver esses bispos, padres ou quem quer que sejam falar abertamente que são a favor do aborto. Quando fizerem isso ao invés de se esconderem atrás de meias palavras pode-se aceitar sua opinião. Mas, enquanto isso continuamos com as baixarias de cada lado. É um problema bem enraizado na politica brasileira.
Infelizmente, devido a este texto, Maria Rita Kehl foi despedida.

Fala Sério

Peteleco da Viola
Mais uma prova de que consciência política, nada tem a ver com nível de escolaridade mais avançado. Ele é pedreiro.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Comentários

Nesse sábado me aconteceu duas situações antagônicas. Em primeiro fui assistir ao filme Tropa de Elite 2. Me surpreendi (e uma excelente surpresa). O filme transcende à questão do tráfico (questão central do primeiro) e vai diretamente na jugular do sistema político-social-econômico que envolve a organização e exploração das favelas no Rio de Janeiro, e que, deve se repetir em vários outros estados do país. 
É uma bela demonstração de como se usa a democracia com fins de benefício próprio, relegando o povo à massa de manobra eleitoreira. Como já dizia Zé Ramalho: Vida de Gado.
Mas, ao chegar em casa, ligando a tv resolvi assitir ao besteirol (às vezes é bom, se passa o tempo, não há preocupação com enredo ou lógica) "Todo Mundo em Pânico 4" na rede globo. Minha segunda surpresa (dessa vez desagradável) é que em um dos comerciais apareceu o Zeca Camargo comentando que no Fantástico iria ser discutido a morte de um dos personagens da atual novela das oito (que a muito tempo não passa às oito) "Passsione". Aquilo realmente me entristeceu. Lembrei-me de quando era adolescente, que às vezes deixavámos a roda de bate papo com os amigos para assistir uma reportagem do Fantástico. Se não estivéssemos envolvidos em alguma atividade, assistir ao Fantástico era um bom programa para aquisição de cultura. E fiquei pensando: que é isso? morte de personagem de novela? é nisso que se transformou o fantástico? Resultado, não conhecia os personagens, não sei até hoje quem morreu , algo que me causou estranheza (em um passado não muito distante, os comentários disso teriam chegado aos meus ouvidos, até mesmo pelos alunos, mas nada) e tive a grata supresa novamente de ver vários alunos comentando sobre a evolução do nível de discussão (mais cabeça como dizem) do Tropa de Elite 2. Ainda resta uma esperança.

Sobre a Carta que tem a capa "Aborto e Oportunismo Eleitoral" tenho algumas considerações a fazer (por enquanto até onde li). Uma delas não tem diretamente a ver com a revista que trás uma reportagem sobre o engenheiro Paulo Renato Corrêa do Amaral, que obteve ótimos resultados na ultramaratona. Mas, essa reportagem me fez lembrar do também engenheiro (militar) Cap Milton Augusto Maciel de Souza, que assim com Paulo Renato não tem patrocínio e banca do próprio bolso e com suas horas de lazer o seu treinamento. O Cap Augusto Maciel em 2009 foi o vice-campeão no Ultramen do Canadá. O Ultraman Canadá foi disputado em três dias seguidos: 01, 02 e 03 de agosto. No primeiro dia, o atleta nadou 10km em um lago e, logo após, percorreu144,8km de bicicleta. No segundo, novamente em bicicleta, foram percorridos mais 273,5km. No último dia, finalizando a prova, o atleta correu 84,3km. Apenas 19 atletas encerraram a prova. Não quero aqui passa a impressão de que desmereço o resultado de Paulo Renato, pelo contrário, feito desse tipo tem que ser divulgados para que estimulem outros, mas a ausência de uma reportagem do porte da que foi divulgada o feito de Paulo Renato, e a não divulgação de um tão magnifíco quanto, por parte de um militar, me leva a pensar que há um preconceito muito sério em relação à classe militar.

Com relação à reportagem da capa, bom, acho que não é surpresa alguma a igreja bater na questão do aborto. Nunca vi o Papa, a CNBB ou alta cúpula dizer que é a favor. Os evangélicos também. Se estamos em uma democracia, então deixem de criticar a opinião (já várias vezes reiterada) da igreja. Não nos cabe julgar como uso político a situação. Os vários Papas determinaram assim e pronto. A igreja é contra o aborto e se o PT quer bancar essa luta vai ter que aguentar o fogo contrário. Não adianta choramingar e querer se fazer de coitadinho,  se é essa a opção, assuma e tente vencer pelo argumento e não acusando a igreja . O politicamente correto, só para lembrar, é algo muito bonito na cabeça dos "intelectuais", mas o Brasil (se não tiver mudado) ainda é o maior país católico do mundo, então, feche-se a boca e aguente a pancada.
Em outra situação, Maurício Dias fala da "Lei do Abate", sobre o caso de um desertor. A legislação militar trata de forma específica essa situação (tanto em caso de guerra como de paz). Apesar de ser um direito a todo ser humano a tentativa de fuga, não é devido a esse direito que em uma situação que só quem estava passando pode detalhar, vai se permitir o uso desse direito. Imagine o Fernandinho Beira-Mar sabendo dessa defesa de Maurício Dias. Com certeza esse vai solicitar a proibição do seu abate em caso de tentativa de fuga.

Ode a um Velho Guerreiro

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 27 de setembro de 2010.

(Rivadávia Leite - A Saga de um Guerreiro).


Esta é a história de um guerreiro,
Que vivia sua vida triste e a penar,
Se infeliz foi, mas forte e altaneiro,
Da pugna fazia o seu sagrado altar.

Travou pelejas pela vitória da paz,
Sofreu derrotas, mas sempre a lutar,
Venceu o medo por ser ele capaz
Do estandarte, à mão empunhar.

Soldado foi na luta contra o adversor,
No teatro de guerra, sua vida a levar;
Na espreita do inimigo, o seu furor,
Enfrenta o mal preste a lhe causar.

Nas trincheiras da injustiça, foi mentor.
Estrategista hábil em lide e dedicação.
Sua espada era a justiça com destemor,
Nos combates diários... mira da traição.
Certames... vaticínio de mais tristeza.
Avante camaradas! Dizia com ardor!
Hasteiem a bandeira com toda alteza,
Com seu grito de guerra: ave o amor!

Fazia da arma a fortaleza da verdade,
Em cruéis combates sua compreensão,
Saudava os aliados em cumplicidade,
As vítimas em peleja, sua compaixão.

A saga deste intrépido guerreiro,
Que fez desta vida sua proposição,
Glorioso, esse pracinha ventureiro,
Vence a guerra... justa realização!

Hodierno herói! Você em anonimato!
Eventos vis que se propõe a vencer,
Veja neste bravo o seu fiel retrato,
Exemplário de luta, na dor de viver.

- Carta a El-Rei de Portugal, 1893
Moniz Barreto

“Senhor, umas casas existem, no vosso reino onde homens vivem em comum, comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um toque de corneta, se levantam para obedecer. De noite, a outro toque de corneta, se deitam obedecendo. Da vontade fizeram renúncia como da vida. Seu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente esplêndidos. A beleza de suas ações é tão grande que os poetas não se cansam de a celebrar. Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por militares... Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que comem; como se os cobres do pré pudessem pagar a liberdade e a vida. Publicistas de vista curta acham-nos caros demais, como se alguma coisa houvesse mais cara que a servidão. Eles, porém, calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma. Pelo preço de sua sujeição, eles compram a liberdade para todos e os defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o fizessem. Porque, por definição, o homem da guerra é nobre. E quando ele se põe em marcha, à sua esquerda vai coragem, e à sua direita a disciplina”.

- “Ultima Ratio Regis”

Necessário se faz esta pequena preleção inicial enaltecendo a profissão militar. Ao longo da história as grandes nações concluíram que suas Forças Armadas representavam a “ultima ratio regis”. Só as Forças Armadas são capazes de sustentar as decisões estratégicas do Estado, além de assegurar a soberania, integridade territorial e os interesses nacionais. Meu grande amigo e mestre Coronel Fregapani enviou-me um e-mail que faço questão de compartilhar com todos os verdadeiros cidadãos brasileiros. Conhecendo a alma do valoroso Soldado-Cidadão imagino a dor e o desespero que o atormentam e a todos aqueles que, como ele, optaram a dar tudo de si, sem nada pedir em troca, nem mesmo compreensão. A todos que servindo a seu país, almejam como recompensa apenas a grata sensação do dever cumprido.

- Desabafo
Coronel Gelio Augusto Barbosa Fregapani

Confesso que estou desapontado. Passei toda minha vida dando segurança para o meu País, e garantindo-lhe a soberania e a integridade. Pedi e cumpri as missões mais difíceis. Procurei voluntariamente a luta e a tormenta. Era por ideal. Meus próprios colegas me chamavam de “O Patriota”. Era pelo meu País, por suas instituições, pelo meu povo.

Agora olho o meu povo e o vejo prestes a se desagregar em etnias rivais; em conflitos sociais e a desfibrar-se na mesma libertinagem que, se não condenou Sodoma e Gomorra é certo que contribuiu para a queda de todos os impérios.

Olho para o meu Governo e o vejo cercado dos piores ladrões. Olho para o Legislativo e sinto um balcão de negócios, onde poucos se lembram que tem uma Pátria. Vejo um Judiciário que, no caso da Raposa, decide contra a integridade da própria Pátria mesmo contrariando a opinião geral, mas quando está em jogo a ficha limpa, decide não decidir.

Penso comigo: foi por isto que empenhei a vida toda? Valeu a pena brigar por esta gente? Por estas instituições?

Diz o poeta que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Bonitas palavras, mas não são suficientes para impulsionar. Contudo me ressoa na mente o incentivo de minha mãe: “Cabeça erguida, soldado”! – Sim, contudo, ainda há gente boa em nosso País.

Dias difíceis estão a caminho. Tudo bem, se não houvesse dificuldades, a Pátria não precisaria de nós. Se ela necessitar de mim, me encontrará pronto, com a arma na mão. Afinal, como se diz na minha terra: “Não tá morto quem peleia”.

Que Deus guarde a todos vocês.


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br