"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sábado, abril 23, 2011

EUA: insolvente e a afundar-se cada vez mais

resistir info - 21 abr 2011

por Chris Martenson [*]

Ainda que escrito numa óptica conservadora e individualista, o presente texto confirma o estado de descalabro da economia dos EUA e dos principais países capitalistas desenvolvidos.   Ele corrobora o que diferentes analistas e sob diferentes ópticas (como Jorge Beinstein , o GEAB , etc) têm afirmado reiteradamente:   a crise actual é sistémica e já inelutável.   O actual endividamento e financiarização do mundo é a resposta do capitalismo à sua dificuldade em continuar o processo de acumulação por meio de actividades produtivas. Há que transcender este sistema.
resistir.info
'. O processo orçamental dos EUA está totalmente fora de controle. Em consequência, o seu futuro fiscal é especialmente negro.

Tudo o que alguém tem a fazer é retroceder dois passos, ignorando inteiramente as querelas orçamentais sem significado actualmente a decorrer em Washington, para ver que a situação fiscal do governo federal está um pandemónio completo. De facto, tal como as coisas se posicionam em termos de despesas e receitas, o governo dos EUA está insolvente – os seus passivos excedem amplamente os seus activos na base do valor actualizado líquido.

Sim, Obama acaba de apresentar um plano que apela ao corte de uns US$4 milhões de milhões (trillion), acréscimos incrementais do défice ao longo dos próximos 12 anos, mas isto meramente obscurece o facto de que no entanto o défice ainda crescerá num montante especialmente vultuoso. Planos de ambos os partidos apelam ao acréscimo de mais dívida mas a um ritmo mais lento. É verdade, isso é uma espécie de progresso. Mas não o tipo de progresso que você queira trazer para casa.

Para qualquer um que seja mesmo um estudioso superficial de história ou tenha prestado a mais ligeira atenção do que transpirou quanto à Grécia, Irlanda, Portugal e outros países com uma tendência desenfreada a gastar mais do que tem, é claro qual será a progressão dos acontecimentos para os EUA.

Primeiro haverá uma crise fiscal/de financiamento que terá origem no mercado de títulos, especialmente no mercado de Títulos do Tesouro dos EUA. As taxas de juro dispararão e ou a austeridade será imposta sobre os Estados Unidos de um modo especialmente desagradável e draconiano (o mercado de títulos é especialmente impiedoso), ou será auto-imposto (não muito provável). As minhas estimativas indicam que este processo terá início antes do fim de 2012.

A seguir, se os EUA deixarem de atender aos decretos do mercado de títulos e tentarem manter despesas face à elevação de taxas de juro ou sair da perturbação através da impressão [de moeda], aumentam os riscos de que o US dólar sofra um grande declínio. Digamos que este processo começará um ano após o arranque da crise fiscal.

Assim é e não há alternativa. Uma crise fiscal possivelmente (provavelmente?) seguida por uma crise da divisa – e tudo iniciado por uma crise de liderança.

Quanto tempo demorará para que os mercados acordem para esta progressão simples é objecto de conjecturas. Aqui temos de recorrer a uma máxima simples que nos tem servido muito bem: Qualquer coisa que seja insustentável um dia terá de cessar.

No ano passado, os EUA não eram os únicos com agruras fiscais e económicas.

Este ano, os EUA distinguiram-se por serem a única economia avançada a aumentar o seu défice de base em 2011, segundo o FMI.

De modo bastante incisivo, recentemente o FMI esteve próximo de uma ruptura ao destacar que os EUA está a caminhar na direcção errada do ponto de vista fiscal (e por extensão do monetário) e a arriscar-se a uma crise sistémica por prosseguir um caminho insustentável.

Em 20 de Março, John Lipsky do FMI pronunciou palavras duras (num fórum em Pequim, deve-se notar):

Lipsky afirma que dívida de países avançados provoca o risco de crise futura quando os rendimentos começarem a subir
O fardo crescente da dívida dos países mais desenvolvidos do mundo, que se encaminham este ano para o recorde pós II Guerra Mundial, é insustentável e traz o risco de uma futura crise fiscal, disse John Lipsky do Fundo Monetário Internacional.

Este ano rácio médio da dívida pública de países avançados excederá 100 por cento do seu produto interno bruto pela primeira vez desde a guerra, disse hoje Lipsky, primeiro vice-director do FMI, num discurso num fórum em Pequim.

"As consequências fiscais da crise recente devem ser tratadas antes que comecem a impedir a recuperação e criem novos riscos", disse Lipsky. "O desafio central é prevenir uma potencial crise fiscal futuro, enquanto, ao mesmo tempo, criar empregos e apoiar a coesão social".
Estou de pleno acordo com a avaliação de que os EUA estão a acrescentar, não a subtrair, os riscos financeiros e fiscais que enfrentamos. Tais são os "prémios" de tentar sustentar o insustentável em defesa de um status quo que precisa sair da inactividade, uma curiosidade interessante de um tempo ultrapassado.

Já provámos que há um limite para quanta dívida destrutiva e não produtiva pode ser acumulada, mas os EUA estão agora quase isolados nas suas vãs tentativas de ressuscitar aquele modelo para um último lançamento.

O ASSOMAR DA CRISE DA DÍVIDA

O FMI tem alguns dados firmes para apoiar as suas preocupações e recentemente divulgou um relatório no qual apresentou uma tabela que contém toda a essência da situação difícil de "crescer ou morrer" que confronta não só os EUA como todo o mundo desenvolvido.

Há um certo número de coisas a dissecar na tabela, de modo que vamos considerá-las uma por uma.

A primeira é que as necessidades totais de financiamento para os governos soberanos (apenas) da maior parte das chamadas "economias avançadas" expandiu-se entre 2010 e 2011 de 25,8% do PIB para 27,0% do PIB (círculos verdes). Isto significa que mesmo com a alegada recuperação a vigorar plenamente – uma miragem estatística sob muitos aspectos – o financiamento da dívida terá de crescer mais, não menos.

Clique a imagem para aceder ao original da tabela.
É tão grande que convém repetir: As necessidades de financiamento bruto dos EUA e do Japão sõ de 28,8% e 55,8% do PIB de 2011, respectivamente. Trata-se de montantes estarrecedores e eles têm apenas, como seria de prever em qualquer quadro conceptual decente que combinasse liderança franca e dinheiro baseado na dívida com declínio líquido de energia, de tornar-se maiores passados uns poucos anos.

Concentrando um pouco a atenção, notaremos que três países ostentam défices fiscais além de 10% do PIB (Japão, Estados Unidos e Irlanda), enquanto o Reino Unido estão pouco atrás com um défice de 8,6% (ver quadrados de cor vermelho e laranja).

Como é que alguém permite tão impressionantes necessidades de tomada de empréstimos a taxas razoáveis sem a promessa explícita de que o crescimento retornará em breve? É impossível, pelo menos por muito tempo. Quem comprará toda aquela dívida a taxas ridiculamente baixas?

Os participantes autónomos do mercado já chegaram a uma conclusão, como evidenciado por Bill Grosse, da PIMCO, e outros, ao venderem todos os seus haveres em Títulos do Tesouro e começarem mesmo a vender a descoberto (to short) toda a porcaria. Eles estão a apostar em que a resposta é "apenas os bancos centrais e o seu tempo está a acabar".

Logo a seguir ao relatório que produziu a tabela acima (dentre muitas outras, algumas igualmente perturbantes) o FMI avançou com uma campanha de RP para pressionar:

FMI: Os EUA devem cortar a dívida maciçamente
12/Abril/2011

O Fundo Monetário Internacional incitou os Estados Unidos a esboçarem medidas críveis para reduzir seu défice orçamental, pressionando a Casa Branca a pormenorizar planos para reduzir os níveis recorde da dívida.

O FMI disse que enquanto a maior parte das economias avançadas estava a dar passos para controlar fossos orçamentais, duas das maiores economias do mundo — Japão e Estados Unidos — atrasaram a acção para cuidar das suas recuperações.
O facto de o FMI ter decidido dizer que falta um guarda-roupa crível ao imperador diz-nos muito acerca de onde estamos na curva desta história (Pista: próximo do fim).

Nossa tarefa é entender como parecerá o fim do jogo.

Conclusão

Os EUA estão num caminho fiscalmente insustentável e desperdiçaram quase totalmente a oportunidade que esta crise representou para por a sua casa em ordem.

Obama, e seja quem for que se sente a seguir no gabinete oval, tem a tarefa imensamente difícil de explicar a pessoas comuns porque o aperto de cinto que está para vir aplica-se a eles e não aos bancos que criaram a confusão (e estão febrilmente a receberem bónus recordes em resultado).

Dado este constrangimento, e a paralisia geral de lógica que agora se apossa de Washington, podemos quase certamente esperar que a resolução do jogo de muitas décadas do kick-the-can [1]

será uma crise. O FMI pronunciou em tom muito medido e seco, se não aborrecido, a recitação dos riscos envolvidos.

Admito alguma afinidade com a sua avaliação, com o risco de deixar minha guarda descoberta, porque eles finalmente conformaram seus pontos de vista ao que tenho estado a escrever durante anos. O dinheiro baseado na dívida está em apuros. Ele é maldito se o tivermos e maldito se não o tivermos.

O único caminho de saída é aceitar a ideia de que os padrões de vida têm de cair para atenderem os excessos anteriores, uma admissão que "peritos" concordam ser politicamente impossível nos EUA neste momento.

Mas as condições e os riscos permanecem, pouco importando o que peritos pensem ser factível.

A tarefa de qualquer mercado em baixa (bear market) primário – e estamos na mãe de todos eles – é destruir riqueza.

Sua tarefa é preservar riqueza. Mas aperte o cinto; vai ser uma cavalgada árdua.

Meu conselho geral para o que vem aí permanece: Converta seu dinheiro fiduciário (fiat money) em coisas úteis. É verdade que o ouro não rende qualquer juro, mas nestes dias tão pouco o faz o dinheiro no banco e o ouro não pode ser desvalorizado pela política monetária temerária. De modo que possuir metais preciosos para a preservação do poder de compra deveria ser uma parte fundamental dos seus planos. E se bem que a curto prazo haja risco real de uma deflação nas commodities à medida que o Fed pressiona com a aproximação do fim da facilidade quantitativa (quantitative easing), meu conselho geral é que compre agora qualquer coisa que possa precisar no próximo ano. Isso porque você a utilizará de qualquer forma e é previsível que compre um bocado mais barato do que posteriormente.

Desfrute a vida, ame a sua família e note que o Sol ainda se levanta, que os pássaros ainda cantam e que todas as nossas fraquezas humanas acabarão finalmente por se resolver por si mesmas. Chegámos a um ponto peculiar na história em que a atitude é um elemento tangível da sua futura riqueza e o papel-moeda tornou-se como que um nevoeiro numa manhã cálida.

Faça o que quiser. Meu desejo é que desfrute a vida.
[1] kick-the-can : jogo infantil.

[*] Autor de Crash Course .

O original encontra-se em www.chrismartenson.com/...

Pensões

Carta veio na edição da semana com um encarte da The Economist sobre a problemática das pensões e aposentadorias.
Elucidador como pesquisadores apóiam com suas teorias mais uma tentativa de se retirar dos trabalhadores uma série de direitos conquistados ao longo do tempo. Tudo muito bem escrito e com um rigor lógico de encantar os mais inocentes.
Em nenhum momento da série de artigos se fala em dividir o bolo, sim dividir o bolo (como uma vez disse Delfim), principalmente porque nos países ricos o bolo já cresceu à muito tempo. Os custos devem recair sobre os trabalhadores, nunca sobre os imensos lucros das empresas, ou os bônus bilionários de seus gestores e acionistas em todos os escalões.
Uma das coisas que eu considerei pior na série de artigos é o caso de que provavelmente os trabalhadores terão que arcar com investimentos em fundos privados. Se pensarmos que fundos privados investem no mercado financeiro para obterem os lucros (uma vez que não são fundos  filantrópicos) para pagar tais pensões no futuro. Bem, acabamos de ver os efeitos devastadores que os mercados financeiros tem sobre a produção, o emprego e o bem estar do povo. Então, como confiar sua aposentadoria a tal situação?
Todo esse engodo é apenas mais uma forma de maximizar lucros, retirar responsabilidades do empregador, e deixar o empregado como responsável de algo que ele não deveria estar se preocupando na atualidade.
Mais de 54% da riqueza produzida no mundo é acumulada nas mãos de pouco mais de 10% da população mundial, porque esse bolo não é dividido para que se paguem aposentadorias decentes a quem trabalhou a vida inteira para sustentar os luxos e benesses desses 10%, que não precisam desse volume monetário para viver bem, pois, com uma redução de 10 para 10, provavelmente esse objetivo pudesse ser alcançado, uma vez que com salários maiores, os descontos também maiores iriam dar a sustentabilidade ao sistema.
Mas, como dizia Milton Santos, a ciência se rendeu mais cedo do que ele esperava aos interesses do grande capital.

Nossa Industria

Muito se tem falado da problemática cambial brasileira que torna nossa industria incapaz de competir em condições de igualdade no mercado globalizado, que corremos o risco de voltarmos a ser um país meramente exportador de commodities, etc.
Mas, o nosso gargalo energético é um fator bem pouco comentado. De nada adianta juros baixos e desejo de crescimento industrial, se esse crescimento é impossível de ocorrer por não termos energia suficiente para sustentar o crescimento. E mais uma vez, a turma dos Direitos Humanos dão uma mãozinha ao desenvolvimento nacional, com a OEA, ONGs e outros grupos barrando a construção de Belo Monte, e possivelmente outras obras que nos são necessárias para crescer. 
Lembro, que só temos aproximadamente 10 anos de bônus populacional, se perdermos esse trem, tudo depois se tornará mais difícil.
E o que eu acho pior, tudo isso devido a um sentimento de revanchismo em relação aos Governos Militares. Quero aqui lembrar outra coisa. As forças armadas não tem orientação ideológica, são funcionários do Governo. Se não fosse assim não existiriam forças armadas na China, em Cuba, e não teriam existido em todos os países que adotaram governos socialistas no mundo.
É claro que se um país tem um governo de extrema direita, seus militares são orientados por essa linha ideológica e hierarquicamente seguem o líder máximo do país, da mesma forma acontece nos governos de extrema esquerda, ou qualquer outro tipo de governo.

Desarmamento

Acho incrível como os aproveitadores de plantão já estão como urubus de olho nos dividendos de um possível plebiscito sobre o desarmamento. Quanta ignorância e falta de respeito com o povo.
Até parece que as nossas fronteiras serão hermeticamente fechadas à entrada de armamentos se o plebiscito for favorável ao desarmamento, pois só assim a tal lei teria algum efeito, uma vez que a maior parte das armas ilegais que estão nas mãos de bandidos e traficantes são provenientes de tráfico ilegal, ou seja, não é produzido internamente. E aí eu pergunto, a lei vai atingir esse tráfico? Será que os AK-47 e outros fuzis, metralhadoras e armas de grande calibre vem das empresas nacionais ou entram pelas nossas fronteiras?
O tráfico internacional de armas é a atividade mais lucrativa do crime organizado, superando o contrabando internacional de drogas, e aí vão vir com essa de idéia de desarmamento para redução de violência? Menos, muito menos. É necessária na realidade uma série de políticas públicas de segurança que realmente tenham efeito, e não passem de fogos de artifício para a população ver.
Mais uma vez um grupo de "expertos" estão sendo espertos e defendendo algo que só prejudica uma parte da indústria nacional. Será que esses "expertos" vão além de estimular o desarmamento, realizar uma campanha que garanta emprego a todos que serão desempregados com o fechamento das empresas que trabalham com armas e munições legalmente no país, ou os politicos e "expertos" vão simplesmente fechar os olhos a esse problema e dizer que não tem nada com isso pois foi o povo quem decidiu?
Espero sinceramente que o tal plebiscito não saia, ou se sair, assim como o referendo seja derrotado.

Sobre o Racismo

Que o racismo seja tratado com intolerância é algo para mim natural, não vejo qualquer atitude racista como tendo uma mínima razão de ser.
O caso do Deputado Bolsonaro está provocando diversas reações que ao meu ver são extremadas (até um grupo que resolveu dar apoio teve manifestantes presos, não é legal o direito de se manifestar?). 
Assistindo novamente o tal programa do CQC, vi que o Deputado Bolsonaro (que deve ter a opinião e as razões dele) não fez um pronunciamento racista, creio que ele fez sim, um pronunciamento direcionado à Preta Gil (que deve como já falei aqui antes, buscar retratação junto à justiça). Até achei engraçado quando um dos ouvintes perguntou quantos chefes negros ele já havia tido. 
Não sei se a população em geral sabe, mas existem generais negros, e consequentemente tais chefes mandam e são obedecidos por vários subalternos brancos. Isso ocorre em várias outras patentes, que no caso de capitão como era a de Bolsonaro, deve ter tido sim, vários superiores negros. Existem racistas no exército? Sim, assim como existem em qualquer outro grupo que tenha representatividade nacional. A grande diferença é que se um superior tratar um subalterno hierárquico de forma racista, existem mecanismos que amparam o subalterno em relação a retratamento do superior, isso, se a titulo de exemplo (totalmente factível) o superior não sofrer algum tipo de punição por tratamento inadequado. 
Diferentemente de outras classes que buscam proteger-se dentro de um corporativismo ferrenho evitando que seus membros sejam punidos de alguma forma, a estrutura militar depende da hierarquia, e a melhor maneira de se obtê-la é a partir da confiança de seus subordinados. Neste caso, desvios de conduta são seriamente tratados no âmbito das Forças Armadas.
Agora observe a decisão de um Juiz frente a uma vítima negra sobre o crime de racismo, retirado do artigo de Dora Lucia de Lima Bertulio intitulado RACISMO, VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS:

“R. C. A . [..] foi denunciado como incurso no art.
14 da Lei 7716/89 porque, reiteradamente,
impedia a convivência social de K. C. S. , de cor
negra, chamando-a de NEGRA NOJENTA, URUBU
E MACACA. [...] Não obstante, aquelas
expressões configuram injúria, jamais se
prestando a caracterizar quaisquer das
condutas descritas na Lei 7717/89”
1

O que se pensar da linha de raciocínio do Juiz? Será que sua decisão foi racista? Se foi, seus pares tentaram reverter a situação? O Juiz nesse caso, terá sido advertido? Acho muito difícil. 
É muito fácil querer jogar sobre os ombros do Exército (com a designação de capitão ao Deputado Bolsonaro) o pronunciamento de seu ex-integrante, mas é muito difícil se ver solucionar casos como o desse juiz. Por sinal recentemente talvez tenhamos presenciado uma nova ação racista, que foi a do Presidente do STJ Ari Pargendler sobre o estagiário Marco Paulo dos Santos.


Vários grupos (em geral defensores dos que recebem o Bolsa Ditadura) tem o interesse de aproveitar-se da situação e até citam o Deputado Bolsonaro como capitão do exército, não que ele não tenha sido, mas agora ele é Deputado e a referência militar nesse caso é um adendo ao seu atual curriculo politico. Creio que podemos criticar o pronunciamento do Deputado Bolsonaro, mas não podemos tentar incutir nessa crítica a idéia de que esse pronunciamento teve como uma de suas causas o fato de ele ter sido capitão.

1 Proc. 141/92Décima Oitava Vara Criminal Capital –São Paulo/SP

quinta-feira, abril 21, 2011

Deputado Federal José Antonio Reguffe (PDT-DF)

recebido por e-mail - 19 abr 2011

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa.

Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.

Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões (isso mesmo R$ 2.300,000) nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.

“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.


Quantos Tiriricas, Popós, Romarios, e outros muitos "parasitas" poderiam seguir este exemplo????



Perguntamos
: Como pode um politico que está comprovadamente atrelado ao escandalo do Mensalão, o Dignissimo Sr. João Paulo Cunha (PT) (um simples operário da antiga Cobrasma-Osasco) ser chamado hoje de 'DR.' e assumir a Presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Camara ??? Sem falar em diversos outros que transitam no Governo e estão envolvidos no chamado escândalo do mensalão???

quarta-feira, abril 20, 2011

Blog da Betânia

Nada contra a Betânia, muito pelo contrário, é uma magnífica cantora que juntamente com Gal Costa marcaram (e ainda marcam) uma época que se estende desde os Novos Baianos até hoje, mas como diz Pedro Fabrini nesse vídeo a forma como foi conduzida a montagem do blog não foi das melhores.

video

terça-feira, abril 19, 2011

Migrants tunisiens : la France ne veut pas de tensions avec l’Italie

  RFI - lundi 18 avril 2011 - Dernière modification le : lundi 18 avril 2011


Le 8 avril 2011, le ministre français de l'Intérieur Claude Guéant (D) rencontrait à Milan son homologue italien Roberto Maroni.
Le 8 avril 2011, le ministre français de l'Intérieur Claude Guéant (D) rencontrait à Milan son homologue italien Roberto Maroni.
REUTERS/Alessandro Garofalo
Par RFI
Le ministre français de l'Intérieur a déclaré ce lundi 18 avril 2011 que son pays ne souhaitait pas de tensions avec l'Italie sur le dossier des immigrés tunisiens arrivés en Italie. Claude Guéant a néanmoins réaffirmé que Paris respectait « à la lettre » les accords de Schengen. Dimanche 17 avril, la France a provoqué la colère de Rome en suspendant toute la journée la circulation des trains depuis la ville italienne de Vintimille vers la Côte d'Azur, alors qu'un convoi de manifestants et migrants tunisiens allait traverser la frontière.
Avec notre bureau de Bruxelles
D’abord sur la suppression du trafic ferroviaire dimanche entre Vintimille et Menton, il s’agissait d’une mesure d’ordre public en raison du caractère délibérément provocateur d’une manifestation, d’ailleurs non autorisée par les Italiens, les candidats à l’entrée en France étant accompagnés et encouragés par de nombreux militants qui, de source policière, entendaient bien exploiter d’éventuels incidents.

Claude Guéant
Ministre français de l'Intérieur.
Il y a une règle qui prévaut dans 
les accords de Schengen,
c'est que le premier pays 
d'entrée gère les population migrantes.
 
 


D’autre part, la mesure était également une affaire de sécurité puisque les voies étaient envahies par la foule en gare de Vintimille.
Mais outre que les priorités d’ordre public sont reconnues par le droit européen, ceci n’a rien à voir avec l’évaluation de la légalité des actuelles positions italiennes et françaises en matière d’immigration.
Pour être clair, Paris n’est pas jusqu’ici en contravention avec la convention de Schengen.
L’Italie tente d’exporter les quelque 25 000 immigrés arrivés ces derniers temps chez elle et elle peut effectivement leur délivrer des permis de séjour temporaire.
Mais si les bénéficiaires de ces permis souhaitent se rendre dans un autre pays de la zone Schengen, ils doivent obligatoirement remplir des conditions précises d’identification et de moyens financiers, ce que les autorités italiennes n’ont ni pu ni voulu vérifier.

Les principales filières d'immigration clandestine vers l' Europe.
08/04/2011 - Europe
Cette carte retrace les principales filières d'immigration clandestine vers l' Europe et trace les frontières de l'espace Schengen.

La France exige un minimum de 31 euros par jour et par personne
Selon les accords de Schengen, les permis de séjour temporaire délivrés par l’Italie aux migrants tunisiens ne suffisent pas pour autoriser l’entrée en France ou dans un autre pays de l’espace Schengen.
Tout étranger doit posséder notamment « des moyens de subsistance suffisants, tant pour la durée du séjour envisagé que pour le retour dans le pays de provenance ou le transit vers un État tiers dans lequel son admission est garantie » ou être « en mesure d’acquérir légalement ces moyens ».
Une circulaire émise le 6 avril par le ministère français de l'Intérieur a fixé les moyens requis pour une personne à 31 € par jour si elle justifie d’un hébergement, 62 € dans le cas contraire. La personne doit également « ne pas être considérée comme pouvant compromettre l’ordre public, la sécurité nationale ou les relations internationales ».
L’application de cette circulaire reste difficile. La convention de Schengen supprime en effet les contrôles
systématiques aux frontières de l’espace Schengen*, conformément aux principes du droit européen sur la libre circulation des personnes. Les contrôles restent possibles mais aléatoires.

*Cet espace couvre aujourd’hui toute l’Union européenne, y compris Malte, à l’exception du Royaume-Uni, de l’Irlande, ainsi que de la Roumanie, de la Bulgarie et de Chypre. Hors Union européenne, cette libre circulation concerne aussi la Suisse, la Norvège et l’Islande.

domingo, abril 17, 2011

Com HC de Gilmar, Abdelmassih foge para o Líbano

conversa afiada - Publicado em 17/04/2011

Abdelmassih e Gilmar: o HC providencial
O Dr. Roger Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão e ainda não foi julgado pelo crime de manipulação genética.

Chegou a ficar preso, mas o notável advogado Márcio Thomaz Bastos recorreu ao Supremo.

E lá, sólido como uma rocha, o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, Gilmar Dantas (*), prontamente lhe concedeu um habeas corpus.
O também ministro Marco Aurélio de Mello, depois de dar um HC ao notável banqueiro Salvatore Caciolla, disse que Caciolla tinha todo o direito de fugir para a Itália.

Só voltou ao Brasil graças ao empenho e à competência do delegado Romeu Tuma Jr.

O Líbano produz vinhos, mas não aqueles da qualidade da adega do Dr. Roger, no Jardim Europa, em São Paulo.

Clique aqui para ler a reportagem da Folha (**):

Polícia acredita que Abdelmassih esteja no exterior

Foragido há quatro meses, médico pode ter ido para o Líbano com passaporte falso, via Paraguai e Uruguai. Se suspeitas estiverem corretas, prisão fica difícil -Brasil não tem tratado de extradição em vigor com o Líbano

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

Passados quase quatro meses de sua fuga, a polícia de São Paulo ainda não conseguiu capturar o médico Roger Abdelmassih, 67. Das poucas pistas obtidas até agora, a principal delas já o coloca fora do Brasil.

Abdelmassih usou a fronteira com o Paraguai, foi para o Uruguai (onde teria conseguido um passaporte falso) e embarcou para o Líbano, disseram à Folha policiais que participam das buscas. O médico tem origens libanesas.

Se as suspeitas dos policiais estiverem corretas, uma eventual prisão de Abdelmassih fica muito mais complicada. Isso porque o Líbano não tem tratado de extradição com o Brasil.

Mesmo que venha a ser preso pela Interpol, o Líbano pode negar a entrega do foragido brasileiro.

(…)


Em tempo: o texto da Folha presta favor ao ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo: não diz que foi ele que concedeu providencial HC.

Trem da Morte

site do azenha





Mas, como nossos políticos seguem os interesses democráticos da população, estão sempre investindo em ampliação e qualidade da nossa malha ferroviária. Acho que muito em breve (talvez ano que vem) passaremos a China e os EUA somados, nesse quesito.

O ataque euro-americano à Líbia nada tem a ver com 'protecção de civis'

resistir info - 15 abr 2011

A CIA por trás da rebelião

por John Pilger
Cartoon de Victor Nieto. O ataque euro-americano à Líbia não tem nada a ver com a protecção de ninguém; só os irremediavelmente ingénuos acreditam nesse disparate. É a reacção do Ocidente aos motins populares em regiões estratégicas, ricas em recursos e o início de actividades hostis contra o novo rival imperialista, a China.

O presidente Barack Obama já assegurou o seu lugar na História. É o primeiro presidente negro da América a invadir a África. O ataque à Líbia é chefiado pelo Comando África dos EUA (US Africa Command),
instituído em 2007 para assegurar os lucrativos recursos naturais do continente, roubando-os às populações empobrecidas e à influência comercial da China, em crescimento rápido. A Líbia, juntamente com Angola e a Nigéria, é a principal fonte de petróleo da China. Enquanto os aviões americanos, britânicos e franceses vão incinerando líbios 'maus' e 'bons', assiste-se à evacuação de 30 mil trabalhadores chineses, provavelmente de forma permanente. As afirmações de entidades ocidentais e dos meios de comunicação de que 'um coronel Kadafi criminoso e enlouquecido' está a planear o 'genocídio' contra o seu próprio povo, continuam a carecer de provas. Isto faz recordar as afirmações fraudulentas que exigiram a 'intervenção humanitária' no Kosovo, o desmembramento final da Jugoslávia e a instalação da maior base militar americana na Europa.

Os pormenores também são conhecidos. Segundo se diz, os 'rebeldes pró-democracia' líbios são comandados pelo coronel Khalifa Haftar que, segundo um estudo da Fundação Jamestown americana, montou o Exército Nacional Líbio em 1988 "com forte apoio da CIA". Nos últimos 20 anos, o coronel Haftar tem vivido não muito longe de Langley, Virginia, o lar da CIA, que também lhe fornece um campo de treino. Os mujihadeen, que deram origem à al-Qaida, e o Congresso Nacional Iraquiano, que forjaram as mentiras de Bush/Blair sobre o Iraque, foram patrocinados por Langley, da mesma forma aceite por toda a gente.

Os outros líderes 'rebeldes' incluem Mustafa Abdul Jalil, ministro da Justiça de Kadafi até Fevereiro, e o general Abdel-Fattah Younes, que chefiou o ministério do Interior de Kadafi: ambos com estrondosas reputações de repressão brutal de dissidentes. Há uma guerra civil e tribal na Líbia, que inclui a rejeição popular contra a actuação de Kadafi em relação aos direitos humanos. Mas o que é intolerável para o ocidente não é a natureza do seu regime, é a independência da Líbia, numa região de vassalos; e esta hostilidade pouco mudou em 42 anos, desde que Kadafi derrubou o rei feudal Idris, um dos tiranos mais odiosos apoiados pelo ocidente. Kadafi, com os seus modos beduínos, hiperbólicos e bizarros, há muito que personaliza o 'lobo feroz' ideal (Daily Mirror), exigindo agora que os heróicos pilotos americanos, franceses e britânicos bombardeiem áreas urbanas em Tripoli, incluindo uma maternidade e um centro de cardiologia. O último bombardeamento americano em 1986 conseguiu matar a sua filha adoptiva.

O que os americanos, os britânicos e os franceses têm esperança de conseguir é o oposto da libertação de um povo. Ao sabotar os esforços dos genuínos democratas e nacionalistas da Líbia para libertarem o seu país de um ditador e dos corrompidos pelas exigências estrangeiras, o som e a fúria de Washington, de Londres e de Paris conseguiram turvar a memória dos dias de esperança de Janeiro em Tunis e no Cairo e desviar muitos dos que tinham criado esperanças da tarefa de assegurar que as suas conquistas não fossem roubadas furtivamente. A 23 de Março, as forças militares egípcias, apoiadas pelos EUA, emitiram um decreto proibindo todas as greves e manifestações. Isto praticamente não foi notícia no ocidente. E agora, com Kadafi identificado com o demónio, Israel, o verdadeiro cancro, pode continuar a sua espoliação de terras e expulsões. O Facebook, sob pressão sionista, removeu uma página apelando a um levantamento em grande escala na Palestina – uma 'Terceira Intifada' – a 15 de Maio.

Nada disto nos deve surpreender. A história exibe o tipo de maquinação revelado por dois diplomatas seniores nas Nações Unidas, que falaram ao Asia Times. Quando pretenderam saber porque é que as Nações Unidas nunca ordenaram uma missão de avaliação dos factos à Líbia, em vez de um ataque, disseram-lhes que já muita coisa tinha sido feita entre a Casa Branca e a Arábia Saudita. Uma 'coligação' dos EUA iria 'eliminar' o recalcitrante Kadafi se os sauditas abafassem o levantamento popular no Bahrein. Este último já foi concretizado e o sangrento rei do Bahrein vai ser um dos convidados às bodas reais em Londres.

A personificação desta reacção é David Cameron [NT] , cuja única verdadeira tarefa tem sido como homem de relações públicas de Michael Green, o oportunista da indústria da televisão. Cameron esteve no Golfo a vender armas aos tiranos inventados pelos britânicos quando a população se levantou contra Abdullah Saleh do Iémen; a 18 de Março, o regime de Saleh assassinou 52 manifestantes. Cameron não disse nada de jeito. O Iémen é 'um dos nossos', conforme o Foreign Office britânico gosta de dizer. Em Fevereiro, Cameron desmascarou-se num ataque ao que ele chamou de 'estado de multi-culturalismo' – um código para muçulmanos. Disse, "Precisamos de muito menos tolerância do que nos últimos anos!" Foi aplaudido por Marine Le Pen, líder da Frente Nacional fascista de França. "É exactamente este tipo de declarações que nos isolou da vida pública durante 30 anos", disse ela ao Financial Times. "Só posso felicitá-lo".

Num dos seus momentos mais exploradores, o império britânico produziu Davids Camerons aos montes. Contrariamente a muitos dos 'civilizadores' vitorianos, os actuais guerreiros sedentários de Westminster – através de William Hague [NT] , Liam Fox [NT] e do traidor Nick Clegg [NT] – nunca foram atingidos pelo sofrimento e banho de sangue que, à custa das diferenças culturais, são as consequências dos seus discursos e acções. Com o seu ar mais ou menos informal, sempre altivos, são uns cobardes no estrangeiro, visto que ficam sempre em casa. As suas prendas são a guerra e o racismo e a destruição da democracia social duramente conquistada da Grã-Bretanha. Lembrem-se disso quando forem para a rua às centenas de milhares, conforme é vosso dever.
 
NT
David Cameron: primeiro-ministro do Reino Unido, líder do Partido Conservador
William Hague: politico britânico conservador; secretário dos Estrangeiros e primeiro secretário de David Cameron.
Liam Fox: politico do Partido Conservador britânico; secretário da Defesa do Reino Unido
Nick Clegg: Líder do Partido Liberal Democrata; vice-primeiro-ministro do Reino Unido, na coligação com o Partido Conservador e presidente do Conselho.


O original encontra-se em www.johnpilger.com/... .   Tradução de Margarida Ferreira.

A MORTE DA JUSTIÇA

aijesus.blogspot.com - 14 abr 2011


[está aqui. Cartella Arretrati, aqui]
Estes políticos
[e Berlusconis, não os há apenas em Itália]
matam tudo o que calha. Quero dizer, tudo o que lhes faz frente. Em última análise, matam a democracia que, estranhamente, os elege e que eles dizem servir.

Estranha democracia, esta!...

escrito por ai.valhamedeus
 
 
É essa turma que quer se inserir nas decisões brasileiras em relação à Battisti. Deveriam primeiro resolver seus sérios problemas internos. Para depois quem sabe, promover ingerência sobre outras nações.

Dmitri Medvedev faz duras críticas a Nações Unidas

darussia.blogspot.com - Quinta-feira, Abril 14, 2011

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, declarou hoje ter perguntas sérias a fazer à direção da ONU sobre tentativas de ultrapassar prerrogativas previstas nas suas resoluções.
“Quando ouço dizer que a resolução (sobre a Líbia) é má, considero isso incorreto, a resolução é completamente normal. Mas é preciso cumprí-la, e não tentar ultrapassar o mandato contido nas resoluções. A propósito, isso é uma tendência muito perigosa nas relações internacionais”, declarou ele aos jornalistas durante a Cimeira dos BRICS, na China.
Segundo ele, no que respeita à resolução 1973 sobre a Líbia, observa-se um abuso das prerrogativas nela previstas, bem como a interpretação alargada do documento.
O mesmo detetou na resolução sobre a Costa do Marfim.
“Por exemplo, no que respeita à resolução sobre os acontecimentos na Costa do Marfim, a resolução 1975, se não me engano, nela fala do empregue dos destacamentos da ONU não para apoiar uma das partes do conflito nesse país, pois a ONU não pode apoiar nenhuma das partes. Mas, de fato, aconteceu isso”.
“Aqui temos sérias perguntas a fazer à direção da ONU. Parece-me que se trata de uma tendência muito perigosa. As tropas da ONU devem separar as tropas e em caso algum apoiar uma delas, se considerarmos que ela tem uma base legítima maior”, concluiu.

A (f)utilidade das sanções




Participei, em Washington, de evento em que o moderador  queria conhecer nossa avaliação, um anos depois, sobre a Declaração de Teerã. Por Celso Amorim

Em geral, elas atingem principalmente os setores mais frágeis

Há cerca de dez dias, participei, em Washington, como orador principal de importante evento organizado por reputada instituição norte-americana, a Carnegie Endowment for International Peace. Como se tornou comum em acontecimentos desse tipo, minha exposição foi conduzida pelo moderador George Perkovitch e pelas perguntas da audiência (o vídeo da sessão pode ser visto no seguinte endereço eletrônico: http://newmediamanager2.net/popup/1516).
Embora o tema geral do encontro fosse desarmamento e não proliferação nuclear, a questão inicial do moderador versou sobre a Declaração de Teerã, de 17 de maio de 2010. Queria conhecer a avaliação que fazemos hoje sobre o acordo, à luz da recusa dos proponentes originais da ideia de trocar urânio por combustível. Isso me deu ocasião de expor didaticamente como o governo brasileiro se envolveu na questão, movido inicialmente por um pedido do presidente Obama ao presidente Lula, à margem da reunião do G-8 em L’Aquila, na Itália, em julho de 2009. Esse pedido foi reforçado por gestões específicas de emissários dos Estados Unidos – na linha de telegrama de instruções enviado à embaixada norte-americana em Brasília, revelado pelo WikiLeaks. Pude, diante de um público qualificado, explicar como os pontos centrais do acordo proposto pelo chamado Grupo de Viena (Estados Unidos, França e Rússia) estavam atendidos pela Declaração. Mencionei, a propósito, a opinião de especialistas insuspeitos, como o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed el-Baradei – que havia participado da preparação da proposta original –, para quem o resultado obtido por Brasil e Turquia era um passo significativo (substantial) no sentido de garantir que o programa nuclear iraniano tivesse fins exclusivamente pacíficos.
É digno de nota o continuado interesse de personalidades influentes nos Estados Unidos em discutir o tema. A meu ver, o desejo de esmiuçar os diversos aspectos da questão é revelador de que alguma dúvida terá ficado no espírito de muitos analistas sobre o acerto da atitude negativa, tomada na ocasião pelos EUA e seus aliados (que, no caso, além dos outros membros ocidentais do Conselho de Segurança, França e Reino Unido, incluiu a Alemanha e – o que não é tão comum – Rússia e China).
O moderador levantou outra questão muito relevante para o momento atual. Referindo-se ao nosso voto contrário às sanções contra o Irã, em junho de 2010, perguntou-me se o Brasil não admitia que sanções poderiam ser o caminho indicado, quando um país viola sistematicamente suas obrigações. Mencionou, então, a Líbia, o que me levou a recordar-lhe que, já no atual governo, o Brasil votou, acertadamente, em favor de sanções contra Kaddafi e a liderança líbia, em face do uso indiscriminado da força contra civis. Mas, corretamente, absteve-se na resolução que concedeu à coalizão a faculdade de usar “todas as medidas necessárias” (eufemismo para uso da força no jargão da ONU) para tornar efetiva a zona de exclusão aérea e proteger (sic) a população civil.
Sem desconhecer que sanções ou, principalmente, a ameaça delas pode ter alguma utilidade em influenciar o comportamento de determinado governo, assinalei que, na maioria das vezes, as sanções atingem, principalmente, os setores mais vulneráveis da população. Em segundo lugar, muito frequentemente, provocam efeito contrário ao desejado no que se refere à concentração do poder nas mãos de um líder autocrático ou ditatorial. A experiência no Iraque, no período que antecedeu a segunda guerra do Golfo, fornece ampla prova disso.
A própria Líbia é ilustrativa desse aparente paradoxo. Durante cerca de uma década, o país esteve sob sanções do Conselho de Segurança, o que apenas reforçou o poder de Kaddafi. Foi apenas quando as relações da Líbia com grande número de países, inclusive ocidentais, se distenderam, permitindo que mais informações chegassem a parcela importante da população é que impulsos de mudança se fizeram sentir – estimulados pelos êxitos no Egito e na Tunísia.
O uso da força pela coalizão coloca outras questões. Além da proporcionalidade entre meios e fins, é muito difícil traçar uma linha clara entre o que constituiria efetivamente a proteção de civis e o que é o apoio a um dos lados de uma guerra civil. Este é um dilema que a aliança que se constituiu sob a liderança dos Estados Unidos terá de enfrentar. Outro dilema é saber de que civis se trata: afinal, também há civis que, voluntariamente ou não, podem encontrar-se próximos às forças leais a Kaddafi. Sobre esse e outros aspectos, os relatos que nos chegam, muitas vezes filtrados, pelas agências de notícias, não são tranquilizadores. Um analista político norte-americano recordava, falando do Oriente Médio em geral – mas com evidente aplicação ao caso da Líbia e, mais amplamente, a sanções e ao uso da força –, que o dever principal de quem deseja ajudar e proteger é seguir a máxima de Hipócrates, pai da medicina: “Em primeiro lugar, não cause dano”.
Foto: Atta Kenare/AFP

Bem do Século por Delfim Neto

 Aldeia Nagô - 17 abr 2011




delfim-neto.jpg O que está por tras de Belo Monte? - "Brasil, potência hídrica do século 21" é o título bastante sugestivo da matéria de capa de recente edição especial da National Geographic em português, que traz considerações interessantes sobre o aproveitamento do que certamente será a riqueza mais disputada nos próximos mil anos em nosso planeta. Desde algum tempo tenho procurado mostrar que a água (mais que o ouro, minérios ou petróleo) é o que preocupa e motiva o enorme esforço de marketing promovido por ONGs de várias partes do mundo com o objetivo de provar que os brasileiros são incapazes de:

1 - Proteger o meio-ambiente, especialmente na região Amazônica.

2 - Respeitar as populações indígenas, idem.

3 - Realizar o desenvolvimento "sustentado", alguma coisa com diferentes significados no Brasil, na China e nos EUA. São meros pretextos. Apesar de gastos, funcionam...

A conclusão, óbvia, é que a Amazônia precisa ser internacionalizada para evitar que utilizemos os recursos de água daquela bacia hidrográfica para produzir energia e proporcionar o desenvolvimento daquela região em nosso benefício exclusivo. Então para começar, é urgente impedir a construção das hidrelétricas, enviando seguidas delegações de notáveis que se prestem a fazer o ridículo papel de defensores de etnias das quais mal conhecem a designação correta e certamente desconhecem a localização das aldeias (alguns acreditam que se trata de remanescentes de tribos astecas...).

Esta semana tivemos a demonstração de como a pregação, mesmo infantil, pode influenciar burocratas mal informados de organismos internacionais: uma obscura e inoperante comissão de direitos humanos da OEA aliou-se à tese de tantas outras obscuras ONGs, pedindo a suspensão (!) da construção da Usina de Belo Monte, no rio Xingu.

O referido pedido, baseado numa denúncia feita em 2010 por "diversas" ONGs (não identificadas), não produz nenhuma consequência prática imediata, mas ficou a ameaça de que "poderá vir a ser submetido a exame na Corte Interamericana de Direitos Humanos, também da OEA, caso não sejam aceitas as explicações do governo brasileiro sobre o resultado de consultas submetidas às populações indígenas". A reação oficial foi imediata: o Itamaraty classificou como "precipitadas e injustificáveis" as solicitações da OEA; o senador Flexa Ribeiro, presidente da subcomissão que acompanhará o andamento das obras no Pará, qualificou de "absurdo" o pedido "que até fere a soberania nacional" e o diretor da Agência Nacional de Energia - Nelson Hubner - foi direto: "A OEA conhece muito pouco do processo de licenciamento para dar parecer sobre a obra".

O que as ONGs (de longa data), agora apoiada pela sub-burocracia da OEA, pretendem bloquear, em realidade, não é a obra em si, mas a condição brasileira de produzir mais energia limpa para prosseguir no seu projeto de desenvolvimento sustentável, inclusive na região Amazônica. Significa demonstrar a capacidade nacional de conservar, administrar e utilizar as riquezas de um território que detém 11% de toda a água doce do globo, onde correm 12 mil rios que respondem por 16% de toda a água enviada ao mar pelos rios do planeta.

Muitos brasileiros só em anos recentes tomaram conhecimento que, além do aquífero Alter do Chão, que contém as águas do subsolo amazônico, o aqüífero Guarani, no subsolo das regiões Centro-Sul-Sudeste do Brasil e partes do Paraguai, Uruguai e Argentina, guarda volume superiror ao seu congênere do Note. Segundo os cálculos apresentadosna edição especial da National Geographic, juntamente com um mapeamento bastante preciso, "não há fartura semelhante em outros cantos do globo: considerando essa abundância, teoricamente cada brasileiro teria à sua disposição, 34 milhões de litros de água por ano, uma quantidade fabulosa, 17 vezes maior do que a ONU considera média confortável de consumo".

Com todo o progresso civilizatório que se produziu no mundo, digamos, nesse meio século mais recente, a maioria das nações refreou a cobiça em relação aos bens alheios (com notórias exceções provocadas pela exacerbação terrorista). Só não podemos ignorar que a fartura de água, que nos favorece, está destribuída de forma extremamente desigual entre as regiões e os povos. A carência nem sempre tem simetria com o estágio de desenvolvimento de cada país, inclusive das potências econômicas (as petroleiras, por exemplo). São nações com poder de influência suficiente para arrancar resoluções de organismos internacionais capazes de validar argumentos (não importa quão cínicos sejam) que permitam intervir onde exijam seus interesses vitais.

Não tenhamos dúvida de que a água figura no alto da agenda dos interesses vitais com potencial de produzir grandes atritos neste século. 


Li essa pérola de Delfim inicialmente na Carta, mas como não a encontrei no site da revista busquei-a em outro site.
Novamente Delfim expõe claramente os objetivos camuflados da turma dos Direitos Humanos, e, interesses que mobilizam certas ONG's.
Como dizem as lendas sobre vampiros, eles só entram quando convidados. Nesse caso após as subserviências que atendem os interesses de poucos nos casos de Battisti e do Bolsa Ditadura, a OEA foi convidada para participar e intervir nos assuntos internos do país. Bem, agora quando estamos nessa situação ridícula em relação às hidrelétricas (que precisamos urgentemente) a OEA, entre outros sentem-se no direito de intervir nos assuntos internos do país.
E como também já disse antes, esses organismos internacionais são políticos e como tal atendem a interesses de quem tem ,e detém o poder. No caso o Brasil apesar de ser um país que está cada vez mais se inserindo como porta-voz de questões internacionais, ainda não pode ser considerado uma potência que determine a direção das decisões políticas a serem tomadas por tais organismos.
O que me deixou extremamente feliz nesse caso foi a possibilidade que Delfim me deu de linkar um conteúdo recentemente trabalhado em sala (geopolítica da água) com um artigo recente e bem estruturado falando do mesmo assunto.