"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sexta-feira, abril 17, 2009

Uma crise diferente de todas as outras

Site do Azenha - Atualizado em 15 de abril de 2009 às 19:06 | Publicado em 15 de abril de 2009 às 19:05

É o que este site sempre disse: esta não é uma crise como todas as outras, daquelas crises cíclicas do capitalismo. Esta é A crise de nossa geração e, portanto, exige respostas extraordinárias:

Crise é diferente das anteriores e precisa de respostas próprias, avaliam especialistas latinos

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Não há uma fórmula para amenizar os efeitos da crise econômica internacional na América Latina. Mas, em um ponto, há consenso entre os altos executivos e representantes de governos e instituições multilaterais que participam do Fórum Econômico Mundial da América Latina: a atual crise é diferente das vivenciadas em décadas anteriores pela região e a América Latina precisa encontrar as próprias respostas.

Para o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, a América Latina não pode ir atrás das mesmas soluções adotadas pelo G7 (grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo). “Não é como as que estamos acostumados, não é uma crise política, de balança de pagamentos, de inadimplência ou de inflação. Também não temos o tipo de bolha de alavancagem que vemos noutras regiões e, por isso, não podemos buscar as mesmas soluções adotadas pelo G7”, disse ele, ao debater sobre o cenário econômico regional para 2009.

No entender de Ricardo Marino, diretor do Itaú/Unibanco, não é uma questão de crise estrutural na região, mas uma “contração cíclica exportada de fora”. Para Marino, a América Latina está menos vulnerável devido aos ajustes macroeconômicos da década passada. Mas nem por isso não corre riscos. Entre os temores manifestados no encontro está o crescimento do desemprego.

“Estamos vendo, ou veremos logo, taxas de desemprego de dois dígitos”, alertou Felipe Lorrain Bascuñán, professor de Economia da Universidade Católica do Chile. Ele destacou o papel do Estado não apenas na criação de novas vagas, mas também na capacitação dos trabalhadores para preservação do emprego. Ele defendeu a importância de subsídios para a criação de novas vagas de trabalho..

Os processos eleitorais deste ano a região também preocupam os participantes do Fórum Econômico Mundial da América Latina, que integra o calendário do Fórum de Davos, na Suíça. Há receios sobre o que definem como “retrocessos políticos”. “Estamos iniciando uma nova rodada de eleições, e isso aumenta as chances da volta do populismo e a adoção de medidas sem sustentabilidade”, alertou Maurício Cárdenas, diretor da Iniciativa para a América Latina do Brooking Institute, dos Estados Unidos.

Mais cedo, ao divulgar relatório da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre as perspectivas econômicas da América Latina para 2009, o economista-chefe do Departamento de Desenvolvimento da OCDE, Javier Santiso, também manifestou preocupação com as eleições latino-americanas. “Seja qual for a saída para essa crise, mais rápida ou mais lenta, o ruído dos ciclos eleitorais também vai permear os mercados financeiros”. O relatório mostra que os mercados financeiros se tornam mais nervosos em períodos eleitorais.

Cárdenas disse ainda que os incentivos públicos são bem-vindos, mas que é preciso tomar cuidado com as políticas de subsídios a determinados grupos ou setores. “Temos que tomar cuidado para que em um segundo momento esses setores ou grupos possam se manter com suas próprias pernas”, alertou.

Já Alícia Bárcena Ibarra, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), considerou importante a proteção aos investimentos na região, “Apesar de estarmos perdendo um pouco de receita, temos que proteger os investimentos”. Ela também defendeu maior diálogo entre governo e iniciativa privada para que o impacto da crise seja uniforme sobre todos os segmentos. “É muito importante a coordenação entre o que os governos pretendem fazer, o setor produtivo e o privado. Estamos vendo governos anunciando medidas sem ouvir o setor privado”, disse.

Começa a cair a ficha do governo Lula

Site do Azenha - Atualizado em 15 de abril de 2009 às 19:12 | Publicado em 15 de abril de 2009 às 18:49

Fazer superávit fiscal com a crise comendo solta? Uma sandice absoluta:

15 de Abril de 2009 - 17h04 - Última modificação em 15 de Abril de 2009 - 17h04

Governo altera para 2,5% do PIB meta do superávit primário para 2009

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O setor público vai economizar 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) a menos, para pagar os juros da dívida, neste ano e, assim, estimular a economia. Segundo números divulgados há pouco pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a meta do superávit primário para 2009 cairá de 3,8% para 2,5% do PIB.

A alteração constará de projeto de lei que será enviado ao Congresso Nacional para modificar os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2009. “Precisamos, neste momento, fazer a política anticíclica para aquecer a economia [ampliar os gastos públicos]”, disse Mantega.

Para a União, a redução do superávit primário será de 0,75% do PIB. Segundo o ministro, a meta de superávit primário da União passará de 2,15% para 1,40% do PIB.

Esses números referem-se ao Governo Central, formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.

Para as estatais, a redução será de 0,5% do PIB, por causa da exclusão da Petrobras do cálculo do superávit primário.

Com essas mudanças, a contribuição das estatais vai cair de 0,7% para 0,2% do PIB. O governo também vai propor a redução do esforço fiscal dos estados e dos municípios, de 0,95% para 0,90% do PIB.

De acordo com Mantega, a retirada da Petrobras do cálculo do superávit primário não vai impedir a manutenção da queda do déficit nominal, que é o que o setor público fica devendo após pagar os juros da dívida.

O ministro disse ainda que o resultado nominal ficará em -2,12% do PIB deste ano, resultado praticamente igual ao registrado em 2008, que ficou em -2,16%.

Para 2010, a equipe econômica projeta queda no déficit para -0,76% do PIB. “As mudanças não vão impedir o governo de ampliar para o déficit nominal zero”, afirmou.

Você, financiando a General Motors (li e não entendi)

Site do Azenha - Atualizado em 15 de abril de 2009 às 12:58 | Publicado em 15 de abril de 2009 às 10:37

Do Valor Econômico

Marli Olmos, de São Paulo

A General Motors conta com empréstimos de bancos no Brasil, inclusive do BNDES, para financiar o investimento de 1 bilhão de dólares que pretende fazer na fábrica de Gravataí (RS). Outra parte do dinheiro virá da interrupção na remessa de lucros e dividendos à matriz. A companhia não revela quanto envia para os EUA. No balanço de 2008, a região da qual a operação brasileira faz parte teve lucro de 1,3 bilhão de dólares, sendo que o país representa mais de 60% desse total. O investimento em instalações brasileiras revela a opção estratégica da debilitada companhia americana, prestes a entrar em concordata.

Deixa ver se eu, Azenha, entendi: a empresa pega dinheiro público no Brasil, ou seja, meu dinheiro, e suspende "parte" da remessa de lucros e dividendos para os Estados Unidos, parte de um valor que não revela. Será a maior parte? Ou a menor parte? Ou uma parte ínfima? Eles fazem as besteiras, levam a empresa à falência produzindo automóveis gigantes que torram gasolina e poluem o mundo e, quando quebram, pegam meu dinheiro e continuam remetendo lucros e dividendos para os Estados Unidos.

Isso é que é capitalismo!

PS: Li e não entendi. A GM deixará de remeter lucros. Portanto, burro sou eu. O acréscimo que fiz no título expressa indignação com minha incapacidade de entender um texto.

Lacerda se nega a fazer jogo de escroques

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 15 de abril de 2009 às 10:21

14 de Abril de 2009 - 21h03 - Última modificação em 14 de Abril de 2009 - 21h03

Ministro do STF concede liminar para Paulo Lacerda não depor na CPI dos grampos

Marco Antonio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello deferiu, na noite de hoje (14), pedido de liminar do ex-diretor geral da Polícia Federal (PF) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda para suspender, até o julgamento final do mérito do habeas corpus ajuizado na Corte, seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas (CPI dos grampos).

Lacerda, que atualmente é adido policial na Embaixada do Brasil em Portugal, pede no habeas corpus que o STF garanta a ele os direitos de ser ouvido onde mora, em Lisboa, de ser assistido por advogado, de ficar em silêncio em relação a perguntas que possam incriminá-lo, e de não assinar termos de compromisso na condição de testemunha e de não ser preso durante o depoimento.

O depoimento de Lacerda na CPI estava marcado para amanhã (15), na Câmara dos Deputados, e o habeas corpus foi protocolado por sua defesa na tarde de hoje no STF.

Galisteu viajou com a tua grana

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 15 de abril de 2009 às 10:00

14/04/2009 - 16h00
Deputado diz que Galisteu era sua "companheira" quando usou passagens da Câmara

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O deputado Fabio Faria (PMN-RN) confirmou que parte da sua cota de passagens aéreas da Câmara foi usada pela apresentadora Adriane Galisteu, sua ex-namorada. Por meio de sua assessoria, Faria disse que Adriane era sua "companheira" quando as passagens foram usadas.

Segundo a assessoria da apresentadora, Galisteu vai comentar o assunto após às 19h30.

Segundo reportagem do site "Congresso Em Foco", Faria pagou passagens para Adriane, para a mãe dela, Emma Galisteu, e para um amigo da apresentadora, Claudio Torelli, no período de 2007 a 2008. Somadas, as passagens custaram à Câmara cerca de R$ 11 mil.

Por entender que tinha um "vínculo" com Adriane, o deputado não ressarciu à Câmara o valor das passagens usadas pela apresentadora, sua mãe e amigo.

Faria disse, entretanto, que ressarciu à Câmara o valor das passagens usadas pelos atores Kayky Brito, Sthefany Brito e Samara Felippo, que participaram do carnaval fora de época em Natal, em dezembro de 2007. Eles foram convidados para o camarote que o deputado organizou para o evento..

O deputado divulgou nota nesta terça-feira afirmando que foram identificadas "falhas pontuais, mas que já corrigiu o erro devolvendo o dinheiro aos cofres do Legislativo".

Na nota, Faria afirmou que deixou sob os cuidados de seus assessores a responsabilidade na reserva dos bilhetes aéreos. "A questão relativa à emissão de passagens aéreas é uma atribuição administrativa com a qual nunca lidei pessoalmente, deixando os detalhes dessa tarefa burocrática a cargo do corpo técnico de meu gabinete. Sempre orientei o corpo técnico de meu gabinete para que atuasse em consonância com os documentos legais em vigor."

O deputado, que é conhecido pelo bom trânsito entre os artistas, teria ainda reservado passagens para a cantora Preta Gil, e as atrizes Priscila Fantin, sua ex-namorada, e Débora Secco --que acabaram canceladas.

Câmara

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse que cabe ao próprio parlamentar julgar se agiu corretamente, uma vez que a resolução da Casa que regulamenta a utilização das passagens não proibe que terceiros utilizem a cota.

Temer disse que cabe a Fabio Faria decidir se vai devolver os recursos ao Congresso ou apresentar suas justificativas formais pelo repasse das passagens aos artistas. "Não é o padrão normal. Mas ele tem que responder por isso. Se achar que deve, e esse é um juízo dele, devolve esses recursos para a Câmara. Se achar que não, apresenta as suas justificativas", afirmou Temer.

O tóxico dos campos

Instituto Humanitas Unisinos - 15/04/09

O agrotóxico básico da indústria da soja produz deformações neuroniais, intestinais e cardíacas, mesmo em doses muito inferiores àquelas utilizadas na agricultura. O estudo, realizado em embriões, é o primeiro em seu tipo e refuta a suposta inocuidade do herbicida.

A reportagem é de Darío Aranda e publicada no jornal argentino Página/12, 13-04-2009. A tradução é do Cepat.

As comunidades indígenas e os movimentos camponeses denunciam há mais de uma década os efeitos dos agrotóxicos utilizados na soja sobre a saúde. Mas, sempre bateram de frente com os desmentidos de três atores de peso: os produtores (representados em grande parte pela Mesa de Enlace), as grandes empresas do setor e os setores governamentais que impulsionam o modelo agropecuário.

O argumento recorrente é a ausência de “estudos sérios” que demonstrem os efeitos negativos do herbicida. Após treze anos da febre da soja, pela primeira vez uma pesquisa científica de laboratório confirma que o glifosato (químico fundamental da indústria da soja) é altamente tóxico e provoca efeitos devastadores em embriões. A comprovação foi dada pelo Laboratório de Embriologia Molecular do Conicet-UBAFaculdade de Medicina) que, com doses até 1.500 vezes inferiores àquelas utilizadas nas fumigações da soja, comprovou transtornos intestinais e cardíacos, deformações e alterações neuroniais.

“Concentrações ínfimas de glifosato, comparadas com aquelas usadas na agricultura, são capazes de produzir efeitos negativos na morfologia do embrião, sugerindo a possibilidade de que estejam interferindo nos mecanismos normais do desenvolvimento embrionário”, destaca o trabalho, que também insiste na urgente necessidade de limitar o uso do agrotóxico e pesquisar suas consequências no longo prazo. O herbicida mais utilizado a base de glifosato é comercializado com o nome de Roundup, da Monsanto, líder mundial dos agronegócios.

O Laboratório de Embriologia Molecular conta com vinte anos de trabalho em pesquisas acadêmicas. Funciona no âmbito da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet). É uma referência no estudo científico, formado por licenciados em bioquímica, genética e biologia. Durante os últimos quinze meses estudou o efeito do glifosato em embriões anfíbios, desde a fecundação até que o organismo adquirisse as características morfológicas da espécie.

“Foram utilizados embriões anfíbios, um modelo tradicional de estudo, ideal para determinar concentrações que podem alterar mecanismos fisiológicos que produzam prejuízo celular e/ou transtornos durante o desenvolvimento. E devido à conservação dos mecanismos que regulam o desenvolvimento embrionário dos vertebrados, os resultados são totalmente comparáveis com o que aconteceria com o desenvolvimento do embrião humano”, explica Andrés Carrasco, professor de embriologia, pesquisador principal do Conicet e diretor do Laboratório de Embriologia.

A equipe de pesquisadores disse que as diluições recomendadas para a fumigação pela indústria agroquímica oscilam entre 1% e 2% da solução comercial (para cada litro de água recomenda-se 10/20 mililitros). Mas, no campo é de conhecimento de todos – inclusive reconhecido pelo setor – que as ervas daninhas a serem eliminadas criaram resistências ao agrotóxico, razão pela qual os produtores de soja utilizam concentrações maiores. O estudo afirma que na prática cotidiana as diluições variam entre 10% e 30% (100/300 mililitros por litro de água).

Utilizando como parâmetro de comparação os padrões teóricos (aqueles recomendados pelas empresas) e os reais (aqueles usados pelos produtores de soja), os resultados de laboratório são igualmente alarmantes. “Os embriões foram incubados por imersão em diluições com um mililitro de herbicida em 5.000 de solução de cultivo embrionário, que representam quantidades de glifosato entre 50 e 1540 vezes inferiores àquelas usadas nos campos com soja. Houve diminuição de tamanho embrionário, sérias alterações cefálicas com redução de olhos e ouvidos, alterações na diferenciação neuronial precoce com perda de células neuroniais primárias”, afirma o trabalho, que foi dividido em dois tipos de experimentação: imersão em solução salina e por injeção de glifosato em células embrionárias. Em ambos os casos, e em concentrações variáveis, os resultados foram contundentes.

“Diminuição do comprimento do embrião, alterações que sugerem defeitos na formação do eixo embrionário. Alteração do tamanho da cabeça com comprometimento da formação do cérebro e redução de olhos e da zona do sistema auditivo, que poderiam indicar causas de deformações e deficiências na etapa adulta”, alerta a pesquisa, que também avança sobre efeitos neurológicos graves: “(Foram comprovadas) Alterações nos mecanismos de formação de neurônios precoces, por uma diminuição de neurônios primários comprometendo o correto desenvolvimento do cérebro, compatíveis com alterações com o fechamento normal do tubo neuronial ou outras deficiências do sistema nervoso”.

Quando os embriões foram injetados com doses de glifosato muito diluído (até 300.000 vezes inferiores àquelas utilizadas nas fumigações), os resultados foram igualmente devastadores. “Deformações intestinais e deformações cardíacas. Alterações na formação e/ou especificação da crista neuronial. Alterações na formação das cartilagens e ossos do crânio e face, compatível com um incremento da morte celular programada.” Traduzindo, estes resultados implicam que o glifosato afeta um conjunto de células que têm como função a formação das cartilagens e depois dos ossos da face.

“Qualquer alteração de forma por falhas de divisão celular ou de morte celular programada leva a deformações faciais sérias. No caso dos embriões, comprovamos a existência de menor quantidade de células nas cartilagens faciais embrionárias”, detalha Carrasco, que também destaca a existência de “deformações intestinais, principalmente no aparelho digestivo, que mostra alterações em sua rotação e tamanho”.

A soja semeada no país ocupa 17 milhões de hectares em dez Províncias e é comercializada pela Monsanto, que vende as sementes e o agrotóxico Roundup (a base de glifosato), que tem a propriedade de permanecer extensos períodos no ambiente e viajar longas distâncias arrastado pelo vento e a água. Aplica-se em forma líquida sobre a planta, que absorve o veneno e morre em poucos dias. A única coisa que cresce na terra borrifada é a soja transgênica, modificada em laboratório. A propaganda da empresa classifica o glifosato como inofensivo ao ser humano.

Como todo herbicida, é formado a partir de um princípio “ativo” (neste caso o glifosato) e outras substâncias (chamadas coadjuvantes ou surfactantes, que por segredo comercial não é especificado em detalhes), cuja função é melhorar seu manejo e aumentar o poder destrutivo do ingrediente ativo. “O POEA (substância derivada de ácidos sintetizados de gorduras animais) é um dos aditivos mais comuns e mais tóxicos, se degrada lentamente e se acumula nas células”, acusa a pesquisa, que descreve o POEA como um detergente que facilita a penetração do glifosato nas células vegetais e melhora a sua eficácia. Pesquisadores de diversos países centraram seus estudos nos coadjuvantes e confirmaram as suas consequências.

O estudo experimental do Conicet-UBA (segundo seus autores, o primeiro em pesquisar os efeitos do herbicida e o glifosato puro no desenvolvimento embrionário de vertebrados) se centra no elemento menos estudado e denunciado do Roundup. “O glifosato puro introduzido por injeção em embriões em doses equivalentes às usadas no campo entre 10.000 e 300.000 vezes menores, tem uma atividade específica para prejudicar as células. É o responsável por anomalias durante o desenvolvimento do embrião e permite sustentar que não apenas os aditivos são tóxicos e, por outro lado, permite afirmar que o glifosato é causador de deformações por interferir em mecanismos normais de desenvolvimento embrionário, interferindo nos processos biológicos normais”.

Carrasco resgata as dezenas de denúncias – e quadros clínicos agudos – de camponeses, indígenas e bairros fumigados. “As anomalias mostradas por nossa pesquisa sugerem a necessidade de assumir uma relação causal direta com a enorme variedade de observações clínicas conhecidas, tanto oncológicas como de deformações reportadas na casuística popular ou médica”, adverte o professor de embriologia.

A pesquisa lembra que o uso de agrotóxicos sojeiros obedeceu a uma decisão política que não foi baseada em um estudo científico-sanitário (“é inevitável admitir a imperiosa necessidade de ter estudado estes, ou outros, efeitos antes de permitir seu uso”), denuncia o papel complacente do mundo científico (“a ciência é instada pelos grandes interesses econômicos, e não pela verdade e o bem-estar dos povos”) e faz um chamado urgente para realizar “estudos responsáveis que forneçam maiores danos colaterais do glifosato”.

O Brasil e a crise da globalização

Instituto Humanitas Unisinos - 15/04/09

"O Brasil tem que aceitar que esta crise é mundial e duradoura. A principal projeção de crises extensas é a transformação estrutural do padrão organizacional, operacional e das hierarquias do sistema que entrou em crise. A crise marca o fim de uma era e o início de um processo de transição, do qual emergirá uma economia substantivamente modificada", escreve Carlos Lessa, economista, ex-presidente do BNDES, em artigo publicado no jornal Valor, 15-04-2009. Segunoo o economista, "o Brasil é, dos "países baleia", o que está potencialmente melhor posicionado para o desenvolvimento de um projeto civilizatório". Para Lessa, o Brasil pode "converter o limão em limonada. Há uma ampla fronteira de investimentos produtivos na renovação e ampliação de nossa matriz logística".

Eis o artigo.

Em Davos, templo dos executivos que prosperaram com a globalização - que foram, e ainda são, adeptos do neoliberalismo e, por conseguinte, profetas acima de qualquer suspeita -, o prognóstico de recuperação mundial daqui a quatro anos, feito por um banqueiro, foi considerado excessivamente otimista, segundo a mídia.

O Brasil tem que aceitar que esta crise é mundial e duradoura. A principal projeção de crises extensas é a transformação estrutural do padrão organizacional, operacional e das hierarquias do sistema que entrou em crise. A crise marca o fim de uma era e o início de um processo de transição, do qual emergirá uma economia substantivamente modificada.

Com os ouvidos abertos aos discursos políticos do epicentro dominante, registro que Barack Obama, além de indispensáveis intervenções pontuais, prometeu em seu discurso de posse que "os EUA voltarão a liderar". Sublinho que já delineou um programa de longo prazo que supõe a modernização e recuperação da infraestrutura da economia americana e uma concentração de esforços para inventar e inovar um vetor energético, pois corretamente percebe que esta questão é seu calcanhar de Aquiles. A União Europeia sinaliza sua exigência de uma profunda reorganização do sistema financeiro mundial, que deverá ter um novo padrão de regulamentação e fiscalização. O controle dos 72 paraísos fiscais está, progressivamente, adquirindo consenso. A China já formalizou ambicioso programa de investimentos públicos e explicitou que assumirá a ampliação de seu mercado interno como futura frente de desenvolvimento.

A postura de cada nação ante estes prognósticos e decisões tem sido diferenciada. Com erro de todas as generalizações, afirmaria que muitas reagem a este cenário como se estivessem sob uma nuvem tempestuosa, porém passageira; acreditam que a dinâmica mundial será restaurada; permanecem esperando. Embora procurem minimizar as perdas e reduzir as emanações da crise em seu território, não ousam propor uma trajetória própria, um padrão desejado para o desenvolvimento nacional. Infelizmente, o Brasil parece estar nesta categoria.

Passando por cima de qualquer crítica pontual, aceitando sem discutir que o Brasil está com uma melhor blindagem em relação à atual crise mundial e assumindo que, no cenário de devastação progressiva, o Brasil crescerá um pouco em 2009, quero deplorar a timidez com o que está enunciado com o olhar no futuro. Três decisões merecem ser visitadas. O PAC é correto, porém insuficiente. Sua magnitude e ritmo de execução não elevaram a participação do investimento público na economia. É um ensaio modesto de execução de alguns projetos inadiáveis no segmento de infraestrutura.

Foram excelentes as diretivas do presidente Lula em relação ao pré-sal: afirmou que Brasil não se converterá num país exportador de petróleo, mas sim de produtos refinados e/ou outros itens que agregam valor à atividade dos brasileiros, beneficiados com a ampliação da energia por habitante. Determinou que os efeitos dinâmicos - à frente e para trás - da economia do petróleo serão exclusivos para desenvolver atividades internas geradoras de renda e emprego. Esta diretiva abre uma frente de expansão para o investimento privado dinâmico. Mas estas não parecem ser diretivas da pauta principal da Petrobras - nossa maior empresa tem hoje 40% de seu capital em mãos estrangeiras -, que anunciou uma associação extremamente perigosa com a China.

Finalmente, foi formulado um programa de habitação que parece desconhecer a reduzida capacidade de endividamento de nosso povo. Reconheço o mérito, em tese, de ativar a construção civil, porém deveria ser matéria de amplo subsídio público e assumir que o próprio povo já demonstrou que é capaz de construir suas habitações. Seria preferível apoiar a construção "formiguinha" que o povo faz com o que poupa em materiais de construção. Acho que a combinação de um programa de criação de lotes edificáveis na rede urbana e um de aperfeiçoamento do transporte coletivo de massas na rede metropolitana seriam decisões mais consistentes para o desenvolvimento brasileiro.

Aos trancos e barrancos, existe já um esboço de proposta de futuro. O que não estão explicitadas são as janelas ideológicas e as oportunidades que se abrem para o Brasil. Como se sabe, a questão social é nacional e nas sociedades abertas, apesar de democracia imperfeita, nenhum governo deixará de proteger seu povo, logo, sua economia. Haverá um neoprotecionismo, não necessariamente aduaneiro, provavelmente operacionalizado a partir de um sistema bancário mais estatizado e ultrarregulamentado. Haverá neonacionalismo.

O Brasil é, dos "países baleia", o que está potencialmente melhor posicionado para o desenvolvimento de um projeto civilizatório. Nossa população é urbanizada e metropolitana; estamos no melhor momento de nossa história demográfica; dispomos de um povo que quer ser feliz e está disponível para ser empregado em atividades de mais alta produtividade; podemos, pelos nossos recursos naturais, exorcizar a questão energética, preservando e aperfeiçoando a matriz (temos o mais alto índice de formas energéticas renováveis) e elevando a disponibilidade de energia por habitante.

Em contrapartida, é péssima a matriz logística brasileira, predominantemente baseada nas rodovias, cujo custo é quatro vezes superior aos transportes ferroviário e aquaviário. Não incorporamos a logística nacional às três bacias fluviais e desprezamos a navegação de cabotagem. Apesar de sete regiões metropolitanas estarem na linha da costa, optamos pela rodovia de norte a sul. Não integramos nem ampliamos o acesso territorial mediante ferrovia.

Podemos converter o limão em limonada. Há uma ampla fronteira de investimentos produtivos na renovação e ampliação de nossa matriz logística. A grande e espetacular vantagem é que podemos fazer uma revolução tecnológica, reduzindo frete e elevando o poder de compra de nosso povo, a partir do desenho de uma nova matriz de transporte. Estas tecnologias (rodoviária e aquaviária) são conhecidas e dominadas pela engenharia brasileira e têm o mérito de ser puramente criadoras, ao contrário da renovação de uma matriz energética no Primeiro Mundo, que será igualmente criadora, porém também destrutiva.

Setor de máquinas mostra sinais de reação

Instituto Humanitas Unisinos - 15/04/09

O setor de máquinas e equipamentos, um dos mais afetados pela crise de crédito e consequente retração de investimentos, começa a dar mostras de que a situação mais crítica pode ter ficado para trás. Sondagem feita em março pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) constatou que o número de empresas do setor que esperam mais vendas no segundo trimestre quadruplicou em relação à sondagem anterior.

A reportagem é de Marcelo Rehder e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 15-04-2009.

De um total de 69 empresas consultadas, 12% disseram que a perspectiva é de crescimento de vendas no próximo trimestre, ante apenas 3% em fevereiro. Entre as que preveem queda, a participação recuou de 57% para 55%. Já foi pior: em janeiro, 73% dos entrevistados esperavam retração.

"A gente acha que o setor bateu no fundo do poço em fevereiro", diz o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto. Mas o setor ainda está longe de uma retomada, ressalta. "Pode ser que o fundo do poço seja bastante extenso, mas tudo indica que a situação tende a não piorar."

Aubert tem motivos para ser cauteloso. Entre os empresários que participaram da sondagem no mês passado, 68% disseram que houve queda na entrada de pedidos em carteira. Em média, a retração foi de 30,7% em relação a março de 2008 e de 15,5% ante fevereiro deste ano.

Emprego industrial sobe em SP depois de 5 meses de queda

Isntituto Humanitas Unisinos - 15/04/09

O emprego na indústria paulista no mês de março subiu 0,31% ante fevereiro, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O saldo de 7,5 mil postos de trabalho criados no mês está diretamente ligado ao desempenho da indústria de açúcar e álcool.

A reportagem é de Anne Warth e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 15-04-2009.

O resultado positivo veio após cinco meses consecutivos de queda no nível de emprego e do fechamento de 236,5 mil postos de trabalho na indústria paulista. O último mês em que o saldo mostrou criação de vagas no Estado foi setembro do ano passado, quando houve alta de 0,41%, sem ajuste.

Para o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, a retomada do crescimento do emprego verificada no mês indica que a fase mais crítica da crise internacional finalmente passou. "A crise ainda está promovendo seus efeitos, mas aparentemente a primeira grande onda já passou e o emprego parece estar se equilibrando."

No resultado com ajuste, a queda no emprego ainda se manteve em março (-0,20%), mas Francini admite que o número foi negativo, "pero no mucho". "Foi uma queda bem inferior que a dos meses anteriores."

O setor sucroalcooleiro salvou os índices de emprego da indústria paulista de fechar o mês em queda. "O resultado de março é creditado em boa parte ao comportamento do setor de açúcar e álcool, mas um saldo positivo não ocorria há cinco meses."

O setor antecipou para março a colheita que normalmente é feita em abril e contratou 26.933 trabalhadores. Já os demais setores que fazem parte da pesquisa da Fiesp demitiram 19.433 empregados no mesmo período. A antecipação da colheita da cana é mais um dos efeitos da crise, explicou Francini. "As usinas anteciparam a colheita, algo atípico, pela necessidade de geração imediata de caixa, uma vez que o crédito continua escasso." O emprego subiu 1,33% no interior do Estado, onde estão instaladas as usinas, mas caiu 1,05% na Grande São Paulo.

Dos 22 setores nos quais a Fiesp divide a indústria para fazer a pesquisa, 16 demitiram, 1 manteve estabilidade e 5 contrataram. Os setores de veículos automotores, de máquinas e equipamentos e de produtos de metal foram os que mais demitiram no mês, respectivamente 3.957, 3.526 e 3.172 trabalhadores. Já os que mais empregaram foram os de produtos alimentícios, 30.464 vagas; fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, 1.009; couro e calçados, 421; móveis, 229; e produtos diversos, 65.

Outro indicador positivo é o Sensor da Fiesp, pesquisa que mede a confiança dos empresários. O índice tem mantido neutralidade desde o início de março e ficou em 49,5 pontos nos primeiros quinze dias de abril - abaixo de 50 indica expectativa de melhora, em torno de 50 mostra estabilidade e acima de 50 indica piora.

Dos cinco itens que compõem o Sensor, três já estão em terreno positivo: mercado e vendas, que já estavam nesse nível desde o início de março, e investimentos. O pior resultado ainda é o de estoque.

quinta-feira, abril 16, 2009

A Grécia cambaleia à beira da bancarrota

Resistir Info - 14/04/09

A análise da Der Spiegel, uma revista conservadora

– Qualquer semelhança com outro país da Europa também governado por um partido que se diz socialista não é mera coincidência

por Manfred Ertel

Manifestação em Atenas, 02/Abril/2009. A Grécia está à beira da bancarrota apesar de a recessão ainda não ter atingido o país com toda a força. As greves estão a paralisá-la e a UE está a aumentar a pressão. Mas o governo ainda tenta apresentar as coisas de forma positiva.

Durante 33 anos Dionisis Sargentis, 58, vendeu materiais médicos e ortopédicos a hospitais, produtos como parafusos e grampos para vértebras ou articulações partidas. Hoje ele tem 13 empregados e vendas anuais da ordem dos €7 milhões.

Poder-se-ia pensar que este ramo de negócio fosse à prova de recessão, uma vez que sempre há necessidade de materiais médicos e os seus clientes regulares incluem os principais hospitais públicos de Atenas.

Mas Sargentis está actualmente prestes a deixar o negócio. "Gosto do meu trabalho", diz ele, "mas o negócio já não compensa". Durante os últimos quatro anos e meio, os hospitais públicos não o pagaram pelos materiais que forneceu. No momento eles devem-lhe algo em torno dos €4,5 milhões – mais da metade das vendas anuais da sua companhia.

Agora ele já não tem paciência para esperar. Juntamente com um certo número de outros fornecedores de hospitais, ele postou-se em frente ao Hospital Geral de Attica, o qual tem o maior departamento ortopédico de Atenas. Mas ao invés de entregar novos fornecimentos, ele removeu os stocks existentes do armazém da clínica. "Estamos apenas a recuperar o que nos pertence", disse ele. "Eles estavam ali só como empréstimo". Sargentis e os seus colegas fornecedores de hospitais esperam que o governo grego receba a mensagem e finalmente os paguem.

Em 31 de Dezembro último o governo grego devia às 75 companhias membro da associação grega fornecedora de equipamento médico, da qual Sargentis é presidente, quase exactamente €800 milhões. Todo um sector da economia está à beira da ruína. "Todos estão de costas contra a parede", disse ele.

Há uma razão sistémica para isto. Na Grécia, os fornecedores de hospitais vendem os seus produtos para clínicas virtualmente à base de consignação. As clínicas pagam só o que utilizam e na maior parte dos casos após um período de tempo considerável. Dois a dois anos e meio são considerados tempos de espera normais. Os fornecedores levam isso em conta no seu planeamento. As encomendas feitas pelos hospitais serve as companhias como garantia para os empréstimos bancários que tomam a fim de pagar salários e efectuar novas encomendas junto aos fabricantes. Este é o modo como o negócio funciona – ou melhor, o modo como costumava funcionar.

Mas agora os bancos cessaram de cooperar. Eles recusam-se a dar novos empréstimos e isto provocou todo o colapso do sistema. "Isto cortou o nosso oxigénio", diz Sargentis. "Estamos sufocados pela dívida". Mas não é com as dívidas dos fornecedores de hospitais que os bancos estão preocupados – é com o altamente endividado governo grego que eles já não consideram confiável. Companhias como a de Sargentis são as vítimas involuntárias da mudança de atitude.

Não é de admirar, portanto, que haja tanto descontentamento público contra o governo grego. Durante as últimas semanas, trabalhadores e empregados públicos efectuaram manifestações por todo o país. Quinta-feira passada, dezenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas das principais cidades da Grécia, paralisando a vida pública. Comboios, autocarros e cacilheiros pararam de andar. Os hospitais proporcionavam só serviços de emergência. As escolas públicas foram fechadas.

Números da dívida, PIB e desemprego na Grécia. "Os trabalhadores não deveriam pagar pela crise", gritavam manifestantes irados. Eles consideram o governo do primeiro-ministro Costas Caramanlis como responsável – tanto pelos maus hábitos como pela nova crise financeira.

Crise? A situação na Grécia não é de todo má, insiste Panos Livadas, o secretário-geral de informação do governo. As lojas e cafés estão cheios de clientes, destaca ele. A economia grega é "realmente indestrutível. Não entendo estas avaliações da situação internacional".

O trabalho de Livadas é fazer com que as pessoas vejam as coisas através de óculos cor-de-rosa. Ele explica que em 2008 a economia do seu país expandiu-se 3,2 por cento, "uma das mais altas taxas de crescimento da euro zona". Ao longo dos últimos quatro anos, diz ele, o crescimento económico da Grécia foi o dobro do da média global nos países do euro.

Ele caracteriza o sector bancário da Grécia como "basicamente sadio" e "em condições consideravelmente melhores" do que aqueles nos outros países da UE e nos Estados Unidos. Ele nota que a Grécia foi o primeiro país da UE a proporcionar uma garantia governamental para poupanças pessoais de até €100 mil. Nada parece capaz de abalar as auto-satisfeitas descrições oficiais da realidade grega.

Mas será realmente esta a situação?

Falta de dinheiro

É preciso sorte, especialmente em tempos difíceis. Na cimeira da crise dos países membros da UE, em Bruxelas, o primeiro-ministro Caramanlis foi feliz no sentido de que a comunidade estava sob tão forte pressão para actuar em resposta à crise na Europa do Leste que não prestou muita atenção à situação na Grécia.

Mas agora a Comissão Europeia incitou a procedimentos disciplinares, porque Atenas excedeu os 3 por cento do limite de défice da euro zona pela terceira vez seguida. Os resultados das auditorias executadas por Bruxelas parecem muito diferentes da informação contida nas brochuras brilhantes de Livadas.

Nas estatísticas da UE, a dívida do governo grego é listada como montando a 94 por cento do PIB do país. A Itália é o único outro país da euro zona que tem um nível superior de dívida governamental. A Grécia também tem a mais baixa classificação de crédito de todos os países da euro zona. Ela tem de financiar a dívida do seu governo em termos que são piores do que qualquer outro país da euro zona, com a excepção de Malta.

A Grécia ainda tem de romper seus velhos hábitos. O nível de competitividade é baixa, reformas muito necessárias estão atrasadas, a burocracia do governo é inchada e corrupta, e o país continua a viver para além dos seus meios. Embora os fundos nacionais de pensão estejam cronicamente faltos de dinheiro, às funcionárias públicas com filhos em idade escolar é permitido que se aposentem com a idade de 50 anos.

Jovens educados da classe média têm pouca perspectiva de encontrar emprego, apesar de serem bem qualificados, e são forçados a tomar empregos eventuais para se sustentarem. Por isso, muitos jovens gregos são forçados a viver com os seus país até bem além dos 30 anos de idade. A ira da "geração dos €700" – como são conhecidos os jovens – quanto à sua situação explodiu em Dezembro último em semanas de tumultos por todo o país.

A UE agora já não quer aceitar a letargia do governo grego. O comissário para Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, apelou a medidas de cortes de custo significativamente mais duras, uma "política salarial prudente no sector público" e maiores esforços em relação a reformas estruturais. Georgios Provopoulos, o governador do Banco da Grécia, o banco central do país, advertiu o seus compatriotas contra a "auto-satisfação" e falou do perigo de bancarrota nacional que se aproxima. E a Grécia ainda está para sentir os efeitos plenos da recessão global.

"Os factores negativos que vê aqui são resíduos do passado", diz um diplomata da UE, acrescentando que a maior parte deles são autóctones. Peritos económicos aguardam ansiosamente o que vai acontecer neste Verão. Eles temem que possa haver um declínio no sector do turismo, um dos mais importantes pilares de crescimento na economia grega, representando 17 por cento do PIB. O volume de reservas turísticas dos Estados Unidos caiu mais de 50 por cento. O número de turistas britânicos, uns 3 milhões por ano anteriormente, juntamente com 2,3 milhões de alemães, espera-se que seja contraído em mais de 30 por cento.

A situação dos bancos que investiram na Europa do Leste e nos Balcãs é incerta. Instituições financeiras gregas investiram milhares de milhões de euros em tomadas de bancos ou no estabelecimento das suas próprias agências na Roménia, Bulgária e Sérvia. Como o valor das divisas nacionais em alguns destes países caiu dramaticamente, o que originalmente era visto como investimentos atraentes em economias em desenvolvimento poderia redundar em enormes perdas.

É assim que a crise se apresenta na Grécia. "Ninguém quer vê-la, mas todos temem-na", diz Kalliope Amyg, um jovem cientista político. "O país está a dançar sobre um vulcão".

"Não sabemos o que nos trará o amanhã"

Em grego não há tradução directa para o verbo "poupar" num sentido monetário. E este é precisamente o modo como vivem os gregos.

A Grécia continua a ter um sector informal florescente. "Isto ajuda a estabilizar os rendimentos das pessoas e o padrão de vida", observa um homem de negócios europeu que trabalha na Grécia. "As famílias tentam ter tantas fontes separadas de rendimentos quanto possível".

Durante 24 anos Popi Kalogeropoulou trabalhou como artista gráfico para companhias editoras, mais recentemente para a revista feminina Young. No fim do ano passado ela foi despedida. A revista foi forçada a cortar custos, o que significou cortar empregos.

Felizmente não levou muito tempo para encontrar um novo emprego. Desde meados de Janeiro ela tem estado a fazer a maquetagem de um jornal semanal. O pagamento que lhe foi oferecido não é mau, mais de €2000 por mês, o qual é um bocado mais do que ela obtinha no seu último emprego.

Só que não lhe foi dado um contrato – ela está a ser forçada a trabalhar clandestinamente. "Estou a ser obrigada a fazer algo que não quero fazer", afirma. Ela foi paga pela primeira vez oito semanas e um dia depois de ter começado. Mas recebeu apenas €1000 – em dinheiro, naturalmente. "As empresas estão simplesmente a aproveitar-se da crise", diz ela.

Ninguém acredita que a Grécia será capaz de enfrentar a crise, se e quando ela atingir o país com toda a força, empregando apenas os seus velhos hábitos ineficientes. "Não sabemos o que nos trará o amanhã", diz o empresário Dionisis Sargentis.

Sargentis só sabe o que acontecerá se o governo grego continuar a ser incapaz de pagar as suas contas e as empresas do seu sector forem incapazes de vender os seus bens. "Isto resultará no fim do sistema de cuidados de saúde no nosso país". Entre outras coisas.


O original encontra-se em http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,617915,00.html

A urobologia do Bom (?) Dia Brasil não muda

Conversa Afiada - 14/abril/2009 10:42

Só falta o Silvio Berlusconi

Só falta o Silvio Berlusconi

.O Bom (?) Dia Brasil dedicou 3 décimos de segundo a informação relevante de que o Governo vai produzir 1 milhão de novas moradias, vai gastar 60 bilhões de reais, e vai gerar 3,5 milhões de empregos.

. É o programa “Minha Casa, Minha Vida” que o Governo Federal acabou de lançar.

. Logo em seguida a urubóloga Miriam Leitão e o urubólogo/enólogo Renato Machado gastaram 3 horas para discutir o programa do Governo para salvar as finanças dos municípios brasileiros.

. Os urubólogos da Globo ainda acreditam no Consenso de Washington, que Gordon Brown considerou morto.

. Os urubólogos da Globo são os últimos defensores do Consenso de Washington, na constrangedora companhia de Silvio Berlusconi.

. Os urubólogos da Globo tem medo de défict público.

. Seria melhor se tivessem medo do Mal de Chagas.

. E, em lugar de criticar as políticas de relançamento da economia, criticassem a sobrevivência do Mal de Chagas no Brasil.

. O mau do Brasil é o Mal de Chagas e da Globo.

Paulo Henrique Amorim

A Embraer e o substituto do Hércules

Blog do Luis Nassif - 14/04/09

Por galves

Nassif,

Nesta linha de retomada e relacionado a um tema que você julga, e que é, realmente importante, a modernização das forças armadas e apoio do governo no desenvolvimento de tecnologia, veja a notícia abaixo:

EMBRAER LANÇA PROGRAMA DO JATO DE TRANSPORTE MILITAR KC-390
Empresa firma parceria com a Força Aérea Brasileira para o novo programa

São José dos Campos, 14 de abril de 2009 – Em cerimônia realizada hoje durante a sétima edição da Latin America Aero and Defence (LAAD), feira aeronáutica e de defesa que acontece de 14 a 17 de abril no Riocentro, na cidade do Rio de Janeiro, a Embraer fechou contrato com a Força Aérea Brasileira (FAB) para o programa da aeronave de transporte militar KC-390. O evento contou com a presença do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, do Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Moura Neto, do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, e do Diretor Presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado. “O lançamento do programa KC-390 representa um novo marco na parceria estratégica histórica entre a Força Aérea Brasileira e a Embraer”, disse Frederico Fleury Curado, Diretor Presidente da Embraer. “Acreditamos que o desenvolvimento do KC-390 resultará em um produto altamente eficiente para uso da FAB em suas missões de transporte de cargas e reabastecimento e representará mais uma plataforma bem sucedida de exportações para a Empresa e para o país.”

O lucro do Goldman Sachs

Blog do Luis Nassif - 14/04/09

Por Nicolas

O lucro do Goldman Sachs é uma fraude, fruto de uma manobra que visa esconder o enorme prejuízo que o banco teve em dezembro passado.

O GS sempre reportou seus resultados para o exercício indo de dezembro até novembro do ano seguinte. O último trimestre do exercício 2008, reportado em dezembro passado, cobria o período de setembro a novembro de 2008.

A partir deste ano, o GS passou a utilzar o ano civil como base para reportar seus resultados. O resultado anunciado hoje cobre o trimestre de janeiro a março de 2009.

Como todos podem ver, o mês de dezembro ficou “órfão”, e foi convenientemente ignorado nas análises. Acontece que dezembro isolado gerou prejuízo de 1,3 bi antes de impostos e 780 mi depois de impostos.

A pergunta que não quer calar: Qual teria sido o resultado do GS se tivesse incluído o mês de dezembro e excluído o mês de março?

É o que podemos chamar de “contabilidade criativa”. E ainda tem gente acreditando que a retomada dos EUA vai acontecer no curto prazo.

http://norris.blogs.nytimes.com/2009/04/14/the-case-of-the-missing-month/

O crescimento da soja não-transgênica

Blog do Luis Nassif - 14/04/09

Atualizado com a posição da Monsanto

Por Gustavo Cherubine

Publicado em: 08/04/09 às 14:21

Agricultores americanos tentam voltar para a soja convencional

Pela primeira vez desde 1996, cai a área plantada com soja transgênica nos EUA, com mais agricultores decidindo plantar soja não transgênica. O cultivo da soja modificada atingiu seu ápice em 2008, alcançando 92% da produção do país

Representantes de associações de produtores de soja, universidades e compradores de grãos relatam que a demanda por sementes de soja convencional está aumentando, o que deverá aumentar a área plantada para 10%.
Os motivos do recente interesse pela soja convencional incluem o preço baixo da commodity, prêmios atrativos pelo produto não transgênico e preços da semente transgênica só aumentando.

Segundo Grover Shannon, melhorista genético de soja do Delta Research Center, da Universidade de Missouri, “o sistema Roundup Ready já não é tão barato como antes”. O preço da saca de semente de soja transgênica Roundup Ready, da Monsanto, aumentou de 35 para 50 dólares, enquanto o galão do herbicida Roundup aumentou de 15 para 50 dólares. “Muitos agricultores estão bravos com a Monsanto”, disse Shannon.

O aumento dos problemas com ervas espontâneas que se tornaram resistentes ao Roundup (glifosato) também é motivo de preocupação para os agricultores. “Eles estão usando mais herbicidas, o que representa um aumento nos custos de produção”, disse Bill Schapaugh, melhorista de soja da Universidade de Kansas.

O desafio das sementes

Mas o mercado de soja convencional está diante de um grande desafio. Muitas empresas de sementes focaram seus trabalhos apenas em variedades transgênicas e eliminaram as sementes convencionais de suas linhas de produção ao longo dos últimos anos. As sementeiras estão empurrando as sementes transgênicas, de modo que as sementes convencionais estão cada vez menos disponíveis, tanto em diversidade de opções, como em quantidade.

Segundo Shannon, a indústria de sementes prefere vender sementes transgênicas devido à taxa de tecnologia (royalty) e à exigência de que os agricultores comprem sementes todos os anos (agricultores normalmente podem produzir suas próprias sementes a partir de variedades convencionais). “Os distribuidores de sementes não querem voltar a vender sementes não transgênicas. Eles querem vender sementes todo ano; é mais lucrativo”.

Contudo, boas variedades de sementes de soja não transgênica estão começando a ser disponibilizadas por algumas empresas nos EUA e no Canadá e por várias universidades americanas.

Fonte: Biodiversidad en América Latina y El Caribe

Alemanha proíbe milho transgênico

Blog do Luis Nassif - 14/04/09

Por selma

Alemanha suspende cultivo de milho transgênico da Monsanto. Penso que o assunto daria uma bela discussão.

Os produtores do RS forçaram a legalização do plantio após sua introdução criminosa (fato consumado).

Será que conseguem reverter o plantio para a soja convencional se ficar constatado que a transgênica é prejudicial à saúde?

“Agronegócio

Do Portal Terra

Alemanha suspende cultivo de milho transgênico da Monsanto

A Alemanha anunciou nesta terça-feira que suspenderá o cultivo de milho geneticamente modificado da gigante americana Monsanto (o MON810), passando a ser o sexto país europeu a aplicar a medida, apesar da posição contrária da Comissão Européia.

A ministra alemã da Agricultura, Ilse Aigner, explicou que as autoridades adotaram a decisão pela possibilidade de que o cultivo geneticamente modificado represente riscos para o meio ambiente.

O MON810 é o único Organismo Geneticamente Modificado (OGM) cultivado na União Européia (UE). Foi homologado em 1998 por um período de 10 anos e a renovação está sendo avaliada.

Somente uma decisão da Comissão Européia (executivo da UE), apoiada por uma maioria qualificada dos 27 Estados da UE, poderia anular a decisão alemã.

Os ministros do Meio Ambiente vetaram em março uma proposta da Comissão que pretendia obrigar Áustria e Hungria a recuar na proibição da variedade MON810.

França, Grécia e Luxemburgo também vetaram o cultivo deste OGM.”

A nova ordem mundial

Blog do Luis Nassif - 14/04/09

Da Folha

Irã aceita reatar diálogo com potências

Teerã saúda oferta para retomar conversas nucleares, congeladas desde ano passado; EUA elogiam “abertura” iraniana

Negociações, ainda sem data e local definidos, terão inédita participação da Casa Branca como interlocutor direto do governo iraniano

DA REDAÇÃO

O Irã se disse ontem disposto a retomar o diálogo sobre seu programa de enriquecimento de urânio, atendendo ao convite feito na última semana pelas cinco potências atômicas do Conselho de Segurança da ONU -EUA inclusive, em gesto inédito- mais a Alemanha.

Em anúncio na TV estatal, o principal negociador nuclear iraniano, Said Jalili, disse já ter comunicado a decisão ao chefe da diplomacia da União Europeia, Javier Solana, mediador entre Teerã e o chamado P5 +1.

Jalili saudou o “[novo] diálogo sob a ótica de uma cooperação construtiva” e pediu “compreensão correta de realidades e desdobramentos externos”.

Já a Casa Branca se disse satisfeita com a “abertura ao diálogo” demonstrada por Teerã.
Potências ocidentais acusam o Irã de pretender enriquecer urânio para abastecer bombas atômicas. Teerã insiste em que suas instalações nucleares servem apenas para produzir energia e negocia uma solução que lhe permita continuar enriquecendo urânio -o que tem direito a fazer sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear, desde que em cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O pacto que canta alegremente

Instituto Humanitas Unisinos - 14/04/09

Gilmar Mendes é um adolescente nervoso com um trabuco na mão, prestes a atirar em quem o incomode. Há duas maneiras de tratar com desequilíbrios emocionais. Uma, é enquadrar o nervoso. Outra, é tratá-lo bem, fazer todas suas vontades até que ele largue a arma.

A Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) já se transformaram em assessorias pessoais de Gilmar. A quantidade de releases enaltecendo o grande chefe é vergonhosa. Nada contra os colegas que lá trabalham, aliás, para eles minha solidariedade. Alpinistas do meio jurídico já escreveram teses comparando Gilmar ao grande juiz norte-americano Earl Warren, defensor dos direitos civis. Então, o que custa um pacto a mais? Afinal, desde o Pacto de Moncloa, a palavra ganhou um significado mágico no país. Desde os anos 80, todo mundo quer um pacto.

Esse Pacto Republicano me pareceu isso, embora tenha algumas medidas interessantes. Executivo e Legislativo deram o que Gilmar Mendes queria: uma solenidade e uma assinatura, holofotes e um álibi para tentar conferir seriedade a uma atuação política que desperta a galhofa, explícita nos críticos, enrustida nos aliados.

Deram um pacto para Gilmar. Depois da festa, a avaliação geral na mídia é que trata-se de um conjunto de boas intenções, sem nada de muito concreto. Mas Gilmar conseguiu mais um dia de glória e de auto-ilusão.

Tanto que jornalistas simpáticos a ele qualificar o pacto de “vitória pessoal” de Gilmar e sem nenhum significado maior (clique aqui para ler as matérias).

O cooperativismo de crédito

Blog do Luis Nassif - 14/04/09

Coluna Econômica - 14/04/2009

Uma das consequências da atual crise mundial será uma mudança radical no sistema monetário mundial e nos sistemas bancário e financeiro. Dia desses, o economista Paul Krugman previu que a nova etapa dos bancos será marcada pela monotonia e conservadorismo - assim como ocorreu após o crack de 1929. Pouca ousadia e dinheiro barato.

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O sistema financeiro brasileiro não passou pelo terremoto global. Mas as queixas quanto ao custo do dinheiro, das tarifas e às exigências de garantias excessivas - especialmente para pequenas e médias empresas - criam um impasse. Caberia ao Banco Central não apenas garantir um sistema bancário saudável mas, principalmente, que fornecesse dinheiro barato. Mas o BC foi uma das autarquias capturadas pelo setor a quem caberia a ele fiscalizar.
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Um movimento que começa a crescer é o das cooperativas de crédito. Ainda representam pouco - 2% da movimentação do sistema financeiro. Na memória do sistema ainda estão presentes as lambanças de décadas atrás. E existem muitas delas criadas por grandes grupos exclusivamente para se beneficiar de isenção fiscal.

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Mesmo assim, há um sistema de cooperativas de crédito, organizado em torno de duas centrais - a SICOOB e a SICRED -, com enorme potencial para crescer.

São 1.800 cooperativas em todo Brasil. As duas centrais operam como câmaras de compensação. Recebem e aplicam o caixa disponível das demais cooperativas e operam como câmara de compensação. Cabe-lhes também fiscalizar suas associadas.

Por definição, cooperativa não tem lucro. Tudo o que ganha é distribuído no final do ano para os cooperados. No caso, em conta de capitalização.

Para ingressar na cooperativa, o cooperado paga R$ 800,00. Há um programa do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) que permite empréstimos de R$ 10 mil, pagáveis em seis anos, só para essa capitalização.

A cada ano, o cooperado recebe dois tipos de benefícios. O primeiro, participação na distribuição de resultados da cooperativa. O segundo, devolução de parte de sua contribuição aos resultados da cooperativa - seja como investidor (adquirindo CDBs e RDBs) seja como tomador de crédito. Se o cooperado entrou no cheque especial, por exemplo, pagou uma determinada quantia de juros, no final do ano parte do que foi pago será depositado em sua conta, como capitalização sua.

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O custo dos empréstimos está muito abaixo do sistema bancário tradicional. A taxa do cheque especial é de 5,9% ao mês. A do desconto de duplicata, 2,9%. A de nota promissória rural ou duplicata rural (que tem mercadorias como garantia) 1,75%.

A Cooperativa tem um exemplo dessa restituição de juros pagos. Um cooperado antigo tem R$ 226.073,00 capitalizados em seu nome. Com o saldo médio em conta corrente, permitiu lucro à cooperativa e recebeu sua parcela de R$ 4.030,00. Pelas aplicações financeiras, R$ 13.009,00. Pelo financiamento rural, mais R$ 2.663,00. No total, conseguiu R$ 20.239,00 em sua conta - como participação nos lucros que proporcionou à cooperativa - mais R$ 12.943,00 de participação em resultados.

Ao completar 65 anos, poderá sacar 80% de seu saldo em cinco vezes.

Óleo do Diabo: O super Protógenes

Atualizado em 14 de abril de 2009 às 20:26 | Publicado em 14 de abril de 2009 às 18:55

Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Super Protógenes para presidente?


por Miguel do Rosário, no blog Óleo do Diabo

A internet surge, no entanto, como uma poderosa ferramenta de difusão e debate ideológico. Quando conversamos sobre o Protógenes, quando divergimos, estamos, no fundo, discutindo ideologias. Dessas trincheiras sairão novas idéias, curtidas no fogo duro dos debates políticos.

- A divergência de idéias deve ser encarada como sinal de saúde e vigor intelectual, e não como fragmentação ou perigo ou enfraquecimento, desde que os participantes procedam com elegância e maturidade.

Então, vamos ao debate de idéias

1) Protógenes prendeu, sozinho, Daniel Dantas?
2) Protógenes possuía um feudo na PF, que lhe permitiu reunir, sozinho, informações sobre Daniel Dantas?
3) Protógenes está agindo com profissionalismo, responsabilidade e inteligência, ao participar de seminários, conferências, entrevistas coletivas, prejulgando Daniel Dantas e atrapalhando as investigações?
4) Protógenes é o único agente respeitável da PF?
5) A Satiagraha foi a única operação da PF nos últimos anos?
6) Protógenes sabe de tudo?
7) A perseguição à Protógenes é um fato?


1, 2 e 3) Não, Protógenes não prendeu sozinho Dantas. Teve colaboração de dezenas, quiçá centenas de outros policiais federais. Teve ajuda de juiz e assessores de juízes, de promotores públicos, de funcionários das mais diversas áreas da segurança pública. Se vamos dar mérito ao Protógenes por ter encabeçado a operação Satiagraha, seria injusto esquecermos de diluir essa honra com todos os outros. A mídia elegeu apenas Protógenes como herói. Por que não entrevista os outros delegados que participaram da Satiagraha? E por que eles não falam nada? Por que tem medo? Por que são mais responsáveis? Por que sabem que um agente da lei não deve prejulgar, porque isso pode atrapalhar o processo? Protógenes, ao fazer discursos públicos chamando Dantas de bandido está agindo com uma leviandade, com uma ingenuidade, imperdoáveis. Não me espanta, portanto, que o PSOL o esteja sondado para entrar no partido, e que o PHA tenha defendido (ironia?) sua candidatura para presidente da república, tendo Luciana Genro como vice. Eu adoro o PHA, mas ele tem a sua opinião, eu tenho a minha, e o fato de divergirmos, é um fator democrático. Em alguns casos, eu acredito que tenho razão e ele não. Não é por ele ser mais "famoso", que vou abaixar a cabeça.

4) Não. Seguramente, existem centenas, quiçá milhares de outros policiais dignos de respeito na corporação policial. Nenhum deles está na tribuna fazendo discursos para a mídia, incendiando o país. Ao mesmo tempo, também há muitos policiais corruptos. Assim como juízes. Com certeza, há uma banda podre na PF que está sendo inflamada por Gilmar Mendes, Daniel Dantas e mídia. Policiais e juízes que vinham sendo postos de lado, em virtude das grandes operações sendo feitas nos últimos anos, resolveram botar suas asinhas de fora, e agora estão fazendo a sua festinha particular.

5) Não. A Satiagraha foi uma dentre centenas de operações de grande magnitude empreendidas pela Polícia Federal, que já prenderam governadores, desembargadores, juízes, empresários, políticos. Operações que têm incomodado muito os poderosos com alguma culpa no cartório.

6) Não. O Protógenes não sabe de tudo. Os podres poderes por trás de Daniel Dantas seguramente vão além da imaginação do valoroso delegado. Por isso mesmo esse é um caso para ser continuado pelas altas instâncias do Ministério da Justiça, da própria Presidência da República e do Ministério Público, além de jornalistas investigativos idôneos (Mino Carta, Bob Fernandes) e todos os indivíduos, empresários ou não, que foram massacrados pelo rolo compressor de Daniel Dantas.

7) Bem, esperamos mais informações. Até onde sei, a única "perseguição" foi ter revistado o apartamento de hotel do Protógenes. As pessoas estão comparando isso com a ditadura militar, quando se torturava medievalmente, quando corpos desapareciam, e quando havia uma censura total na imprensa. Todos se tornaram, de uma hora para outro, "especialistas" em Polícia Federal. Afirmam que querem saber porque fulano foi afastado e beltrano, transferido. Acho que cada um pode ter a opinião que quiser. Mas também acho que a Polícia Federal não é uma instituição midiática, e não deve satisfações à mídia, nem à opinião pública sobre seus problemas internos. O que ela devia ter feito ela fez: investigou Dantas, reuniu milhares de documentos, prendeu o banqueiro. Gilmar Mendes foi lá e soltou. Surgiram complicações no processo. Houve vazamentos suspeitos. A corregedoria resolveu investigar. Vai investigar quem. Vai investigar todos os policiais envolvidos. Está certo. E aí a mídia cria um novo herói, e a esquerda, ou jornalismo alternativo, cai no conto de fadas do super-herói e surfa na onda anti-lulista patrocinada pela mídia.

O que não entendo é o seguinte. Se é ridículo considerar Lula um herói, ele, com toda a sua história e seus 64 milhões de votos, não seria igualmente ridículo converter o jovem Protógenes num super-homem? Não apoio o Lula por ver nele um santo ou um herói, mas por ele representar um conjunto de forças políticas que apóio. Se descobrirem amanhã que Lula é um tremendo safado ladrão, ficarei chateado, mas não me arrependerei do apoio que dei a ele. Minha confiança em Lula não é cega. E agora vejo as pessoas confiando cegamente em Protógenes? Por que? Por que prendeu Dantas? Mas, já disse, ele não prendeu sozinho! Foi uma equipe, foi a Polícia Federal! Santificar Protógenes é extremamente idiota Empresto apoio político, não confiança ética. Entre um Hitler honesto e um Churchill ladrão, quem você escolheria? Meu apoio à Polícia Federal, portanto, é estratégico e político, porque acompanho todas as operações efetuadas pela PF e vejo, com meus olhos, que ela está combatendo os grandes corruptores nacionais, incluindo Dantas, que ELA PRENDEU! A PF PRENDEU DANTAS, SUA FAMÍLIA, OS DIRETORES DE SUA EMPRESA, PRENDEU SEUS AMIGOS PITTA E NAJI NAHAS! Não foi o Protógenes que prendeu. Foi a Polícia Federal.

Outra bobagem perniciosa, a meu ver, é amarrar o destino do Brasil à prisão de Dantas. Estão agora querendo transformar a prisão de Dantas numa redenção ética, moral, social e política! Ora, bobagem. Não há redenção. Se houve alguma vez redenção no mundo, foi há 2008 anos, quando Cristo nasceu. De lá pra cá, não houve. Nenhuma revolução ou governo foram perfeitos. A revolução francesa decepou cabeças inocentes, inclusive de seus líderes mais sagrados, Danton e Robespierre. Getúlio Vargas, figura fundamental para a industrialização brasileira, ligou-se a figuras altamente suspeitas, como Gregório Fortunato, e seu filho foi acusado de graves crimes de corrupção e tráfico de influência (e várias linhas de investigação levam a crer que foi ele, o filho de Vargas, o arquiteto da tentativa de asassinato de Carlos Lacerda).

Não há santos no mundo. Nem Lula, nem Protógenes. Nem sábios. Todos nós somos confusos e loucos. Por isso, acho melhor termos humildade e enxergarmos as situações com mais calma. Se Lula pôde ser posto à prova por meses e meses de investigação, CPIs de fim de mundo, matérias jornalísticas, e até hoje é insultado diariamente pelos grandes meios de comunicação, porque Protógenes não pode ter seu quarto de hotel revistado? Por acaso, alguém o está torturando num pau-de-arara? Não acho que Protógenes seja um coitadinho. Com a visibilidade e notoriedade que ganhou, poderá escrever livros bombásticos e ganhar rios de dinheiro. Poderá viajar para o Castelo de Caras. Poderá entrar para a política. É um cara jovem, bonito, inteligente, corajoso, um funcionário público federal que ganha 10 mil reais por mês, com acesso pleno à toda mídia brasileira. Não precisa de nossa pena. Há milhões de brasileiros pobres, sem dente, sem emprego, sem casa, sem mídia (sem mídia!), e temos uma crise financeira internacional gravíssima batendo em nossa porta. Vocês querem que o presidente Lula se preocupe com quem: com esses milhões ou com Protógenes?


Miguel do Rosário, no Óleo do Diabo

Justiça do Trabalho proíbe Bunge de praticar jornada exaustiva em Minas

Instituto Humanitas Unisinos - 14/04/09

A Justiça do Trabalho de Minas Gerais proibiu a primeira usina de álcool da Bunge no mundo, em Santa Juliana (MG), de submeter trabalhadores a jornadas exaustivas e de reter carteiras de trabalho além do prazo de 48 horas.

A reportagem é de Pablo Solano e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-04-2009.

A Bunge - líder brasileira em exportações do agronegócio- é dona desde 2007 da usina Santa Juliana, que fica na cidade do mesmo nome, a 449 km de BH.

No total, o juiz Edmar Salgado expediu 25 determinações à empresa com base em ação civil pública do MPT (Ministério Público do Trabalho).

O procurador do Trabalho Rafael Gomes diz que a Bunge não melhorou as condições de trabalho quando assumiu o controle da Santa Juliana, em 2007. O diretor corporativo de comunicação da Bunge no Brasil, Adalgiso Telles, contesta.

Segundo o MPT, cartões de ponto entregues em junho de 2008 pela Santa Juliana mostravam que trabalhadores continuaram sendo submetidos a jornadas de trabalho de mais de dez horas diárias.
A usina também desconsiderava nos pagamentos as horas gastas pelos trabalhadores no itinerário entre a cidade e a área rural, segundo o procurador.

Segundo o MPT, cortadores de cana foram mantidos em cidades próximas sem apoio para estadia e alimentação enquanto aguardavam convocação para a lavoura.

No período de inatividade, de acordo com o procurador, eles ficaram com a carteira de trabalho retida e, com isso, foram impedidos de trabalhar para outras empresas.