"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

terça-feira, julho 16, 2013

Putin acusa Washington de bloquear Snowden na Rússia

darussia.blogspot - Segunda-feira, Julho 15, 2013


O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou hoje os Estados Unidos de bloquearem Eduard Snowden, antigo consultor dos serviços secretos norte-americanos, na Rússia.
“Ele veio para o nosso território sem convite, ele não voou para o nosso país, mas passou em trânsito para outros países. Mas logo que ele levantou voo, isso tornou-se público e os nossos parceiros americanos bloquearam a continuação do voo”, declarou ele num encontro com estudantes de uma expedição da Sociedade Geográfica da Rússia.
“Eles próprios assustaram todos os outros países, ninguém o quer receber e, desse modo, eles, no fundo, bloquearam-no no nosso território”, acrescentou.
Putin disse que Snowden deixará a Rússia logo que possível, mas frisou que a situação com o fugitivo norte-americano não está clara.
“Isto por enquanto está suspenso, mas, logo que haja possibilidade, ele irá claro que irá para outro lado”, reconheceu.
“Ele sabe quais são as condições de concessão de asilo, mas, a julgar pelas últimas declarações, ele muda de posição, a situação não está totalmente clara”, precisou.
Segundo Putin, “temos determinadas relações com os Estados Unidos, não queremos que a sua atividade prejudique as nossas relações com os Estados Unidos. Ele respondeu que não”.
Dirigindo-se aos estudantes, afirmou: “estão-se a rir, mas eu falo a sério. Ele disse que quero continuar a minha atividade, a lutar pelos direitos do homem, que os Estados Unidos violam algumas normas jurídicas, internacionais, ingerem-se na vida pessoal e o meu objetivo é, joje, lutar contra isso”.
“Nós dissemos-lhe: faça isso sem nós, porque temos contra o que lutar no nosso país”, concluiu.
Snowden encontra-se na zona de trânsito do aeroporto Sheremetievo de Moscovo desde 23 de junho.
Na passada quinta-feira, Snowden encontrou-se com representantes de ONG’s russas e anunciou que iria pedir refúgio temporário na Rússia até poder viajar para a América Latina. Porém, o Serviço Federal de Imigração diz não ter recebido qualquer pedido.
Snowden é acusado pelos Estados Unidos de violar a lei de espionagem, depois de filtrar detalhes dos programas governamentais secretos de vigilância a registos telefónicos e comunicações na Internet.
A Casa Branca exige a expulsão de Snowden e a sua extradição para os Estados Unidos, de forma a ser julgado por fugas de informação confidencial sobre segurança nacional.

As mudanças na indústria naval

Autor: 
Coluna Econômica
Um psiquiatra que se dispusesse a definir o humor da velha mídia, certamente a enquadraria na categoria de PMD (Psicose Maníaco Depressivo), com muito mais inclinação pelo depressivo. Aparentemente, nada está dando certo no país.
É engano.
Tome-se o que está ocorrendo no setor naval. É uma revolução, um sucesso de política industrial como não se via desde que a crise do petróleo, em fins dos anos 70, liquidou com o sonho do país grande.
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A revolução começou quando surgiu o pré-sal e o então presidente Lula convocou a Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff para a missão de devolver ao setor naval brasileiro o brilho dos anos 70 - quando chegou a ser dos maiores do mundo.
A política industrial foi traçada valendo-se de todas as ferramentas de que o governo passou a dispor, com o pré-sal:
1. Mudou-se o sistema de exploração para partilha, conferindo à Petrobras o controle sobre as operações do pré-sal. Ela se tornou a grande contratadora de plataformas, navios, embarcações e serviços.
2. Definiram-se regras para conteúdo local, subordinadas à manutenção da competitividade internacional.
3. Juntaram-se todos os agentes públicos e privados em dois fóruns, o Prominp - da Petrobras e seus fornecedores - e o Plano Brasil Maior.
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Surgiram quatro pólos robustos, dentro das três vocações básicas, conforme explicou Augusto Mendonça, presidente da Abenave (Associação Brasileira das Empresas do Setor Naval e OffShore), em seminário promovido pelo projeto Brasilianas.org:
1. Construção de plataformas e sondas, base do polo do rio Grande do Sul.
2. Embarcações especializadas, forte concentraçãoem Santa Catarina, com 4 estaleiros em operação e um em implantação, para embarcações de apoio.
3. Construção de navios, polo em Pernambuco, com dois estaleiros.
4. Polo do Rio de Janeiro, representando mais de 50% da indústria, com estaleiros nas três atividades.
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No total, já existem 26 estaleiros em operação e 11 em implantação, que estarão operando a plena carga até 2016. No momento, a capacidade de processamento de aço é de 570 mil toneladas/ano. Até 2016, serão 1,2 milhão de t/ano.
Dos atuais 62 mil empregos diretos, se passará a 100 mil em 2016.
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Até 2020, as encomendas perfazem US$ 80 bi para plataformas de produção e sondas de perfuração, US$ 14 bi para embarcações especializadas e US$ 7 bi para navios petroleiros.
Como explica Augusto Mendonça, todos os estaleiros são de última geração, com alta capacidade de produção e com investimentos levando em conta o mercado que se tem pela frente.
A responsabilidade do conteúdo local é do estaleiro. Ele é que tem que procurar fornecedores com conteúdo local, preço e qualidade adequadas
À medida em que a cadeia local vai se aprimorando, aumentam os índices de nacionalização. No caso da plataforma P-54, do estaleiro Mauá-Jurong alcançou 68%% de conteúdo local. A P-56, do estaleiro Brasfels, chegou a 73%. O navio Celso Furtado, do estaleiro Mauá, a 76%.
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Ao mesmo tempo, missões de empresários brasileiros visitaram os quatro países referência da indústria naval - Inglaterra, Noruega, Coreia e Singapura.
É o primeiro passo. Os próximos serão o fortalecimento da navegação de cabotagem e da hidroviária - alicerçados na industria naval e na nova lei dos portos.

Padilha: O Brasil tem metade dos médicos da Argentina


conversa afiada - Publicado em 15/07/2013

Médico brasileiro conhece o paciente aos pedaços

"Nós queremos que cada médico formado tenha a oportunidade de fazer uma especialidade médica no nosso País. "

“Saúde se faz mais perto de onde as pessoas vivem, moram. É lá que você permite um cuidado continuado à pessoa, inclusive fora do ambiente hospitalar”, foi o que disse nessa segunda-feira (15), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista exclusiva ao Conversa Afiada, por telefone.

O ministro se disse absolutamente concentrado nas medidas do Pacto Nacional da Saúde, em especial no programa “Mais Médicos” que, segundo ele, será decisivo na consolidação do Sistema Único de Saúde, o SUS, que completou 25 anos.

O ministro Padilha rebateu as críticas sobre as diretrizes do programa, sobretudo no que diz respeito ao foco principal da proposta que é aumentar o número de médicos por habitantes.

O projeto que prevê a contratação de médicos para o interior do País, com a vinda de médicos estrangeiros quando necessário, tem causado polêmica na área médica.

Médicos e as associações de classe têm criticado o foco do programa, uma vez que entendem que o problema da saúde pública no Brasil não é a falta de médicos e, sim, a falta de estrutura, de leitos e hospitais.

Para Padilha, a política adequada para a saúde não é uma escolha entre mais médicos ou mais hospitais: “precisamos agir em todas as áreas ao mesmo tempo, e agora”, diz o ministro.

A íntegra da entrevista em áudio e texto:

1 – PHA: Ministro, como o senhor reage às críticas de médicos famosos, como, por exemplo, o Dr. Drauzio Varela – que inclusive tem uma participação na televisão muito conhecida – que diz que antes de mandar médicos é preciso construir hospitais. Como o senhor reage a isso?

Ministro Padilha: Eu estou convencido de que nós temos que agir com tudo ao mesmo tempo, e agora.

O programa ”Mais Médicos” tem como sua primeira ação um forte investimento em infraestrutura.

E não só em hospitais, mas em unidades de saúde, unidades fluviais de saúde na região amazônica, porque nós temos que tirar da mentalidade do SUS de que saúde só se faz dentro de hospital.

Saúde se faz mais perto de onde as pessoas vivem, moram. É lá que você permite um cuidado continuado à pessoa, inclusive fora do ambiente hospitalar.

Então, a primeira ação é ter mais estrutura sim: nas unidades de saúde, nas unidades fluviais na amazônia, unidades básicas.

São 20 mil unidades básicas sendo ampliadas, reformadas e construídas em todo o País.

Também precisamos – e o ”Mais Médicos” tem isso – de mais recursos e melhor funcionamento dessas unidades. A garantia de medicamentos, de insumos, de tratamento e o combate de qualquer tipo de desperdício nos recursos da saúde.

Combinado isso, nós precisamos de um profissional nessas unidades saúde. Nós já temos várias unidades que já foram montadas, ficaram prontas, o que falta para funcionar nessas unidades é um profissional da saúde.

Aliás, um estudo que foi feito recentemente mostra que nos últimos 5 anos, aumentou em 40% a quantidade de equipamentos. Aumentou em mais de 17% o número de leitos e estrutura hospital e aumentou apenas 14% o número de médicos no nosso país.

Nós precisamos agir em três dimensões: mais e melhores unidades de saúde. Melhor gestão e garantia de recursos na saúde e mais médicos, porque não se faz saúde sem médicos.

2 – PHA: Quantos hospitais o senhor calcula que estão sem médicos hoje no Brasil?

Min. Padilha: Não só pensando nos hospitais, mas pensando nas unidades básicas de saúde.

O Ministério da Saúde fez uma pesquisa detalhada com hospitais públicos e privados brasileiros e constatou que 70% deles tem dificuldade para contratar e fixar pediatras.

Quase 60% deles tem dificuldade em fixar Anestesiologia.

Nós estamos expandindo 80 novos centros de tratamento para o câncer no Brasil, e o principal gargalo para fazê-los funcionar será termos médicos oncologistas especializados em tratamentos do câncer.

Então, quando estamos falando de hospitais, é muito importante também aumentar o número de especialistas no nosso país.

Por isso, que uma das ações do “Mais Médicos” é abertura de 12 mil novas vagas de residência médica.

Isso é dobrar o número de vagas para residência médica que nós temos hoje, mas queremos ampliar para as especialidades que nós mais precisamos. A abertura de novas vagas em residência, quais especialidades a serem valorizadas, tem de seguir as necessidades de saúde do País. Não pode ter nenhum outro interesse além das necessidades do País.

Então o País precisa formar mais anestesiologia, mais neurocirurgião, mais pediatras, mais médicos para o tratamento do câncer…

Nós queremos que cada médico formado tenha a oportunidade de fazer uma especialidade médica no nosso País.

3 – PHA: O senhor fala frequentemente que existe uma especialização precoce na formação de médicos no Brasil. O que é isso e como combatê-la?

Min. Padilha: Esse é um fator decisivo para a formação dos médicos, não podemos perder essa oportunidade para fazer a mesma mudança nas escolas médicas que os países europeus como a Inglaterra, Bélgica, Suécia, Espanha e Portugal já fizeram. O que é isso?

Hoje o médico se forma sem ter a oportunidade de acompanhar uma mulher gestante desde o pré-natal até o momento do parto, ou do nascimento dessa criança até os primeiros anos de desenvolvimento dessa criança.

Todos os médicos que se formam não tiveram essa experiência.

Nenhum médico que se forma hoje tem a experiência, durante o curso de medicina, de acompanhar um mesmo paciente diabético, hipertenso por um ano.

Nenhum deles teve a oportunidade de acompanhar um paciente que foi diagnosticado com depressão, começou o tratamento, quais foram as respostas a esse tratamento.

Ou seja, a formação do estudante de medicina hoje – e isso não é culpa do estudante, é como foi estruturada a escola médica – é de conhecer os pacientes aos pedaços, a partir das especialidades médicas em hospitais de alta complexidade.

Por isso que é muito importante a ideia dos dois anos no SUS, na atenção primaria, no médico da família e na urgência e emergência no final da formação do médico.

Porque ele vai fazer o estudante – que já tem um conjunto de conhecimentos e experiência acumulada – fique dois anos, com supervisão, na medicina da família, na urgência e emergência, acompanhado já com responsabilidades, e com isso, sair um médico mais experiente e mais bem formado para o conjunto da população.

Essa mudança já está na Medida Provisória, e tem agora seis meses de debate no Conselho Nacional de Educação com as entidades médicas, na Associação de Urgência Médica, para detalhar como vai ser esses dois anos na atenção básica e na urgência e emergência.

4 – PHA: Eu vou fazer uma afirmação e vou pedir para o senhor julgar se ela é correta, incorreta ou quase correta: o sonho de todo estudante de Medicina no Brasil é sair da faculdade e ir trabalhar no Sírio Libanês.

Min. Padilha: Eu acho que é incorreta. Não é o sonho de todo não.

Agora, eu acho que o sonho é ir trabalhar em um hospital de qualidade, no padrão de qualidade como o do Sírio Libanês, do Albert Einstein.

E o nosso sonho, e o nosso trabalho tem que ser oferecer à população brasileira, na rede pública de saúde, hospitais da mesma qualidade que os melhores hospitais privados do País.

Não à toa, nós conseguimos fazer isso em algumas coisas. Por exemplo, o Brasil é recordista mundial em número de transplantes totalmente gratuitos. Não existe procedimento mais complexo, que exija um hospital de melhor qualidade, com mais estrutura do que o transplante público.

Então eu acredito sim, e o meu sonho como ministro e como médico – porque eu estou ministro, mas sou médico – que é possível ter uma saúde pública com a mesma qualidade de hospitais como o Sírio e o Einstein.

5 – PHA: Qual a relação das políticas anunciadas no programa “Mais Médicos” e as manifestações que aconteceram recentemente? Foi uma resposta as manifestações?

Min. Padilha: Não, não foi uma resposta porque nós já vinhamos trabalhando há um ano, um ano e meio, discutindo consultando experiência internacionais.

Acho que isso é uma resposta aos 25 anos do SUS. Nós estamos em um momento histórico, que países como Inglaterra; Canadá; Espanha, também tiveram que enfrentar para consolidar sistemais nacionais, universais, públicos e gratuitos.

Você precisa sim definir quantos médicos você quer ter, como distribuí-los, quais as especialidades médicas nós precisamos ter.

Agora, acredito que as manifestações trouxeram a pauta sobre a importância da qualidade nos serviços públicos. E não é possível fazer serviço público na área de saúde com qualidade sem médicos, sem estrutura e sem recursos. E o programa “Mais Médicos” procura atacar as três frentes.

6 – PHA: O programa “Mais Médicos” ajuda sua candidatura a governador de São Paulo?

Min. Padilha: Eu acho, Paulo Henrique, que quem está pensando em 2014 hoje agora está fora da casinha, como diz o povo.

O programa “Mais Médicos” tem uma importância tão grande que eu estou absolutamente focado nele, só penso nele. E estou muito animado pelo fato da presidente ter tido a coragem de pautar esse tema no País.

Eu sei que uma parte da polêmica, uma parte das reações é também porque, durante muitos anos, se tentou consolidar uma imagem de que o País tinha muitos médicos.

E quando o ministério da Saúde vem e compara que o Brasil tem 1.8 médicos por mil habitantes e a Argentina tem mais de 3 médicos por mil habitantes, Espanha e Portugal tem 4 médicos por mil habitantes, nós sabemos que nós estamos pondo o dedo em uma ferida, que tem polêmica, que tem debate, mas que é importante sim fazê-lo para a consolidação do SUS. 

Há pelo menos uns três anos faço postagens defendendo o emprego do estudante de medicina no setor público como uma forma de retorno ao investimento público, quem já viu os valores de mensalidade de um curso de medicina particular sabe do que estou falando. 
Recentemente comentei a problema da necessidade de mais médicos, e como o próprio SIMERS e outras entidades médicas já afirmaram, há a necessidade de ampliação da infraestrutura.
Bom, aí vemos algo interessante. Já vi casos de pacientes internarem em hospitais particulares, através de convênio privado, para fazer cirurgia plástica e ao término desta não ter leito para ser redirecionado. Quem não já pagou por uma consulta particular e não foi atendido no horário? E não estou falando de convênio, falo de cash. 
Isso não é ausência de médicos? Não há necessidade de mais médicos realmente? Não adianta os médicos enquanto classe acreditarem que há uma perseguição às bruxas, mas sim participarem da solução, talvez reconhecendo essas necessidades, tanto do retorno ao investimento público com serviço à sociedade, como uma forma de ampliação de oferta do serviço médico de forma geral.
A desculpa do salário e falta de infraestrutura, me desculpem não pega. Sei que todos, e isso não é exclusividade da classe médica querem melhoria da qualidade de vida, mas com já publiquei aqui antes, o salário nas Forças Armadas, assim com seus hospitais oferecem condições dignas, não excelentes, mas dignas, de trabalho. E, mesmo assim as Forças Armadas não conseguem manter os médicos que saem em busca de melhores salários, que por sinal, recentemente foram colocados com um dos melhores do país, pouco abaixo dos médicos. Parece brincadeira, mas alguém abandonar emprego que garante aposentadoria integral, pelo setor privado instável e sem essa vantagem, por uma pequena diferença salarial indicaria imbecilidade. E convenhamos, os médicos não são imbecis, é bom verificar com olhos mais críticos essa realidade.

segunda-feira, julho 15, 2013

As forças por trás deste ambientalismo centrado no carbono

resistir info - 14 jul 2013


por James F. Tracy [*]
Em 25 de Junho de 2013 o presidente Obama apresentou a sua agenda a longo prazo para reduzir "emissões com efeito estufa" da indústria e de consumidores dos EUA. Em 11 de Julho o Departamento da Energia advertiu que eventos relacionados com a "alteração climática" estarão a ameaçar fontes tradicionais de produção de energia e a provocar mais interrupções no seu abastecimento. Ao mesmo tempo, a noção de que eventos atmosféricos (weather) inabituais ou extremos são devidos primariamente a um excesso de CO2 atmosférico e ao consequente "efeito estufa" baseia-se comprovadamente muito mais em desígnios económicos e políticos a longo prazo do que em ciência sã.

Como resposta aos apelos urgentes que acompanham a investigação alegadamente
completa e isenta de cientistas, inclusive do IPCC das Nações Unidas, que procuram ligar alterações climáticas à actividade humana e industrial, um conjunto de programas está a ser propostos e implementado por decreto tanto na Europa como nos EUA. Tais programas mudarão drasticamente o padrão de vida da maior parte de cada indivíduo no mundo desenvolvido. Na verdade, uma vez que temperaturas globais não se correlacionam facilmente com a ascensão imediata no dióxido de carbono atmosférico, tem havido uma assinalável mudança no interior da máquina de relações públicas do CO2 do conceito de "aquecimento global" para a expressão mais amorfa e genérica da "alteração climática".

O plano real por trás desta agenda internacional e da promoção de uma ideologia quase religiosa é estabelecer a lógica para uma regulamentação maciça e um sistema de tributação para remodelar o comportamento humano e o estilo de vida, além de criar uma
área totalmente nova para despesas tecnológicas e especulações financeiras utilizando títulos e derivativos relacionados ao carbono

Ostensivamente um empreendimento não lucrativo, a pregação do credo das alterações climáticas tornou-se também um esforço lucrativo, com imensos recursos financeiros proporcionados para o seu proselitismo continuado. Na verdade, a isenção fiscal 501C3 de organizações relativas ao clima constitui
uma máquina de relações públicas de muitos milhares de milhões de dólares destinada a convencer de um tema central: os humanos são culpados por todo o desastre relacionado com o tempo (weather) apresentado graficamente em todos os media electrónicos. Tal ambientalismo falso envolve esforços vigorosos para transformar a política pública com base numa ciência dúbia enquanto ignora ameaças ambientais verdadeiras.

Enquanto se encontram disposições como a da 501C3 a encorajar doações do público em geral, a escala doa activos e receitas anuais de muitas destas organizações sugere a dependência para com muitos indivíduos e instituições com bolsos fundos que pretendem vender a responsáveis do governo e a um público mais vasto a noção de que quase todo acontecimento anormal com o tempo é o resultado de emissões com efeito estufa.


A lista a seguir de organizações não lucrativas destinadas a promover o ponto de vista da alteração climática e da sustentabilidade – de modo algum completa – foi coligida a partir dos formulários fiscais 990 relativos a 2010. Naquele ano a tal 501C3 fez entrar mais de 1,7 mil mihões em receitas (US$1.742.350.656), com a Nature Conservancy, liderada por Marck Tercek, antigo administrador da Goldman Sachs, representando mais da metade daquela quantia. Os dados na quarta coluna demonstram a extensão da presença pública de tais entidades; algumas obtêm maior atenção jornalística ao passo que outras operam sob anonimato quase total.


Nome na 501C3
Rendimento em 2010
Activos líquidos
Nº de menções nas principais publicações mundiais, 01/Jul/2012-30/Jun/2013 (LexisNexis)
Sierra Club $97.757.78 $52.209.573 726
World Wildlife Fund $267.993.426 $182.067.246 993
Friends of the Earth $5.495.897 $3.407.984 1.831
United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change Não disponível Não disponível 697
United Nations Environmental Program Não disponível Não disponível 115
United Nations Foundation $197.737.803 $231.213.165 101
Nature Conservancy Inc. $997.037.663 $5.180.558.726 242
Greenpeace Inc. $27.465.948 $824.056 2.879
Climate Works Foundation $83.026.313 $215.248.816 1
World Resources Institute $50.079.176 $59.901.847 125
Center for Biological Diversity $7.181.472 $10.734.072 115
Defenders of Wildlife $30.229.512 $23.839.354 35
International Institute for Environment and Development $30.335.978 $5.121.919 1
Natural Resources Defense Council $97.957.964 $197.413.060 484
National Council for Science and the Environment $3.526.925 $562.386 8
Global Green USA $4.633.587 $4.372.965 8
Pew Center on Global Climate Change $6.424.365 $4.666.874 2
Institute for Sustainable Communities $15.007.337 $6.207.761 0
Sustainable Markets Foundation $4.347.579 $1.660.940 0
US Climate Action Network $2.414.999 $1.067.116 1
350 Org $3.013.995 $2.250.300 109
Association for the Advancement of Sustainability in Higher Education $2.362.495 $736.159 0
The Alliance for Climate Protection $19.150.215 $12.052.979 5
Climate Solutions $2.642.682 $907.901 29
Alliance for Climate Education $2.749.291 $369.251 2
Climate Central Inc. $3.273.478 -$808.414 49
Climate Group Inc. $2.746.784 $465.685 0
Por exemplo: o Climate Project financiado por Al Gore foi o primeiro a estabelecer-se para "propósitos educativos", principalmente para ter a mensagem de Uma verdade inconveniente levada às salas de aula dos EUA. Uma outra organização, Association for the Advancement of Sustainability in Higher Education, analogamente realiza o trabalho menos destacado de promover a agenda verde no interior de faculdades e universidades. Em linhas gerais, tais recursos são utilizados para enfatizar os alegados perigos das emissões de gás com efeito de estufa para a própria existência da civilização e até mesmo da vida. O montante de tais recursos é comparável aos gastos anuais com publicidade de muitas corporações transnacionais .

OGMs, Golfo do México, DU e Fukushima ignorados


Enquanto Obama e o conjunto de organizações ambientais bem financiadas fazem campanha sobre os alegados perigos de emissões gasosas, eles estão totalmente silenciosos sobre aquilo que são ameaças verdadeiramente graves ao ambiente e à humanidade – nomeadamente a contaminação em escala vasta do abastecimento alimentar a partir de organismos geneticamente modificados (OGMs), o conjunto de modificações clandestinas do tempo e os programas de geo-engenharia, a destruição do Golfo do México e a grave poluição de regiões inteiras do globo com urânio empobrecido
(depleted uranium, DU) e a radiação de Fukushima que perdurará durante muitos períodos de vida humana.

À luz destas catástrofes em curso e dos poderosos interesses financeiros por trás da advocacia ambiental centrada no carbono, a postura de Obama sobre alterações climáticas de origem antropogénica, assim como as propostas de ambientalistas bem financiados, podem ser encarados como o que realmente são – os componentes visíveis de um complexo programa de engenharia social avançado em alto grau para o convencimento do público de que o seu retorno a uma existência pré-feudal não só seria agradável como absolutamente imperativa para o maior bem de todos.

12/Julho/2013
Ver também:
  • Aquecimento global: uma impostura científica , de Marcel Leroux
  • Mitos climáticos , blog de Rui Moura (1931-2010)
  • Acerca da impostura global , de Jorge Figueiredo

    [*] Editor da revista Democratic Communiqué

    O original encontra-se em memoryholeblog.com/... e em www.globalresearch.ca/...

    Uma decisão moral

    resistir info - 14 jul 2013

    por Edward Snowden [*]
    Cartoon de Fernão Campos. Boa-tarde. Meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no paraíso, e vivia com grande conforto. Tinha também meios para, sem qualquer ordem judicial, procurar, avaliar e ler as comunicações de vocês todos. Comunicações de qualquer pessoa, a qualquer momento. É o poder para mudar o destino das pessoas.

    E também é grave violação da lei. As 4ª e 5ª Emendas da Constituição do meu país, artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e inúmeros estatutos e tratados proíbem tais sistemas de vigilância generalizada massiva. Enquanto a Constituição dos EUA define esses programas como ilegais, o meu governo argumenta que decisões tomadas por tribunais secretos, que o mundo não tem permissão para ver, legitimam, de algum modo aquele procedimento ilegal. Essas decisões de tribunais secretos corrompem, simplesmente, as noções mais básicas da Justiça – que a Justiça, para ser feita, tem de trabalhar às claras. O imoral não pode ser transformado em moral por força de lei secreta.


    Acredito no princípio declarado em Nuremberg em 1945: "Os indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência. Portanto, cidadãos, indivíduos, têm o dever de violar leis domésticas para impedir que se cometam crimes contra a paz e a humanidade."


    Assim, fiz o que acreditei ser certo e comecei uma campanha para corrigir essas malfeitorias. Não procurei riqueza para mim. Não procurei vender segredos dos EUA. Não colaborei com qualquer governo estrangeiro para garantir minha segurança. Em vez disso, revelei o que sabia à opinião pública, para que o que nos afeta a todos possa ser discutido por todos à luz do dia e pedi justiça ao mundo.


    Essa decisão moral de contar à opinião pública sobre a espionagem que nos afeta a todos foi difícil e custosa, mas foi a coisa certa a fazer, e não tenho nenhum arrependimento. Desde aquele momento, o governo e os serviços de inteligência dos EUA vêm tentando converter-me em exemplo, um alerta a todos os outros que possam decidir falar, como eu decidi. Já me converteram em apátrida e estou sendo caçado por meu ato de expressão política. O governo dos EUA pôs meu nome em listas de pessoas proibidas de voar no mundo. Exigiu que Hong Kong me entregasse, em ato contrário às próprias leis, em violação direta do princípio da não devolução – o Direito das Nações. Ameaçou com sanções os países que decidiram defender meus direitos humanos e o sistema de asilo da ONU. O governo dos EUA tomou até a medida, sem precedentes, de ordenar a seu aliados militares que forçassem o pouso de um avião presidencial no qual viajava o presidente de um país latino-americano, para revistá-lo à procura de um refugiado político. Essa perigosa escalada representa uma ameaça não só à dignidade da América Latina, assim como aos direitos básicos de todos os seres humanos, de todas as nações, de viverem livres de perseguição e de buscar asilo e de asilar-se.


    Contudo, mesmo perante essa agressão historicamente desproporcional, países em todo o mundo ofereceram-me apoio e asilo. Essas nações, entre as quais Rússia, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, têm minha gratidão e meu respeito, por terem sido as primeiras a erguer-se contra as violações de direitos humanos cometidas pelos poderosos, mais do que pelos sem poder. Ao se recusarem a ceder os próprios princípios ante a violência da intimidação, todos esses países se fazem credores do respeito do mundo. Tenho intenção de viajar a cada um desses países, para apresentar meus agradecimentos, pessoalmente, aos governos e aos cidadãos.


    Anuncio hoje minha aceitação formal de todas as ofertas de apoio ou de asilo que recebi e todas as que venham a ser-me oferecidas no futuro. Com, por exemplo, a garantia de asilo que me deu o presidente Maduro da Venezuela, meu estatuto de asilado é hoje formal – e nenhum estado tem base legal para limitar ou interferir no meu direito de usufruir aquele asilo. Mas, como vimos, alguns governos da Europa Ocidental e estados da América do Norte demonstraram já a sua disposição para agir à margem da lei e esse comportamento persiste ainda hoje. Essa ameaça ilegal torna impossível para mim viajar para a América Latina e ali usufruir o asilo concedido de acordo com os nossos direitos comuns.


    A intenção manifesta de estados poderosos de agirem contra a lei é uma ameaça contra todos nós e não se pode deixar que se concretize. Assim, peço que me ajudem a obter o direito de livre passagem pelo espaço aéreo das nações necessárias para que se complete em segurança a minha viagem para a América Latina. Também peço asilo à Rússia, até que aqueles estados aceitem obedecer à lei e permitam que eu viaje em segurança. Hoje apresentarei à Rússia o meu pedido de asilo. Espero que seja aceite.


    Se tiverem perguntas, responderei as que eu puder. Obrigado.
    Ver também:
  • A NSA e os seus prestativos ajudantes
  • Um apelo às armas da codificação
  • The Search for Snowden: Assaults on Sovereignty and Diplomatic Immunity

    [*] Declaração a organizações de direitos humanos feita no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, 12/07/2013. Estiveram presentes a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch. A representante desta última informou na ocasião que, a caminho do aeroporto recebera um telefonema do embaixador dos EUA na Rússia a pedir-lhe para dizer ao Sr. Snowden que o governo dos EUA não o classifica como "denunciante" ("whistleblower") e que infringiu as leis do seu país.

    O original encontra-se em http://wlcentral.org/node/2849 . Tradução de Vila Vudu (com pequenas alterações).

    A GATA ASSANHADA TEM RAZÃO

    aijesus.blogspt - 12 jul 2013

     
    Há uma coisa em que a presidenta da assembleia da república tem razão quando, feita gata assanhada, histericamente manda evacuar as galerias da sala. Considerando que a democracia é o governo do povo para o povo, a assembleia da república não é o local da democracia. Por isso, o povo deve vir para a rua: é lá que ele faz a democracia...

    ...apesar de tudo.

    A assembleia, essa que fique para os deputados fazerem, à sua vontade, a merda que entenderem.


    Acho que não estamos muito distante desse tratamento. Só não ocupamos o plenário, mas dada as respostas pós-manifestações por parte do Congresso, era exatamente asssim que ele pensava.

    O fator Mantega


    Autor: 
    Coluna Econômica
    Desde o pós-Guerra, as políticas econômicas nas economias de mercado tem se pautado por duas orientações distintas (aliás, seguindo a mesma dicotomia que a marcou no século 19): o chamado liberalismo ou ortodoxia econômica, e o keynesianismo, ou heterodoxia.
    ***
    O primeiro modelo custou caro ao país. Implementado a partir da gestão Marcílio Marques Moreira, na Fazenda, consistia em trabalhar as despesas do Estado de maneira linear (contingenciando os gastos sem nenhuma preocupação com as consequências), uma política monetária extraordinariamente irresponsável (os mais altos juros do mundo, criando uma dívida pública monumental) e um câmbio em permanente desajuste. A cada crise externa respondia-se com um novo aperto fiscal, interrompendo obras pela metade, só para ostentar um superávit de caixa no final do ano.
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    Apenas em 2008 rompeu-se com essa ortodoxia, quando a crise global obrigou o governo a se mexer. Passou-se a se valer, então das ferramentas keynesianas (de John Maynard Keynes, economista inglês que reformou o sistema monetário mundial), segundo o qual, quando a demanda privada é insuficiente para reativar a economia, cabe ao gasto público comandar o processo.
    Bem sucedida em 2008, a política falhou a partir de 2011, fortalecendo o discurso dos chamados “mercadistas”.
    Esta semana, no jornal “Valor”, dois dos mais expressivos representantes da escola keynesiana no Brasil – Luiz Fernando de Paula e André de Melo Modenesi -apressaram-se a afirmar, em um artigo esclarecedor, que a culpa não é de Keynes, mas de Guido Mantega.
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    Por que razão, mesmo com a redução da taxa Selic e com a melhoria do câmbio, a economia não se recuperou?, indagam eles.
    A fórmula preconizada por Keynes consiste em conferir previsibilidade à econômica, através da ação de governo e, através da redução da volatilidade, estimular o investimento privado. “Keynes e os economistas keynesianos defendem a transparência e não o segredo como uma condição para o sucesso da política econômica”, explicam eles.
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    Na crise de 2008, apesar da ampla falta de sintonia com o Banco Central de Henrique Meirelles, a Fazenda logrou uma ação racional, coordenada e amplamente vitoriosa – ajudada, em parte, pela manutenção do crescimento chinês e das cotações elevadas de commodities.
    Em 2011, quando percebeu que a economia patinava e que o quadro internacional se complicava, Mantega demorou a adotar medidas anticíclicas.
    Quando resolveu agir, foi na direção errada. Comprometeu o superávit com uma série desconexa de isenções fiscais para consumo. Os empresários se encolheram, em parte devido aos receios advindos dos desdobramentos da crise internacional. Mas Mantega teve papel central ao maquiar os dados fiscais e sair desonerando setores indistintamente, sem um plano de voo.
    Com o câmbio defasado, a insistência em aumentar o crédito resultou em aumento desmedido das importações. Quando o endividamento das famílias bateu no limite, o consumo interno começou a baquear.
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    Haverá, agora, um longo trabalho de reconstrução, que passa pela volta da transparência fiscal, pelo fim das isenções indiscriminadas e pelo sucesso nas próximas rodadas de concessão pública.

    Newton Lima: Microsoft tem de esclarecer ajuda à espionagem dos EUA

    publicado em 14 de julho de 2013 às 11:48
    Documentos fornecidos por Snowden revelam a estreita colaboração da Microsoft com os órgãos de segurança e espionagem dos Estados Unidos
    O jornal inglês The Guardian reportou, nesta sexta-feira (12), que Edward Snowden, ex-agente da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), forneceu documentos que revelam a estreita colaboração da Microsoft com os órgãos de segurança e espionagem dos Estados Unidos.
    De acordo com as informações disponibilizadas por Snowden, a gigante mundial do setor de softwares teria, inclusive, quebrado o seu próprio sistema de criptografia de e-mails, usado para proteger correspondência eletrônica no programa Outlook e nas contas do serviço Hotmail.
    O software de conversação em áudio e vídeo Skype, adquirido pela Microsoft em 2011 e com cerca de 660 milhões de usuários no mundo, também foi usado para cooperação com as agências governamentais, permitindo a coleta de videochamadas para o sistema Prism, uma das principais ferramentas do esquema de espionagem revelado por Snowden.
    Para o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, as denúncias são “gravíssimas” e demandam a elaboração de legislações específicas.
    “A cada dia que passa, as revelações feitas demonstram a enorme gravidade das denúncias. A Câmara, o Senado e a Presidência da República têm se manifestado em repúdio a estas práticas, mas precisamos acelerar a votação do Marco Civil, para proteger com mais rigor os direitos dos cidadãos, assim como é necessária uma legislação específica que garanta a privacidade das empresas”, propôs Bittar.
    O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que desde fevereiro de 2012 vinha alertando sobre os perigos iminentes diante a nova política de privacidade adotada pela empresa Google nos seus diversos serviços, avalia que os “global players” da Internet e das telecomunicações, especialmente dos Estados Unidos, não têm nenhum pudor em desrespeitar os direitos civis dos usuários da rede mundial de computadores.
    “Graças a um ex-espião que conhece muito bem a máquina de espionagem dos Estados Unidos, estamos comprovando cada vez mais algumas práticas das quais já suspeitávamos e já vínhamos denunciando em parte. A internet e as redes de telecomunicações não podem estar a serviço de uma polícia global e muito menos dos interesses políticos e comerciais de um único país”, protestou o parlamentar gaúcho.
    O deputado Newton Lima (PT-SP), também integrante da CCTCI, informou que vai apresentar requerimento para reforçar o convite à Microsoft para que esta compareça à audiência pública que a comissão realizará sobre o assunto, em data a ser confirmada. “Com estas novas revelações, é absolutamente imprescindível que a Microsoft compareça à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos acerca das denúncias nas quais está envolvida”, argumentou Lima.
    Software livre e nacional – Para Jorge Bittar, a colaboração da Microsoft e de outras empresas com o aparelho de espionagem dos EUA reforça a necessidade de ampliação de softwares não proprietários e produzidos por empresas nacionais, especialmente pela gestão pública.
    “Os softwares não-proprietários, pela sua natureza, são mais imunes à inserção de dispositivos que violem a privacidade e a segurança dos usuários. Somado a isso, devemos reforçar o princípio de preferência aos softwares nacionais. Havendo produtos similares produzidos por empresas brasileiras, estes devem prevalecer sobre aqueles produzidos no exterior nas contratações do poder público”, defendeu Bittar.

    Não vai dar em nada. Vão fazer o quê, obrigar a microsoft a alterar a situação, ou o povo a trocar o programa pelo linux? Fala sério. 
    alguns investimentos na soberania nacional que se estão relatados em post anterior e poderia permitir uma melhor condição de segurança interna, não deixaram o Lula fazer. 
    Bom, mas enquanto esse tipo de investimento no setor militar for mal visto, devido ao excesso de propaganda contra o setor, a coisa não vai adiante, e aí companheiro, não adianta reclamar depois, ou fazer de conta que se vai dar dura em potência ou multinacional.  

    Paulo Moreira Leite: “Novo”, “velho”? Não vale fazer papel de bobo

    viomundo - publicado em 14 de julho de 2013 às 11:18


    por Paulo Moreira Leite, em seu blog
    Procura-se minimizar o Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais a partir de uma comparação cinematográfica com os protestos de caráter político ocorridos em junho. É uma comparação indevida. A nova moda ideológica é falar em “velho” e “novo.”
    Aquelas mobilizações tiveram clara natureza política, apontando, difusamente, para autoridades constituídas – fosse o prefeito, o vereador, o guarda da esquina, o governador, a presidente da República e assim por diante. Eram formadas por uma massa de jovens, em sua maioria estudantes, com ideias diversas e até antagônicas.
    Sua direção era semi-secreta, movimentando-se por sites, vídeos e blogs da internet. Havia anarquistas, libertários e fascistas, que chegaram a carregar faixas pedindo a volta dos militares ao poder. Vídeos com audiência nos milhões de pessoas pediram boicote a Copa e até a suspensão de investimentos no país. Interessada em manter Dilma Rousseff sob pressão, os grandes grupos de mídia adoraram. Divulgaram datas e locais dos protestos como se prestassem um serviço para shows e peças de teatro.
    Os protestos trouxeram benefícios palpáveis, como redução nas tarifas. Também obrigaram as instituições políticas a responder a demandas há muito tempo ansiadas pela população. Mas também deram curso a atos de demagogia e grande oportunismo.
    O Congresso Nacional transformou-se numa usina de projetos aprovados a toque de caixa, apenas para agradar a multidão. Uma das principais questões colocadas pelas ruas – uma reforma de fundo em nosso sistema político – pode ser destruída, ponto a ponto, em negociações destinadas a bloquear a participação popular nas decisões. Velho? Novo?
    O Dia Nacional de Luta foi um ato das lideranças de trabalhadores, que, como apontou o jornal espanhol El País, pela primeira vez em 22 anos foram às ruas numa mobilização nacional para defender seus interesses e cobrar providências do governo. Não foi um grande espetáculo nem um ato de ruptura com o governo Dilma, como gostaria a oposição.
    Mas foi um aviso definido numa situação bem específica.
    Em vários pontos de São Paulo, viveu-se um clima de feriado – ainda mais notável porque as linhas de ônibus e o metrô funcionaram normalmente. Os protestos em grandes empresas, no Paraná, em Goiás, foram vigorosos entre categorias importantes.
    Um ato reuniu 15 000 pessoas no Recife e 10 000 em Belo Horizonte. Ocorreram marchas em Cuiabá e em Brasília mas também em São Luís e Fortaleza. Quatro mil trabalhadores de São Bernardo do Campo desfilaram pela Via Anchieta. Se cabe registrar a denúncia de pagamento de ajuda de custo cachê recebido por manifestantes da avenida Paulista, convém não tomar a árvore pela floresta. A 25 de março, maior centro de comércio do país, foi paralisada, evento nada desprezível. O Rio de Janeiro assistiu a um protesto de 20 000 pessoas.
    É preciso muito esforço para não enxergar sua importância – apesar da desvantagem numérica e da falta daquele glamour midiático de uma ação comandada por pessoas com menos de 24 anos.
    No Brasil de 2013, os juros estão em alta, o crescimento econômico encontra-se em queda e os trabalhadores estão preocupados com o futuro de suas famílias. Ninguém sabe até quando o desemprego permanecerá baixo. Nem até quando os salários poderão subir sempre um pouco acima da inflação. Coisas “velhas”, com certeza. Mas imagine o “novo” que pode estar a caminho.
    Antes de acreditar nos ideólogos que em menos de 24 horas descobriram a nova divisão do mundo e das pessoas, é bom lembrar que o trabalho assalariado não foi abolido, apesar do desemprego estrutural crescer em vários países e versões inesperadas de trabalho escravo terem surgido.
    Ter um bom emprego continua sendo a principal referência de existência e conforto para a imensa maioria da população, ao menos enquanto o mundo viver sob regras da economia atual e não for possível criar uma sociedade do lazer ampla e irrestrita.
    As questões deste universo, do trabalho foram colocadas pela manifestação de ontem. Nada “novo,” é verdade. Mas dolorosamente real.
    Os sindicatos pedem atenção às aposentadorias, questão essencial num país em processo acelerado de envelhecimento. Também denunciam as políticas de terceirização, que ameaçam progressos históricos obtidos a partir da CLT. Não querem o “novo”, se isso significa criar um mundo pior que o “velho.”
    Enfraquecer as organizações do movimento sindical de todas as maneiras constitui um objetivo estratégico do conservadorismo brasileiro desde 1954, quando Getúlio Vargas foi arrancado do Catete pelo tiro do suicídio. Essa meta alimentou o golpe de 1964, e, com todas as nuances e correções, encontra-se por trás de campanhas permanentes contra o sindicalismo brasileiro nos dias de hoje. Como a CLT foi assinada em 1944, é vista como símbolo do “velho.” Mas era o “novo” em relação a 1930, quando a questão social era “caso de polícia.”
    Novo, velho? Não vale fazer papel de bobo.
    Convém não esquecer que o atual governo não foi gerado em gabinetes da FIESP nem em piqueniques acadêmicos mas tem raízes nas greves de trabalhadores dos anos 70.
    E é evidente que dividir e enfraquecer o movimento sindical será um objetivo essencial da oposição para 2014, quando se joga a sucessão presidencial de Dilma Rousseff, desde já a mais difícil disputa política para os trabalhadores desde 2002.
    A principal crítica que se faz aos protestos foi ter, supostamente, um caráter governista, de quem teria sido cooptado pelo governo em troca de favores e presentinhos. Em tom de lamúria, lamenta-se que o sindicalismo tenha perdido a vocação “autêntica” para assumir velhas práticas de conciliação e submissão.
    Numa versão verde-amarela da estratégia thatcherista de deixar as entidades sindicais sem recursos, estrangulando sua atividade com a falta de dinheiro, volta-se a criticar o imposto sindical, que todo trabalhador pode se recusar a pagar, sendo devidamente estimulado a fazer por funcionários de RH de grandes empresas.
    Falar em “acomodação” e “peleguismo” é uma ação de fundo eleitoral, para ajudar aquele “novo” que ninguém sabe quem será. Tenta-se, com ela, esconder benefícios reais conseguidos nos últimos anos.
    A maioria dos trabalhadores votou na eleição de Dilma em 2010, assim como assegurou as duas eleições de Lula. Obteve conquistas importantes, ainda que o país não tenha, obviamente, chegado ao paraíso.
    A renda média do cidadão brasileiro continua muito baixa. O salário médio não permite à maioria dos brasileiros ter acesso a bens e confortos que são padrão neste início de século XXI.
    A falta de qualidade nos serviços públicos atinge um padrão vergonhoso.
    Apesar disso, na última década os trabalhadores conseguiram melhorias importantes, muitas inéditas. O desemprego caiu a um nível nunca visto. O salario mínimo não parou de subir. O emprego formal cresceu e a desigualdade regional diminuiu.
    Apresentado como filantropia de fins eleitorais, o Bolsa Família nada mais é do que uma resposta dos poderes públicos à condição de miséria na qual sobrevivem milhões de famílias de trabalhadores sem emprego decente, sem estudo formal e sem qualificação profissional, a que todos deveriam ter direito.
    O problema real é outro. Entregue aos solavancos e misérias do mercado, o mundo encontra-se em sua pior crise desde 1929. Em toda parte, conquistas históricas da se encontram sob ameaça – quando não foram simplesmente revogadas.
    A regressão é geral e muita gente repete que não há outra saída. É o novo conformismo. Novo?
    Este é o mal que ronda a Terra, como assinalou Tony Judt, um dos principais historiadores de nosso tempo.
    O debate realmente novo é impedir este processo de chegar ao País.
    A oposição, em suas várias faces e muitas máscaras, está pronta para cumprir seu papel. Recebe estímulos, favores e até carinhos. Fala através de eufemismos e encontra-se bem protegida.
    Por trás dela encontra-se o rumo das conquista arrancadas depois de 2002 – e o que será feito com elas no pós-2014.
    Este é o debate que o Dia Nacional de Luta colocou. Convém não desprezá-lo.

    Não concordo com Paulo Moreira ao elogiar o Dial Nacional de Luta, principalmente pelo fato de que esse só ocorreu na esteira dos manifestos. Antes dessas gigantescas manifestações ou do grupo na rede ter sugerido uma paralisação nacional no dia 01 de julho não havia essa Greve Geral orquestrada. O medo de uma paralisação desse nível não partindo dos sindicatos os fez se mobilizar, então nada tem de "real" o Dia Nacional de Luta. 
    Faz-se necessário ficar atento aos novos movimentos. A pressão neoliberal deve vir forte e com bons argumentos. Tomemos cuidado para não deslizarmos. Não é o momento de polarização e sim de diálogo.