"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sexta-feira, julho 17, 2009

Você sabia?

Blog do Luis Nassif - 15/07/09

Da Folha

VALDO CRUZ

Você sabia?

BRASÍLIA - Você sabia que todo funcionário terceirizado do Senado tem de registrar presença diária num moderno sistema de controle de ponto acionado por digitais? E que os servidores contratados, com estabilidade e salários bem mais elevados, não têm de passar por esse tipo de controle?

Você sabia que, depois da crise no Senado, está faltando vaga na garagem da Casa porque servidores que não apareciam decidiram dar o ar da graça? E que alguns ficam ali, aguardando uma vaguinha, até por uma hora, sem fazer nada?

Você sabia que há TVs de LCD espalhadas pelo Senado com pouca serventia? Uma delas instalada no canto de um corredor, onde ninguém para. Você, com certeza, gostaria de saber o autor da ideia genial de fazer essas comprinhas.

Você sabia que há registro de um servidor, num determinado mês, ter recebido contracheque somando R$ 80 mil? E que muita gente costuma receber contracheques extras sem saber o motivo?

Etc. etc clique aqui para a íntegra

Comentário

Voce sabia…

… que os jornalistas políticos de Brasília convivem diariamente com congressistas e funcionários?

… que as informações que hoje são divulgadas são de conhecimento do jornalismo político de Brasilia, e do Valdo Cruz, há anos?

… que, embora conhecidas, as bandalheiras não eram divulgadas porque não interessava naquele momentos aos jornais?

… que não se viu, até agora, nenhum jornal divulgar mordomias de jornalistas no Senado?

… que se apurar as responsabilidades desse período, as maiores falcatruas recairão sobre a Primeira Secretaria, dominada pelo DEM?

… que, pelo fato da intenção dos jornais ser derrubar Sarney - e não moralizar os costumes - nenhum jornal fez qualquer referência ao epicentro do escândalo, a Primeira Secretaria?

… que a hipocrisia é uma arma recorrente na cobertura jornalística?

O que acontece em Xinjiang?

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 15 de julho de 2009 às 06:27

por Domenico Losurdo*

Tradução de Jaime Clasen

Lembram-se do que acontecia nos anos da guerra fria e, sobretudo, na sua fase final? A imprensa ocidental nunca se cansava de noticiar o tema dos fugitivos da ditadura comunista em busca da conquista da liberdade. Na segunda metade da década de 1970, depois da derrota que sofreram o governo fantoche de Saigon e as forças de ocupação estadunidenses, o Vietnã finalmente reunificado era pintado como uma enorme prisão, da qual fugia o boat people desesperado, junto com sua fortuna e arriscando a vida. E com as variações de caso a caso, esse tema era repetido a propósito de Cuba, da República Democrática Alemã e de qualquer outro país excomungado pelo “mundo livre”.

Hoje, todos podem ver que das regiões orientais da Alemanha, da Polônia, Romênia, Albânia etc., apesar da 'liberdade' finalmente conquistada, o fluxo migratório para o Ocidente continua e até se acentua.

Só que esses migrantes não são mais recebidos como combatentes pela causa da liberdade, mas são muitas vezes rejeitados como delinquentes, pelo menos potenciais. As modalidades da grande manipulação agora se tornaram claras e evidentes: a fuga do sul para o norte do planeta, da área menos desenvolvida (em cujo âmbito era colocado também o “campo socialista”) para a área mais desenvolvida e mais rica, esse processo econômico foi transfigurado pelos ideólogos da Guerra Fria como uma empresa política e moral épica, exclusivamente inspirada pelo sublime desejo de chegar à terra prometida, ou seja, o “mundo livre”.

Uma manipulação análoga está ocorrendo debaixo de nossos olhos, na China. Como explicar os graves incidentes que se verificaram em março de 2008 no Tibete e que, em escala mais ampla, nesses dias, estão se espalhando pelo Xinjiang? No Ocidente, a “grande” imprensa de “informação”, mas também a “pequena” imprensa de “esquerda” não têm dúvidas: tudo se explica com a política liberticida do governo de Pequim.

No entanto, deveria fazer refletir o fato de que, mais do que instituições estatais, a fúria dos manifestantes tem como alvo a etnia han e, sobretudo, os negócios dos han.

Em qualquer livro de história se pode ler que, no Sudeste asiático (Indonésia, Tailândia, Malásia) a minoria chinesa, que muitas vezes graças também à cultura empreendedora que tem por trás, tem um peso econômico nitidamente superior à sua dimensão demográfica, é regularmente “o bode expiatório e a vítima de verdadeiros progrom”.

Sim, no Sudeste asiático “o êxito econômico dos Hua quiao [os chineses de ultramar] é acompanhado de ciúmes que desembocam regularmente em explosões de violência antichinesa, que às vezes acabam perturbando as relações diplomáticas. Foi, em particular, o caso da Malásia durante a década de 1960, da Indonésia em 1965, quando as desordens internas foram o pretexto para o massacre de diversas centenas de milhares de pessoas. Trinta anos mais tarde, as revoltas que caracterizaram na Indonésia a queda do ditador Suharto e que golpearam sistematicamente a comunidade chinesa, chamaram de novo a atenção para a fragilidade da situação”.

Não por acaso, o ódio antichinês foi muitas vezes comparado ao ódio antijudeu. Com o extraordinário desenvolvimento que estão conhecendo o Tibete e o Xinjiang, também nestas regiões tendem a se reproduzir os progrom contra os han, que são atraídos pelas novas oportunidades econômicas e que frequentemente veem os seus esforços coroados de sucesso.

O Tibete e o Xinjiang atraem os han do mesmo modo que Pequim, Xangai e as cidades mais avançadas da China atraem os empresários e os técnicos ocidentais (ou chineses de ultramar), que muitas vezes desempenham um papel importante em setores onde podem ainda fazer valer a sua especialização superior.

Não tem sentido explicar os graves incidentes no Tibete e no Xinjiang com a teoria da “invasão” han, uma teoria que certamente não funciona para o Sudeste asiático. Por outro lado, também na Itália e no Ocidente, a luta contra a “invasão” é o cavalo de batalha dos xenófobos.

Mas nos concentremos no Xinjiang. Em 1999, a situação vigente nessa região foi descrita pelo general italiano Fábio Mini na revista “Limes” da seguinte maneira: está em curso um extraordinário desenvolvimento, e o governo central chinês está comprometido em “financiar, com retorno quase zero, imensas obras de infraestrutura”. Pelo que parece, o desenvolvimento econômico anda junto com o respeito pela autonomia: “A polícia local é composta em sua grande maioria de uigures”. Apesar disso, não falta a agitação separatista, “parcialmente financiada por extremistas islâmicos, como os talibãs afegãos”. Trata-se de um movimento que “se mistura com a delinquência comum” e que está manchada de "terror". Os atentados parecem visar em primeiro lugar os “uigures tolerantes ou ‘colaboracionistas’” ou os “postos policiais”, controlados, como vimos, pelos uigures.

Em todo caso – concluía o general, que não escondia as suas simpatias geopolíticas pelos separatistas – “se os habitantes do Xinjiang fossem chamados hoje a um referendo sobre a independência, provavelmente votariam em maioria contra”. E hoje?

Na “Stampa”, Francisco Sisci relata de Pequim que “muitos han de Urumqi se lamentam pelos privilégios de que gozam os uigures. Estes, de fato, como minoria nacional muçulmana, têm condições de trabalho e de vida muito melhores do que seus colegas han. Um uigur no trabalho tem a permissão de parar mais vezes durante a jornada para cumprir com as cinco orações muçulmanas tradicionais do dia [...] Além disso, podem não trabalhar nas sextas-feiras, dia santo para os muçulmanos. Em teoria, deveriam compensar no domingo. Na verdade, nos domingos as delegacias estão desertas [...] Outro ponto crítico para os han, submetidos à dura política de controle familiar que ainda impõe o filho único, o fato é que os uigures podem ter dois ou três filhos. Como muçulmanos, portanto, têm salário maior, em virtude de que, não podendo comer carne de porco, devem comprar carne de ovelha, que é mais cara”.

Não tem sentido portanto, como faz a propaganda filo-imperialista, acusar o governo de Pequim de querer apagar a identidade nacional e religiosa dos uigures.

Naturalmente, junto com o perigo representado pelas minorias, por um lado, envenenadas, em certos setores, pelo fundamentalismo e, por outro lado, incitadas pelo Ocidente, é preciso ter presente o perigo do chauvinismo han, que também nesses dias se faz sentir; e é um problema para o qual o Partido Comunista Chinês sempre chamou a atenção, desde Mao Tse-dung até Ju Jintao.

Os que, à esquerda, sintam-se tentados a transfigurar o separatismo dos uigures, fariam bem em ler a entrevista publicada, algumas semanas antes dos últimos acontecimentos, por Rebiya Kadeer, a líder do movimento separatista uigur. Do seu exílio estadunidense, falando com uma jornalista italiana, a referida senhora assim se exprime: “Veja, você gesticula como eu, tem a mesma pele branca; você é indoeuropeia, gostaria de ser oprimida por um comunista de pele amarela?”

Como se vê, o argumento decisivo não é condenar a “invasão” han, nem sequer o anticomunismo. É preciso condenar, isso sim, a mitologia ariana ou “indoeuropeia” – que se manifesta no discurso dos separatistas uigur que repudiam os bárbaros de “pele amarela”.

O original, em italiano, está em http://domenicolosurdoblogxingjiang.blogspot.com/2009/07/che-succede-nello-xinjiang.html

Em português, em Editora Revan: http://www.revan.com.br/ang.htm

quinta-feira, julho 16, 2009

Ampliação da GM no RS vai abrir até 2 mil vagas. Sindicato esperava mais

Instituto Humanitas Unisinos - 15/07/09

Deve ficar abaixo da expectativa dos sindicalistas a geração de empregos diretos a partir da ampliação da fábrica da General Motors (GM) em Gravataí. Serão abertos até 2 mil novos postos de trabalho na fábrica e nos sistemistas (fornecedores de autopeças e componentes instalados na mesma área), segundo fonte da empresa. A projeção do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí era de 4 mil a 5 mil vagas.

A reportagem é do jornal Zero Hora, 14-07-2009.

Oprojeto da GM prevê investimento de US$ 1 bilhão para produzir pelo menos 130 mil unidades de dois novos modelos de veí-culos populares. Os detalhes serão conhecidos na cerimônia marcada para as 15h30min de hoje, dia 15-07-2009, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. A apresentação ocorrerá depois da oficialização do investimento para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, pela manhã.

A unidade, que atualmente conta com capacidade de 250 mil automóveis por ano entre os modelos Celta e Prisma, soma cerca de 5 mil funcionários em todo o complexo automotivo. De acordo com o sindicato, pelo menos 2,6 mil seriam da própria GM, e o restante dos sistemistas e empresas que prestam serviços terceirizados como limpeza e segurança. De acordo com a mesma fonte ligada à companhia, o cálculo dos sindicalistas é exagerado pela necessidade cada vez maior de a indústria automobilística buscar eficiência e produzir com custos reduzidos.

Número de funcionários passou de 3,5 mil para 5 mil em 2006

O diretor do Departamento Jurídico do sindicato, Valcir Ascari, diz que, como os novos modelos serão produzidos sobre uma outra plataforma, os mesmos metalúrgicos não poderiam ser aproveitados nas diferentes linhas. Os sistemistas também teriam de recorrer a ampliações significativas para atender a nova demanda.

– Toda vez que a GM aumenta um pouco a produção, eles (os sistemistas) já têm de recorrer ao terceiro turno – diz Ascari.

O superintendente do Instituto Gaúcho de Estudos Automotivos (Igea), Paulo Fernando Ely, também acreditava na criação de até 5 mil empregos com a ampliação da GM. Conforme Ely, a estimativa era baseada em projeções de executivos do segmento. De qualquer forma, afirma Ely, para cada emprego direto criado na montadora e nos sistemistas outros cinco são abertos em fornecedores de peças, sistemas e serviços.

– Só um limpador de para-brisa tem 200 peças – observa Ely, referindo-se ao efeito multiplicador de empregos na cadeia.

Em 2006, quando a unidade em Gravataí foi duplicada, passando para 250 mil veículos por ano, o número de empregos no complexo subiu de 3,5 mil para 5 mil.

Choque nos EUA pelo massacre de dois mil talibãs

Instituto Humanitas Unisinos - 15/07/09

Dois mil prisioneiros talibãs foram mortos e sepultados em valas comuns em 2001 pelos homens de um senhor da guerra financiado pelos EUA. Bush e Cheney esconderam tudo. Barack Obama anunciou a abertura de uma investigação sobre o episódio.

A reportagem é de Alberto Flores D'Arcais, publicada no jornal La Repubblica, 14-07-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em novembro de 2001, poucos dias depois da conquista de Kabul, mais de mil prisioneiros talibãs foram mortos pelos homens de Abdul Rashid Dostum, senhor da guerra financiado pelos norte-americanos.

É uma das páginas mais sombrias da guerra no Afeganistão, e Barack Obama decidiu que chegou o momento de iluminar totalmente essa história. Foi o próprio presidente que anunciou a decisão, durante uma entrevista para a CNN gravada em Gana e exibida nesta segunda-feira: "Fui informado de que não se investigou como deveria ter sido. Por isso, pedi à minha equipe de segurança nacional que reúna todos os fatos. Quando os conheçamos, tomaremos uma decisão sobre como enfrentar o caso".

Não se sabe o número exato dos mortos, seguramente mais de mil, mas também poderiam ser 1.500 ou dois mil. Foram presos. Foram fechados em áreas militares sigilosas por dois dias. Muitos deles morreram sufocados, centenas foram mortos com armas de fogo, alguns com armas brancas. Dostum deu a ordem de enterrá-los em valas comuns, os corpos empilhados usando uma retroescavadeira.

Em 2002, funcionários das Nações Unidas haviam descoberto algumas dessas valas no norte do país próximo a Shibergan, cidade natal e quartel general de Dostum. A ONU havia aberto uma investigação, e norte-americanos também havia começado a questionar. Agentes especializados do FBI haviam chegado ao local, além de homens do Departamento de Estado, médicos da Cruz Vermelha. Mas a Casa Branca de Bush desencorajou abertamente essas investigações. A imagem do novo Afeganistão "livre e democrático" sairia enfraquecida. E as investigações, afirma hoje a Casa Branca, "foram insuficientes".

"Acredito que as nações têm responsabilidades, também em tempos de guerra. Se apoiamos violações das leis de guerra com a nossa conduta, penso que devemos ficar sabendo". Os soldados dos EUA estão empenhados em uma grande ofensiva contra o Talibã, e Obama, que quis essa ofensiva, quer esclarecer que, desta vez, os marines e as outras repartições norte-americanas combaterão uma guerra correta. Não foram eles que cometeram o massacre de 2001, mas Dostum era "pago pela CIA" (escreve o New York Times), e os outros norte-americanos não podiam não saber do que havia ocorrido. Também o agora comandante das tropas norte-americanas, o general Tommy Franks, era a favor de uma investigação, mas encontrou um obstáculo nos políticos da administração Bush.

Obama, na realidade, gostaria de "olhar para frente", evitar processos sobre a administração anterior, mas agora é mais difícil. Na imprensa norte-americana, continuam as revelações sobre o plano "top secret" da CIA, que o Congresso vinha mantendo escondido por "ordem" do ex-vice-presidente Dick Cheney, plano que o novo diretor da Central Intelligence Agency, Leon Panetta, anulou no dia 23 de junho.

Segundo o Wall Street Journal, o programa teria autorizado os agentes da CIA a assassinar os líderes da Al Qaeda em operações endereçadas, de um só agente infiltrado, de um assassino pago. A lei americana proíbe o uso do assassinato político, mas, na interpretação da Casa Branca de Bush – que havia declarado guerra aos terroristas da Al Qaeda – o assassinato de Bin Laden

Porém, Bush e os seus também se davam conta de que, se esse projeto se tornasse público, criaria muitos problemas legais para a Casa Branca e a CIA, por isso a ordem aos chefes da Central Intelligence Agency que não informassem o Congresso. Na realidade, o programa nunca foi executivo, permanecendo no estágio de projeto. Só o fato de que tenha existido desencadeou porém uma batalha política, com os liberais democratas na primeira linha da busca pelo acerto de contas com a administração passada, e os moderados que gostariam de evitar o choque frontal com os republicanos.

Do quartel general de Langley, os homens da CIA têm as bocas lacradas. "No comment" é a resposta seca do porta-voz George Little. Os únicos que falaram foram os agentes "anônimos", que conversaram com o Wall Street Journal: "Parecia uma cena de filme. Era tipo: matemos todos". e dos seus oficiais não teria feito parte dessa casuística, e o próprio Bush havia dito "prenderemos Osama vivo ou morto".

As fontes de crescimento da agricultura

Instituto Humanitas Unisinos - 15/07/09

"No período de 1975 a 2008, a taxa de crescimento do produto agropecuário foi de 3,68% ao ano (a.a.), um desempenho robusto diante das dificuldades enfrentadas. Mais importante é que "no período mais recente, 2000 a 2008, o crescimento foi ainda maior - 5,59% como média anual", o que indica que o dinamismo do setor não arrefeceu", constata Antônio Márcio Buainain, professor do Instituto de Economia da Unicamp, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 14-07-2009.

Eis o artigo.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) acaba de divulgar a atualização do estudo Fontes e Crescimento da Agricultura Brasileira (José Garcia Gasques, Eliana Teles Bastos e Mirian R. P. Bacchi - Mapa, julho de 2009), cujos resultados confirmam mais uma vez que "o aumento da produtividade tem sido o principal fator impulsionando o crescimento da agricultura brasileira".

No período de 1975 a 2008, a taxa de crescimento do produto agropecuário foi de 3,68% ao ano (a.a.), um desempenho robusto diante das dificuldades enfrentadas. Mais importante é que "no período mais recente, 2000 a 2008, o crescimento foi ainda maior - 5,59% como média anual", o que indica que o dinamismo do setor não arrefeceu.

Esse resultado é mais visível - e impressionante - se traduzido em quantidades de alguns produtos: em 1975 produziam-se, em 1 hectare, 10,8 quilos de carcaça de carne bovina; hoje são 38,6 quilos. Nesse mesmo período de 33 anos, a área de pastagem passou de 165 para 171 milhões de hectares, uma expansão insignificante - o que no caso é altamente positivo - de apenas 3,6%; a produção de leite por hectare multiplicou-se por 3,6, e a de carne de aves saltou de apenas 372,7 mil toneladas, em 1975, para 10,18 milhões, em 2008.

É preciso qualificar o crescimento, pois, mesmo desejável, uma taxa elevada não pode ser considerada virtuosa se está baseada na depredação de recursos naturais e na superexploração da força de trabalho. Esse seria um crescimento espúrio insustentável e cada vez mais inaceitável. Não é o caso da agricultura brasileira, cujo dinamismo e expansão estão baseados no uso cada vez mais eficiente dos recursos disponíveis.

A Nota Técnica do Mapa estima a Produtividade Total dos Fatores (PTF) - melhor indicador do uso dos recursos na agricultura -, as produtividades de cada fator e as fontes de crescimento. No período 1975-2008 a PTF cresceu 3,68% ao ano, enquanto a taxa de crescimento dos insumos foi praticamente nula (0,01%). "Conclui-se, portanto, que o crescimento da agricultura tem sido estimulado quase exclusivamente pelos acréscimos de produtividade", dizem os autores. A utilização de mão de obra diminuiu, a área cresceu apenas marginalmente (0,12% a.a.) e o capital foi o fator que mais cresceu (0,3% a.a.), o que significa que "a agricultura vem se expandindo com menor uso de trabalho, com área praticamente constante e com maior tendência de aumento no uso de capital sob a forma de máquinas e fertilizantes", o que é positivo. Deve-se destacar que, na década atual, a PTF cresceu 4,98%, mais do que a média do período todo, confirmando a importância ainda maior da inovação para o crescimento do setor.

Segundo o estudo, a Produtividade do Fator Trabalho (PFT) foi a de crescimento mais elevado no período (4,09% a.a.), seguida da produtividade da terra (3,55% a.a.) e do capital (3,37% a.a.), donde "se concluiu que o aumento da PTF está ocorrendo especialmente pelo crescimento da produtividade do trabalho". No passado, esse resultado foi decorrente da mecanização impulsionada por créditos subsidiados, que provocou uma migração massiva e acelerada dos trabalhadores rurais, com todas as distorções sociais associadas. Os cuidadosos autores fizeram a decomposição das fontes do crescimento da PFT e concluíram que "a quase totalidade do aumento da produtividade do trabalho se deve ao aumento da produtividade da terra, e não à mecanização". A produtividade da terra, como se sabe, está mais associada às inovações de natureza biológica, no nível de qualificação do recurso humano, e à gestão.

A comparação com outros países revela que o crescimento da PTF no Brasil foi o mais elevado (4,98%, entre 2000 e 2008). Na China o crescimento foi de 3,2% entre 2000 e 2006. Nos EUA, de 1,95% entre 1975 e 2006. Na Argentina, que conta com excepcionais recursos naturais, a PTF cresceu 1,84% entre 1960 e 2000.

Esses resultados contribuem para desmistificar a imagem de predadora que equivocadamente se atribui à agricultura. Em 20 anos a produção de lavouras temporárias, permanentes e de carnes incorporou apenas 25 milhões de hectares e o crescimento se baseou quase exclusivamente no uso mais eficiente dos recursos que se traduzem em ganhos de produtividade. Os problemas existem, são localizados e devem ser enfrentados com absoluta energia e seriedade pelos governos e produtores, que são os responsáveis pelo crescimento da PTF e pela preservação dos resultados.

A grande jogada da China na AL

Instituto Humanitas Unisinos - 15/07/09

Praticamente invisível na América Latina uma década atrás, a China hoje está fabricando carros no Uruguai, doando um estádio de futebol para a Costa Rica e emprestando US$ 10 bilhões à maior empresa brasileira de petróleo. O país superou os Estados Unidos e se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, a economia mais volumosa da América do Sul. A China avançou com agressividade para preencher um vácuo deixado pelos EUA nos últimos anos conforme americanos se concentravam nas guerras do Afeganistão e Iraque, ao que se somou a crise econômica.

A reportagem é de Tyler Bridges e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 15-07-2009.

"A China está em ascensão na América Latina, enquanto os EUA estão em declínio", disse Riordan Roett, professor de relações internacionais da Universidade Johns Hopkins, em entrevista por telefone durante sua estadia em São Paulo. "A China se faz sentir em toda a região. Estão seguindo uma política governamental de expansão da sua presença pacífica."

A China está incrementando suas embaixadas em toda a América Latina, abrindo centros de confucionismo para expandir sua cultura, enviando delegações comerciais altamente graduadas para toda a região e abrindo as portas para que os chineses comuns visitem Machu Picchu, o Rio, e outros destinos turísticos.

Aiping Yuan veio de Pequim para o Rio em 1997 em busca de diversão, mas se apaixonou pela cidade e decidiu ficar. Estudou português e, quando o presidente Luiz Inácio Lula da SilvaPetrobrás e da Vale. Ambas as empresas mantêm relações comerciais cada vez mais intensas com a China. "O chinês é o idioma do futuro para o Brasil." fez sua primeira visita à China em 2004, abriu uma pequena escola para ensinar mandarim. Ela começou com 6 alunos e hoje tem mais de 300, entre eles, executivos da

A China estabeleceu uma aliança estratégica com o Brasil que permitiu aos dois países firmar uma parceria com Índia e Rússia no chamado Brics, que exige um maior peso nas questões políticas e econômicas globais. De fato, China tem avançado nas suas relações com países em desenvolvimento de todo o mundo. O principal interesse de Pequim na América Latina foi garantir seu acesso às matérias-primas - especialmente o petróleo, minério de ferro, soja e cobre - para abastecer o seu acelerado crescimento contínuo. Para muitos países, há um aspecto negativo no comércio com a China, por meio do qual as importações baratas substituem produtos locais.

O papel cada vez maior desempenhado pela China alarmou o governo americano. Mas a China tem sido cautelosa em não estabelecer uma presença militar na região, que levaria a um antagonismo com Washington. Os EUA consideram a América Latina como parte da sua esfera de influência desde a Doutrina Monroe, de 1823.

A China "trata Hugo Chávez da mesma maneira que trata Álvaro Uribe e Lula", disse Alexandre Barbosa, consultor da firma Prospectiva, com sede em São Paulo, referindo-se aos presidentes da Venezuela, Colômbia e Brasil. "O interesse dos chineses está nos negócios." E como é voraz esse interesse. O comércio entre América Latina e China saltou de US$ 10 bilhões em 2000 para US$ 140 bilhões em 2008. A China compra zinco do Peru, cobre do Chile e minério de ferro do Brasil. O país exporta equipamentos eletrônicos para o Brasil, ônibus para Cuba, roupas para o México e carros para o Peru.

O presidente do Peru, Alan Garcia, tenta posicionar seu país enquanto grande centro comercial para a China na América do Sul. Ele espera se valer não apenas dos portos peruanos, localizados no centro do continente, como também da história que os dois países têm em comum: milhares de chineses imigraram para o Peru no século XIXe início do século XX para trabalhar nos serviços manuais. Esses imigrantes deixaram como legado os chamados restaurantes "chifa", que oferecem comida chinesa por todo o Peru. Hoje, a China demonstra grande apetite pelos abundantes minerais peruanos.

Duas empresas chinesas estão desenvolvendo grandes projetos de mineração no Peru enquanto empresas de outros países estão suspendendo ou cancelando obras, disse John Youle, presidente executivo da ConsultAndes, de Lima.

Entretanto, a China tem investido em geral pouco dinheiro na América Latina. Isso suscitou críticas de que o país estaria apenas se aproveitando dos fartos recursos minerais da região. Apesar de a China ter se tornado uma participante importante ao longo da última década, o volume do comércio ainda é pequeno se comparado ao estabelecido entre EUA e América Latina.

Além do comércio, a China está rivalizando com o Banco Mundial e o Banco de Desenvolvimento Interamericano enquanto grande credora da América Latina, numa época em que a China dispõe de muito dinheiro e grande número de empresas não consegue acesso aos empréstimos.

A Petrobrás está tomando um empréstimo de US$ 10 bilhões, que será pago com a exportação de 150 mil barris de petróleo por dia este ano e 200 mil barris por dia nos próximos 9 anos. O Equador está emprestando US$ 1 bilhão da China para financiar investimentos na sua estatal de petróleo e mais US$ 1,7 bilhão para construir a maior represa e usina hidrelétrica do país. A Venezuela está comprando da China plataformas perfuradoras de alta tecnologia para a extração de petróleo e enviando ao país cerca de 380 mil barris por dia enquanto Chávez diversifica a exportação, hoje centrada nos EUA.

Mas nem todos na América Latina dão as boas vindas aos chineses. Empresas chinesas estão atraindo os fregueses de empresas mexicanas que exportavam roupas para os EUA. Os peruanos tentaram bloquear a expansão de um projeto chinês de mineração perto da fronteira com o Equador. A China enfureceu empresas brasileiras ao substituí-las enquanto maior exportadora de têxteis e roupas para a Argentina.

Mas seja como parceira amigável ou concorrente implacável, a expansão contínua da China na América Latina parece inevitável.

China lança desafio à liderança da moeda norte-americana

Instituto Humanitas Unisinos - 15/07/09

O dólar continua sendo a única moeda verdadeiramente universal, mas há quem queira uma mudança na nova ordem econômica. Como fez Pequim no G8.

A reportagem é de Federico Rampini, publicada no jornal La Repubblica, 14-07-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A China terá sucesso onde a Europa falhou, isto é, no redimensionamento da hegemonia monetária dos Estados Unidos? "O dólar é a nossa moeda, mas o problema é de vocês". Essa frase foi pronunciada em 1971 por John Connally, secretário do Tesouro dos EUA, quando o governo Nixon decidiu separar o dólar da paridade com o ouro e precipitou o mundo em uma década de hiperinflação, taxas nas alturas e tempestades financeiras.

É uma frase que nenhum dirigente norte-americano ousa pronunciar hoje, mas que reflete fielmente o dilema em que a China, principal credora dos EUA, se encontra. Em 1971, a Europa era o principal alvo dessa frase arrogante. Quanto mudou, desde então até hoje, a posição de sua majestade, o dólar?

Muito menos do que se podia esperar. O dólar continua sendo a única moeda verdadeiramente universal, pelas duas funções que desenvolve fora dos EUA.

A primeira função é a de meio de pagamento. Grande parte do comércio mundial continua sendo pago em dólares, mesmo quando se trata de petróleo vendido pela Arábia Saudita à Índia, isto é, dois países que, teoricamente, poderiam muito bem decidir regular suas transações bilaterais em rupias indianas ou talvez em euro ou em francos suíços.

Segunda função é a de "depósito de moeda". Dois terços das reservas de valor dos bancos centrais são em dólares. E também uma quantidade relevante da riqueza privada dos europeus, dos asiáticos, dos árabes e dos latino-americanos é investida em dólares. Essa centralidade era perfeitamente lógica em 1944, quando, na conferência de Bretton Woods, foi projetada a ordem econômica internacional em vista do fim da Segunda Guerra Mundial.

A América de Roosevelt tinha, então, uma supremacia absoluta, no campo econômico, político, militar. Abusou dela, pelo menos do ponto de vista monetário, quando começou a imprimir dólares exportando a sua inflação para o resto do mundo: antes, com a Guerra da Coreia, depois com a Guerra do Vietnã. É o que pode acontecer, no futuro, por efeito dos gigantescos déficits públicos acumulados em Washington com as manobras antirrecessão.

A instabilidade monetária aberta em 1971 deu um impulso poderoso ao projeto europeu de criação de uma moeda única: tratava-se sobretudo de proteger o mercado único europeu de choques monetários exógenos. Quando não existia o euro, as flutuações brutais do dólar desestabilizavam também a paridade de câmbio entre o marco alemão, a lira italiana, o franco francês. O euro protegeu o intercâmbio comercial entre os países da União desse choque.

Mas não foi capaz de desafiar o papel do dólar nas trocas com outras áreas do mundo (Ásia, America Latina, África); muito menos no campo financeiro, onde só o dólar continua tendo o status de moeda universal, ao ponto que dois terços dos dólares em circulação são mantidos no exterior. A razão: a dimensão superior dos mercados financeiros norte-americanos e a sua notável liquidez.

Agora, um novo desafio à liderança universal do dólar foi lançado pela China. A proposta chinesa de uma "moeda global" que substitua o dólar como instrumento de reserva, lançada em março pelo G20 em Londres, foi reforçada no G8 de L'Aquila.

A China usa a recessão global para colocar em discussão velhas hierarquias e relações de força. Como os mercados financeiros sabem perfeitamente como a China é importante como adquirente de títulos públicos norte-americanos e, portanto, como é crucial a confiança dos líderes asiáticos no dólar, essa saída contém uma ameaça implícita.

É a primeira vez na história que um presidente norte-americano, ao definir a sua política fiscal, foi obrigado a levar em consideração um "vínculo externo" que está em Pequim, fornecendo promessas à China sobre a solubilidade de longo prazo do Tesouro norte-americano.

A ideia chinesa foi expressada pelo governador do Banco Central, Zhou Xiaochuan. Zhou defende que a recessão mundial atual "reflete vulnerabilidade e riscos sistêmicos no sistema monetário internacional". Em sua opinião, um dos modos para se enfrentar no futuro a repetição de turbulências financeiras graves é a criação de uma moeda de reserva "desligada de nações individuais e capaz de permanecer estável em longo prazo, eliminando assim os defeitos inevitáveis das moedas nacionais".

A substituição do dólar como moeda de reserva é um projeto de longo prazo, para o qual o governador Zhou deu sugestões concretas. Em primeiro lugar, propôs que seja alargada a cesta de moedas que compõem os direitos especiais de saque. A seguir, os Estados deveriam confiar em gestão uma parte das suas reservas de valor ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Criado em 1969 como uma cesta de quatro moedas (hoje são dólar, euro, libra esterlina e yen), os direitos especiais são usados até hoje apenas como unidade de conta e nas operações do FMI. A ideia chinesa de instituir uma moeda global não é nova (Keynes pensou nisso em Bretton Woods, em 1944, depois a ideia foi retomada pelo general Charles De Gaulle e enfim pela Opec), mas muda de sinal porque vem de uma superpotência com o peso da China: seja pelas dimensões de sua economia, seja pelo seu papel de credora de última instância dos EUA.

Agora, a China multiplica os acordos bilaterais com a Índia, Rússia, Brasil, Argentina. Nesse clube, já se abandona o dólar para passar para pagamentos bilaterais com as moedas nacionais.

É natural que isso ocorra. Basta pensar que a China substituiu os EUA como primeiro parceiro econômico do Brasil.

Kirchner. Um ano de mandato, 158% a mais de bens

Instituto Humanitas Unisinos - 15/07/09

Durante o primeiro ano de governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, o patrimônio de sua família cresceu 158%, passando de 17,8 milhões de pesos (US$ 4,7 milhões) para 46 milhões de pesos (US$ 12,1 milhões). A informação foi confirmada pelo Escritório Anticorrupção do Estado argentino, com base na declaração de bens entregue pela presidente em 3 de julho.

A reportagem é de de Janaína Figueiredo e publicada pelo jornal O Globo, 15-07-2009.

De acordo com dados informados pela própria Cristina, no ano passado o casal presidencial vendeu 16 imóveis na província de Santa Cruz, terra natal do ex-presidente Néstor Kirchner, embolsando, no total, cerca de 14,5 milhões de pesos (US$ 3,8 milhões). As operações de venda de terrenos na Patagônia explicam parte do aumento patrimonial do casal K. Segundo informações do Escritório Anticorrupção, Kirchner pagou 132.079 pesos (US$ 34.757) por 20 mil metros quadrados em terrenos, que vendeu por 6,3 milhões de pesos (US$ 1,6 milhão).

A oposição acusa o presidente de ter comprado terrenos públicos a preços muito baixos, graças ao poder que ainda conserva na província governada por ele durante 12 anos antes de assumir a Presidência em 2003. Algumas denúncias foram apresentadas na Justiça local, mas o caso não avança nos tribunais — segundo opositores da Casa Rosada porque os juízes de Santa Cruz temem retaliações do casal presidencial.

No mesmo período, os depósitos bancários de Néstor e Cristina Kirchner mais do que duplicaram, passando de 13,5 milhões de pesos (US$ 3,5 milhões) para 32,1 milhões de pesos (US$ 8,4 milhões). Também no ano passado, o casal K criou duas novas empresas que operam no setor hoteleiro de El Calafate, um dos destinos turísticos mais caros da Argentina.

Nos últimos anos, o casal presidencial argentino foi denunciado por suposto enriquecimento ilícito, mas nenhum dos casos abertos nos tribunais de Buenos Aires prosperou. As investigações sobre o patrimônio de Néstor e Cristina, entre outros motivos, provocaram o afastamento, este ano, do promotor de Investigações Administrativas do Estado argentino, Manuel Garrido, que também fez graves denúncias sobre o enriquecimento de colaboradores do casal K. Entre estes está o ex-secretário de Transportes Ricardo Jaime, que renunciou após a derrota eleitoral sofrida pela Casa Rosada em 28 de junho. Jaime está sendo investigado por enriquecimento ilícito e pela utilização de aviões que pertencem a empresas privadas, beneficiadas pelos subsídios concedidos pela Secretaria de Transportes.

— A presidente não pode se mostrar como a defensora dos pobres num país no qual a distância entre ricos e pobres já supera os tempos do menemismo (governo do ex-presidente Carlos Menem) — disparou o advogado Ricardo Monner Sans, que denunciou o casal presidencial por enriquecimento ilícito.

Durante os quatro anos e meio de governo de Kirchner, o patrimônio do ex-presidente aumentou 30%, graças à compra de oito imóveis, dos quais seis estão localizados em El Calafate. Na cidade famosa por suas geleiras, o casal Kirchner possui o luxuoso hotel Los Sauces, cuja diária custa US$ 837.

A divulgação dos dados sobre o patrimônio presidencial veio à tona na véspera do primeiro encontro entre o governo e a oposição, previsto para hoje à tarde na Casa Rosada. Depois do duro revés eleitoral do mês passado, Cristina decidiu convocar partidos opositores para discutir uma reforma política no país. A convocação não foi aceita por parte da oposição, que disse desconfiar das intenções da presidente. A ex-candidata presidencial e deputada eleita Elisa Carrió, por exemplo, assegurou que reformas devem ser debatidas no Congresso, e não na Casa Rosada.

quarta-feira, julho 15, 2009

Turquemenistão "dá gás" ao Nabucco

darussia.blogspot.com - 13/07/09

O Turquemenistão tem reservas de gás que poderá exportar, anunciou o Presidente turcomeno, Gurbanguli Berdimukhamedov, frisando que o seu país poderá fornecer combustível azul à Europa através do gasoduto Nabucco.
“O Turquemenistão, fiel aos princípios da diversificação da exportação de combustíveis para os mercados mundiais, tenciona utilizar as suas possibilidades para participar em grandes projectos internacionais, como por exemplo o projecto Nabucco”, declarou, numa reunião do Conselho de Ministros do seu país.
Esta declaração foi feita na véspera da assinatura pela Turquia e quatro países da União Europeia (Áustria, Bulgária, Hungria e Roménia) de um acordo sobre a construção do gasoduto Nabucco, pipeline que irá ligar a Ásia Central e a Europa ladeando o território russo.
Até muito recentemente, o Turquemenistão exportava o seu gás através de condutas russas, mas os recentes problemas com Moscovo levaram Ashkhabad a diversificar as vias de transporte do seu combustível. No passado dia 09 de Abril, a Gazprom reduziu fortemente a aquisição de combustível azul ao Turquemistão depois de uma explosão no gasoduto Ásia Central-Ásia, tendo o Governo turcomeno acusado a ,petrolífera russa de ter sido a causadora do acidente.
Além disso, a Gazprom propôs a Achkhabad reduzir a compra de gás turcomeno proporcionalmente à redução das exportações de gás russo para a Europa e rever as fórmulas dos preços.
Esta decisão do Presidente Berdimukhamedov vem dar mais força ao projecto de construção do gasoduto Nabucco, que, embora não liberte a União Europeia da dependência do gás russo, pelo menos conceder-lhe-á uma maior poder de manobra em situações semelhantes à da crise do gás entre Rússia e Ucrânia, no início do ano.
O Nabucco, que terá um comprimento de 3,3 mil quilómetros e irá custar cerca de oito mil milhões de euros, deverá estar pronto em 2014. A Rússia, porém, não desiste da construção do gasoduto South Stream, que deverá transportar gás pelos mares Cáspio e Negro até à Europa. Orçado em 8,5 mil milhões de euros, deverá entrar em funcionamento em 2015.
Antes da decisão tomada pelo Turquemenistão, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considerou o Nabucco um projecto sem perspectivas de rentabilidade. “Antes de investir milhares de milhões de dólares “num tubo” e enterrá-los, é preciso compreender aonde ir buscar o gás para esse tubo”, ironizou Putin a propósito do projecto Nabucco.
“É preciso ter em conta tuas componentes fundamentais. A primeira e principal é garantir os fornecimentos, possuir o produto. A segunda é a rentabilidade económica. No nosso projecto (South Stream) há gás e rentabilidade económica”, continuou.
“No que respeita ao Nabucco, é preciso fazer contas, mas essa questão deve ser feita aos que pretendem participar na realização do projecto”, disse ainda o governante russo.
“Agora, o Turquemenistão, rico em gás, deu uma resposta clara a essa questão”, comenta o jornal electrónico newsru.com.

iFHC: A Sabesp é muito generosa. R$ 5,7 milhões por 9 fotos digitalizadas

Conversa Afiada - 14/julho/2009 10:51

O gerúndio do Serra trabalha para o iFHC

O gerúndio do Serra trabalha para o iFHC

O Conversa Afiada recebeu este –email do amigo navegante Geraldo.

Melhor que a Sabesp, só mesmo o Senador Heráclito Fortes, que contratou a filha do Farol de Alexandria, porque ela precisava de emprego …

Geraldo S. Chaves
Enviado em 14/07/2009 às 10:33

iFHC: R$ 5,7 milhões para exibir 9 fotos digitalizadas, até agora

Em primeira mão no blog “Os amigos do presidente Lula”.

O iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso) conseguiu aprovação do Ministério da Cultura em 2004 (PRONAC n. 045808), para digitalizar o acervo do ex-presidente com incentivos fiscais da Lei Rounet (dinheiro público dos impostos).

Com isso captou R$ 5,7 milhões, em empresas que deixaram de pagar esse valor ao Imposto de Renda (legalmente), incluindo a SABESP.

O valor consumido já é quase 5 vezes maior do que usado pela Fundação José Sarney (PRONAC n. 052866) para fazer o mesmo trabalho.

O projeto de digitalização tem prazo para terminar em dezembro desse ano, tendo sido aprovada a captação desde dezembro de 2004.

O iFHC anuncia um futuro portal do acervo em construção, mas passados 4 anos e meio, a digitalização do acervo de FHC que encontra-se disponível na Internet é apenas 9 fotos (até o momento em que esta nota foi escrita – confira no link aqui, e a tela capturada no dia 13 de julho de 2009).

Repetindo: após 4 anos e meio, apenas 9 fotos digitalizadas estão disponíveis para consulta na Internet.

Faltam meses de seis meses para encerrar o prazo.

Nesse meio tempo o dinheiro do iFHC andou circulando pelo Fundo Opportunity de Daniel Dantas (leia nota anterior aqui).

O PRONAC n. 045808 do Ministério da Cultura aponta os documentos pendentes:

- Informar as metas a serem realizadas
- Informar as metas já realizadas
- Informar o nº de dias necessários para realização das metas

Após 4 anos e meio, sem nem mesmo informar metas A SEREM REALIZADAS, e com APENAS 9 FOTOS DIGITALIADAS na internet, o iFHC já pede nova verba de R$ 7 milhões, em novo projeto, para concluir o trabalho (PRONAC n. 091546).

O valor total chegará a R$ 12,7 milhões, caso o Ministério da Cultura não vete esse adicional de R$ 7 milhões.

Conforme já demonstramos (nesta nota anterior aqui) o valor é 10 vezes maior do que o gasto pela Fundação José Sarney.

http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Pré-sal: o que os tucanos querem tomar na CPI da Petrobrás

Conversa Afiada - 14/julho/2009 12:36

É para isso que eles fizeram a CPI, os senadores virtuosos ...

É para isso que eles fizeram a CPI, os senadores virtuosos ...

Saiu na Folha (*) pág. B1:

Governo confirma estatal para o pré-sal
De Simone Iglesias e Julian Rocha
Nova empresa vai gerenciar exploração nas áreas descobertas e dividir o óleo extraído com as ganhadoras das licitações

Marco regulatório a ser submetido ao Congresso prevê ainda criação de um fundo social com os recursos obtidos no setor de petróleo
Na proposta, há também a criação de um fundo social, sugestão de Lula, e a adoção de sistema de partilha de produção na exploração. Nesse sistema, o óleo extraído será dividido entra a futura estatal e as empresas que forem escolhidas, por meio de licitação, para desenvolver os campos.

No pré-sal, além disso, não será cobrada a participação especial (espécie de tributo) nem haverá divisão dos lucros com os Estados e os municípios -que só deverão ter acesso ao dinheiro do pré-sal por meio do fundo social a ser gerenciado pelo Ministério da Fazenda.
Segundo Lobão, o sistema de partilha valerá só para o petróleo do pré-sal e outras áreas consideradas estratégicas.

A proposta divulgada ontem acabou sendo apresentada nos moldes já previstos pelo presidente. Em agosto de 2008, logo que a comissão interministerial começou a estudar a mudança de marco regulatório, Lula pediu que os lucros do petróleo fossem usados para “eliminar a miséria”.
Por isso, a criação do fundo garantirá recursos para saúde, educação e questões sociais. E poderá ser a forma encontrada pelo governo de perpetuar o Bolsa Família. “Será um fundo trabalhista”, afirmou Lobão.”



Agora é que vai começar a batalha de verdade da CPI da Petrobrás.

O pré-sal é a “zona do agrião”, como dizia o João Saldanha.

O pré-sal – que a Petrobrás descobriu no Governo Lula, viu Miriam ? – vai fazer do Brasil uma potência do petróleo.

Tipo Rússia, Iraque, Venezuela …

Os tucanos queriam, primeiro, que a Petrobrás ficasse inteira, sem que se criasse uma nova estatal.

Por quê ?

Porque era mais fácil vender a Petrobrás inteira, do que duas Petrobrás.

O Zé Pedágio assumia a Presidência e, numa canetada, criava a Petrobrax – uma empresa inteira, única.

E vendia a Petrobrás noutra canetada.

E junto com a Petrobrax iam o pré-sal e todas as reservas estratégicas do Brasil.

Não se perdia tempo com uma nova estatal, só para cuidar do pré-sal.

E para que um “fundo trabalhista”, para acabar com a miséria ?

Nada disso, a ONG da D. Ruth resolve o problema da miséria melhor do que ninguém …

Os tucanos querem vender a Petrobrás no sistema “porteira fechada”, “turn key” – você paga e leva tudo o que está lá dentro.

Fazer o que o Zé Pedágio iria fazer – “iria”, porque nunca será Presidente: vender o Bolsa Família à WalMart, como me disse um político mineiro.

Os tucanos do Senado (como o apoio moral dos DEMOS, esses pilares da moral e da virtude na vida pública (**)) querem concluir a obra do Farol de Alexandria, que achou que tinha quebrado o monopólio da Petrobrás na exploração.

Não conseguiu: a Petrobrás ficou com a parte do leão, porque é competente …

A segunda aspiração dos tucanos é manter no pré-sal o sistema de exploração por “concessão”.

Na concessão, a União concede – dá área ao que vencer a licitação e tem uma parcela dos resultados.

É um regime de exploração em áreas de alto risco.

No pré-sal, a concessão significaria entregar um bilhete premiado a quem recebesse a concessão.

Já se sabe que lá em baixo tem óleo, e muito.

Por isso que o Governo Lula escolheu o regime de “partilha”.

E assim será, daqui em diante, em todas as áreas estratégicas.

O petróleo é da União.

E o Governo explora com um sócio.

E fica com a parte gorda do bilhete premiado.

Para combater a miséria.

Os tucanos (com o apoio sobretudo moral dos DEMOS, esses baluartes da probidade) criaram a CPI da Petrobrás.

Como tentaram impedir que Vargas criasse a Petrobrás.

Os tucanos tiveram apoio decisivo do PiG (***).

Da mesma forma, Assis Chateaubriand, O Globo, Roberto Campos, a UDN, o Estadão – todos eles militaram fervorosamente na campanha para entregar o petróleo brasileiro aos estrangeiros.

Na época, diziam: o Brasil não tem petróleo.

Deixa a Esso explorar.

Hoje, dizem.

O Brasil tem muito petróleo.

Deixa a Exxon explorar.

Essa é uma batalha antiga.

A CPI da Petrobrás é para derrubar o Presidente Lula.

Para desconstruir a Petrobrás.

Para tomar o pré-sal.

Para vender o pré-sal aos que contratam as palestras do Farol e pagam US$ 50 mil (mais o aluguel do jatinho).

Paulo Henrique Amorim

Dantas sumiu com o gado do Serquércia

Conversa Afiada - 14/julho/2009 11:39

Entre Serra e Quércia, o fantasma de Dantas

Entre Serra e Quércia, o fantasma de Dantas

“ Quércia teve gado apreendido pela PF em fazenda de Dantas.

Ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) (e aliado fidelíssimo de Zé Pedágio, a ponto de a expressão ‘Serquércia’ aplicar-se a Serra e a Quércia – PHA) teve um lote de 201 cabeças de gado apreendido em uma fazenda da Agropecuária Santa Bárbara Xingura, ligada ao grupo Opportunity, no interior de São Paulo, durante a operação Satiagraha, em julho de 2008… Para a Polícia Federal, a Santa Bárbara Xinguara adquiriu rebanhos por meio de um esquema de lavagem de dinheiro com origem nas Ilhas Cayman… O presidente da agropecuária é Carlos Rodenburg, ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.”



Quem mandou se meter com o Daniel Dantas…

Vai reclamar ao Zé pedágio …

Paulo Henrique Amorim

Jornal da Globo descobre Urucu

Blog do Luis Nassif - 14/07/2009 - 13:25

Por João Maria Fernandes

O JORNAL DA GLOBO DESCOBRE URUCU

Terça feira, 14/07/2009, 00:15h

Essa eu juro que não entendi: o Jornal da Globo acaba de descobrir que alguns brasileiros estão enfiados no coração da Floresta Amazônica, isolados portanto da civilização, numa área chamada “Campo de Urucu”. Seus corajosos repórteres fizeram entrevistas com trabalhadores que ali se encontravam e se admiraram quando descobriram que a extração de óleo e gás praticamente não perturbou os ecossistemas em volta, a empresa responsável pela instalação principal (Uma planta de Processamento de petróleo e uma UPGN - Unidade de Processamento de Gás Natural) segue a risca os preceitos das leis ambientais em vigor no pais e inclusive se preocupou em manter isolada a área (sem estradas de acesso) para evitar a agressão do meio ambiente por terceiros (Extração clandestina de madeira, por exemplo).

Descobriu que o óleo produzido em Urucu é de ótima qualidade e que apesar do seu pouco peso na produção nacional (1,8% do bolo) é ele que garante a autonomia de boa parte da Região Norte e o gás processado abastece toda essa região e uma parte do Nordeste Brasileiro, que maravilhosa descoberta!

Não posso esquecer: a reportagem esclareceu que o pessoal que toca o campo tem que passar 14 dias isolados da família e da civilização para depois folgar 14 ou 21 dias, alguns trabalham em turnos de revezamento de 12 horas, ou seja, enquanto playboys e teens queimam gasolina e diesel em madrugadas festivas, alguns brasileiros labutam noite e dia (como esse comentarista) para garantir o abastecimento de combustível no pais.

Alguns fatos me vieram a mente no momento em que via a “reveladora” reportagem, entre eles o de que a Província Petrolífera de Urucu está em operação desde o ano de 1988, por tanto lá se vão mais de 20 anos desde a sua descoberta até essa patriótica reportagem; um outro fato relevante é que a empresa que teimou em apostar na Floresta Amazônica como berço de imensas reservas de óleo e gás foi duramente criticada nessa época, artigos e mais artigos foram publicados, inclusive no jornal O Globo alertando a nação quanto ao risco de se “gastar muito dinheiro público” em pesquisas petrolíferas numa área inóspita e sem indicio geológico algum de possuir petróleo, não sei até hoje com que bases científicas eles chegaram àquelas conclusões, talvez outros métodos de sísmica quadri-dimensional que os técnicos dessa empresa não conhecessem até então iluminaram os argumentos daqueles “especialistas” consultados…

Agora o mais sensacional: o Jornal da Globo não citou uma única vez o nome da empresa responsável pela operação do Campo de Urucu, parece que o nome PETROBRAS está no index de todos os repórteres e âncoras das Organizações Globo.

Fico pensando aqui com meus botões:

1) O inicio da CPI hoje (14/07/09) exatamente quando algumas canalhices do DEM e do PSDB estão vindo a tona parece ter tocado o coração dos Marinho, a ponto de eles esquecerem por um momento de trucidar a estatal como vêm fazendo diariamente…

2) Alguns anúncios publicitários da holding BR simplesmente deixaram de aparecer na TV Globo, como se alguém (um estagiário desatento?) tivesse esquecido de por na programação ou um contrato tenha sido suspenso… ou cancelado mesmo.

3) A próxima descoberta da Globo talvez seja aqui na Bacia de Campos, alguém vai ver do alto um grande número de instalações fixas (algumas a mais de 100 Km da costa) e quando se aproximar vai descobrir abismado que se trata de plataformas e navios encravadas no Oceano Atlântico extraindo óleo e gás, em alguns casos em lamina de água com profundidades inimagináveis de 3000 metros; o povo brasileiro vai ver e aprender em primeira mão como se faz pra extrair petróleo do fundo mar longe da família e da civilização com pouco impacto ao meio ambiente e à vida marinha. Tomara que eu esteja por aqui nesse dia, como estou agora, só assim poderei avisar pra minha família e para os colegas aqui do blog que talvez eu apareça no horário nobre da Vênus Platinada.

Bom dia a todos.

O fantasma da inflação americana

Blog do Luis Nassif - 14/07/2009 - 12:26

Do Guia Financeiro

Preços ao produtor avançam 1,8% nos Estados Unidos

Resultado atinge maior patamar desde novembro de 2007

O índice de preços ao produtor nos Estados Unidos (PPI, na sigla em inglês) apresentou crescimento de 1,8% em junho, acompanhando o avanço de 0,2% apurado em maio e de 0,3% em abril, de acordo com dados divulgados pelo Departamento do Trabalho local. O resultado atingiu seu maior patamar desde novembro de 2007, puxado pelos preços de energia.

Sem considerar alimentos e energia, o indicador acelerou 0,5% no mês passado. Ao longo de junho, os preços dos alimentos subiram 1,1%, após recuar 1,6% um mês antes, enquanto os da energia subiram 6,6%, após acréscimo de 2,9%.

De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, o forte crescimento nos preços ao produtor pode alimentar o temor dos investidores quanto a um novo aumento da inflação. Entretanto, economistas acreditam que este repique é temporário e não sinalizam o início de uma escalada de preços neste ano.

Muitos analistas esperam que o aumento nos preços de energia sejam de curta duração, e que o fraco desempenho da economia restrinja as empresas de repassarem o aumento dos preços aos consumidores.

O ganho de 0,6 ponto percentual ficou acima dos 0,4 pontos inicialmente esperados pelos analistas. Embora uma boa parte da força tenha se originado no aumento de preço da gasolina na bomba, também houve resistência em outras áreas, incluindo o melhor resultado nas concessionárias de automóveis desde janeiro

A recuperação do varejo

Blog do Luis Nassif - 14/07/2009 - 10:40

Do Guia Financeiro

IBGE 01 - Vendas no varejo avançam 0,8% em maio

Receita nominal sobe no mesmo patamar, indica pesquisa

O volume de vendas do comércio varejista apresentou crescimento de 0,8% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revertendo dois meses consecutivos de queda. A receita nominal também avançou 0,8% no período. Ambos os dados são da série com ajuste sazonal.

No comparativo com o mesmo período do ano passado, o volume de vendas e a receita nominal do varejo subiram 4,0% e 8,9%. O acumulado anual revela que tais indicadores subiram 4,4% e 10,3%; enquanto o resultado nos últimos doze meses mostra que o volume de vendas e receita acumularam 6,5% e 12,7%, respectivamente.

De acordo com o levantamento, o comércio varejista ampliado apresentou crescimentos superiores ao comércio varejista, chegando a 3,7% para o volume de vendas e 4,4% para a receita. Os números foram afetados pela expansão das vendas de veículos e de material de construção. Em comparação com maio de 2008, o volume de vendas do setor registrou aumento de 3,3%, e de 4,9% na receita nominal. Nos cinco primeiros meses do ano e nos últimos doze meses, as taxas foram de 2,7% e 5,3%, para o volume de vendas, e 5,1% e 9,5%, para a receita nominal.

Já a análise setorial mostra que, na comparação mensal e com efeitos sazonais, sete das oito atividades do varejo apresentaram taxas favoráveis para o volume de vendas. Os resultados foram de 3,7% para Combustíveis e lubrificantes; 2,9% em Outros artigos de uso pessoal e doméstico; 2,2% em Livros, jornais, revistas e papelaria; 1,7% em Tecidos, vestuário e calçados; 0,8% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; 0,1% para Móveis eletrodomésticos; 0,1% em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e -11,6% para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação.

As outras atividades que ajudam a compor Varejo Ampliado registraram também resultados positivos em relação a abril: Veículos e motos, partes e peças, com taxa de 8,0% e Material de construção com 5,7%.

Tatiane Correia

Os carros de alumínio

Blog do Luis Nassif - 14/07/2009 - 07:30

Por Antonio Sisoto

Para os amantes de Jornadas nas Estrelas

Alumínio transparente revolucionará setor automotivo?

http://www.usinagem-brasil.com.br/materias.asp?c=12/7/2009%2022:20:23
Alberto Mawakdiye

(12/07/2009) - Parece estar se armando uma nova revolução na área de materiais automotivos e de transportes em geral – com óbvias repercussões sobre a indústria de transformação e de construção civil – envolvendo o cada vez mais desafiante alumínio.

Militares norte-americanos já estão testando um veículo equipado com blindagem de alumínio transparente – ou, mais exatamente, de oxinitrato policristalino de alumínio. A força aérea americana também vem realizando testes para verificar a eficácia deste composto em cabines de aeronaves militares.

Esse metal com aparência de vidro, conhecido na indústria como ALONtm, é, na verdade, uma cerâmica transparente cristalizada sobre átomos de alumínio, e seu desenvolvimento inicial deve ser debitado a duas instituições de pesquisa o Fraunhoffer Institute e a Universidade de Dayton, Ohio.

Com alta resistência à compressão, o alumínio transparente é muito mais resistente, leve e fino que o vidro blindado, transmitindo todas essas vantagens para a blindagem de veículos. Nos testes, o material resistiu a tiros com calibre .50, utilizado para derrubar aviões.

Parece coisa de ficção científica? Pois não deixa um pouco de ser. Quem primeiro falou sobre alumínio transparente foi o engenheiro Scotty, no filme Jornada nas Estrelas 4, de 1986. Ele ofereceu a fórmula para um atrasado cientista terráqueo numa viagem no tempo.

O único inconveniente do material é, por enquanto, o preço. Enquanto blindagens tradicionais custam em torno de US$ 4 a polegada quadrada, o ALONtm sai por US $10. Mas esta desvantagem não leva em consideração a durabilidade e a resistência superiores do novo material.

Acredita-se que em breve o alumínio transparente já possa ser disponibilizado para a indústria automotiva, inicialmente para atender o crescente mercado de blindagem veicular. É uma ótima notícia para os processadores de alumínio. Em 2008, apenas o Brasil produziu 6.982 blindados. O estado de São Paulo foi o primeiro no ranking nacional, com 65% da frota.

Essa aplicação consolidará ainda mais a participação do alumínio na construção veicular, que era de 0 kg num automóvel genérico americano na década de 1950 e saltou para 68 kg na década de 1990. Hoje, alguns carros, como o alemão Audi S8, têm a carroceria produzida inteiramente com esse material.

O emprego do alumínio na cabine dos carros terá também influência profunda no design e na economia de materiais. Com ele, as cabines devem passar a ser inteiriças, dispensando o uso das colunas, que tanto atrapalham a visão dos motoristas, e simplificando as linhas de montagem.

Na verdade, o uso comercial do alumínio transparente já começou. Ele está sendo usado experimentalmente em leitores de código de barras em supermercados, devido ao seu alto índice de transparência para luz visível e ultravioleta. Estima-se que em 20 ou 30 anos poderá também ser utilizado para a produção de latas de cerveja e de refrigerante.

Mendes devolve cargo a deputados presos pela PF por corrupção

Site do Azenha - Atualizado em 14 de julho de 2009 às 19:21 | Publicado em 14 de julho de 2009 às 11:40

Oito deputados estaduais alagoanos afastados do mandato por corrupção devem reassumir hoje seus cargos na Assembleia Legislativa de Alagoas. Eles foram beneficiados por uma decisão do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada hoje no Diário Oficial da União.

Antes de viajar para Rússia, Gilmar Mendes deixou assinada, com data de 6 de julho, a SL-297 (suspensão de liminar), que suspendeu a segunda liminar do juiz Gustavo Souza Lima e devolveu os mandatos aos deputados afastados.

Foram beneficiados pela decisão os deputados Cícero Ferro, Marcos Ferreira, João Beltrão, Arthur Lira, Nelito Gomes de Barros e Isnaldo Bulhões Filho, todos do PMN, além de Dudu Albuquerque e Antônio Albuquerque, ambos sem partido. Eles tinham sido afastados em março de 2008, após decisão liminar do juiz Gustavo Souza Lima, da 16ª Vara Cível de Maceió.

Outros dois parlamentares afastados já haviam retomado antes, beneficiados também por decisão do presidente do STF: Edval Gaia Filho (PSDB) e Maurício Tavares (PTB). Eles voltaram antes porque não estavam na segunda ação de improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público Estadual, contra os outros parlamentares, e que gerou a liminar concedida pelo juiz Souza Lima.

Eles foram afastados dos cargos no início do ano passado, por decisão do juiz Souza Lima, reafirmada pelo então desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas, Antônio Sapucaia. O afastamento aconteceu após a Operação Taturana, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2007.Eles são acusados pela Polícia Federal de peculato, lavagem de dinheiro e crime contra a ordem financeira nacional. Albuquerque, Cícero Ferro e Beltrão foram presos no início do ano, acusados de chefiar uma quadrilha de pistoleiros. Beltrão é acusado ainda de tramar a morte do delegado geral da Polícia Civil Marcílio Barenco Após alguns meses de investigações, pelo menos 15 dos 27 deputados estaduais da atual legislatura foram indiciados, acusados de envolvimento no desvio de R$ 300 milhões dos cofres da Assembleia. O golpe vinha sendo aplicado há cinco anos e tinha a participação de ex-presidentes. Dos dez parlamentares afastados, um perdeu o mandato.

JUSTIFICATIVAS DO PRESIDENTE DO STF

Ao acolher hoje pedido de liminar dos parlamentares, Mendes ressaltou que “o afastamento de deputado estadual de suas funções por decisão precária do Poder Judiciário revela-se em descompasso” com o princípio constitucional da separação dos poderes e a ordem pública.

Mendes lembrou ainda não haver dúvidas sobre a urgência do caso, “tendo em vista o caráter temporalmente limitado dos mandatos eletivos e o fato de que os deputados estaduais afetados pela decisão impugnada encontram-se afastados de seus cargos há tempo considerável”.

Segundo o presidente do STF, a Casa Legislativa estadual funciona, desde março de 2008, “em descompasso com a vontade popular externada nas urnas”.

Fontes: Agência Brasil e blog Os amigos do presidente Lula

Maurício Dias: dinheiro na eleição é vendaval

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 14 de julho de 2009 às 10:25

10/07/2009 16:42:33

por Mauricio Dias, no site de Carta Capital

“Os votos como qualquer mercadoria
podem ser comprados.”
Norberto Bobbio, em
“Diálogo sobre a República”

Houve um tempo em que se exigia renda anual, comprovada oficialmente, para o cidadão exercer o direito do voto. O mundo girou e a poupança exigida do eleitor transpôs-se, também, por regras não escritas, ao candidato. O poder econômico tornou-se um fator decisivo nas eleições e, assim, a atividade política foi praticamente substituída pela competição financeira. Esse é um processo em progresso no Brasil e no mundo todo.

A reforma eleitoral, aprovada na Câmara dos Deputados, faz um esforço louvável para introduzir melhorias na legislação. No caso específico das doações mantém o que está estabelecido e acrescenta a contribuição via internet de pessoas físicas. As empresas não poderão doar por esse meio.

Prudentemente os parlamentares passaram ao largo da discussão sobre o financiamento. A implosão do caixa 2 do PT e a do tucano Eduardo Azeredo, em 2005, ambos ainda em julgamento, mostrou muito dos vícios do financiamento privado e criou a ilusão de que o financiamento público seria a fonte das virtudes.

Marcos Valério, o publicitário mineiro que virou ícone desse processo desvirtuado, muda de nome e de partido. Mas não muda de função. Ou seja, o cristão muda, mas não muda o Natal. Era risível no circo das CPIs armadas pela oposição ver e ouvir o sermão ético de pecadores condenando pecadores.

Houve um momento em que o ex-deputado Roberto Jefferson, autor das denúncias, fez, com outras palavras, este desafio aos seus pares: “Quem não fez caixa 2 aqui levante a mão”. As mãos continuaram baixadas.

Na verdade o caixa 2 é a grande fonte de financiamento eleitoral. Dele escoa dinheiro para as campanhas e, também, para a conta particular dos políticos. Afinal, como ninguém é de ferro, o dinheiro nem sempre passa das mãos por onde passa.

A questão do financiamento de campanha, encaminhada em nome da moralidade, é pura hipocrisia. A questão é insolúvel em si mesma. É informação do repórter americano Bob Woodward, do Washington Post, que a invasão da sede do Partido Democrata, em 1972 (que levaria Nixon à renúncia, em 1974), foi financiada com 300 mil dólares naquele ano. Woodward falou disso sem alarde. Trata-se de um crime eleitoral e, certamente, fonte de grande corrupção na máquina administrativa das prefeituras, dos governos estaduais e dos governos federais. Aqui e, como se vê, alhures.

Agora, por exemplo, surgiu uma chiadeira, movida mais pela hipocrisia do que pela ingenuidade, contra a autorização de doação de pessoa física para os partidos. O argumento contrário é o de que as direções partidárias, a pedido do doador, repassariam o dinheiro aos candidatos. Isso já ocorre, formalizado por uma lei eleitoral de 1995.

O dinheiro promove, de fato, um desequilíbrio na competição eleitoral. Mas não adianta buscar igualdade na democracia eleitoral. Ela é inerente ao sistema.

Seria o suficiente buscar boas regras para amenizar o impacto dos interesses privados na máquina pública que se dá pelo financiamento eleitoral. No caso das doações individuais (as contribuições empresariais são limitadas a um máximo de 2% do faturamento) serão permitidas dentro do limite atual que é de 10% do rendimento bruto do ano anterior à eleição e até 50% dos bens móveis. Há uma boa sugestão incluída na lei eleitoral de 2006 que determina a fixação do limite de gastos nas campanhas. Até agora não houve o que se chama de “ambiente político” para ser votada. Ou seja, a ninguém interessa.

E que não se espere por perfeição. Lei e transgressão nascem juntas.

A ditadura da mídia

Site do Azenha - Atualizado em 14 de julho de 2009 às 17:44 | Publicado em 14 de julho de 2009 às 09:50

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O jornalista Altamiro Borges acaba de lançar o livro “A ditadura da mídia”. Faz parte da “Coleção Vermelho”.

“Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política”, avisa ele. “Não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação.”

O prefácio é do professor e pesquisador Venício A. de Lima, da Universidade de Brasília (UnB) e um dos maiores especialista no tema no país: “O precioso e oportuno ‘A ditadura da mídia’ oferece ao leitor, em linguagem simples e direta, não só um quadro atualizado sobre os grupos que disputam o controle da grande mídia no mundo e em nosso país, como também um roteiro justificado de metas que devem orientar as reivindicaçòes populares na 1* Conferência Nacional de Comunicação".

O jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), faz um comentário: "O livro ‘A ditadura da mídia’ tem a justa pretensão de se tornar um instrumento de apoio para todos os que lutam pela construção de uma comunicação mais justa e equilibrada em nosso país”.

“Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia”
O próprio Altamiro Borges antecipa um pouco do que estará no livro:

“A mídia hegemônica vive um paradoxo. Ela nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público. Atualmente, ela exerce a sua brutal ditadura midiática, manipulando informações e deturpando comportamentos. Na crise de hegemonia dos partidos burgueses, a mídia hegemônica confirma uma velha tese do revolucionário italiano Antonio Gramsci e transforma-se num verdadeiro “partido do capital”.

Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia, expresso nas mentiras ditadas pela CNN e Fox para justificar a invasão dos EUA no Iraque, na sua ação golpista na Venezuela ou na cobertura tendenciosa de inúmeros processos eleitorais. Alguns governantes, respaldados pelas urnas, decidem enfrentar, com formas e ritmos diferentes, esse poder que se coloca acima do Estado de Direito. Na América Latina rebelde, as mudanças no setor são as mais sensíveis.

No caso do Brasil, a mídia controlada por meia-dúzia de famílias também esbanja poder, mas dá vários sinais de fragilidade. Na acirrada disputa sucessória de 2006, o bombardeio midiático não conseguiu induzir o povo ao retrocesso político. Pesquisas recentes apontam queda de audiência da poderosa TV Globo e da tiragem de jornalões tradicionais. O governo Lula, com todas as suas vacilações, adota medidas para se contrapor à ditadura midiática, como a criação da TV Brasil e a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Este quadro, com seus paradoxos, coloca em novo patamar a luta pela democratização da mídia e pelo fortalecimento de meios alternativos, contra-hegemônicos, de informação. Este desafio se tornou estratégico. Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia, nas lutas dos trabalhadores por uma vida mais digna, na batalha histórica pela superação da barbárie capitalista e nem mesmo na construção do socialismo. Aos poucos, os partidos de esquerda e os movimentos sociais percebem que esta luta estratégica exige o reforço dos veículos alternativos, a denúncia da mídia burguesa e uma plataforma pela efetiva democratização da comunicação.”

O livro A ditadura da mídia tem cinco capítulos:
1- Poder mundial a serviço do capital e das guerras.
2- A mídia na berlinda na América Latina rebelde.
3- Concentração sui generis e os donos da mídia no Brasil.
4- De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa.
5- Outra mídia é urgente: as brechas da democratização.

O exemplar custa R$ 20,00. Na venda de cotas para entidades (acima de 50 exemplares), o valor unitário é de R$ 10,00. Para adquirir sua cota, escreva para: aaborges1@uol.com.br.