"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sábado, abril 14, 2012

Comentários

As duas últimas semanas foram recheadas de escândalos e anúncios de novas políticas econômicas setoriais.

No rol dos escândalos temos o fenômeno Cachoeira, que está se transformando em algo muito maior do que se previra no inicio.

Minha grande preocupação com o fato é as tentativas de salvamento da turma do mensalão. Até o José Dirceu já está sendo visto como vítima. Vítima de quê? De um flagra?

Se a turma do Cacheira é responsável ou não pelo vazamento das imagens e outras várias denuncias não importa. Não foi o que Cachoeira que pôs o José Dirceu no quarto, e tampouco foi ele que marcou os encontros que vazaram.

Corre-se o perigo de como diz Nando Reis em uma de suas músicas se considerar que “nessa estória de amor os diabos são anjos”.

 

No quesito das politicas econômicas o Governo resolveu dar um auxílio ao setor industrial. Baixou um pacote de desoneração que a principio vai estimular o setor.

Bom, mas como sempre há os descontentes de plantão. A turma da ABIMAQ não crê que o pacote beneficie o setor. Bom, se pensarmos que os EUA estão em crise, o Japão também, a Europa idem, a China com redução do seu crescimento, porquê um pacote que estimule o incremento da produção interna e estimule a compra INTERNA de maquinário pelo setor doméstico ao invés da exportação não pode ser benéfica? A industria não vai ter lucro? Só serve se for em dólar?

Pois é, então má notícia para a turma, pois os dólares não viram mesmo que se faça um pacote mágico. Não há mercado lá fora, será que esse pessoal não enxerga isso. Estamos em meio a uma guerra cambial e ainda se pensa que estimular a exportação vai resolver o caso. O que precisamos é de mais estimulo ao desenvolvimento social e transformação do povo brasileiro em consumidores de melhor renda. É claro que tudo isso tem limites. Como disse Kenneth Boulding que foi conselheiro ambiental de John Kennedy a 45 anos: "Qualquer um que acredite em crescimento indefinido em qualquer coisa material, em um planeta finito, ou é um louco – ou é um economista”. Então temos que ter cuidado com o modelo de crescimento e consumo a ser adotado, há a necessidade de ser algo racional, que se produza bens com menor índice de obsolescência.

Uma bela ação do Governo foi em relação às taxas de spread. O Brasil é realmente um país fantástico para se ganhar dinheiro. A crise estourando nos paises centrais e a industria automobilística internacional só tendo lucro aqui, bancos quebrando ou reduzindo sua atuação e aqui recordes de lucro. Bom, acho que tá na hora de se olhar com mais atenção porquê isso ocorre e o povo continua ganhando salário mínimo.

Apenas para se pensar no assunto. A diferença no preço dos veículos produzidos internamente em relação aos EUA ou Japão por exemplo é absurda. E a velha desculpa das taxas de impostos do Governo não cola, uma vez que tais taxas de longe cobrem essas diferenças. Por exemplo a Captiva nos EUA modelo 2012 sai por aproximadamente U$ 35.260 (com o dólar hoje cotado a R$ 1,83, sairia por R$ 64.525), no Brasil o modelo 2012 está R$ 94.038. Então se levarmos em consideração os impostos tendo por base o mais elevado 25% daria R$ 16.131, somados ao valor de R$ 64.525 daria R$ 80.656. O valor que nos é cobrado é quase de 20% acima do custo já com o imposto máximo. Creio que é meio abusivo, e isso provavelmente se repete nos veículos de IPI mais baixo.

Então quando o Governo Lula realizou a queda do IPI para estimular o mercado, de quanto foi essa queda para o consumidor. Foi a mesma do Governo? Se não foi deveria ter sido, pois como vimos a margem de lucro já com os custos do famigerado IPI são elevadas. 

sexta-feira, abril 13, 2012

As manobras do esquema Cachoeira

Enviado por luisnassif, sex, 13/04/2012 - 13:20

Autor:

Luis Nassif

Na condição de réu, o senador Demóstenes Torres teve acesso às peças do inquérito Monte Carlo.

Agora, está selecionando informações para, em conluio com jornalistas do esquema Cachoeira, jogar o foco das investigações na Construtora Delta.

Sabendo-se das ligações de Cachoeira com a Delta, é até risível matéria informando sobre as tratativas do bicheiro para conseguir acesso a altos executivos da empresa - como se fosse uma figura menor aproximando-se da toda poderosa Delta.

A lógica da estratégia Cachoeira-Demóstenes-aliados é simples. A Delta é parte do universo a ser investigado; Cachoeira é o todo. Focando na Delta, tenta-se tirar do foco o chefe da quadrilha, Cachoeira, seu principal lugar-tenente, Demóstenes, assim como as ligações midiáticas da estrutura criminosa.

De quebra, desestimulam-se peemedebistas - já que a Delta tem relações com o governador Sérgio Cabral Filho - e petistas - relações com o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz.

Nos próximos dias, haverá um aumento da chantagem de alguns veículos sobre políticos. É um jogo intimidatório pesado. Parlamentares escolhidos para a CPI serão alvo de represálias do esquema criminoso. Haverá também a estratégia de misturar factóides com fatos objetivos, visando embolar o entendimento da opinião pública.

A CPI de Cachoeira mostrará se o país poderá aspirar a um lugar no mundo moderno, se dispõe de instituições capazes de enfrentar toda sorte de poderes - do Executivo, Judiciário, Legislativo ao até agora intocado poder midiático.

Se se quiser, de fato, passar o país a limpo, o Congresso terá que pagar para ver, assim como parece estar sendo a posição do Executivo.

Seria medida de prudência jornais e jornalistas se darem conta de que rompeu-se a muralha do silêncio e do medo. Veículos e jornalistas que entrarem no esquema correrão o risco de serem indiciados pela Justiça.

Está chegando ao fim a era da plena impunidade para o mau jornalismo e para o uso de dossiês criminosos.

Movimento feminista aplaude decisão do STF

viomundo - 13 de abril de 2012 às 11:53

 

por Conceição Lemes

A expectativa se confirmou. Por 8 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira 12, que a interrupção de gravidez de fetos sem cérebro não é crime. Votaram a favor da antecipação terapêutica do parto, os ministros Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ayres Brito, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Contra, Ricardo Lewandowski e Cezar Peluzo.

O  ministro Ayres Britto, assim como em 2008 no antológico julgamento da liberação das pesquisas com células tronco-embrionárias no Brasil,  foi brilhante. Afirmou que a interrupção da gestação de feto com anencefalia não pode sequer ser chamada de aborto, porque ele não tem possibilidade alguma de sobrevivência após o parto.

“Dar a luz é dar a vida, não é dar a morte”, ressaltou Ayres Brito. “Levar às últimas consequências esse martírio contra a vontade da mulher corresponde a tortura, a tratamento cruel. Ninguém pode impor a outrem que se assuma enquanto mártir. O martírio é voluntário. Quem quiser assumir sua gravidez até as últimas consequências, mesmo sabendo portador de um feto anencéfalo, que o faça, ninguém está proibindo.”

Vitória da sensatez. Sou contra o aborto, acho que irresponsabilidade não deve ser aplaudida, mas há “casos” e “casos”.

Existem outras questões de saude, além dos anencéfalos que devem ser discutidas, assim como gestações geradas por estupros de parceiros ou não.

Dilma vai para cima dos bancos. PiG os defenderá

conversa afiada - Publicado em 13/04/2012

Saiu no G1:

Em discurso para industriais, Dilma volta a defender ’spread’ menor
Presidente fez visita à sede da Confederação Nacional da Indústria. Ela quer juros e spreads ‘nos padrões internacionais de custo de capital’.
Priscilla Mendes Do G1,
em Brasília
A presidente Dilma Rousseff voltou a defender nesta sexta-feira (13) a redução das taxas de juros e o “spread” (diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que cobra pelos empréstimos aos clientes). Na última segunda (9), ela havia afirmado que era “tecnicamente de difícil explicação” o percentual dos spreads bancários no Brasil.
Dilma falou para uma plateia de empresários na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. A presidente afirmou que o país deve “desmontar alguns entraves ao nosso crescimento sustentável e continuado”.
(…)

Leia também o que escreveu Fernando Brito, no Tijolaço:

Mantega, na canela dos bancos: lucrem menos

Até que enfim alguém fala grosso com os banqueiros.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu a resposta merecida, quando foram exigir benefícios fiscais para fazer o que têm tudo para fazer sem isso: baixar os juros.
“O presidente (da Federação dos Bancos) Murillo Portugal esteve aqui outro dia, e em vez de trazer soluções, veio fazer cobrança”, disse Mantega. “”O Brasil hoje é o país que pratica o maior spread do mundo e isso não se justifica.”
Spread, como se sabe, é a diferença entre o custo de captação do dinheiro pelos bancos (hoje, no máximo, 9,75% ao ano, o valor da taxa Selic) e o valor dos juros cobrados para emprestá-lo, que nunca é inferior ao quádruplo desta taxa e não raro chega a ser dez e até 20 vezes maior.
A Folha publica hoje as taxas que cobram os bancos particulares e as que passaram a cobrar os bancos públicos.
A diferença é escandalosa, como você vê na ilustração.
Em outra matéria, uma tabela mostra a rentabilidade dos bancos brasileiros frente aos bancos dos EUA.
Em 12 anos, lucraram aqui 463%, contra “apenas” 308% dos bancos dos EUA. Que, por sinal, nem sequer durante a crise de 2008, com dinheiro público sendo injetado a rodo em seus caixas, nunca tiveram um resultado negativo.
E ainda assim dificultam o quanto podem o crédito.
É por isso que as agências do BB e da Caixa estão “bombando” de clientes dos bancos privados, à procura de informações sobre taxas mais baixas.
Afinal, não é isso (ou deveria ser) a concorrência?

Cachoeira e Dantas – é o todo. E demora a limpar

conversa afiada - Publicado em 13/04/2012

Nestes momentos de incerteza, o ansioso blogueiro recorre invariavelmente ao sábio Oráculo de Delfos.
– Oráculo, por favor me acuda ! A Globo diz que a culpa é toda do Agnello !
– Calma, meu filho. Quem é o Agnello ?
– O Governador de Brasília … Do PT.
– Roriz, Arruda e quem ?, pergunta ele, como se não soubesse quem é o Agnello.
– Agnello.
– Meu filho, em Brasília até o lago é falso.
– Mas, Oráculo, por favor, o que é isso tudo ? No que vai dar essa bafa-bafa ?
– Abafa, meu filho. A imprensa quer abafar.
– O que, Oráculo ?
– Tudo.
– Mas, como, tudo ?
– Porque está tudo comprometido.
– Como assim, Oráculo, não aumente o meu desespero.
– Calma, meu filho. Tome um chá de camomila.
– Não tomo chá, Oráculo. Prefiro tequilla.
– Meu filho, se você soma a Satiagraha com o Demóstenes, o Brasil inteiro está lá dentro. É uma coisa só ! É um Brasil só.
– É … pensando bem, sempre desconfiei disso. Daniel Dantas, empreiteira Delta. Tem uma lógica nessa loucura.
– O que você está vendo diante dos teus olhos é o processo como um todo. Não escapa nada, porque o conjunto é que está podre.
– Mas, Oráculo, não tem ninguém que preste ?
– Claro, claro que tem gente que preste. Mas, são os lírios da lama …
– Oráculo, não é bem assim, são os lírios …
– Meu filho, entenda o que eu estou falando: dentro da lama pode haver vida saudável. É difícil, mas pode, na borda.
– Mas, como sair dessa ?
– Não sei se há saída, nem sei é para já, se houver saída.
– Mas, o que está errado, Oráculo ?
– O sistema político, a forma de representação, a organização partidária e o financiamento das campanhas.
– Bom, Oráculo, aí você já quer reinventar o Brasil.
– Quem mandou perguntar ? E tem mais, viu ? O Judiciário. O Judiciário é a argila dessa massa fedida.
– Mas, como é que se sai dessa ?
- Vai demorar muito. Porque está todo mundo na roda. Eu te pergunto: quem não está no Daniel Dantas ou no Cachoeira ? Que partido ? Quem não tem o rabo preso ?
– A Folha !
– Como é que é ?
– Deixa pra lá, Oráculo.
– Veja uma coisa: não tem candidato a prefeito. Quantas grandes cidades do Brasil ainda não definiram o prefeito, quantas coligações já estão prontas ?
– E daí, Oráculo ?
– Porque esse sistema político aí é um sarapatel, uma misturança. Ninguém é de ninguém. Ou todos são de todos. Não tem coerência, partido. Aí, chega um Dantas, um Cachoeira, uma Delta … e ocupa o espaço. Abre a banca.
– Quem é a Delta, Oráculo ?
– Uma letra do alfabeto grego.
– Ah …
– E a imprensa também caiu na lama. Se misturou com os bandidos.
– Você acha ?, Oráculo, perguntou o ansioso blogueiro, como se soubesse a resposta.
– Veja, Globo, Estadao, Folha, não sobra nada. Não dá para ler mais nada.
– É o PiG, Oráculo.
– É o que ?
– Deixa pra lá, uma palavra inglesa. E a CPI, Oráculo ?
– O PSDB tem mais a perder que o PT.
– Por isso o PT quer tanto.
– Você faria o que ?
– Mas, a CPI vai resolver alguma coisa ?
– Vai.
– O que, Oráculo ?
– Melar o mensalão.
– Peraí, Oráculo, já ouvi isso em algum lugar …
– Mela, mas fica um pouco de lama na bainha da calça.
– Como assim, Oráculo ?
– Ora, meu filho, tenho mais o que fazer. Me dê licença.
Pano rápido.


Em tempo: clique aqui para ler o que disse o Tirésias: “quantos Agnellos vale um Dirceu ?”.
Paulo Henrique Amorim

terça-feira, abril 10, 2012

Os movimentos sociais e os processos revolucionários na América Latina: Uma crítica aos pós-modernistas

resistir info – 10 abr 2012

por Edmilson Costa [*]

Os anos 90 do século passado e os primeiros dez anos deste século foram marcados por intenso debate entre as forças de esquerda sobre o papel dos movimentos sociais, das minorias, das lutas de gênero e das vanguardas políticas nos processos de transformação econômica, social e política da sociedade. Colocou-se na ordem do dia a discussão sobre novas palavras de ordem, novos agentes políticos e sociais, novas formas de luta, novas concepções sobre a ação prática política.
Esses temas e concepções ocuparam o vazio político nesse período em funções de uma série de fenômenos que ocorreram na década de 80 e 90, como a queda do Muro de Berlim, o colapso da União Soviética e dos países do Leste Europeu, o refluxo do movimento sindical, a redução das lutas operárias nos principais centros capitalistas, a perda de protagonismo dos partidos revolucionários, especialmente dos comunistas, além da ofensiva da ideologia neoliberal em todas as partes do mundo, sob o comando das forças mais reacionárias do capital.
A conjuntura de derrota das forças progressistas favoreceu todo tipo modismo teórico e fetiche ideológico. Sob diversos pretextos, certas forças políticas, inclusive alguns companheiros de esquerda, começaram a questionar a centralidade do trabalho na vida social, o papel dos partidos políticos como vanguarda dos processos de transformações sociais e políticas, a atualidade da luta de classes como instrumento de mudança da história e o próprio socialismo-comunismo como processo que leva à emancipação humana.
Esse movimento teórico e político envolveu forças difusas, mas influentes junto à juventude e vários movimentos sociais. O objetivo era desconstruir o discurso dos partidos políticos revolucionários, do movimento sindical e do próprio marxismo, como síntese teórica da revolução. Para estas forças, os discursos de temas abrangentes, como a igualdade, o socialismo, a emancipação humana, os valores históricos do proletariado, as soluções coletivas contra a opressão humana, eram coisa do passado e produto de um mundo que já existia mais.
No lugar desses velhos temas, tornava-se necessário colocar um novo discurso, como forma de forma reconhecer a fragmentação da realidade e do conhecimento, a constatação da diferença, a emergências de novos sujeitos sociais, com características, valores e reivindicações específicas, como os movimentos sociais, de gênero, raça, etnia, etc, e novas formas de formas de luta, inclusive com renúncia à tomada do poder.
O condensamento desse ecletismo conservador, dessa matriz teórica diluidora, pode ser expresso no que se convencionou chamar de pós-modernismo. Essa é a fonte teórica inspiradora de todos os modismos teóricos e fetiches que se tornou moda as duas últimas décadas. Quais são os principais supostos teóricos dos pós-modernistas, que tanta influência tiveram nesses anos de vazio político? Vamos nos ater a três vertentes fundamentais que norteiam os fundamentos dessa corrente teórica.
1) O fim da centralidade do trabalho. Um dos temas mais destacados pelos pós-modernistas é o fato de que as tecnologias da informação, a reestruturação produtiva e a inserção acelerada de ciência no processo produtivo tornaram obsoleto o conceito de classe operária e proletariado, até mesmo porque esses atores estão se tornando residuais num mundo globalizado onde impera a robótica, a internet e a informática avançada. Alguns desses teóricos chegaram a dar adeus ao proletariado, que seria um conceito típico da segunda revolução industrial. Prova disso, seria a constatação de que a classe operária está diminuindo em todo o mundo e, por isso mesmo, perdeu o protagonismo para outros movimentos emergentes no capitalismo globalizado.
Os teóricos pós-modernistas se comportam como o caçador que vê apenas as árvores mas não consegue enxergar a floresta. Olham o mundo a partir de uma perspectiva da Europa ou Estados Unidos. Por isso, não conseguem compreender que o capital possui uma extraordinária mobilidade, em função da busca permanente por valorização. Por isso, são incapazes de perceber que o proletariado está crescendo de maneira expressiva em termos mundiais, com o deslocamento de milhares de indústrias dos EUA e da Europa para a Ásia, processo que está incorporando ao mundo do trabalho centenas de milhões de trabalhadores na China, na Índia e em toda a Ásia, num movimento que está mudando a conjuntura mundial.
Não conseguem entender que o próprio capitalismo é uma contradição em processo, pois quanto mais se moderniza, quanto mais insere ciência na produção, mais amplia sua composição orgânica e, consequentemente, mais pressiona as taxas de lucro para baixo. Por isso, o capitalismo não pode existir sem seu contraponto, o proletariado. Se o capitalismo automatizasse todas suas fábricas o sistema entraria em colapso, pois os robôs são até mais disciplinados que os seres humanos, são capazes de trabalhar sem descanso, não reivindicam salário, nem fazem greve, mas também tem seu calcanhar de Aquiles: não consomem. Se não têm consumidores, os capitalistas não têm para quem vender suas mercadorias. Ou seja, antes de uma automatização total, o sistema entraria em colapso em função de suas próprias contradições.
2) O fim da centralidade da luta de classes. Outro dos argumentos dos teóricos pós-modernos é a alegação de que a luta de classes é coisa do passado. Afinal, dizem, se o proletariado está se reduzindo aceleradamente, não existe mais identidade de classe e, portanto, não teria sentido se falar em luta de classes. Nessa perspectiva, dizem, a reestruturação produtiva pode ser considerada uma espécie de dobre de finados que veio sepultar os velhos agentes do passado, como o movimento sindical. Prova disso, é que os sindicatos perderam o protagonismo e agora agonizam em todo o mundo. E o principal representante teórico do mundo do trabalho, o marxismo, também estaria ultrapassado, em função de sua visão monolítica do mundo.
Novamente, os teóricos pós-modernistas também não compreendem a história e confundem sua submissão ideológica à ordem capitalista com a realidade dos trabalhadores. A luta de classes sempre existiu desde que as classes se constituíram na humanidade e continuará sua trajetória enquanto existir a exploração de um ser humano por outro. Não porque os marxistas querem, mas porque a realidade a impõe. Nos tempos de refluxo as lutas sociais diminuem, parece que os trabalhadores estão passivos e os capitalistas imaginam que conseguiram disciplinar para sempre os trabalhadores.
Nessa conjuntura, o discurso do fim da luta de classe, da passividade dos trabalhadores, chega a influenciar muita gente, afinal, quem não tem uma perspectiva histórica do mundo se atém apenas à superfície dos fenômenos, à aparência das coisas. Mas nos momentos de crise do capitalismo, esse discurso se torna inteiramente inadequado, entra em choque com a realidade, uma vez que a crise coloca a luta de classes naordem do dia com uma atualidade extraordinária, para desespero daqueles que imaginavam o seu fim.
Se observarmos a realidade atual, onde o sistema capitalismo enfrenta sua maior crise desde a Grande Depressão, poderemos facilmente constatar e emergência da luta de classes em praticamente todas as partes do mundo. É só observar as insurreições no Oriente Médio, na África, as lutas na América Latina, as greves e mobilizações na Europa. Além disso, a crise também tornou o marxismo mais atual do que nunca. Mesmo os capitalistas estão lendoO Capital para tentar entender o que está ocorrendo no mundo.
3) As vanguardas políticas não têm mais nenhum papel a desempenhar no mundo globalizado. O terceiro dos argumentos-chave dos teóricos pós-modernistas é o fato de os partidos revolucionários, especialmente os comunistas, não terem mais nenhum papel a desempenhar no mundo atual. A ação política agora deve ser comandada pelos movimentos sociais, pelos movimentos de gênero, minorias étnicas, de raças, sexuais, etc, que são vítimas de “opressões específicas”. Isso porque os partidos seriam organizações autoproclamatórias, autoritárias, portadoras de um fetiche autorealizável, que é a revolução socialista.Essas instituições, portadoras de um discurso utópico de emancipação humana, estão também definhando em todo o mundo porque não estariam entendendo a realidade do mundo globalizado.
Mais uma vez os teóricos pós-modernistas não conseguem compreender a totalidade da vida social. Por isso, vêem o mundo sem unidade, fragmentado e disperso. Não entendem que, por trás da “opressãoespecífica” que atinge os movimentos sociais e de gênero, etnia, raça, sexual, está o grande capital apropriando a mais-valia de todos, independentemente de raça, sexo ou orientação religiosa . Não compreendem que os movimentos, por sua própria natureza, têm limites institucionais e de representatividade.
Um sindicato, por mais combativo que seja, deve representar os interesses dos trabalhadores que representa. Da mesma forma que uma entidade estudantil, uma organização de moradores, de mulheres ou de homosexuais tem como objetivo defender os interesses específicos de seus representados, atuam nos limites institucionais da ordem burguesa. Somente o partido político revolucionário, que se propõe a derrotar a ordem capitalista e que junta em suas fileiras todos esses segmentos sociais, possui condições para entender a totalidade da luta política e lançar propostas globais para a transformação da sociedade.
A prática das lutas sociais
Se observarmos as lutas sociais que foram realizadas nos últimos anos, poderemos constatar facilmente que grande parte delas foram derrotadas exatamente porque não existiam vanguardas com capacidade de conduzir e orientar essas lutas para a radicalidade da luta de classes e a emancipação do proletariado. Não se trata aqui de negar a importância das lutas específicas ou dos movimentos sociais. Pelo contrário, são fundamentais para qualquer processo de mudança, servem também como aprendizado da luta dos trabalhadores, mas deixadas por si mesmas, apenas com seu conteúdo espontaneísta, não tem condições de realizaras transformações da sociedade e terminam se esvaziando e sendo derrotadas pelo capital.
O teatro de operações é mais ou menos o seguinte: após um momento de euforia e mobilização os movimentos sociais são capazes de realizar proezas impressionantes, como desacreditar a velha ordem, desafiar as classes dominantes, mas num segundo momento a euforia se esgota em si mesma sem atingir os objetivos por falta de perspectivas. A América Latina é um importante posto de observação para constatarmos essa hipótese, mas também em várias partes do mundo os exemplos são férteis para verificarmos a necessidades de vanguardas políticas.
A Bolívia, por exemplo, foi palco de várias insurreições populares contra governos neoliberais. As massas se sublevaram, foram às ruas aos milhões, derrubaram os governos conservadores, mas o máximo que conseguiram foi eleger um presidente progressista que é fustigado a todo momento pelo capital e não consegue realizar plenamente nem o próprio programa a que se propôs no período das eleições.
No Equador, ocorreram também várias insurreições populares. Em uma delas, os movimentos conquistaram o poder e o entregaram a um militar que depois os traiu e agora é um personagem conservador na política do País. Posteriormente, no bojo de outra insurreição, conseguiram eleger um presidente progressista, mas este não consegue implementar um programa transformador porque o capital não lhe dá trégua. Recentemente quase foi deposto por um setor militar sublevado.
Na Argentina, em função da crise econômica herdada do governo neoliberal de Menem, as massas também se sublevaram aos milhões em várias regiões do País. Em um período curto o País mudou três vezes de presidente. O resultado da sublevação popular foi a eleição de Nestor Kirchner e, posteriormente, de sua companheira, Cristina Kirchner. Nesses anos de poder, os Kirchner também não realizaram nenhuma mudança de fundo. O capitalismo seguiu seu curso como se nada tivesse acontecido.
Mais recentemente, duas grandes insurreições populares derrubaram os governos conservadores da Tunísia, do Egito e do Iêmen. Milhares de pessoas se sublevaram durante vários dias, centenas de pessoas morreram, os ditadores deixaram o poder, mas os movimentos sociais, sem vanguarda política, não conseguiram seus objetivos. Setores da burguesia local encabeçaram a formação de novos governos e os trabalhadores mais uma vez deixaram escapar de suas mãos a revolução.
No Brasil, um grande movimento social, o Movimento dos Sem Terra (MST) enfrentou com bravura os governos neoliberais, tendo como norte a bandeira da reforma agrária. Organizou um movimento original e de massas, com base social em todo o País, especialmente entre a população mais pobre da cidade e do campo. O MST ocupou fazendas dos latifundiários, realizou formação de grande parte dos seus quadros e até mesmo conseguiu construir uma universidade popular para formação permanente dos seus militantes.
No entanto, o desenvolvimento do capitalismo no campo brasileiro e a emergência do agronegócio criaram uma nova conjuntura no campo brasileiro, onde as relações de produção passaram a se dar predominantemente entre capital e trabalho. Essa conjuntura, aliada ao programa de compensação social do governo Lula, o “Bolsas Família”, uma programa de transferência de rendimento para a população mais pobre, levou o MST a uma encruzilhada.
Ou seja, a realidade mudou radialmente no campo brasileiro, mas a razão de ser do MST era a reforma agrária. Por isso, o movimento, que se tornara um dos símbolos de luta contra o neoliberalismo e, por isso mesmo obteve simpatia mundial, agora está perdendo protagonismo. Os acampamentos do MST foram reduzidos para menos da metade e o movimento vive grandes dificuldades estratégicas. Afinal, se a maioria dos trabalhadores está nas cidades, se o capitalismo hegemonizou as relações de produção no campo e subordinou a pequena agricultura à lógica do capital, torna-se difícil a sobrevivência no longo prazo de um movimento que tem apenas a bandeira da reforma agrária como luta estratégica.
A condensação mais expressiva da teoria movimentista foi o Fórum Social Mundial (FSM). Por ocasião do primeiro FSM, em Porto Alegre, parecia que todos tinham encontrado a fórmula ideal, a varinha mágica, para as novas lutas sociais. Milhares de lutadores de todo o mundo convergiram para o Rio Grande do Sul para se fazer presentes no lançamento da nova grife da luta mundial autônoma. Foi um sucesso extraordinário e um contraponto ao Foro de Davos, onde os capitalistas tramavam novas estratégias para dominação do mundo.
O sucesso de público e de mídia do FSM parecia ter enterrado de vez a noção de vanguarda política. Agora seriam os movimentos sociais, os movimentos de gênero, etnia, das mulheres, os movimentos sociais que doravante comandariam as lutas no mundo. Adeus partidos políticos, adeus movimento sindical, adeus velhos atores sociais da segunda revolução industrial. Agora eram os movimentos difusos, sem centralidade política, inteiramente autônomos, livres de dogmas e ideologias ultrapassadas que iriam provar ao mundo a nova realidade da luta social e política.
Muita gente sinceramente acreditou que o FSM poderia ser a fórmula mágica, o contraponto contemporâneo ao capital, o substituto das velhas vanguardas políticas e seu discurso autoproclamatório.  Mas a realidade aos poucos foi colocando no devido lugar o modismo movimentista. Com o tempo, o FSM foi perdendo fôlego, foi se esvaziando, até o ponto em que hoje ninguém mais acredita que possa ser alternativa a coisa nenhuma. Mas uma vez a vida provou que os movimentos por si só não têm condições de mudar a sociedade, é necessário a vanguarda política para conduzir os processos de transformação.
O significado do pós-modernismo e as lutas sociais
Em outras palavras, a ideologia pós-modernista é responsável por grande parte das derrotas dos movimentos sociais nestas duas décadas, não só porque esse modismo teórico influenciou parte da juventude e lideranças dos movimentos sociais, como também porque levou à frustração milhares de lutadores sociais. Isso porque as lutas fragmentadas geralmente se desenvolvem de maneira espontânea. No início tem uma trajetória de ascenso, empolga milhares de pessoas, mas logo depois o movimento vai enfraquecendo até ser absorvido pelo sistema.
Em outras palavras, o pós-modernismo é o fetiche ideológico típico dos tempos de neoliberalismo e representa a ideologia pequeno-burguesa da submissão sofisticada à ordem do capital. Mas essa ideologia carrega consigo uma contradição insolúvel: no momento em que o capital mais se globaliza, com a internacionalização da produção e das finanças, é justamente neste momento que os pós-modernos pregam a fragmentação da realidade, a setorização das lutas sociais, a especificidade dos combates de gênero, etnia, raça, sexo, etc. Só mesmo quem não quer mudar a ordem capitalista pensa desse jeito.
Na verdade, todos que seguem esse ritual teórico, de maneira direta ou indireta, estão abrindo mão de um projeto emancipatório e escondem sua impotência mediante um discurso cheio de abstrações sociológicas, mas muito conveniente para o capital. Por isso, combatem as lutas gerais, para fragmentá-las em lutas específicas, que não afrontam abertamente o sistema dominante.Trata-se do varejo da política fantasiado de moderno.
Esses setores cumpriram, nos últimos 20 anos e ainda cumprem até hoje, um papel muito especial na luta ideológica atual: eles são a mão esquerda do social-liberalismo capitalista. Influenciam as gerações mais jovens, desenvolvem um discurso com aparência de modernidade, influem na organização das lutas sociais. Com seu discurso eclético e fatalista, cheio de senso comum, desorientam setores importantes da sociedade no que se refere à ação política e, na prática, ajudam a organizar, mesmo que indiretamente, a submissão de vários setores sociais à ordem capitalista e aos valores do mercado.
Essas duas décadas de experiências fragmentadas nos levam à conclusão de que, mais do que nunca, as vanguardas revolucionárias têm um papel fundamental no processo de transformações sociais. São elas exatamente que podem conduzir e orientar os vários movimentos sociais com uma plataforma estratégica de emancipação da humanidade, o que significa derrotar o imperialismo e o capitalismo e transitar para a construção da sociedade socialista.

[*] Doutorado em Economia pela Unicamp, com pós-doutoramento na mesma instituição. É autor, entre outros, de A globalização e o capitalismo contemporâneo e A política salarial no Brasil. Professor universitário, é membro da Comissão Política do Comitê Central do PCB.

 

É muito bom ver que alguém ainda pensa nesse país e não se sujeita aos modismos dos movimentos sectários.

Petróleo: Riscos globais no início do século XXI

resistir info – 10 abr 2012

por Dean Fantazzini; Mikael Höök; André Angelantoni [*]

Sumário
1. IntroduçãoPlataforma Deepwater Horizon.
2. A perspectiva da produção
2.1 Produção actual de petróleo
3. A perspectiva económica
3.1 Economia - oferta de petróleo
3.2 Economia - procura de petróleo
4. Mudança atempada de sistema de energia não assegurada
4.1 Riscos da transição de energia
4.2 As exportações de petróleo diminuem mais depressa do que a produção total
4.3 Programa de emergência poderá substituir diminuição de petróleo
5. Riscos para os governos
6. Riscos empresariais
7. Conclusão
Referências

Pelo texto ser muito extenso deixo o link para o mesmo.

Gilmar precisa se declarar impedido de julgar Cachoeira

Enviado por luisnassif, ter, 10/04/2012 - 17:00

Autor:

Luis Nassif

A defesa de Gilmar Dantas, feita através do “Consultor Jurídico” é uma mera cortina de fumaça (http://www.conjur.com.br/2012-abr-09/decisoes-gilmar-mendes-2004-sao-contrarias-jogo-ilegal), mas com alguns possíveis desdobramentos perigosos.

Gilmar diz que tem sido duro em relação ao jogo. Provas?

Vamos dividir suas decisões entre aqueles que acompanham a jurisprudência do Supremo (contra a qual nenhum Ministro pode se insurgir), as genéricas contra o jogo e as específicas em relação a Carlinhos Cachoeira.

A jurisprudência do Supremo

1. Gilmar teria negado várias vezes a exploração de jogos pelos estados.

Mas é evidente que só podia ter negado, já que faz parte da jurisprudência do próprio Supremo reconhecer que a competência para legislar sobre jogos é da União, e não dos Estados. Em nenhum desses casos, Gilmar poderia se insurgir contra a jurisprudência do STF.

As ações específicas.

2. A Ação Penal do STF contra o ministro do STJ Paulo Medina, acusado de venda de sentença para a máfia dos caça-níqueis. Diz a matéria: “A denúncia do Ministério Público Federal contra Medina incluía os crimes de corrupção, formação de quadrilha e prevaricação. Gilmar Mendes votou pelo recebimento em relação ao último”.

Onde está a severidade de Gilmar? Os corruptores estão presos e condenados exemplarmente, porque o processo trilhou outros caminhos e passou ao largo do Supremo. Já em relação a Paulo Medina, havia três tipificações de crime. Gilmar acolheu apenas a mais leve – prevaricação – derrubando as duas mais graves - corrupção e formação de quadrilha.

3. Como Ministro, suspendeu liminares concedidas pelo TFR da 2a Região, autorizando duas empresas a explorar jogos com máquinas de caça-níqueis.

Não existe uma quadrilha ligada ao jogo, mas várias. Nenhuma insinuação, mas o próprio Carlinhos valeu-se da polícia para afastar concorrentes.

O caso Carlinhos Cachoeira

Gilmar Mendes deverá opinar sobre a concessão ou não de habeas corpus a Carlinhos Cachoeira. O final da matéria informa que Gilmar já concedeu habeas corpus ao bicheiro Ivo Noal – como se o fato de conceder HC a um bicheiro o habilitasse a conceder a qualquer outro.

Não sei qual a intenção de Gilmar ao fechar sua matéria com o caso Ivo Noal. Se for para justificar eventual habeas corpus a Cachoeira, exorbitou. Cachoeira comanda uma rede criminosa especializada em achaques, dossiês, escutas telefônicas, crimes de conspiração. Cada caso de habeas corpus é um caso, não pode ser generalizado.

Gilmar deveria se declarar impedido, sim, por suas relações pessoais com um cúmplice direto de Cachoeira – senador Demóstenes Torres -, por ter participado – induzido ou não – de uma farsa, o grampo sem áudio da Operação Satiagraha.

Santayana e os EUA. Acabou a vassalagem !

conversa afiada - Publicado em 10/04/2012

O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana, extraído do JB online:

Conversações na Casa Branca

por  Mauro Santayana

A primeira referência séria de um líder norte-americano sobre o Brasil foi de Thomas Jefferson. Em maio de 1787 – quando era embaixador em Paris, dois anos antes da reunião dos Estados Gerais e da descoberta da conspiração de Vila Rica – Jefferson se encontrou, em Nimes, no sul da França, com José Joaquim da Maia, que lhe falou sobre a possível independência do Brasil e das relações que poderiam estabelecer-se entre as duas nações, que ocupavam posição predominante no sul e no norte do hemisfério ocidental.

Jefferson enviou seu relatório, bem divulgado pelos historiadores brasileiros, ao futuro Secretário de Estado, John Jay. O documento não tratava somente do Brasil, mas, também, do México e do Peru. No caso brasileiro, além de relatar o que lhe dissera José Joaquim da Maia sobre as riquezas brasileiras, a situação estratégica do Brasil e a possibilidade de uma insurreição vitoriosa – se os brasileiros tivessem armas e alguma assistência militar  que estavam dispostos a pagar, conforme seu interlocutor – Jefferson prevê vantagens comerciais para o seu país.

A personalidade de Joaquim José da Maia não é muito conhecida. Não se tem notícia de outra presença sua na História, além do encontro com Jefferson. No ano seguinte, ainda muito jovem, ele morreria.  Mas o fato levanta a hipótese de que a conjuração mineira já se encontrava em andamento, e tinha presença entre os estudantes brasileiros de Montpellier – a maioria deles das Minas. Coube a Domingos Vidal Barbosa, como registram os Autos da Devassa da Inconfidência, levar a informação da posição de Jefferson aos inconfidentes.

O mesmo Jefferson voltará a referir-se ao Brasil, 30 anos depois, em carta a La Fayette, seu amigo e um dos combatentes na Guerra da Independência dos Estados Unidos. Retirado em Monticello, o grande homem de Estado comenta os assuntos do mundo e de seu país. Ao discutir os problemas continentais, refere-se ao Brasil – a correspondência é de 14 de maio de 1817, quando a Revolução Pernambucana, iniciada em 6 de março, lhe  parecia vitoriosa, embora naquela mesma semana as tropas legalistas tivessem sitiado o movimento, que seria logo debelado. Diz então Jefferson a Lafayette (Jefferson, Writings, The Library of America, 1984, pag. 1409) que Portugal, ávido em manter suas extensões no sul, acabara de perder a rica província de Pernambuco, e que ele não se espantaria se os brasileiros mandassem logo de volta a Portugal sua família real. E se referia ao Brasil como mais populoso, muitíssimo mais extenso, mais rico e mais sábio do que a metrópole.

Ao longo destes dois séculos e algumas décadas de vida das duas nações, poderíamos ter encontrado  convivência melhor, mas os norte-americanos – talvez com exceção de Jefferson e alguns poucos mais – sempre nos viram como inferiores e sujeitos à sua vontade. Faltou-nos falar-lhes sem arrogância, mas com firmeza. É constrangedor anotar que, salvo em alguns momentos, como os de Getúlio, no Brasil, e Franklin Roosevelt (não Ted) nos Estados Unidos, os gestos de subserviência partiram das  próprias elites brasileiras.

A visita da presidente Dilma Roussef a Washington está sendo vista, por certos observadores, como de poucos resultados. Entre outros fatos, apontam que não lhe foi oferecido um jantar de gala, mas simples almoço de trabalho. Trata-se de bom sinal: a austeridade do encontro demonstra que, nas conversações preliminares, os diplomatas norte-americanos  perceberam que a chefe de Estado não chegava aos Estados Unidos para o ritual de vassalagem – conforme ocorria em certo período de nosso passado quase recente – mas como representante de uma nação soberana, disposta a discutir assuntos de interesse recíproco, de forma séria e honrada.

Ao não transformar uma conversa de trabalho em jantar de gala, Obama tratou o Brasil como o Brasil quer ser tratado: um país que não se deixa engambelar por homenagens dessa natureza. Não somos mais dirigidos por personalidades  deslumbradas, que se sentem engrandecidas quando são conduzidas ao Palácio de Buckingham em carruagens puxadas a cavalos brancos e de arneses prateados, a fim de serem recebidos por uma rainha astuta.

As relações entre os dois países podem, e devem, ser melhores do que nunca foram – desde que os norte-americanos nos vejam em nossa devida dimensão. O Brasil, ao contrário de certos desavisados, não tem a pretensão de liderar os paises sulamericanos, mas sente o dever de defender a autodeterminação de seus vizinhos, como defende a própria. Não queremos que nos estendam o tapete vermelho, mas que nos recebam com o respeito que os amigos se merecem. Pelo menos, este é o sentimento do povo brasileiro, ainda que não seja o de todos os seus diplomatas e homens públicos.

A viagem de Dilma Roussef deve ser entendida como um êxito. Tratou-se de uma conversa franca, e não de troca de amabilidades chochas, ditadas pelas conveniências da diplomacia. O confronto de interesses entre os dois grandes países é normal. Anormal seria a subordinação dos interesses de um aos interesses do outro. As discórdias se resolvem nos acordos e tratados, sempre que em benefício comum.

domingo, abril 08, 2012

10 Soluções Para Melhorar o Brasil

militaresunidos.blogspot – 25 mar 2012

Este texto foi retirado do Blog do jornalista Joelmir Beting, da Rede Bandeirantes. Segundo Joelmir, o texto não está na íntegra, já que não foi permitida a sua divulgação nos meios de comunicação.

Também, segundo o assessor que permitiu o "vazamento" do relatório da conversa com o primeiro ministro chinês, o governo brasileiro optou por não divulgar estas informações por não se tratarem da real missão do primeiro ministro ao Brasil, que era apenas para tratar de assuntos comerciais entre os dois países, mas como diz Joelmir, para bom entendedor, apenas isso basta, ou seja, não há interesse do governo em divulgar esses fatos, pois, para o PT e demais governantes, do jeito que o Brasil se encontra é exatamente o jeito que eles sempre sonharam, um país que reina a impunidade política e o povo não tem vez nem voz, até porque, essa cultura que o Sr Wen tanto cita, é exatamente o que poderia causar problemas na atual política brasileira, portanto, um povo acomodado e que apenas assiste de camarote o corrupto sacar dinheiro do seu próprio bolso, é o sonho de qualquer criminoso do colarinho branco.

Joelmir Beting

10 soluções para melhorar o Brasil

O Primeiro Ministro da China, Wen Jiabao, visitou o Brasil recentemente pela primeira vez e supreendeu pelo conhecimento que tem sobre nosso país, segundo ele, devido o aumento da amizade e dos negócios entre Brasil e China, vem estudando nossa cultura, nosso povo, desenvolvimento e nosso governo nos últimos 5 anos e, por isso aproveitou a visita de acordos comerciais para lançar algumas sugestões que, segundo ele, foram responsáveis pelas mudanças e pelo crescimento estrondoso da China nos últimos anos.

Durante uma de suas conversas com a Presidente Dilma e seus ministros, Wen foi enfático no que ele chama de "Solução para os paises emergentes", que é o caso do Brasil, China, Índia e outros países que entraram em grande fase de crescimento nos últimos anos, sendo a China a líder absoluta nessa fila.

O que o ministro aponta como principal ponto para um país como o Brasil desponte a crescer fortemente?

Mudanças imediatas na administração do país, sendo a principal delas, a eliminação de fatores hipócritas, onde as leis insistem em ver o lado teórico e não o prático e real de suas consequèncias, sendo que, para isso o país terá que sofrer mudanças drásticas em seus pontos de vista atuais, como fez a China nos últimos 20 anos, sendo os 10 principais os que se seguem:

1) PENA DE MORTE PARA CRIMES HEDIONDOS COMPROVADOS


Fundamento: Um governo tem que deixar de lado a hipocrisia quando toca neste assunto, um criminoso não pode ser tratado como celebridade, criminosos reincidentes já tiveram sua chance de mudar e não mudaram, portanto, não merecem tanto empenho do governo, nem a sociedade honesta e trabalhadora merece conviver com tamanha impunidade e medo, citou alguns exemplos bem claros: Maníaco do parque, Lindeberg, Suzane Richthofen, Beira Mar, Elias Maluco, etc. Eliminando os bandidos mais perigosos, os demais terão mais receio em praticarem seus crimes, isso refletirá imediatamente na segurança pública do país e na sociedade, principalmente na redução drástica com os gastos públicos em segurança. A longo prazo isso também reflete na cultura e comportamento de um povo.

2) PUNIÇÃO SEVERA PARA POLÍTICOS CORRUPTOS


Fundamento: É estarrecedor saber que o Brasil tem o 2º maior índice de corrupção do mundo, perdendo apenas para a Nigéria, porém, comparando os dois países o Brasil está em uma situação bem pior, já que não pune nenhum político corrupto como deveria, o Brasil é o único país do mundo que não tem absolutamente nenhum político preso por corrupção, portanto, está clara a razão dessa praga (a corrupção) estar cada vez pior no país, já que nenhuma providência é tomada, na China, corrupção comprovada é punida com pena de morte ou prisão perpétua, além é óbvio, da imediata devolução aos cofres públicos dos valores roubados. O ministro chinês fez uma pequena citação que apenas nos últimos 5 anos, o Brasil já computou um desvio de verbas públicas de quase 100 bilhões de reais, o que permitiria investimentos de reflexo nacional. Ou seja, algo está errado e precisa ser mudado imediatamente.

3) QUINTUPLICAR O INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO

Fundamento: Um país que quer crescer precisa produzir os melhores profissionais do mundo e isso só é possível quando o país investe no mínimo 5 vezes mais do que o Brasil tem investido hoje em educação, caso contrário, o país fica emperrado, aqueles que poderiam ser grandes profissionais, acabam perdidos no mercado de trabalho por falta da base que deveria prepara-los, com o tempo, é normal a mão de obra especializada passar a ser importada, o que vem ocorrendo a cada vez mais no Brasil, principalmente nos últimos 5 anos quando o país passou a crescer em passos mais largos.

4) REDUÇÃO DRÁSTICA DA CARGA TRIBUTÁRIA E REFORMA TRIBUTÁRIAIMEDIATA

Fundamento: A China e outros países desenvolvidos como os EUA já comprovaram que o crescimento do país não necessita da exploração das suas indústrias e empresas em geral, bem pelo contrário, o estado precisa ser aliado e não inimigo das empresas, afinal, é do trabalho destas empresas que o país tira seu sustendo para crescer e devolver em qualidade de vida para seus cidadãos, a carga tributária do Brasil é injusta e desorganizada e enquanto não houver uma mudança drástica, as empresas não conseguirão competir com o mercado externo e o interno ficará emperrado como já é.

5) REDUÇÃO DE PELO MENOS 80% DOS SALÁRIOS DOS POLÍTICOS BRASILEIROS:

Fundamento: Os Brasil tem os políticos mais caros do mundo, isso ocorre pela cultura da malandragem instalada após a democrácia desorganizada que tomou posse a partir dos anos 90 e pela falta de regras no quesito salário do político. O político precisa entender que é um funcionário público como qualquer outro, com a função de empregar seu trabalho e seus conhecimentos em prol do seu país e não um "rei" como se vêem atualmente, a constituição precisa definir um teto salarial compatível com os demais funcionários públicos e a partir dai, os aumentos seguirem o salário mínimo padrão do país, na China um deputado custa menos de 10% do que um deputado brasileiro. A revolta da nação com essa balbúrdia com o dinheiro público, com o abuso de mega-salários, sem a devida correspondência em soluções para o povo, causa ainda mais prejuízos ao estado, pois um povo sentindo-se roubado pelos seus líderes políticos, perde a percepção do que é certo, justo, honesto e honrado.

6) DESBUROCRATIZAÇÃO IMEDIATA


Fundamento: O Brasil sempre foi o país mais complexo em matéria de negociação, segundo Wen, a China é hoje o maior exportador de manufaturados do mundo, ultrapassando os EUA em 2010 e sem nenhuma dúvida, a China e os EUA consideram o Brasil, o país mais burocrata, tanto na importação, quanto exportação, além é claro, do seu mercado interno, para tudo existem dezenas de barreiras impedindo a negocição que acabam em muitas vezes barrando o desenvolvimento das empresas e refletindo diretamente no desenvolvimento do país, isso é um caso urgente para ser solucionado.

7) RECUPERAÇÃO DO APAGÃO DE INVESTIMENTOS DOS ÚLTIMOS 50 ANOS

Fundamento: O Brasil sofreu um forte apagão de investimentos nos últimos 50 anos, isso é um fato comprovado, investimentos em infraestrutura, educação, cultura e praticamente todas as demais áreas relacionadas ao estado, isso impediu o crescimento do país e seguirá impedindo por no mínimo mais 50 anos se o Brasil não tomar atitudes fortes hoje. O Brasil tem tudo para ser um grande líder mundial, tem território, não sofre desastres naturais severos, vive em paz com o resto do mundo, mostrou-se inteligente ao sair ileso da grande crise financeira de 2008, porém, precisa ter a coragem de superar suas adversidades políticas e aprender investir corretamente naquilo que mais necessita.

8) INVESTIR FORTEMENTE NA MUDANÇA DE CULTURA DO POVO

Fundamento: A grande massa do povo brasileiro não acredita mais no governo, nem nos seus políticos, não respeita as instituições, não acredita em suas leis, nem na sua própria cultura, acostumou-se com a desordem governamental e passou a ver como normal as notícias trágicas sobre corrupção, violência, etc, portanto, o Brasil precisa investir na cultura brasileira, iniciando pelas escolas, empresas, igrejas, instituições públicas e assim por diante, começando pela educação patriótica, afinal, um grande povo precisa amar e honrar seu grande país, senão é invevitável que à longo prazo, comecem surgir milícias armadas na busca de espaço e poder paralelo ao governo, ainda mais, sendo o Brasil um país de proporções continentais como é.

9) INVESTIR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA IMEDIATAMENTE

Fundamento: Proporcionalmente, o Brasil investe menos de 8% do que a China em ciência e tecnologia, isso começou a ter forte reflexo no país nos últimos 5 anos, quando o Brasil passou a crescer e aparecer no mundo como um país emergente e que vai crescer muito a partir de agora, porém, não tem engenheiria de qualidade, não tem medicina de qualidade, tecnologia de qualidade, não tem profissionais com formação de qualidade para concorrer com os países desenvolvidos que encontram-se mais de 20 anos a frente do Brasil, isso é um fato e precisa ser visto imediatamente, pois reflete diretamente no desenvolvimento de toda nação.

10) MENORIDADE PENAL E TRABALHISTA A PARTIR DE 16 ANOS

Fundamento: O Brasil é um dos poucos países que ainda possuem a cultura de tratar jovens de 15 a 18 anos como crianças, não responsáveis pelos seus atos, além de proibi-las de oferecer sua mão de obra, isso é erro fatal para toda a sociedade, afinal, o Brasil, assim como a grande maioria dos paises, estão envelhecendo e precisam mais do que nunca de mão de obra renovada, além do que, essa contradição hipócrita da lei, serve apenas para criar bandidos perigosos, que ao atingirem 18 anos, estão formados para o crime, já que não puderam trabalhar e buscaram apenas no crime sua formação. Na China, jovens tem permissão do governo para trabalhar normalmente (não apenas como estagiários como no Brasil) a partir dos 15 anos, desde que continuem estudando e, sim, respondem pelos seus crimes normalmente, como qualquer adulto com mais de 18 anos.

 

As de número 2 e 5 são essenciais. Trariam um grande retorno social para o país como um todo.

Hitler fugiu para Argentina em vez de se suicidar, retoma livro.

opinardireito.blogspot – 30 dez 2011

Hitler teria se refugiado na Patagônia argentina ao invés de se suicidar no "bunker" de Berlim

Se um turista pedir, em Córdoba, recomendações sobre Mar Chiquita, uma lagoa de sal localizada ao norte dessa província argentina, é provável que ouça a desconcertante dica: "Conheça o Hotel Viena, que Hitler e Eva Braun visitavam depois da Segunda Guerra"., e teria morrido no dia 13 de fevereiro de 1962, aos 72.
"É horrível pensar que o homem mais cruel que já existiu não pagou por seus crimes e viveu até avançada idade. Mas já passou muito tempo, existem muitos indícios e precisamos encarar essa possibilidade como real", disse o autor.
Williams trabalhou para a agência Reuters e para a BBC. Agora, dirige o filme "Grey Wolf", que estreia no Reino Unido no ano que vem.
A fuga teria sido articulada por Martin Bormann, da cúpula do poder nazista, que também teria escapado para a América do Sul.
A negociação, sustentam os pesquisadores, contou com a anuência dos EUA, que deixaram os nazistas fugirem em troca de informações sobre tecnologia de guerra.
Bormann teria manejado também a fortuna que foi entregue a governos latino-americanos para que abrigassem os nazistas.
A dupla parte do princípio de que não há provas conclusivas de que Hitler morreu no "bunker".

Mas Hitler e a mulher não se suicidaram num "bunker" em Berlim no dia 30 de abril de 1945? É o que dizem os livros de história.

Em alguns lugares da Argentina, é comum encontrar moradores que contam histórias do casal nazista levando uma tranquila vida no então remoto sul do hemisfério.

Em "The Grey Wolf - The Escape of Adolf Hitler" (o lobo cinza - a fuga de Adolf Hitler), livro que acaba de ser lançado no Reino Unido, os britânicos Gerrard Williams e Simon Dunstan sustentam que Hitler escapou do "bunker" três dias antes de seu suposto suicídio.

Então, voou para a Dinamarca e para a Espanha, e foi embarcado, com ajuda do general Franco, num submarino com destino à Argentina.

"O piloto que os tirou de Berlim, Peter Baumgart, foi internado numa clínica psiquiátrica depois de contar a história", disse Williams à Folha, por telefone.

Hitler teria se instalado em mais de uma residência na Patagônia, com Eva e duas filhas. Viveria mais 17 anos

Em 2009, descobriu-se, por meio de um exame de DNA, que o famoso pedaço de crânio com uma marca de bala em poder dos russos, na verdade, pertenceu a uma mulher, e não a Hitler.
Williams e Dunstan reuniram ainda depoimentos de pessoas que dizem ter visto o Führer ou trabalhado para ele na Patagônia.
Foi comum a acolhida da Argentina, assim como a do Brasil e do Paraguai, a nazistas que deixaram a Alemanha depois da derrota na Segunda Guerra.
Josef Mengele, Adolf Eichmann, Klaus Barbie e Erich Priebke são alguns dos que se refugiaram na América do Sul. Em "A Verdadeira Odessa" (Record), o historiador Uki Goñi conta como Juan Domingo Perón facilitou a vinda dos criminosos.
Goñi, porém, não crê na fuga de Hitler. "Há evidências de que morreu no 'bunker'. Os depoimentos sobre sua presença na Argentina são parte de uma lenda local, mas faltam provas", disse.
Williams e Dunstan têm a seu favor o testemunho do líder soviético Josef Stálin (1878-1953), que dizia após a guerra não acreditar na morte de Hitler. Também o então presidente norte-americano Eisenhower (1890-1969) apontou a falta de provas de seu suicídio.
EXÍLIO
A teoria da fuga do Führer não é nova. Os autores britânicos mesmo apoiaram parte de sua pesquisa no trabalho do historiador argentino Abel Basti, o maior defensor da hipótese do exílio de Hitler e autor de livros sobre o assunto, como "El Exílio de Hitler" (ed. Sudamericana).
Basti e Williams trabalharam juntos, mas se desentenderam. "Eles usaram material meu", diz Basti, que ameaça processar os britânicos. Williams defende-se dizendo que nem toda informação de Basti era confiável, e por isso rompeu com ele. Manteve, porém, o nome do argentino nos créditos.
Agora, Basti investiga as viagens de Hitler por aqui. "Havia conexão entre os nazistas que estavam na Argentina com os que estavam no Paraguai e no Brasil."
Mas Hitler teria estado no Brasil? Basti faz cara de mistério e responde, sorrindo: "Você já ouviu falar na praia do Cassino, no Rio Grande do Sul? Então, espere eu avançar um pouco mais."
"GREY WOLF - THE ESCAPE OF ADOLF HITLER"
AUTORES Simon Dunstan e Gerrard Williams
LANÇAMENTO Sterling (importado)
QUANTO (352 págs), mais taxas, na Amazon.com

Crédito:

http://noticias.bol.uol.com.br/

Já havia visto, creio que no Discovery Channel um documentário que abordava exatamente essa temática. Algo tão nebuloso como a morte de Bin Laden.

Sobre a Cusparada

 

Li mais cedo no Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim um fato que me deixou um pouco mais desacreditato nos que lutam pela Comissão da “Verdade’.

Uma criança de 25 anos (não há como tratá-lo como adulto) chamado Luiz Felipe Garcez floi flagrado numa fotografia cuspindo no coronel-aviador Juarez Gomes com mais de 80 anos, enquanto ele deixava o Clube Militar no Rio de Janeiro.

Não sei se por minha mãe sempre ter me educado e me dito que respeitar os mais velhos é primordial, não consigo entender em que esse tipo de atitude tem alguma validade. Acho que se o menino queria aparecer, ter seus 15 minutos de fama a quem Warhol garantiu a todos, poderia ter se inscrito no BBB da Globo, que quem sabe com muita sorte os 15 minutos se estenderiam a muito maior tempo.

A falta de argumentação normalmente deriva para a violência. E apesar dessa criança afirmar que está em um movimento que luta contra os “torturadores sanguinários e violentos”, pratica o mesmo ato que ele se diz contra. Não a tortura (claro), mas algo violento contra uma pessoa que não tem força para reagir (não é disso que se trata a briga dos direitos humanos contra a tortura?).

Provavelmente esse ato vai ser louvado pela turma do Partideco (ao qual ele pertence) e por aqueles que não conseguem ter a visão além do próprio nariz.

O ato foi publicado pelo que vi no Conversa Afiada também no blog do coronel Licio Maciel com direito a foto abaixo da cusparada. Foi um ato realmente lamentável, para dizer o mínimo.

Por outro lado não vejo razão do coronel Licio Maciel expor informações dos pais, namoradas, noivas, filha ou qualquer parente da criança.

As informações sobre o menino é uma coisa. Os demais, bom são apenas os demais.

A guerra dos EUA-Israel ao Irão: O mito de uma campanha limitada

resistir info – 08 abr 2012

por James Petras

A crescente ameaça de um ataque militar dos EUA-Israel ao Irão baseia-se em vários factores incluindo: (1) a história militar recente de ambos os países na região; (2) pronunciamentos públicos de líderes políticos estado-unidenses e israelenses; (3) ataques recentes e em curso ao Líbano e à Síria, aliados importantes do Irão; (4) ataques armados e assassínios de cientistas e responsáveis de segurança iranianos por grupos terroristas e/ou afectos sob controle dos EUA ou da Mossad; (5) o fracasso das sanções económicas e da coacção diplomática; (6) escalada de histeria e exigências extremas ao Irão para por fim ao enriquecimento de urânio de uso legal e civil; (7) "exercícios" militares provocatórios nas fronteiras do Irão e jogos de guerra destinados a intimidar e a um ensaio geral para um ataque antecipativo; (8) pressão poderosa de grupos pró guerra tanto em Washington como em Tel Aviv incluindo os principais partidos políticos israelenses e a poderosa AIPAC nos EUA; (9) e finalmente o National Defense Authorization Act de 2012 (um orwelliano decreto de emergência de Obama, de 16/Março/2012).
A propaganda de guerra estado-unidense opera ao longo de dois trilhos: (1) a mensagem dominante enfatiza a proximidade da guerra e a disposição dos EUA de utilizarem força e violência. Esta mensagem é destinada ao Irão e coincide com anúncios israelenses de preparativos de guerra. (2) O segundo trilho tem como objectivo o "público liberal" com um punhado de "académicos reconhecidos" marginais (ou progressistas Departamento de Estado) a subestimarem a ameaça de guerra e argumentarem que decisores políticos razoáveis em Tel Aviv e Washington estão conscientes de que o Irão não possui armas nucleares ou qualquer capacidade para produzi-las agora ou no futuro próximo. A finalidade deste contra-vapor liberal é confundir e minar a maioria da opinião pública, a qual opõe-se claramente a mais preparativos de guerra, e fazer descarrilar o explosivo movimento anti-guerra.
É desnecessário dizer que os pronunciamentos os instigadores de guerra "racionais" utilizam um "duplo discurso" baseado no afastamento displicente de todas as evidências históricas e empíricas em contrário. Quando os EUA e Israel falam de guerra, preparam-se para a guerra e empenham-se e provocações pré guerra – eles pretendem ir à guerra – tal como fizeram contra o Iraque em 2003. Sob as actuais condições políticas e militares internacionais um ataque ao Irão, inicialmente por Israel com apoio dos EUA, é extremamente provável, mesmo quando as condições económicas mundiais deveriam ditar em contrário e mesmo quando as consequências estratégicas negativas provavelmente repercutir-se-ão através do mundo durante as próximas décadas.
Cálculo dos EUA e Israel sobre a capacidade militar do Irão
Os decisores estratégicos americanos e israelenses não concordam sobre as consequências da retaliação do Irão contra um ataque. Pelo seu lado, líderes israelenses minimizam a capacidade militar do Irão de atacar e de prejudicar o estado judeu, o qual é a sua única consideração. Eles contam com a distância, seu escudo anti-mísseis e a protecção de forças aéreas e navais dos EUA no Golfo para cobrir seu ataque sorrateiro. Por outro lado, estrategas militares dos EUA sabem que os iranianos são capazes de infligir baixas substanciais a navios de guerra dos EUA, os quais teriam de atacar instalações costeiras iranianas a fim de apoiar ou proteger os israelenses.
A inteligência israelense é bem conhecida pela sua capacidade para organizar o assassinato de indivíduos por todo o mundo: a Mossada organizou com êxito actos terroristas além-mar contra líderes palestinos, sírios e libaneses. Por outro lado, a inteligência israelense tem um registo muito fraco quanto às suas estimativas de grandes empreendimentos militares e políticos. Eles subestimaram gravemente o apoio popular, a força militar e a capacidade organizacional do Hezbollah durante a guerra de 2006 no Líbano. Da mesma forma, a inteligência israelense entendeu mal a força e a capacidade do movimento democrático popular egípcio quando este se levantou e derrubou o aliado regional estratégico de Tel Aviv, a ditadura Mubarak. Se bem que líderes israelenses "finjam paranóia" – lançando clichés acerca de "ameaças existenciais" – eles são enganados pela sua arrogância narcisista e o seu racismo, subestimando reiteradamente a perícia técnica e o refinamento político dos seus inimigos árabes e da região islâmica. Isto é indubitavelmente verdadeiro no seu descartar displicente da capacidade do Irão para retaliar contra um planeado assalto aéreo israelense.
O governo estado-unidense agora comprometeu-se abertamente a apoiar um assalto israelense ao Irão quando ele for lançado. Mais especificamente, Washington afirma que virá "incondicionalmente" em defesa de Israel se este for "atacado". Como pode Israel evitar ser "atacado" quando seus aviões estão a despejar bombas e mísseis sobre instalações iranianas, defesas militares e infraestruturas estratégicas? Além disso, dada a colaboração e aos sistemas de inteligência do Pentágono coordenados com as Forças de Defesa de Israel (IDF), seu papel na identificação de objectivos, rotas e aproximações de mísseis, bem como as cadeias de fornecimento de armas integradas e de munições, serão críticos para um ataque das IDF. Não há maneira de os EUA se dissociarem da guerra do estado judeu ao Irão depois de iniciado o ataque.
Os mitos da "guerra limitada": Geografia
.Washington e Tel Aviv afirmam e parecem acreditar que o seu planeado assalto ao Irão será uma "guerra limitada", tendo como alvo objectivos limitados e perdurando apenas uns poucos dias ou semanas – sem consequências graves.
Dizem-nos que brilhantes generais de Israel identificaram todas as instalações de investigação nuclear críticas, as quais os seus ataques aéreos cirúrgicos eliminarão sem danos colaterais horríveis para a população circundante. Uma vez que o alegado programa de "armas nucleares" fosse destruído, todos os israelenses poderiam retomar as suas vidas em segurança plena sabendo que outra ameaça "existencial" fora eliminada. A noção israelense de uma guerra limitada em "tempo e espaço" é absurda e perigosa – e caracteriza a arrogância, estupidez e racismo dos seus autores.
Para se aproximarem das instalações nucleares do Irão as forças israelenses e estado-unidenses confrontar-se-ão com bases bem equipadas e defendidas, instalações de mísseis, defesas marítimas e fortificações em grande escala dirigidas pelos Guardas Revolucionários e pelas Forças Armadas do Irão. Além disso, os sistemas de defesa de mísseis que protegem as instalações nucleares estão ligados a auto-estradas, aeródromos, portos e apoiadas por infraestrutura de finalidade dupla (civil-militar), as quais incluem refinarias de petróleo e uma enorme rede de gabinetes administrativos. Por "nocaute" os alegados sítios nucleares exigirá a expansão do âmbito geográfico da guerra. A capacidade científica-tecnológica do programa nuclear civil iraniano envolve um vasto conjunto das suas instalações de investigação, incluindo universidades, laboratórios, locais de fabricação e centros de concepção. Destruir o programa nuclear civil do Irão exigiria que Israel (e portanto os EUA) atacassem muito mais do que instalações de investigação ou laboratórios ocultos sob uma montanha remota. Exigiria assaltos múltiplos e generalizados sobre alvos por todo o país, por outras palavras, uma guerra generalizada.
O líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, declarou que o Irão retaliará com uma guerra equivalente. O Irão corresponderá à amplitude e âmbito de com um contra-ataque de resposta. "Nós os atacaremos no mesmo nível quando eles nos atacarem". Isso significa que o Irão não limitará a sua retaliação a meramente tentar deitar abaixo bombardeiros estado-unidenses e israelenses no seu espaço aéreo ou a lançar mísseis a navios dos EUA nas suas águas mas levará a guerra a alvos equivalente em Israel e em países ocupados pelos EUA no Golfo e em torno dele. A "guerra limitada" de Israel tornar-se-á uma guerra generalizada que se estenderá por todo o Médio Oriente e ainda mais além.
A actual adoração ilusória de Israel acerca do seu elaborado sistema de defesa míssil ficará exposta quando centenas de mísseis de alto poder forem lançados de Teerão, do Sul do Líbano e bem além das Alturas de Golan.
O mito da guerra limitada: Intervalo de tempo
Peritos militares israelenses esperam confiantemente exterminar seus alvos iranianos nuns poucos dias – alguns podem pensar que num simples fim de semana – e talvez sem a perda de nem um único piloto. Eles esperam que o estado judeu venha a celebrar a sua brilhante vitória nas ruas de Tel Aviv e Washington. Estão iludidos pelo seu próprio senso de superioridade. O Irão não combateu uma guerra brutal com uma década de duração contra os invasores iraquianos abastecidos pelos EUA e os seus conselheiros militares ocidentais/israelenses só para entregar-se e submeter-se passivamente a um número limitado de ataques aéreos e com mísseis por parte de Israel. O Irão é uma sociedade jovem, bem educada e mobilizada, a qual pode utilizar milhões de reservistas de todo espectro político, étnico, de género e religioso, galvanizado em apoio a sua nação sob ataque. Numa guerra para defender a pátria todas as diferenças internas desaparecem para enfrentar o ataque não provocado israelenses-estado-unidense que ameaça toda a sua civilização – seus 5000 anos de cultura e tradições, bem como os seus avanços científicos modernos e instituições. A primeira onda de ataques dos EUA-Israel levará a uma retaliação feroz, a qual não será confinada às áreas originais do conflito, nem qualquer acto da agressão israelense acabará quando e se instalações nucleares do Irão forem destruídas e alguns dos seus cientistas, técnicos e trabalhadores qualificados forem mortos. A guerra continuará no tempo e em extensão geográfica.
Múltiplos pontos de conflito
Assim como qualquer ataque dos EUA-Israel ao Irão envolveria alvos múltiplos, os militares iranianos também terão uma pletora de alvos estratégicos facilmente acessíveis. Embora seja difícil prever onde e como o Irão retaliará, uma coisa está clara: O ataque inicial dos EUA-Israel não ficará sem resposta.
Dada a supremacia israelense-estado-unidense a longas e médias distâncias e em poder aéreo, o Irão provavelmente confiará em objectivos de curta distância. Isto incluiria as valiosas instalações militares do EUA e rotas de abastecimento em terrenos adjacentes (Iraque, Kuwait e Afeganistão) e alvos israelenses com mísseis lançados do Sul do Líbano e possivelmente da Síria. Se uns poucos misseis de longo alcance escaparem ao muito gabado "escudo anti-míssil" do estado judeu, centros populacionais israelenses podem pagar um preço pesado pela imprudência e arrogância dos seus líderes.
O contra-ataque iraniano levará a uma escalada das forças EUA-Israel, estendendo e aprofundando a sua guerra aérea e naval a todos o sistema de segurança nacional iraniano – bases militares, portos, sistemas de comunicação, postos de comando e centros administrativos do governo – muitos em cidades densamente povoadas. O Irão reagirá lançando o seu maior activo estratégico: um ataque coordenado no solo envolvendo os Guardas Revolucionários, juntamente com seus aliados entre as tropas xiitas iraquianas, contra forças dos EUA no Iraque. Ele coordenará ataques contra instalações dos EUA no Afeganistão e Paquistão com a crescente resistência armada nacionalista-islâmica.
O conflito inicial, centrado nos chamados objectivos militares estratégicos (instalações de investigação científica), generalizar-se-á rapidamente a alvos económicos ou o que os estrategas militares dos EUA e Israel chamam de alvos "duais civis-militares". Isto incluiria campos de petróleo, auto-estradas, fábricas, redes de comunicações, estações de televisão, instalações de tratamento de água, reservatórios, centrais eléctricas e gabinetes administrativos, tais como o Ministério da Defesa e a sede da Guarda Republicana. O Irão, confrontada com a destruição iminente de toda a sua economia e infraestrutura (o que se verificou no Iraque vizinho com a invasão não provocada dos EUA em 2003), retaliaria bloqueando o Estreito de Ormuz e enviando mísseis de curto alcance na direcção dos principais campos de petróleo e refinarias dos Estados do Golfo incluindo o Kuwait e a Arábia Saudita, a meros 10 minutos de distância, paralisando o fluxo de petróleo para a Europa, Ásia e os Estados Unidos e mergulhando a economia mundial numa depressão profunda.
Não se deveria esquecer que os iranianos provavelmente estão mais conscientes do que ninguém na região da devastação total sofrida pelos iraquianos após a invasão dos EUA, a qual mergulhou aquela nação no caos total e devastou a sua infraestrutura avançada e o seu aparelho administrativo civil, para não mencionar a sistemática aniquilação da sua elite científica e técnica altamente educada. As ondas de assassínios de cientistas iranianos, académicos e engenheiros promovidas pela Mossad são apenas uma antevisão do que os israelenses têm em mente para cientistas, intelectuais e trabalhadores técnicos altamente qualificados. Os iranianos não deveriam ter ilusões acerca dos americanos e israelenses que procuram lançar o país na sombria era brutal do Afeganistão e Iraque. Eles não terão mais papel num Irão devastado do que têm os seus vizinhos no Iraque pós Saddam.
Segundo o general Mathis, que comanda todas as forças dos EUA no Médio Oriente, Golfo Pérsico e Sudeste da Ásia, "um primeiro ataque israelense provavelmente teria consequências calamitosas em toda a região e para os Estados Unidos ali" (NY Times, 19/3/12). A estimativa de "consequências calamitosas" do general Mathis apenas leva em conta as perdas militares dos EUA, provavelmente centenas de marinheiros em vasos de guerra ao alcance de mísseis de artilheiros iranianos.
Contudo, a mais ilusória e auto-enganosa avaliação do resultado e consequências de um ataque aéreo israelense ao Irão provém de líderes israelenses de topo, académicos e peritos de inteligência, que afirmam [ter] inteligência superior, defesas superiores e visão suprema (e também racista) dentro da "mente iraniana". É típico o ministro da Defesa israelense, Barak, que se jacta de que qualquer retaliação iraniana na pior das hipóteses infligirá baixas mínimas à população israelense.
A visão "judeu-cêntrica" de reordenamento do equilíbrio de poder na região, a qual prevalece nos principais círculos israelenses, passa por alto a probabilidade de que a guerra não será decidia por ataques aéreos israelenses e defesas anti-míssil. Os mísseis do Irão não podem ser facilmente contidos, especialmente chegarem várias centenas por minuto de três direcções, Irão, Líbano, Síria e possivelmente de submarinos iranianos. Em segundo lugar, o colapso das suas importações de petróleo devastará a economia de Israel, altamente dependente da energia. Em terceiro lugar, os principais aliados de Israel, especialmente os EUA e a UE, serão gravemente tensionados quando forem arrastados para dentro da guerra de Israel e encontrarem-se a defender os estreitos de Ormuz, suas guarnições no Iraque e no Afeganistão e seus campos de petróleo e bases militares no Golfo. Tal conflito poderia incendiar as maiorias xiitas no Bahrain e nas províncias estratégicas ricas em petróleo da Arábia Saudita. A guerra generalizada terá um efeito devastador sobre o preço do petróleo e a economia mundial. Provocará a fúria de consumidores e a ira de trabalhadores por toda a parte quando fecharem fábricas e choques poderosos por todo o frágil sistema financeiro resultarem numa depressão mundial.
O patológico "complexo de superioridade" de Israel resulta em que os seus líderes racistas sistematicamente super-estimam suas próprias capacidades intelectuais, técnicas e militares, ao passo que subestimam o conhecimento, capacidade e coragem dos seus adversários regionais, islâmicos (neste caso iranianos). Eles ignoram a capacidade demonstrada do Irão para sustentar uma guerra defensiva prolongada, complexa e em muitas frentes e em recuperar-se de um assalto inicial e desenvolver armamento moderno adequado para infligir danos severos aos seus atacantes. E o Irão terá o apoio incondicional e activo da população muçulmana do mundo e talvez o apoio diplomático da Rússia e da China, que obviamente verão um ataque ao Irão como um outro ensaio geral para conter o seu poder crescente.
Conclusão
A guerra, especialmente uma guerra israelense-estado-unidense contra o Irão, está indissoluvelmente ligada ao relacionamento assimétrico EUA-Israel, o qual secundariza qualquer análise militar e política crítica nos EUA. Devido à configuração de poder sionista de Israel, a força militar dos EUA pode ser canalizada para o apoio ao impulso de Israel para a dominação regional, aos líderes israelenses e acima de tudo para os seus militares sentirem-se livres para entrarem nas mais ultrajantes aventuras militares e destrutivas, sabendo muito bem que em primeira e última instância podem confiar no apoio dos EUA com o sangue e as riquezas americanas. Mas depois de todo este grotesco servilismo a um país racista e isolado, quem resgatará os Estados Unidos? Quem impedirá o afundamento dos seus navios no Golfo e a morte e mutilação de centenas dos seus marinheiros e milhares dos seus soldados? E onde estarão os israelenses e sionistas dos EUA quando o Iraque for invadido pelas tropas de elite iranianas e seus aliados xiitas e um levantamento generalizado se verificar no Afeganistão?
Os decisores políticos egocêntricos de Israel desprezam o provável colapso do abastecimento de petróleo mundial em consequência da sua planeada guerra contra o Irão. Será que os seus agentes sionistas nos EUA percebem que, em consequência do arrastamento dos EUA para a guerra de Israel, a nação iraniana será forçada a por em chamas os campos de petróleo do Golfo Pérsico?
Quão barato tornou-se "comprar uma guerra" nos EUA? Por uns meros poucos milhões de dólares em contribuições de campanha para políticos corruptos e através da penetração deliberada de agentes "Israel-First", académicos e políticos na maquinaria de fazer a guerra do governo estado-unidense, e através da covardia moral e auto-censura dos principais críticos, escritores e jornalistas que se recusam a nomear Israel e seus agentes como os decisores chave do nosso país na política do Médio Oriente, nós nos encaminhamos directamente rumo a uma guerra muito além de qualquer conflagração militar regional e rumo ao colapso da economia mundial e do empobrecimento brutal de centenas de milhões de pessoas de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

05/Abril/2012

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30150

Obama prepara os EUA para uma nova guerra

resistir info – 07 abr 2012

por Atilio A. Boron [*]

Comentamos a seguir uma notícia muito preocupante que recebeu escassa, para não dizer nula, atenção da imprensa mundial. Segundo revelou Kenneth Schortgen Jr., do jornal digital Examiner.com, o presidente Barack Obama assinou em 16 de Março de 2012 uma nova Ordem Executiva que amplia consideravelmente os poderes presidenciais conferidos pela Ordem Executiva para a Preparação diante de Desastres, emitida por Harry Truman em 1950. Graças a este novo instrumento legal, o presidente Obam está habilitado a assumir o controle absoluto de todos os recursos dos Estados Unidos em tempo de guerra ou emergência nacional. Dependerá dele escolher o momento em que decida fazer uso de tão enormes prerrogativas bem como os alcances específicos da mesma.
Segundo consta na documentação oficial, a nova ordem para a "Preparação de recursos para a defesa nacional" concede poderes imensos à Casa Branca. Através dele concede-se-lhe a faculdade de controlar e distribuir por decreto a energia, a produção, o transporte, a alimentação e inclusive a água caso a defesa e segurança nacionais estejam em perigo. Cabe notar que esta ordem não limita a sua aplicação a tempos de guerra, pois estende-se também a tempos de paz. Ficam também abrangidos pela mesma o controle sobre empreiteiros e fornecedores, os materiais, os trabalhadores qualificados e o pessoal profissional e técnico. Cada um dos secretários (ministros) do Poder Executivo (Defesa, Energia, Agricultura, Comércio, Trabalho, etc) encarregar-se-ia da execução da ordem.
Ordens Executivas deste tipo, criadas para preparar ao país perante catástrofes iminentes ou para assegurar a defesa nacional, não são novas na história dos Estados Unidos. Mas em dois casos muito significativos desencadearam uma crise constitucional, pelo facto de que mediante estes dispositivos jurídicos o Executivo passa a dispor de faculdades ditatoriais sobre os cidadãos, cuja implementação fica entregue à discricionariedade do ocupante da Casa Branca. Durante a Guerra Civil, o presidente Abraham Lincoln suspendeu as liberdades de palavra e de imprensa, revogou o habeas corpus e o direito a um julgamento justo sob a Sexta Emenda. Por ocasião da Primeira Guerra Mundial, o Congresso recusou conceder ao presidente Woodrow Wilson poderes novos e mais extensos sobre recursos de diverso tipo para colaborar no esforço da guerra. Wilson, como resposta, emitiu uma Ordem Executiva que lhe permitiu aceder a um controle completo sobre os negócios, a indústria, o transporte, os alimentos, assim como faculdades discricionárias para conceber e implementar políticas económicas. Segundo Schortgen Jr., foi só a seguir à morte destes dois presidentes que os poderes constitucionais foram devolvidos ao povo dos Estados Unidos.
Na mudança verificada no clima ideológico norte-americano, o avanço do belicismo e a subtil e persistente manipulação da opinião pública em favor da guerra descartam, salvo eventualidades inesperadas, a irrupção de um debate sobre a constitucionalidade, ou oportunidade, da nova Ordem Executiva.
Contudo, a decisão de surpresa do presidente Obama abre interrogações muito sérias, pois confirma o vigor da escalada belicista instalada em Washington. Segundo se informa no referido artigo do Examiner.com, aquela teria sido precipitada pela certeza de que os planos israelenses para atacar o Irão já teriam entrado numa contagem regressiva que Washington demonstrou ser incapaz de deter. O killer de Jerusalém já não obedece às ordens dos seus patrões e financiadores. Assim, Washington prepara-se, paradoxalmente arrastado por um dos seus peões, para participar de uma guerra que incendiará o Médio Oriente. Por isso Obama decidiu reforçar extraordinariamente os poderes presidenciais e adoptar as medidas para que, quando a conjuntura exigir, toda a maquinaria económica dos Estados Unidos seja posta ao serviço da nova, e mais grave, aventura militar. Não é um dado menor recordar que nem sequer durante a guerra do Vietname as sucessivas administrações norte-americanas apelaram a uma concentração de poderes tão fenomenal.
Já a bastante tempo Fidel vem advertindo acerca dos perigos que se aprofundam sobre a paz mundial. Numa "reflexão" escrita poucos dias depois de Obama emitir a nova ordem, "Os caminhos que conduzem ao desastre", o Comandante concluía a sua nota dizendo que "não tenho a menor dúvida de que os Estados Unidos estão a ponto de cometer e conduzir o mundo ao maior erro da sua história". Lamentavelmente, os factos parecem dar-lhe razão, mais uma vez.

  • A nota do Examiner ncontra-se em:
    www.examiner.com/financeexaminerinnational/ presidentobamasignsexecutiveorderallowingforcontroloverallusresources
    [*] Director do PLED, do Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini.
  • A pobreza interna, reconhecida pelo governo dos EUA

    luisnassif, dom, 08/04/2012 - 15:25

    Por Assis Ribeiro

    Da Reuters

    Número de trabalhadores pobres nos EUA cresceu em 2010

    WASHINGTON, 6 Abr (Reuters) - A quantidade de trabalhadores norte-americanos vivendo na pobreza atingiu 7,2 por cento da força de trabalho em 2010, maior índice em pelo menos duas décadas, disse o governo dos Estados Unidos na sexta-feira.

    O Departamento de Estatísticas do Trabalho disse que entre as trabalhadoras mulheres 7,6 por cento são pobres, e entre os homens a cifra é de 6,7 por cento. Em 2009, o índice de trabalhadores pobres era de 7 por cento.

    A educação faz uma enorme diferença. Entre os trabalhadores que não terminaram o ensino médio, 21,4 por cento vivem abaixo da linha oficial de pobreza, ao passo que isso afeta apenas 2,1 por cento dos trabalhadores com nível universitário. O maior porcentual - 35,1 por cento - é entre os desempregados que estavam procurando trabalho ao longo do ano.

    A linha oficial de pobreza nos EUA em 2010 era uma renda anual de 10.830 dólares para uma pessoa sozinha, e de 22.050 dólares para uma família de quatro pessoas.

    Em termos absolutos, os EUA tinham 46,2 milhões de pessoas vivendo na pobreza em 2010, ou 15,1 por cento da sua população total. Os pobres trabalhadores eram 10,5 milhões.

    .

       O Departamento de Estatísticas do Trabalho conduziu uma pesquisa especial em 2011 que foi usada para calcular as cifras, com base em pessoas incluídas na população economicamente ativa - ou seja, que passaram pelo menos 27 semanas do ano trabalhando ou procurando emprego.

    O índice de trabalhadores abaixo da linha de pobreza era de 5,5 por cento em 1987, dado mais antigo incluído no relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho, e em 1999 havia caído para abaixo de 5 por cento.

    (Reportagem de Stella Dawson)