"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

quinta-feira, junho 10, 2010

Ficha Limpa

Apesar de várias manifestações em contrário o projeto ficha limpa não é um golpe de estado tentando tornar inelegível Dilma Roussef ou os líderes sindicais, como já andei lendo por aí.
Lula não seria louco de sancionar uma lei que corroesse sua candidata, só a mente limitada de alguns poderia imaginar isso.
A Lei Complementar nº 135, é bem clara ao definir que tipos de crime são alcançados por ela. Todos tem relação com improbidade administrativa, crimes eleitorais ou com crimes hediondos.
Como atingirá os julgados em transitado ou em órgãos judiciais colegiados, não haverá o risco previsto de se pegar alguém ainda na 1ª instância. O que aliás no Brasil é muito interessante. Uma vez que se recorre à 2ª instância e demais posteriores regularmente apenas para se ganhar tempo com a morosidade da justiça brasileira. Como não há mecanismo que impeça tal ação, os processos abarrotam nossos tribunais em todas as instâncias.
Foi um passo adiante, que talvez auxilie a defenestrar os que pensam apenas no corporativismo político como forma de enriquecimento, como agora estamos vendo com esse pequeno aumento salarial que está sendo encaminhado pelo Congresso que dá uma bagatela de ampliação dos gastos do orçamento da União previstos em R$ 500 milhões para os servidores e de R$ 174 milhões para os congressistas no ano de 2011. Levando em consideração o efeito cascata sobre as casas legislativas estaduais e municipais, o esperado é que o aumento se reflita nessas duas esferas em um valor em torno de R$ 1,8 bilhão.
E ainda há que sem pergunte porque os políticos estão em tão grande descrédito.

O Poder é Civil?

Esse é o título da Rosa dos Ventos de Maurício Dias em Carta desta semana. Maurício discorre sobre o que ele e outros julgam ser uma afronta ao poder cívil que é a existência dos tribunais militares com seus Código Penal Militar e o Código Processual Penal Militar.
Ao tratar do assunto com se tratasse de uma exceção ao Código Civil, devo lembrar que os magistrados tem julgamento especial, alguns políticos julgados por crime de responsabilidade também, entre outras situações.
O que Maurício Dias não cogitou é que diferente de um médico, engenheiro, advogado, professor, ou qualquer outra profissão civil, que tem horários de trabalho regulares, sem exigência de pronto emprego, sem a possibilidade de ser deslocado para qualquer parcela do território nacional, entre tantas outras peculiaridades da vida militar, é que esse indivíduo, o militar, necessita de certos mecanismos de controle que complementem os mecanismos civis.
Duvido que se o Mino Carta informasse (não solicitasse) ao Maurício Dias que ele só iria ausentar-se da redação depois que "tudo" estivesse pronto, e quando digo tudo, não é somente o seu trabalho, mas o de todos os demais envolvidos com a revista. Assim como, se ele fosse convocado para representar seu chefe em uma solenidade no final de semana, tenho que abrir mão de horas de convívio familiar, isso tudo sem receber nenhum centavo a mais, sem hora extra, ou nenhum outro tipo de ganho, a não ser o reconhecimento do dever cumprido. Será que ele ou qualquer outro profissional civil aceitaria tais coisas? assim como várias outras,rotineiras da vida militar? É uma profissão com diversas peculiaridades que a diferem de qualquer outro segmento profissional, e exatamente por isso não deve ser tratada como somente mais uma profissão.
Com relação ao Habeas Corpus. É claro que os punidos não tem esse direito.
Lembrem a situação do Daniel Dantas que teve dois HCs, tendo contra si todas as situações reveladas pela mídia, toda uma investigação oficial, e está curtindo sua vida numa boa, enriquecendo cada vez mais, enquanto nós (comuns) na sociedade apenas podemos ficar indignados com tal situação e vendo somente os ladrões de galinha serem presos.
Se um subordinado desacatasse uma ordem superior e fosse punido com uma transgressão e fosse liberado por HC, a hierarquia militar estaria rompida. E sendo esse pilar da estrutura militar estilhaçado, não haveria mais a condição da vida militar como ela é. A ordem deve ser obedecida (tendo seus limites já previstos nos códigos) sem questionamento. Não existe: não quero trabalhar todo esse fim de semana por que queria sair com a família, ou, não vou ficar trabalhando dobrado porque não vou ganhar hora extra, ou ainda, não vou para aquela cidade da Amazônia porque lá não tem infraestrutura nenhuma de transporte, de serviços ou de diversão. Isso são decisões que vem de cima e apenas se obedece.
Dentro de uma estrutura com tais peculiaridades, é claro que é necessário, e na realidade essencial a existência de Códigos punitivos próprios que regulem a vida militar. E quem entra na vida militar aprende que é assim, e fica porque quer, ninguém é obrigado a permanecer (com exceção do serviço militar obrigatório e mesmo assim basta ir a qualquer zona de recrutamento para ver quantos jovens querem prestar o serviço militar e saem desesperados porque foram colocados como excesso de contingente). Essa realidade não contradiz o fato de vivermos sob o poder de um governo civil, e estarmos regulados por leis civis, apenas há a necessidade de complementaridade dentro de quesitos implícitos à vida militar.
Gostaria de encerrar esse texto com uma pergunta feita pelo Maurício Dias (só que em outro contexto) em publicação anterior que foi: " a quem interessa?". Nesse eu pergunto: a quem interessa a quebra da estrutura militar brasileira?

Maquete Animada de Hidrelétrica no Rio Madeira

video

quarta-feira, junho 09, 2010

A Cristina Kirchner não foi à Folha nem à GloboNews

Conversa Afiada - Publicado em 09/06/2010

Hacia la victoria sem a Globo ou a Folha

Saiu na Folha que a Dilma Rousseff não confirmou as entrevistas que daria à Folha/UOL e à GloboNews.

A Cristina Kirchner não deu uma ÚNICA entrevista à imprensa antes de ser eleita presidente da Argentina.

Uma ÚNICA.

Como me lembrou ontem um sábio carioca: “se mídia ganhasse eleição, o Brizola não teria sido governador do Rio duas vezes, nas barbas do Roberto Marinho”.

Para que se submeter a um pelotão de fuzilamento ?

É mais negócio se preservar para os debates nas tevês, com todos os candidatos juntos e regras conhecidas, que valham para todos.

Ter que aguentar o pessoal do complexo de viralatas, no mano-a-mano, na Folha e na GloboNews, é correr riscos à toa.

E tem mais: assim que acabou a eleição, a Cristina Kirchner tratou de trabalhar numa Ley de los Medios (*), que enquadrou o grupo Clarín, ou seja, a Globo.

Clique aqui para ler sobre o papel do PiG (**) na América do Sul, segundo o filme do Oliver Stone.


Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver o que disse o Conversa Afiada sobre a Ley de los Médios da Cristina.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Sobre o “inchaço” do Estado brasileiro

Site do Azenha - 9 de junho de 2010 às 10:18

por Heráclio Mendes de Camargo Neto*

Noutro dia, li alguém acusando o Estado brasileiro: é obeso. Certamente, não é obeso na educação pública de parcas qualidades, na saúde pública desnutrida, na segurança pública deficiente ou na defesa civil fragilizada, no âmbito estadual. Da mesma forma, não haverá pneus de gordura, na Receita Federal do Brasil raquítica no número de fiscais, na Procuradoria da Fazenda Nacional sem carreira de apoio, ou no IBAMA sem recursos humanos suficientes para cuidar de nossas florestas, no âmbito federal. Esquálido nesses e em muitos outros setores, o Estado brasileiro não deve ser nem gordo nem magro, mas eficiente para fazer frente aos desafios inerentes ao crescimento econômico que se nos apresenta quase inevitável.

Nesse sentido, erigida a princípio constitucional da Administração Pública, a eficiência do Estado brasileiro terá de ir muito além de prover computadores para escolas ou tomógrafos para hospitais. Fulgurante edificação de escola de tempo integral significa nada, sem professores bem remunerados e bem preparados – binômio inseparável – para conferir-lhe a funcionalidade esperada. Daí, a valorização dos servidores públicos tornar-se componente indispensável da boa gestão. A professora, o policial, a perita, o médico, a advogada pública e o fiscal devem ter remunerações compatíveis com as responsabilidades que carregam.

De fato, é recorrente a generalização nas críticas contra o tamanho e o peso do Estado brasileiro, mas não se enfrenta a realidade de que professores e policiais mal-remunerados tendem a reproduzir serviços públicos pífios, perpetuando a escola fabricante de analfabetos funcionais e a polícia que se emascula diante do ilícito. É o famoso barato, que sai caro demais para todos.

O princípio constitucional do concurso público foi um dos maiores avanços da Constituiç ão Federal de 1988 e é verdadeiro oxigênio, em face da sufocante atuação de oportunistas sem vínculos duradouros com a Coisa Pública, que tentam apropriar-se de pedaços do Estado, como se estivessem num loteamento particular. Nesse aspecto, mas só para quem quer enxergar, o Estado brasileiro terá sempre a cara de seus servidores públicos de carreira, e resistirá aos escroques de ocasião, tanto mais, quanto mais bem estruturadas e remuneradas forem as carreiras públicas na fiscalização e cobrança de tributos, consultoria, policiamento, regulação e gestão pública.

Porém, o discurso enjoativo a favor de um Estado emagrecido raramente poupa os servidores públicos. Antes, vilaniza-os. Contudo, é justamente o Estado profissionalizado e bem condicionado que pode garantir a livre concorrência e o desenvolvimento econômico sustentável, conferindo lustro ao caro principio da livre iniciativa, ao profissionalizar a burocracia e ao combater os desv ios de conduta, que sempre perseguiram a máquina publica e que ficaram genericamente conhecidos como Custo Brasil.

Desse modo, contratações mediante concursos que prevejam boa remuneração para as funções típicas de Estado devem ser incentivadas. Exemplo notório e incontestável: a Policia Federal valorizada é paradigma de excelência a ser seguido por todas as policias estaduais. No caso, também os delegados das policias judiciárias estaduais devem ombrear juizes, promotores e advogados públicos, em face da evidente simetria das funções essenciais à instrução e distribuição da Justiça.

Demais disso, o concurso público com remuneração digna seleciona quem preza os livros, e não o dinheiro fácil. Nessa quadra, o servidor público é classe média, por excelência. Quem quiser ficar rico, mude de ocupação. Frise-se, sempre, o servidor público tem descontado seu imposto sobre a renda na fonte e o restante de seu salário encaminha -se para o consumo, contribuindo para o círculo virtuoso de crescimento do mercado interno.

Assim, quando lhe disserem que o Estado brasileiro é obeso, não acredite. Lembre-se das escolas públicas e dos hospitais públicos subnutridos e ávidos por servidores públicos bem remunerados.
Isso tudo, porque quem prescreve a dieta ao Estado, normalmente, toma a parte pelo todo, pois o inchaço injustificável do número de cargos comissionados ocupados sem concurso público, por exemplo, não pode ser confundido com o destino das carreiras de Estado.

Ao contrário, os “cabides de emprego” devem ser denunciados e combatidos por todos, pois, nesse caso, o primeiro prejudicado é o servidor público que trabalha corretamente e se vê preterido por “turistas acidentais”. Porém, mais importante: o segundo prejudicado é o cidadão-contribuinte, que testemunha a ocupação de cargos públicos por apaniguados políticos ou mesmo por ma us servidores, que pensam ser a aprovação num concurso público um fim em si mesmo, esquecendo-se do compromisso com quem os remunera.

Dessa forma, nem obeso, nem esquálido, mas despido de preconceitos estereotipados advindos daqueles acostumados a privatizarem o espaço público, o Estado brasileiro deve ter aprimorada sua compleição física, através da valorização e capacitação contínuas de seus servidores de carreira.

Finalmente, quais serão as contrapartidas fundamentais e inarredáveis de tudo isso? Uma burocracia estável competente e mais infensa ao aparelhamento do Estado, bem como a prestação de serviços públicos mais tempestivos e eficientes, notadamente, para aquele que mais depende da boa forma estatal: o Povo.

*Procurador da Fazenda Nacional

Apenas como lembrança. Muitos postos de trabalho do serviço público foram substituídos por serviços terceirizados na era FHC. E agora estamos nessa.

Um Português

Foi lançado um site chamado Um português http://umportugues.com/ com o intuito de nos ajudar nesta transição entre a antiga e a nova ortografia. O site possui um verificador ortográfico.
Você copia ou digita o texto a ser analisado e ele, além de corrigir as palavras que estão escritas de modo incorreto, também te explica o porque dos erros.
Esta é uma iniciativa muito interessante e útil. Ajudem a divulgar o site.

Helen Thomas: quando se paga pela língua enquanto outros nunca reconhecem aquilo que fazem

Instituto Humanitas Unisinos - 09 jun 10

Bruno Lima Rocha, cientista político, debate a cobertura e a versão do ataque israelense a frota de seis barcos de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Bruno Lima Rocha, cientista político com doutorado e mestrado pela UFRGS, jornalista formado na UFRJ; docente de comunicação e pesquisador 1 da Unisinos; membro do Grupo Cepos e editor do portar Estratégia & Análise.

Eis o artigo.

Neste artigo, apresento o debate e as conseqüências na indústria das mídias derivadas da cobertura e da versão do ataque israelense a frota de seis barcos de ajuda humanitária que saíram de Ancara, na Turquia e tinham como destino a Faixa de Gaza, sitiada e bloqueada por Israel. Temos casos típicos de choque de versões, trocas de valorações e a recriação de hiper-realidades pelos líderes dos oligopólios mundiais, propositadamente confundindo o anti-semitismo condenável com a ação anti-imperialista (e no caso, anti-sionista). Rogo a serenidade dos leitores para podermos estabelecer um ponto razoável de debate.

O ataque de Israel, o general réu confesso e os corpos ao mar

Para começar, cabe um primeiro comentário do uso de imagens como provas inconclusas. Tanto os tripulantes filmaram como os militares israelenses também fizeram registros. Pela internet circulam centenas de vídeos, alguns de boa definição, tentando construir a legitimidade dos fatos e seus mandantes e operadores-chave. A panacéia midiática se dá porque os ativistas gravaram, as forças israelenses também, assim como TVs da Turquia, de Israel e a Al-Jazeera, emissora árabe líder no noticiário internacional da região. Versão conclusiva até agora, nenhuma.

Mesmo com quatro registros formais televisivos ou de imagens, o Estado de Israel insiste na caracterização do ataque como sendo preventivo. Segundo os Acordos de Oslo (assinados em 1993 somente com a anuência da Fatah como força política palestina), quando se acertam as condições de existência do pré-Estado Palestino (Autoridade Nacional Palestina, ANP), as águas territoriais de Gaza (37 kms distantes da costa mediterrânea) estão sob controle da força naval de Israel. Óbvio que a legitimidade desse ataque “defensivo” seria alegável caso a frota turca encontrava-se neste perímetro. E, por macabra ironia dessa história de luta sem fim, no pronunciamento do porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Avi Benayahu, o militar afirmou que seus comandos anfíbios interceptaram a frota entre 4h30 e 5h da manhã, em alto-mar, há uma distância variável de 70 a 80 milhas náuticas (equivalendo a 130 a 150 km da costa; ver o link) E, mesmo se pronunciando como réu confesso diante de qualquer tribunal internacional (por atacar navios de bandeira de nação amistosa, como a Turquia) em águas não-territoriais, o Estado sionista se nega a reconhecer o ataque como agressão (diz ser “preventivo”) e tampouco admite o número real de mortos (mais da metade teria sido atirado ao mar).

O ataque dos fuzileiros navais israelenses interceptou embarcações de bandeira turca, tomando os conveses e entrando em luta corporal contra os mais de 750 ativistas organizados pela ONG Free Gaza (boa parte de voluntários não-árabes e não-islâmicos) e levando a bordo mais de 10 mil toneladas de gêneros de auxílio humanitário. A ação ocorreu na madrugada de 31 de maio, uma segunda feira, pautando o noticiário de todo o mundo a respeito do tema. O saldo foi de mais de 300 presos (alguns deportados), e um número não reconhecido de assassinados pelas forças sionistas. O Estado de Israel reconhece 9 mortes enquanto os ativistas pró-Palestina afirmaram serem o dobro de baixas ou mais. A versão de uma TV de Israel é de 19 mortos. Segundo os tripulantes dos navios que levavam alimentos e gêneros de primeira necessidade, os fuzileiros israelenses atiraram corpos ao mar, não deixando filmar a ação que descaracterizava os assassinatos não contabilizados.

A origem do cerco a Gaza e o poderio não-árabe na luta pela Causa Palestina

Vale lembrar que o bloqueio e isolamento do Estado sionista a Gaza deriva do início da guerra civil palestina, quando o Hamas, vitorioso nas eleições de janeiro de 2006, recebera um golpe da Fatah (partido majoritário e eleito por Israel e ONU como interlocutor válido) e contra-atacara tomando militarmente a Faixa de Gaza, ficando o partido de Mahmoud Abbas (da mesma organização de Yasser Arafat) como governo de fato (embora golpista) na Cisjordânia. É importante ressaltar que a convivência com a força sunita integrista jamais fora tranqüila e nem pacífica, mas em sendo minoritário, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ainda era controlável, do ponto de vista dos negociadores de Oslo. Uma vez legitimado e ocupando postos-chave de um quase-Estado sem recursos, a estrutura social-religiosa do integrismo seria avassaladora. Este é um provável cálculo político condenável do ponto de vista democrático, embora perfeitamente exeqüível por operadores pautados pelo pragmatismo e por condutas não-republicanas (como é conhecida a Fatah).

Do isolamento de Gaza através da disputa interna entre palestinos, o Hamas partiu para o conflito de tipo escaramuças de fronteira e ataque a alvos indiscriminados. Ou seja, contra os bombardeios de aviões Kfir responderam com morteiros terra-terra. A escalada do conflito não tardou para resultar em guerra de re-ocupação. Em janeiro de 2009, assim como ocorrera em julho de 2006 no sul do Líbano controlado pelo Hizballah (força integrista político-militar xiita), as IDF promovem um bombardeio sistemático, isolam a Faixa de Gaza e depois ocupam militarmente a área. Encontram resistência, não chegam a tomar todo o terreno e nem conseguem destruir a infra-estrutura do Hamas. Esta força integrista sunita palestina, assim como ocorreu com seu congênere xiita no Sul do Líbano, não foi destruída como forma de organização social no território. Tomando esse dado como concreto e absoluto, a alta administração já sob governo de BenjaminNetanyahu (de um enfraquecido Likud, posicionando-se ainda mais à direita), resolve impor o bloqueio absoluto, transformando a área em um gigantesco gueto. Daí vem à estratégia do estrangulamento paulatino, promovendo bloqueio de trânsito de pessoas e víveres, impossibilitando uma forma de governo por parte do Hamas.

Mas, o problema de exercer algum poder constituído não fica apena para ser solucionado pelo Hamas. Ao decretar o bloqueio à Gaza, o Estado sionista coloca em cheque o que restou de unidade entre os países formadores da Liga Árabe. É visível o abandono do pólo de poder pelos filhos descendentes de Sem e Ismail. Dois países islâmicos não-árabes hoje disputam a centralidade da região ampliada (Oriente Médio e Golfo Pérsico). São eles, Turquia (de onde saíram os navios, que é parte da OTAN e já se posicionara de forma independente como ponta do acordo nuclear do Irã intermediado pelo Brasil) e o próprio Estado persa de regime integrista xiita, que alimenta a resistência do HizballahHamas. e de outras forças integristas, xiitas e sunitas, tal como é o caso do

Helen Thomas e quando se fala sem pensar o que nunca se deve dizer

A abordagem que tracei acima é quase consensual, seria algo de almanaque, bastando recordar cifras, datas e acontecimentos. Mas, de tão óbvio, não aparece (a não ser na chamada mídia alternativa) e quando ocorre na Mídia Corporativa (uma das modalidades de corporations), resulta em constrangimento e demissão. No filme Leões e CordeirosLions for Lambs, dirigido por Robert Redford, 2007), a atriz Meryl StreepWashington Post?; eu entendo que sim apesar de ainda ser seu leitor). O editor do veículo lhe diz com todas as letras que as questões de segurança nacional são irretocáveis e a reação de uma crítica sua seria absurda, desproporcional a capacidade da imprensa (como “4º Poder”) defender-se. Por fim, lhe chama às contas com o próprio passado, e pede que reconsidere publicar ou rebelar-se contra as informações “exclusivas” que um jovem senador republicano (interpretado por Tom Cruise) a teria transmitido na base do fontismo (off the Record). Este personagem por sinal é um ex-operador de forças especiais dos EUA e está participando de operações secretas nas montanhas do Afeganistão, plantando comandos isolados, transitando por terreno inóspito e partindo de hipóteses de conflito absurda (uma possível aliança wahabita afegã com o governo integrista xiita do Irã!!!). Meryl Streep se cala, mas ao contrário dela, outra veterana repórter, não ficcional, mas real, existente. Helen Thomas, a mais antiga repórter na cobertura da Casa Branca, se afasta do trabalho por pressões do maior lobby do mundo. ( interpreta uma veterana jornalista que cansada das meias verdades e dos discursos de encomenda (matérias plantadas pelas infindáveis sub-comissões de defesa e inteligência do Congresso dos EUA), entra em crise e discute com o editor de um suposto jornal (seria o legendário

O lobby a que me refiro é o conhecidíssimo AIPAC (American Israel Public Affairs Committee – Comitê de Relações Públicas Israelense-Americano). Este “partido” semi-formal, tem mais de 7000 funcionários a tempo completo, bancou (impôs) a indicação de Hillary Clinton para secretária de Estado (equivalente no Brasil a ministro das Relações Exteriores) e opera como braço semi-institucional da força política do sionismo de direita. Seu braço operacional mais midiático e agressivo é a ADL (Anti Defamation League – Liga Anti Defamação) tendo como um de seus alvos prediletos ao anarquista judeu (militante, lingüista e professor livre-docente do MIT) Noam Chomsky. Nesta semana o alvo conjunto foi outro, atingindo a lenda do jornalismo, por sinal de origem árabe-estadunidense.

Helen Thomas, 89 anos, é a decana do jornalismo político dos EUA, trabalhando ainda hoje para a outrora todo-poderosa embora ainda influente Hearst News Service (seu fundador, William Randolph Hearst, foi o personagem que inspirou Orson WellesCidadão Kane). Thomas dera uma entrevista para um portal sionista de direita (de pouca envergadura, o RabbiLIVE.com –, com chamada de capa) afirmando que os israelenses deveriam deixar a Palestina e voltar para casa. O tema gerou controvérsias e logo a veterana repórter, com quase cinco décadas à frente do Escritório Central da United Press International (UPI), teve que se retratar publicamente e cancelar compromissos e palestras em escola de segundo grau! (vejam o link no Washington Post: ). no filme

Vejamos o link do vídeo editorializado, postado no Youtube e reparemos com atenção na força da internet: 1.221.639 pessoas assistiram-no. A postagem no portal de audiovisual é do dia 03 de junho de 2010 (e eu o vi pela primeira vez na noite de 07 de junho, um dia antes de começar a fazer este texto), vindo a atingir uma escalada viral de absurdas proporções. O tempo de duração da gravação é de 1’03’’ (um minuto e três segundos) e este registro pleno de informalidade, mas contendo palavras contundentes e estúpidas de uma pessoa enraivecida, resulta no encerramento da carreira de quem acompanhara todas as administrações na Casa Branca desde a posse de John F. Kennedy em 1960.

A debandada para se desmarcar de Helen Thomas foi imediata. Ela perdeu o contrato (cancelado de forma unilateral) com o escritório de Assessoria de Imprensa que lhe prestava serviços (Nine Speakers) e comunica a sua aposentadoria antecipada – dado que a Hearst Corporation não vai arriscar, ou não deve arriscar seus contratos e anunciantes diante da pressão contra a sua estrela, autora de uma declaração anti-sionista. Segunda, dia 07 de junho, foi o fim da carreira profissional da mais antiga correspondente política na Casa Branca em atividade. Mas, o bombardeio continua (via Fox News e centenas de sites pró-republicanos, democratas conservadores, sionistas de direita e etc.).

O paradoxo geral é que no dia 05 de agosto de 2009, Barack Obama e Helen ThomasEis o vídeo. A repórter sempre foi tida como ousada e inconveniente (como, aliás, deveria ser todo jornalista). A vingança nessa área também foi imediata (veja o link no Democracy Now), partindo daqueles a quem essa senhora incomodou por anos a fio. Ari Fleischer, ex-secretário de Imprensa da Casa Branca durante o “magnífico” governo de George Bush Jr. recomendou que seu então empregador, Hearts Newspapers, executasse a sua demissão sumária. Já o ex-secretário da mesma função no governo de Bill Clinton, pediu a seus correligionários democratas que suspendessem as credenciais de Thomas na sede do Executivo do Império. Fim de história. “comemoraram” juntos seu aniversário.

Apontando conclusões tenebrosas

O que espanta em todo esse imbróglio é a diferença e desproporção nas reações. O Estado de Israel mata a 9 (ou 19) homens, após entrar em luta corporal com eles Tomavam de assalto uma flotilha de seis navios de passageiros e carga, sem armas letais e em águas que não pertenciam ao seu país. Portanto, isso é crime de pirataria. Os assassinatos são ainda mais inexplicáveis. Não é crível que militares de forças especiais israelenses não saibam luta corpo a corpo, por mais que estejam desabituados a essa modalidade de combate. Se havia chance de ferir de forma não letal, não se usou essa capacidade, matando como exemplo. De fato, após os assassinatos, nenhum outro navio tentou furar o bloqueio, não passando até o presente momento de prudentes escaramuças sem risco de conflito. Esses são os fatos contundentes e irrefutáveis.

Helen Thomas, por mais capaz que seja, deveria ser condenada por suas palavras. Não creio que a mesma pense no que disse. O argumento chauvinista saído de bocas ilustradas, em geral, é fruto de ira somada com descontrole momentâneo. Não se pode querer mandar de volta as vítimas e descendentes do Holocausto. Ao mesmo tempo, não se pode perdoá-los por tudo o que fazem, alegando para o Ocidente terem esse direito porque os “árabes” querem atirá-los ao mar. A decana do jornalismo político estadunidense deu ainda mais munição para a direita sionista. Esse setor político israelense já tem armas de todos os tipos, de nucleares a midiáticas. É hoje a direita mais poderosa do mundo, considerando todas as suas versões: a direita chauvinista (do Likud, de seu racha de centro o Kadima, e os “falcões” da IDF vinculados ao Trabalhismo), integrista (com os ultra-ortodoxos do Shas) e supremacista (com o partido de AvigdorLieberman, Israel Beitenu).

Não há argumento e ira no mundo que justifique qualquer comentário (por irônico que seja) relativizando o peso do Holocausto. Assim como não há nenhuma forma de desculpa para o Estado de Israel não se retirar completamente dos Territórios Ocupados em 1967, concedendo para o povo palestino a plenitude de sua auto-determinação política, jurídica, econômica, militar, de recursos naturais e de sua população. Enquanto isso não ocorrer, mais barcos navegarão para Gaza e comboios por terra desafiarão as fronteiras no deserto.

ONU espera verba de empresas para acordo climático

Instituto Humanitas Unisinos - 09 jun 10

O desenho de uma arquitetura climática financeira vem sendo debatido por representantes de 185 países reunidos em Bonn para a primeira rodada de negociação de conteúdo do acordo climático depois da conferência de Copenhague. Na mesa não há nenhuma proposta de dinheiro. O que está em discussão é o sistema de governança dos recursos, suas fontes e seu destino. Mas já está claro que recursos privados serão fundamentais para fechar a conta.

A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 09-06-2010.

Segundo representantes do grupo de trabalho de alto nível criado há alguns meses pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, há oito possibilidades de financiamento; seis públicas e duas privadas.

Os recursos públicos seriam alimentados pelo leilão de licenças para emitir (papéis que existem hoje nos países ricos que adotam o Protocolo de Kyoto), taxas na emissão de carbono, taxas no transporte internacional aéreo e marítimo, taxas sobre movimentações financeiras e recursos do Tesouro. Os privados viriam basicamente do mercado de carbono. O relatório do grupo de trabalho, conhecido pela sigla AGF (Advisory Group on Climate Change Financing), deve estar terminado em outubro.

O AGF é visto com ressalva por membros do G-77, o grupo dos países em desenvolvimento mais a China. Principalmente por quem, em dezembro, não concordou com o acordo de Copenhague. A tensão ainda está no ar. A representante da delegação da Venezuela questionou a legitimidade do relatório que ainda nem está pronto. "Qual a legitimidade se este grupo surgiu dentro do espírito do acordo de Copenhague?" perguntou. "Então, isto é para alguns países, não para todos." O delegado russo falou no mesmo tom.

"Este é um grupo de aconselhamento, não de decisão", esclareceu o norueguês Kjetil Lund, membro do painel. "Quando, por exemplo, recomendamos que os recursos têm que ser adicionais, não vamos definir o que isso significa porque este é um debate político, que não é o nosso papel, mas do foro de negociadores", disse Frank Schroeder, outro membro do AGF. Participam do grupo políticos, chefes de Estado e representantes da sociedade civil convidados pela ONU.

A questão levantada pela Venezuela tem ligação com a decisão dos EUA de apenas dar recursos de adaptação ou mitigação aos países que assinaram o acordo de Copenhague. "Desta forma, sabemos se estão de acordo com as regras" disse Jonathan Pershing, o chefe da delegação dos EUA em Bonn.

É, alguém tem que ganhar dinheiro com essa besteirada propagada pelo IPCC sobre aquecimento global.

Euforia não é um bom precedente

Instituto Humanitas Unisinos - 09 jun 10

"A euforia desconhece os riscos e não previne a possibilidade do erro. O Brasil, em 2010, deveria estar construindo salvaguardas a partir do raio de manobra ideológico criado pela crise que atingiu o baixo ventre da globalização e anunciou a falência dos postulados neoliberais", escreve Carlos Lessa, professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ, ex-presidente do BNDES, em artigo publicado no jornal Valor,09-06-2010.

Eis o artigo.

A mídia batizou o final dos anos 1960 e início dos 70 de Milagre Brasileiro. Na ocasião, após uma retomada da construção civil e da produção de veículos automotores e eletrodomésticos, o Brasil parecia que iria dar seu salto final para o centro do mundo. O juro real era baixo; o fluxo de empréstimos do exterior, crescente; o investimento privado, firme e a formação de infraestrutura pelo setor público ativa, planejada e continuada. Nesse cenário, a dívida externa crescia e as reservas internacionais absorviam o excesso de dólares. Nossos bancos contratavam operações no exterior e repassavam no varejo empréstimos com cláusula cambial.

Os países produtores de petróleo elevaram os preços, dando origem ao que se chamou Primeira Crise do Petróleo. Neoenriquecidos, os países produtores, superavitários, acumularam excedentes financeiros que reorganizaram o circuito financeiro internacional e produziram uma elevação do juro internacional e uma momentânea crise de liquidez.

Um ministro do regime autoritário lembrou que o Brasil respondia às crises "sacudindo a poeira e dando a volta por cima" e afirmou: "bendita crise!". O regime autoritário lançou o II PND e afirmou que "no ano 2000, o Brasil seria grande potência". O restante da história é conhecido: o Brasil seguiu se endividando a taxas de juros crescentes em condições mais duras, mas tocou para frente projetos de infraestrutura, inclusive alguns de prioridade duvidosa. Com a segunda crise do petróleo e, com o México em 1982, o mundo entrou na chamada Crise da Dívida Externa. No Brasil, a inflação acelerou e mergulhamos na mediocridade macroeconômica. Com os Fernandos, assumimos o neoliberalismo. FHC falou em "acabar com a Era Vargas"; Collor chamou o carro brasileiro de carroça; e os cronistas eliminaram da retórica as palavras como industrialização, desenvolvimento econômico e social, investimento como ampliação de capacidade produtiva e política industrial. Alguém defendeu a "integração competitiva" (como um mergulho sem salvaguardas) na globalização. Houve a desmontagem acelerada do setor público sem, explicitamente, nenhum projeto institucional maduro e aceito pela população. A Constituição de 1988 foi esquartejada e o país viveu a febre das emendas constitucionais; combinou uma profusão de Medidas Provisórias de um regime parlamentarista com um presidencialismo que tudo justificava em nome da prioritária "luta contra a inflação". Destruímos cadeias industriais, desnacionalizamos a indústria, o comércio e os serviços, atrofiamos o aparelho produtivo estatal, forjamos anéis de interesses particularizados nas "agências de regulação". Às custas da mediocridade macroeconômica e da insuficiência de geração de renda e emprego, a inflação foi controlada. De paraíso da hidreletricidade, involuímos para uma tarifa energética proibitiva. O Brasil virou exportador de mão de obra: estão no exterior mais de 3 milhões de brasileiros. Chegamos à senilidade econômica sem viver a maturidade civilizatória.

O Brasil enfrentou, de forma razoável, a crise de 2009. O ponto-chave de nossa resistência foi a utilização dos grandes bancos públicos federais que escaparam da privatização. A moderada redução da taxa de juro real, a contínua elevação do poder de compra do salário mínimo e o ensaio ainda vacilante de retomada de alguns projetos de infraestrutura permitiram ao Brasil, em 2010, uma modesta recuperação.

Foi reinstaurada a euforia. Pela mídia, tudo se passa como se o Brasil fosse uma ilha de felicidade no oceano da Crise Mundial. Os EUA não se recuperaram e estão em adiantado estado de indigestão patrimonial e financeira. Na Europa, o euro vacila: Grécia, Portugal, Espanha e, agora, a recém-chegada Hungria prometem um possível jogo de dominó com queda encadeada. A Alemanha coloca as barbas de molho e as agências financeiras internacionais falam de perda de classificação para importantes bancos europeus. A Inglaterra está estagnada e sem perspectivas. Na Ásia, o Japão se arrasta na mediocridade sem, ainda hoje, ter digerido sua precedente bolha imobiliária. A China é a estrela e, a partir de um Estado forte, de uma soberania nacional intacta, do estrito controle da movimentação financeira e de um pragmatismo político-econômico sem inibições ideológicas, mantém o yuan alinhado com o dólar, pratica um neocolonialismo no Terceiro Mundo e realiza um enorme esforço de investimento público em infraestrutura. Entretanto, mais da metade de sua população permanece no campo. Na cidade, a bicicleta vai sendo abandonada pela lambreta e sindicatos começam a endurecer negociações. Os analistas internacionais começam a ver sombras chinesas reduzindo seu papel de neopolo mundial. Aliás, a enorme riqueza financeira chinesa é apenas uma parcela da enorme dívida do Tesouro Americano.

Os sinais do planeta estão visíveis. Estiveram visíveis na segunda metade dos 70, no apagar do autoritarismo. A euforia foi o prenúncio da estagnação, mas levou a classe média a prender o slogan "Brasil ame-o ou deixe-o" no fusca pago em prestações, e a cantar "Pra frente, Brasil..". A história pode se repetir, porém como farsa.

A euforia desconhece os riscos e não previne a possibilidade do erro. O Brasil, em 2010, deveria estar construindo salvaguardas a partir do raio de manobra ideológico criado pela crise que atingiu o baixo ventre da globalização e anunciou a falência dos postulados neoliberais.

Brasil rejeita pedido dos EUA sobre Irã

Instituto Humanitas Unisinos - 09 jun 10

O governo brasileiro rejeitou sugestão americana para que mantivesse um "papel moderador" sobre o Irã.
"Não há hipótese de papel moderador se as sanções ao Irã forem votadas", respondeu Marco Aurélio Garcia, assessor diplomático do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao general Jim Jones, assessor de Segurança Nacional de Barack Obama, em telefonema ontem.

A reportagem é de Clóvis Rossi e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 09-06-2010.

Não foi o único contato entre autoridades dos dois países em torno da votação, prevista para hoje, do quarto pacote de sanções ao Irã por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Antes, Marco Aurélio falou também com o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon. Tanto a Jones como a Shannon o assessor de Lula disse que seria "um erro grave" votar as sanções.

MÃO DUPLA

O assessor de Lula ouviu dos dois uma idêntica linha de raciocínio. Washington trabalha com o que chama de via dupla, ou seja, pressões (na forma das sanções) e negociações. Não considera que uma exclua a outra.

Acredita, ao contrário, que a aprovação de sanções possa levar Teerã a negociar. Nesse ponto, há uma total divergência entre EUA e Brasil. "Estão totalmente equivocados os que pensam que podem levar o Irã à mesa de negociações por meio da imposição de sanções", diz Marco Aurélio.

Parece ter razão, a julgar pelo que disse ontem em Istambul Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã: "Se os EUA e seus aliados pensam que podem erguer o bastão das sanções e depois sentar e negociar conosco, estão seriamente equivocados". Ahmadinejad insinuou que o acordo entre seu país, Brasil e Turquia, assinado no mês passado em Teerã, deixará de ter validade se as sanções forem aprovadas. "É evidente que perde validade", admite Marco Aurélio. Não é o único ponto que perde validade, sempre segundo o assessor de Lula: serão prejudicadas também as gestões em torno de outros problemas.
Marco Aurélio
cita o caso de três cidadãos americanos presos no Irã, sob acusação de espionagem. As famílias dos três negam a acusação e dizem que eles estavam praticando montanhismo quando cruzaram a fronteira.

Gestões do presidente Lula levaram Ahmadinejad a aceitar receber as mães dos três, o que acabou não ocorrendo exatamente porque os EUA anunciaram o pacote de sanções no dia seguinte à assinatura do acordo de Teerã.

Não foi só com americanos que o governo brasileiro discutiu nos dois últimos dias a questão iraniana. Ontem e anteontem, Lula falou com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, também sem êxito.

SANÇÕES UNILATERAIS

A impressão de Marco Aurélio é a de que os EUA e alguns de seus aliados mais firmes na defesa de sanções (como a França) acham que o único meio de interromper a busca da bomba pelo Irã é uma mudança de governo.

É outro engano, na visão do assessor de Lula: "As sanções só vão solidificar o regime internamente". O Brasil, apesar de radicalmente contrário às sanções, vai obedecê-las, se aprovadas no Conselho de Segurança. "Temos que acatar, porque somos respeitosos das decisões internacionais", explica Marco Aurélio. O que o Brasil não aceitará é uma escalada de sanções que está claramente desenhada pelos EUA. O secretário da Defesa, Robert Gates, foi muito claro: "A resolução fornece uma plataforma legal que permite que países e organizações como a União Europeia adotem individualmente ações próprias mais rigorosas, que irão muito além do que a resolução da ONU determina".

Marco Aurélio rebate, preventivamente, que é "ilegal" esse tipo de sanção. Mais: "Não deveriam nem ser levadas em consideração por qualquer país".

Está, portanto, pronto o cenário para um aprofundamento das divergências Brasil/EUA, por mais que as autoridades americanas tenham elogiado, como fez Jim Jones, o papel desempenhado pelo Brasil na "moderação" com o Irã.

Brasil teme que sanções ameacem comércio bilateral com o Irã.

terça-feira, junho 08, 2010

En Turquie, au sommet sur la sécurité, Ahmadinejad refuse d'aller plus loin

Mais uma. Infelizmente não encontrei assemelhada em português. Mas observem no início da reportagem a chamada de que Mahmoud Ahmadinejad diz não haver uma segunda chance para a comunidade internacional, caso não aceite a negociação Brasil-Turquia.

Turquie / Iran -
Article publié le : mardi 08 juin 2010 - Dernière modification le : mardi 08 juin 2010


Le président iranien,Mahmoud Ahmadinejad, pendant la Conférence  sur l'interaction et les mesures d'élaboration de la confiance en Asie  (CICA), à Istanbul, le 8 juin 2010.
Le président iranien,Mahmoud Ahmadinejad, pendant la Conférence sur l'interaction et les mesures d'élaboration de la confiance en Asie (CICA), à Istanbul, le 8 juin 2010.
Reuters/Murad Sezer
Par RFI

En Turquie se tient, ce mardi 8 juin 2010, un sommet sur la sécurité régionale en Asie où, notamment, le dossier nucléaire iranien figure en bonne place. En marge de cette réunion, Mahmoud Ahmadinejad, le président de la République islamique a averti que la communauté internationale devait saisir l'accord conclu le mois dernier sous l'égide du Brésil et de la Turquie et qu'il n'y aurait pas de seconde chance.

« Faites attention à ne pas vous ranger aux côtés des ennemis de l'Iran ». Cet avertissement, le président iranien l'a adressé à la Russie alors que le Conseil de sécurité étudie un nouveau volet de sanctions. Mahmoud Ahmadinejad a affirmé que l'adoption de nouvelles sanctions rendrait impossible toute négociation.

Le président iranien a rappelé que son pays avait accepté une proposition conjointe de la Turquie et du Brésil de faire enrichir une partie de son uranium à l'étranger. Mais le groupe des « cinq plus un » juge que les garanties d'application de cet accord sont insuffisantes. Sans compter que les Etats-Unis et leurs alliés exigent toujours une suspension par l'Iran de l'enrichissement d'uranium sur son sol.

Présent à Istanbul, le Premier ministre russe Vladimir Poutine, tout en refusant des sanctions excessives, a affirmé qu'un accord au Conseil de sécurité des Nations unies était proche. Même la Chine qui demeure sur ce dossier le plus fidèle allié de l'Iran est prête à soutenir une résolution prévoyant entre autre l'inspection en haute mer de tous les navires iraniens.

Un vote sur ce texte pourrait avoir lieu cette semaine. Pour être adopté il doit obtenir le soutien de neuf des quinze membres du Conseil de sécurité sans que l'un des cinq membres permanents que sont la Chine, la Russie, la Grande-Bretagne, les Etats-Unis et la France ne mettent son veto.

En Afghanistan, les bombes artisanales cauchemar des forces internationales

Me desculpem os leitores, mas realmente não tenho tempo para traduzir,creio que dá para entender a idéia geral da notícia sobre a persistência das incursões militares do Ocidente (puxadas com afinco pelos EUA) ao Afeganistão.

Afghanistan -
Article publié le : mardi 08 juin 2010 - Dernière modification le : mardi 08 juin 2010


Des insurgés talibans en Afghanistan.
Des insurgés talibans en Afghanistan.
RFI
Par RFI

Les forces internationales en Afghanistan ont connu une journée noire le 7 juin 2010. Dix soldats sont morts dans le sud et l’est du pays. Sept victimes sont de nationalité américaine, les deux autres australienne. Un sous-officier français d'un régiment de parachutistes a par ailleurs été tué par un éclat de roquette antichar tiré par des insurgés. Malgré les offensives lancées dans les bastions des talibans, ceux-ci semblent avoir conservé intacte leur capacité de frappe.

Avec notre correspondante à Kaboul, Florence Lozach

De nombreux experts l’avaient prédit : avec l’arrivée progressive de troupes supplémentaires en Afghanistan, les pertes devaient augmenter et le conflit se durcir en particulier dans le sud du pays. Mais après la journée noire du 7 juin 2010 pour les forces internationales, le sentiment qui domine est celui d’une insurrection toujours plus organisée, violente et meurtrière, menée par des talibans qui ne semblent pas intimidés par les opérations prochaines annoncées, notamment à Kandahar.

Face à des forces étrangères qui essaient de reprendre un à un des fiefs talibans dans les provinces du Sud, les insurgés continuent de semer la terreur et faire de véritables carnages avec leur arme privilégiée : les bombes artisanales placées au passage des convois militaires qui sont devenues la véritable hantise des soldats sur place.

Plus les outils technologiques des armées pour détecter ces bombes progressent, plus les talibans, eux, font preuve d’inventivité pour faire toujours plus de victimes, dans un conflit qui s’enlise.

Contribuição para a História (Jornalista Mário Neves organizou canal de ligação conspirativa entre o Kremlin e o general Spínola através do KGB)

darussia.blogspot - Terça-feira, Junho 08, 2010


Evgueni Pitovranov

Mário Neves, conhecido jornalista português, organizou um canal de ligação conspirativo entre o general Spínola e o Kremlin de Moscovo através do KGB soviético logo após o 25 de Abril, escreve o antigo agente soviético Alexandre Kissilov, num livro de memórias sobre conhecidos espiões do Comité de Segurança do Estado da URSS.

“Nos finais de Abril de 1974, em Portugal teve lugar, de forma bastante inesperada para a opinião pública mundial, a “Revolução dos Cravos”... Os meios e os métodos utilizados para esses fins nobres (libertação da ditadura fascista) – uma conjura de generais e de um levantamento militar -, provocavam algumas dúvidas sobre a sinceridade dos objetivos e valores declarados”, escreve Kissilov nas suas memórias “Etapas de uma grande jornada”.

“Mas nem a Secção Internacional do Comité Central (do Partido Comunista da União Soviética), nem os serviços secretos tinham informação suficiente para a análise objetiva e conclusões precisas, o que provocava irritação visível no Secretário-geral, Brejnev”, continua ele num livro patrocinado pelo Serviço de Espionagem da Rússia.

Segundo Kissilov, Iúri Andropov, que então dirigia o KGB soviético recorreu aos serviços de Evgueni Pitovranov, um dos agentes mais experientes da espionagem soviética.

Pitovranov, que, em 1974, era vice-presidente da Câmara do Comércio e Indústria da URSS e general do KGB, tinha contatos com Mário Neves que, então, ocupava o cargo de comissário da Feira das Indústrias Portuguesas. Por isso, entrou em contato com o português, que lhe prometeu um encontro secreto com o general Sínola, então Presidente de Portugal.

“No dia seguinte à sua chegada a Lisboa, Neves recebeu o seu amigo-parceiro moscovita e, na tarde do dia seguinte, dois generais encontraram-se secretamente no palácio presidencial”, recorda Kissilov.

O agente soviético, continua Kissilov, “transmitiu ao Governo Provisório e ao povo de Portugal felicitações da direção da URSS pelo derrube da ditadura e boa sorte na via das transformações democráticas”.

“Spínola recebeu com evidente interesse a proposta da criação de um canal conspirativo direto entre a direção dos dois países. Ele expôs a sua plataforma política e delineou as vias mais prováveis das transformações futuras”, acrescenta Kissilov.

A amizade entre Neves e Pitovranov continuou depois do primeiro ter sido nomeado Embaixador de Portugal na URSS: “ele (Neves) habituava-se com dificuldade aos nossos frios e a algumas outras coisas, principalmente na organização da vida quotidiana. Pitovranov tornou-se o seu apoio seguro” .

Para Kissilov, “isso preocupou seriamente os serviços secretos portugueses: a conselho dos parceiros da NATO, eles passaram a desconfiar que existisse algo de subversivo numa normal amizade humana. Neves passou a ser seguido, o seu gabinete e apartamento foram cheios de meios de escuta, todas as chamadas telefónicas eram controladas”.

“Porém, as suspeitas evaporaram-se, e não podia ser de outra forma porque Pitovranov, experiente na luta secreta, nunca poria em risco o seu amigo”, conclui.

Mário Neves morreu em 1999. Como diplomata foi o primeiro embaixador de Portugal em Moscovo depois do 25 de Abril de 1974 e como jornalista denunciou a responsabilidade das forças nacionalistas do massacre de Badajoz durante a Guerra Civil de Espanha e é o autor da célebre pergunta ao general Humberto Delgado durante as eleições presidenciais de 1958: «Sr. General o que vai fazer de Salazar se ganhar as eleições?», perguntou Mário Neves na conferência de imprensa do café Chave D´Ouro, em Lisboa. Delgado respondeu: «Obviamente demito-o.»

Começou simulação de viagem a Marte

darussia.blogspot.com - Quinta-feira, Junho 03, 2010



Uma equipa internacional de pesquisadores vai passar 520 dias - o tempo necessário para uma viagem de ida e volta a Marte - trancada numa cápsula, para simular uma expedição ao Planeta Vermelho.


Depois de um ano de treino intenso, a simulação, que começou hoje em Moscovo, não inclui a ausência de gravidade, mas os seis astronautas da Rússia, China, França e Itália vão ficar isolados numa cabine sem janelas e seguindo uma rotina dura.


A experiência simula uma viagem de 250 dias a Marte, com 30 dias de explorações na superfície e outros 240 dias de viagem de volta.


O projeto conjunto do Instituto de Problemas Biomédicos da Rússia e da Agência Espacial Europeia (ESA), que recebeu o nome de "Marte 500", visa estudar como as pessoas suportam o confinamento e a convivência com companhias tão limitadas durante longos períodos.


A tripulação vai passar a maior parte do tempo no módulo habitável da "nave", uma cápsula de aço do tamanho de um contentor com seis quartos parcamente mobiliados. Noutra cápsula, que vai ficar ligada ao alojamento, há um ginásio, uma estufa artificial e um armazém de alimentos e água. Uma terceira cápsula será o departamento médico. A experiência conta ainda com um modelo de um módulo de aterragem em Marte e da superfície do planeta, onde parte da tripulação ficará separada durante 30 dias no meio da "viagem" para simular uma aterragem no planeta vermelho.


Para que a experiência se assemelhe o mais possível à realidade, a agência vai simular quebra de equipamentos e emergências médicas, entre outros problemas. Os homens serão sujeitos a exames psicológicos regulares para saber se se sentem bem ou mal.


O único contato que os homens terão com o mundo externo será através de um rádio ligado à Agência Espacial da Rússia. Para tornar a simulação mais real, as conversas terão um atraso máximo de 20 minutos, o tempo que os sinais levam para ir da Terra a Marte e vice-versa.


A comida será enlatada, como a que se come na Estação Espacial Internacional, e os astronautas só poderão tomar um banho em cada dez dias.


No ano passado, uma experiência semelhante foi concluída com êxito em Moscovo, após seis voluntários permanecerem trancados durante 105 dias.


Uma outra iniciativa parecida, realizada entre 1999 e 2000, acabou em sangue, depois de dois russos se terem envolvido em confrontos e uma mulher canadiana se ter queixado de ter sido beijada à força por um capitão russo. Para evitar a repetição de cenas semelhantes, os organizadores da nova “viagem” a Marte decidiram não incluir mulheres entre os membros da tripulação.


Qualquer um dos participantes da experiência pode desistir a meio da viagem, sendo considerado um “astronauta morto”.


Cada um dos que chegarem ao fim receberá cerca de 70 mil euros.


Ainda não há data certa para uma verdadeira missão tripulada a Marte.

A epidemia do crack

Por Fernando Augusto Botelho

Epidemia de crack está fora de controle, adverte especialista
(faltou o link)

Cerca de 1,2 milhão de pessoas fazem uso da droga no país.
Psiquiatra da Uerj diz que atendeu 200 pacientes e só recuperou um.

Aluizio FreireDo G1 RJ

Um fotógrafo profissional de 40 anos, depois de passar noites vagando pelas ruas, evitando as pessoas, não resistiu aos apelos do vício e entregou sua câmera Canon de última geração, avaliada em mais de R$ 20 mil, nas mãos de um traficante. Em troca, pediu 30 pedras de crack. Duas meninas, uma de 8 e outra de 12 anos, satisfaziam todos os desejos sexuais de "craqueiros", em uma praça do Rio, para ter a droga. Embora os efeitos devastadores do crack sejam conhecidos, nem mesmo os especialistas mais experientes possuem uma receita eficaz para tratar os usuários dessa droga.

Já ouvi comentários semelhantes de especialistas aqui em Porto Alegre. É um caso sério de saúde pública que deve ser bem analisado por vários setores da sociedade.

Carta contou tudo: Valério e Dantas, unidos em Lisboa

Conversa Afiada - Publicado em 08/06/2010

Na foto, o local em que, ao som de Amalia Rodrigues, os destinos de Valerio e Dantas se encontram


O site da revista Carta Capital republicou hoje reportagem de Sergio Lirio, de agosto de 2005 , (clique aqui para ler) sobre as sinistras ligações de Marcos Valerio e Daniel Dantas, numa operação sinistra em Lisboa.

Aí se estabelecem vinculos de Dantas com o portador do Valerioduto e, portanto, de Dantas com o mensalão que vai ser julgado pelo corajoso Ministro Joaquim Barbosa.

Dantas não escapa: clique aqui para ler “Dantas tem um encontro marcado com Barbosa”.

Clique aqui para ler sobre artigo magistral de Joaquim Falcão e a tentativa de Dantas de usar a Justiça para calar jornalistas independentes.


Paulo Henrique Amorim

NE oferece 30% dos novos empregos na construção. Bye-bye Serra 2010-06-08

Conversa Afiada - Publicado em 08/06/2010

O Brasil cresce onde a Dilma ganha fácil


O Sr Rosivaldo, que cuida da reforma do nosso apartamento em São Paulo, teve que contratar funcionários em Salvador para dar conta do serviço.

Não há operários da construção civil em São Paulo.

Nem no Nordeste, presume-se.

Saiu na primeira página do Valor (clique aqui para ler):

“NE oferece 30% dos novos empregos na construção.”


“Em ebulição, a indústria da construção civil cresce a taxas chinesas no Nordeste, resultado da combinação de credito farto, déficit habitacional elevado (leia-se: obras do Minha Casa Minha Vida, construído pela Dilma Roussefsf e o presidente Lula – PHA) e crescentes investimentos em infraestrutura (devido ao PAC da Dilma, que o FHC diz que é miragem – PHA).”

Faltam pedreiros, pintores, carpinteiros, eletricistas, engenheiros e até estagiários.

É o que me disse o Carlos, garçom ali perto de Suape (clique aqui e leia “Suape é uma revolução”):

“Aqui só não tem emprego quem não sai de casa”.

E o Zé Ladeira (abaixo) foi a Campina Grande na Paraíba dizer que era preciso fazer um “Próximo Passo” (clique aqui e leia) para dar qualificação aos que saem do Bolsa Família.

Não é à toa que o Vasco Moscoso de Aragão acha que ele ficou velho (clique aqui para ler).


Paulo Henrique Amorim

Economia cresce a 9%

Site do Azenha - 8 de junho de 2010 às 15:24

08/06/2010 – 10h16
Economia cresce 9% no 1º tri e bate recorde na comparação anual

Da Redação, em São Paulo (UOL)

A economia brasileira cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010 em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que representa a maior alta desde 1996, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

A atual série histórica do IBGE começou em 1995 com uma mudança na metodologia de cálculo. A primeira comparação usando o novo sistema foi feita a partir de 1996 e mediu o crescimento em relação a 1995.

Em relação ao último trimestre de 2009, o PIB cresceu 2,7%, o que representa a maior expansão desde o primeiro trimestre de 2004.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma das riquezas produzidas por um país durante um determinado período de tempo. A sua variação anual reflete o quanto a economia produziu a mais, ou a menos, que no ano anterior.

Nas duas comparações, a indústria foi destaque de alta: de 4,2% ante o quarto trimestre de 2009 e de 14,6% frente ao mesmo período do ano passado.

A agropecuária cresceu 2,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 5,1% na comparação anual. O setor de serviços se expandiu, respectivamente, 1,9% e 5,9%.

A formação bruta de capital fixo –um indicativo de investimento– avançou 7,4% na comparação trimestral e 26% na anual (maior ritmo da série), influenciado, principalmente, pela produção interna de máquinas e equipamentos.

O IBGE verificou também que as exportações tiveram alta de 1,7% e as importações de bens e serviços registraram acréscimo bem mais expressivo, de 13,1%.

Os fortes dados foram conhecidos um dia antes de o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar sua decisão sobre o juro básico brasileiro, atualmente em 9,5% ao ano. Pesquisa da Reuters na semana passada apontava expectativa de aumento de 0,75 ponto percentual.

Será que os eleitores de Serra não percebem esse progresso na economia nacional pós-FHC?

Antropologia Tupiniquim

Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 18 de maio de 2010.

Tenho mantido correspondência com o amigo Antropólogo Edward M. Luz e por total afinidade de propósitos e pensamento, reproduzo parte dos textos que ele me enviou recentemente. O primeiro deles enviado à Revista Veja.

Desmandos da Antropologia Brasileira.

Edward M. Luz. Antropólogo Consultor. Sócio Efetivo da ABA. Doutorando do CEPPAC/UnB

É sempre perigoso e difícil falar qualquer coisa acerca da antropologia em poucas palavras. Mas, aqui vai minha leitura antropológica, sem aspas de distanciamento, nem metáforas mirabolantes, acerca do que está acontecendo com a Antropologia brasileira.

Ao buscar e deter um conhecimento singular, único porque multi-cultural, acerca do Homem, a Antropologia na verdade, termo estranho a esta ciência, onde tudo é sempre relativizavel, vem ao longo de sua história colecionando momentos e méritos diversos, dos mais nobres aos mais espúrios. Um dos poucos fatos que os antropólogos conseguem concordar é que: nem este Homem com H maiúsculo, nem esta Antropologia existem concretamente. Ambos são personagens conceituais que prestam um enorme serviço à humanidade. Muito embora não detenham o monopólio, os antropólogos são os humanos que melhor manipulam os poderes simbólicos destes conceitos utilizando-o como podem ou como querem, ou como são obrigados a fazerem. Agem assim por conta de diversos fatores (ideológicos, sociais e econômicos) que condicionam a prática da antropológica enquanto seres humanos repletos de necessidades. Ao longo da história humana, antropólogos fizeram diferentes usos do poder simbólico da Antropologia para os mais diferentes fins. Alguns o utilizaram como instrumento de legitimação do colonialismo europeu, outros ainda, como ciência prática e multifuncional capaz de propor maneiras de melhor lidar com as dificuldades inerentes do manejo de um império global, etc.

Outros antropólogos a utilizaram para questionar ou validar as mais diferentes ideologias que a mente humana produziu, (mitológicas, religiosas e filosóficas). A evolução ideológica da antropologia é tema das disciplinas mais elementares na formação de um bacharel.

Com o ocaso da ideologia comunista/socialista, legitimada por muitos antropólogos que questionavam o modelo capitalista dominante, alguns antropólogos fazem agora uso do poder de seu discurso científico, para legitimar o discurso ambientalista global.

No Brasil, alguns antropólogos fazem uso do discurso científico para legitimar demandas ambientalistas. Muitos deles são subservientes aos movimentos sociais, o que compromete sua capacidade de emitir pareceres nas demarcações de terras indígenas e quilombolas. Sou testemunha disso. Atuei em oito demarcações de terras indígenas, e em cinco delas sofri pressões da FUNAI e de ONGs para legitimar demandas em que era flagrante o exagero das pretensões territoriais. Como fiz relatórios contrários, a FUNAI desconsiderou meu parecer e buscou outro antropólogo para fazer o serviço sujo que me recusei a fazer. E se ele também se recusar, a FUNAI o dispensará e conseguirá outro para fazê-lo e assim irá até conseguir implementar seu desejo já mancomunado com ONGs internacionais.

Por conta de um compromisso histórico da Antropologia brasileira com os povos indígenas do Brasil e de outro compromisso ideológico Ambientalista, os antropólogos tornaram-se reféns sempre subservientes aos mais diversos movimentos sociais em território nacional, o que compromete profundamente sua capacidade de emitir laudos, pareceres ou relatórios nas demarcações de terras indígenas e quilombolas. Não importa o que os indígenas façam ou deixem de fazer, porque como já disse Eduardo Viveiros de Castro, um dos maiores expoentes da Antropologia brasileira ‘pro antropólogo, o índio é que nem cliente: tem sempre razão’.

Esse é o principal motivo, porque tanto ele, como eu, como muitos indígenas do Nordeste, acreditamos que os antropólogos não podem, não devem e não precisam mais participar dos processos de identificação e delimitação de novas terras indígenas. Os novos indígenas já estão preparados para defender seus interesses sozinhos. O Executivo brasileiro é perfeitamente capaz, de promover os estudos necessários por meio de outros profissionais mais imparciais (sociólogos ou historiadores, por exemplo), e a sociedade brasileira plenamente capaz de avaliar suas demandas nos fóruns apropriados, ou seja: no Congresso Nacional e no Judiciário Federal.

Eis o meu breve parecer!!!”

- Aparato Indigenista E Ambientalista

Seu maior e principal alvo no momento é formar um bloco territorial compacto, totalmente formado por terras indígenas que devem ir da Cabeça do Cachorro, no alto rio Negro, passando por São Gabriel da Cachoeira e indo até Barcelos e reconhecê-la totalmente como terra indígena para então, já com patrocínio das nações do hemisfério norte e em conluio grupal do batalhão de ONGs que opera na área e com anos de doutrinação ideológica neomalthusiana, internacionalista que prega, questiona a legitimidade da soberania nacional brasileira sobre toda a Amazônia. Essa turma toda de antropólogos e ambientalistas que trabalham em ONGs indigenistas/ambientalistas são definitivamente, as maiores ameaças que a nação, a sociedade e o Exército Brasileiro já enfrentam e ainda enfrentarão nos próximos anos.

O problema é que antropólogos e ambientalistas são uma comunidade fechada de acadêmicos que tentam a todo custo MONOPOLIZAR O DIREITO DE FALAR SOBRE INDÍGENAS, MEIO-AMBIENTE E AMAZÔNIA, para assim formarem uma verdadeira barreira pseudo-científica para legitimar todo e qualquer discurso internacionalista da Amazônia, preparando assim o terreno para o Golpe Militar que virá depois. Assim que conformado todo o terreno amazônico como terra indígena (o que só falta é a demarcação das terras indígenas do Baixo Rio Negro), basta então que UNIDOS, estes indígenas se declarem independentes, se declarem uma nação indígena independentes da autoridade brasileira. Fazendo isso, basta que uma outra nação do Hemisfério Norte ou mesmo a ONU reconheça este território como um outro país, e está feita a tragédia: Teremos que enfrentar uma guerra civil, ou mesmo uma guerra internacional para retomar nosso próprio território perdido pela nossa desatenção.

Contudo, perceba bem a ambigüidade da situação que nós cientistas e militares nacionalistas e comprometidos com a pátria vivemos agora:

1) não há provas concretas que confirmem a existência desse plano. Não há, porque não pode haver em hipótese alguma. Isto é parte do plano: nem os indígenas sabem da existência do plano porque eles se oporiam a tal manobra. A grande manobra é armar todas, absolutamente todas as condições necessárias para a bomba social explodir. Quanto maior e mais explosiva melhor. Depois basta detoná-la. Como: criando uma situação social de profunda revolta de todos os indígenas que os levem aderir a uma idéia absurda como esta. E isto, com o aparato de inteligência e espionagem secreta norte-americana, será o mais fácil de fazer.

Basta um contra-golpe: o assassinato consecutivo ou simultâneo de importantes lideranças indígenas dessa região, o genocídio de um desses 27 grupos indígenas isolados na Amazônia, ou mesmo um conjunto de mentiras mais deslavadas como a tentativa de esterilização das mulheres indígenas, ou contaminação intencional de indígenas desta região pela vacinação obrigatória de algumas destas tribos pertencentes. Acusa-se o estado brasileiro e as forças armadas destas atrocidades por eles cometidas e pronto a bomba detona-se em uma sucessão de eventos imprevisíveis. É por isso que eles não podem deixar evidências de nada disso.

E, é por isso, que nós não podemos ficar só falando, publicando e estudando a situação. É hora de coordenar uma Força tarefa com um centro de coordenação teórica, analítica e estratégica que elabore e implemente ações estratégicas grupais evitando assim a finalização da construção desta bomba social.

Não há orgulho quando afirmo que sou talvez o único antropólogo preocupado com isto. Existem sim, como bem afirmaste, alguns outros poucos ‘antropólogos brasileiros de grande quilate’, mas estão todos inconscientes do que se vai formando no Brasil e absolutamente confiantes na boa vontade de indígenas e dos demais antropólogos na demarcação dessa monstruosidade de terras indígenas que temos em nossa Nação. Os demais antropólogos, que não são de tamanho quilate assim, acabam também cometendo os mesmos erros, ou outros ainda piores de pensarem somente em si e no dinheiro que vão ganhar (muito dinheiro por sinal, por vezes 18 mil Reais para confeccionar um relatório de identificação) e por isso acabam se submetendo perfeitamente a esta função com o maior prazer para fazer tudo que lhe mandarem.

2) Qualquer cientista, antropólogo ou militar que levante esta hipótese é desacreditado como nacionalista, delirante, psicopata que precisa de tratamento porque viaja em ‘teoria da conspiração’. E pior, isto acontece porque até antes de eu descobrir como funciona este esquema e me insurgir contra ele, não havia um antropólogo ou um ambientalista que o denunciasse e que mostrasse os mecanismos de funcionamento interno desta enorme indústria que quer tirar nossa soberania desta parte do território”.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br