"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

quarta-feira, agosto 29, 2012

Porque a Síria não cairá: A derrota esmagadora do chamado "Exército Sírio Livre".

resistir info – 27 agosto 2012

por Ghaleb Kandil

Cartoon de Pluma y Fusil.Os desenvolvimentos recentes na Síria revelaram uma série de sinais importantes, os quais terão repercussões decisivas no curso da guerra global conduzida pelos Estados Unidos para destruir este país. Ao contrário das informações e impressões dos estrategas americanos e seus aliados europeus, assim como dos seus cúmplices árabes – tal como transmitido por centenas de media empenhados na batalha – os esquadrões da morte, mercenários e grupos Takfiri introduzidos na Síria a partir de todas as partes do mundo sofreram uma derrota esmagadora ao nível das batalhas. No entanto, os responsáveis turcos e seus aliados qataris e sauditas prometeram – como já haviam feito no ano passado durante o mesmo período – que o mês do Ramadão testemunhará a queda do regime resistente na Síria. Estas ilusões entraram novamente em colapso no campo de batalha onde os gangs armados sofreram baixas de milhares de mortos, feridos e detidos.
Na verdade, o ataque abrangente lançados pelos extremistas contra Damasco acabaram – mesmo com o reconhecimento dos media ocidentais – com perdas maciças. Portanto, a força que incluía mercenários locais e jihadistas de toda a parte do mundo foi aniquilada completamente pelo exército sírio que está a perseguir os remanescentes nos arredores da capital. Em consequência, foram confiscadas toneladas de armas e a pesada infraestrutura dos grupos armados foi desmantelada e destruída, o que exigirá meses para reconstruir se os grupos armados alguma vez forem capazes de fazê-lo.
O resultado da batalha de Alepo, por outro lado, já pode ser antecipado pois os extremistas estão a cair aos milhares face ao progresso metódico do exército que foi capaz de cortar completamente as linhas de abastecimento dos mercenários que vinham dos campos de treino dirigidos pela CIA na Turquia. Consequentemente, os gangs armados já não podem mais receber reforços sem terem de pagar um pesado preço. Pois os seus comboios 4x4, que estão esquipados com artilharia pesada e lhes foram oferecidos pelos seus patrocinadores regionais, estão a mover-se sob o fogo dos helicópteros e aviões do exército e a caírem nas emboscadas montadas pela forças de elite que infiltraram linhas inimigas.
Segundo peritos, um terço dos grupos extremistas são compostos por jihadistas que vieram do Magrebe árabe, da Líbia, do Golfo, Afeganistão, Paquistão e Chechénia. Neste nível, o chefe de nacionalidade francesa da European Union Intelligence, Patrice Bergamini, reconheceu numa entrevista ao diário libanês Al-Akhabar, na sexta-feira 17 de Agosto, o papel importante desempenhado pelos jihadistas no conflito sírio, enfatizando que o público ocidental agora estava consciente da ameaça que representavam. É claro que a limpeza pelo Exército sírio da cidade de Alepo e sua zona rural é agora uma mera questão de tempo.
A derrota esmagadora sofrida pelos gangas armados por toda a Síria revela que o Exército Árabe Sírio, que foi construído sobre sólidas bases ideológicas, retirou rapidamente as lições da guerra e desenvolveu estratégias de contra-guerrilha urbana e rural, as quais lhe permitiram atingir os extremistas apesar dos maciços meios militares, materiais, financeiros e de media que lhes foram generosamente oferecidos pela coligação de dúzias de países, sem esquecer as sanções adoptadas contra o povo e o estado sírio fora do contexto das Nações Unidas.
A fim de entender os desenvolvimentos da situação, é importante também analisar o estado de espírito do povo sírio. Sem apoio popular real – o que naturalmente é ignorado pelos media ocidentais – o presidente Bashar al-Assad e seu exército não teriam sido capazes de resistir e deter este ataque. Este apoio popular deve-se a três factores. Em primeiro lugar, a maioria dos sírios está consciente do facto de que o seu país é alvejado por uma trama que pretende subjugar a Síria e incluí-la no campo imperialista ocidental e consequentemente removê-la de todas as equações regionais, pois sabe que durante estas últimas quatro décadas a Síria esteve no cerne dos equilíbrios de poder que nada podia ser feito no Médio Oriente sem o seu conhecimento e participação. Estes amplos segmentos populares são apegados à autonomia política do seu país e estão desejosos de defendê-la, o que explicaria porque milhares de jovens estão voluntariamente a aderir às fileiras do Exército.
Por outro lado, os peritos acreditam de vinte por cento da população – aqueles que em algum momento simpatizaram com a oposição – descobriram a cara real dos extremistas que multiplicam as suas selvajarias nas regiões sob o seu controle (violações, execuções, massacres, pilhagens, ...). À luz desta transformação que afecta o estado de espírito popular, especialmente nas áreas rurais onde o povo está farto, o estado sírio estabeleceu meios de comunicação discretos que permitem à população informar o exército acerca da presença de terroristas, o que explicaria como e porque durante estas últimas semanas as unidades especiais e a sua força aérea foram capazes de executar com êxito ataques bem concebidos contra as bases das gangs armadas.
Paralelamente a todos os desenvolvimentos no terreno, os aliados regionais e internacionais de Damasco estão a mostrar contenção e a desenvolver iniciativas políticas e diplomáticas a fim de evitar deixar a arena aberta diante dos ocidentais. A este nível, o êxito da reunião em Teerão entre trinta países, incluindo China, Índia, Rússia, nove países árabes e estados da América da Latina e África do Sul, transmite este novo equilíbrio de poder. A formação deste grupo constituiu uma forte mensagem aos ocidentais e põe seriamente em perigo o seu projecto de estabelecer – fora do contexto das Nações Unidas – uma zona de interdição de voo na parte Norte da Síria. Os últimos meses de 2012 serão decisivos ao nível da emergência de novos equilíbrios regionais e internacionais e na formulação de uma nova imagem a partir de Damasco, graças à vitória do estado nacional sírio na guerra global contra ele conduzida.
Desenvolvimentos rápidos
Até as eleições presidenciais americanas, as quais serão no princípio de Novembro, os desenvolvimentos sírios internos, regionais e internacionais tornar-se-ão mais rápidos do que antes. Obviamente, a intervenção militar estrangeira, quer de dentro ou de fora do Conselho de Segurança, está fora de cogitação, se bem que as sanções tenham atingido os seus níveis mais altos enquanto o Capítulo VII está a ser impedido pelo direito de veto. A seguir às eleições presidenciais americanas, veremos a materialização das linhas políticas principais que afectarão a máquina militar utilizada do outro lado da fronteira e de dentro do território sírio.
Portanto, nessa altura deveria haver ou um reconhecimento da impossibilidade de introduzir mudança ao nível da geografia e do papel da Síria o que deveria induzir preparações para negociações sérias e para soluções políticas – que são rejeitadas pelos americanos, os quais recusam-se a responder ao convite envido pela Rússia para encontrarem-se – ou sustentar a aliança guerreira e a mobilização do estado de hostilidade a partir de todas as direcções, isto é, desde a conferência de Meca até a visita do ministro dos Estrangeiros francês a estados vizinhos da Síria para reunir tantas cartas de pressão quanto possível.
Não haverá zonas tampão (buffer zones) nem embargos aéreos, antes esforços para isolar completamente certas regiões fronteiriças do controle do estado a fim de testar as oportunidades para estabelecer mini-estados, semelhantes àqueles estabelecidos por Saad Haddad e Antoine Lahd sob tutela israelense no Sul do Líbano. A este nível, a aposta está na zona rural de Alepo na qual todos aqueles que vendem a sua honra entre os dissidentes serão introduzidos a seguir aos preparativos em Doha, Riyadh e Aman para dar legitimidade formal ao projecto de divisão.
Por outro lado, Lakhdar Brahimi foi nomeado enviado e mediador para a solução política e a missão de observadores foi finalizada a fim de preparar a arena para todas as possibilidades. Brahimi portanto passará tempo em excursões antes de ser adoptada uma decisão, enquanto a Síria fortalece-se com o seu exército e o povo, preparando – a começar por Alepo e sua zona rural – o rumo da mudança futura.

25/Agosto/2012

O original (em árabe) encontra-se em New Orient Center for Strategic Policies e a versão em inglês em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32490

Em depoimento à CPI do Cachoeira, Paulo Veira de Souza fala em ingratos, cita alta plumagem e nomeia detratores

viomundo - publicado em 29 de agosto de 2012 às 14:05

Gráfico publicado pela revista IstoÉ

por Luiz Carlos Azenha

O ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, em depoimento à CPMI do Cachoeira se referiu àqueles que supostamente o teriam traído:

Eu pedi a Deus para ser convocado para essa CPI. Porque os incompetentes devem continuar com medo de mim. Aqui estou. Essa frase é para todos que foram ingratos. Eu fui demitido oito dias após entregar uma das maiores obras desse país [o trecho sul do Rodoanel].

Mais tarde, nomeou o que diz terem sido seus detratores: revistas IstoÉ, CartaCapital e Época, Celso Russomano, Paulo Henrique Amorim, a delegada de polícia Nilze Scapulatiello e os tucanos ou ex-tucanos Evandro Losacco, Eduardo Jorge e Paulo Venceslau (agora no jornal Contato).

O tucano de mais alto escalão citado por ele:

O (José) Aníbal (ex-líder do PSDB na Câmara) disse que eu fugi… Nunca sai de São Paulo.

Ele também se referiu à “alta plumagem, que eu sei onde está, mas não aparece aqui. Eu estou aqui”.

O ex-diretor da Dersa negou as acusações de que tenha dado sumiço em 4 milhões de reais arrecadados para a campanha presidencial de José Serra em 2010:

Pessoas que nunca me viram, nunca me cumprimentaram, colocaram essa matéria.

O ex-diretor da Dersa disse que move 16 processos:

Minha luta só termina quando acaba, e não vai ser pouco, não tem acordo comigo. Já mandei eles assistirem ao (filme) Gladiador.

Sobre os 4 milhões, que nega ter arrecadado:

Por que é 4? Por que não é 8? Por que não é 500?

Nos anos 90, Paulo Vieira de Souza ajudou no processo de privatização das telefônicas e trabalhou na Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso. Paulo Preto foi demitido pelo ex-governador Alberto Goldman, que assumiu quando José Serra se afastou do governo estadual para concorrer ao Planalto.

Com Folha, Rede Brasil Atual e Correio do Brasil

QUANDO O SILÊNCIO É A MELHOR ALTERNATIVA

recebido por e-mail – 28 agosto 2012

Não vi a comentada entrevista da tal xuxa no Fantástico deste domingo, dia 20/05. Mas não pude ignorá-la por muito tempo, pois a primeira notícia que recebi nesta manhã, logo cedo, foi: "- Cê viu que a xuxa foi abusada na infância?"

Fora o surrealismo da revelação, ocorreu-me que aquela, certamente, não era a notícia que desejava ouvir logo no início da semana. Afinal, como uma mulher de 50 anos, aparentemente esclarecida, só agora, passado todo esse tempo, resolve falar sobre algo tão grave? E por que me irritou tanto esta informação? Parei para refletir sobre o motivo deste sentimento e, confesso, não foi difícil descobrir.

Esta senhora, lá pelos seus primórdios, vivia no mesmo condomínio do meu irmão, no Grajaú, Rio de Janeiro. Lembro-me das minhas sobrinhas, ensandecidas, indo buscar as grotescas sandalinhas cheias de brilhos no apartamento dela, na esperança de encontrar o Pelé que, vira e mexe, dava as caras por lá.

Desde os seus 20 e poucos anos de idade, ela comanda programas infantis cuja tônica é erotizar precocemente as crianças, transformando meninas em arremedos de mulheres sem se preocupar com sua vulgarização.

Os programas que comandou sempre tiveram como mote atropelar o desenvolvimento infantil em sua exuberância repleta de etapas simbólicas. Pasteurizou os encantos desta fase empenhando-se em exaltar a diferença entre possuir e não possuir os produtos que anunciava ou que levavam sua grife tais como sandálias, roupas, maiôs, lingeries, xampus, bonecas, chicletes, cosméticos, álbum de figurinhas, cadernos, agendas, computadores, sopas, iogurtes, etc., num universo insano onde ela, eternamente fantasiada de insinuante ninfeta, faz biquinho e comanda a miúda plebe ignara.

Cientes estamos todos de que esta senhora, durante muitos e muitos anos, defendeu zelosamente seu polpudo patrimônio utilizando-se da fachada de menina meio abobada que sequer sabia quantos milhões possuía. Costumava dizer que era a sua empresária que administrava suas posses cujo montante alegava, candidamente, desconhecer. Pobre menina rica. E burra, com certeza. Como se fosse possível alguém tão tapada tornar-se tão rica.

Talvez para esconder a consciência que tinha acerca do quanto ajudou a devastar a inocência de tantas gerações de meninas que lhe devotavam a mais pura idolatria, posou de inocente útil usando a mesma máscara que agora reedita para falar, emocionada, do seu mais novo pretenso drama/marketing.

Esqueceu-se que sua audiência, formada, na sua massacrante maioria, por meninas, passou a ser considerada como alvo da desumana propaganda colocando-as como mero veículo de consumo.

Esqueceu-se, convenientemente, de comentar que milhares de garotas pelo Brasil afora foram abusadas sexualmente ao mesmo tempo em que eram, por ela, adestradas a vestirem-se e comportarem-se como verdadeiras lolitas.

Esqueceu-se de que ensinou atitudes claramente ambivalentes para crianças que não faziam a mais pálida ideia do que podiam mobilizar em mentes doentias.

Esqueceu-se de que a erotização tem sido ligada a três dos maiores problemas de saúde mental de adolescentes e mulheres adultas: desordens alimentares, baixa autoestima e depressão.

Esqueceu-se também que as crianças, diariamente bombardeadas com imagens de paquitas como modelos de uma beleza simplesmente inalcançável enquanto corpos reais, torturavam-se perseguindo um modo de serem belas, perfeitas, saudáveis e eternas.

Estimulando a sexualidade de forma tão precoce, essas meninas perderam grande e preciosa fase do seu desenvolvimento natural. E reduzir o período da inocência, certamente, acarretou-lhes desdobramentos nefastos.

Daí para ideia, cada vez mais presente, da infância como objeto a ser apreciado, desejado, exaltado, numa espécie de pedofilização generalizada na sociedade foi, apenas, um pequeno passo.

Num país onde as mães deixam suas crias, por absoluta falta de opção, frente à tevê sem qualquer tipo de controle e sem condições para discutir o conteúdo apresentado, encontrou esta senhora terreno mais que propício para disseminar sua perversa e desmedida ganância por audiência e dinheiro.

Fosse ela uma pessoa minimamente preocupada com a direção que a sexualidade exacerbada e fora de contexto toma, neste país onde mulheres são cotidianamente massacradas, teria falado sobre este suposto drama muito tempo atrás. Teria tido muito mais cuidado com os exemplos de exposição que passava. Teria norteado seu trabalho dentro de parâmetros muito mais educativos e, desta forma, contribuído para que milhares de meninas fossem verdadeiramente cuidadas e respeitadas.

Ou teria simplesmente virado as costas e ido embora.

Logo, frente ao seu histórico, não tem mesmo nenhuma autoridade para sustentar qualquer atitude fundamentada em belos e necessários méritos.

Porque são de grandes valores, bons princípios e atitude exemplares que nossa sociedade necessita de maneira URGENTE.

Portanto, CALE-SE, XUXA!

Heloisa Lima

Psicóloga Clínica - Maio de 2012.

Novela do Mensalão

recebido por e-mail – 29 agosto 2012

"A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem.
A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem,
a mudá-las".  (Santo Agostinho)

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domingo, agosto 26, 2012

Carta do Zé Cochilo

recebido por e-mail – 23 agosto 2012

A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo -,
foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal,
especialista em direito sócio ambiental e empresário,
diretor de Parque Nacionais e Reservas
do IBDF-IBAMA 88-89,
detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.

    Prezado Luis, quanto tempo.

    Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

    Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

    Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

    Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

    Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

    Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

    Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

   Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

   Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

   Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

   Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

   Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

   Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente.
Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

   Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

   Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

   Até mais Luis.

   Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)

sexta-feira, agosto 24, 2012

Celular x Direção

Infelizmente ainda não se teve a ideia de ampliar também para o cigarro, pois quem fuma enquanto dirige teve que acender o cigarro e terá que dar destino ao terminá-lo, além de não ter pelo menos uma das mãos com total dedicação ao volante, ao contrário do que determina o CONTRAN.


terça-feira, agosto 21, 2012

Manœuvres militaires américano-coréennes sur fond de tension en mer de Chine


RFI - Article publié le : mardi 21 août 2012 - Dernière modification le : mardi 21 août 2012
Exercice anti-terrorisme dans le métro de Séoul.
Exercice anti-terrorisme dans le métro de Séoul.
REUTERS/Kim Hong-Ji

Par Christophe Champin
 
Les troupes américaines et sud-coréennes ont débuté leurs manœuvres militaires communes annuelles. Cet exercice se déroule jusqu’à la fin du mois d'août dans et autour de Séoul, la capitale sud-coréenne. Il est banal mais il intervient dans un contexte de renforcement de la présence maritime américaine dans le Pacifique et en Asie, alors que les incidents se multiplient et plusieurs pays de la zone, autour d’îlots qu’elle revendique.

C'est un exercice classique pour les Etats-Unis qui coopèrent étroitement sur le plan militaire avec la Corée du Sud. Comme chaque année d’ailleurs, il suscite la colère du voisin nord-coréen qui en profite pour menacer Séoul de ses foudres.
Mais les exercices du même type se multiplient dans la zone Asie-Pacifique. Ils s'élargissent aussi à de nouveaux Etats, comme l’Inde par exemple. Et c’est un signe du renforcement de la présence militaire américaine dans cette partie du monde. Jusqu’ici, 50% de cet effort se portait sur la zone Atlantique et les 50 autres pour cent dans le Pacifique. Désormais, 60% des forces américaines y seront concentrées.
La raison principale, c’est la montée en puissance de la Chine et la protection des intérêts économiques américains. « On est passé sur le thème d’une menace chinoise qui vient s’inscrire à contresens des intérêts vitaux des américains. Il y a donc un souci de bien marquer que les Etats-Unis sont un garant de sécurité dans la zone Asie Pacifique, explique Marianne Péron-Doise, spécialiste des questions stratégiques à l’Institut national des Langues et civilisations orientales. Mais il y a aussi un souci de s’accrocher à la dynamique de croissance asiatique et donc de chercher par tous les moyens à stabiliser la zone. Et forcément cela explique l’effort militaire américain, la tenue de plus en plus répétée d’exercices multinationaux de plus en plus grande ampleur par exemple. »
Pour mener à bien cette stratégie, Washington s’appuie sur des alliés dans la région. Il y a la Corée du Sud bien sûr, et plusieurs pays d’Asie du Sud Est comme les Philippines, la Thaïlande ou Singapour, qui sont des partenaires de longue date.  Mais Washington se rapproche aussi du Vietnam, l'ancien ennemi.
Tous ces pays ont besoin de la présence américaine pour faire contrepoids à l'omniprésence croissante de la Chine. Ces derniers mois, les hauts responsables américains -dont la secrétaire d'Etat Hillary Clinton et le secrétaire d'Etat à la Défense Léon Panetta - ont d'ailleurs multiplié les déplacements officiels dans la région. 
Pekin et Tokyo haussent le ton sur les Senkaku
Cliquez pour agrandir.
Parmi leurs alliés les plus solides, il y a le Japon, dont les relations se tendent avec la Chine autour des îles Senkaku, sous contrôle japonais mais revendiquées par Pékin, sous le nom de Diaoyu. Ce n'est pas le premier incident du genre. Pour autant, la tension est forte. Des nationalistes chinois ont réussi à planter un drapeau sur l’un de ces îlots le 15 août dernier, avant d’être arrêtés par les japonais puis expulsés. Ensuite ce week-end, ce sont des nationalistes japonais appuyés par une flottille de navires qui sont allés réaffirmer la souveraineté japonaise, provoquant la colère des Chinois.
Et les Etats-Unis, compte tenu de leur alliance militaire avec Tokyo, suivent forcément ce qui se passe. « Les Etats-Unis ont un accord de défense avec le Japon, donc les Senkaku sont reconnues comme faisant partie du territoire japonais. S’il y a une véritable occupation des ilots Senkaku ou de cette zone en mer de Chine par la marine chinoise, par exemple, les Etats-Unis avaient déclaré, il y a quelques temps, que cela faisait partie de cet accord de défense. Donc ils pourraient intervenir aux côtés des forces de défense japonaises pour défendre ce qui fait partie du territoire japonais », analyse Valérie Niquet, spécialiste de la Chine à la Fondation pour la recherche stratégique. Cela dit, explique-t-elle, on est plutôt dans un jeu où la Chine pousse ses pions pour tester la réaction de ses adversaires.
En revanche, plus au sud, en mer de Chine méridionale, Pékin a été beaucoup plus loin dans ses revendications sur différent chapelets d'îles, notamment contre le Vietnam et les Philippines. « En mer de Chine du Sud, la Chine essaye de s’approprier deux millions de km2 d’étendue maritime et de transformer cela en eaux territoriales. C’est un endroit par où passe une grande partie du trafic de marchandises mondial, au-dessus de 50% du trafic de conteneurs, indique Jean-Vincent Brisset, chercheur à l'Institut de recherche internationale et stratégique. Donc là, il y a vraiment quelque chose dans la zone qui a un impact au niveau mondial. Les problèmes sur les petits îlots entre le Japon et la Corée du Sud ou même sur les Senkaku sont quelque chose de plus simple, en tous cas de plus léger sur le plan des conséquences possibles. »
Effectivement, les incidents ont été plus nombreux et sérieux en mer de Chine, ces dernières décennies. Dans les années 70, Pékin a annexé les îles Paracels que le Vietnam considère toujours comme faisant partie de son territoire. Il y a également les îles Spratleys revendiquées à la fois par la Chine, le Vietnam, les Philippines, Brunei et Taïwan. Tout récemment encore, la tension militaire est montée d’un cran entre la Chine et les Philippines sur le récif de Scarborough. Et cela inquiète forcément les Etats-Unis.

Avec Jelena Tomic et Chloé Bahize

domingo, agosto 19, 2012

“Chega de igualdade! Mulher não dá para ser soldado!” – diz capitã dos Marines

recebido por e-mail, 16 agosto 2012

Autor: Luis Dufaur

Katie Petronio: Chega disso! Nós não fomos criados todos iguais”

“Chega disso! Nós não fomos
criados todos iguais”

“Mulher nunca deveria ser soldado de infantaria”, escreveu a capitã dos Marines Katie Petrônio na revista “Marine Corps Gazette”, segundo informou a agência LifeSiteNews.
No artigo intitulado
“Chega disso! Nós não fomos criados todos iguais”, a capitã defende que a anatomia feminina não é capaz de resistir às asperezas de uma longa carreira militar que envolve operações de infantaria.
Ela adverte que os Fuzileiros Navais (Marines) vão sofrer “um aumento colossal no número de mulheres incapacitadas e obrigadas a concluir sua carreira por causas médicas”.
Katie Petronio se baseia na experiência pessoal, adquirida em situação de combate. Esta acabou lhe causando sérios danos físicos, malgrado um promissor começo na elite da oficialidade da arma.
A capitã escreveu que “preenchia todas as condições” para ser uma mulher-soldado ideal quando começou a carreira. “Eu era uma estrela no hóquei sobre gelo no Bowdoin College, pequena escola de elite em Maine, com um título em Direito e Administração”.

Katie Petronio: “Cinco anos depois, eu não sou a mulher que uma vez fui”

“Cinco anos depois, eu não
sou a mulher que uma vez fui”

Ela também tirou resultados “de longe acima da média em todos os testes físicos de capacidade para mulheres”, embora não completasse todo o treino prévio.

“Cinco anos depois, eu não sou fisicamente a mulher que uma vez fui, e meus pontos de vista a respeito de a mulher ser bem sucedida numa carreira duradoura na infantaria mudaram muito”, escreveu Petronio.
“Eu posso dizer, com base na minha experiência pessoal direta no Iraque e no Afeganistão, e não é apenas uma impressão, que nós ainda não começamos a analisar e a compreender as questões específicas de saúde do gênero e os danos físicos nas mulheres por causa de contínuas operações de combate”.

Não dá para mulher aguentar o esforço que homem épode fazer

Corpo da mulher não aguenta
o esforço que homem pode fazer

Petronio “participou em numerosas operações de combate” que por vezes duravam semanas, sofrendo stress e falta de sono.
Suas pernas começaram a se atrofiar, perdeu a mobilidade, perdeu peso, parou de produzir estrógeno e desenvolveu uma síndrome no ovário que a deixou estéril.
Ela completou seu período com bons resultados, mas percebeu que lhe seria impossível aguentar o esforço que um homem é capaz de fazer e pediu para se retirar por motivos de saúde.
Petronio manifestou sua preocupação diante da pressão dos grupos que impulsionam a integração de mulheres no corpo de infantaria.

Dinamitando árvore, foto de Katie Petronio

Dinamitando árvore,
foto de Katie Petronio

“Quem está promovendo essa agenda? Eu pessoalmente não vejo Marines femininas, recrutas ou oficiais, batendo às portas do Congresso, queixando-se de que sua impotência para servir na infantaria viola o direito à igualdade” escreve ela.
Kate diz que essa pressão está sendo aplicada pelo “pequeno comitê de civis nomeado pelo Secretário de Defesa” denominado Comitê Consultivo em Defesa para as Mulheres em Serviço (Defense Advisory Committee on Women in the Service – DACOWITS).
Embora alguns deles tenham experiência militar, nenhum de seus membros “estão no serviço ativo ou têm qualquer tipo de experiência recente em combate ou em operações relevantes sobre as realidades que eles estão tentando modificar”, observou Petronio.

Convém salientar que a opinião da Capitã katie Petrônio se refere à participação das mulheres na infantaria, e não nas Forças Armadas como um todo.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Justiça

Sem comentários…

Meu filho, você não merece nada

Época – 11/07/2011 – atualizado em 09/08/2011

Eliane Brum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Mensalão: voto de Barbosa confirma piores temores do PT

R7 - 17 agosto 2012

Os piores pesadelos dos petistas começaram a se confirmar nesta quinta-feira com a primeira parte do voto do ministro relator do mensalão no STF, Joaquim Barbosa. "Era previsível" - disse o advogado de José Dirceu, José Luís Oliveira Lima, no intervalo da sessão, com expressão desolada de quem antevê problemas.
O que não era previsível no voto do ministro e surpreendeu a todos, foi iniciar o voto pelo petista João Paulo Cunha, condenando-o de cara pelas três graves acusações feitas pelo ministério público: corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A condenação reverberará até a segunda-feira, quando outros réus tomarão o noticiário. Até lá, o estrago na campanha de João Paulo à prefeitura de Osasco terá sido incalculável - exatamente como previa o PT quando defendeu que o julgamento do mensalão fosse descasado da eleição.
A perspetiva de que os réus estejam mais próximo de uma pena de prisão arrancou comentário drástico na bancada dos advogados: "Ferrou!" - antecipou a assistente de uma das principais estrelas do caso, reconhecendo a gravidade da situação.
O relator deixou completamente atônitos advogados presentes e até os ausentes ao plenário do STF. "Já nem sem o que pensar" - dizia Arnaldo Malheiros Filho ao deixar o Tribunal no final do dia, perguntado se considerava viável o método de votação adotado pelo relator.
Inconformado estava o advogado de João Paulo Cunha, que sequer compareceu a Brasília, já que jamais imaginou que seu cliente encabeçaria a lista, no voto do relator. "Ele nos pegou de surpresa. Começou a julgar por uma figura lateral do caso", declarou Alberto Toron, minutos depois da primeira condenação do deputado, por corrupção passiva. A convicção geral era a de que Barbosa iniciaria por julgar as acusações contra o deputado cassado José Dirceu - o que não se confirmou.

Espero que todos sejam presos (o que acho muito difícil), mas que pelo menos desapareçam da cena política. Mas, não esqueçamos (como a Carta) de que o caso Eduardo Azeredo (entre outros) deveria ter o mesmo rigor de investigação e punição.

Petrobrás

 

Petrobras vai ajudar Transocean e Chevron

A Petrobras acionou seu departamento jurídico para ajudar a Transocean e a Chevron a não interromperem suas operações no país.

A reportagem é de Denise Luna e foi publicada no jornal Folha de S. Paulo, 16-08-2012.

Liminar concedida em 31 de julho pelo Tribunal Regional Federal da 2ª região, a pedido do Ministério Público Federal, exige que as duas americanas suspendam suas operações no país.

O motivo é o acidente ocorrido em novembro, no campo de Frade, na bacia de Campos, que derramou 3.700 barris de petróleo no mar.

A Transocean já apresentou ao TRF embargos de declaração, recurso usado quando uma das partes considera que a decisão judicial foi obscura, omissa ou contraditória em algum ponto.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) pediu ao TRF para fazer parte do processo.

A Petrobras teme que a parada da Transocean tenha impacto em suas operações. A estatal tem oito sondas de perfuração contratadas da empresa, sendo que sete estão em operação.

"Claro que teria impacto, nosso jurídico está trabalhando junto com a Transocean e, na medida do possível, junto com a Chevron. Vamos mostrar à Justiça que não há razão nessa decisão", afirmou ontem o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Formigli.

Em relação à Chevron, a preocupação da estatal se refere à produção interrompida em março, no campo de Frade, após um segundo vazamento.

A Petrobras tem 30% do campo, que produzia no início do ano 70 mil barris de petróleo por dia.
 
 
Carta Capital -10.08.2012 15:19

Os efeitos da alta do dólar 

Caixa. Graça Foster espera um reajuste da gasolina. Foto: Ag. Petrobras

Não foi apenas a carência de reajustes dos derivados de petróleo a afetar o resultado da Petrobras, cujo balanço do segundo trimestre registrou prejuízo de 1,35 bilhão de reais. O desempenho ruim, mergulho considerável em comparação ao lucro de mais de 10 bilhões do mesmo período de 2011, teve outras razões de peso.
No rol de explicações apresentadas por Graça Foster, presidente da companhia, a primeira da lista foi o impacto da desvalorização do real sobre o passivo da empresa, fortemente influenciado pela cotação do dólar. Não por outro motivo o maior resultado negativo registrado na história da estatal ocorreu em 1999, no rescaldo da maxidesvalorização posterior à reeleição de FHC. Àquela altura, o prejuízo foi de 1,5 bilhão de reais, segundo a consultoria Economática.
Ainda assim, aos poucos o governo deixa entrever sua disposição para aumentar o preço dos combustíveis nos postos. O debate no Planalto parece intenso. Para o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, o aumento virá em breve. Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também presidente do conselho de administração da Petrobras, garante que não há nada definido até o momento.
 
 
Quando da primeira crise mundial de petróleo, a petrobrás produzia 20% do petróleo que consumiamos, o que provocou um seríssimo processo de endividamento por parte dos Governos Militares. Nesse setor específico esse endividamento era para: 1º- ampliar a capacidade produtiva da empresa; 2º- tornar o país "independente" do produto externo (o que foi concluido nos anos Lula).
Então, temos hoje uma empresa que luta pela defesa de poluidores para resguardar seus interesses produtivos e também usa a desculpa da alta do dólar para seus problemas.
Bom, nos dois casos a unica solução é uma reestruturação da empresa para que essa volte a atender os interesses do país. O dólar alto pode até ter prejudicado a empresa, mas, que ela se reformule para que isso não ocorra, pois o dolár baixo é um entrave bem sério para a economia em vários setores, então beneficiar a petrobrás com sua baixa não deveria nem ser cogitado, ainda mais, usar essa desculpa para seus problemas.
Não podemos esquecer que a petrobrás é uma sociedade mista, e que 44,5% da petrobrás é privada, mas se considerarmos o capital social como um todo, aí a coisa complica, pois a petrobrás é majoritariamente privada com o Governo detendo algo em torno de 49%. 
Enquanto corporação que tem interesses privados em sua estrutura, o principal objetivo é o lucro, e nesse caso independe se esses lucros atendem aos interesses da sociedade como um todo ou não. Daí vermos esse tipo de situação e notícia ser veículada.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Militância na Ásia Central: mais do que extremismo religioso

darussia.blogspot -Sábado, Agosto 11, 2012


Texto traduzido e enviado pelo leitor Pippo:
"09 de agosto de 2012 | 0900 GMT
Stratfor
Por Eugene Chausovsky
Desde 2010, a Ásia Central tornou-se cada vez mais volátil, e muitos atribuem a tendência ao aumento do islamismo militante. A militância tem de facto aumentado desde 2010, mas a noção de que os militantes islamitas são os principais responsáveis ​​pela volatilidade da Ásia Central é um exemplo de miopía, porque ignora outras dinâmicas políticas e económicas em jogo na região.
Mas se essas dinâmicas, que não são produto dos jihadistas, inspiram grande parte da recente actividade militante da região, a iminente retirada dos EUA do Afeganistão em 2014 poderá colocar na Ásia Central em maior risco de islamismo militante no futuro. Combinado com mudanças de liderança em vários Estados da Ásia Central, a retirada pode complicar um já complexo cenário militante na região.
Militância Regional: final dos anos 1990 e início de 2000
A Ásia Central era uma região importante para a militância islâmica na década de 1990 e início de 2000. A região é predominantemente muçulmana, embora, como todas as práticas religiosas, o Islão fora reprimido durante a era soviética. Dada a secularização da região sob domínio soviético, muitos grupos e figuras religiosas, ou foram para a clandestinidade, ou praticaram a sua religião de forma mais ou menos aberta, na medida em que os soviéticos o permitiam. Estes grupos e indivíduos concentraram-se no Vale de Fergana, o núcleo demográfico da Ásia Central que abrange partes do Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão. Os islamistas eram particularmente prevalentes no Uzbequistão, que é sede de várias organizações religiosas e culturais importantes situadas em locais como Samarkanda e Bukhara.
Quando os países da Ásia Central conquistaram a sua independência na década de 1990, a religião começou a ser praticada de forma mais aberta, e os elementos islamitas que operavam à margem da sociedade usaram essa liberdade para se abrirem à sociedade. O ambiente islamista fortaleceu-se, da mesma forma que a capacidade dos novos regimes da Ásia Central para controlar e suprimir os movimentos islamistas enfraqueceu. Como resultado, alguns grupos islamitas começaram a apelar à criação de um califado regional regido pela Sharia.
Entre esses grupos estão o Movimento Islâmico do Uzbequistão e o Hizb al-Tahrir, os quais inspiraram-se nos Mujahideen afegãos que lutaram contra a União Soviética de 1979 até 1989. Apesar das suas semelhanças - ambos defendiam a expulsão do presidente uzbeque Islam Karimov - os dois grupos diferiram de maneira fundamental: considerando que o Movimento Islâmico do Uzbequistão usava a violência em prol da sua causa, o Hizb al-Tahrir não. Outros grupos, como o Akromiya, mais tarde adoptaram o uso da violência, tal como o Movimento Islâmico do Uzbequistão, ao mesmo tempo que defendiam a ideologia do Hizb al-Tahrir.
Karimov apertou o cerco contra esses grupos no início e meados da década de 1990, mas o Movimento Islâmico do Uzbequistão ganhou refúgio no Tadjiquistão, que foi devastado pela guerra civil de 1992 a 1997. Por causa do vácuo de poder resultante e a sua fronteira, muito porosa, com o Afeganistão, o Tadjiquistão tornou-se a principal base de operações para o Movimento Islâmico do Uzbequistão. No final dos anos 1990 e início de 2000, multiplicaram-se os ataques do grupo a partir do Tajiquistão, realizados no Vale Fergana e no sul do Quirguistão e Uzbequistão.
Em 2001, a invasão dos EUA no Afeganistão, um país cujo regime talibã ultra-conservador forneceu apoio ideológico e material a grupos islamitas na Ásia Central, reduziiu a actividade e ambições jihadista na Ásia Central. Com a ajuda do Exército dos EUA, incluindo as Forças de Operações Especiais norte-americanas, o Movimento Islâmico do Uzbequistão foi em grande parte expulso da Ásia Central, encontrando refúgio na zona da fronteira Afeganistão-Paquistão. Por sua parte, o Hizb al-Tahrir refugiou-se n a clandestinidade.
Os regimes da Ásia Central, especialmente o de Karimov, foram capazes de reprimir os militantes islamitas remanescentes. Os ataques islamitas tornaram-se mais raros ao longo da década seguinte, dado que os grupos militantes islamitas lutavam para sobreviver num Afeganistão ocupado pelas forças norte-americanas.
Militância Desde 2010
O ataques de militantes na região tornaram-se mais frequentes em junho de 2010, quando ecolodiram confrontos entre quirguizes e uzbeques no sul do Quirguistão, nas províncias do Vale de Fergana de Osh e Jalal-Abad. Como resultado, as autoridades do Quirguistão conduziram operações de segurança através de bairros predominantemente uzbeques sob o pretexto de os extirpar de suspeitos de militantância islâmica.
Na realidade, essas operações foram provavelmente dirigidas contra a etnia uzbeque. Muitos quirguizes suspeitam de etnia uzbeque no Quirguistão, que constitui uma parte substancial da população de Osh e Jalal-Abad. Assim, estas operações com vista a securizar estas zonas e a resistência armada resultante não se encaixam necessariamente nas reivindicações do extremismo religioso. Pelo contrário, a actividade militante pode estar relacionada com as tensões internas e as políticas entre quirguizes e uzbeques. Na verdade, estas tensões surgiram periodicamente desde o colapso da União Soviética.
Uma dinâmica semelhante pode ser vista no Tadjiquistão. Após a guerra civil do país, militantes islamitas conciliáveis, tal como os do Partido do Renascimento Islâmico do Tadjiquistão, foram incorporados no governo e nas forças de segurança, enquanto o Movimento Islâmico do Uzbequistão e outros elementos jihadistas foram suprimidos. A violência atingiu um pico no início de 2000, após o que Tadjiquistão experimentou uma década de relativa calma. No entanto, uma badalada fuga da prisão em Dushanbe em Agosto de 2010 interrompeu essa calma. Durante a fuga, cerca de 24 prisioneiros tidos como sendo ex-membros do Movimento Islâmico do Uzbequistão fugirm para o vale de Rasht, no leste do Tadjiquistão. Esta ocorrência originou operações de segurança no Vale de Rasht, o que resultou em ataques a comboios militares no Tadjiquistão - ataques esses que o governo tadjique atribuiu a militantes islamitas.
Estes “militantes” eram, muito mais provavelmente, ​indivíduos ​associados aos elementos da oposição da guerra civil no país, ao invés de militantes jihadistas. (O facto de terem fugido para o Leste é revelador: os habitantes das províncias orientais do Garm e Gorno-Badakhshan opunham-se aos indivíduos que chegaram ao poder nas províncias ocidentais de Leninabad e Kulyab.) A fuga da prisão pode ter levado - ou sido meramente um sintoma de - ao resurgimento da luta de poder entre clãs tadjiques, luta essa que era comum durante os primeiros anos de independência do país. Em si, a fuga da prisão pode não significar um ressurgimento jihadista.
De igual modo, as operações militares em torno de Gorno-Badakhshan podem ser vistas a uma luz semelhante. As forças de segurança foram mobilizadas para a região após as forças leais ao senhor da guerra e ex-líder da oposição Tolib Ayombekov supostamente terem morto um oficial superior da segurança da região. Provavelmente, contudo, Ayombekov não terá morto o oficial sob quaisquer motivações religiosas. Pelo contrário, são as alegadas ligações de Ayombekov com as lucrativas redes de contrabando regionais, bem como sua resistência ao regime de Rakhmon Emomali, o que levou à realização das operações de segurança e, finalmente, à morte do referido oficial. Tal como a militância no Quirguistão, grande parte da militância do Tadjiquistão é provavelmente mais o resultado de rivalidades políticas e étnicas do que do extremismo religioso.
Da mesma forma, o Cazaquistão desafia a teoria de que está proliferando militância islâmica na região. Dada a sua separação geográfica do Vale de Fergana e uma sociedade comparativamente menos religiosa, o Cazaquistão não teve militância islâmica na década de 1990 e 2000. No entanto, em 2011, o Cazaquistão assistiu, pela primeira vez na sua História moderna, a ataques de militantes islamitas. Que os ataques tenham sido realizados usando táticas diferentes por todo o país, incluindo Almaty, Atyrau e Taraz, é algo particularmente anómalo.
O governo cazaque culpou militantes islamitas e grupos de propaganda religiosa que alegadamente circulam por todo o País. No entanto, o timing desses ataques é curioso, porque eles ocorreram a meio a uma batalha política crescente acerca da sucessão a longo prazo do presidente do país, Nursultan Nazarbayev. Conclui-se que esses ataques poderiam ter sido menos inspirado pelo radicalismo islamita, o que tem sido pouco evidente no Cazaquistão durante os últimos 20 anos, e mais pela luta de poder entre diversos actores que buscam posicionar-se para a sucessão de Nazarbayev.
Notavelmente, um grupo jihadista chamado “Os Soldados do Califado” assumiu a responsabilidade por alguns dos ataques, incluindo os atentados de Outubro de 2011 em Atyrau. As reivindicações sugerem que há uma genuína ameaça de militantes islamitas no Cazaquistão. No entanto, o grupo era desconhecido até 2011, e há pouca informação sobre os seus membros e de liderança.
Mais recentemente, o Uzbequistão e o Turcomenistão têm assistido a menos ataques e a registos de actividade militante. Isto sugere que as respectivas situações internas são relativamente estáveis ​​e que os seus governos já estão seguros o suficiente para não terem que usar o radicalismo islamita para justificar a repressão de segurança.
Enquanto isso é provavelmente verdade para o Turquemenistão, a situação é menos clara no que diz respeito ao Uzbequistão, que tem sido mais estável do que seus vizinhos do Vale de Fergana. No entanto, o Uzbequistão testemunhou uma explosão numa linha férrea, perto da fronteira tadjik em Novembro de 2011. O governo classificou o incidente um ataque terrorista. Dado que a explosão ocorreu numa área remota com pouco significado estratégico, muitos especularam que o foi o Governo uzbeque quem realizou esse ataque para impedir o tráfego de mercadorias de e para o Tadjiquistão, com o qual Tashkent ja teve várias disputas.
Enquanto isso, o Uzbequistão está passando por uma luta de sucessão, o que poderá resultar em instabilidade política. Com efeito, recentemente tem havido relatos de protestos no Vale de Fergana, na província de Andijan, o local de uma operação de segurança em 2005 que matou centenas de pessoas. Neste caso, mais uma vez, o governo culpou o Movimento Islâmico do Uzbequistão e militantes islamitas. No entanto, assim como no Quirguistão e Tadjiquistão, iste foi, mais provavelmente, o resultado de lutas de poder dentro do país.
Ressurgimento potencial
Como a dinâmica e as circunstâncias nos países da Ásia Central sugerem, muitas vezes, é do interesse do governo referir-se a qualquer actividade militante como sendo islamita. Se o fizer, tal sugere que essa é uma actividade política transnacional, ao invés de se limitar a elementos indígenas, havendo assim uma desculpa para se acabar com esses elementos.
Claro, grupos e elementos jihadistas existem na Ásia Central, mas há indícios de que uma parte substancial dos elementos jihadistas mais importantes foram em grande parte eliminados, marginalizados ou empurrados para dentro do teatro Afeganistão-Paquistão. No entanto, a retirada dos EUA do Afeganistão poderá provocar um ressurgimento jihadista na região. O vácuo de segurança criado pela saída do pessoal dos EUA e da Força Internacional de Assistência também poderá desestabilizar o Afeganistão, ao mesmo tempo que várias forças internas competem para preencher o vazio.
Devido à proximidade da Ásia Central com o Afeganistão e com a fronteira porosa e mal vigiada entre o Afeganistão e o Tadjiquistão, há certamente potencial para a violência e instabilidade transbordarem. Particularmente preocupante para os regimes da Ásia Central são os militantes islamitas na zona da fronteira Afeganistão-Paquistão que, sobrevivendo à guerra, tornaram-se endurecidos veteranos da guerra contra as forças ocidentais. No entanto, há relatos de que Abu Usman Adil, o líder do Movimento Islâmico do Uzbequistão, foi morto a 4 de Agosto por aviões remotamente tripulados no Paquistão, sugerindo que o grupo pode estar lutando pela sobrevivência, mesmo na área entre o Afeganistão eo Paquistão.
O grau em que elementos e militantes islamitas poderão tornar-se activos na Ásia Central dependerá da retirada dos EUA e do estado em que se encontrar o Movimento Islâmico do Uzbequistão. Até então, todos os desenvolvimentos na frente militante na região precisam ser analisados no contexto das dinâmicas internas de poder e as lutas políticas de cada país, para além do ângulo islamita. É somente nesse contexto que as motivações subjacentes aos ataques e aos actores militantes da Ásia Central podem realmente ser determinadas e previstas.
 

O desafio da infraestrutura

 

Coluna Econômica
Há décadas, todos os programas de investimento em infraestrutura repetem os mesmos projetos do programa anterior. Nesses anos todos, projetos já definidos foram interrompidos por contingenciamentos orçamentários, problemas de licenciamento, escassez de escritórios de engenharia e planejamento.
Ao colocar 9 trechos de rodovias e 12 de ferrovias em regime de concessão, perfazendo um total de investimentos de R$ 133 bilhões, o Programa de Investimentos em Logística – lançado ontem pela presidente Dilma Rousseff – pretende romper com essa inércia. Até o final do mês serão anunciadas as concessões nos sistemas portuário e aeroportuário.
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Há avanços em relação a momentos anteriores. O principal deles é a visão sistêmica sobre o setor de logística, pouco apurada em outros planos.
Na origem do “Brasil  em Ação” – primeira tentativa de articulação dos investimentos públicos orçamentários – havia um pano de fundo estratégico, absorvido dos trabalhos de Eliezer Baptista. Este propunha articular um conjunto de ações em sete regiões específicas, integrando a América Latina, e criando zonas de circulação de riqueza.
O programa foi menos ambicioso, concentrando-se em projetos. Mas acabou engolfado pelo contingenciamento orçamentário que matou todas as iniciativas de investimento público até o advento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que conseguiu livrar as obras da maldição do controle na boca do caixa.
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Nos programas seguintes – incluindo o PAC – avançou-se nas formas de gestão e de acompanhamento e de liberação de recursos, mas ainda estava verde nos chamados aspectos sistêmicos da logística.
Nesse ínterim, no entanto, houve grande avanço do conhecimento interno, especialmente a partir de trabalhos e estatísticas produzidas no âmbito da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Foram feitos estudos mais meticulosos de origem e destino de mercadorias e estudiosos de diversos setores passaram a enxergar a logística de forma integrada, juntando rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, sistemas de armazenamento etc tendo como foco central o fluxo de mercadorias.
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Além disso, foram feitas algumas mudanças regulatórias relevantes.
No caso das ferrovias, por exemplo, assegurou-se o chamado direito de passagem – ou seja, o direito de qualquer empresa poder passar sua carga pelos trilhos da ferrovia concedida. Acaba com o uso exclusivo de ferrovias por algumas empresas ou com seu sub-aproveitamento, como ocorre hoje.
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Mesmo assim, persistem problemas estruturais que não serão resolvidos com o Plano. Há escassez de projetos executivos – os projetos mais detalhados de cada obra -, o mercado de engenharia ainda não conseguiu crescer para atender a todas essas demandas, permanecem as dificuldades com licenciamento ambiental.
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Por outro lado, o panorama externo é extraordinariamente favorável, com muito recurso disponível. Há que se tomar algum cuidado nos contratos de licitação, especialmente em relação ao capital estrangeiro. É bem vindo, especialmente se acompanhado de serviços de engenharia. Mas infraestrutura não gera divisas, capazes de equilibrar a conta da remessa futura de dividendos.