"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, junho 23, 2014

Excelências

recebido por e-mail – 22 jun 2014

O projeto Excelências traz informações sobre todos os parlamentares em exercício em cada momento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Os dados são recolhidos das próprias Casas legislativas, dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais de Contas, de cadastros mantidos por ministérios e de outras fontes públicas. Informações eleitorais (financiamento, votações etc.) são extraídas do projeto , mantido pela Transparência Brasil.

O projeto disponibiliza espaço para que os políticos retratados apresentem argumentos referentes a informações divulgados no projeto. Para providenciar o registro de um comentário, solicita-se que o político entre em contacto, por escrito, com a Transparência Brasil.

http://www.excelencias.org.br/

Vamos verificar cada um dos candidatos antes de lhes dar mais tempo nas casas legislativas.

terça-feira, junho 17, 2014

Pergunte ao vovô

recebido por e-mail – 15 jun 2014

Quer saber como foi a ditadura militar?
No aniversário de 50 anos do início da ditadura militar, estamos recebendo uma propaganda maciça pela TV sobre as atrocidades que teriam sido cometidas pela ditadura militar.
Quer saber como foi a ditadura militar, de verdade?
É simples!!!
Não leia livros a favor ou contra. Um professor meu costumava dizer que "o papel aceita tudo, haja visto o papel higiênico".
Não ouça os políticos do PT. Eles eram os inimigos dos militares e dificilmente diriam a verdade; aliás temos visto o PT mentindo muito, sobre o mensalão, dinheiro na cueca e outras.
Não ouça também os militares. Eles normalmente não mentem, mas poderiam calar para se proteger.
Esqueça os locutores de noticiários. Eles são pagos para dizer o que os outros querem que você escute.
Mas então como vamos saber a verdade???
Eu disse que é simples:
Pergunte ao vovô e à vovó! Isso mesmo, pergunte às pessoas com mais de 60 ou 65 anos!
Pergunte a eles como foi a época da ditadura militar.
Pergunte se eles alguma vez sentiram que não tinham liberdade.
Pergunte se podiam ir aonde quisessem.
Pergunte se eles tinham segurança, se podiam sair à noite sem medo de
assaltos.
Pergunte se tinham medo de um assalto à mão armada em suas casas.
Pergunte se alguém conhecido foi preso pelo DOPS, o que é pouco provável; mas se aconteceu, não foi porque esse conhecido tinha antes pegado em armas contra o governo, ou feito panfletagem ou comício pregando revolução.
Você vai descobrir a verdade real. Não o que uma comissão da verdade composta de simpatizantes do PT vai tentar colocar na cabeça de nossos jovens.
Para que você possa descobrir a verdade verdadeira, não vou escrever o que eu quero que VOCÊ descubra sozinho.
Só lhe digo que tenho mais de 65 anos e aquela foi a melhor época de minha vida.Se você descobrir uma verdade diferente da que passa na TV, não deixe de repassar a todos que puder.

terça-feira, junho 10, 2014

Thomas Piketty e O Capital no Século XXI

O livro do francês Thomas Piketty sobre a história do capital e sua repartição passou a ser o mais vendido na Amazon. Encontrou mecanismos que explicam a desigualdade económica e o desenvolvimento de uma sociedade de herdeiros.

I. O que podemos saber sobre a repartição da riqueza e a sua evolução desde que existe o capitalismo? Se é certo que ela é sempre desigual, e se é certo que existem dados seguros para a estudar, pelo menos, desde o século XVIII em França, verificamos que essa desigualdade tem vindo a diminuir nos últimos 200 e tal anos? Ou, pelo contrário, tem vindo a aumentar? Como devemos aferir a justiça ou injustiça da repartição desigual da riqueza no quadro do capitalismo? O que nos diz ela sobre o próprio capitalismo como sistema de produção e distribuição de riqueza? Estas são as perguntas fundamentais do livro de Thomas Piketty, O Capital no Século XXI.

Quando o li, há umas semanas, estava ainda longe de imaginar o brutal impacto que ele viria a ter. Apesar das quase 700 páginas da edição inglesa, e das quase 1000 da edição francesa, atingiu recentemente a surpreendente condição de ser o mais vendido na Amazon. Paul Krugman chamou-lhe “o livro da década”. Stiglitz, Solow, Milanovic e outros economistas de topo foram igualmente elogiosos. Escreveram-se entretanto dezenas de recensões. Todos os dias aparece uma nova, ou mais do que uma. As recensões mais recentes são quase todas de economistas de direita que procuram pôr em causa as principais teses de Piketty. Outras são igualmente críticas, embora venham de economistas de esquerda. A estes, Piketty parece porventura demasiado favorável ao capitalismo; àqueles, demasiado hostil. De facto, a sua concepção do capitalismo implica, por um lado, prezá-lo como um extraordinário produtor de riqueza, de inovação, de tecnologia, de bem-estar, em suma: de desenvolvimento — mas, por outro, implica condená-lo como um sistema que tende a repartir a riqueza de um modo demasiado desigual e, na verdade, injusto e anti-democrático.

Felizmente, Piketty não escreve apenas para economistas, nem sequer apenas para especialistas das diversas áreas das ciências sociais e humanas. “A repartição da riqueza é uma questão demasiado importante para ser deixada apenas a economistas, sociólogos, historiadores e filósofos. Ela interessa a toda a gente, e ainda bem”, sublinha na introdução. Por esta razão, não há praticamente nada no livro que não esteja explicado de forma bastante elementar e clara — de tal forma, aliás, que o volumoso calhamaço se lê quase como um romance. 

II. Para ser mais exacto, o volumoso calhamaço lê-se como um livro de história económica e, em grande medida, é um livro de história económica. Esta é provavelmente uma das razões por que muitas das recensões escritas por economistas são tão negativas e, em muitos casos, distorcem tão gravemente as teses de Piketty (nalguns casos, isso explica-se também pelo facto de os recenseadores fingirem ler um livro que não leram). Alguns dos economistas que escreveram sobre o livro pressupuseram que as teses de Piketty não poderiam não pretender ter o estatuto de verdades a priori de um modelo económico — quando, na verdade, pretendem ter apenas o estatuto de verdades históricas e, portanto, empíricas; outros perceberam bem a sua natureza apenas histórica e empírica — mas consideraram que, precisamente por isso, o livro não prova o que pretende provar, sobretudo quando fala do futuro. 

Mas façamos a pergunta que todas as recensões têm feito e devem fazer: estamos, de facto, perante um livro que diz algo de fundamentalmente novo e muda a nossa forma de olhar para o mundo? um livro que faz avançar decisivamente a nossa compreensão do mundo em que vivemos e que, por isso, interessa, não apenas a economistas, e não apenas a sociólogos, historiadores e filósofos, mas, de facto, a toda a gente?

O livro é uma história do “capital”, como o título indica. “Capital”, para Piketty, tem um sentido lato (na verdade bastante conforme com o uso comum do termo), e significa o mesmo que “património”, ou “riqueza”: designa todo e qualquer “activo” (financeiro ou não financeiro, produtivo ou não produtivo) em que seja possível investir e que possa, por isso, proporcionar um retorno, seja este um retorno explícito (sob a forma, por exemplo, de rendas, dividendos, juros, ou lucros), seja um retorno implícito (como, por exemplo, a renda de habitação que não se paga quando se tem casa própria). Segundo Piketty, só este conceito de capital (nada usual na ciência económica) permite compreender o capitalismo e estudar a desigualdade económica no sistema capitalista — só esse conceito de capital permite desenvolver os métodos e explorar as fontes que conduzem à compreensão dos mecanismos da distribuição desigual do património, isto é, dos mecanismos que explicam a desigualdade não apenas (e não tanto) como um fenómeno resultante de diferenças salariais (ou de rendimentos do trabalho) quanto de diferenças na repartição da riqueza (e, portanto, no retorno do capital).

Harvey: Reflexões sobre “O capital”, de Thomas Piketty

Blog da Boitempo - publicado em 

harveypikPor David Harvey.*
Thomas Piketty escreveu um livro chamado Capital no século XXI que causou uma tremenda comoção. Ele defende a taxação progressiva e a tributação da riqueza global como único caminho para deter a tendência à criação de uma forma “patrimonial” de capitalismo, marcada pelo que chama de uma desigualdade “apavorante” de riqueza e renda. Também documenta com detalhes excruciantes, e difíceis de rebater, como a desigualdade social de ambos, riqueza e renda, evoluíram nos últimos dois séculos, com ênfase particular no papel da riqueza. Ele aniquila a visão, amplamente aceita, de que o capitalismo de livre mercado distribui riqueza e é o grande baluarte para a defesa das liberdades individuais. Piketty demonstra que o capitalismo de livre mercado, na ausência de uma grande intervenção redistributiva por parte do Estado, produz oligarquias antidemocráticas. Essa demonstração deu base à indignação liberal e levou o Wall Street Journal à apoplexia.
O livro tem sido frequentemente apresentado como substituto para o século 21 do trabalho do século 19 de Marx, que leva o mesmo título. Piketty nega que fosse essa sua intenção, na verdade – o que parece certo, uma vez que seu livro não é, de modo algum, sobre o capital. Ele não nos conta por que razão ocorreu a catástrofe de 2008, e por que está demorando tanto para tanta gente se levantar, sob o fardo do desemprego prolongado e da execução da hipoteca de milhões de casas. Ele não nos ajuda a entender por que o crescimento é tão medíocre hoje nos EUA, em oposição à China, e por que a Europa está travada sob uma política de austeridade e uma economia de estagnação.
O que Piketty mostra estatisticamente (e estamos em dívida com ele e seus colegas por isso) é que o capital tendeu, através da história, a produzir níveis cada vez maiores de desigualdade. Isso, para muitos de nós, é má notícia. Além disso, é exatamente a conclusão teórica de Marx, no primeiro volume de sua versão do Capital. Piketty fracassa em observar isso, o que não é surpresa, já que sempre clamou, diante das acusações da mídia de direita de que é um marxista disfarçado, que não leu O capital de Marx.
Piketty reúne uma grande quantidade de dados para sustentar sua argumentação. Sua descrição das diferenças entre renda e riqueza é persuasiva e útil. E faz uma defesa cuidadosa da tributação sobre herança, do imposto progressivo e de um imposto sobre a riqueza global como possíveis (embora quase certamente não politicamente viável) antídotos contra o avanço da concentração de riqueza e poder.
Mas, por que razão ocorre essa tendência ao crescimento da desigualdade? A partir de seus dados (temperados com ótimas alusões literárias a Jane Austen e Balzac), ele deriva uma lei matemática para explicar o que acontece: o contínuo aumento da acumulação de riqueza por parte do famoso 1% (termo popularizado graças, claro, ao movimento Occupy) é devido ao simples fato de que a taxa de retorno sobre o capital (r) sempre excede a taxa de crescimento da renda (g). Isso, diz Piketty, é e sempre foi “a contradição central” do capital.
Mas esse tipo de regularidade estatística dificilmente alicerça uma explicação adequada, quanto mais uma lei. Então, que forças produzem e sustentam tal contradição? Piketty não diz. A lei é a lei e isso é tudo. Marx obviamente teria atribuído a existência de tal lei ao desequilíbrio de poder entre capital e trabalho. E essa explicação ainda está valendo. A queda constante da participação do trabalho na renda nacional, desde os anos 1970, é decorrente do declínio do poder político e econômico, à medida que o capital mobilizava tecnologia, desemprego, deslocalização de empresas e políticas antitrabalho (como as de Margaret Thatcher e Ronald Reagan) para destruir qualquer oposição.
Como Alan Budd, um conselheiro econômico de Margaret Thatcher, confessou num momento em que baixou a guarda: as políticas anti-inflação dos anos 1980 mostraram-se “uma maneira muito boa de aumentar o desemprego, e aumentar o desemprego era um modo extremamente desejável de reduzir a força das classes trabalhadoras… o que foi construído, em termos marxistas, como uma crise do capitalismo que recriava um exército de mão de obra de reserva, possibilitou que os capitalistas lucrassem mais do que nunca.” A disparidade entre a remuneração média dos trabalhadores e dos executivos-chefes era cerca de trinta para um em 1970. Hoje está bem acima de trezentos para um e, no caso do MacDonalds, cerca de 1200 para um.
Mas no segundo volume de O capital de Marx (que Piketty também não leu, como alegremente declara) Marx apontou que a tendência do capital de rebaixar os salários iria, em algum momento, restringir a capacidade do mercado de absorver os produtos do capital. Henry Ford reconheceu esse dilema há muito tempo, quando determinou o salário de cinco dólares para o dia de oito horas dos trabalhadores – para aumentar a demanda dos consumidores, disse.
Muitos pensavam que a falta de demanda efetiva estava na base da Grande Depressão da década de 1930. Isso inspirou políticas expansionistas keynesianas depois da Segunda Guerra Mundial e resultou em alguma redução das desigualdades de renda (nem tanto da riqueza), em meio a uma forte demanda que levou ao crescimento. Mas essa solução apoiava-se no relativo empoderamento do trabalho e na construção do “estado social” (termo de Piketty) financiado pela taxação progressiva. “Tudo dito”, escreve ele, “durante o período de 1932-1980, durante cerca de meio século, o imposto de renda federal mais alto, nos EUA, era em média 81%.” E isso de modo algum prejudicou o crescimento (outra parte das evidências de Piketty, que rebate os argumentos da direita).
Ali pelo final dos anos 1960, ficou claro para vários capitalistas que eles precisavam fazer alguma coisa a respeito do excessivo poder do trabalho. Por isso, Keynes foi excluído do panteão dos economistas respeitáveis, o pensamento de Milton Friedman deslocou-se para o lado da oferta, e teve início uma cruzada para estabilizar, se não para reduzir a tributação, desconstruir o Estado social e disciplinar as forças do trabalho. Depois de 1980, houve uma queda nas taxas mais altas de imposto e os ganhos do capital – uma grande fonte de renda dos ultra ricos – passaram a ser tributados por taxas muito menores nos EUA, aumentando enormemente o fluxo de capital do 1% do topo da pirâmide.
Contudo, o impacto no crescimento era desprezível, mostra Piketty. Tal “efeito cascata” de benefícios dos ricos ao restante da população (outra crença favorita da direita) não funcionou. Nada disso era ditado por leis matemáticas. Tudo era política. Mas então a roda deu uma volta completa, e a pergunta mais importante tornou-se: e cadê a demanda?
Piketty ignora essa questão. Os anos 1990 encobriram essa resposta com vasta expansão do crédito, inclusive estendendo o financiamento hipotecário aos mercados sub-prime. Mas o resultado foi uma bolha de ativos fadada a estourar, como aconteceu em 2007-2008, levando consigo o banco de investimento Lehman Brothers, juntamente com o sistema de crédito. Entretanto, enquanto tudo e todos se davam mal, depois de 2009 as taxas de lucro, e a consequente concentração de riqueza privada, recuperaram-se muito rapidamente. As taxas de lucro das empresas estão agora tão altas quanto sempre estiveram nos EUA. As empresas estão sentadas sobre grande quantidade de dinheiro e recusam-se a gastá-lo, porque as condições do mercado não estão robustas. A formulação da lei matemática de Piketty camufla, mais do que revela a respeito da classe política envolvida. Como notou Warren Buffett, “claro que há luta de classes, e é a minha classe, a dos ricos, que está lutando, e estamos vencendo.” Uma medida-chave de sua vitória são as crescentes disparidades da riqueza e renda do 1% do topo em relação a todo o resto da população.
Há, contudo, uma dificuldade central no argumento de Piketty. Ele repousa sobre uma definição equivocada de capital. Capital é um processo, não uma coisa. É um processo de circulação no qual o dinheiro é usado para fazer mais dinheiro, frequentemente – mas não exclusivamente – por meio da exploração da força de trabalho. Piketty define capital como o estoque de todos os ativos em mãos de particulares, empresas e governos que podem ser negociados no mercado – não importa se estão sendo usados ou não. Isso inclui terra, imóveis e direito de propriedade intelectual, assim como coleção de arte e de joias. Como determinar o valor de todas essas coisas é um problema técnico difícil, sem solução consensual. Para calcular uma taxa de retorno, r, significativa, temos de ter uma forma de avaliar o capital inicial. Não há como avaliá-lo independentemente do valor dos bens e serviços usados para produzi-lo, ou por quanto ele pode ser vendido no mercado.
Todo o pensamento econômico neoclássico (base do pensamento de Piketty) está fundado numa tautologia. A taxa de retorno do capital depende essencialmente da taxa de crescimento, porque o capital é avaliado pelo modo como produz, e não pelo que ocorreu em sua produção. Seu valor é fortemente influenciado por condições especulativas, e pode ser seriamente distorcido pela famosa “exuberância irracional” que Greenspan apontou como característica dos mercados imobiliário e de ações. Se subtrairmos habitação e imóveis – para não falar do valor das coleções de arte dos financiadores de hedge – a partir da definição de capital (e as razões para sua inclusão são bastante débeis), então a explicação de Piketty para o aumento das disparidades de riqueza e renda desabariam, embora sua descrição do estado das desigualdades passadas e presentes ainda ficassem em pé.
Dinheiro, terra, imóveis, fábricas e equipamentos que não estão sendo usados produtivamente não são capital. Se é alta a taxa de retorno sobre o capital que está sendo usado, é porque uma parte do capital foi retirado de circulação. Restringir a oferta de capital para novos investimentos (fenômeno que estamos testemunhando agora) garante uma alta taxa de retorno sobre o capital que está em circulação. A criação dessa escassez artificial não é só o que fazem as companhias de petróleo, para garantir a sua elevada taxa de lucro: é o que todo o capital faz quando tem oportunidade. É o que sustenta a tendência de a taxa de retorno sobre o capital (não importa como é definido e medido) exceder sempre a taxa de crescimento da renda. Esta é a forma como o capital garante sua própria reprodução, não importa quão desconfortáveis sejam as consequências para o resto de nós. E é assim que a classe capitalista vive.
Há muitas outras coisas valiosas nos dados coletados por Piketty. Mas, sua explicação de porque as tendências à desigualdade e à oligarquia surgem está seriamente comprometida. Suas propostas de solução para a desigualdade são ingênuas, se não utópicas. E ele certamente não produziu um modelo de trabalho para o capital do século 21. Para isso, ainda precisamos de Marx ou de seus equivalentes para os dias atuais.
Publicado em inglês em DavidHarvey.org, em maio de 2013.
A tradução é de Inês Castilho, para o Outras Palavras.

sexta-feira, junho 06, 2014

Le géant russe Gazprom menace l'Ukraine d'interrompre ses livraisons de gaz

Le Parisien - publié le 07.03.2014, 16h14 | Mise à jour : 17h13

Le géant public russe Gazprom a menacé vendredi l'Ukraine d'interrompre ses exportations de gaz en raison d'impayés de 1,89 milliard de dollars, comme ce fut le cas pendant l'hiver 2009.

Le géant public russe Gazprom a menacé vendredi l'Ukraine d'interrompre ses exportations de gaz en raison d'impayés de 1,89 milliard de dollars, comme ce fut le cas pendant l'hiver 2009. |AFP/Yuri Kadobnov



Le géant public russe  a menacé, vendredi, l'Ukraine d'interrompre ses exportations de gaz en raison d'impayés de 1,89 milliard de dollars, comme ce fut le cas en 2009. A ce moment là, des coupures avaient perturbé l'approvisionnement de pays européens. 

« Soit l'Ukraine règle ses arriérés, soit il y a un risque de revenir à la situation de début 2009», a mis en garde le patron de Gazprom, Alexeï Miller, cité par les agences russes. 
Il a précisé que le 7 mars, ce vendredi,  était la date limite fixée à l'Ukraine pour régler les livraisons du mois de février.

Cet avertissement intervient en pleine crise politique russo-ukrainienne. Les autorités de la péninsule ukrainienne pro-russe de Crimée se sont prononcées pour un rattachement à la Russie, une décision vivement critiquée par Kiev et les capitales occidentales. Le commissaire européen à l'Energie, Gunther Oettinger, avait déclaré mardi que l'Union européenne allait aider l'Ukraine à régler sa dette gazière vis-à-vis de la Russie.

L'Europe dispose d'un stock important en raison de l'hiver doux
Une coupure de gaz punirait le nouveau gouvernement ukrainien pro-occidental arrivé au pouvoir à Kiev après la destitution fin février du président pro-russe Viktor Ianoukovitch, qui demeure pour Moscou le chef de l'Etat «légitime».

Cependant, alors que des tractations diplomatiques se poursuivent pour éviter la séparation de la Crimée du nouveau régime de Kiev, Moscou joue avec le gaz et menace. Une éventuelle rupture des exportations russes vers l'Ukraine, pays par lequel transite encore la moitié des achats de l'UE (65 milliards de mètres cubes), aurait des conséquences directes sur les livraisons de gaz à l'Europe.

Le 1er janvier 2009, Gazprom avait suspendu l'approvisionnement de l'Ukraine en raison d'un différend commercial. Des pays de l'Union européenne avaient été les premières victimes de ces représailles en pleine vague de froid, certains pays comme la Slovaquie dépendant à 100 % du gaz russe.

Mais des pays comme la Bulgarie récuse ces menaces. Sofia, qui dépend à 92% de livraisons de gaz russe transitant par l'Ukraine, dispose de réserves de gaz d'un mois et demi en cas de coupure des livraisons de Moscou, a indiqué mercredi le Premier ministre bulgare. De plus, le continent européen, dans son ensemble, serait moins exposé : avec un hiver doux, les stockages européens de gaz sont pleins à 48,8% de leur capacité, contre environ 37% au même moment l'an passé, a indiqué le groupement d'opérateurs de gazoducs Gas Infrastructure Europe (GIE).

Quoi qu'il en soit, les difficultés de paiement de l'Ukraine risquent de s'accroître dans les prochains mois. Le géant russe Gazprom a décidé de mettre fin en avril à la ristourne sur le prix du gaz dont bénéficiait le pays, désormais dirigé par un  pro-européen. Ce qui déplaît fortement à Poutine.

Ucrânia já condenada à morte, Obama providencia a execução

Data de publicação em Tlaxcala: 06/06/2014

Obama em Varsóvia

Nikolai Bobkin Николай Бобкин 
Traduzido por  Coletivo de tradutores Vila Vudu


O presidente dos EUA está em viagem pela Europa. O itinerário inclui Polônia, Bélgica e França. O foco da agenda é a Ucrânia. Os EUA facilitaram o golpe armado encenado em Kiev e festejaram a tomada do poder pelos nacionalistas. Na verdade, os EUA assinaram a sentença de morte da Ucrânia. O governo faz o que pode para fortalecer a posição do novo governo ucraniano. Obama não esperou nem a posse: já se encontrou com Poroshenko durante visita a Varsóvia.


Obama estava reunido com o presidente eleito, no momento em que a aviação ucraniana bombardeava áreas urbanas populosas no leste do país. Na conversa com seu contraparte ucraniano, Obama disse:

“Estou entusiasmado ante as oportunidades. Creio que o povo ucraniano escolheu bem, ao eleger alguém  com talento para liderar os ucranianos nesse período difícil. E os EUA estão absolutamente comprometidos com apoiar o povo ucraniano e suas justas aspirações, não só nos próximos dias e semanas, mas também nos anos que virão, porque confiamos que a Ucrânia pode, de fato, ser democracia viva e potente, com laços fortes com a Europa e laços fortes com a Rússia. Mas só poderá acontecer se nós apoiarmos claramente a Ucrânia, durante esse tempo difícil.”[1]
“Discutimos seus planos econômicos e a importância de erradicar a corrupção, aumentando a transparência e criando novos modelos de crescimento econômico. Discutimos questões de energia – para assegurar que a Ucrânia passe a ser economia eficiente no uso da energia, mas, simultaneamente, deixe de depender exclusivamente de fontes russas de energia. Fiquei profundamente impressionado por sua visão [de Poroshenko], em parte devida à sua experiência como empresário, que compreende bem o que é preciso para ajudar a Ucrânia a crescer e ser efetiva.”

Mas... de que ‘dependência’ fala Obama, no momento em que cresce a indignação na Europa porque Kiev reluta a quitar a dívida de gás super subsidiado que tem a pagar à Rússia. Ninguém paga $268,5 dólares por mil metros cúbicos, nem a Alemanha nem qualquer outro estado europeu. Todos estão habituados a pagar $400-500, com pequena variação, dependendo das condições de momento.

Europeus e a russa Gasprom absolutamente não entendem que estado é esse cujo governo não quer pagar pelo gás que recebe a preço baratíssimo... mas obriga o povo a suportar o ônus de não ter gás! Kiev parece não perceber que a Europa não a apoiará.

Em sua primeira reunião mais demorada com o presidente eleito da Ucrânia Petro Poroshenko, Obama disse que

“Nossa capacidade para modelar a opinião mundial ajudou a isolar completamente a Rússia. Por causa da liderança dos EUA, o mundo imediatamente condenou as ações russas”.

[É fala de autista. Difícil acreditar que tenha dito tal coisa,] e mais difícil ainda entender o que teria levado o presidente dos EUA a crer que a Rússia esteja isolada. Hoje, tudo isso parece sonho, ou delírio, sem qualquer contato com a realidade.

Os fatos apontam em direção oposta. A empresa-imprensa ocidental está chocada ante o amplo apoio com que o presidente Putin conta na Europa.

Pesquisa de opinião realizada pelo canal N-TV da televisão alemã chegou ao surpreendente resultado segundo o qual 89% de seus telespectadores apoiavam as políticas de Vladimir Putin, presidente da Rússia, para a Ucrânia. A maioria dos entrevistados responderam “sim” à seguinte pergunta: “Você compreende e aprova as políticas de Putin?” O resultado foi tão contrário ao que os entrevistadores esperavam, que a pesquisa foi retirada no mesmo dia da página da N-TV. Era tarde, porque muita gente já havia fotografado a tela e distribuído as fotos em páginas e pelas redes sociais.

Uma dessas imagens, postada na página Facebook de Christophe Hoerstel de Potsdam mostra que 89% dos entrevistados responderam um claro “sim”; 11% responderam “não”, e não havia outras opções de resposta.

Pesquisa do Wall Street Journal mostrou exatamente os mesmos resultados. Dizia que europeus letrados opõem-se firmemente a sanções contra a Rússia. Na mesma edição, o jornal mostrava que os índices de aprovação do governo Obama alcançavam recordes negativos históricos em pesquisas feitas nos EUA. Números sempre crescentes de norte-americanos rejeitam a posição de Obama na questão ucraniana.

Será que Poroshenko sabe disso? Ao destacar a importância de sua visita a Varsóvia, a imprensa-empresa ucraniana apresentou-o como “diplomata muito experiente”, provavelmente por causa da rica experiência que adquiriu quando foi ministro de Relações Exteriores. Poroshenko ocupou esse cargo por exatos TRÊS DIAS: de 9 a 12 de outubro de 2009.

Poroshenko é comerciante e empresário. Para ele a Ucrânia é e sempre será lugar de onde extrair lucros. Mas Obama ficou impressionadíssimo por seus planos (“Fiquei profundamente impressionado por sua visão, em parte por causa de sua experiência como empresário, que compreende tudo o que é necessário para ajudar a Ucrânia a crescer e ser efetiva”). Não surpreende ninguém!

Hunter Biden, filho do vice-presidente dos EUA Joe Biden, acaba de ser contratado para a diretoria da empresa Burisma Holdings, maior produtor privado de gás da Ucrânia. O grupo tem interesse no leste da Ucrânia, onde se alastra a guerra civil, depois do golpe em Kiev. Biden aconselhará sobre “transparência, governança privada e responsabilidade, expansão internacional e outras prioridades” para assim “contribuir para a economia e beneficiar o povo da Ucrânia”.  Aleksander Kwasniewski, ex-presidente da Polônia de 1995 a 2005 também participa da mesma diretoria. É uma espécie de leva-e-traz entre Washington e Kiev.

Como se vê facilmente, todos os pré-requisitos para que a Ucrânia seja convertida em colônia do ‘ocidente’ estarão criados em pouco tempo.

A primeira reunião entre Obama e Poroshenko gerou quantidades consideráveis de retórica anti-Rússia. Nas palavras de Obama:
“É importante para a comunidade internacional posicionar-se firmemente a favor dos esforços de Petro para negociar com os russos um processo pelo qual a Rússia deixe de financiar e apoiar separatistas armados em território soberano da Ucrânia, e que uma comunidade internacional unida deixe claro que há violação da lei internacional e que ela insiste em apoiar esses princípios, com consequências contra a Rússia no caso de o Sr. Putin não aproveitar a oportunidade para desenvolver melhor relacionamento com seus vizinhos – e essa tem de ser parte de nossa missão ao longo dos próximos vários dias”.
Na conferência com a imprensa, o presidente dos EUA disse que não tem interesse em ameaçar a Rússia, mas que a Rússia tem de respeitar a soberania da Ucrânia, conter os combatentes separatistas e trabalhar junto com Poroshenko.

Se a Rússia não obedecer, disse Obama, mais sanções já estão preparadas. “O Sr. Putin tem uma escolha a fazer” – disse Obama. – “É o que lhe direi se o encontrar publicamente. E é o que já lhe disse privadamente.”[2]

Obama disse que oferecerá a Poroshenko o apoio dos EUA para a economia ucraniana, para garantir que superem o inverno, no caso de Moscou fechar as torneiras do fornecimento de gás, em ação de retaliação pela falta de pagamento (sic). Washington reconheceu que a Rússia teve relacionamento histórico com a Ucrânia e tinha interesses legítimos sobre o que acontecesse nas suas fronteiras – disse Obama. – “Mas nós também acreditamos que os princípios de integridade territorial e soberania têm de ser respeitados. Preparamos custos econômicos a serem cobrados da Rússia, que podem aumentar se, de fato, continuarmos a ver a Rússia ativamente desestabilizando um de seus vizinhos do modo como já vimos recentemente”.

Solicitado a comentar se o tópico Ucrânia seria discutido, Peskov, porta-voz de Vladimir Putin presidente da Rússia, disse que o presidente Putin estava disposto a discutir quaisquer temas. No contexto das celebrações que marcam os 70 anos do desembarque das tropas aliadas na Normadia, Putin “manterá inúmeros contatos, como eles dizem, em pé” – disse Peskov. Mas não há nada marcado, de qualquer reunião entre o presidente da Rússia Vladimir Putin e Petr Poroshenko. “Não, ninguém está trabalhando nisso” – Peskow disse à Interfax.
 
Notas

Quando os gatos gordos se reúnem em Munique: bem-vindos à Conferência Monetária Internacional


Data de publicação em Tlaxcala: 06/06/2014

Andrew Gavin Marshall 
Traduzido por  mberublue
Edité par  Coletivo de tradutores Vila Vudu

Na parte 1 dessa série, examinei a história e os primórdios da evolução da reunião que tem lugar entre banqueiros mundiais e autoridades financeiras e monetárias, na Conferência Monetária Internacional (CMI). Na parte 2, o foco foi o papel da CMI no período que antecedeu a crise financeira mundial de 1980. Na parte 3, analisou-se a influência da CMI em toda a crise financeira durante uma década. Este último item, que está sendo publicado justamente quando a Conferência Monetária Internacional está sendo preparada para acontecer no período de 1 a 3 de junho, com um encontro no Hotel Bayerischer Hof em Munique, Alemanha – pretende esmiuçar quais as atitudes da CMI para manter seus status de importância entre as instituições mais influentes do mundo em termos econômicos, financeiros e monetários. Está incluso um rol de banqueiros que dirigem a CMI, juntamente com documentos que vazaram da reunião de 2013, que aconteceu em Xangai.
Em Toronto, 1992, na Conferência Monetária Internacional que ali teve lugar, havia um consenso entre os banqueiros privados e autoridades públicas que como o resultado do grande volume de empréstimos para a América Latina e países em desenvolvimento durante toda a década que antecipara a crise da dívida em 1980, a missão de financiar “a conversão da União Soviética em uma economia de mercado” não poderia ser resolvida apenas com empréstimos bancários. Hilmar Kopper, o CEO (Chief Executive Officer – Diretor Executivo [NT]) do Deutsche Bank, disse aos participantes da conferência que os bancos comerciais só se engajariam na tarefa desse financiamento em larga escala, se houvesse “créditos garantidos pelos governos”, além de “um acordo em relação à dívida anterior” o que implica, na essência, que os bancos necessitariam da garantia de que os governos os ajudariam, caso as coisas ficassem ruins. Toyoo Gyohten, ex-ministro das finanças do Japão, disse aos participantes que “o setor público, através de suas agências, cooperará com os bancos privados, com a disposição de compartilhar os riscos inevitáveis.”

Don Mazankowski
O ministro das finanças do Canadá, Don Mazankowski, disse aos banqueiros que “nós estamos preparados para ajudar” o bloco dos países da antiga União Soviética desde que “eles ajudem a si mesmos e sigam o caminho certo para crescer economicamente e prosperar.” Em suas palavras, estava implícita a fórmula: aplicar a mesma austeridade e os pacotes de ajustamento estrutural que foram impostos a outros países na ocasião da crise da dívida de 1980. Os banqueiros reafirmaram o mesmo ponto de vista, com a observação de que “seria muito complicado para os governos ser generosos com a Rússia, a menos que ela estabelecesse um programa para recuperação econômica que fosse aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).”

Durante os anos 90, a CMI continuou a ser importante fórum de discussões para banqueiros e autoridades monetárias. Ponderações do Presidente do Federal Reserve Alan Greenspan e do presidente do Banco Central da Alemanha (Bundesbank) na reunião da Conferência Monetária Internacional de 1995 tiveram a consequência de fortalecer o dólar americano e, ao mesmo tempo, enfraquecer o marco alemão nos mercados internacionais.
A influência da CMI em anos recentes
No começo do século 21, a Conferência Monetária Internacional permaneceu relevante, como admitiu Willem F. Duisenberg, presidente do Banco Central Europeu em 2001, em uma conferência de imprensa. Duisenberg foi duramente criticado pela imprensa europeia por sua recusa em comparecer a recente encontro entre Ministros de Finanças e banqueiros de bancos centrais de países da zona do euro, que aconteceu em Bruxelas.

Duisenberg comentou: “gostaria de notar que tem sido uma tradição desde 1954 que o destaque das reuniões anuais das CMI, que acontecem a cada ano em local diferente, é um painel dos bancos centrais, no qual estes, ou seus banqueiros, dos países que têm as três principais moedas mundiais participam. Eu já participei. Se eu não estivesse lá, teria chamado mais atenção que se estivesse em Bruxelas (...) posso lhes dizer que a próxima reunião da CMI será (...) em Montreal (em 2002), e em seguida, um ano após, será (...) em Berlim. Nas duas ocasiões, podem estar seguros, se a data da reunião coincidir com o encontro do Eurogrupo, o Banco Central Europeu será representado no Eurogrupo pelo seu vice-presidente.”

Realmente, pudemos ver que a importância e relevância da reunião anual da CMI, que se realizou em 2013 em Xangai, não diminuíram. Mesmo que a CMI não tenha um site que possa ser acessado pelo público, consegui montar uma lista (aproximada) de altos funcionários e membros do Conselho da Conferência Monetária Internacional, filtrando informações de referências nos currículos e biografias disponíveis ao público, assim como de documentos vazados, nos quais se inclui uma visão do programa da conferência de 2013.
Guarde estes nomes

Baudouin Prot
Baudouin Prot é o presidente e chairman(presidente do conselho de diretores ou do quadro de conselheiros de empresa ou corporação [NT]) da Conferência Monetária Internacional. AntesCEO do BNP Paribas, um dos maiores bancos mundiais com sede na França, é atualmente presidente desse banco, assim como membro do conselho de Kering, Veolia Environment, Lafarge, Erbé S/A e Pargesa Holding S/A. É ainda membro do Painel Internacional de Consultas para a Autoridade Monetária de Cingapura, do Conselho Consultivo de Líderes de Negócios para o prefeito de Xangai, da Mesa Redonda de Serviços Financeiros Europeus e chairman do Grupo Bancário Europeu.

Frank Keating é vice-presidente executivo da Conferência Monetária Internacional, presidente eCEO da Associação Americana de Banqueiros e ex-presidente do Conselho Americano de Seguradores da Vida (2003-2011). Também é ex-governador de Oklahoma (1995-2003) antigo funcionário do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos e ex-Secretário Assistente do Tesouro. É ainda membro do conselho de administração da Fundação Arquivo Nacional, do Centro de Política Bipartidária, da Fundação Jamestown e já foi membro da Força Tarefa do Centro de Política Bipartidária para a Redução da Dívida em 2010.

Outros membros do conselho da Conferência Monetária Internacional já confirmados incluem: Gordon Nixon, presidente e CEO do Royal Bank of Canada; William Downe, CEO do BMO Financial Group; Axel Weber, chairman do UBS; Francisco Gonzalez, chairman e CEO do BBVA; Roberto E. Setúbal, presidente e CEO do Itaú Unibanco S/A; Richard Waugh, presidente e CEO do Scotiabank; Chanda Kochhar, diretor geral e CEO do ICICI Bank; Jacko Maree, banqueiro sênior do Standard Chartered; Andreas Triechl, chairman e CEO do Erste Group Bank; e Walter B. Kielhoz, chairmanda Swiss Re.

Curiosamente não existem grandes bancos ou banqueiros americanos arrolados como membros atuais da diretoria da CMI, que é dominada por banqueiros europeus e canadenses. Há ainda três banqueiros cujos currículos mencionam que seriam membros da CMI, mas quando tentei confirmação por contato com a CMI e com a Associação de Banqueiros Americanos para confirmar a veracidade da afirmação de que seriam membros do conselho – o conselho da CMI é formado de 15 membros, mas pude confirmar apenas 12 – nem a ABA nem a CMI responderam às minhas consultas. Os três banqueiros listados como “membros” – e talvez, mas sem confirmação membros do conselho da CMI – são Federico Ghizzoni, o CEO do UniCredit; Douglas Flint, chairman do HSBC (e também chairman do Instituto Financeiro Internacional), e Ibrahim S. Dabdoub, CEO do National Bank of Kuwait.

Podemos ver então quais as instituições mais representadas entre os membros do conselho da Conferência Monetária Internacional, examinando os currículos dos 12 membros do conselho já confirmados:

Dentre os membros do conselho da CMI, quatro o são também do Instituto Financeiro Internacional, que forma o principal grupo de lobby bancário no mundo; quatro membros do conselho da CMI também são membros do Conselho Internacional de Negócios, do Fórum Econômico Mundial e da Mesa Redonda de Serviços Financeiros Europeus, grupo dos grandes banqueiros europeus. Três membros também representam o Grupo Bancário Europeu, criado para assessorar a União Europeia na regulamentação do mercado financeiro, assim como do Conselho Canadense de Diretores Executivos, corporação para agir nos grupos de interesse das grandes empresas canadenses.

Compartilhando a liderança com pelo menos dois membros no conselho da CMI, estão o Painel Internacional de Consultas para a Autoridade Monetária de Cingapura, o Conselho Consultivo de Líderes de Negócios para o prefeito de Xangai, e o Comitê Consultivo Internacional do Federal Reserve Bank de New York.

Incluindo-se os três banqueiros cujos currículos os mencionam como “membros” da CMI, aumenta a representação na liderança das seguintes instituições: a Mesa Redonda de Serviços Financeiros Europeus passa de quatro para seis membros no conselho da CMI, o Grupo Bancário da Comissão Europeia vai de três para cinco membros, o Instituto Financeiro Internacional de quatro para cinco membros e o Conselho Consultivo de Líderes de Negócios Internacionais para o prefeito de Xangai aumenta de dois para três.
Detalhes vazaram em Xangai
O programa planejado para os quatro dias da conferência em Xangai, realizada no Four Seasons Hotel Shanghai no começo de junho de 2013 vazou da reunião da Conferência Monetária Internacional, naquela ocasião. As boas vindas seriam apresentadas pelo presidente e CEO da Associação de Banqueiros Americanos, Frank Keating, às quais se seguiria o discurso de abertura, proferido pelo presidente do BNP Paribas e da CMI, Baudouin Prot.

Na segunda feita, 3 de junho, teriam início as palestras da Conferência Monetária Internacional, que incluíam Han Zheng, membro do Gabinete Político do Comitê Central do PCC (Partido Comunista Chinês); Mario Draghi, presidente então do Banco Central Europeu; Douglas Flint, presidente do HSBC e também do Instituto Financeiro Internacional (e membro não confirmado do Conselho da CMI); Jaime Caruana, gerente geral do Banco de Compensações Internacionais (BCI); Lord Adair Turner, ex-presidente da FSA (Financial Services Authority) no Reino Unido e membro sênior do Instituto para um Novo Pensamento Econômico e Janet Yellen, vice-chairman e diretora (atualmente presidente) do Federal Reserve Board.

Outros palestrantes da Conferência Monetária Internacional seriam Axel A. Weber, chairman do UBS; Niall Fergunson; Professor Lawrence A. Tish de História, da Universidade de Harvard; Jacob A. Frenkel, chairman do JPMorgan Chase Internacional e chairman do Board of Trustees do Grupo dos 30 (G30); Tharman Shanmugaratnam, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças do governo de Singapura; Zhou Xiaochuan, diretor do Banco do Povo da China (Banco Central Chinês); Jamie Dimon, chairman e CEO do JPMorgan Chase; Jurgen Fitschen, co-chairman do Deutsche Bank; John G Strumpf, chairman, presidente e CEO da Wells Fargo; Francisco Gonzalez, chairmanCEO do BBVA; Sir Martin Sorrel, CEO do WPP e Victor Yuan, chairman e presidente do Horizon Research Consultancy Group.

Conferencistas adicionais na reunião foram Jiang Jianqing, chairman do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC); Stephen Bird, CEO para a Asia Pacific e Citibank em Hong Kong; Michael Pettis, Professor de finanças internacionais na Guanghua School of Management da Universidade de Pequim; Peter Sands Diretor Executivo da Standard Chartered; Shang Fulin, chairman do China Banking Regulatory Commission; Tian Guoli, chairman do Bank of China e Andrew Sheng, presidente do Fung Global Institute em Hong Kong.
Yellen
Só o fato de que este grupo financeiro internacional encontrou-se com líderes de bancos e banqueiros chineses e autoridades do governo chinês já mostra a relevância da CMI. Acrescente-se que Janet Yellen, então candidata ao cargo de presidente do conselho do Federal Reserve participou da reunião da Conferência Monetária Internacional, como vice-presidente do Federal Reserve, apresentando na ocasião sua visão do “que mais pode e deve ser feito” para “tornar o sistema financeiro mundial mais resistente.”

Entre os assuntos expostos por Yellen no discurso que fez para centenas de banqueiros globais que se reuniram na CMI de 2013 destaca-se o conceito de bancos “grandes demais para falir” aos quais agências reguladoras (e principalmente os bancos centrais) se referem como “instituições financeiras sistemicamente importantes” ou (ing.) SIFIs. Yellen observou que houve propostas para uma “reestruturação radical do sistema bancário” que incluíam a possibilidade de “ressurreição da separação ao estilo da Le Glass Steagall (lei bancária promulgada por Franklin D. Roosevelt que impedia a especulação com derivativos bancários [NT]) entre os bancos comerciais e os bancos de investimento, com a imposição de limites ao tamanho dos bancos.” Tranquilizando os grandes financistas, Yellen disse que “não estou bem certa de que este tipo de abordagem seria a mais correta para resolver o problema dos bancos ‘grandes demais para falir’”.

Realmente, problemas sistêmicos nos sistemas monetário, financeiro e econômico globais, provavelmente continuarão por resolver, dado que fóruns como a Conferência Monetária Internacional têm a permissão de acontecer a salvo do escrutínio do público. São encontros nos quais banqueiros centrais, reguladores e homens de decisão sobre a política financeira se encontram privadamente com os banqueiros mais influentes do mundo com o fito de obter um consenso, cooperação mais próxima; são onde, finalmente, acontece o conluio entre nossos funcionários públicos e os banqueiros que lucram com a destruição financeira e econômica que eles mesmos desencadearam
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