"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Síria, a nova Líbia

resistir info - 14 fev 2012


por Pepe Escobar
Uma Kalashnikov era vendida no Iraque até recentemente por US$100. Agora, custa no mínimo $1.000, mais provavelmente $1.500 (longe vão os dias em que os sunitas que se uniam à resistência, em 2003, podiam comprar uma Kalashnikov falsa, fabricada na Romênia, por $20).

Destino preferencial das Kalashnikov de $1.500 em 2012: a Síria. Rede: a al-Qaeda na Terra dos Dois Rios, também conhecida como AQI. Compradores: jihadis infiltrados que operam ombro a ombro com o chamado Exército Sírio Livre (Free Syrian Army, FSA).

Também operam como correia de transmissão entre Síria e Iraque as explosões de carros e os suicidas-bomba, como as duas explosões recentes nos subúrbios de Damasco e o suicida-bomba, 6ª-feira passada, em Aleppo.

Quem imaginaria que o que a Casa de Saud deseja ver na Síria – um regime islâmico – é exatamente o que a al-Qaeda também deseja para a Síria?

Ayman "O Cirurgião" al-Zawahiri, número 1 da al-Qaeda, em vídeo de oito minutos, intitulado "Avante, Leões da Síria", acaba de convocar à luta os muçulmanos no Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia, para derrubar o "regime pernicioso, canceroso", de Bashar al-Assad. De fato, já estavam alistados, em geral, mesmo antes de O Cirurgião entrar em cena. E não só eles, mas principalmente os "combatentes da liberdade" líbios transplantados, conhecidos antigamente como "os rebeldes".

Quem imaginaria que o que o CCG-NATO (Conselho de Cooperação do Golfo+Organização do Tratado do Atlântico Norte) deseja ver na Síria é exatamente o que a al-Qaeda também deseja para a Síria?

Portanto, quando, apesar de todos os horríveis ataques militares que matam sobretudo os civis apanhados no fogo cruzado, o governo de Assad diz que está combatendo "terroristas", ele, em termos precisos, não está mentindo. Até aquela entidade onipresente, proverbial, "funcionário do governo dos EUA que não quis identificar-se" já culpa a al-Qaeda na Terra dos Dois Rios, AQI, pelas recentes explosões. E, além desses, também o vice-ministro do Interior do Iraque Adnan al-Assadi: "Temos informações de inteligência de que vários jihadists iraquianos partiram para a Síria."

Assim sendo, se não deu para fazer da Síria a nova Líbia, no sentido de uma resolução da ONU autorizar o bombardeamento humanitário – vetada por dois BRICs, Rússia e China –, a Síria pelo menos já é uma nova Líbia, no sentido dos escandalosos laços entre "os rebeldes" e os jihadis salafistas linha-dura.

E dado que o ocidente absolutamente adora situações de ganha-ganha, mesmo que pré-fabricadas, é perfeitamente possível que aí esteja, prontinho, o casus belli que o Pentágono esperava – libertar a Síria de uma "al-Qaeda" que, antes, não estava lá. Não esqueçam que – apesar de todo o alarde sobre a "deriva" do governo Obama/Pentágono, afastando-se do Médio Oriente e voltando-se para o Leste da Ásia, toda a "guerra global ao terror" (global war on terror, GWOT), que Obama rebatizou de "operações contingenciais além-mar" ("overseas contingency operations", OCO), continua bem viva, vivíssima.

Libertem-me, para eu matar à vontade

No ano passado, o Asia Times Online advertiu inúmeras vezes que a Líbia "libertada" – e "libertada" pelos chamados "rebeldes da NATO" – rapidamente se transformaria em inferno povoado de milícias armadas. Exatamente o que lá se vê hoje: há pelo menos 250 milícias diferentes, só em Misurata, segundo o Human Rights Watch; as milícias são polícia, juízes e carrascos-executores, tudo ao mesmo tempo. Por falar nisso, não há Ministério da Justiça na Líbia "libertada". Se você for preso e chegar à cela, ali mesmo será executado; e se for africano subsaariano, ainda ganha, de brinde, longo período de tortura, num campo libertado de prisioneiros, antes de ser executado.

Como se viu acontecer na Líbia – porque é questão estratégica para o eixo Casa de Saud/sunitas do Qatar –, já não há qualquer possibilidade de autêntico diálogo entre a insurreição (armada) e o regime de Assad. Afinal, o objetivo chave é derrubar o regime de Assad. Então, a propaganda reina absoluta, nos media árabes controlados quase todos ou pelos sauditas ou pelos qataris.

Por exemplo: o muito louvado Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, e que vive de vomitar estatísticas sem qualquer comprovação, números e mais números, sem fim, dos "massacres" cometidos pelo governo sírio – falaram até em "genocídio" –, é mantido com dinheiro de uma entidade sediada em Dubai e financiada por obscuros doadores ocidentais e do Conselho de Cooperação do Golfo.

Para completar, os 'especialistas' mediáticos da "oposição" orientam com precisão de mira a laser toda a cobertura da imprensa-empresa ocidental. A rede CNN atribuiu as bombas de Aleppo, na 6ª-feira, a "terroristas" – assim, entre aspas. Imaginem a histeria total, se fosse a Zona Verde dos EUA, no Iraque, atacada à bomba pela resistência sunita, em meados da década dos 2000. A BBC acreditou realmente na versão de propaganda que a Fraternidade Muçulmana Síria distribuiu, segundo a qual o governo sírio se autobombardeara: tão verossímil como a 'notícia' de que o Pentágono se autobombardeava na Zona Verde. Quanto aos media árabes – em grande parte controlada por sauditas e qataris –, ignorou completa e absolutamente a conexão al-Qaeda.

A Liga do Conselho de Cooperação do Golfo – antiga Liga Árabe –, depois de bombardear o próprio relatório da própria comissão sobre a Síria, porque não reproduzia a narrativa pré-fabricada sobre um governo "do mal" que bombardeava unilateralmente o próprio povo, anda agora propagandeando um supostamente humanitário Plano B: uma missão de paz árabes/ONU, para "supervisionar a execução do cessar-fogo". Mas que ninguém se deixe enganar: a agenda ainda é a mudança de regime, como antes.

O príncipe Saud al-Faisal, ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, já começou a fazer os ruídos certos, descartando qualquer intervenção humanitária. Simultaneamente, é muito edificante ouvir a Casa ("oh, como somos progressistas") de Saud a lamentar a "falta de comprometimento do governo sírio" e a pontificar que "a Síria passa hoje, não por uma guerra de guerrilha, nem racista nem sectária, mas por matança em massa, sem qualquer consideração humanitária".

Imaginem o quanto seriam "humanitárias" as "considerações" da Casa de Saud, no caso de emergir um movimento pró-democracia entre a maioria xiita que habita a província Leste (já aconteceu; o movimento emergiu e foi reprimido com violência extrema). Melhor ainda: lembrem como os sauditas tinham ar "humanitário", quando invadiram o Bahrain.

A agenda do CCG-NATO permanece inalterada: mudança de regime, por não importa qual meio. Até o Guerreiro-em-Chefe e presidente dos EUA Barack Obama já disse isso, ele mesmo, em pessoa. Os fantoches do CCG obedecerão servis e felizes. Portanto, só resta esperar uma inflação de Kalashnikovs através da fronteira, mais carros-bomba, mais suicidas-bomba, mais civis mortos no fogo cruzado e a lenta, imensamente trágica, fragmentação da Síria.
14/Fevereiro/2012
O original encontra-se em http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NB14Ak01.html


Como na Libia, a tal democracia ficará com os radicais islâmicos. Os demais interesses (escusos) ocidentais denunciados por um general americano (postada  por mim no dia 08 nov 11) estão a se confirmar cada vez mais.
 

Barões do amianto condenados a 16 anos de prisão na Itália

Azenha - 13 de fevereiro de 2012 às 11:23



Sala do Palácio de Justiça de Turim lotada para ouvir a decisão histórica contra os ex-proprietários da Eternit

por Conceição Lemes

Os procuradores de Justiça da Itália acabam de anunciar em Turim a condenação a 16 anos de  prisão dos ex-proprietários da Eternit, o barão belga Louis de Cartier de Marchienne e o magnata suíço Stephan Schmidheiny. É o maior processo criminal de todos os tempos por danos a trabalhadores e ao meio ambiente.  O processo diz respeito à morte de 2.500 trabalhadores, vítimas do cancerígeno amianto.
A engenheira Fernanda Giannasi, o maior símbolo da luta contra o amianto no Brasil, está em Turim, no Palácio da Justiça, acompanhando a leitura da decisão histórica:
“Há uma hora em pé estamos ouvindo o nome dos mortos pelo amianto na Itália e a condenação de indenizar toda esta população sofrida e heróica 30 anos de espera. Estou na sala principal em lágrimas.  Para a Prefeitura de Casale Monferrato, 25 milhões de euros”.


Por aqui (como já havia publicado), houve até estudo científico realizado por douto professor de universidade renomada do país, afirmando que o amianto não era problema. É claro que o dito pesquisador recebia financiamento do setor ligado à industria do amianto.

A integração da América Latina, por Roberto Amaral


Por Marco Antonio L.
Da CartaCapital
Roberto Amaral

Nenhum país em nosso continente terá futuro se antes não construirmos coletivamente a integração regional, econômica, política e cultural. O México jamais poderá pensar em projeto nacional e soberania, vista sua irremovível tragédia geográfica. E é por isso, principalmente, que, ao falar em integração, reporto-me exclusivamente à America do Sul, (sub)continente que, para os juízos que se seguem, começa na Patagônia (com as Malvinas)  e termina na fronteira da Colômbia com o Panamá, onde viceja o processo de “balcanização” (expressão de nossos dias) regional imposto pelos EUA.  Essa história se aviva a partir do século passado, via cizânia, mobilização dos conflitos domésticos e intervenções militares diretas.
p>Lembre-se, a propósito, que o imperialismo simplesmente repete o colonialismo europeu e sua comum política de dividir para melhor dominar. Produtos desse colonialismo e da “balcanização”, a América hispânica, a America Central, as Antilhas, o Caribe e o agora nossoHaiti, formam um cordel de economias e Estados inviáveis.
A dominação moderna surgiu como uma face da disputa entre o império nascente e as antigas potências coloniais. O bordão “A América para os americanos”, que a nossas elites soava como hino à Independência, era, na verdade, a América para os EUA. Do rio Grande para baixo, havia um senhor a respeitar, e ele trazia no ombro o big stick theodorerooseveltiano que jamais relutou em acionar.
Esse “americanismo” é explicativo do horror da geopolítica norte-americana a qualquer intento americanista não norte-americanista, bolivariano ou não, no que ele remeta a nuestra América– conceito hoje reduzido à integração regional, com todos os ingredientes detestados pela detestável classe dominante brasileira: nacionalismo, desenvolvimento autônomo e defesa, inclusive em sua acepção militar.
A política externa do governo Lula buscou a autonomia nacional pela via regional, e avançou sobre dois momentos anteriores, a OPA de JK, nos anos 50, e, mais recentemente, o Mercosul (Tratado de Assunção, 1991). A primeira experiência foi ridicularizada pela elite brasileira e seus porta-vozes, no Congresso (UDN) e na imprensa (ora, ora, o Brasil falando em política continental…), sendo posteriormente desmantelada por Kennedy e sua ‘Aliança para o Progresso’ – projeto do Pentágono para conter os movimentos populares e a emergência das massas, especialmente no Nordeste de Arraes, no início dos anos 60, e nos demais “nordestes” despertados no continente pela revolução cubana. O Mercosul mal sobrevive, reduzido a um acordo aduaneiro permanentemente atacado pelas assimetrias intra-regionais e pelas políticas nacionais dos parceiros. Mesmo assim, seu fortalecimento, que se daria com o ingresso de Venezuela, Equador e Bolívia, é obstaculizado pela direita parlamentar, atendendo à pauta da direita impressa que ainda sonha com algo como a Alca, a renúncia definitiva do continente à soberania.
Temos tudo para festejar as conquistas brasileiras nos nove anos do governo de centro-esquerda inaugurado por Lula. Todos os indicadores melhoraram, sejam econômicos, sejam sociais, cívicos (como a descoberta da cidadania pelas grandes massas), sejam psicossociais (como a auto-identificação de nossa gente com seu país e sua história). Mas é preciso ter em mente que estamos apenas no início de um longo e ainda difícil processo de construção nacional.
Os ganhos do imediatismo não podem esconder que, de certa forma, estamos, a médio e longo prazos, subjugados ao jogo do imperialismo, o qual, apesar da crise no mundo  capitalista, impõe a divisão internacional da economia, na qual nos foi,  a nós os ainda periféricos embora “emergentes”, designado o papel de fornecedores de commodities: produtos agrícolas, aliementos em geral, carne, grãos in natura, minério de ferro e minérios estratégicos. Em breve, além de fornecedores de produtos primários, deveremos ser exportadores de petróleo, talvez de petróleo cru, com quotas e preços determinados pelo mercado internacional.
No plano industrial, priorizamos setores mais atrasados ou conservadores, que não mais interessam às grandes metrópoles, por não serem grandes consumidores de capital e tecnologia, mas de trabalho, mal-remunerado ou mesmo sobrexplorado.  Falo das montadoras de automóveis, voltadas para o consumo interno, mas igualmente para suas matrizes (após mais de 50 anos de implantação da “indústria automobilística nacional” não temos uma só marca própria de veículos); das fábricas de tênis; das “fábricas” de eletrônicos que aqui montam aparelhos com chips e insumos importados. A tecnologia – a medida do progresso e da soberania—ou é produzida nas matrizes das multinacionais ou importadas pela industria nacional, avessa à inovação. Ou seja, tanto na agricultura de exportação, mecanizada, quanto na indústria robotizada, um mínimo de mão-de-obra e um nada de tecnologia e inovação nacionais. Isso quando, ninguém o ignora, a soberania do terceiro milênio será medida não pelas exportações de grãos ou carne, mas pelo índice de desenvolvimento científico e tecnológico de cada país. Nesse campo, superados pela China, estamos sendo ultrapassados pela Coréia do Sul (de quem importamos até carros) e da Índia (de quem importamos até fármacos).
O desafio, pois, é grande – e muito mais profundo do que supõe a vã filosofia dos simplórios, pois passa pela concepção de projetos nacionais vinculados a uma geopolítica regional. É difícil, mas possível, ainda, realizá-lo, porque é, acima de tudo, oportuno. Oportuno porque o império, acicatado por conflitos, precisando cada  de mais de fazer a guerra, e corroído por dentro pela crise do capitalismo, está hoje (viva nossa sorte!) mais preocupado com o que ocorre no centro hegemônico. Em outras palavras, nós os do ‘quintal’ temos nestes anos, como tivemos nos anos 30 do século passado (quando os EUA se voltaram para sua crise econômica), como tivemos quando das duas grandes guerras mundiais (quando a potência emergente teve de voltar-se para a Europa), a oportunidade de cuidarmos nós de nós mesmos, sem (muita) interferência do “grande irmão do Norte”. Este sonho é realizável hoje, enquanto o EUA e a UE viverem sua crise, e os EUA (com Otan ou sem ela) tiverem de lidar com as guerras que promoveram e promoverão no Oriente ou onde quer que julguem necessárias aos seus interesses.  E enquanto estiverem preocupados com a China.
Para sorte nossa, parece que ficarão preocupados com o grande Império do Meio por ainda muitos anos.

Moody's rebaixa Portugal, Itália e Espanha



Por Paulo F.
Do dinheirovivo.pt
Por Joana Petiz
Agência de notação financeira voltou a rever em baixa países afetados pela crise e pôs França, Reino Unido e Áustria sob vigilância negativa
A agência de notação financeira Moody’s voltou a cortar a direito nos ratings dos países mais afetados pela crise, colocando sob vigilância negativa França, Reino Unido e Áustria. Desta vez, as vítimas do downgrade foram Itália, Portugal, Espanha, Malta, Eslováquia e Eslovénia, mas pode haver novos cortes em breve.
A Moody's foi a primeira agência de rating a pôr Portugal no nível equivalente a lixo (Ba2) - em julho, quando cortou a notação da República quatro níveis, cm a justificação de que o país iria precisar de um segundo empréstimo externo e não conseguiria cumprir as metas orçamentais do acordo com a troika.
p>Ratings agências
Portugal desceu mais um nível
Luísa Sousa
Hoje, a agência justifica o downgrade de Portugal (um nível, para Ba3), Espanha (dois níveis, para A3) e Itália (um nível, para A3) com a suscetibilidade destes países “aos crescentes riscos financeiros e macroeconómicos decorrentes da crise na zona euro”, mas também as riscos internos decorrentes dos programas de austeridade, nomeadamente "a incerteza quanto ao resultado das reformas em curso, enfraquecimento das perspetivas macroeconómicas europeias, fraca confiança dos mercados e exposição dos países do euro às respetivas dívidas soberanas".
"O outlook de Itália, Portugal, Espanha, Malta, Eslováquia e Eslovénia mantém-se negativo dada incerteza quanto ao financiamento nos próximos trimestres e correspondente dificuldade de acesso aos mercados", acrescenta a Moody's em comunicado.
A agência de notação deixa ainda uma nota sobre a Grécia: "O rating de Ca mantém-se até que se clarifique o programa de reestruturação da dívida em curso."

Privataria: Tijolaço desmonta FHC

conversa afiada - Publicado em 09/02/2012

Saiu no Tijolaço, do destemido Fernando Brito:

Não é ideologia. É visão de país e moralidade pública


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz hoje que privatização não é uma questão ideológica.


Questão ideológica é a propriedade dos meios de produção.  É a discussão, que não está posta neste Governo, entre socialismo e capitalismo.


Totalmente diferente é o patrimônio público e o controle dos serviços públicos essenciais.


Separemos as coisas.


Entregar patrimônio público para grupos privados em condições ruinosas não é ideologia, é dilapidação.


Se as condições não são ruinosas, a questão passa a ser outra, a da importância daquele patrimônio para aqueles em nome dos quais você o administra e se a sua função é pequena ou suprível de outras formas.


A Vale, por exemplo, foi privatizada em condições ruinosas e tinha uma importância estratégica para o país – pelo fato de deter as maiores jazidas de ferro do planeta – insubstituível.


Tivemos N+1 governos de direita e nenhum deles  tentou vender a Vale, exceto do de FHC.


Dizer, como fez FHC, que o que foi feito aos aeroportos ontem segue o mesmo modelo do que fez ele à Vale é uma mistificação absurda, que não se sustenta diante de um sopro.


É o mesmo que dizer que alugar um apartamento é o mesmo que vendê-lo.


Pior, porque no imóvel há um cofre contendo uma fortuna incalculável, que vai junto.


A Vale foi vendida, os aeroportos tiveram a administração concedida.


Na concessão, não há entrega de patrimônio, que retorna ao Estado, com todas as benfeitorias.


A questões, aí, são de outra ordem: se o serviço é essencial – e neste caso se permanece controlável pelo concedente -  se a concessão atende ao interesse da população, a quem são entregues,  e se é pago ao poder público por ela uma justa remuneração.


Nas concessões da telefonia, por exemplo, o princípio da essencialidade deveria fazer com que o Estado mantivesse o podere os instrumentos para controlá-la, e ele abriu mão disso. As concessionárias são donas do negócio, que virou uma caixa-preta  diante da qual a Anatel faz papel de pateta.


O Estado não tem capacidade sequer para fixar tarifas. Ou alguém é capaz de dizer quanto custa um minuto de ligação telefônica?


Que dirá a de dirigir os investimentos na direção do que seja necessário para a população, como estamos vendo no processo de universalização da banda larga, que se arrasta a passos de cágado manco.


O processo de concessão das teles não apenas foi “preparado” com um brutal aumento das tarifas telefônicas como a outorga foi financiada com dinheiro do próprio Estado – caso da Telemar, hoje Oi – e dada ao controle de  multinacionais.


Nem é preciso entrar nos meandros da corrupção e favorecimentos que aconteceram ali e que estão parcialmente descritos no A privataria tucana. de Amaury Ribeiro Júnior.


Pode-se ser favorável ou contrário à  uma gestão mista
– 51% privada e 49% da Infraero -  de três grandes aeroportos do País. Mas não se pode apelar.


A primeira apelação é dizer que fora prometido manter exclusivamente estatais os aeroportos, como já ficou claro que não, nas palavras da própria então candidata Dilma Rousseff.


A segunda é comparar, por mais que se possa criticar, esta concessão às privatizações da era FHC.


E a terceira, e mais grave, é apelar para isso com o fim de se defender das evidências de que houve, além do crime de lesa-pátria, favorecimentos e maracutaias naqueles processos.


O problema de Fernando Henrique Cardoso não é ter privatizado por ser de direita. É ter privatizado por ser um vendilhão da pátria.

Música "Ai, Se Eu Te Pego" Vira Música de Protesto em Portugal!!

Os portugueses mais uma vez dão exemplo de mobilidade popular e reinvindicação por melhores condições de vida.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Comentários

Fiquei alguns dias isolado da internet na paradisíaca Bombinhas-SC. Por iniciativa própria fugi de pontos de acesso à internet, do telefone, até loquei um local a dois quarteirões da praia e supermercado para deixar o carro de lado também.

Bom, nessas condições minha única opção era a TV aberta. Então, assisti (mesmo que de passagem) novelas da globo e BBB.

Me impressionou o fato de que na minha infância e adolescência assistia às novela das seis (com adaptações da moreninha, escrava Isaura, entre outras) de excelente padrão. A novela das sete com Guerra dos Sexos, entre outras, e a das oito como Roque Santeiro, além de maravilhas como Saramandaia. Não assiti a todas e nem tampouco todos os capítulos, mas eram boas novelas.

Então quando vi a novela das sete com narrações do Miguel Falabella, pensei: o que diabos é isso? O padrão caiu tanto e eu não fiquei sabendo? A novela é chata e os comentários conseguem piorá-la. A das oito, bom, essa eu nem vou falar pois é totalmente sem sal.

E aí veio a estreia do BBB. Quando vi o Pedro Bial anunciando os participantes dançando ridiculamente e recebendo alcunhas no mais puro estilo nosense, fiquei pensando em todos os brasileiros que não tem opção e tem que engolir toda a programação goela abaixo. E olha que com eu sempre estava na praia até uma sete horas, não vi malhação e outras bobagens.

Com uma cobertura de mais de 95% do território, a Rede Globo está formando uma boa massa de cidadãos críticos.

 

Algo que me estarreceu também foi a noticia do “aumento” das aposentadorias.

Não consigo aceitar que um governo que prega a distribuição de renda e aumento do consumo e emprego, faça algo desse tipo. Considerando (como já publiquei antes) que o governo está querendo nivelar a aposentadoria dos Servidores Federais com a do INSS, vejo que serão mais milhares de brasileiros passando necessidade e sobrevivendo, quando na realidade deveriam ter um vida digna.

O pior é que essa gigantesca injustiça iniciou-se no Governo Collor, permaneceu (é claro) no neoliberalismo de FHC e espantosamente se manteve no Governo Lula e permanece com grande folego no de Dilma.

Grande exemplo de respetio ao cidadão o partideco dá. Mas, como nada espero da dita “esquerda” representada por figuras que aumentam seu patrimônio em mais de 20 vezes. Creio que o mínimo que o Governo Dilma deve (isso mesmo, deve) a esses cidadãos que passaram a vida trabalhando, pagando impostos indiretos, taxas dos mais diversos tipos, descontando para a previdência achando que teriam um retorno de igualdade salarial, seria a mudança nessa legislação com só atende a interesses escusos, pois bem sabemos que os ralos do dinheiro público não é o tão propalado “rombo” da previdência.

Arma fatal, por Alexandre Frasson*

recebido por e-mail – 12 jan 2012

Sou pai de uma jovem vestibulanda da UFRGS e fiquei estarrecido com a complexidade do tema de redação proposto por esta tão concei-tuada universidade e aplicado na última segunda-feira. É quase inacreditável que uma instituição de ensino desse naipe, através dos seus “elaboradores”, possa estar tão distanciada da realidade cultural e educacional de nosso pobre/enorme país.
Li atentamente o texto-base para a redação e estou chegando à lamentável conclusão de que a banca que elabora as provas da UFRGS vive em outra “rea- lidade” ou então a explicação é, digamos, patológica de quem mira aquele exército, na sua maioria de adolescentes, como um alvo para o bombardeio do mais puro sadismo “intelectualoide”. Será que sentem prazer em ver os rostos tristes, frustrados e desorientados desses jovens em busca de seus sonhos?
Esses adolescentes, pelo menos aqueles que se prepararam, passaram o ano ligados nas notícias sobre o perigo de um acidente nuclear no Japão, fontes de energia alternativas para preservar o meio ambiente, quebradeira econômica na Europa, a “primavera” árabe, as manifestações de “ocupem Wall Street”, o paradoxo entre corrupção desenfreada e crescimento econômico brasileiro, as inovações tecnológicas etc., etc. Todos, temas bastante complexos para quem está à flor da pele, imaturo, transbordando de hormônios, pensando na namorada ou no namorado. Mesmo assim, ligados e conectados ao mundo através da internet, do celular etc.
Mas, para os “encastelados” e iluminados da banca da UFRGS, isto não bastava e preferiram aplicar um texto sobre o qual muitos professores, jornalistas e tantos outros profissionais das letras teriam muitas dificuldades de dissertar, pois se trata de um texto para especialistas no assunto, ou estou errado?
Com isso, se aprofunda de forma mais cruel a “exclusão”. Será que esse é o grande objetivo das provas da UFRGS, a exclusão?
Para dividir as tarefas de eliminação, nos anos anteriores podem ter sido as questões de física, matemática, química ou todas elas juntas... Este ano, tudo indica que o destaque será a redação, mas tem que parecer politicamente correto, de preferência exaltando nossa nacionalidade, nossas origens lusófonas, quem sabe, a nossa língua!
A arma fatal que promove a exclusão normalmente é apresentada de forma camuflada, desta vez utilizou-se o gigante mitológico Adamastor e uma flor, a flor do Lácio.

*Gerente de Operações e pai de vestibulanda

Já teci comentários anteriormente sobre os exageros do vestibular. É necessário que se introduza uma nova forma de pensar nesse processo de avaliação. Talvez, a saída acabe se tornando a adoção do ENEM como critério de avaliação.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Comentário

Li em Carta que terminamos o ano com uma noticia que tem dois lados. A farra das festas no Congresso empurrou a votação do Projeto de Lei 1992/07 que altera as regras da aposentadoria para fevereiro.

A razão pela qual considero dupla situação é que mais uma vez o Congresso dá mostras de todo seu empenho e respeito pelo povo brasileiro, encerrando já no dia 14 de dezembro as votações. A segunda que é o lado excelente da notícia é o fato de que o Partideco (com poucas resistências) está disposto a por um teto na aposentadoria do Servidor Público, que ficaria igual ao do INSS, ou seja, R$ 3.691,41.

O Governo Dilma, na contramão de tudo o que vinha fazendo e conquistando o apoio popular através da melhoria de renda das classes mais favorecidas resolve achatar o salário dos aposentados federais.

Se tal teto valesse para o próprio salário (o da presidência), da Justiça como um todo, do Legislativo e todos os outros que acumulam aposentadorias que superam em muito esse teto eu até não criticaria, mais sei que não é o caso.

Segundo o Dieese o valor do salário mínimo para novembro de 2011 seria de R$ 2.329,94, o que corresponde a 4,31 vezes o mínimo em vigor, de R$ 545,00.

Nesse caso o Governo Dilma está propondo que os aposentados federais ganhem algo em torno de 1,5 salários mínimos (pelos cálculos do Dieese, que tem como fundo de base a garantia do que está previsto na Constituição). Lembrando que os aposentados depois de 30 anos de serviço deveriam, em tese, ter o direito de descansar, o que com esse salário não vai ocorrer.

Se levarmos em consideração os gastos com previdência privada (o SUS sabemos como é), medicação, alimentação, vestimenta, etc. Os aposentados federais, como seus congêneres privados viveram em uma situação de caos.

Ao invés dos aposentados do setor privado terem como objeto de luta, sua libertação das amarras da Lei 8.212 de 24 de Julho de 1991, que estabeleceu o teto do setor privado, e buscarem a equiparação com o setor público. O setor público é que agora tem que lutar contra esse achatamento pernicioso.

Vemos assim que o Governo ao invés de buscar o gradual aumento do salário mínimo para os valores estimados pelo Dieese que gerariam uma vida digna, está ao contrário achatando todas as aposentadorias, reduzindo a qualidade de vida da população aposentada como um todo (menos é claro dos setores que já comentei). É uma grande decepção com o Governdo de Dilma Roussef, que até agora parecia rumar para atender os interesses da melhoria de vida da sociedade como um todo. O que infelizmente não é o caso.

sábado, dezembro 24, 2011

Natal com Gardênias

recebido por e-mail – 23 dez 2011

“As pequenas árvores de buxos, enfeitadas apenas com velas, significavam simbolicamente que em uma Noite Sagrada viera a Luz para a Terra...” (Roselis von Sass)

O perfume da gardênia trazido pelo vento entra sorrateiro pelo escritório de trabalho e faz sonhar e passear por outras paragens, ainda que o teclado do computador não pare de digitar. Lembro que as gar­dênias reinavam em outra parte do terreno. Eu havia plantado essas mesmas mudas em local estratégico para doar aroma a quem passasse pela calçada. Mas não deu certo. As gardênias eram roubadas, assim que abertas. Pior que roubar uma flor é roubar um aroma, pior que roubar um aroma é roubar a beleza, pior que roubar a beleza é roubar o sonho.

Amanhã é Natal. Ninguém sabe, mas descobri que o Natal foi roubado, assim como as minhas gardênias. Percebi isso ao entrar no Shopping, formigando de gente nervosa lutando por uma vaga no estacionamento. Mas decidi que do mesmo jeito que transplantei as gardênias para dentro dos meus portões, longe de um ladrão qualquer, poderia transplantar meu Natal para um lugar exclusivo dentro de mim.

Li que povos antigos comemoravam o Natal antes mesmo de ele existir. Não era bem o Natal, mas nessa mesma época de dezembro, já existia entre diversos povos, como romanos, incas e sumerianos, uma comemoração em prol da vida e do amor. Eram festas, em que os presentes trocados entre as pessoas eram bons e nobres sentimentos de amizade e bem querer.

A idéia de uma estrela brilhando que anuncia um nascimento é forte, eu diria, inesquecível. Fico imaginando... aonde foram parar os pensamentos sobre isso? Teriam sido roubados pela falta de tempo ou pela obrigação de comprar presentes? Ou teria sido o Papai Noel?

Dezembro é um mês especial. Não é só o mês que exala o perfume das gardênias. Dezembro é o mês que exala o encanto da vida que insiste em amar e surpreender quem tem olhos para ver. É o mês que desabrocha dadivoso e cheio de emoção aos pés de quem quiser sentir. Isso me lembrou Rainer Maria Rilke que diz sobre os dezembros e os janeiros de cada vida: “Se a sua vida diária parece pobre, não a culpe; culpe a si mesmo; admita para si mesmo que você não é poeta o bastante para atrair as riquezas da sua vida; porque para o criador não há pobreza nem lugar pobre e insignificante.”

Será que é possível recuperar o Natal? E depois, ainda, transformar cada dia da vida em Natal, como quem transforma um dia nublado em dia de sol e devoção?

(Sibélia Zanon)

‘A Privataria Tucana’ marca o fim de uma era

retirado do site de Carta Capital – 24 dez 2011

Luis Nassif

21.12.2011 09:12

 

O livro “A Privataria Tucana” marca o desfecho de uma era, ao decretar o fim político de José Serra. A falta de respostas de Serra ao livro – limitou-se a taxá-lo de “lixo” – foi a comprovação final de que não havia como responder às denúncias ali levantadas.

O ex-governador tucano José Serra. Foto: Filipe Araújo/AE

O livro mostra como, após as privatizaçōes, o Banco Opportunity – um dos maiores beneficiados – aportou recursos em paraísos fiscais, em empresas da filha Verônica Serra. Depois, como esse dinheiro entrou no país e serviu, entre outras coisas, para (simular) a compra da casa em que Serra vive.

Tem muito mais. Mostra a extensa rede de pessoas cercando Serra que, desde o início dos anos 90, fazia negócios entre si, utilizando o Banespa, o Banco do Brasil, circuitos de paraísos fiscais, as mesmas holdings utilizadas por outros personagens controvertidos para esquentar dinheiro

Provavelmente o livro não suscitará uma CPI, pela relevante razão de que o sistema de doleiros, paraísos fiscais, foi abundantemente utilizado por todos os partidos políticos, incluindo o PT. Aliás, uma das grandes estratégias de José Dirceu, assim que Lula é eleito, foi mapear e cooptar os personagens estrangeiros da privatização que, antes, orbitavam em torno de Serra.

Essa a razão de ter terminado em pizza a CPI do Banestado, que expunha personagens de todos os partidos.

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Câmara paulistana corta CartaCapital do clipping

Nesse imbróglio nacional, a posição mais sensível é a de Serra – e não propriamente para a opinião pública em geral, mas para seus próprios correligionários. Afinal, montou um esquema que em nada ficou a dever a notórios personagens da República, como Paulo Maluf. Jogou pesado para enriquecimento pessoal e da família.

Com as revelações do livro, quebra-se a grande defesa de Serra, algo que talvez a sociologia tenha estudado e que poderia ser chamada de “a blindagem dos salões”. É quando personagens controvertidos se valem ou do mecenato, das artes, ou da proximidade com intelectuais para se blindarem. O caso recente mais notável foi o de Edemar Cid Ferreira e seu Banco Santos.

Serra dispunha dessa blindagem, por sua condição de economista reputado nos anos 80, de sua aproximação com o Instituto de Economia da Unicamp. Graças a isso, todos os pequenos sinais de desvio de conduta eram minimizados, tratados como futrica de adversários.

O livro provocou uma rachadura no cristal. De repente todas aquelas peças soltas da história de Serra foram sendo relidas, o quebra-cabeças remontado à luz das revelações do livro.

Os sistemas de arapongagem, que permitiram a ele derrubar a candidatura de Roseana Sarney no episódio Lunus; o chamado “jornalismo de esgoto” que o apoiou, as campanhas difamatórias pela Internet, as suspeitas de dossiê contra Paulo Renato de Souza, Aécio Neves, o discurso duplo na privatização (em particular apresentando-se como crítico, internamente operando os esquemas mais polêmicos), tudo ganhou sentido à luz da lógica desvendada pelo livro.

Fica claro, também, porque o PSDB – que ambicionava os 20 anos de poder – jogou as eleições no colo de Lula.

Todas as oportunidades de legitimação da atuação partidária foram preteridas, em benefício dos interesses pessoais da chamada ala intelectual do partido.

A perda do bonde do real

No início do real, os economistas enriqueceram com operações cambiais, em cima de uma apreciação do real que matou a grande oportunidade de criação de um mercado de consumo interno. A privatização poderia ter sido conduzida dentro de um modelo de fundos sociais, que permitiria legitimá-la e criar um mercado de capitais popular no país. Mas os interesses pessoais se interpuseram no caminho do projeto político do partido.

O cavalo encilhado

O fim da inflação permitiu o desabrochar de um mercado de consumo de massa, dez anos antes que o salário mínimo, Bolsa Família e Pronaf abrissem espaço para a nova classe média. Estariam assegurados os 20 anos de poder preconizados por Sérgio Motta, não fosse o jogo cambial, uma manobra de apreciação do real que enriqueceu os economistas mas estagnou a economia por uma década. FHC jogou fora a chance do partido e do país. Conto em detalhes essa história no livro “Os Cabeças de Planilha”.

A falta de Mário Covas

Fica claro, também, a falta que Mário Covas fez ao PSDB. Com todas as críticas que possam ser feitas a ele, a Lula e a outros grandes políticos, havia neles o sentimento de povo. Na campanha de 2006, ouvi de Geraldo Alckmin a crítica – velada – à ala supostamente intelectual do PSDB. “Covas sempre me dizia para, nos finais de semana, andar pelas ruas, visitar bairros, cidades, para não perder o sentido do povo”.

Os construtores e os arrivistas

Não se vá julgar impolutos Covas, Lula, Tancredo, Ulisses, o grande Montoro, Grama e outros fundadores do Brasil moderno. Dentro do modelo político brasileiro, montaram acordos nem sempre transparentes, participaram dos pactos que permitiam o financiamento partidário, familiares se aproveitaram das relações políticas para pavimentar a vida profissional. Mesmo assim, imperfeitos que eram – como políticos e seres humanos – havia neles a centelha da transformação, a vontade de deixar um legado, o apelo da redemocratização.

A ala intectual do PSDB

Esses atributos passavam ao largo das ambições da ala intelectual do partido, os economistas financistas de um lado, o grupo de Serra do outro. O individualismo exacerbado, a ambição pessoal, a falta de compromisso com o próprio partido e, menos ainda, com o país, fizeram com que não abrissem espaço para a renovação. Com exceção de Serra, FHC não legou para o partido um ministro sequer com fôlego político. Como governador, Serra não permitiu o lançamento político de um secretário sequer.

A renovação tímida

A renovação do PSDB se deu pelas mãos de Alckmin – ele próprio não revelando um secretário sequer com fôlego para sucedê-lo – e, fora de São Paulo, de Aécio Neves. Ao desvendar as manobras de Serra, o livro fecha um ciclo de ódio, personalismo, de enriquecimento de pessoas em detrimento do país e do próprio partido. No começo, será um baque para o PSDB. Passado o impacto inicial, será a libertação para o penoso reinício político.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Cena brasileira

recebido por e-mail – 23 dez 2011

O médico José Guilherme Vartanian apareceu hoje na mídia nacional - como na entrevista à Globo News - para falar do tratamento do câncer do ex-presidente Lula. Ele não aparecia tanto em veículos de comunicação desde que, em dezembro de 1992, matou a socos e pontapés o maringaense Marcos Takashi Kawamoto, na frente do bar Ópera. Marcos, que trabalhava no Japão, estava em Maringá para passar o Natal com a família; Vartanian, que estudava Medicina na UEL, em Londrina, perseguiu a vítima antes de espancá-la até a morte. O caso andou lentamente; em primeira e segunda instância, decidiu-se que ele iria a júri popular; quando o caso chegou em Brasília, ficou cinco anos parado, até obter o voto do ministro Hamilton Carvalhido, que apontou a prescrição. A lei estabelece que o prazo para a prescrição é reduzido à metade quando o réu tem menos de 21 anos. A família de Marcos, que havia feito passeata em Maringá e protestado defronte o TJ-PR, até hoje não compreende a falta de justiça do caso.
À época, o advogado Israel Batista de Moura, assistente de acusação, apresentou pedido de providências contra a demora no STJ, que começava com uma frase de Rui Barbosa: "Justiça tardia não é Justiça, é injustiça manifesta". Em 2008, 16 anos depois da morte, o caso foi declarado prescrito, sem punição a Vartanian, hoje sob os holofotes da imprensa.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Cracolândia na Rua Dona Eugênia – Porto Alegre

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 16 de novembro de 2011.

    Antes, aparecia só um ou outro dependente de crack. Hoje, dos sete pacientes internados na minha clínica, que tem mensalidade de 13.500 reais, três são viciados nessa droga. Tem advogado, filósofo, professor... O poder viciante é   impressionante. De cada dez pessoas que provam bebida alcoólica, uma vira dependente. Com o crack, são nove. Quem fuma não precisa de mais nada. Encontra tudo na droga. Tem a sensação de que é forte e invulnerável. Rapidinho, o prazer da droga desaparece, mas a lembrança eufórica faz com que a pessoa não consiga largar. Ela fica agressiva, perde a autocrítica. Se precisar pisar no pescoço da mãe para conseguir a droga, vai pisar. Quem fuma crack vira um monstro.

(Psiquiatra Jorge César Gomes de Figueiredo)

Os altos da Rua Dona Eugênia, no Bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, RS, onde passei minha adolescência era um exemplo de sadia comunidade onde os vizinhos eram gentis parceiros e não raras vezes amigos. As residências ostentavam belas árvores e jardins bem cuidados, se passeava pelas ruas limpas e arborizadas com segurança.

- Índice de Área Verde (IAV)

“Áreas verdes” é um termo que se aplica a diversos tipos de espaços urbanos que têm em comum o fato de serem abertos, acessíveis; relacionados com saúde e recreação ativa e passiva, proporcionaram interação das atividades humanas com o meio ambiente.
(José Alexandre Melo Demattê)

O IAV da cidade de Porto Alegre, RS, é de 13,5 m² por habitante bastante inferior à de Curitiba que ultrapassa os 50 m². Nossos administradores parecem desconhecer que a vegetação das áreas privadas possui um papel fundamental no IAV e que Curitiba só atingiu esse alto índice graças a uma inteligente política de incentivo fiscal. Este incentivo proporciona abatimento no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) proporcionalmente à área do terreno que é mantida com cobertura vegetal pelo proprietário, em alguns casos essa isenção pode chegar a até 100%.

A arborização urbana contribui significativamente para a melhoria da qualidade ambiental das cidades regularizando o ciclo hidrológico, moderando os extremos climáticos, permitindo a sobrevivência da fauna e reduzindo os níveis de poluição atmosférica. Além disso, proporciona um imenso bem-estar ao cidadão quebrando a monotonia das cidades e permitindo sua integração a um ritmo mais natural cuja harmonia se reflete profundamente nos aspectos psicológico e espiritual.

- Cracolândia na Dona Eugênia

A roda do tempo seguiu sua lenta e inexorável marcha, frios edifícios tomaram o lugar das decanas e amistosas casas, os jardins e árvores centenárias foram aniquilados, os cumprimentos efusivos de outrora foram substituídos pela frieza e indiferença, o respeito aos mais velhos e à tradição pela falta de educação. As crianças transformaram o carinho para com os animais domésticos alheios em uma gratuita e desumana provocação que conta, na maior parte das vezes, com a aquiescência dos pais omissos, tornando os pobres animais irritados e estressados. O acolhedor Bairro residencial de outrora transformou-se em mais um aglomerado de zumbis. Diz o velho ditado que “nada está tão ruim que não possa piorar”. Recentemente a empresa

POLIDO ARQUITETURA E INTERIORES

Marcelo Polido

Rua Dr. Alcides Cruz 136, 202

adquiriu duas decanas casas na região e não providenciou nenhum tapume ou vigilância para as mesmas. Como era de se esperar as casas abandonadas se transformaram em um antro de marginais e viciados que as invade todas as noites promovendo badernas e importunando a pacata vizinhança. Somente a nossa gloriosa Brigada Militar tem cumprido sua missão constitucional comparecendo sempre que chamada pela vizinhança para expulsar os invasores.

Não sei até quando ficaremos à mercê da bandidagem, a empresa já foi contatada diversas vezes e nenhuma providência foi tomada. Ao adentrar nas dependências das casas a atuante Brigada Militar constatou que além da depredação, existem restos de comida, lixo e dejetos por onde circulam enormes ratos. O caso se tornou de polícia esaúde pública, mas a “POLIDO ARQUITETURA E INTERIORES” continua se negando a tomar qualquer tipo providência. Estarão esperando que os marginais incendeiem as antigas moradias ou que façam alguma vítima nas redondezas?

Conclamamos aos amigos e moradores da vizinhança que se juntem a nós nessa cruzada cobrando da POLIDO ARQUITETURA E INTERIORES e de seu proprietário MARCELO POLIDO providências urgentes antes que um mal maior aconteça.

– Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura(http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.

  • Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
  • Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
  • Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

CHOREM BRASILEIROS!

Dois fatos aconteceram no mês de dezembro de 2011.
Um que deveria ser orgulho de todos os brasileiros e outro que mostra a torpeza humana quando guiada pela cegueira da paixão política ideológica.

MORREU UM HEROI NACIONAL.
Faleceu no último dia 3 de dezembro em Niteroi, Rio de Janeiro, de causas naturais aos 93 anos de idade, o veterano da FEB Coronel Iporan Nunes de Oliveira.
O senhor já ouviu falar neste brasileiro, que como 1º tenente na FEB conquistou a cidade de MONTESE?
O seu pelotão progredindo com dificuldade em meio a intenso bombardeio da artilharia alemã, ele e seus soldados conseguiram atingir as alturas da cidade, embora fossem cortados do restante das tropas.
No dia seguinte, consolidaram as posições de dominação da localidade, destruindo os últimos focos de resistência inimiga.
A sua valentia e a sua liderança mereceram o reconhecimento de dois Países.
Por sua extrema tenacidade na liderança do pelotão durante o ataque, o TENENTE IPORAN FOI CONDECORADO PELO EXÉRCITO DOS EUA COM A SILVER STAR - QUE FOI-LHE ENTREGUE PESSOALMENTE PELO GENERAL CHARLES GERHALT EM CUIABÁ, NO DIA 15 DE JULHO DE 1946.
ELE TAMBÉM RECEBEU A ORDEM DO IMPÉRIO BRITÂNICO, CONCEDIDA PELO MARECHAL-DE-CAMPO HAROLD ALEXANDER NO RIO DE JANEIRO, EM 15 DE JUNHO DE 1948.
Recebeu inúmeras medalhas nacionais, também, mas ao morrer nenhuma homenagem.
Foi esquecido pelo seu País; Ele e o seu Pelotão arriscaram a vida lutando pela liberdade.
ADEUS, QUERIDO HEROI BRASILEIRO!
SEU NOME ENCONTRA-SE GRAVADO NO CORAÇÃO DOS VERDADEIROS BRASILEIROS!

Neste mesmo mês um criminoso, um assassino completaria 100 anos e foi homenageado por autoridades brasileiras como se alguma coisa tenha feito pelo Brasil.
Foi até anistiado e a família deste facínora irá receber dinheiro por ter combatido a liberdade e ter querido implantar uma ditadura.
O GRUPO GUARARAPES irá transcrever alguns trechos do artigo muito bem escrito por Reinaldo Azevedo para que os amigos não deixem de ler a desgraça que vai sendo implantando no nosso Querido Brasil.
” Carlos Marighella, chefe do grupo terrorista “Ação Libertadora Nacional” (ALN),  foi homenageado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
Declarou, então, a conselheira Ana Maria Guedes:
“A Comissão da Anistia, em nome do Estado brasileiro, faz os mais sinceros pedidos de desculpas pelas atrocidades que foram cometidas contra o herói do povo brasileiro, Carlos Marighella”.
Como é que é?! Em nome do Estado? Do povo?
“Marighella era o chefe da ALN, que MATOU UMA PENCA DE PESSOAS, muitas delas sem qualquer ligação com a luta política.”
“Também omite o fato de que ele foi o autor do “Mini Manual da Guerrilha Urbana, em que faz aberta e explicitamente a defesa do terrorismo e do assassinato de soldados.”
E, como é sabido, não ficou apenas na teoria.Abaixo, a lista de pessoas assassinadas pela ALN, sozinha ou em associação com outros grupos”.
“AS FAMÍLIAS DESSAS PESSOAS NÃO FORAM NEM SERÃO INDENIZADAS.
A COMISSÃO DE ANISTIA EXISTE PARA CONCEDER BENEFÍCIOS SÓ A ESQUERDISTAS CONSIDERADOS 'VÍTIMAS DO REGIME MILITAR'.
Os mortos de esquerda são heróis.
Os que não são, perdem até o direito de ter um nome. Aliás, o fato desaparece”.
Como se nota, o jornalismo brasileiro, com as exceções de praxe, tenta enterrar a memória. Vai aqui mais uma contribuição à Comissão da Verdade.
“PESSOAS ASSASSINADAS PELA ALN, DO “HERÓI” CARLOS MARIGHELLA
- 10/01/68 - AGOSTINHO FERREIRA LIMA - Marinha Mercante - Rio Negro – AM.
No dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi atacada por um grupo de nove terroristas, liderados  por Ricardo Alberto Aguado Gomes, “Dr. Ramon”, que, posteriormente, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN).Neste  ataque, Agostinho Ferreira Lima foi ferido gravemente, vindo a morrer no dia 10/01/68.

- 08/05/69 - JOSÉ DE CARVALHO - Investigador de Polícia -  SP
Atingido com um tiro na boca durante um assalto a uma agência do União de Bancos Brasileiros,
em Suzano, no dia 07 de maio, morreu no dia seguinte.
Nessa ação, os terroristas feriram, também, Antonio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini. Participaram os seguintes terroristas da ALN: Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto e João Batista Zeferino Sales Vani. Amano foi baleado na coxa e operado em um “aparelho médico” por Boanerges de Souza Massa, médico da ALN.

- 22/06/69 - GUIDO BONE - soldado PM - SP
Morto por militantes da ALN que atacaram e incendiarama rádio-patrulha RP 416, da então Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar, matando os seus dois ocupantes, os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, roubando suas armas.

- 22/06/69 - NATALINO AMARO TEIXEIRA - Soldado PM - SP
Morto por militantes da ALN na ação acima relatada.

- 03/09/69 - JOSÉ GETÚLIO BORBA - Comerciário - SP
Os terroristas da ALN Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Tomazresolveram comprar um gravador na loja Lutz Ferrando, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis.
O pagamento seria feito com um cheque roubado num assalto. Descobertos, receberam voz de prisão e reagiram.
Na troca de tiros, o guarda civil João Szelacsak Neto ficou ferido com um tiro na coxa, e o funcionário da loja, José Getúlio Borba, foi mortalmente ferido. Perseguidos pela polícia, o terrorista José Wilson Lessa Sabag matou a tiros o soldado da Força Pública (atual PM) João Guilherme de  Brito.

- 03/09/69 - JOÃO GUILHERME DE BRITTO - solado da Força Pública – SP
(ver relato acima)

- 11/03/70 - NEWTON DE  OLIVEIRA NASCIMENTO -  Soldado PM - RIO DE JANEIRO
No dia 11/03/70, os militantes do grupo tático armado da ALN Mário de Souza Prata, Rômulo Noronha de Albuquerque e Jorge Raimundo Júniordeslocavam-se num carro Corcel azul, roubado, dirigido pelo último, quando foram interceptados no bairro de Laranjeiras por uma patrulha da PM.
Suspeitando do motorista, pela pouca idade que aparentava, e verificando que Jorge Raimundo não portava habilitação, os policiais ordenaram-lhe que entrasse no veículo policial, junto com Rômulo Noronha Albuquerque, enquanto Mauro de Souza Prata, acompanhado de um dos soldados, iria dirigindo o Corcel até a delegacia mais próxima. Aproveitando-se do descuido dos policiais, que não revistaram os detidos, Mário, ao manobrar o veículo para colocá-lo à frente da viatura policial, sacou de uma arma e atirou, matando com um tiro na testa o soldado da PM Newton Oliveira Nascimento, que o escoltava no carro roubado.
O soldado Newton deixou a viúva, Luci, e duas filhas menores, de quatro e dois anos.

- 29/08/70 - JOSÉ ARMANDO RODRIGUES - Comerciante - CE
Era proprietário da firma Ibiapaba Comércio Ltda. Depois de sua loja ser assaltada, foi seqüestrado, barbaramente torturado e morto a tiros por terroristas da ALN. Seu carro foi lançado num precipício na serra de Ibiapaba, em São Benedito, CE.
Autores: Ex-seminaristas Antônio Espiridião Neto e Waldemar Rodrigues Menezes (que fez os disparos), José Sales de Oliveira, Carlos de Montenegro Medeiros, Gilberto Telmo Sidney Marques, Timochenko Soares de Sales e Francisco William.

- 14/09/70 - BERTOLINO FERREIRA DA SILVA - segurança - SP
Morto durante assalto praticado pelas organizações terroristas ALN e MRT ao carro pagador da empresa Brinks, no Bairro do Paraíso, em são Paulo.

-15/04/71 - HENNING ALBERT BOILESEN - Industrial - SP
Ligado à Operação Bandeirantes, que combatia as organizações de esquerda, foi assassinado, entre outros, por Carlos Eugênio da Paz (há depoimento deste senhor no blog).
Participaram ainda dação os terroristas Yuri Xavier Pereira, Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa, Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos.
No relatório escrito por Yuri, apreendido pela polícia, lê-se:
“Durante a fuga, trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”.
Sobre o corpo de Boilesen, atingido por 19 tiros, panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça: “Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são.
Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.

- 20/01/72 - SYLAS BISPO FECHE - Cabo PM São Paulo - SP
O cabo Sylas Bispo Feche integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército.
Sua equipe executava  uma ronda quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo.
A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado.
Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi metralhado. Dois terroristas, membros da ALN, morreram.

- 01/02/72 - IRIS DO AMARAL - Civil - RJ
Morto durante um tiroteio entre terroristas da ALN e policiais.
Ficaram feridos nesta ação os civis Marinho Floriano Sanches, Romeu Silva e Altamiro Sinzo. Autores: Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”) e Antônio Carlos Cabral Nogueira (”Chico”, “Alfredo”.)

- DAVID A. CUTHBERG - Marinheiro inglês - RJ
A respeito desse assassinato, sob o título “REPULSA”, o jornal “O Globo” publicou:
“Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David  A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres.
Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil.
Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava.
Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender.
Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade.
Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras
para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente,
em troca da publicação da notícia num jornal inglês.
O terrorismo cumpre,no Brasil, com crimes como esse,o destino inevitável dos movimentos a que
faltam motivação real e consentimento de qualquer parcelada opinião pública: o de não ultrapassar os limites dosimples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração
dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.
A ação criminosa foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas: - ALN - Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”), que fez os disparos com a metralhadora, Antônio Carlos Nogueira Cabral (”Chico”, “Alfredo”), Aurora Maria Nascimento Furtado (”Márcia”, “Rita”), Adair Gonçalves Reis(”Elber”, “Leônidas”, “Sorriso”);

CHOREM BRASILEIROS!
A BANDEIRA NACIONAL DEVERIA SE ENCONTRAR A MEIO PAU EM HOMENAGEM AO TENENTE IPORANNUNES DE OLIVEIRA.
NADA, NEM UM TOQUE DE SILÊNCIO!
INFELIZ PAÍS EM QUE ASSASSINOS, QUE MATAM BRASILEIROS SÃO “HOMENAGEADOS” E OS VERDADEIROS HEROIS ESQUECIDOS?
SENTIDO!
ARMA EM FUNNERAL!
EM CONTINÊNCIA AO HERÓI IPORAN QUE DEFENDEU A PÁTRIA!
E A DEMOCRACIA!
GRUPO GUARARAPES

“QUEM ACEITA O MAL SEM PROTESTAR, COOPERA REALMENTE COM ELE”.
MARTIN LUTHER KING

domingo, dezembro 18, 2011

Como Fernando Henrica

Palmério Doria - 18 de Dezembro de 2011 às 08:30

O CASO PARIBAS OU FRAUDE À FRANCESA DO PRÍNCIPE DOS OCIÓLOGOS

Acho que Protógenes Queiroz nem sonhava com uma candidatura quando me falou pela primeira vez do Caso Paribas. Não apenas falou: de noite, no saguão do hotel em que se hospedava entre uma e outra operação em São Paulo, fez mapa minucioso da armação de tucanos de megabico para manipular a dívida externa em seu proveito.

A segunda vez foi em sua primeira entrevista à imprensa, na sede da revista Caros Amigos, que durou de 2 da tarde às 7 da noite. De tudo se tratou. Selecionei apenas o capítulo que trata do Caso Paribas, que pode levar à convocação de FHC e Armínio Fraga, entre outros, pelo Congresso.

Não por coincidência, depois da entrevista, a caixa d’água veio abaixo na vida de Protógenes.

PALMÉRIO DÓRIA - Você está falando do Fernando Henrique Cardoso?

Fernando Henrique Cardoso.

PALMÉRIO DÓRIA - Você está falando do Paribas, de como o presidente manipulou e ganhou com isso?

Exatamente. Nossa dívida externa é artificial e eu provei isso na investigação. Houve repulsa minha porque quando era estudante empunhei muita bandeira "Fora FMI", "Nós não devemos isso".

MYLTON SEVERIANO - "A dívida já está paga".

"A dívida já está paga". E foi muito jato d'água, muita cacetada, muito gás lacrimogêneo, "bando de doido, tem que tomar porrada, pau nesses garotos". Você cresce achando que era um idiota, não é? Chega um momento que pensa "a dívida foi criada no regime militar, mas a gente precisa pagar".

FERNANDO LAVIERI - Como você provou isso?

PALMÉRIO DÓRIA - O jogo começou a ser jogado no Ministério da Fazenda?

Sim. Querem essa história?

TODOS - Sim!

Vocês não vão dormir direito. Isso é para maiores de 50 anos. Estamos em 2002, me atravessa as mãos o expediente para um banco francês, "esse banco eu conheço, é sério". E a suspeita que investigo é fraude com títulos públicos brasileiros, negociados no mercado internacional, títulos da dívida externa. Negociados na década de 1980: o que chama atenção?

MYLTON SEVERIANO - Fim da ditadura.

E transição para o regime civil. José Sarney pega o país em frangalhos, devendo até a alma, sem dinheiro para financiar as contas públicas, muito menos honrar compromissos, a famigerada dívida com o FMI. Havia até o "decrete-se a moratória". Era o papo nosso, da esquerda, dos estudantes, "não vamos pagar, já levaram tudo". E o Sarney, o que faz? Bota a mão na manivela e nossos títulos da dívida externa valiam, no mercado internacional, no máximo 20% do valor de face, era negociado na bolsa de Nova York. No paralelo valiam 1%. O que significa? Não passa pela bolsa. Comprei, quero me livrar, então 1% do valor de face, título de um país "à beira de uma convulsão social, ninguém sabe o que vai acontecer com aquele país, um conjunto de raças da pior espécie": essa, a visão primeiro-mundista, o que representávamos para os banqueiros. Escória. E aqui estávamos, discutindo a reconstrução do país. Vamos dialogar, botar os partidos para funcionar, eleições, e o Sarney tendo que dar uma solução. Fecha a manivela e toca a jogar título no mercado de Nova York. Cada título que valia 10%, 15%, mandava dinheiro aqui para dentro. Seis anos depois, o mercado financeiro internacional detectou que no Brasil haveria desordem, até guerra civil, e eles não iam receber o que tinham colocado aqui com a compra dos papéis podres, queriam receber mesmo os 15%. E fazem uma regrinha de três e colocam para o Banco Central: “Você vai instituir uma norma, os títulos da dívida externa brasileira adquiridos no mercado financeiro internacional, no nacional poderão ser convertidos junto ao Banco Central pelo valor de face desde que esse dinheiro seja investido em empresas brasileiras." Bacana, não? Se funcionasse como ficou estabelecido, nosso país seria uma potência, não? Ainda que uma norma perfeita, acho um critério não normal, não é? Não é moralmente ético eu comprar um título por 15% e ter um lucro de 100%, em tão pouco tempo. Mas enquanto regra de mercado financeiro tenho de admitir que sou devedor. Se vendi a 15%, na bolsa, assumi o risco de, no futuro, o lucro ser maior para o credor. Tenho que pagar. Foi assim que foi feito? Não. Será que o grupo Votorantim recebeu algum dinheiro convertido? Alguma outra empresa nacional do porte recebeu? Não. O que o sistema montou? Uma grande operação em determinado período para sangrar as reservas do país, e ainda tinha as cartas de intenção, que diziam "se você não me pagar posso explorar o subsolo de 50 mil quilômetros da Amazônia".

WAGNER NABUCO - Era a fiança?

Sim. Então me deparo com um banco, o Paribas, hoje BNP-Paribas que se uniu ao National de Paris. Com três diretores, em São Paulo, e dois outros, mais um contador que foi assassinado e um laranja que se chamava Alberto. O banco adquire esses títulos, no valor de 20 milhões de dólares, não é? E converte no Banco Central e aplica em empresas brasileiras, empresas-laranja. Comprou no paralelo a 1%, eram 200 mil dólares, e converteu a 20 milhões de dólares aqui no Brasil e colocou nessa empresa-laranja...

MYLTON SEVERIANO - Empresa de quê?

De participações. Chamava-se Alberto Participações, com capital social de 10 mil reais. Já tem coisa errada. Como uma empresa com capital de 10 mil reais pode receber um investimento estrangeiro da ordem de 20 milhões? Cadê o patrimônio da empresa? Como é que o Banco Central aprova? Mando pegar o processo. Ela investiu, vamos ver aonde o dinheiro vai. Converteu os 20 milhões e ao longo de doze meses o dinheiro é sacado mensalmente na boca do caixa em uma conta e convertido no dólar paralelo e enviado para a matriz em Paris. Eu digo "Banco Central, me dá o processo do Paribas". Aí não consigo, quem consegue é o procurador que trabalhava comigo, Luiz Francisco. Consegue e remete pra mim em São Paulo. Vejo que no Banco Central houve uma briga interna pela conversão. Os técnicos se indignaram, e indeferiram. Ai houve uma gestão forte para que houvesse a conversão. De quem? Do ministro da fazenda. Que era quem?

MYLTON SEVERIANO - Fernando.

MARCOS ZIBORDI - Henrique.

MYLTON SEVERIANO - Cardoso.

Tento localizar os banqueiros. Todos fugiram. Os franceses todos. O contador, assassinado. O laranja Alberto morreu de morte natural, assim falam no Líbano, onde ele morreu. E me sobra a sócia dele, uma senhora chamada Célia. Morava na Avenida São Luís. Ah, é? Um foi embora, outro fugiu, outro morreu, outro foi assassinado: querem brincar com a Polícia Federal? Com a dívida externa do Brasil? Descubro essa sem-vergonhice, essa patranha, essa picaretagem de fundo de quintal que acontecia enquanto nós estudantes lutávamos, dizíamos que a dívida externa não existia, e, de fato, parte dela era artificial. A coisa é grave, vamos fazer uma continha, nós contribuintes, que cremos que existe uma ordem no país. Títulos que adquiri por 200 mil, converti no Brasil os 20 milhões de dólares, quanto tive de lucro? 19 milhões e 800 mil. Vamos fazer essa continha para vocês dormir direito hoje. Esses 19 milhões mandei para minha matriz, o papel está na minha mão ainda, porque dizia o seguinte a norma do Banco Central: ao converter esse título, invista em empresa brasileira, e ao final de doze anos "Brasil, mostre a sua cara e me pague aqui, você me deve, pois sou credor dessa nota promissória chamada título da dívida externa brasileira". Está na lei. Bota aí. Soma 20 milhões com 19 milhões e 800 mil: 39 milhões e 800 mil. Nós devemos isso aí? E mais, o que pedi? Que o juiz bloqueasse o título do Paribas, não pagasse, indiciei os diretores. Por quê? Porque estava se aproximando o final dos doze anos, o título estava vencendo e tínhamos que pagar. Pedi que o Banco Central enviasse cópia de todos os processos de conversão da dívida externa brasileira pra mim. Estou esperando até hoje. Sabe o que o Banco Central falou? "O departamento não existe, nunca existiu, era feito por uma seção aleatoriamente lá no Banco Central." Então nós não devemos esse montante de milhões que cobram.

RENATO POMPEU - Só não entendi o que o Fernando Henrique Cardoso ganhou com isso.

Calma, calma. Sobrou uma para contar a história. A Célia da Avenida São Luís. A mulher de verdade. Era companheira do Alberto, ex-embaixador do Brasil no Líbano. Quando estourou a guerra ele fugiu e viveu na França, estudando na Sorbonne. Quem ele conhece lá?

MYLTON SEVERIANO - Fernandinho.

Colegas de faculdade. A Célia, marquei depoimento numa quinta, véspera de feriado, às seis da tarde na superintendência da Polícia Federal. Uma morena bonita, quase 60 anos, me disse que tinha sido miss, modelo, era sócia nessa empresa, tinha tipo 1%. Furiosa, "que absurdo, véspera de feriado, perder meus negócios, engarrafamento". Já estava gritando no corredor. Dei um molho de uns trinta minutos até ela se acalmar. Pensei "essa mulher está furiosa e tem culpa no cartório". Falei "obrigado por ter vindo", e ela "obrigado nada, o senhor é indelicado, desumano, sou dona de uma indústria de sorvetes, e me chama numa hora importante porque tenho que distribuir sorvete, é feriado, o senhor não tem coração". No meio da esculhambação, digo "tenho que cumprir meu dever, sou funcionário público", e ela "aposto que é o caso daquele Paribas, não sei por que ficam me chamando, e tem mais, fui companheira do Alberto, e ele foi muito mais brasileiro que muita gente. Era digno, honesto, ficam manchando a alma dele. Eu ajudei ele até o fim da vida, inclusive sustentei parte da família dele". Percebi que não sabia a verdade, ela disse "ele morreu pobre, ficou esperando a conversão dessa dívida que nunca houve". Detalhe: na quebra de sigilo bancário encontrei um cheque do Alberto que ele recebeu, 64 milhões, na boca do caixa do banco Safra. E ele transfere as cotas para uma empresa criada pelo Paribas em nome dos diretores.

MYLTON SEVERIANO - No Brasil?

Já é um Paribas do Brasil. Transfere para a subsidiária, e os diretores começam a sacar. O primeiro que recebe é ele, valor equivalente a 5%. E ela disse "ele não recebeu a comissão dele que era de 5%". Bateu! Tranquei o gabinete, falei "vou mostrar um documento, mas se disser que mostrei, prendo a senhora", era a cópia do cheque, com assinatura e data. A mulher começou a chorar. "Desgraçado. Que o inferno o acolha!" Ela disse "tenho muito documento na minha casa". Se fizesse pedido de busca e apreensão chamaria atenção da Justiça, teria um indeferimento. Essa investigação estava sendo arrastada. Fiz uma busca e apreensão ao inverso, "a senhora permite que selecione o que quero?", ela disse "perfeito". Naquela véspera de feriado, peguei dois agentes, contrariando colegas que queriam ir embora...

MYLTON SEVERIANO - Qual o ano?

2002. Saímos de lá de madrugada, era um apartamento antigo, magnífico. Ela chorando, "desgraçado, até comida na boca eu dei". Ela me dá uma agenda, "aqui parecia o Banco Central, eu atendia o doutor Alberto, da área internacional". Encontrei documentos, agendas que vinculavam ele ao Armínio Fraga, ao Fernando Henrique, inclusive uma carta manuscrita, não vou falar de quem, depois confirmada, ela falou "levei esse presente, pessoalmente, até a casa do Fernando". Mandei documentos para perícia. Na época era eleição do Fernando Henrique.

RENATO POMPEU - Não, do Lula.

Isso. Lula venceu contra Serra. Fernando Henrique era presidente.

RENATO POMPEU - Ele recebeu dinheiro então?

Vamos pegar a linha do tempo. Ele sai de ministro da Fazenda e vira presidente. O gerente da área internacional que dá o parecer no processo, quem era? Armínio Fraga. Que presidiu o Banco Central. Essa investigação não sei que fim deu. Pedi ao Banco Central o bloqueio de todos os títulos da dívida externa brasileira que foram convertidos. E pedi cópia de todos os processos de conversão junto ao Banco Central para investigação.

RENATO POMPEU - Saiu na mídia?

Em parte, mas foi abafado. Quem conseguiu publicar foi, se não me engano, a Época.

PALMÉRIO DÓRIA - Citando Fernando Henrique?

Não, não citou. A reportagem era "Fraude à francesa". Essa investigação surge da denúncia de um advogado, Marcos Davi de Figueiredo. Ele sofre uma pressão implacável dentro do banco. A Célia passa a ser ameaçada, logo que presta depoimento entregando tudo. Inclusive os escritórios que deram suporte a essa operação, um do Pinheiro Neto, e ela diz que sofria ameaça do próprio Pinheiro Neto. O procurador foi o doutor Kleber Uemura.

Falta muito a dizer, como dizia o saudoso Aloysio Biondi.

A Enfermeira e o Yorkshire

Nesse espaço normalmente não publico noticias desse tipo, mas achei um absurdo a noticia ter sido veiculada com imagens e ainda aparecer em alguns sites a enfermeira como suspeita do caso. Como assim suspeita? As imagens não falam por si?

A enfermeira Camila Correa Alves de Moura, casada com o médico Adelino Araujo dos Santos (cirurgião do Hospital das Clínicas, de Urgências de Goiânia, entre outros), foi flagrada agredindo um cachorro Yorkshire até a morte na cidade de Formosa-GO. Toda a agressão foi registrada em vídeo  por duas menores que se revoltavam com os constantes maus-tratos contra o animal.

Segundo o site ogritodobicho não é a primeira vez que Camila (que se diz uma pessoa calma) agride seus animais. A chamada da policia nesse caso foi devido à situação desesperadora do animal.

Uma das piores situações de todo o caso é que toda a barbaridade. Lembro de um video que circulou por e-mai intitulado Children see, Children Do que tem como mensagem exatamente a repetição do comportamento por parte das crianças do que vêem no dia a dia. Nesse caso, o que pode-se esperar dessa criança que deve ter vivenciado várias agressões aos animais?

Comentários

Como ainda estou na edição nº 675 de Carta, os comentários para quem acompanha a revista terão que ser vistos para o “passado”.

A reportagem “Andarilhos Modernos” da The Economist sobre imigração tem um que de falta de bom senso de quem a escreveu.

Para quem lê, a impressão que nos é passada é a de um imigrante que tem recursos para mandar mensagens para os familiares assim que passa na alfândega, que pode se comunicar através das redes sociais, ou voar para casa regularmente, quando na realidade após a crise de 2008 as migrações para os países ricos se reduziram devido ao desemprego agudo nos setores típicos de mão-de-obra estrangeira.

Um grande parte dos migrantes não possuem renda para conseguir sair do seu continente e migram para os países “menos pobres” vizinhos em busca de uma forma de se sustentar.  Existem ainda a figura dos migrantes ilegais em todo o mundo. Imaginar que esses imigrantes que são a maioria vão se comunicar ao passar pela alfândega, mandar dinheiro para casa ou voar para visitar os familiares é no mínimo um irresponsabilidade informacional.

As leis antimigração que surgem cada vez mais duras para exatamente reduzir a entrada de imigrantes nos países duramente atingidos pela crise, mostram uma realidade completamente diferente da descrita na reportagem.

É claro que a migração de cérebros para países ricos (principalmente os EUA que quase não os produz por incompetência de seu sistema de ensino) vai continuar existindo, pois esses países precisam repensar e estimular com novas fórmulas o seu desenvolvimento.

Me admira a reportagem ter sido por um reporter de uma revista inglesa no momento em que estoura a situação do aumento da prostituição por parte das jovens inglesas que buscam na profissão um forma de pagar seus estudos. Convém lembrar que o índice de desemprego na Inglaterra hoje está em 8,1% (o maior desde 1994) e que a taxa de desemprego entre os jovens subiu 21,3 %. 

Então, se na Inglaterra que é considerada um dos países de economia mais saudável da União Europeia, o que deve estar acontecendo nos países menos saudáveis? E os imigrantes serão bem recebidos e terão dinheiro para fazer as coisas ditas na reportagem? Acho muito difícil.

 

Em outra do The Observer sobre o uso das máscaras nos diversos protestos anticoporativos no mundo, o autor dos quadrinhos Alan Moore que criou o personagem da máscara acha cômico o fato de uma corporação (no caso a Time Warner que detém os direitos de criação de Moore) está lucrando com a venda das máscaras.

Ao meu ver nada mais normal. A corporação tem como principio básico o lucro. Não existe padrão ético ou questões morais envolvidos nessa situação, a corporação uma vez criada tem a obrigação de em primeiro lugar de gerar lucro aos acionistas, e aí nesse caso não importa se as custas da sociedade ou com protestos anticorporativos. Tudo faz parte do objetivo principal e se esse é atingido (principalmente em tempos de crise), não importam os meios.

 

Achei representativa a foto na pág. 58 do caderno especial sobre o Nordeste. Na foto aparecem militares em processo de revitalização de rodovias. Os militares (apesar de não ter sido identificado sua origem) devem ser de um dos Batalhões de Engenharia do Piauí, pois está logo abaixo de uma parte do texto que fala sobre o cerrado piauiense.

Vemos nesse caso o emprego da tropa para um serviço que deveria ser feito por empreiteiras privadas. Não sou contra. Basta pensar nos desvios que ocorrem nos processos licitatórios pelo país, e, a entrada desse recurso para os batalhões se reequiparem é importante.

Só espero que não ocorra o mesmo de outras obras em que um batalhão de engenharia é empregado para realizar o serviço pesado (menos rentável), enquanto que o “acabamento” (serviço mais rentável) ser feito por empreiteiras privadas.