"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

quarta-feira, abril 13, 2016

Le Mississippi adopte un projet de loi qui discrimine les homosexuels

media Drapeau symbole de la lutte pour les droits des homosexuels. Getty Images
 
L'Etat du Mississippi, dans le sud des Etats-Unis, s'est prononcé vendredi 1er avril sur un projet de loi discriminant les communautés gays et lesbiennes. Le texte n'est pas encore ratifié, mais il pourrait l'être très prochainement dans cet Etat très conservateur.
Avec notre correspondante à New York, Marie Bourreau
Concrètement, ce projet de loi autorise les entreprises basées dans le Mississippi et les fonctionnaires du même Etat à refuser des services aux couples homosexuels qui souhaiteraient se marier.
Le Mississippi s'inspire ainsi d'une dizaine d'autres Etats du Sud américain, très religieux et conservateur, qui ont tenté ces derniers mois de passer des lois similaires pour faire barrage à l'arrêt historique de la Cour suprême américaine. Un arrêt qui avait légalisé le mariage gay dans tout le pays en juin 2015. L'Etat de Géorgie, qui avait tenté de faire passer un texte discriminatoire, avait tout de même fini par y renoncer sous la pression de grandes entreprises pourvoyeuses d'emplois dans la région.
Mais le bras de fer se poursuit en Caroline du Nord où une loi niant le droits des homosexuels a fini par être ratifiée. Le gouvernement Obama espère avoir trouvé une parade. L'Etat pourrait tout simplement être privé d'aides fédérales. Un manque à gagner qui se chiffrerait à des milliards de dollars pour la Caroline du Nord. Une pression considérable sur cet Etat qui est aussi une destination balnéaire pour les Américains qui pourraient tout simplement décider d'aller bronzer sous des cieux plus tolérants.

terça-feira, março 29, 2016

Clientes discriminam garçom autista e restaurante dá resposta perfeita

Redação Pragmatismo28/Mar/2016 às 18:17

Restaurante dá resposta perfeita a clientes que discriminaram e se negaram a ser atendidos por garçom autista

restaurante preconceito autista autismo garçom
(Imagem: O garçom Andy Foster e o seu chefe, dono do restaurante)

Andy Foster, um autista de 45 anos, trabalha no Restaurante Grenache em Manchester, na Inglaterra, e recentemente se deparou com clientes que “pareciam ter um problema com ele” apesar de seu bom serviço, contou o proprietário Mike Jennings ao jornal Manchester Evening News.
Quando Jennings explicou a situação de Foster, ele ficou horrorizado ao descobrir que os seus clientes se negaram a ser atendidos pelo empregado. As informações são do Daily Mail.
“‘Qual é o problema dele?’ e ‘por que você deu esse trabalho para ele?'”, perguntaram os clientes, de acordo com uma publicação do Facebook que relata a situação.
Em defesa de Foster, Jennings e sua companheira, Karen Deveney, decidiram falar sobre o ocorrido no Facebook para avisar as pessoas sobre o que o estabelecimento realmente pensava sobre o preconceito dos clientes naquela noite.

Confira a publicação do Grenache Restaurant:
Hoje passamos o dia reconstruindo a autoestima de um dos membros da nossa equipe, depois de ele ter sido desrespeitado e discriminado por uma mesa no jantar de ontem à noite.
“Qual é o problema dele?” e “por que você deu esse trabalho para ele?”, os clientes perguntaram…
Aqui no Grenache, nós contratamos nossos funcionários com base na experiência e paixão pelo trabalho… e NÃO pela cor de sua pele, pela aparência, pela quantidade de tatuagens, pelo tamanho das roupas, pelas crenças religiosas ou por doenças. Nós não discriminamos!
Mas se você FAZ ISSO… então, por favor, não reserve uma mesa no Grenache. Você não merece nosso tempo, esforço, nem RESPEITO!”
#timeGrenache #oportunidadesiguais #direitosiguaisnotrabalho #respeito

Post foi curtido mais de 31 mil vezes no Facebook:
com informações de Huffington Post

A Suécia não tolera juízes como Sergio Moro e Gilmar Mendes


Redação Pragmatismo25/Mar/2016 às 11:15

Integrante da Suprema Corte sueca afirma que, em seu país, juízes como Sergio Moro e Gilmar Mendes, comprometidos com política, são impensáveis porque 'destroem o judiciário'

o juiz sueco Göran Lambertz
O juiz sueco Göran Lambertz
Claudia Walin*, DCM

“É extremamente importante que juízes de todas as instâncias, em respeito à democracia e à ordem jurídica e constitucional, atuem com total imparcialidade. Caso contrário, não haverá razão para a sociedade confiar nem em seus juízes, e nem em seus julgamentos”, pontua o juiz sueco Göran Lambertz.
Um dos 16 integrantes da Suprema Corte da Suécia, Lambertz vê com preocupação a atual crise no Brasil:
“À distância, tem sido difícil entender o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro. Mas preciso dizer que me parece, de modo geral, que alguns atores do processo legal que se desenvolve no Brasil não são totalmente independentes em relação aos aspectos políticos do caso.”
Um juiz, especialmente da Suprema Corte, deve ser cauteloso ao manter conversações com partes interessadas em determinado caso – diz o magistrado.
E se um juiz sueco agisse de uma forma percebida como não totalmente independente e imparcial, afirma Lambertz, a Suprema Corte anularia seu julgamento e determinaria a substituição do magistrado no processo.
“Quando os representantes da Justiça não são totalmente imparciais, não pode haver justiça. Em vez de justiça, será feita injustiça”, observa Lambertz.
A seguir, a íntegra da entrevista concedida em Estocolmo.
Como o senhor vê a atuação da Justiça brasileira na atual crise, diante das controvérsias acerca dos procedimentos utilizados nas investigações sobre denúncias de corrupção e do processo de impeachment contra a presidente da república?
GÖRAN LAMBERTZ: Estou um pouco preocupado com o que está ocorrendo no Brasil. À distância, tem sido difícil entender o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro. É muito importante que a mídia internacional informe os fatos em toda a sua abrangência, pois não está claro quem está certo, e quem está errado. Mas preciso dizer que me parece, de modo geral, que alguns atores do processo legal que se desenvolve no Brasil não são totalmente independentes em relação aos aspectos políticos do caso. Não quero citar nomes. Mas isso me preocupa.

Como a Suécia assegura a imparcialidade do sistema judicial?

GÖRAN LAMBERTZ: A imparcialidade da Justiça é o núcleo central de todo o sistema. E protegemos essa imparcialidade proibindo juízes de atuarem em qualquer caso em que possam ter algum tipo de interesse pessoal. Por exemplo, quando um juiz possui ações em uma empresa que está sob julgamento, ou quando um juiz tem relações com alguém envolvido no caso a ser julgado. Temos leis rígidas sobre a imparcialidade dos juízes em nosso sistema judicial, e executamos essas leis rigidamente.

Qual é o papel da Suprema Corte nesse processo?

GÖRAN LAMBERTZ: Na Suécia, assim como na maioria dos países, o papel da Suprema Corte é proteger a Constituição e tornar a lei clara para todos. Outro papel importante do Supremo é garantir a aplicação das convenções internacionais sobre temas diversos, como por exemplo a proteção aos direitos humanos de um indivíduo.

Qual seria o procedimento na Suécia para garantir a ordem jurídica e constitucional, diante de uma suspeita de imparcialidade legal?

GÖRAN LAMBERTZ: Se um juiz sueco agisse de uma forma percebida como não totalmente independente e imparcial, a Suprema Corte anularia seu julgamento do caso. O julgamento seria declarado ilegal.

A Suprema Corte sueca determinaria o afastamento do juiz?

GÖRAN LAMBERTZ: A Suprema Corte sueca enviaria o caso de volta ao tribunal em questão, e o tribunal teria que substituir o juiz por um outro magistrado. Mas isso não é algo que acontece na Suécia. Porque na realidade, todos os juízes têm consciência de que devem ser totalmente imparciais, e nenhum deles se colocaria em tal posição de risco.

Quais são as regras que regulam o critério de imparcialidade dos juízes na Suécia?

GÖRAN LAMBERTZ: Juízes suecos não são proibidos de expressar suas posições em público ou de manter conversas com representantes políticos, mas isto é considerado algo inadequado. Em geral, os juízes preferem não correr o risco de serem considerados pessoas impróprias para julgar de forma imparcial.
O ministro do STF Gilmar Mendes virou um dos focos das atenções ao determinar a suspensão da posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil, após ter sido fotografado almoçando com representantes da oposição ao governo. A decisão foi comemorada por parte da população, que interpretou a posse de Lula no ministério como uma manobra para a obtenção de foro privilegiado. Criticado por partidários do governo, Mendes declarou que não está proibido de conversar com representantes da oposição, ou do governo. Qual é a sua interpretação?

GÖRAN LAMBERTZ: Para mim, é difícil emitir uma opinião, sem conhecer os detalhes do que de fato ocorreu. Mas um juiz, especialmente da Suprema Corte, deve ser cauteloso ao manter conversações com partes interessadas em determinado caso. Se isso de fato ocorreu, me parece algo preocupante.Por quê?

GÖRAN LAMBERTZ: Porque é extremamente importante que juízes de todas as instâncias, em respeito à democracia e à ordem jurídica e constitucional, atuem com total imparcialidade. Caso contrário, não haverá razão para a sociedade confiar nem em seus juízes, e nem em seus julgamentos.
Aplaudido por parte da população por sua cruzada contra a corrupção no país, o juiz Sergio Moro tem por outro lado sofrido críticas em relação aos métodos empregados na Operação Lava Jato, que envolvem estender o prazo de prisões preventivas para fechar acordos de delação premiada antes de levar suspeitos a julgamento. São métodos juridicamente válidos?

GÖRAN LAMBERTZ: Não gostaria de emitir juízo sobre qualquer processo legal conduzido no Brasil. E nem poderia fazê-lo, à distância e sem conhecer os pormenores do caso. O que posso dizer é que estes tipos de método não são usados aqui na Suécia. Minha impressão é de que tais métodos não deveriam ser usados por um juiz em sua posição como magistrado. Não me parece que, ao adotar tais métodos, um juiz estaria agindo como um juiz deve agir.
Tanto o ministro da Justiça do Brasil como um dos integrantes da Suprema Corte, Marco Aurélio Mello, sugeriram que o juiz Sergio Moro cometeu um crime ao tornar público o teor da gravação de conversa telefônica entre a presidente da república e o ex-presidente Lula. Já o juiz Moro se defendeu dizendo que a divulgação da conversa seria de interesse público. O Conselho Federal da OAB também diz que a sociedade tem o direito de ter acesso a todas as informações. Quem tem razão, a seu ver?

GÖRAN LAMBERTZ: Devo dizer que não posso tecer comentários a respeito. Porque trata-se de algo tão impensável na Suécia, que não consigo sequer imaginar que isso possa ocorrer. Valer-se de grampos e divulgar conversas telefônicas interceptadas, seja de que cidadão for, não é tarefa de um juiz.
Em uma situação de tal polarização, quem vigia os vigias para assegurar a ordem constitucional?

GÖRAN LAMBERTZ: Não há, de fato, vigias para vigiar o sistema judiciário. Com a exceção, eu diria, da mídia. É papel da mídia supervisionar a Justiça. Uma mídia responsável é o cão de guarda das instituições de uma sociedade, incluindo o sistema judicial. Não há supervisão dos juízes de um país, pois a sociedade espera que eles sejam pessoas verdadeiramente independentes e honestas. E se uma sociedade suspeita que seus juízes não sejam pessoas verdadeiramente independentes e honestas, o país passa a enfrentar um grave problema.

Que problema, especificamente?

GÖRAN LAMBERTZ: Investigações e processos judiciais devem ser conduzidos de forma isenta e apropriada, dentro dos ditames das leis constitucionais. Um país deve ter um sistema judicial imparcial e honesto, que tenha a confiança da população. Se o Judiciário perde a confiança da população, o país passa a enfrentar um grande, grande perigo. Porque quando os representantes da Justiça não são totalmente imparciais, não pode haver justiça. Em vez de justiça, será feita injustiça.

*A jornalista brasileira Claudia Wallin, radicada em Estocolmo, é autora do livro Um país sem excelências e mordomias

quinta-feira, março 17, 2016

'Quem disser saber o que se passará no Brasil nos próximos meses está mentindo', diz autora de livro sobre PT


BBC Brasil - 16 março 2016



O cenário do país após a nomeação de Lula para a Casa Civil está ainda mais imprevisível, e é difícil saber se a entrada do ex-presidente no governo vai salvar ou afundar de vez o mandato de Dilma Rousseff, dizem analistas estrangeiros ouvidos pela BBC Brasil.
A nomeação ocorre um dia depois da homologação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral, o qual afirmou que Dilma "tinha pleno conhecimento" sobre o processo da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA – que depois causou prejuízos à Petrobras –, e que Lula teria tentado "comprar o silêncio" de Marcos Valério durante o mensalão. Ambos negam as acusações.
Acuada pelas notícias negativas, a petista tenta, com a nomeação do ex-presidente para o cargo mais importante de seu gabinete, salvar seu mandato de um processo de impedimento que parece cada vez mais iminente.
No entanto, para Jan Rocha, jornalista britânica radicada no país e coautora de Brazil Under the Workers' Party: From Euphoria to Despair (Brasil sob o PT: da Euforia ao Desespero, em tradução livre), a aposta da presidente é arriscada.
"Se as coisas derem errado – e não há razões para simplesmente presumir que elas darão certo -, isso também poderá afetar as chances de Lula de disputar as eleições de 2018", diz a jornalista.
Ela também afirma que não vê como Lula, chamado de "animal político" por seu poder de articulação, poderia a "evitar a debandada do PMDB". "O que ele pode negociar? A pessoa que disser saber o que se passará no Brasil nos próximos meses está mentindo."

Sobrevivência

A habilidade do ex-presidente de convencer o partido é, para Jimena Blanco, analista-chefe para as Américas da empresa de análise Verisk Maplecroft, o que vai determinar a sobrevivência (ou não) de Dilma.
A expectativa é de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), destrave novamente o trâmite do impeachment com o anúncio, até o fim desta semana, da formação da Comissão Especial que emitirá um parecer a favor ou contra a abertura do procedimento.
"Mas a estratégia é de risco e pode sair pela culatra. A decisão do PMDB vai depender muito da reação popular à nomeação de Lula. Se ela fortalecer o movimento pró-impeachment, isso poderá fazer o PMDB oscilar para o lado da ruptura com o governo", afirma Blanco.
Ela acrescenta que a entrada do ex-presidente aponta para mudanças no governo: a possibilidade de Dilma oferecer proteção a Lula, que ganha foro privilegiado e não será julgado por Sérgio Moro, sugeriria que ela não está tão comprometida com a política de faxina prometida em 2010.
Teria contribuído para Lula aceitar o convite o fato de a juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, ter transferido a Moro a decisão sobre o pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público paulista contra o petista, sob a justificativa de que Moro teria mais competência para decidir a questão.
Em coletiva nesta quarta-feira, Dilma disse que "(a mudança de foro) não significa que uma pessoa não é investigada, só (muda) por quem ela é investigada. A verdade é que a vinda de Lula fortalece o meu governo, e muita gente não quer ele fortalecido."
Ao mesmo tempo, para Blanco, a nomeação dá margem para especulações sobre alterações na política econômica do governo, da qual o ex-presidente é crítico. A crise econômica é um dos motivos do forte desgaste da presidente – a economia brasileira recuou 3,8% em 2015, segundo o IBGE, e caminha para tombo semelhante neste ano, segundo economistas.
E o economista do Peterson Institute for International Economics William Cline diz que as acusações contra Lula, aliadas à possibilidade de ele usar a indicação ministerial "para prorrogar sua eventual prisão", aumentam a incerteza política e têm reflexo na economia.
"Não acredito que os mercados financeiros vão reagir positivamente, apesar do excelente desempenho da economia brasileira quando Lula foi presidente. Por causa da queda no preço das commodities, a má gestão da política econômica e o adiamento das decisões como consequência do escândalo da Petrobras, o cenário para o Brasil já era de recessão neste ano e de quase zero crescimento no ano que vem."

Vantagens e desvantagens

Diante de tantas ponderações, a entrada oficial de Lula tem potencial para causar impactos positivos e negativos para o governo.
De um lado, o ex-presidente agrega ao governo sua enorme capacidade de articulação política e de se comunicar com as classes mais pobres e os movimentos sociais – habilidades úteis para enfrentar a crise política, que faltariam em Dilma.
De outro, abre espaço para críticas de que o líder petista esteja buscando proteção contra eventuais decisões do juiz Sergio Moro – responsável por julgar ações da operação Lava Jato na primeira instância. Ao virar ministro, Lula passa a ter foto privilegiado e a ser as acusações contra si avaliadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Grampos, Lula, Dilma e Moro: entenda o novo caos político

Carta Capital -  publicado 16/03/2016 23h12, última modificação 16/03/2016 23h17

Política

Operação Lava Jato

 

Protesto contra Dilma e Lula
Em frente ao Palácio do Planalto, manifestantes protestam contra a nomeação de Lula como ministro e pedem a renúncia de Dilma, na noite desta quarta-feira 16

O Brasil chegou nesta quarta-feira, 16 de março, ao que parece ser o ponto mais sensível da crise política que se arrasta desde as eleições de outubro de 2014. No dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado como novo ministro-chefe da Casa Civil, uma série de áudios coletados pela força-tarefa da Operação Lava Jato incendiou o ambiente político e ensejou novas manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, algumas das quais registraram episódios de violência.
O que são os grampos envolvendo Lula e Dilma?
Os áudios são uma série de gravações feitas pela Polícia Federal, tornadas públicas na noite desta quarta-feira 16 pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos inquéritos da Lava Jato em primeira instância.
Quando as gravações foram feitas?
As gravações foram feitas entre 17 de fevereiro e 16 de março.
Essas gravações são legais?
Sim e não. As gravações foram autorizadas por Moro uma vez que Lula é investigado na Operação Lava Jato, mas o grampo que tem causado mais celeuma, que captou diálogo entre Lula e Dilma, foi feito às 13h32 desta quarta-feira 16, depois de o próprio Sergio Moro ter determinado o fim das escutas contra o ex-presidente, como mostraram reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL
O que há nas gravações entre Dilma e Lula?
Há pelo menos dois áudios entre Lula e Dilma. Em um deles, com cerca de seis minutos, feito logo após a condução coercitiva de Lula, em 4 de março, o ex-presidente se queixa com a sucessora a respeito da "República de Curitiba", uma referência a Moro, e diz que o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Congresso estão "acovardados". "Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e vai todo mundo se salvar."
Um segundo áudio, feita na tarde desta quarta-feira 16, mostra diálogo entre Dilma e Lula a respeito do "termo de posse", documento que confirma sua nomeação para a Casa Civil. A um Lula monossilábico, Dilma afirma: "Seguinte, eu tô mandando o 'Bessias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!"
O que mais há nos áudios?
Há gravações entre Lula e figuras importantes do primeiro escalão do governo. Em uma das que chama atenção, feita também logo após a condução coercitiva de Lula, o ex-presidente conversa com o então ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e diz que gostaria de "antecipar" uma ação que estava no STF sob os cuidados da ministra Rosa Weber. "Eu queria que você visse agora, falar com ela [Dilma, aparentemente] já que ela está aí, falar com ela o negócio da Rosa Weber. Está na mão dela para decidir. Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram"
Trata-se, provavelmente, do pedido feito pela defesa de Lula para esclarecer quem deveria investigá-lo – o Ministério Público de São Paulo ou o Ministério Público Federal do Paraná, responsável pela Lava Jato. Rosa Weber decidiu que as duas investigações deveriam correr em paralelo, mas nesta semana a Justiça estadual paulista remeteu o caso envolvendo Lula a Sergio Moro.
O que o MPF diz sobre os áudios?
Sem fazer referências a áudios específicos, os procuradores do MPF-PR afirmam que os áudios mostram "conversas que denotam estratégias para turbar as investigações envolvendo Luiz Inácio". Os procuradores citam a delação premiada do senador Delcídio do Amaral e dizem existir "diálogos que envolvem ministros de Estado, e em que os interlocutores aduzem ser possível a interferência na presente investigação".
O que diz Sergio Moro sobre os áudios?
No despacho em que retira o sigilo das gravações, Moro afirma que, aparentemente, há gravações em que se fala "em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-presidente". Moro ressalta, no entanto, que não há nenhum indício nas conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas teriam, de fato, agido "de forma inapropriada". "Em alguns casos, sequer há informação se a intenção em influenciar ou obter intervenção chegou a ser efetivada", observa o juiz.
Ainda de acordo com Moro, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”.
O Palácio do Planalto se manifestou?
Sim. Em nota oficial, o Planalto afirma que o termo de posse foi encaminhado a Lula pois o novo ministro "não sabia ainda se compareceria à cerimônia de posse" e diz que o documento "só seria utilizado caso confirmada a ausência do ministro. O Planalto afirma que a conversa tem "teor republicano" e "repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República".
Ainda segundo a nota, Sergio Moro violou leis e a Constituição de forma flagrante e será alvo de "todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis".
O que diz a defesa de Lula?
O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, classificou de "arbitrária" a divulgação dos grampos, disse que, com a decisão, o juiz Sérgio Moro não tinha mais competência sobre o caso e buscou estimular uma "convulsão social". “Este grampo envolvendo a presidenta da República ser divulgado hoje, quando já não existe competência da Vara de Curitiba, revela uma finalidade que não é processual, revela uma finalidade que busca causar uma convulsão social, que eu repito, que não é o papel do Poder Judiciário”, disse o advogado.
Qual foi a reação da oposição?
Panelaços e buzinaços ocorrem à noite em várias cidades brasileiras contra a nomeação de Lula. A divulgação dos áudios acirrou ainda mais os ânimos e estimulou protestos contra os petistas. 
Em Brasília, de acordo com a Polícia Militar, eram cerca de 5 mil pessoas em frente ao Palácio do Planalto. Elas foram motivados por parlamentares oposicionistas e convocações nas redes sociais. Um homem, até aqui não identificado, jogou uma bomba caseira na rampa do Planalto e foi preso. 
A PM reforçou a segurança na rua que dá acesso ao Palácio da Alvorada, residência oficial de Dilma, e usou bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e spray de pimenta para dispersar os manifestantes da frente do Congresso Nacional. 
Em São Paulo, onde um protesto fechou a Avenida Paulista, manifestantes pró-impeachment agrediram dois jovens, como mostra o vídeo feito pela rádio CBN:


quinta-feira, janeiro 14, 2016

A desigualdade social chega a níveis alarmantes

Carta Capital através do Flipboard 06 jan 16

A concentração de riqueza no mundo é hoje semelhante à da Inglaterra de charles Dickens ou da França de Victor Hugo

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 05/01/2016 03h23



Noor Khamis/ Reuters/ Latinstock
Os Miseráveis
Há mais gente, menos posses e mais dívidas na base da pirâmide


Em 2013, com O Capital no Século XXI, Thomas Piketty alertou para o crescimento contínuo da desigualdade de riqueza desde a década de 1970, contrária à tendência dos 60 anos anteriores e muito mais acentuada e socialmente relevante que a desigualdade de renda, mais fácil de pesquisar e na qual se concentrava a maioria dos estudos anteriores.
 Na Europa, a parcela detida pelo décimo superior subiu de 60% em 1970 para 64% em 2010 e a do centésimo superior de 21% para 24%. Nos EUA, o décimo superior subiu de 64% para 72% e o centésimo superior de 28% para 34%. Na falta de políticas ativas contra a desigualdade (como, por exemplo, impostos progressivos sobre o capital), esses países retornarão em meados do século XXI a um patamar de desigualdade semelhante àquele do fim do século XIX e início do XX.
Nesse período, o 1% mais rico (“classes dominantes”, na terminologia de Piketty) detinha metade de toda a riqueza, o décimo superior (“classes superiores”, sendo os não incluídos no primeiro 1% referidos como “classes abastadas”) , quase 90%, enquanto o 50% mais pobre (“classes populares” na terminologia do economista) ficava com meros 5%. A nostalgia chama esses tempos e de belle époque, mas poucos, mesmo nos países mais ricos, puderam usufruir de sua beleza.
O ano de 2010 foi também aquele no qual o banco Credit Suisse publicou o seu primeiro Global Wealth Report (Relatório da Riqueza Global). Naquele ano, os 50% mais pobres dos 4,44 bilhões de adultos possuíam pouco menos de 2% dos ativos mundiais estimados em 194,5 trilhões de dólares, “embora a riqueza esteja crescendo rapidamente para alguns membros deste segmento”, acrescentava esperançosamente o relatório. Os 10% superiores possuíam 83% da riqueza mundial e o centésimo superior, 43%. A riqueza média equivalia a 43,8 mil dólares líquidos. Era preciso possuir 4 mil para deixar de pertencer aos 50% mais pobres, 72 mil para chegar aos 10% mais ricos e 588 mil para o centésimo superior.
Piketty.jpg
Piketty: sem medidas ativas, como imposto sobre o capital, vai piorar ainda mais.
Cinco anos depois, o relatório de 2015, publicado em 13 de outubro, mostra que a concentração de renda mundial alcançou níveis tão críticos quanto o do mundo industrializado antes da Primeira Guerra Mundial. Apesar do relativo otimismo de 2010, a metade mais pobre dos 4,8 bilhões de adultos ficou ainda mais depauperada: agora possui menos de 1% da riqueza planetária estimada em 250,1 trilhões de dólares, enquanto o décimo mais alto controla quase 90% (87,7%, para ser exato) e o centésimo no topo, exatos 50%. A riqueza média líquida subiu para 52,4 mil, um aumento nominal de 19,6% que se reduz a 9,3% se descontados 9,5% de inflação do dólar nos Estados Unidos em cinco anos, mas os níveis de corte passaram para 3,21 mil (27% mais baixo em termos reais), 68,8 mil (13% mais baixo) e 759,9 mil (18% mais alto), respectivamente.
Percebeu-se há algum tempo, em vários países, como a limitada recuperação da economia após a crise de 2008 fluiu para os bolsos dos privilegiados, enquanto as classes média e popular ficaram ainda mais pobres pela estagnação (ou mesmo redução) dos salários reais, o aumento do desemprego e o maior endividamento. Na Espanha, por exemplo, o número de milionários em dólares (pelo critério do Capgemini e Royal Bank of Canada, que ao contrário do Credit Suisse, não inclui residência e bens de consumo) cresceu de 127,1 mil em 2008 para 178 mil em 2014, enquanto a renda per capita caiu de 35,6 mil para 30,3 mil, o desemprego subiu de 11% para 26% e a dívida pública saltou de 39,4% para 99,3% do PIB.
Nos EUA, o 1% mais rico absorveu 95% do crescimento após a crise financeira e o empobrecimento da camada inferior reflete-se até na mortalidade. Em 1960, os 20% de homens com 50 anos mais pobres podiam esperar viver até os 76,6 anos, enquanto, em 2010, esse número caiu para 76,1. No caso das mulheres, a queda foi de 82,3 para 78,3. Enquanto isso, a expectativa de vida para os 20% mais ricos atingiu 88,8 anos para homens e 91,9 para mulheres.
Na União Europeia, a renda combinada dos dez mais ricos, 217 bilhões de euros, superou o valor total das medidas de estímulo de 2008 a 2010, cerca de 200 bilhões. A novidade do relatório está em oferecer, em números, um panorama sintético dos resultados desse processo na escala do planeta.
O efeito do crescimento das dívidas na riqueza líquida foi tão importante que resultou no paradoxo de que agora há entre os 10% mais pobres (inclusive os de patrimônio negativo) mais europeus e norte-americanos do que chineses. Nem todos esses vivem na miséria. Alguns, principalmente nos EUA, são jovens cujo patrimônio foi zerado por crédito educativo, hipoteca ou cartão de crédito, mas têm diploma, um padrão de consumo decente e o sonho de um dia chegar ao topo, mas a precariedade da sua situação ficará evidente se tiverem de enfrentar uma crise ou uma doença inesperada.
Milionários.jpg
Parte do aumento recente da desigualdade está relacionada à valorização do dólar perante a outras moedas do mundo. Quem não vive nos Estados Unidos ou em países de câmbio fixo ficou, só por isso, mais pobre em dólares. Em muitos países, esse efeito é neutralizado ou amenizado pela queda do custo de vida local em moeda estadunidense. Mas quando se refere às relações internacionais de poder e riqueza, esse empobrecimento é real, como constata qualquer brasileiro ao viajar para o exterior, pagar por serviços de internet ou, se está no topo da escala, ao negociar com bancos como o Credit Suisse.
Para usar a terminologia do banco suíço, o número de adultos na “base da pirâmide” (com menos de 10 mil dólares líquidos) cresceu de 3,038 bilhões (68%) para 3,386 bilhões (71%), sua irrisória fatia no bolo da riqueza mundial caiu de 4,2% para 3% e sua riqueza média, ou melhor, pobreza média, caiu de 2,7 mil para 2,2 mil, um tombo de 26% em termos reais.
A camada do meio (10 mil a 100 mil dólares) diminuiu de 1,045 bilhão (24%) para 1,003 bilhão (21%), sua parcela caiu de 16,5% para 12,5% e sua riqueza média passou de 30,7 mil para 31,2 mil, ilusão monetária sobre uma queda real de 7,2%. Em 2000, 3,6% dessa camada vivia na China, em 2010, pouco menos de um terço e hoje, 36%.
Os não milionários da camada superior (100 mil a 1 milhão de dólares) perderam em termos relativos. Seu contingente passou de 334 milhões (7,5%) para 349 milhões (7,4%) e sua participação na riqueza mundial diminuiu de 43,7% para 39,4%. Em tese, não têm do que se queixar: em termos absolutos, sua riqueza média passou de 254 mil para 282 mil dólares, com leve aumento real de 1,3%.
Compare-se, porém, com o que aconteceu com os milionários: seu número aumentou de 24,2 milhões (0,5%) para 34 milhões (0,7%) e sua riqueza passou de 2,86 milhões para 3,32 milhões, o que significa um aumento real de 6,1%. Sua fatia, já grande, aumentou de 35,6% para 45,2% e passou a ser a maior de todas. A parte do Leão, por qualquer critério. O perfil geográfico desse grupo também se concentrou. Cinco anos atrás, 41% viviam nos EUA, hoje são 46%. Os únicos outros países com ganho perceptível de participação foram o Reino Unido, que ao passar de 5% para 7% tomou o segundo lugar por muito tempo ocupado pelo Japão, a China (de 3% para 4%), a Suíça (de 1% para 2%) e a Suécia (idem). Alguns caíram muito, inclusive Japão (de 10% para 6%), França (de 9% para 5%) e Itália (de 6% para 3%).
O relatório não faz uma estimativa independente do número de bilionários, mas, segundo a revista Forbes, ele aumentou de 1.011 com uma riqueza total de 3,6 trilhões para 1.826 com um valor agregado de 7,05 trilhões. Em 2010, esse grupo possuía praticamente o mesmo que a metade mais pobre da humanidade. Cinco anos depois, açambarca mais que o triplo. Basta juntar num ônibus os 85 mais ricos (com 13,4 bilhões ou mais, incluídos os brasileiros Jorge Paulo Lemann e Joseph Safra), para usar a imagem do Nobel de Economia Joseph Stiglitz, para igualar a metade de baixo da pirâmide, 3,7 bilhões de seres humanos (2,4 bilhões das quais adultos), cujos patrimônios somados igualam os mesmos 2,1 trilhões de dólares.
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O relatório de 2015 do Credit Suisse inclui também pela primeira vez um estudo da “classe média global” com critérios não diretamente comparáveis ao da pirâmide acima. Esta foi definida como possuidora de riqueza líquida de 50 mil a 500 mil dólares nos EUA em meados de 2015 e valores equivalentes em outros países segundo o poder aquisitivo local do dólar conforme a estimativa adotada pela instituição – por exemplo, de 13,7 mil a 137 mil dólares na Índia, 28 mil a 280 mil no Brasil ou na China e 72,9 mil a 729 mil na Suíça, de forma a obliterar o efeito da variação cambial. Em todo o mundo, 664 milhões se encaixam nessa definição, com um patrimônio total de 80,7 trilhões (32% do total mundial), média de 121,5 mil per capita. Acima deles estão 96 milhões, com 150 trilhões (60% do total), 1,56 milhão por proprietário. As duas camadas juntas detêm, portanto, 92% de todos os bens do mundo.
É só nos países ricos que esse conceito de “classe média” se aproxima daquilo que Piketty entende pelo termo, ou seja, aqueles cujas posses estão acima da mediana, mas abaixo dos 10% superiores. Nos menos desiguais (Austrália, Cingapura, Bélgica, Itália e Japão) chega a constituir 60% da população ou mais. Mas no contexto mundial soma só 13,9% da população (com outros 2% no topo) e é na realidade mais comparável às “classes abastadas” de Piketty. Isso é verdade também para quase todos os países pobres e emergentes. Qualificam-se como “classe média” 3% dos indianos, 4% dos argentinos, 8,1% dos brasileiros, 10,7% dos chineses e 17,1% dos mexicanos. No Brasil, em especial, essa “classe média” abrange quase toda a camada conhecida pelos pesquisadores de mercado como A2 (3,6%) e a metade superior da B1 (9,6%), ou seja, é a maior parte do que chamaríamos de “elites”. Acima dela, só a classe dominante no sentido estrito, 0,6% dos brasileiros (a camada A1 conta com 0,5%).
Apesar disso, hoje é a China o país com o maior número de indivíduos na “classe média”: nada menos de 109 milhões, ante 92 milhões nos EUA. Onze outros países têm mais de 10 milhões: Japão, com 62 milhões; França, Itália, Alemanha, Índia, Espanha e Reino Unido, com 20 milhões a 30 milhões; Austrália, Brasil, Canadá e Coreia do Sul, com 10 milhões a 17 milhões.
Que ninguém se engane: essa “classe média” é uma elite em termos planetários, vive com conforto, tem em geral uma educação superior e é muito relevante como consumidora, talvez também como contribuinte. Porém, do ponto de vista do poder econômico e político e do interesse de grupos financeiros internacionais, são os 29,8 milhões de milionários, no mínimo, que contam.  Aqueles com 5 milhões a 10 milhões de dólares são 2,5 milhões e com 10 milhões a 50 milhões, 1,3 milhão, mas o foco visível do interesse do Credit Suisse está nos ultrarricos com mais de 50 milhões, que cresceram de 81 mil em 2010 para 124 mil em 2015 ou 0,0026% dos cidadãos do mundo. Destes, 59 mil vivem nos EUA (48%), 30 mil na Europa (24%), 9,6 mil (9%) na China e Hong Kong e 1,5 mil (1%) no Brasil. A Suíça tem 3,8 mil nessa categoria, mais que a França (3,7 mil).
Esses multimilionários são o equivalente aproximado, quanto ao seu número relativo, à classe senatorial da Roma antiga (600 senadores, mais os filhos adultos, em uma população de 60 milhões) ou à alta nobreza titulada nas grandes monarquias europeias do século XVIII (algumas centenas em populações de dezenas de milhões). Os meros milionários podem ser equiparados à classe curial da antiga Roma (mercadores, conselheiros e funcionários municipais) ou à pequena nobreza não titulada da Europa pré-revolucionária, ambas perto de 1% da população da época.
Conforme Piketty, as grandes novidades do século XX, atribuídas por ele aos choques políticos e econômicos das duas guerras mundiais, foram a redução da participação da classe dominante na riqueza, para cerca de 20% do total em vez dos 50% tradicionais até 1913, e o surgimento de uma  verdadeira classe média, formada por algo como 40% da população e 35% ou 40% da riqueza. Sua parcela é constituída fundamentalmente de residência e bens de consumo e poupanças, representando pouco poder econômico, mas uma razoável segurança. Nas sociedades mais antigas, os 90% inferiores formavam uma massa pouco diferenciada e possuíam 10% ou menos da riqueza social.
O relatório do Credit Suisse mostra uma sociedade global cada vez mais próxima desses padrões antigos e medievais, e mais distantes daqueles atingidos pelos países mais desenvolvidos nos anos do pós-Guerra. Desde o início da era neoliberal, a riqueza acumula-se cada vez mais no topo, enquanto as maiorias empobrecem em termos relativos e até absolutos. As crises mostraram-se, sobretudo, oportunidades de radicalizar esse processo: para conter as falências em massa que agravariam a crise, valores imensos são mobilizados pelos Estados para financiar os poderosos, cuja incompetência é premiada também com cortes de impostos, salários e direitos trabalhistas, enquanto as massas pagam a conta com um salário congelado ou reduzido e impostos mais altos, quando não perdem o emprego e se endividam ainda mais.
O crescimento de alguns países emergentes, principalmente a China, foi o único fator importante a contrariar essa tendência geral, ao incorporar camadas maiores da população à “classe média” mundial (apesar de, no caso chinês, isso também aumentar sua desigualdade interna em relação às massas camponesas). Mas esse fator está em desaceleração, ao passo que as pressões para privilegiar ainda mais os ricos e lhes dar maior liberdade de ação estão em alta em quase toda parte e as crises em formação só tendem a reforçá-las. 
*Reportagem publicada originalmente na edição 873 de CartaCapital, com o título "No mundo de 'Os miseráveis"

quarta-feira, dezembro 16, 2015

Últimos resultados do Latin NCAP: a Toyota e a Mitsubishi atingiram as cinco estrelas. A Nissan melhorou modelos e junto com a VW e a Hyundai ganharam quatro estrelas

Latin CAP - 15.12.2015

Os últimos resultados do Programa de Avaliação de Veículos Novos para América Latina e o Caribe (Latin NCAP), continuam a mostrar avanços importantes em segurança veicular na América Latina. O Latin NCAP impulsiona a melhoria dos níveis de proteção dos ocupantes adultos e crianças, os quais em muitos países ainda estão abaixo dos padrões mínimos de segurança das Nações Unidas. Os últimos resultados são, também, os últimos modelos testados com o atual protocolo de avaliação, que será ampliado a partir de 2016.
Três modelos, Mitsubishi Montero Sport, Toyota Rav4 e Toyota Hilux atingiram as cinco estrelas para a proteção do ocupante adulto e bons resultados para a proteção infantil. Quatro modelos, o Hyundai Creta, VW Fox, Nissan Versa e o Nissan March ganharam quatro estrelas para o ocupante adulto e resultados díspares para a proteção do ocupante infantil.
Hyundai Creta, fabricada na Índia, atingiu as quatro estrelas para a proteção do ocupante adulto e três estrelas para a proteção infantil. Este é um dos últimos modelos do fabricante que acabou de ser lançado no mercado da América Latina como uma plataforma global. A falta de equipamento padrão como freios ABS, lembrete de cinto de segurança para o passageiro e o fato de o fabricante não ter patrocinado o teste de impacto lateral limitou a qualificação. A configuração do equipamento foi feita pela matriz do fabricante. A falta deste equipamento padrão como versão básica neste modelo decepciona o Latin NCAP, considerando que são importantes para a segurança dos passageiros, junto com o controle eletrônico de estabilidade (ESC) que sua concorrência incluiu, como o Jeep Renegade e o Honda H-RV.
O VW Fox,fabricado no Brasil, recentemente atualizado com um facelift, conseguiu as quatro estrelas em relação à proteção do ocupante adulto e duas estrelas para a proteção infantil. O veículo oferece boa proteção para a cabeça de ambos os passageiros dianteiros. Proporciona, também, boa proteção para o peito do acompanhante e proteção marginal para o peito do motorista. Esse modelo costumava ser produzido no Brasil e era exportado para a Europa. A versão para os mercados da América Latina do Fox não conta com ancoragens ISOFIX, ESC, airbags laterais para a proteção lateral, enquanto a versão que era exportada para Europa contava com esses itens como equipamento opcional. As duas estrelas para o ocupante infantil se devem, em parte, à falta de ancoragens ISOFIX, à falta de cintos de segurança de três pontos em todas as posições e não se poder desconectar o airbag do acompanhante caso seja colocado um Sistema de Retenção Infantil (SRI) voltado para trás.
Mitsubishi Montero Sport, fabricada na Tailândia, recentemente lançada no mercado da América Latina, atingiu as cinco estrelas para o ocupante adulto e três estrelas para o ocupante infantil. O veículo oferece três airbags como equipamento básico que, junto com os cintos de segurança e pretensores, proporcionaram boa proteção aos passageiros. A criança de 18 meses recebeu boa proteção, mas a cabeça da criança de três anos entrou em contato com o banco do motorista
causando uma perda de pontos. O encosto do banco traseiro, por trás do dummy de três anos, se soltou no teste. O veículo oferece ancoragens ISOFIX na segunda fila de bancos e cintos de segurança de três pontos em todas as posições.
O Nissan March, fabricado no Brasil, conseguiu as quatro estrelas no tocante à proteção do ocupante adulto e uma estrela para o ocupante infantil. O modelo está equipado com duplo airbags e pretensores desde a recente mudança de produção. As cabeças dos ocupantes adultos receberam boa proteção e os peitos receberam proteção marginal adequada. A baixa pontuação atingida para a proteção infantil se deve à falta de cintos de três pontos em todas as posições, à falta de possibilidade de desconectar o airbag do acompanhante, à má sinalização de advertência de quando se coloca um sistema de retenção infantil voltado para trás e à falta de ancoragens ISOFIX. A Nissan tinha patrocinado o teste do March em 2011. Nesse momento, o Latin NCAP tinha ressaltado a estrutura instável do March em comparação com a versão europeia chamada Micra, testada pelo Euro NCAP em 2010. O Latin NCAP destaca agora as melhorias que a Nissan fez neste modelo. Como um claro sinal da alteração estratégica que a Nissan está realizando para tornar os veículos mais seguros, depois de melhorar o Tiida Sedã em 2015, a Nissan aperfeiçoou as estruturas do March e Versa e seu equipamento de segurança, bem como seu desempenho. Ambos os modelos foram testados pelo Latin NCAP.
Nissan Versa, fabricado no Brasil, conseguiu as quatro estrelas para a proteção do ocupante adulto e duas estrelas para o ocupante infantil. Este modelo está agora equipado, em todas as versões, com duplo airbags e pretensores. As cabeças foram bem protegidas pelos airbags e os peitos receberam proteção adequada. A baixa pontuação a respeito do ocupante infantil se deve à falta de cintos de segurança de três pontos em todas as posições, à má sinalização de advertência, além de não contar com a possibilidade de desconectar o airbag do acompanhante quando se instala um SRI voltado para trás, e à falta de ancoragens ISOFIX.
A Toyota Hilux, fabricada na Argentina, atingiu as cinco estrelas para a proteção do ocupante adulto e cinco estrelas para o ocupante infantil. A estrutura do veículo é forte e os três airbags como equipamento básico, junto com os cintos de segurança, oferecem boa proteção no impacto frontal. O carro, também, proporciona boa proteção no impacto lateral. A Hilux conta em seu equipamento básico com três airbags frontais (cabeça e peito do motorista, joelhos do motorista e cabeça e peito do acompanhante), freios ABS em quatro canais, lembrete de cinto de segurança para ambos os passageiros dianteiros. O bom resultado obtido para a proteção infantil se deve aos cintos de segurança de três pontos em todas as posições, ancoragens ISOFIX, possibilidade de desconexão do airbag do acompanhante, e boa sinalização para os consumidores.
O Latin NCAP testou o mesmo modelo fabricado na Tailândia em setembro de 2015. A melhor qualificação para o ocupante infantil ocorreu porque o fabricante decidiu testar a versão fabricada na Argentina com SRI, que não estavam disponíveis no mercado no primeiro teste. Os SRI utilizados para ambos os dummies, neste teste, foram os Takata MIDI 2. Estes SRI oferecem a possibilidade de colocar o dummy de três anos olhando para trás, demonstrando benefícios em relação à proteção.
A Toyota Rav 4, fabricada no Japão, conseguiu as cinco estrelas no tocante à proteção do ocupante adulto e quatro estrelas para a proteção infantil. A estrutura do veículo é forte e os três airbags e cintos de segurança protegem bem os ocupantes no impacto frontal. O carro oferece boa proteção no impacto lateral. A Rav4 conta com três airbags frontais (cabeça e peito do motorista, joelhos do
motorista e a cabeça e peito do acompanhante), freios ABS em quatro canais e lembrete de cinto de segurança para passageiros da frente, como padrão em todas suas versões.
A Hilux e Rav 4 são os primeiros modelos testados pelo Latin NCAP a utilizar a nova geração de SRI, chamada i-Size, que mostram importantes benefícios para a proteção de ambas ocupantes crianças.
María Fernanda Rodríguez, Presidente da Diretoria do Latin NCAP, disse: "Foi observado o processo atravessado pelos fabricantes nos cinco anos de vida do Latin NCAP, posso visualizar com tranquilidade que tipo de carros teremos nos próximos cinco anos. Igualmente me preocupa muito que os esforços deixem em segundo plano as crianças, sendo elas o futuro e os motoristas do amanhã”.
“Acho que os governos têm provas suficientes para confiar em que os fabricantes contam com os elementos necessários para nos oferecer o mesmo nível de segurança proporcionado em outros mercados. Apenas com regulações técnicas é que se democratiza a segurança, gerando uma concorrência justa entre as empresas, e o mais importante protegendo a população. Espero que a GM se some a este processo, já que é uma empresa muito importante, reconhecida e que construiu, por anos, uma imagem muito sólida”.
“Para terminar de forma positiva, parabenizo a Honda, Jeep, Seat, Toyota, Volkswagen, Ford e Mitsubishi por seu esforço, por sua consideração aos consumidores latino-americanos e por trabalhar junto conosco na redução das mortes e lesões graves em veículos, respeitando nossa independência.”
Alejandro Furas, Secretário Geral do Latin NCAP, disse: “Temos o prazer de encerrar este ano com a maioria dos principais fabricantes de veículos mostrando estratégias para conseguir veículos mais seguros, que levam em conta os resultados do Latin NCAP e escutam a voz dos consumidores”.
“A Nissan e a Fiat mostraram uma mudança positiva em 2015. Gostaríamos de ver o Tsuru ser removido da produção, visando ter a confirmação de que a Nissan está comprometida com a estratégia de veículos mais seguros. Infelizmente, a GM ainda não respondeu aos pedidos do Latin NCAP e do Global NCAP, nem modificou sua estratégia depois da publicação do Aveo em novembro”.
“A proteção do ocupante infantil está melhorando muito mais lentamente do que a proteção do ocupante adulto, o Latin NCAP alenta todos os fabricantes e os governos a melhorarem velozmente a segurança infantil na América Latina e no Caribe”.
“Depois de assistir à segunda Conferência de Alto Nível sobre a Segurança Viária em Brasília, o Latin NCAP está muito preocupado pela escassa participação dos governos da América Latina, bem como sua reação ainda mais lenta para entregar veículos mais seguros a todos os cidadãos; a segurança dos veículos deve ser democratizada em nossa região o mais rápido possível.”
O Latin NCAP encerra 2015 com um número recorde de veículos testados (23). O Latin NCAP recebe o apoio da Iniciativa Mundial de Segurança Viária Bloomberg Philanthropies, Global NCAP, Fundação FIA, International Consumers Research & Testing (ICRT) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e seu Fundo Coreano para a Redução da Pobreza.
Acerca do Latin NCAP
O Programa de Avaliação de Carros Novos para América e o Caribe (Latin NCAP) foi lançado em 2010 para desenvolver um sistema regional independente de testes de batida de carros e de qualificação de segurança na região. O Latin NCAP responde a programas de testes de consumidores similares desenvolvidos nos últimos trinta anos na América do Norte, na Europa, na Ásia e na Austrália que demonstraram ser muito eficazes na melhora da segurança dos veículos. Desde 2010, o Latin NCAP vem publicando os resultados de mais de 60 veículos em seis fases de teste.
O Latin NCAP é um membro associado do Global NCAP e apoia o Decênio de Ação das Nações Unidas para a Segurança Viária 2011-2020, especialmente o pilar referido ao veículo do Plano Mundial e a iniciativa Stop the Crash.

Veja aqui todos os resultados.

sexta-feira, outubro 30, 2015

Divulgação de Livro

Livro Descendo o Rio Negro

Este livro reúne fragmentos de diversas observações ou vivências pessoais minhas e de autores hodiernos ou pretéritos ao longo da calha do Rio Negro, os capítulos são apresentados à medida que se desenrola nossa náutica jornada.
 A história, desde antes da criação da Capitania de São José do Rio Negro, o emprego ritual de “alucinógenos”, o comportamento de personagens polêmicos contemporâneos e pretéritos, lendas, teorias inovadoras esboçadas por visionários pesquisadores e as catastróficas demarcações de terras que geram insegurança a todos os brasileiros são abordadas sem a preocupação de ser “politicamente correto” mas com o intuito de apresentá-las dentro de um contexto científico, apontando seus erros e acertos.
 Convidamos o leitor a se juntar a nós nesta magnífica descida pelas águas de um dos mais belos Rios criados pelo Grande Arquiteto do Universo e nos acompanhe, remada a remada, pelas águas escuras do Negro Caudal. Que se encante com nossa narrativa e os relatos, esmaecidos pelo tempo, de desbravadores, muito mais audazes, que tanto lutaram para estender nossas fronteiras tão cobiçadas ontem e que, hoje, graças aos desmandos dos últimos governos, estão se tornando cada vez mais frágeis.
 
² O livro está a venda por R$ 80,00:

– Em Caxias do Sul, na “Livraria do Maneco”, Rua Marechal Floriano, 879 - Centro;

– Em Porto Alegre, no Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), Avenida José Bonifácio, 363 - Parque Farroupilha, a partir de 28.09.2015. Os livros serão comercializados na Associação dos Amigos do Casarão da Várzea – AACV ou na Barbearia do Tatu;

– Em Bagé contatar a Rosângela através do telefone (053 9952 6452).

² Pelo Correio cada livro custa R$ 100,00 (despesas de correio incluídas):

– Neste caso o amigo devera fazer contato pelo e-mail hiramrsilva@gmail.com informando que o depósito já foi realizado e o seu endereço residencial.

– Conta Bancária de Hiram Reis e Silva
– Banco do Brasil (001) – Agência: 4848 - 8
– Conta Corrente: 117 889 - X          (X ou 0)
                        – CPF: 415 408 917 - 04