"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

quinta-feira, novembro 06, 2008

Para Brasil e América Latina, eleição de Obama traz poucas mudanças

Instituto Humanitas Unisinos - 05/11/08

Dois ex-embaixadores brasileiros em Washington, os diplomatas Rubens Ricupero e Rubens Barbosa, são realistas em relação ao presidente eleito, Barack Obama, o que na prática significa que nada ou muito pouco mudará para o Brasil.

A reportagem é de Eduardo Nunomura e José Maria Mayrink e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 05-11-2008.

Com uma pauta prioritariamente econômica, o chefe da maior potência do mundo não terá tempo de cuidar de temas caros aos Estados Unidos, como a guerra ao terror e o Oriente Médio. Durante a campanha que opôs Barack Obama e John McCain, já estava claro que a América Latina continuará fora do radar de preocupações.

“Na agenda prioritária americana, a nossa capacidade de influir é pequena”, afirma Ricupero, que foi embaixador entre 1991 e 1993. “Mais importante do que perguntar o que fará o novo presidente é saber qual será a posição do governo brasileiro em relação ao governo norte-americano, pois tudo indica que, da parte de Washington, não vai mudar muita coisa”, disse Barbosa, que ocupou o mesmo cargo entre 1999 e 2004.

Desde o fim da Guerra Fria, os americanos vêem a América Latina a partir dos acordos de livre comércio, do combate ao narcotráfico e da luta contra a migração, sustenta Ricupero.

“Na questão do comércio, os produtos brasileiros que têm problema nos EUA, o suco de laranja, o etanol, o açúcar, o tabaco, enfrentam lobbies muito estruturados no Congresso e (o novo presidente, Barack Obama) não terá qualquer ingerência.”

Barbosa acrescenta: “É possível que esse contencioso aumente, com a imposição de novas barreiras comerciais, por causa da crise financeira e do agravamento do problema do desemprego.”

Ex-ministro da Fazenda, Ricupero ressalta que o primeiro grande teste para Obama será já no dia 15, na reunião em Washington com o G-20.

Para Barbosa, o fato de a América Latina ter baixa prioridade na política externa americana favorece o Brasil. “É preciso saber o que vamos querer agora, pois nos últimos anos, quando os Estados Unidos tiveram crescimento de 3% a 3,5% ao ano, o Brasil perdeu uma boa fatia do mercado americano”, afirma.

Presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo, Barbosa diz que o Brasil deu prioridade às relações Sul-Sul. Em sua opinião, o País deveria reexaminar o tipo de relações que quer manter com Estados Unidos e Europa. “Não sei o que vai acontecer com o futuro governo dos Estados Unidos, se houver desdobramento do que Celso Amorim declarou após sua visita ao Irã.”

O chanceler defendeu, em Genebra, relações “normais e boas” com Teerã. O governo iraniano tem sido atacado nos Estados Unidos. Por outro lado, ele acredita que o Brasil pode ajudar em problemas como o embargo econômico a Cuba. “Obama não vai suspender o embargo, assim como John McCain não tomaria essa medida, mas poderá facilitar viagens e remessa de divisas para Cuba.”

SIMBOLISMO

Ricupero, que declara que teria votado em Obama se fosse americano, traça um paralelo entre o democrata e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lembrando do simbolismo que representou a ascensão de um ex-metalúrgico à Presidência.

“O (novo) governo americano vai procurar a parceria brasileira. É inegável que o atual presidente conquistou uma posição excepcional, porque ele tem um trânsito muito bom com os países de esquerda, assim como com os outros. Um trunfo que os americanos vão apreciar”, finaliza Ricupero.

Encontro com a escassez

Instituto Humanitas Unisinos - 05/11/08

O dia 4 de novembro de 2008 representa o fim de uma era. Economicamente, marca o final do longo boom iniciado em 1983.

A reportagem é de David Brooks, publicada pelo jornal New York Times e traduzida pelo jornal Folha de S. Paulo, 05-11-2008.

Politicamente, provavelmente marca o final do domínio conservador iniciado em 1980. Geracionalmente, marca o final da supremacia da geração baby boom, iniciada em 1968. Nos últimos 16 anos, membros da geração baby boom (os norte-americanos nascidos entre 1946 e 1960) ocuparam a Casa Branca.

Quando os historiadores analisarem a era que está se encerrando agora, verão um período de realizações privadas e de decepção pública.

Nas duas últimas décadas, os EUA se tornaram um lugar muito mais interessante. Empresas como Starbucks, Apple, Crate & Barrel, Microsoft e muitas outras iluminaram as vidas cotidianas. Cidadãos privados, sobretudo os jovens, repararam os danos no tecido social, se dedicaram ao serviço comunitário e promoveram uma redução no número de viciados em drogas e de gestações na adolescência.
Mas, ao mesmo tempo, a esfera pública não floresceu.

A despeito de décadas de prosperidade, questões já antigas como a saúde, a educação, a política energética e os benefícios sociais não foram conduzidas devidamente. A geração baby boom, que iniciou sua vida adulta prometendo ativismo permanente, provou ser uma geração sem distinção política alguma.

Produziu dois presidentes, nenhum dos quais confirmou o potencial que parecia apresentar. E seus integrantes se mantiveram aferrados à guerra cultural que consome a geração deles. Estão transmitindo o manto da supremacia política depois de desperdiçar uma série de oportunidades.

A frustração parece vir crescendo mês a mês. Os americanos estão ansiosos sobre suas vidas privadas, e seus líderes lhes são absolutamente repulsivos. Por isso, mudança é necessária.

Os republicanos escolheram como candidato um velho guerreiro cujo histórico envolve tomar decisões difíceis e absorver as conseqüências adversas que elas podem causar. Muitos de nós o consideram como um dos heróis de nossa era. Mas a demanda do público por mudança é total.

Barack Obama é uma criança dos anos 60. Para as pessoas da geração de Obama, os grandes tumultos do país já haviam passado quando eles chegaram à idade adulta. A geração deles tem por ordem a consolidação e um novo tradicionalismo - uma geração adepta de filtro solar e de capacetes para andar de bicicleta, e cuja principal preocupação é criar bem os filhos.

Obama é membro não só dessa geração ponderada como de seu segmento mais educado. Seu grupo social, formado por pessoas prósperas nascidas depois do baby boom, o vem apoiando com fervor inabalável. A classe privilegiada e de nível elevado de educação nas universidades, na mídia, na medicina e nos centros financeiros bancou sua campanha de US$ 600 milhões (que dependeu ainda mais que a de George W. Bush em 2004 de doações em montante elevado). Esse grupo em breve se tornará a classe governante. E a ironia é que terão de enfrentar o problema para o qual estão menos preparados: o da escassez.

Criados em ambientes prósperos, favorecidos pela genética, esses jovens líderes da meritocracia terão de governar em um período em que a procura pela riqueza do país supera a oferta. Terão de arcar com o fardo cada vez mais pesado de uma sociedade envelhecida, custos de saúde em alta e preços elevados para a energia. Terão de cobrir o US$ 1 trilhão ou mais que o governo gastará para evitar uma recessão profunda. Enfrentarão dificuldades para manter suas promessas de cortar impostos, criar uma revolução na energia, aprovar um dispendioso programa para a saúde, e tudo mais.

Nos próximos anos, a riqueza do país estará estagnada ou em queda. A contração fiscal se tornará mais severa.

Haverá disputas mais ferrenhas por recursos escassos, divisões mais gritantes entre facções. O desafio do próximo presidente será atenuar a dor da recessão atual e ao mesmo tempo construir uma sólida fundação fiscal para que o país possa voltar a prosperar em algum momento futuro.

Em outras palavras, provavelmente estamos ingressando em um período no qual os jovens e inteligentes liberais terão de encarar uma escassez inamovível, para a qual não têm planos.

Na era da transição, caberá aos filhos arcar com o fardo deixado por seus pais.

A DEMOCRACIA "MADE IN USA"

aijesus.blogspot.com - 04/11/08

Ao observar as longas bichas de estado-unidenses que avançam lentamente para os centros de votação, confirmo
[uma vez mais]
que este espectáculo é também ele responsável da ideia tão falsa como generalizada em Portugal
[basta ler alguns blogs e listas de discussão]
de que o maior país da América do Norte é o berço, a sede e a caixa-forte da democracia ocidental.


Os políticos dessa nação estão dispostos a tudo
[guerras de Iraque e Afganistão; guerras frias e quentes; golpes de estado como no Chile de Allende; controlo político e económico como em quase toda a América Latina, etc.]
para manter, exportar ou impor esta maravilha da política moderna.


Segundo rezam as enciclopédias e dicionários, a democracia está ancorada na ideia de que o poder reside no povo
[poder exercido através do voto]
que escolhe os melhores para o governarem.


A realidade supera a ficção: o povo dos Estados Unidos de América é um dos menos participativos.


Na realidade, o governo dos Estados Unidos é um dos menos representativos:
  1. Nas bichas que hoje nos mostram as grandes cadeias de televisão está uma ínfima minoria de cidadãos com direito ao voto.
  2. O que digam hoje os votantes importa muito pouco, porque…
  3. O poder real das eleições está nas mãos do «Colégio eleitoral», formado por um selecto e elitista grupo de 538 pessoas
    [nas eleições de 2000 o povo elegeu Al Gore, mas o Colégio Eleitoral achou que Bush seria mais conveniente. E Bush foi presidente].
Esta noite saberemos a quem os grandes interesses dessa nação entregaram a presidência do país. Porque a realidade é que o poder neste país continuará nas mãos das grandes corporações que controlam a indústria armamentista, a do petróleo e o mundo financeiro
[basta uma olhadela para a actual crise financeira para ver como os bancos, que se descapitalizaram para enriquecer os seus executivos, recebem agora bilhões de dólares para não irem à falência].
Democracia? Claro!

Desunião marca Dia de Unidade Nacional

darussia.blogspot.com - 04/11/08



A Rússia assinalou hoje o Dia da Unidade Nacional, jornada que foi celebrada com manifestações de vários quadrantes políticos e que ficou marcada por confrontos de rua na capital russa.
Dezenas de policias russos ocuparam posições na estação de metro Arbatskaia, no centro de Moscovo, para onde os nacionalistas russos do Movimento Contra a Imigração Ilegal tinham convocado uma concentração que não fora autorizada pelas autoridades.
Os agentes não actuaram no interior da estação de metropolitano, mas apenas apelavam aos militantes nacionalistas a saírem para a rua, onde eram esperados por fortes destacamentos da OMON (polícia de intervenção).
Quando os manifestantes tentaram cortar uma das principais artérias rodoviárias de Moscovo e começaram a lançar very-lights, a OMON carregou e, segundo dados oficiais, deteve cerca de quinhentas pessoas, que mais tarde libertou.
As autoridades de Moscovo tinham autorizado uma manifestação nacionalista, mas noutro bairro da cidade.
Empunhando ícones ortodoxos, bandeiras imperiais russas e soviéticas, os manifestantes nacionalistas exigiram a “Rússia para os russos!” e a “realização de uma política verdadeiramente russa”.
“Não se admite que imigrantes ilegais entrem aos milhões no nosso país e nos roubem o emprego. Com a crise, estão a ser despedidos milhares de russos e o Governo faz de conta que nada está a acontecer”, declarou à Lusa Mikhail, estudante universitário.
O mais recente relatório da organização não governamental russa SOVA, que monitoriza os crimes de ódio no país, faz um balanço de 75 imigrantes mortos na Rússia em 2008 em ataques raciais, outros 291 feridos, apenas até Setembro deste ano. O número acusa novo aumento em relação a 2007, em que 57 pessoas foram mortas em crimes raciais (mais 19 por cento do que em 2006).
A Rússia Unida, partido dirigido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, juntou cerca de oito mil manifestantes no centro de Moscovo para apelar à concórdia no país.
Não obstante a atmosfera de alegria e relaxe reinante entre os manifestantes, os oradores não deixaram de abordar os problemas económicos e sociais que enfrenta a Rússia.
Andrei Issaev, um dos dirigentes da Rússia Unida, declarou que o seu partido condena a “posição dos patrões que despedem as pessoas sem pagarem subsídios ou compensações”.
“Dizemos um não decisivo a isso!”, sublinhou Issaev durante uma intervenção no comício.
Manifestações semelhantes tiveram lugar em numerosas cidades russas e só em Novossibirsk ficaram marcadas por confrontos entre antifascistas e nacionalistas russos.
O Dia da Unidade Nacional ficou também marcado pela explosão de duas bombas em Moscovo e no Daguestão, no Cáucaso do Norte. A última provocou ferimentos em quatro polícias.
O Dia da Unidade Nacional começou a ser oficialmente celebrado em 2005 e simboliza a força do espírito nacional russo. Esta festa nacional visa recordar o dia 04 de Novembro de 1612, quando forças populares e tropas russas expulsaram os invasores polacos de Moscovo.
Na realidade, o Kremlin tentou, com esta celebração, fazer esquecer outra data importante da História da Rússia e que foi celebrada até muito recentemente: o dia 07 de Novembro, dia da revolução comunista de 1917.

ITAÚBANCO: FUSÃO É O QUE NÃO É. ITAÚ COMPROU O UNIBANCO

Conversa Afiada - 04/11/2008 08:47



Quem vai mandar é o Roberto Setúbal

Paulo Henrique Amorim

. Globo, Valor, Folha, Estadão e a Miriam Leitão que conversou ontem “com o banqueiro Pedro Moreira Salles” (ela e a torcida do Flamengo ...) falam em fusão.

. Fusão é o que não é.

. O Itaú engoliu o Unibanco.

. O Itaú vai ficar com 66% do Itaúbanco.

. E o Unibanco vai ficar com 33% do Itaúbanco.

. Roberto Setúbal vai tocar o Itaúbanco.

. E Pedro Moreira Salles vai dirigir o Conselho de Administração.

. Setúbal é quem vai mandar.

. Quem está mais tranqüilo, hoje, nesta manhã de terça-feira: o funcionário do Itaú ou o do Unibanco ?

. O Unibanco já esteve para ser engolido pelo Bradesco, quando mandavam Amador Aguiar e Walther Moreira Salles.

. Desde então estava claro que o Unibanco não tinha músculos para enfrentar o Bradesco e o Itaú.

. A inflação e os juros altos do Banco Central deram uma sobrevida ao Unibanco.

. Com a dificuldade de sucessão no Unibanco, e a maciça profissionalização do Itaú, ficou claro quem ia ganhar a guerra.

. Agora, falta ver o próximo lance do Bradesco.

. Que não vai ficar parado.

. Então, para início de conversa, era bom não enganar ninguém e chamar a coisa pelo seu nome: o Itaú comprou o Unibanco.

O reaparelhamento das Forças Armadas

Blog do Luis Nassif - 04/11/08

Por Cesar de Aquino

Ja que a economia esta monopolizando as discussões eu gostaria de mudar o foco um pouco para questão da modernização das forças armadas.

O que aparece até agora na midia parece tender para algumas medidas:

1) Adoção do Scorpene pela Marinha brasileira como novo submarino convencional padrão, alguns pontos altamentes discutivieis dessa opção:

_ Praticamente joga fora nossa experiencia construindo os IKL-209 alemães, tinhamos alinhavado a adoção do IKL-214 mas parce que vamos desisitir em prol do Scorpene, apesar do IKL-214 ser a opção natural.

_ O custo unitário da adoção do Scorpene é muito maior do que foi a escolha pela marinha chilena do mesmo projeto.

_ Justifica-se o Scorpene por que ele seria base tecnologica para o submarino nuclear, quem vê o porte do Scorpene e compara com o proximo submarino nuclear francês, o Barracuda, vê que os pontos principais de um submarino nuclear, propulsão e desenho, não são compativeis com um casco tão pequeno.

2) Adoção do Rafale, novamente uma escolha altamente discutivel:

_ É um avião sem mercado, o projeto esta atrasado na França, corremos o risco de sermos o unico operador externo.

_ Só existe certeza de uso de armamento francês, que não representa o que exsite de mais moderno.

_É um modelo de 4º geração, não representa o que existe de mais moderno e ainda corremos o risco da França optar por UAV, veiculo não pilotado, o que nos deixaria com um projeto sem investimento.

Por Fábio

Comprar material de defesa avançado não é a mesma coisa que fazer uma licitação para adquirir papel higiênico....

Adquirir material de defesa avançado é fazer uma aliança estratégica de médio e longo prazo com o país fabricante.

A Marinha de Guerra argentina possuía diversos navios e sistemas de armas britânicos. Quando estourou a Guerra das Malvinas ficou sem peças de reposição, situação que perduar até hoje...

As Forças Armadas iranianas eram equipadas basicamente com material norte-americano. Cessadas as relações entre os dois países o Irã teve grande dificuldade em enfrentar a Guerra Irã-Iraque, muito embora suas Forças Armadas fossem infinitmente superiores em qualidade de equipamento e pessoal às iraquianas.

Em razão disso considero que o primeiro parâmetro para a escolha de qualquer equipamento militar avançado é definir se o país fabricante possui laços estratégicos com o Brasil.

Seja em razão dos laços estratégicos ou, ainda, para reduzir custos, os países buscam formar consórcios para fabricar equipamentos militar. Na Europa isso é muito comum.

Está faltando ao Brasil uma diplomacia militar, que não se faz apenas com guerra, mas, principalmente, com a formação de alianças estratégicas.

Na época da Guerra Fria os EUA tentaram que fosse formado uma organização de defesa no Atlântico Sul. Seria formada pela Argentina, Brasil, Chile e África do Sul.

Estava super correto, infelizmente, nossos diplomtas deram para trás...

Comentário

O parâmetro maior deverá ser o da transferência de tecnologia ao Brasil, desenvolvimento de projetos conjuntos e implantação de modelos de disseminação tencológica com a cadeia produtiva e institutos de pesquisa.

Por Mario Blaya

acho que há um erro de interpretação quanto ao Scopene, não será em seu casco original que seria instalado o reator nuclear, mas sim aproveitando o seu projeto basico, com o suporte francês, fariamos uma versão nacional de um submarino de ataque, que difere muito de um mero submarino costeiro como são os modelos alemães.

já o caça, não dou muito credito a essa estoria de transferencia de tecnologia, afinal a compra não é tão significativa assim para que justifique a transferencia, o que podemos conseguir seria uma experiencia na sua montagem e testes, mas nunca em seu projeto. Eu acho os Sukhois superiores, quando voam, e é esse a eterna duvida sobre aviões russos exportados, a baixa disponibilidade dos equipamentos. principalmente pela falta de peças.

Por Fernando Haderfeld

Caro Nassif

O post original tem o grande mérito de levantar a relevante questão do absolutamente necessário reaparelhamento das forças armadas brasileiras. Mas comete um grande número de equívocos, especialmente em relação ao submarino.

A tecnologia dos submarinos alemães U-214 não acrecentaria o conhecimento fundamental buscado pela marinha: o uso e construção de submarinos de casco duplo. O Marlin francês (sim, pois o nome Scorpène deve morrer junto com o acordo DCNS-Navantia) apresenta esta tecnologia. E de resto é tão avançado quanto o tipo alemão.

Tamanho do casco não está vinculado a trasferência de tecnologia, e não vamos usar o desenho do Marlin e simplesmente colocar um reator nuclear dentro. A nós interessa os segredos da metalurgia dos aços especiais, processos construtivos e de projeto para este tipo de casco. O recheio nuclear nem Mephisto transfere. Será por conta de nossos engenheiros mesmo.

Quanto ao Rafale podemos sim dizer que é uma compra de risco. Não por defeitos inerentes ao caça. Ele é basicamente tão bom (e falho) quanto qualquer um dos outros concorrentes. Mas é, realmente, usado apenas pela França e isto pode dificultar aspectos de logística e suporte no futuro.

O Gripen NG ainda é um projeto, embora ninguém duvide de suas qualidades e do potencial de transferência de tecnologia. Já o F/A-18E não é um projeto velho. Esta questão de quarta ou quinta geração tem muito de marketing. Mas com ele não se deve sonhar alto na transferencia tecnologica.

Um Bacen sem parâmetros

Blog do Luis Nassif - 04/11/08

Por Leão

Nassif,

vale a pena dar uma lida na matéreia "A iliquidez da política monetária" de José Roberto Afonso da UFRJ e de Geraldo Biasoto Junior da Unicamp, na A14 do Valor de hoje. O título diz tudo.

A iliquidez da política monetária

José Roberto Afonso e Geraldo Biasoto Junior

04/11/2008



(...) Abandonar dogmas e reconstruir instrumentos de controle são tarefas urgentes das autoridades econômicas. As brasileiras ainda não se aperceberam do real tamanho do desafio que precisam superar, pois não acreditamos que tentariam fugir a suas responsabilidades (até porque seria impossível na crise). Um bom retrato vem da idéia difundida pelo presidente do Banco Central, de que: "política monetária visa controlar a inflação com seu instrumento fundamental que é a taxa de juros base. Não devemos (sic) confundir isso com a gestão de liquidez".

A confusão está nos conceitos e na compreensão do enfrentamento desta crise. Manuais de finanças e apresentações no próprio sítio do Bacen ensinam que política monetária, em geral, é conduzida por meio de três instrumentos: a) as operações de mercado aberto, mediante as quais a autoridade monetária busca atingir sua meta operacional e fazer a gestão diária da liquidez do sistema; b) o redesconto, que é a válvula de segurança à disposição dos bancos para solucionar problemas de caixa ao final do dia; e c) os recolhimentos compulsórios, usados para limitar a capacidade de criação de crédito pelos bancos aos agentes não-bancários. Como as intervenções do Banco Central no mercado monetário são realizadas por meio do sistema bancário, os problemas de liquidez dos bancos (e das empresas) e de política monetária são intrinsecamente relacionados.

Desconhecer a complementaridade dos instrumentos pode ser fatal. A redução das alíquotas dos recolhimentos compulsórios, mantida alta a taxa de juros, pode ser inócua. Os bancos podem simplesmente decidir não dar crédito, dado que o risco envolvido em um empréstimo depende, entre outros fatores, da taxa de juros vigente e das expectativas quanto à sua trajetória futura. Aliás, as políticas adotadas pelos bancos centrais do mundo todo indicam que a taxa de juros e a gestão de liquidez são peças de uma mesma política de recuperação dos fluxos de crédito no sistema. As injeções de recursos têm sido acompanhadas de fortes cortes nas taxas de juros.

Numa situação como a atual, de radical aversão ao risco e total empoçamento da liquidez nas instituições de maior porte, um aumento adicional dos juros piorará ainda mais as condições de crédito, tanto para empresas como para bancos de médio e pequeno porte, acelerando nosso caminho para a recessão.

Mais relevante do que uma bizantina discussão sobre conteúdo da política monetária no meio do furacão é questionar se uma das principais autoridades econômicas do país ainda não atentou que conceitos e formas de fazer política econômica que prevaleceram nos últimos anos, num ambiente econômico específico, não podem ser transpostas para um quadro radicalmente distinto. A abundância de recursos externos e o regime de metas de inflação reduziram e resumiram a política monetária dos últimos anos à fixação da taxa de juros básica - a Selic. Não se fez política monetária, mas apenas se gerenciou a relação entre a taxa de juros e taxa de câmbio para incentivar a entrada de capitais e controlar a inflação. Nem a liquidez do interbancário, nem o crédito ao setor produtivo, nem as inovações financeiras foram objeto da ação do Bacen. Não por acaso, a grande "inovação" do sistema bancário brasileiro nos últimos anos foi o crédito consignado à pessoa física.

O mercado externo de títulos

Blog do Luis Nassif - 04/11/08

Por Igor Cornelsen

Veja que medida inteligente da Argentina recomprando seus bônus.

Todas as nações emergentes deveriam recomprar agora toda sua dívida externa com grandes descontos bem como as dívidas de seus bancos privados que não podem quebrar.

O Brasil e suas empresas não estão sabendo navegar na crise.financeira internacional

Recebi esta lista de um banco de investimento de NY oferecendo fazer mercado para bonds brasileiros.

A diferença que eles compram e vendem chega a ser absurda. Devem estar ganhando uma fortuna com a intermediação.

O BB deveria fazer ele o mercado destes papéis ou as próprias empresas com os seus próprios títulos e ganharem com isto em vez de deixarem tamanha margem para os grandes bancos internacionais.

Obama: os chineses estão chegando

Blog do Luis Nassif - 04/11/08

A grande maioria dos residentes letrados, do Cone Sul, sente orgulho de referirem aos EUA, como a Capital do mundo. Puro provincianismo. Nada mais natural do que os jornalistas que cobrem a eleição de hoje, em todo o território do leque norte, se manifestar com um certo entusiasmo, ao dizer que a nação norte-americana poderá ter um presidente negro. Isso tudo, faz parte de uma falsa questão. Ao projetarmos o futuro, não é difícil visualizar um mundo transformado pelo amor ou pela guerra - não há saída. A crise do seu sistema financeiro, com conseqüente desarranjo da economia daquele país, atinge em cheio o mundo civilizado. Isso é real, mas nada tem a ver com a questão racial. Os EUA são país multirracial. Quem, afinal, foram os construtores da América? Os desbravadores, tão bem demonstrados no filme a "Conquista do Oeste", de John Ford, ou os escritores Mark Twain; Walt Whitman; Herman Melville e Nathaniel Hawthorne; James Fenimore Cooper; Tenesse Williams; John Reed; Arthur Miller; Eugene O''Neill? Ou, quem sabe, Mohamed Dali ou Elvis Plesley?

A questão não é racial, e sim sócio/política. Nos anos noventa, os EUA estavam interessados na mão de obra, qualificada, do Leste Europeu. Além dos alemães, russos, poloneses que imigraram também vieram os orientais, nessa liberalização de acolher essa mão de obra, disputada por empresas de informática em franco desenvolvimento. Os negros entraram no país como escravos, no século XVIII, e, apesar de alguns deles terem conquistada a emancipação financeira, ainda são ex-escravos. Já os orientais, começaram a entrar mais ou menos, em 1849, antes da Guerra da Secessão e pelo Pacífico, portanto pela porta Oeste dos EUA. Tratava-se de mão de obra barata, contratada para trabalho pesado - mineração e ferrovias. Este movimento ocorreu até 1882, quando da lei de exclusão, proibindo a imigração chinesa (asiática). A partir daí, chinês não podia requerer cidadania, nem tinha direitos civis, por isso foram se juntando nos bairros orientais (Chinatown). O chinês só começou a ganhar cidadania com os movimentos pelos direitos civis, por volta de 1960, juntamente com os negros... Por isso, Bruce Lee "quebrava o pau" todos os dias com os gringos.

O negro faz parte da história, do símbolo do Capitalismo. Quando se manifesta uma crise dessa dimensão, os programas sociais tão caros aos democratas (norte-americanos), por conseqüência os negros pobres, são os primeiros a sofrer com isso. Já com os asiáticos, é diferente. Apesar de o chinês-norte-americano não representar um problema social tão crítico, os países de origem se fortaleceram politicamente, na última década. Uma asiatização dos Estados Unidos é uma questão real, para a mais radical direita branca. Tanto Obama como McCain, vão ter que arrumar uma outra "guerra externa", com reflexos internos.

O grande problema é que as guerras são financiadas por todos os cidadãos que lá residem, seja nato, naturalizado ou clandestino. O que faz dos EUA o país com maior dívida externa do planeta, são os gastos com essas guerras. Para retomar sua hegemonia, financeira, econômica e, também, territorial, o novo governo terá que apresentar um protocolo de relacionamento muito claro com a China. Do contrário, só tem duas saídas: outra guerra ou, então, Putin (que também pode significar guerra). Melhor perder os anéis, Obama! Não despreze os 1.300.000.000 habitantes da China. Se der a zebra McCain, a opção será a Rússia - e aí, a casa cai.

O CAPITALISMO COMUNITÁRIO E A REPRESSÃO INTELECTUAL

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 04 de novembro de 2008 às 12:27

Estamos ingressando em uma nova fase da economia mundial. Um novo mundo. Você é testemunha. Qual é o nexo entre a fusão dos bancos Itaú e Unibanco, a crise econômica e o governo Lula?

A queda do muro de Berlim pôs fim à hegemonia soviética em um terço do planeta. A queda do muro de Wall Street pôs fim simbólico ao domínio unilateral dos Estados Unidos sobre o mundo.

Porém, a marcha para um super-capitalismo vem ininterrupta desde a ascensão de Ronald Reagan e Margaret Tatcher. O capitalismo dos monopólios e oligopólios que acumulam capital sob proteção estatal e com uma progressiva "flexibilização" dos direitos relativos ao trabalho. É óbvio que o governo Lula não é igual ao governo FHC. Mas a tendência central da precarização do mundo do trabalho segue adiante. Ela se deu nos países ricos e continua firme e forte nos países pobres.

O "socialismo do século 21", de Hugo Chávez; o capitalismo comunitário, na versão de inspiração jesuíta do bispo Fernando Lugo, no Paraguai; o "comunitarianismo" de Barack Obama apontam na mesma direção: o estado terá um papel importante para resolver as demandas entre o capital e o trabalho.

Em crise, haverá mais gente disputando menos recursos. A luta política se agudizará em todo o planeta. A criminalização dos movimentos sociais vai se aprofundar. O Jornalismo como atividade fim está em vias de extinção. Em países como o Brasil isso já está demonstrado: a mídia corporativa se tornou, acima de tudo, instrumento de luta política e comercial.

À repressão física, pura e simples, se juntará a "repressão intelectual". Os assassinatos de caráter são um exemplo extremado do modelo que veremos mais e mais. A condenação ao "ostracismo intelectual" será a pena mais grave imposta a gente que pensa. "Rotular e excluir" será o procedimento operacional padrão.

Usando como instrumento principal a internet, o You Tube e os vídeos capturados através de telefones celulares, os novos ativistas sociais deverão se organizar de forma não hierárquica e não centralizada em torno de plataformas políticas suficientemente amplas para atrair gente de todas as idades e origens ideológicas. Em defesa da liberdade de informação, de pensamento, de organização, de manifestação, contra o controle estatal da informação e pelo aprofundamento da democracia. A briga vai ser boa.

'Tivemos anistia absoluta para os dois lados'

Instituto Humanitas Unisinos - 04/11/08

O jurista Ives Gandra Martins, ex-membro da Anistia Internacional e conselheiro da OAB nos tempos do regime de exceção, prefere chamar de “anistia seletiva” as propostas do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. “O entendimento da Constituição é claríssimo: há uma anistia absoluta, que põe uma pedra sobre o passado. Estou convencido de que não cabe nenhuma interpretação diversa.”

A entrevista é de Moacir Assunção e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 04-11-2008.

Eis a entrevista.

Qual a opinião do senhor sobre a interpretação da AGU a respeito da Lei de Anistia?

A interpretação da AGU e do advogado-geral, Antonio Carlos Toffoli, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, é irretocável. Tivemos a anistia absoluta para os dois lados e não somente para os que enfrentaram o regime. O contrário seria considerar o ditador Fidel Castro, um verdadeiro genocida, de forma branda.

Qual sua interpretação sobre a anistia à luz da Constituição?

Ela reza que a anistia é absoluta e o tema foi amplamente discutido. Convivi muito com o então deputado Bernardo Cabral, que era o relator da Assembléia Nacional Constituinte, e posso atestar que houve muitas discussões sobre o tema. Se não tivesse ocorrido a anistia, os torturadores poderiam ser processados, mas como houve, não faz sentido pensar em punir agentes de Estado envolvidos com a questão.

A tortura é vista, em termos internacionais, como crime contra a humanidade, não passível de anistia. Por que seria diferente no Brasil?

Esta legislação internacional que tipifica a tortura surgiu depois da aprovação da Lei de Anistia. Nenhuma legislação retroage no tempo, de acordo com o Código Penal, a não ser que venha a beneficiar o réu. Não é o caso, evidentemente, da interpretação que se quer dar à Lei de Anistia. Além do mais, leis internacionais só têm valor no Brasil se referendadas por nossos tribunais.

Quando o Eixo foi derrotado, os nazistas tiveram que responder criminalmente diante do Tribunal de Nuremberg. O que tem se falado sobre a Lei de Anistia não guarda relação com este momento histórico?

Não. Naquele caso, um grupo de nações venceu uma guerra contra outro. Um juiz alemão chegou a afirmar que, se a Alemanha fosse a vencedora, os aliados é que estariam no banco dos réus. Sou radicalmente contra a tortura, mas não entendo que somente um lado tenha que responder, já que houve este crime degradante dos dois lados.

Monsanto compra empresas de biotecnologia da Votorantim

Instituto Humanitas Unisinos - 04/11/08

A Monsanto anunciou ontem sua entrada no mercado de açúcar e etanol com a aquisição, por US$ 290 milhões (R$ 616 milhões), de duas das mais importantes empresas de biotecnologia do País, a Alellyx e a CanaVialis. Ambas pertenciam à Votorantim Novos Negócios, divisão de capital de risco do grupo Votorantim, e foram fundadas em 2002 e 2003.

A reportagem é de Mariana Barbosa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 04-11-2008.

“A cana-de-açúcar está sendo eleita pela Monsanto com uma cultura global, ao lado de milho, soja e algodão”, afirmou André Dias, presidente da Monsanto do Brasil. Com o investimento, o Brasil se transforma em um centro de pesquisa mundial de cana para a Monsanto. “O Brasil terá um papel de destaque não só como gerador de tecnologia, mas também como usuário das tecnologias.” Dos 20,2 milhões de hectares dedicados à cana-de-açúcar no mundo, 6,8 milhões de hectares estão localizados no Brasil.

A multinacional estima que a contribuição efetiva das duas empresas para o seu faturamento no Brasil virá apenas em meados da próxima década. A Monsanto investe anualmente US$ 800 milhões em pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo. Segundo Dias, ainda é cedo para dizer o quanto desses recursos será destinado à cana.

A aquisição, concluída na semana passada, aconteceu cerca de três semanas depois de o grupoVotorantim anunciar perdas de R$ 2,2 bilhões com operações de derivativos cambiais. As duas empresas possuem enorme potencial de gerar receitas, mas ainda estão em fase de demandar grandes investimentos em pesquisa. “É um pouco triste ver um filho indo embora, mas sempre foi a nossa intenção um dia vendê-las. A associação com a Monsanto permitirá às duas crescer mais rapidamente”, afirmou o diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, Fernando Reinach. Questionado, o executivo não quis relacionar a venda das empresas com as perdas com derivativos no grupo Votorantim. “Estamos negociando há seis ou oito meses. A data é pura coincidência.”

Até pouco tempo atrás, o setor sucroalcooleiro era a grande aposta dos investidores estrangeiros, de olho em alternativas de energia limpa e renovável. No entanto, com muitas usinas amargando perdas com operações de derivativos e a retração de demanda mundial, o preço dos ativos, em toda a cadeia, está em queda.

O grupo Votorantim não revela o quanto foi investido desde a criação das duas empresas. Maior empresa de melhoramento genético de cana-de-açúcar do mundo, a CanaVialis foi fundada em 2003 e planeja lançar seu primeiro produto comercial no ano que vem. Será uma cana de ciclo precoce, com mais sacarose (açúcar).

A Alellyx foi a primeira empresa fundada pela Votorantim Novos Negócios, em 2002, e é uma parceria com um grupo de biólogos moleculares que haviam trabalhado no seqüenciamento genético da bactéria Xyllela fastidiosa. Dentre os produtos que estão sendo desenvolvidos está uma cana com capacidade para aumentar em 80% a produção de etanol por hectare plantado, além de dois tipos de cana geneticamente modificada, uma com alto teor de sacarose e outra mais resistente à seca.

A Monstanto já havia firmado, no ano passado, uma parceria tecnológica com as duas empresas para desenvolver e comercializar uma variedade de cana com tolerância a herbicidas (o gene Roundup Ready) e outra resistente a insetos-praga (o gene Bt). Esta última deve levar de cinco a seis anos para se tornar comercial.

O liberalismo de esquerda pode renascer nos EUA? Artigo de Mike Davis

Instituto Humanitas Unisinos - 04/11/08

Por trás do efêmero Woodstock que a estréia de Obama poderá implicar, milhões de corações serão partidos pela incapacidade da administração para gestionar a bancarrota e o desemprego maciço, e para pôr fim às guerras no Oriente Médio. A opinião é do urbanista, historiador e ativista político Mike Davis em artigo publicada pela Agência Carta Maior, 03-11-2008.

Eis o artigo.

Nesta semana se completam 40 anos desde que o Partido Democrata (o partido de Jim CrowNew Deal) voltou a proa para o mar, tempestuoso e eriçado, de uma guerra no Vietnã e de uma reação branca contra a igualdade racial. [1] e da Guerra Fria, mas também o partido do

O “surgimento de uma maioria republicana”, segundo a famosa fórmula cunhada pelo Maquiavel de Nixon, Kevin Phillips, nunca deixou de ser episódica e, amiúde, nas eleições nacionais, delgada como o papel de fumar. Mas um imponente fervor ideológico e religioso, não menos que os pródigos e ubíquos subsídios da classe empresarial em sua ofensiva contra os programas sociais e sindicais surgidos do New Deal, contribuíram para galvanizá-la.

Os republicanos, em condições normais um partido minoritário no Congresso, passaram a dominar a agenda política (a Nova Guerra Fria, a rebelião contra os impostos, a guerra às drogas, etc.), e se mostraram capazes de orientar a reestruturação das funções governamentais (abolição da ajuda federal direta às cidades, uso deliberado da dívida para impedir gasto social, etc.).

A resposta dos democratas à revolução de Reagan em 1981 não foi uma resistência de princípios, mas uma covarde adaptação acomodada. Os “novos democratas”, sob Bill ClintonRichard Nixon), não só institucionalizaram as políticas econômicas de Nixon e Reagan, como às vezes superaram os republicanos no seu zelo para pôr em prática a doutrina neoliberal, como foi o caso com as cruzadas de Clinton em favor da “reforma” das políticas de bem-estar (que consistia, na realidade, em criar mais pobreza) ou em favor da redução do déficit e da assinatura de um acordo como o NAFTA (North American Free Trade Agreement), sem direitos trabalhistas. (cujo modelo pessoal era

Ainda que o núcleo da classe trabalhadora do New Deal tenha permanecido sendo 60% dos votos do Partido Democrata, a política do partido se orientou em todo caso conforme a obnubilação dos Clinton com as elites da “nova economia”, com os reizinhos da indústria do entreternimento, com a prosperidade das conurbações residenciais, com os yuppies genteficadores e, claro, com um mundo inteiro, segundo Goldman Sachs. As deserções cruciais dos votantes democratas em favor de Bush em 2000 e em 2004 tiveram menos a ver com a manipulação republicana dos “valores familiares” do que com o entusiasmo de Gore e Kerry com uma globalização que tinha resultado devastadora para um sem-número de fábricas e zonas industriais.

Paradoxalmente, o que as eleições desta semana agouram é tanto um realinhamento como uma continuidade.

Os republicanos saberão agora o que 1968 significou para os democratas. Vitórias azuis em antigos bastiões vermelhos significaram incursões assombrosas no coração no território inimigo, comparáveis com os êxitos conseguidos mais de uma geração antes, por George Wallace e Richard Nixon no norte etnicamente branco, nos territórios do sindicado ICON (Industrial Congress Organization). Paralelamente, o casamento infernal do desespero, entre Palin e McCain, aponta para o iminente divórcio entre os fiéis da megaigreja e os pecadores dos country clubs. A coalizão de Bush, construída pelo gênio rufianesco de Karl Rove, está em plena decomposição.

E, o que é ainda mais importante: dezenas de milhões de votantes inverteram o veredito de 1968, optando desta vez pela solidariedade econômica antes do que na divisão racial. Na realidade, esta eleição tem sido um plebiscito virtual sobre o futuro da consciência de classe nos EUA, e o sentido do voto – graças, especialmente, às mulheres trabalhadoras – é uma extraordinária vindicação das esperanças progressistas.

Não se pode dizer o mesmo do candidato democrata, a respeito do qual não deveríamos ter a menor ilusão. Ainda quando a crise econômica e a dinâmica particular de campanha nos estados com peso industrial finalmente obrigaram Obama a prestar atenção aos postos de trabalho, seu “socialismo” foi por demais esquisito, como que esperando ficar antes sabendo da enorme indignação pública suscitada pelo criminoso resgate bancário, ou sequer para criticar as grandes petroleiras (como se fosse um McCain intermitentemente populista).

Em termos políticos, qual seria a diferença se Hilary Clinton tivesse vencido as primárias? Talvez um plano de assistência de saúde pública fosse um pouquinho melhor, mas, nos demais aspectos, o resultado é praticamente o mesmo. Na realidade, poderia até dizer-se que Obama é mais prisioneiro do legado de Clinton que os próprios Clinton.

Perto de definir seus 100 primeiros dias, já se fala numa equipe de estadistas de Wall Street, de imperialistas “humanitários”, de operadores políticos de sangue gelado e de republicanos “realistas” reciclados que darão um palpite de entusiasmo aos coraçõeszinhos do Conselho de Relações Exteriores e do Fundo Monetário Internacional. Apesar das fantasias de “esperança” e de “mudança” projetadas na máscara atrativa do novo presidente, sua administração estará dominada por bem conhecidos e melhor pré-programados zumbis da centro-direita. Clinton 2.0.

Confrontado com a nova Grande Depressão induzida pela globalização, deve-se dizer, o barco do estado norte-americano, qualquer que seja a tripulação, voltará a proa para o mundo conhecido.

Em minha opinião, só três coisas são prováveis:

A primeira: não há a menor esperança de que apareça por geração espontânea um novo New Deal (ou, para o que importa, um liberalismo de esquerda rooseveltiano), sem o fertilizante proporcionado por massivas lutas sociais.

A segunda: por trás do efêmero Woodstock que a estréia de Obama poderá implicar, milhões de corações serão partidos pela incapacidade da administração para gestionar a bancarrota e o desemprego maciço, e para pôr fim às guerras no Oriente Médio.

A terceira: pode ser que os bushistas estejam mortos, mas a direita nativista, vomitadora de ódio, marcadamente a tendência de Lou Dobbs (2) não está mal situada para experimentar um espetacular renascimento, quando as soluções neoliberais fracassarem.

O grande desafio para as pequenas organizações da esquerda é o de serem capazes de antecipar essa decepção previsível das massas e de entender que nossa tarefa não consiste em achar a forma de “trazer Obama para a esquerda”, mas em buscar a maneira de resgatar e de reorganizar umas esperanças destroçadas. O programa de transição não pode ser outro senão o próprio socialismo.

Notas.

(1) Sistema segregacionista, racial, que vigeu nos estados do sul e da fronteira sul dos EUA, entre 1877 até meados dos anos 60 do século XX.

(2) Lou Dobbs é um célebre locutor da CNN, conhecido como o “flagelo midiático da imigração ilegal nos EUA”. Sua demagogia vulgar, sua impertinente agressividade e sua capacidade para comunicar ódio e ressentimento contra quaisquer valores políticos e morais progressistas e humanistas cumprem um papel parecido com, na Espanha, o do locutor Frederico Jiménez Losantos, na cadeia de rádio COPE, propriedad da igreja católica espanhola.

Crise eleva concentração pelo mundo

Instituto Humanitas Unisinos - 04/11/08

A crise elevou a concentração do setor bancário mundial, principalmente nos EUA. Os negócios, que começaram ainda no início deste ano, se aceleraram após o pedido de concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro.

A notícia é do jornal Folha de S. Paulo, 04-11-2008.

Enquanto na Europa a maior parte dos bancos ainda sobrevive -graças, principalmente, a estatizações e injeções de capital por parte de investidores estrangeiros e governos -, nos EUA, instituições financeiras gigantes foram adquiridas por rivais -lembrando o negócio entre Itaú e Unibanco.

O JPMorgan Chase foi um dos que mais aproveitaram a crise para crescer, adquirindo, em setembro, o Washington Mutual (que era o sexto maior banco americano) e, em março, o Bear Stearns.

Já o rival Bank of America comprou em setembro o Merrill Lynch - dois meses antes, já havia levado o Countrywide Financial.

O Wells Fargo (o quinto maior) adquiriu no mês passado o Wachovia, que era o quarto em número de ativos, após disputa com o Citigroup.

Cinco bancos passam a controlar 74% de todos os depósitos no País

Instituto Humanitas Unisinos - 04/11/08

A fusão de Itaú e Unibanco aumenta ainda mais a concentração do setor bancário brasileiro. Com a negociação, 74,3% (ou R$ 450 bilhões) de todo dinheiro depositado no sistema financeiro ficará nas mãos de cinco bancos: Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal. Juntos, eles também terão 72,9% dos ativos e 72,2% das operações de crédito, segundo levantamento da Austin Rating, com base nos balanços de junho.

A reportagem é de Renée Pereira e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo,04-11-2008.

A pesquisa mostra que, de dezembro de 1994 para cá, a participação dos cinco maiores bancos do País nos depósitos totais (à vista, a prazo, poupança e depósitos interbancários) cresceu 26,3 pontos porcentuais. No caso dos ativos, o aumento foi de 27,7 pontos e, no crédito, de 15,4 pontos.

Para alguns analistas, essa concentração pode dificultar a redução dos juros e das tarifas de serviços, prejudicando o consumidor, que teria menos opções no mercado.Outros acreditam que a fusão fortalece o setor e em algum momento isso seria revertido em benefício do consumidor.

“O negócio dá origem a uma instituição com mais escala e capacidade de competir no exterior”, destaca Roberto Troster, sócio da Integral Trust e ex-economista da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Ele salienta ainda que é a primeira vez, em pelo menos 50 anos, que um banco privado assume a liderança do ranking no País. Até então o Banco do Brasil era o maior.

O professor da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Borges Matias, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), lembra que em 1994 o setor contava com 14 grandes bancos privados. “Até ontem, tínhamos 4 e agora temos 3”, diz, referindo-se a Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

Em 2003, Matias escreveu o livro Insucesso dos Grandes Bancos Privados Brasileiros de Varejo, onde mostra que a formatação do setor no País é diferente do resto do mundo. Além da participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) ainda ser pequena, as estruturas são muito pesadas, diz.

“Há uma ineficiência grande por causa da política monetária do País, que envolve altos recolhimentos de depósito compulsório. Isso explica os elevados juros. Mas, se a expectativa é que as taxas caiam, os bancos precisam se preparar, ter mais escala.” No livro, Matias prevê o aumento da concentração bancária e até brinca com o futuro nome do maior banco do Brasil: BIU, as iniciais de Bradesco, Itaú e Unibanco.

Na avaliação do analista da Lopes Filho, João Augusto Salles, num primeiro momento a fusão deve trazer alguns benefícios para o consumidor. Com mais escala, os bancos remeteriam os ganhos de produtividade para os clientes. Num segundo momento, porém, poderá haver uma tendência de aumento dos preços.

A fusão ainda passará pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas não deve ter grandes dificuldades para ser aprovada, diferentemente da regra de outros países. O presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, lembra que, nos EUA, o Bank of AmericaFleetBoston. teve de se desfazer de alguns ativos para ficar com o

A pegada ecológica brasileira. Entrevista especial com Lucas Gonçalves Pereira

Instituto Humanitas Unisinos - 04/11/08

Para pensarmos a forma como o meio ambiente está se denegrindo, é preciso atentarmos para a forma como estamos consumindo os recursos naturais. Deixamos, portanto, “pegadas” nos espaços que nos apropriamos e quanto mais exploramos a Terra, mais marcas deixamos na natureza. Desta forma, funciona a Pegada Ecológica, uma estimativa que mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade que o planeta tem de oferecer e renovar seus recursos naturais assim como de absorver os resíduos que geramos. “Pela metodologia convencional, a pegada do Brasil é de cerca de 2,1 hectares por pessoa, ou seja, cada brasileiro precisa de uma área de cerca de 2 campos de futebol para produzir tudo aquilo que ele consome. Esse valor é pequeno se comparada à pegada dos EUA. Cada americano precisa de quase dez campos de futebol para manter seu padrão de consumo”, declarou Lucas Gonçalves PereiraIHU On-Line, realizada por e-mail. em entrevista à

A partir de sua tese que trata da questão da pegada ecológica ele nos responde algumas proposições acerca do tema. Desta forma, ele fala da sustentabilidade do Brasil, como é medida a pegada ecológica no país, os alertas em relação aos dados apresentados e como devemos mudar o nosso consumo para que nossas pegadas pelo meio ambiente brasileiro possa não deixar marcas para as futuras gerações.

Lucas Gonçalves Pereira é graduado em Engenharia de Alimentos, pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. Nesta mesma instituição, obteve o título de mestre e doutor em Engenharia de Alimentos.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Segundo a sua pesquisa, qual é o diagnóstico da sustentabilidade do país?

Lucas Gonçalves Pereira – Minha pesquisa busca inserir conceitos e métodos presentes na Análise Emergética (criada por Howard T. Odum, pesquisador da Universidade da Flórida, EUA) no cálculo da Pegada Ecológica convencional. A maior parte dos trabalhos publicados que obtiveram o diagnóstico de países através da Pegada Ecológica sempre mostraram que o Brasil apresenta um bom saldo ecológico. Através de minha pesquisa, verifiquei que realmente esse saldo ainda é positivo. Porém, as atividades agropecuárias e o uso de petróleo têm contribuído para que esse saldo se torne cada vez menor. Ou seja, a oferta da natureza ainda é maior do que aquilo que consumimos, porém um aumento na demanda de combustíveis fósseis e das áreas de cultivo, principalmente de cana-de-açúcar pode levar a uma mudança drástica dessa situação.

IHU On-Line – Qual a pegada ecológica-social do Brasil? Como ela é medida?

Lucas Gonçalves Pereira – Quando se fala em Pegada Ecológica, estamos nos referindo ao consumo da população do país. De forma simplificada, mede-se qual a área necessária por pessoa para suportar o modo de vida da população daquele país em questão. Pela metodologia convencional, a pegada do Brasil é de cerca de 2,1 hectares por pessoa, ou seja, cada brasileiro precisa de uma área de cerca de dois campos de futebol para produzir tudo aquilo que ele consome. Esse valor é pequeno se comparada à pegada dos EUA. Cada americano precisa de quase dez campos de futebol para manter seu padrão de consumo. Em meu estudo, por ter utilizado uma metodologia que busca avaliar as contribuições da natureza na produção dos recursos que consumimos, o valor da pegada ecológica brasileira foi de mais de 40 hectares por pessoa.

Para se medir a pegada de uma população, divide-se o consumo humano em várias categorias como: produtos agrícolas, produtos animais, energia consumida etc. Esses dados, normalmente de produção são transformados para unidades de energia e, por fim, em termos de área (hectares). Para se estabelecer o diagnóstico de sustentabilidade, deve-se estimar também a capacidade biológica (biocapacidade) do país, que mede a disponibilidade ou oferta de recursos da natureza. Ao compararmos capacidade biológica e pegada, obtém-se o diagnóstico: se a biocapacidade é maior do que a pegada, tem-se uma situação de saldo ecológico positivo; se a biocapacidade é menor do que a pegada, tem-se um déficit ecológico.

Em minha pesquisa, conclui que a biocapacidade do Brasil é cerca de 50% maior do que o consumo, ou seja, segundo esse resultado, nossa população poderia dobrar e continuar sustentável se mantivesse o mesmo padrão de consumo.

IHU On-Line – Em termos práticos, o que temos que mudar em nosso consumo e nossas atitudes para não utilizarmos mais recursos do que o país dispõe?

Lucas Gonçalves Pereira – Em um país como o Brasil, os grandes responsáveis pelo grande impacto no consumo são as atividades agropecuárias e o uso de combustíveis fósseis (petróleo). Em termos práticos, reduzir nosso consumo significa consumir menos combustíveis fósseis como gasolina, reduzir nosso consumo de energia elétrica através de aparelhos mais eficientes, reduzir o consumo de alimentos que gerem grande impacto no ambiente (a pecuária extensiva praticada no país ocupa cerca de 50% das áreas produtivas). No entanto, o mais importante é cobrar dos tomadores de decisões como prefeitos, governadores, ministros e presidente, uma postura voltada para a conservação e não para o lucro econômico. Provavelmente, perceberemos em um futuro não muito distante, que preservar o meio ambiente seja a ação mais lucrativa a se tomar. Quando se fala em etanol como biocombustível, deve-se levar em conta o grande impacto que pode ser gerado na natureza. Até agora, o grande benefício citado tem sido o seqüestro de CO2 pelas plantas, mas pouco se fala sobre a perda de solo, ameaça à biodiversidade, grandes extensões de terra para as plantações, os combustíveis fósseis utilizados pelos meios de produção. Todos esses fatores contribuem para um grande aumento na pegada ecológica do país. Substituir o petróleo pelo etanol, provavelmente não solucionará nossos problemas. Estaremos apenas realocando o problema, porém não o resolvendo.

IHU On-Line – Nos últimos 40 anos, a China dobrou o seu déficit ecológico com o planeta e demanda hoje 15% da capacidade biológica da Terra, abaixo apenas dos EUA. O senhor acha que com essa crise financeira um novo modelo de produção e consumo pode surgir? Que previsão podemos fazer para o meio ambiente no futuro?

Lucas Gonçalves Pereira – Quando se fala em capacidade de suporte de populações humanas, devem-se levar em conta basicamente dois fatores: o tamanho da população e o modo de vida dessa população. A China sempre teve uma grande população, porém seus níveis de consumo eram baixíssimos, o que poderia ser explicado pela pobreza e pela própria cultura chinesa. O que vem acontecendo nos últimos anos é que, com a abertura econômica do país, grandes investidores vislumbraram oportunidades no país. Acredito que a recente crise financeira pode frear esses investimentos, mas não acredito em uma mudança de perspectiva ou de visão das pessoas. De certa forma, a mudança estará vinculada ao lucro econômico. Imagine se todo chinês quiser e puder comprar um carro?

Na verdade, o meio ambiente não corre riscos. Quem corre risco somos nós. O ser humano se tornou uma “força geológica”, capaz de gerar mudanças com efeitos globais. A preocupação é, portanto, com a preservação da espécie humana, que está começando a perceber a importância e a dependência do ambiente em que vive. Ao utilizar fontes não-renováveis de energia, ultrapassamos o limite natural do planeta, porém um retrocesso será necessário. Se acabarmos com o meio ambiente em que vivemos, estaremos nos extinguindo juntamente com ele.

IHU On-Line – No Brasil, qual é o sistema/atitude que contribui para a redução da pegada ecológica?

Lucas Gonçalves Pereira – No Brasil, há o exemplo de algumas cooperativas de produção de etanol. Microdestilarias integradas seriam o sistema ideal para reduzir os impactos do sistema de cultivo de cana-de-açúcar sobre o meio ambiente, além de possibilitar a produção de alimentos e serviços ecossistêmicos dentro da mesma propriedade.

IHU On-Line – Há uma previsão de limite para o uso dos recursos do meio ambiente?

Lucas Gonçalves Pereira – Por definição, não há taxa de uso renovável quando se utiliza recursos não-renováveis. Como o desenvolvimento atual se baseia nesse tipo de fonte, provavelmente haverá um momento em que esses recursos se esgotarão. Segundo alguns pesquisadores, a previsão é de que o petróleo se esgote em 50 anos. Porém, as pesquisas avançam no sentido de buscar substitutos, ao invés de mirar uma diminuição nos padrões de consumo. Com certeza, em algum momento não muito distante, o planeta não será mais capaz de produzir tais recursos e de assimilar os resíduos gerados pela população humana.

terça-feira, novembro 04, 2008

Rússia à espera de novo Presidente norte-americano

darussia.blogspot.com - 03/11/08



A nova administração norte-americana, independentemente de o vencedor ser Obama ou MacCain, tenciona provocar um conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia, considera Evgueni Mintchenko, director do Instituto Internacional de Estudos Políticos.
Numa conferência de imprensa realizada hoje na capital russa, Mintchenko afirmou que entre a élite política norte-americana predominam “disposições anti-russas”, prevendo que a pressão de Washington sobre Moscovo aumentará após as eleições nos Estados Unidos, a realizar amanhã.
“Não é por acaso que toda uma série de representantes da élite americana repetem, nos últimos tempos, que “a Ucrânia será a seguinte”. Repetem essas palavras como uma fórmula mágica”, sublinhou o analista russo.
“Enquanto na Ucrânia um presidente anti-russo (Victor Iuschenko) continuar no poder e, segundo a Constituição, ele ocupará o cargo durante mais um ano, a probabilidade de provocação de um conflito com a Rússia será alta”, acrescentou.
A lógica da crise financeira, segundo Mintchenko, empurrará a élite norte-americana para a “provocação de conflitos militares”.
“A América conseguiu sair da crise do capitalismo mundial devido à Segunda Guerra Mundial, que permitiu o crescimento da economia america. E, hoje, nas disposições da élite americana está presente a tentação de resolver os seus problemas internos à custa de um conflito externo”, considerou Mintchenko.
O analista considera que esse cenário será muito mais provável se o Presidente dos Estados Unidos for eleito John MacCain, acrescentando que “se Obama vencer, é mais provável que irá criticar a Rússia apenas no campo da política interna: violação de direitos humanos na Rússia e respeito pela liberdade de expressão”.
Caso MacCain vença, Mintchenko considera que a política externa norte-americana visará “criar um cordão sanitário em torno da Rússia”.

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA QUER MANDAR DANTAS PARA A CADEIA

Conversa Afiada - 03/11/2008 19:17



PGR acha – como muita gente – que
Gilmar Mendes deu HC sem poder


Leia a seguir notícia do sempre bem informado Teletime:


HC DE DANTAS

STF JULGA NA QUINTA, DIA 6. PROCURADORIA É CONTRA

Segunda-feira, 3 de novembro de 2008, 17h36

O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá julgar nessa quinta-feira, 6, o habeas corpus (HC) que libertou o banqueiro Daniel Dantas e os demais presos na Operação Satiagraha da Polícia Federal. O julgamento do mérito do pedido está agendado para as 14h. Por enquanto, a liberdade de Dantas e dos demais beneficiários do HC é precária, estando garantida apenas por uma liminar concedida pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.

A análise do caso deve ser conturbada já que existem posições contrárias à liminar concedida por Mendes. A Procuradoria Geral da República (PGR), por exemplo, sustenta que a liberdade do banqueiro não poderia ter sido concedida pelo presidente do Supremo. Em seu relatório sobre o caso, a PGR pede ao STF que "reconheça, diante do decreto de prisão temporária, que o Exmo. Sr. Presidente, Ministro Gilmar Mendes, não poderia apreciá-lo diretamente".

A interpretação da procuradoria é que o presidente do Supremo não poderia ter dado esse tipo de liminar porque o objeto inicial do HC não era a liberdade dos acusados - em princípio, o documento pedia a garantia de acesso aos autos. Outro ponto considerado irregular é o fato de que a decisão "viola a ordem dos processos nos tribunais" ao suprimir instâncias. A decisão de libertar os presos da Satiagraha foi tomada sem que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisassem o caso.

Com isso, a PGR pede que "não seja referendada a revogação da prisão preventiva de Daniel V. Dantas, fato posterior e que não se insere diretamente no âmbito da competência dessa Suprema Corte, uma vez que também neste caso há supressão de instâncias e ofensa". Uma alternativa dada pela procuradoria para resolver o problema da concessão da liberdade ao sócio do Banco Opportunity é a exclusão deste pedido do processo sob análise do STF (HC 95009) e deixar que o TRF julgue o caso primeiro, "que é o órgão competente para tal fim".

O único item em que a procuradoria concorda com a decisão tomada pelo Supremo é abertura dos autos para os investigados e advogados, pedido inicial do HC. Com relação ao acesso às informações da investigação, o TRF e o STJ negaram a liminar, mais tarde concedida pelo STF.

Ausência

O julgamento não deverá contar com a presença do ministro Joaquim Barbosa. O magistrado chegou nesta segunda em Washington para participar de um evento sobre eleições. A viagem foi a convite da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais, segundo informações do TSE. Barbosa, que é vice-presidente do tribunal eleitoral, deve permanecer nos EUA até o dia 8, próximo sábado.

A ausência do ministro deve agradar os advogados de Dantas. Isso porque o advogado Nélio Machado entrou com um pedido de suspeição de Barbosa para impedi-lo de julgar o mérito do HC 95009 no STF. O pedido ainda não foi julgado e está sob análise da PGR. Machado usa como argumento para a suspeição um bate-boca entre Barbosa e o ministro Eros Grau, relator do HC. Na discussão, segundo o advogado de Dantas, Barbosa teria demonstrado já ter uma posição pré-estabelecida contrária ao seu cliente. A briga ocorreu no Plenário do STF quando os ministros julgavam a libertação dos presos na Satiagraha.

Pedido arquivado

Outro caso envolvendo Dantas foi arquivado na semana passada. O ministro Eros Grau pediu o arquivamento do HC 96580, que pedia a suspensão da sessão realizada no dia 22 de outubro pelo juiz Fausto De Sanctis na 6ª Vara Criminal de São Paulo. Na sessão, De Sanctis colheu o depoimento de Dantas e outros envolvidos nas investigações da Satiagraha, como Hugo Chicaroni e Humberto Braz. O foco da sessão era a tentativa de suborno de um delegado federal, supostamente para retirar Dantas das investigações da Polícia Federal e incluir o empresário Luis Roberto Demarco, inimigo declarado do dono do Opportunity.

No HC, Nélio Machado argumentava que De Sanctis não poderia julgar a tentativa de suborno, já que sua instância cuida de crimes contra o sistema financeiro. Seguindo este raciocínio, o advogado pedia ainda a anulação da ação penal conduzida pelo juiz. O entendimento de Machado é que, como se tratava de uma "flagrante ilegalidade", a supressão de instâncias era permitida e o STF poderia julgar o caso antes da decisão de mérito nos outros tribunais.

O ministro Eros Grau, no entanto, não viu essas ilegalidades e decidiu arquivar o pedido. Com a decisão, o Supremo só poderá voltar a analisar este caso se houver um recurso contra a decisão do STJ sobre este processo. O STJ negou a liminar solicitada neste HC, mas não o arquivou. Ou seja, irá julgar o mérito do pedido e se a ação penal deve ou não ser anulada. O TRF não se pronunciou neste caso.

Mariana Mazza
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ARTIGO DE FHC E RICARDO SÉRGIO: AUTOCRÍTICA TARDIA

Conversa Afiada - 03/11/2008 11:55



Ricardo Sérgio, aquele do “isso vai dar m...”. O FHC vai ter que perguntar ao Serra

O Conversa Afiada recebeu e-mail de um leitor que não tinha mais o que fazer no domingo e leu o artigo de Fernando Henrique Cardoso, o Farol de Alexandria, aquele que iluminava a Antiguidade e foi destruído num terremoto.

Acompanhe as reflexões do leitor amigo:

Neste domingo, (02 de novembro de 2008), "O Globo" trouxe um artigo de FHC -- "Eleições e Crise - Diante da gravidade, oposições e governo devem agir responsavelmente".

(Clique aqui para ler)

Pensei cá comigo: o dever de qualquer oposição ou de qualquer governo é agir de forma responsável. Isso quer dizer que o antigo Farol está se transformando numa espécie de conselheiro Acácio, profeta do óbvio.

Mas, a coisa deve ser mais complicada, porque, no Congresso, a oposição vota contra e tenta obstruir toda e qualquer iniciativa do governo para enfrentar a crise financeira internacional. Até as mais óbvias, aquelas que já foram adotadas pelos Estados Unidos e pela Europa.

Outra forma de encarar o artigo de FHC é que, talvez, ele contenha uma autocrítica tardia, afinal foi ele quem recebeu o telefonema de Ricardo Sérgio avisando que a privatização das teles estava sendo feita no limite da irresponsabilidade.
Talvez o Paulo Henrique Amorim possa esclarecer minhas dúvidas.


Em tempo: o Paulo Henrique Amorim informa que não pode esclarecer essa dúvida. Se bem conhece FHC, ele será capaz de dizer que nunca ouviu falar em Ricardo Sergio de Oliveira. E vai ter que consultar o Serra. Em matéria de dinheiro, o FHC sempre consulta o Serra ...

Em tempo 2: em nome da verdade histórica, quem recebeu o telefonema memorável, aquele do “isso vai dar m...”, foi o Luiz Carlos Mendonça de Barros, que o Farol teve que demitir, mas foi imediatamente contratado para ser colonista (*) da Folha (da Tarde**).