"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sábado, abril 09, 2011

Comunicado do Ipea analisa as relações Brasil-China

Instituto Humanitas Unisinos - 9/04/2011

A China já é o maior importador dos produtos brasileiros desde 2009 quando deslocou os Estados Unidos, absorvendo 15,2% do total exportado pelo Brasil. As relações comerciais Brasil-China, entre 2000 e 2010, tiveram crescimento superior à elevação do comércio entre o Brasil e o mundo. Entre 2000 e 2010, as exportações brasileiras para a China elevaram-se de US$ 1,1 bilhão – 2% do total das exportações do Brasil – para US$ 30,8 bilhões – 15% do total, ao passo que as importações brasileiras da China cresceram de US$ 1,2 bilhão – 2% do total – para U$ 25,6 bilhões – 14% do total. Ao longo desse período, o saldo foi positivo para o Brasil em seis anos.
A análise é do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada – Ipea em comunicado que precede visita da presidenta Dilma Rousseff ao país asiático em seu portal, 08-04-2011.
O dado está no Comunicado do Ipea n° 85 As relações bilaterais Brasil-China: a ascensão da China no sistema mundial e os desafios para o Brasil, divulgado nesta sexta-feira, dia 08, na sede do Instituto, em Brasília. O documento inédito foi produzido no âmbito do acordo de cooperação entre o Ipea e o Ministério das Relações Exteriores, por ocasião da visita da presidenta Dilma Rousseff à China, em 12 de abril.
O texto destaca a concentração das exportações brasileiras em produtos básicos, e aponta que, apesar do Brasil estar em superávit em sua balança comercial com a China, sendo um importante fornecedor de alimentos, petróleo e matérias-primas, corre o risco de estagnar a médio e longo prazo como grande exportador de commodities. “As commodities são uma oportunidade e aumentar sua exportação não é ruim, mas não podemos deixar que nossa estrutura industrial seja deslocada para esse processo”, explicou o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea Eduardo Costa Pinto.
E acrescentou que o Brasil deveria usar o investimento chinês para potencializar a infraestrutura e agregar valor à produção no território nacional para os segmentos do agronegócio, do minério e aço e do petróleo. Para a manufatura (automóveis, eletroeletrônica, motocicletas e equipamentos) faz-se necessário requerer um maior conteúdo local (firmas brasileiras) na produção de peças e componentes.
Segundo o estudo, o investimento direto estrangeiro chinês pode significar o aporte de capital e tecnologia nos segmentos de infraestrutura – ajudando na viabilização dos grandes projetos de infraestrutura economia e social do Programa de Aceleração do Crescimento, da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 – de siderurgia, da cadeia do petróleo e de minério, auxiliando na expansão produtiva desses segmentos.
É preciso também ampliar a presença das empresas brasileiras no território chinês. Os desafios, no entanto, estão em diminuir as assimetrias nas políticas de atração de investimento direto desses países, refletidas em seus quadros regulatórios.
A série de Comunicados terá, ainda, um estudo sobre as relações bilaterais de comércio e investimento do Brasil com os outros países dos BRICS (Rússia, Índia e África do Sul). Na quarta-feira, dia 6, foi apresentada em Brasília a primeira pesquisa da série, intitulada Internacionalização das empresas chinesas: as prioridades do investimento direto chinês no mundo (disponível pelo Portal Ipea – www.ipea.gov.br). A cúpula dos BRICS será realizada em 14 de abril, na cidade chinesa de Sanya.

''A sociedade mediatizada não é uma sociedade feliz''. Entrevista especial com Ciro Marcondes Filho

Instituto Humanitas Unisinos - 9/4/2011
 



Um imperativo irreal e cruel diz às pessoas que elas devem estar constantemente “disponíveis” através das novas tecnologias, caso contrário estão mortas, ou se tornaram jurássicas. Essa sociedade mediatizada está longe de ser feliz, alfineta o jornalista Ciro Marcondes Filho na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line. “A vida na web depende da submissão do usuário à ditadura da conexão permanente; o sofrimento e a depressão de cada um se constroem pela pouca quantidade de visitas à sua página no Facebook”.
A respeito dos jornalistas frente a esse quadro de verdadeiro desespero por conexão e atualidade ininterruptas, provoca: “Quando os homens se submetem à máquina, eles desaparecem nela, ela os devora. Quando eles se colocam numa distância crítica, têm chance de ver além do horizonte técnico e reagir a ele, sobrevivendo”.
Ciro Marcondes analisa, ainda, os desafios da profissão de jornalista em nossos dias: “estamos diante de um novo jornalismo, mas não diante de uma nova comunicação”, e completa: “o jornalista não tem escolha: ou se transforma ou morre. Uma sociedade pode sobreviver sem jornalistas, mas isso será trágico. Será uma sociedade de shopping centers globais, onde só serão aceitas regras pasteurizadas e ascéticas de convivência, onde a vida será mantida artificialmente, onde qualquer reação mais humana será perseguida por ser perigosamente subversiva”.
Jornalista e sociólogo graduado pela Universidade de São Paulo – USP, Circo Marcondes Filho é mestre em Ciência Política e doutor em Sociologia da Comunicação pela mesma instituição com a tese Comunicação, ideologia e dominação. Fez o pós-doutorado na Universidade Stendhal, de Grenoble, e é livre docente pela USP. Professor e pesquisa da Escola de Comunicação e Artes – ECA da USP, é autor de dezenas de obras, das quais destacamos: O conceito de comunicação e a epistemologia metapórica. Nova Teoria da Comunicação, Vol. III, Tomo 5 (São Paulo: Paulus, 2010), A comunicação para os antigos, a fenomenologia e o bergsonismo. Nova Teoria da Comunicação, vol. III, Tomo 1 (São Paulo: Paulus, 2010) e Ser jornalista - A língua como barbárie e a notícia como mercadoria (São Paulo: Paulus, 2009).
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Em que aspectos a comunicação não é uma ciência aplicada?
Ciro Marcondes Filho - A princípio, usar a expressão “comunicação como ciência aplicada” significa o mesmo que dizer que comunicação não é nenhuma prática científica, nenhum saber específico, nenhum campo próprio de investigação mas algo menor, assessório, complementar, espécie de “espaço de aplicação” de outros saberes, esses sim, sólidos, constituídos e reconhecidos, como seria, por exemplo, o caso da Sociologia, da Psicologia, da Antropologia, etc. Comunicação efetivamente não é isso, não é aplicação de nada; é produção de um conhecimento próprio, específico, único. Já é hora de as instituições de fomento e apoio às pesquisas reformularem suas classificações e situar a Comunicação no conjunto de saberes reconhecidos e validados pela comunidade científica.
IHU On-Line - Quais seriam as bases para a reivindicação de maioridade desse saber?
Ciro Marcondes Filho - A Comunicação tem condições de propor as bases para sua consolidação, em primeiro lugar, pelo fato de estar concentrando suas preocupações na definição de seu objeto próprio, a comunicação, que não é trabalhado por nenhuma das demais ciências humanas e, em segundo lugar, por propor uma forma específica de investigá-lo, derivada dessa mesma definição de objeto. As perguntas que esta área do conhecimento se faz são “O que é comunicar?”, “O que se entende intrinsecamente por ‘comunicação’?”, “Qual é a natureza deste processo?” Desta maneira, a comunicação disporia de um núcleo epistêmico específico e exclusivo, que seria o dos estudos dos processos e do acontecimento comunicacional.
A forma de estudá-la não é por meio dos atuais métodos de pesquisa, pois estes derivam de outros contextos de conhecimento, são produtos de outras visões de mundo, outras filosofias, de outro lastro histórico. Em última análise, eles estão subordinados a um modo de proceder de engessa a pesquisa comunicacional, cujo objeto é, por natureza, movente, oscilante, instantâneo e subordinado a condições e situações que só se dão uma única vez.
A ciência da comunicação propõe ao campo do saber uma forma própria de realização de suas investigações partindo de uma história epistemológica diferenciada, de origens filosóficas próprias e de uma base que vem desde a Antiguidade clássica, passando pelo pensamento ocidental moderno, chegando até as colaborações da fenomenologia, do construtivismo, e da filosofia existencial. Comunicação é um saber que nasce da Filosofia. Seu modo de realização inspira-se na apreensão estética e sua prática teórica é tributária da literatura.
IHU On-Line - Quais são os grandes desafios da comunicação para os próximos anos em face do avanço tecnológico e da midiatização?
Ciro Marcondes Filho - A área de comunicação é o setor do conhecimento mais próximo das questões relacionadas ao uso das tecnologias online para produção e emissão de sinais, dados e conteúdos. Cada vez mais as sociedades estarão engajadas neste complexo sistema tecnológico e cada vez mais os relacionamentos humanos, os contatos, as trocas de toda natureza passarão pela mediação técnica. Somente a ciência da comunicação tem condições de poder aprofundar a investigação de seus processos e resultados. Esse, seu maior desafio, a coloca como área do saber prioritária para essas investigações.
IHU On-Line - Que tipo de jornalista se configura e faz necessário a partir desse cenário?
Ciro Marcondes Filho - A prática jornalística tem sofrido forte influência da mudança tecnológica e tem se visto diante de desafios que ultrapassam as grandes questões políticas do passado, as dificuldades econômicas da origem do jornalismo, a periculosidade excepcional dos correspondentes de guerra de todos os tempos. Trata-se hoje, muito mais do que tudo isso, do próprio perfil da profissão que se vê diante de um sistema que produz, ele mesmo, continuamente fatos e novidades, revela notícias retumbantes e se atualiza mais rapidamente do que a própria imprensa. Não bastasse isso, mesmo a comunidade de usuários, formada por centenas de milhões de pessoas, tornou-se, ela também, “colaboradora” na produção de fatos e factoides jornalísticos. Visto dessa maneira, a prática jornalística se vê hoje inundada por essa verdadeira enxurrada informacional que lhe impõe uma séria e radical revisão de sua atuação e de sua importância para não submergir totalmente a essa situação.
IHU On-Line - Existe uma crítica ao excessivo tecnicismo dos cursos de jornalismo,por terem certa carência nas áreas humanas. Esse cenário será agravado com o constante incremento de tecnologias e suas demandas na rotina da profissão?
Ciro Marcondes Filho - Os cursos de jornalismo demonstram no Brasil duas tendências muito claras. De um lado estão aqueles que pretendem reduzi-lo a uma função meramente técnica e convencional de produção de notícias, a um papel secundário na ordem da política, da economia, da cultura e da sociedade. É o setor mais retrógrado do ensino de jornalismo. Os professores não vêm da academia, são antes ex-jornalistas pouco familiarizados com a prática científica, cujo trabalho é apenas repassar uma experiência profissional repetitiva e desgastada ou, então, são acadêmicos teoricamente mais frágeis, que buscam compensar sua inconsistência intelectual através da defesa de guetos autoenclausurados mas politicamente ativos. É o mesmo setor que pretende separar o ensino de jornalismo dos cursos de comunicação e aspira reduzir o jornalismo a uma formação profissionalizante comum, banal.
Do outro lado estão os cursos sintonizados com a necessidade de formação teórica e intelectual do profissional de imprensa para capacitá-lo aos desafios contemporâneos, principalmente diante da velocidade das mudanças da sociedade atual. Os jornalistas formados por faculdades do primeiro tipo serão fatalmente jornalistas triviais, o proletariado da redação, mal pagos e desvalorizados, exatamente porque, formados segundo princípios somente técnicos, não dispõem de capital cultural e intelectual para fazer valer sua posição no mercado. Aqueles que são formados por faculdades do segundo tipo são os únicos que poderão aspirar postos de importância na imprensa brasileira, visto que estarão à altura dos desafios que não são apenas técnicos, mas que exigem uma inserção social mais crítica e com efeitos mais duradouros.
Cursos tecnicistas
Naturalmente, o conflito entre esses dois estilos de formação ficará mais agravado com a tendência da tecnologia em rotinizar a profissão e destituir o jornalista de sua diferença em relação a outros profissionais mediáticos. Os cursos tecnicistas estarão, por isso, cada vez menos capacitados a enfrentar o desafio tecnológico por serem antiquados e comandados por professores muito aquém das altas exigências da tecnologia. Para estar em fase com o desenvolvimento da informatização e da sucessão de transformações, o profissional precisaria estar intelectualmente capacitado a uma visão a distância do processo, a um horizonte que transcenda o reducionismo da tecnologia. Quando os homens se submetem à máquina, eles desaparecem nela, ela os devora. Quando eles se colocam numa distância crítica, têm chance de ver além do horizonte técnico e reagir a ele, sobrevivendo.
IHU On-Line - Já se pode falar em outro jornalismo e em outra comunicação? Por quê?
Ciro Marcondes Filho - Sim, estamos diante de um novo jornalismo mas não diante de uma nova comunicação. O novo jornalismo opera de modo online, considera todas as movimentações que aparecem na tela, sejam elas de blogs, twitters, facebooks, em suma, tudo que desponta como tema especial dentro da enxurrada de acontecimentos banais e triviais que preenchem todos os dias as telas dos computadores. A fonte tornou-se menos exclusiva, a velocidade passou a ser maior, a checagem e a avaliação dos efeitos tornaram-se mais irresponsáveis, há mais perigos no ar. Os boatos, que demoravam algum tempo para se diluir, mas que ainda poderiam ser corrigidos, têm, na atualidade, a plena realização de seu percurso noticioso e circulam agora plenamente como verdade, expondo pessoas diariamente na imprensa. O Twitter veio para dinamizar ainda mais esse processo e sua periculosidade e diante dele, todos são caluniadores em potencial. Os riscos para o cidadão comum, assim como para o político, cresceram exponencialmente.
Todas as tendências conhecidas da história do jornalismo (sua origem na esfera pública burguesa do século XIX, sua transformação em imprensa de massa, a crise diante dos regimes totalitários) foram deixadas para trás diante da revolução da informática, ocorrida a partir das últimas décadas do século XX. Tudo isso, de alguma forma, já foi tratado no meu A saga dos cães perdidos. Mas, já nesse livro, que é do ano 2000, eu anunciava que o profissional de imprensa estava mais ou menos perdido diante da imensa transformação que estava por vir. Colocado diante dela, o jornalista não tem escolha: ou se transforma ou morre. Uma sociedade pode sobreviver sem jornalistas, mas isso será trágico. Será uma sociedade de shopping centers globais, onde só serão aceitas regras pasteurizadas e ascéticas de convivência, onde a vida será mantida artificialmente, onde qualquer reação mais humana será perseguida por ser perigosamente subversiva. Algo no estilo do Fahrenheit 451 (Truffaut, 1966): o campo de concentração total, perfumado e estilizado.
IHU On-Line - De forma geral, o que podemos entender por midiatização? O que caracteriza essa nova “ambiência” em que as novas tecnologias se tornam meios de comunicação também?
Ciro Marcondes Filho - Prefiro utilizar o termo mediatização, visto que “midiatização” é uma excrescência linguística, que deve ser evitada, como, aliás, tudo ligado ao termo mídia. As tecnologias não são apenas máquinas, aparelhos, redes e sistemas internacionais de comunicação. Isso ainda está no plano dos hardwares. As tecnologias constituem mundos, criam universos paralelos, ambientes de contato, convívio, relacionamento. Não me parece que eles “comunicam”, pelo menos no sentido que me parece correto, pois, comunicação é, antes de tudo, quebra de normas, desafio, trepidação das ideias, saída dos lugares-comuns, abandono do convencional e transformação, mudança, alteração da pessoa ou do conjunto social que a recebe. Assim, as tecnologias são ambientes, contextos de operação, complexos de situação. Não é, no entanto, por isso que elas não comunicam. Comunicam, isso sim, pelo fato de não trazerem em si o componente da alteridade, daquilo que está imbuído de vida, tanto nos contatos humanos quanto nos contatos de pessoas com produtos culturais (filmes, livros, peças, instalações, etc.).
IHU On-Line - Em que medida podemos entender a midiatização como fruto da sociedade da informação?
Ciro Marcondes Filho - Ela não é fruto da sociedade da informação; ela é resultado da sobreposição de mundos. O mundo da informatização, surgido do desenvolvimento da cibernética durante a Segunda Guerra Mundial, instalou-se no quadro da civilização ocidental como um novo mundo. A chamada “sociedade da informação” tem sua origem, talvez, num quadro mais remoto, no início do século XX, quando toda a cultura e o pensamento do Ocidente promoveram a grande virada cultural, que foi a criação de uma segunda realidade, a realidade medial, com a introdução do rádio, do cinema de massas, da imprensa de tiragens milionárias, da indústria publicitária, depois, com a televisão. A sociedade se torna da comunicação e da informação no momento em que todos os sistemas técnicos voltam-se à difusão em larga escala, padronizando notícias, acontecimentos, fatos sociais, criando aquilo que McLuhan, nos anos 1960, havia denominado de aldeia global.
IHU On-Line - O que marca a transformação da “sociedade dos meios” para a “sociedade midiatizada”?
Ciro Marcondes Filho - Essas são definições polêmicas e jogam com usos linguísticos equivocados. A sociedade dos meios, dos meios de comunicação “de massa” (como os vistos acima: imprensa em alta escala, cinema como produção do glamour, emissão de televisão que conecta todo um continente no mesmo horário e no mesmo programa), é um quadro do século XX, uma sociedade que opera ainda com o analógico, com a materialidade, com a geografia, com as diferenças históricas; trata-se de uma explosão de sinais e informações que abala o planeta pela penetração, pela força, pela capacidade de agregação em torno dos veículos, por uma certa possibilidade de manipulação e controle. Trata-se da chamada indústria cultural, conceito que ainda não perdeu sua validade teórica e que foi inicialmente descrito por Walter Benjamin e que se tornou a categoria fundante da sociedade dos meios (Mediengesellschaft, para os alemães) e que ganhou estatuto científico com Adorno e Horkheimer, na sua Dialética do esclarecimento. Já a nova sociedade das tecnologias informáticas, caracterizada equivocadamente como “sociedade mediatizada”, visto que este termo é idêntico ao anterior, é este “mundo novo” que se sobrepôs ao antigo mundo. Nada aqui é fixo, permanente, não há memória, tudo sendo digital se desfaz em seguida, a velocidade é alta e há a construção de mundos para onde pessoas podem se transportar virtualmente, entrar em contato, construir casas, etc. (Convém destacar que essa confusão conceitual “sociedade dos meios” e “sociedade mediatizada” – que são terminologicamente a mesma coisa - é resultado de nossa indigência cultural e intelectual, pois, em vez de traduzirmos corretamente o termo “media”, da língua anglo-saxônica, por “media”, como o fizeram os franceses, espanhóis, italianos e portugueses, criamos essa figura bizarra e infeliz do termo “mídia”, que nada significa, a não ser o testemunho de um pensamento canhestro e subdesenvolvido.) Prefiro opor a sociedade dos meios (de comunicação de massa), a mass media society ou civilization à sociedade virtual, sociedade tecnológica.
IHU On-Line - Como a midiatização e a tecnocultura impactam no modelo de leitura usado nos últimos séculos?
Ciro Marcondes Filho - A leitura não perdeu espaço com as tecnologias. Ao contrário, diante da tela do computador não se faz outra coisa senão escrever e ler. O que foi perdido foi o investimento na leitura extensiva, a leitura de livros, de matérias jornalísticas longas, de textos reflexivos. A internet opera preferencialmente com a escrita, a escrita curta e imediata. Ela é, nesse sentido, sensualista, das primeiras reações, das primeiras emoções, da percepção instantânea, dos flashes. Isso poderia ser válido para usos na pesquisa fenomenológica. Porém, não é assim que ocorre. A velocidade de escrita e de leitura está relacionada à agitação mais ou menos alucinada da vida cotidiana, estimulada pelas tecnologias comunicacionais. Elas permitem uma quantidade fabulosa de acessos, contatos, dados, que fazem o usuário ser acometido de uma certa obsessão de tudo dominar, de tudo ler, de tudo possuir, o que torna sua vida ainda mais dramática. A sociedade mediatizada não é uma sociedade feliz; ao contrário, é uma sociedade da compulsão, da cobrança invisível, dos apelos permanentes de estar conectado, pois, caso contrário, a pessoa estará “morta”. A vida na web depende da submissão do usuário à ditadura da conexão permanente; o sofrimento e a depressão de cada um se constrói pela pouca quantidade de visitas à sua página no Facebook. A esperança que nos dá o admirável mundo novo é o fato de que ainda podemos sair dele.

Você já viu uma foto do novo registro civil, instituído pela Lei 12.058, de 2009?

recebido por e-mail - 08 abr 2011
 
Dê uma olhada no modelo abaixo.

http://4.bp.blogspot.com/_iQusS5k6_iQ/TSnD44p1ObI/AAAAAAAAATg/eU37W0XRD-s/s320/Nova%2BIdentidade.jpg

Veja mais de perto os dados pessoais que ficam ao lado da foto maior do documento.
http://4.bp.blogspot.com/_iQusS5k6_iQ/TSnEKK1EPOI/AAAAAAAAATo/qNN8xNOIAu8/s400/Nova%2BIdentidade%2BDetalhe.jpg

É isso mesmo que você está vendo! No registro civil único da Republica Federativa do Brasil os dados são enunciados na Língua Portuguesa e... EM INGLÊS! Leia a advertência que se encontra no novo registro civil brasileiro.
http://2.bp.blogspot.com/_iQusS5k6_iQ/TSnEmkZQ7bI/AAAAAAAAAT4/1BHO0BuIfis/s400/Nova%2BIdentidade%2BDetalhe2.jpg
Um documento nacional, com validade exclusiva no território nacional brasileiro, com enunciados em Inglês!
Lembram quando o molusco declarou que "quem falava inglês era metido a besta?"

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988:
TÍTULO I
Dos Princípios Fundamentais:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;
CAPÍTULO III

DA NACIONALIDADE
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.

sexta-feira, abril 08, 2011

Crimes económicos contra a humanidade

resistir info - 08 abr 2011

por Lourdes Beneria [*] e
Carmen Sarasua [**]
De acordo com o Tribunal Penal Internacional, crime contra a humanidade é "qualquer acto que cause grave sofrimento ou atente contra a saúde mental ou física de quem o sofre, cometido como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil". Desde a Segunda Guerra Mundial que nos familiarizamos com este conceito e com a ideia de que, não importa qual foi a sua dimensão, é possível e obrigatório investigar esses crimes e fazer pagar os culpados.

Situações como as que geraram a crise económica levaram a que se comece a falar de crimes económicos contra a humanidade. O conceito não é novo. Já em 1950 o economista neoclássico e prémio Nobel Gary Becker apresentou a "teoria do crime" ao nível microeconómico. A probabilidade de que um indivíduo cometa um crime depende, para Becker, do risco assumido, do espólio potencial e da possível punição. A nível macroeconómico, o conceito foi usado em discussões sobre as políticas de ajuste estrutural promovidas pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, durante os anos oitenta e noventa, que tiveram gravíssimos custos sociais para as populações na África, América Latina, Ásia (durante a crise asiática de 1997-98) e Europa de Leste. Muitos analistas apontaram estes organismos, as políticas que patrocinaram e os economistas que as conceberam como responsáveis, especialmente o FMI, que foi muito criticado após a crise asiática.


Hoje são os países ocidentais, os que sofrem os custos sociais da crise financeira e de emprego, e dos planos de austeridade que supostamente estão contra ela. A perda dos direitos fundamentais, tais como habitação, emprego e o sofrimento de milhões de famílias que vêem em perigo a sua sobrevivência, são exemplos dos custos assustadores desta crise. Famílias que vivem na pobreza estão crescendo sem parar. Mas quem são os responsáveis? Os mercados, lemos e ouvimos todos os dias.


Num artigo publicado na
Business Week em 20 de Março de 2009 sob o título "Crimes económicos da Wall Street contra a humanidade ", Shoshana Zuboff, ex-professor da Harvard Business School, argumenta que o facto de os responsáveis pela crise negarem as consequências das suas acções demonstra "a banalidade do mal" e o "narcisismo institucionalizado" nas nossas sociedades. É uma demonstração da falta de responsabilidade e de "distanciamento emocional" dos que acumularam somas milionárias e agora negam qualquer ligação com o dano provocado. Culpar apenas o sistema não é aceitável, argumentava Zuboff, tal como não teria sido acusar dos crimes nazis apenas as ideias, e não quem os cometeu.

QUEM SÃO "OS MERCADOS"?


Culpar o mercado é realmente permanecer na superfície do problema. Há responsáveis e são pessoas e instituições concretas: são aqueles que defenderam a liberalização selvagem dos mercados financeiros; são os executivos e empresas que beneficiaram com os excessos do mercado durante o "boom" financeiro; os que permitiram as suas práticas e os que lhes permitem agora poderem ficar livres e fortalecidos, com mais dinheiro público, a troco de nada. Empresas como a Lehman Brothers e Goldman Sachs, que permitiram a proliferação de créditos lixo, auditoras que supostamente garantiam as contas das empresas, e gente como Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal norte-americana durante os governos Clinton e Bush, opositor radical da regulação dos mercados financeiros.


A Comissão do Congresso dos EUA sobre as origens da crise tem sido esclarecedora a tal respeito. Criada pelo presidente Obama em 2009 para investigar as acções ilegais ou criminosas da indústria financeira, entrevistou mais de 700 especialistas. O seu relatório, divulgado em Janeiro passado, concluiu que a crise poderia ter sido evitada. Assinala falhas no sistema de regulação e supervisão financeira do governo e das empresas, nas práticas contabilísticas e de auditoria e na transparência nos negócios. A Comissão investigou o papel directo de alguns gigantes da Wall Street no desastre financeiro, por exemplo, no mercado de subprimes, e o das agências responsáveis pela classificação de títulos. É importante compreender os diferentes graus de responsabilidade de cada actor deste drama, mas não é admissível o sentimento de impunidade sem "responsáveis".


Quanto às vítimas de crimes económicos, em Espanha 20% do desemprego desde há mais de dois anos significa um enorme custo humano e económico. Milhares de famílias sofrem as consequências de terem acreditado que os salários pagariam hipotecas milionárias: 90 mil execuções hipotecárias em 2009 e 180 mil em 2010. Nos EUA, a taxa de desemprego é metade da espanhola, mas corresponde a cerca de 26 milhões de desempregados, o que significa um tremendo aumento da pobreza num dos países mais ricos do mundo. De acordo com a Comissão sobre Crise Financeira, mais de quatro milhões de famílias perderam as suas casas, e 4,5 milhões estão em processo de despejo. Onze mil milhões de dólares de "riqueza familiar" "desapareceram" quando os seus bens, como casas, pensões e poupanças perderam valor. Outra consequência da crise é o seu efeito sobre os preços de alimentos e outros produtos básicos, sectores para onde os especuladores estão desviando o seu capital. O resultado é a inflação dos seus preços e a pobreza a aumentar ainda mais.


Em alguns casos notórios de fraude, como a de Madoff, o autor está preso e a acusação contra ele mantém-se porque as suas vítimas têm poder económico. Mas, em geral, os que provocaram a crise não só tiveram um lucro fabuloso, como não temem a punição. Ninguém investiga as suas responsabilidades nem as suas decisões. Os governos protegem-nos e o aparelho judiciário não os persegue.


O EXEMPLO DA ISLÂNDIA


Se tivéssemos noções claras do que é um crime económico e se houvesse mecanismos para os investigar e processar poderiam ter sido evitados muitos dos problemas actuais. Não é utopia. A Islândia oferece um exemplo interessante. Em vez de socorrer os banqueiros que arruinaram o país em 2008, os promotores abriram um inquérito criminal contra os responsáveis. Em 2009, todo o governo teve que se demitir e o pagamento da dívida da banca foi bloqueado. A Islândia não socializou os prejuízos como estão fazendo muitos países, incluindo Espanha, mas aceitou que os responsáveis fossem punidos e os seus bancos falissem.


Da mesma forma como foram criadas instituições e procedimentos para julgar os crimes políticos contra a humanidade, é hora de fazer o mesmo com os económicos. Este é um bom momento, dada a sua existência difícil de refutar. É urgente que a noção de "crime económico" seja incorporada ao discurso da cidadania e se compreenda a sua importância para a construção da democracia política e económica. Pelo menos vamos ver a necessidade de regular os mercados, para que, como diz Polanyi, estejam ao serviço da sociedade, e não vice-versa.

29/Março/2011
[*] Professora de Economia na Universidade Cornell.
[**] Professora de História Económica na Universidade Autónoma de Barcelona.

O original encontra-se em www.elpais.com/... . Tradução de Guilherme Coelho 


E aqui no Brasil fez-se a mesma, ainda bem que foi só uma marolinha, mas, os bancos e transnacionais tiveram lucros recordes. Essas útlimas até mandaram muito dinheiro para o exterior com o intuito de salvar suas matrizes que estavam indo à bancarrota.

Barcelona vota sobre independência da Catalunha

diario de noticias (Portugal) - 08 abr 2011 - 14:45

por LusaHoje
Os habitantes de Barcelona (nordeste de Espanha) são chamados a votar no domingo num referendo sobre a independência da Catalunha, promovido pela sociedade civil catalã.
A consulta é promovida pela organização "Barcelona Decideix" (Barcelona Decide), que convidou 1,4 milhões de cidadãos a participar.
Esta consulta, sem valor vinculativo, vai fechar um ciclo de quatro referendos locais que começou a 3 de Setembro de 2009 em Arenys de Munt (Barcelona).
Estes referendos já decorreram em 532 cidades da Catalunha. Mais de 600 mil cidadãos votaram até agora, respondendo "sim" ou "não" à pergunta: "Concorda que a Catalunha se deva tornar num país soberano, democrático, membro da União Europeia?".
De acordo com a "Barcelona Decideix", os resultados têm sido favoráveis à independência da Catalunha, com mais de 90 por cento de apoio.
Todos os residentes estão autorizados a votar, incluindo os imigrantes e jovens a partir dos 16 anos.

quinta-feira, abril 07, 2011

A Água Que Você Bebe

Site do Azenha

WikiLeaks: O plano de Washington para constranger o governo brasileiro usando a mídia

Site do Azenha - 3 de abril de 2011 às 17:19


Tradução do Coletivo da Vila Vudu
WikiLeaks
Viewing cable 09BRASILIA1435 –
Excerto do item CONFIDENCIAL do telegrama 09BRASILIA1435
A íntegra do telegrama não está disponível.
Tradução de trabalho, não oficial, para finalidades didáticas.

ASSUNTO:
Estratégia para Engajar o Brasil na “Difamação de Religiões”[1]
1. (C) RESUMO: A posição do Brasil na questão da “difamação de religiões” na comissão de Direitos Humanos da ONU reflete a conciliação entre as objeções do país à ideia (objeções baseadas num conceito do que sejam Direitos Humanos) e o desejo de não antagonizar os países da Organisation of the Islamic Conference (OIC) com os quais tenta construir relações e que o Brasil vê como importante conjunto de votos a favor de o Brasil conseguir assento permanente no CSONU. À luz da argumentação a favor da abstenção do Brasil, proponho abordagem de quatro braços, envolvendo aproximação com os altos escalões do Ministério de Relações Exteriores; uma visita a Brasília, para pesquisar meios de trabalhar com o governo do Brasil, nessa e noutras questões de direitos humanos; outros governos que possam conversar com o governo do Brasil; e uma campanha mais intensa pela mídia e mobilizando comunidades religiosas a favor de não se punir quem difame religiões . FIM DO RESUMO.
Contexto: “Quando Direitos Humanos e ambição de chegar ao Conselho de Segurança entram em choque”.
2. (SBU) Essa embaixada levantou várias vezes a questão dos votos do Brasil no Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores. A última vez foi com a chefe do Departamento Ministra Glaucia Gauch. O Brasil nunca discordou de um único argumento dos que apresentamos em outros encontros.
A resposta sempre foi a mesma: o conceito de difamar religiões é repugnante. Repugna aos valores e princípios do Brasil e é inconsistente com a legislação brasileira e a legislação internacional. Por isso o Brasil não pode aprovar e não votará a favor de resolução que proíbe que se puna quem difama religiões. O Brasil abstém-se de votar.
3. (C) Perguntada sobre por que o Brasil não vota contra a resolução, dado que a considera absolutamente inadmissível, Gauch respondeu que o país entende que a abstenção é suficiente. Na opinião do Governo do Brasil, o país assume posição baseada em princípios, mas também prática, porque não interessa ao país ofender os países da Organização da Comunidade Islâmica, sobretudo os mais poderosos como Iran, Egito, Turquia e Arábia Saudita, países com os quais o Brasil tenta aprofundar relações.
É opinião dessa embaixada que o que mais interessa à política externa do Brasil é conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Como resultado, o Governo do Brasil prefere não antagonizar países e grupos de países cujos votos podem ser valiosos numa futura eleição.
Abordagem de quatro braços

4. (SBU) À luz dessa realidade complicada, proponho abordagem de quatro braços no caso do Brasil, sobre essa questão. Antes de qualquer das etapas e movimentos, deve-se declarar o compromisso dos EUA com o diálogo e a cooperação, e nosso empenhado esforço para manter o Brasil como um líder e um parceiro nessa questão.
Encontros de alto nível: Ao abordar os mais altos níveis do Ministério de Relações Exteriores, é essencial persuadir o Brasil a mudar seu voto e a trabalhar conosco a favor da “Difamação de Religiões”, até chegarmos a uma solução de conciliação. Telefonema da Secretária de Estado dos EUA ao Ministro Amorim das Relações Exteriores, logo depois da recente carta enviada por ela, demonstraria a importância que os EUA damos a essa questão. Também se deve abordar o vice secretário-geral do MRE ministro Antonio Patriota; e o subsecretário Burns deve abordar a subsecretária para assuntos políticos, embaixadora Vera Machado (que supervisiona questões de direitos humanos e política das organizações internacionais), o que muito ajudaria a aumentar a importância do tema na cabeça dos brasileiros (sic).
Só as abordagens nos níveis inferiores dificilmente conseguirão modificar a abordagem “em cima do muro” [orig. Brazilbs hands-off approach] dos brasileiros sobre o assunto.
Um Diálogo sobre Direitos Humanos: Uma visita dedicada exclusivamente a essa questão, seria, na minha opinião, de pouco efeito, porque o Brasil aceita as premissas de nossa objeção. Ao mesmo tempo, uma discussão mais detalhada dos nossos pontos de vista e de nosso plano de ação, com níveis operacionais e político do MRE seria valiosa.
A abordagem mais efetiva (e, no longo prazo, mais valiosa para os interesses mais amplos do Governo dos EUA) poderia incluir a questão atual na pauta de um novo diálogo regular sobre direitos humanos, ideia que o próprio MRE (pelo emb. Patriota) propôs recentemente. O contexto mais amplo de um esforço para trocar ideias e para encontrar vias pra trabalharmos mais próximos do Governo do Brasil no campo dos direitos humanos nas organizações internacionais (tratando também, talvez, de outras das preocupações dos países chaves, incluindo o Irã e a Coreia do Norte, questões sobre as quais o Brasil sempre se abstém) criariam um fórum ideal para discussões e para conseguir que o governo do Brasil apóie o plano de ação proposto pelos EUA. Essa abordagem ampla seria atraente para os brasileiros, interessados em construir parcerias com os EUA, que ajudarão a validar o desejo de que o Brasil passe a ser visto como líder internacional. Essa abordagem seria mais bem recebida que abordagem focada, dirigida só à questão da difamação de religiões.
Abordagem por outros países: Desde que chegou ao cenário internacional, o atual governo do Brasil tem tido grande cuidado para não alinhar suas políticas às políticas dos EUA. O Brasil tem em alta conta o que considera como sua posição “de ponte” entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos, por causa de sua disposição de falar com todos os países. Minha opinião é que essa posição tende a limitar o peso das opiniões dos EUA dentro do Governo do Brasil. Porque o Brasil vê-se ele mesmo como se fosse líder no bloco dos países latinoamericanos, esses países pouco conseguirão influenciar as ideias do governo do Brasil. O mais provável é que ouçam outros países que consideram ‘independentes’ [aspas no orig.] dos EUA, como África do Sul, Rússia, China, Índia e França.
Ganhar o apoio para nossa posição de alguns membros da Organização da Conferência Islâmica, especialmente do Egito, Turquia e outros ‘independentes’[aspas no orig.] influentes seria muito importante para que consigamos influenciar o voto do Brasil a favor da difamação das religiões. Em geral, abordagens feitas por qualquer outro país que apóie ação proposta pelos EUA servem como prova da natureza colaborativa de nossos esforços e podem ser úteis.
Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país.
Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apóiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços.
Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE
[1] Há matéria da Reuters sobre o assunto, de seis meses antes desse telegrama, em http://www.reuters.com/article/2009/03/26/us-religion-defamation-idUSTRE52P60220090326, em que se lê: “Um fórum da ONU aprovou ontem resolução que condena a “difamação de religiões” como violação de direitos humanos, apesar das muitas preocupações de que a condenação possa ajudar a defesa da livre expressão em países muçulmanos (sic)” [NTs].
PS do Viomundo: Na época em que foi feito esse comunicado, a Organização das Nações Unidas (ONU) estava para votar uma resolução condenando a “difamação de religião”. Os EUA eram contra. Defendiam que não deveria ser considerado crime difamar religiões e queriam mudar o voto do Brasil, que era pela abstenção. No dia 26 de março de 2009, a ONU aprovou a resolução condenando a “difamação da religião”, como uma violação dos direitos humanos.  Desde 1999, essa questão vai e volta à pauta da Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Leia aqui a entrevista de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, aos internautas brasileiros.
Veja aqui Julian Assange explicando o WikiLeaks.

Rio: atirador em escola deixou carta 'fundamentalista', diz PM

terra - 07 de abril de 2011 11h09 atualizado às 13h24

O criminoso foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira. Foto: Reprodução MB/Futura Press O criminoso foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira
Foto: Reprodução MB/Futura Press

O comandante do 14º Batalhão (Bangu), coronel Djalma Beltrame, afirmou que o atirador responsável por um ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, deixou uma carta de teor fundamentalista.
De acordo com Beltrame, a carta continha frases desconexas e incompreensíveis. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, também menciona o islamismo e práticas terroristas.
Atentado
Um homem matou 11 crianças a tiros após invadir uma sala de aula da Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da escola e se suicidou logo após o atentado, que deixou 11 crianças mortas e 18 feridas. Testemunhas relataram que o homem portava mais de uma arma.
Wellington entrou na instituição disfarçado de palestrante, e as razões para o ataque ainda não são conhecidas. O comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar, coronel Djalma Beltrame, afirmou que o atirador deixou uma carta de "teor fundamentalista", com frases desconexas e incompreensíveis e menções ao islamismo e a práticas terroristas. Os feridos foram levados para os hospitais estaduais Albert Schweitzer (que recebeu a maior parte das vítimas) e Adão Pereira Nunes, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e o Hospital da Polícia Militar.

Só faltava essa o Brasil começar a copiar esse tipo de coisa tão comum na sociedade estadunidense. Será que estamos ficando tão doentes e psicóticos quanto eles? 
Mais. Um amigo que participa de um programa de rádio aqui em Porto Alegre, disse-me que em um programa (creio que de ontém) iria falar com Tarso Genro exatamente sobre a falta de segurança nas escolas. Que não entendia ouvir de um professor e de alunos, que há a sensação de insegurança nas escolas do Estado.  Queria saber o que impede a criação um grupamento especial da polícia militar e civil (nos moldes da delegacia da infãncia ou da mulher) que trabalhe com a problemática escolar.
E aí eu pergunto, será que nossas crianças e professores além de lidar com os parcos salários e recursos, tem que ter medo de ir à escola? Aonde estão os direitos humanos nesses casos? Só se perdem em discutir o Bolsa Ditadura e o Bolsonaro?
Tá mais do que na hora dessa turma realmente fazer algo de útil pela sociedade. 

domingo, abril 03, 2011

Crise ivoirienne: les événements heure par heure

Côte d'Ivoire - Article publié le : samedi 02 avril 2011 - Dernière modification le : lundi 04 avril 2011

Como não encontrei em português um resumo deste tipo, resolvi publicar esse que encontrei em francês.

Par RFI
Des partisans d'Alassane Ouattara lors de l'offensive lancée pour mettre fin au régime de Laurent Gbagbo.
Des partisans d'Alassane Ouattara lors de l'offensive lancée pour mettre fin au régime de Laurent Gbagbo.
Reuters/Emmanuel Braun

Rappel chronologique des événements en Côte d'Ivoire à partir du samedi 2 avril 2011, sixième jour de l'offensive lancée par les forces soutenant le président reconnu par la communauté internationale, Alassane Ouattara, contre le chef de l'Etat sortant, Laurent Gbagbo.
DIMANCHE 3 AVRIL 2011
23h00 TU La situation est «mûre» pour une «offensive rapide» sur Abidjan déclare Guillaume Soro, Premier ministre d'Alassane Ouattara.
22h30 TU Le chef d'état-major de l'armée ivoirienne loyale à Laurent Gbagbo, le général Philippe Mangou, a quitté la résidence de l'ambassadrice d'Afrique du Sud à Abidjan, où il s'était réfugié mercredi avec sa famille (information de source diplomatique). Il a quitté l'enceinte diplomatique pour «probablement rejoindre son camp» dit cette source.Le porte-parole de Laurent Gbagbo, Ahoua Don Mello, affirme que Philippe Mangou s'est présenté à la résidence de Laurent Gbagbo ce dimanche.
18h30 TU Le directeur de l'hôpital de Man, le plus grand de l'ouest de la Côte d'Ivoire déclare avoir accueilli dans son établissement « 46 blessés par balles » depuis le lundi 28 mars. « Mais je suis surpris qu'on me dise que l'hôpital de Man est débordé du fait de la guerre » a-t-il ajouté.

18h00 TU
Nicolas Sarkozy s’est entretenu trois fois au téléphone avec Alassane Ouattara dans la journée de dimanche.
17h50 TU Le camp d'Alassane Ouattara souhaite une « forte implication de la France » et estime que la Mission de l'ONU en Côte d'Ivoire (Onuci) « doit s'impliquer davantage », propos tenus par l'ambassadeur ivoirien à Paris, Ally Coulibaly, lors de l'émission Internationales coréalisée par RFI, TV5 et Le Monde
17h45 TU Nicolas Sarkozy décide « le regroupement sans délai de tous les ressortissants français d'Abidjan afin d'assurer leur protection ».
16h50 TU Un éventuel rapatriement des Français de Côte d'Ivoire est une « question qui se pose et qui sera réglée dans les heures qui viennent » annonce le ministre de la Défense Gérard Longuet.
14h50 TU La Mission de l'ONU en Côte d'Ivoire (Onuci) relocalise son personnel non essentiel d'Abidjan vers Bouaké, dans le centre du pays, en raison des attaques répétées contre les Casques bleus.
14h30 TU Début de la réunion sur la Côte d'Ivoire autour du président Nicolas Sarkozy après l'arrivée à l'Elysée de Gérard Longuet, ministre de la Défense, et d'Edouard Guillaud, chef d'état-major des armées.
14h20 TU Cent soixante-sept étrangers, dont des Français et des Libanais, ont quitté Abidjan pour Dakar (Sénégal), via  Lomé (Togo), a indiqué le porte-parole de la force française Licorne.
13h00 TU L'armée française a pris le contrôle de l'aéroport d'Abidjan en vue de permettre à court terme la reprise des vols commerciaux et le départ éventuel d'étrangers.
12h30 TU Le secrétaire général de l’ONU, Ban Ki-moon, demande à Alassane Ouattara de faire cesser les massacres dans l’ouest du pays.
12h00 TU La France a décidé de renforcer le dispositif de la force Licorne. Deux compagnies et un élément de commandement ont été envoyés à Abidjan à l'aide d'avions de transport militaire, soit environ 300 soldats supplémentaires sur le terrain.
12h00 TU Réinstauration du couvre-feu jusqu’à 6h00 TU lundi matin.
10h00 TU Le camp militaire français de Port-Bouet accueille désormais plus de 1 650 ressortissants étrangers, dont environ la moitié de Français, indique le porte-parole de la force Licorne, le commandant Frédéric Daguillon.
09h00 TU L'ONG Médecins sans frontières s'alarme du nombre de nouveaux blessés affluant dans les structures médicales de l'ouest de la Côte d'Ivoire, signe que les « violences continuent dans la zone » six jours après le début de l'offensive des pro-Ouattara.
08h30 TU Quelques tirs sporadiques à l'arme lourde entendus ce dimanche matin autour du palais présidentiel et dans le quartier de Cocody au cours de la nuit.
07h30 TU Hillary Clinton déclare que Laurent Gbagbo doit se retirer « immédiatement » ; son maintien conduit le pays « à l'anarchie », a-t-elle ajouté tout en exhortant les forces d'Alassane Ouattara à cesser les attaques contre les populations civiles.
SAMEDI 2 AVRIL 2011
18h45 TU Des images, apparemment tournées ce samedi, montrant Laurent Gbagbo, l'air détendu et buvant du thé ont été diffusées à la RTI, la télévision ivoirienne. Le président sortant se trouverait dans sa résidence de Cocody.
18h20 TU La RTI est toujours aux mains des partisans de Laurent Gbagbo.
18h15 TU La France, avec le président élu de Côte d'Ivoire Alassane Ouattara, « en appelle solennellement aux parties ivoiriennes pour qu'elles s'astreignent à la plus grande retenue et s'abstiennent strictement de toute violence à l'encontre des civils », selon un communiqué de l'Elysée.
16h45 TU D'intenses tirs à l'arme lourde ont retenti dans l'après-midi près du camp militaire d'Agban, dans le quartier d'Adjamé, au nord d'Abidjan.
16h40 TU Le chef de la diplomatie britannique William Hague se dit samedi « extrêmement inquiet » des violences en Côte d'Ivoire et a appelé « toutes les parties à faire preuve de retenue », alors que des combats  font rage à Abidjan.
16h15 TU Les personnes tuées par les forces d'Alassane Ouattara à Duékoué étaient « des miliciens et non pas des civils » affirme le porte-parole militaire des forces pro-Ouattara.
16h00 TU Des tirs nourris à l'arme lourde, notamment de mortiers, ont été entendus à partir de la mi-journée dans le quartier du palais présidentiel.
14h20 TU Le ministre français des Affaires étrangères, Alain Juppé, estime que Laurent Gbagbo « vit ses derniers jours de chef d’Etat », des propos tenus à Bordeaux en marge d'un débat de la Ligue internationale contre le racisme et l'antisémitisme (Licra). « Son entêtement est aujourd'hui criminel, il doit partir » a poursuivi M. Juppé.
13h50 TU Plus de cent personnes ont été tuées par les mercenaires du président sortant Laurent Gbagbo à Duékoué, à l'ouest du pays, avant la prise de la ville mardi par les forces d'Alassane Ouattara, affirme la Mission de l'ONU en Côte d'Ivoire (Onuci).
13h50 TU Trois cent trente personnes ont été tuées en début de semaine à Duékoué, « la plupart » par des éléments des forces du président reconnu par la communauté internationale Alassane Ouattara, affirme la Mission de l'ONU en Côte d'Ivoire (Onuci).
12h00 TU Début du couvre-feu instauré jusqu’à dimanche matin 6h00 TU par le gouvernement d’Alassane Ouattara.
11h30 TU Tirs nourris d'armes lourdes à Abidjan dans le quartier du palais présidentiel de Laurent Gbagbo.
10h30 TU Des militaires fidèles à Laurent Gbagbo appellent à la mobilisation des troupes pour la « protection des institutions de la République » dans un message lu sur la télévision d'Etat RTI.
10h00 TU Environ 1 400 Français et autres étrangers ont été regroupés samedi matin dans le camp militaire français de Port-Bouet (près d'Abidjan), indique l'armée française.
08H25 TU Le gouvernement d’Alassane Ouattara a affirmé samedi avoir découvert « de nombreux charniers » dans l'Ouest du pays, accusant les partisans de Laurent Gbagbo d'en être responsables.

Entenda crise na Costa do Marfim

Estadão - 31 de março de 2011 | 23h 21


O país é o maior produtor mundial de cacau
Forças leais a Alassane Ouattara começam a chegar à maior cidade da Costa do Marfim, Abidjan, onde Laurent Gbagbo permanece no poder apesar de a ONU dizer que ele perdeu as eleições do ano passado no país, o maior produtor mundial de cacau.
O que está em jogo?
Poder.
Laurent Gbagbo se recusou a deixar o cargo de presidente mesmo com a ONU, que ajudou a organizar as eleições de novembro, tendo afirmado que ele perdeu e Alassane Ouattara foi o vencedor.
Gbagbo acusou a França, país que colonizou a Costa do Marfim, de tentar usar sua influencia na ONU para tirá-lo do poder e ter vantagens econômicas, mas os argumentos não foram aceitos.
Analistas dizem que raramente viram unanimidade como a observada na comunidade internacional após as eleições. União Africana (UA), ONU e o organismo dos países da África ocidental, Ecowas, pediram pela saída de Gbagbo e impuseram sanções para forçar a transferência de poder.
A UA deu um prazo até 24 de março para a saída de Gbagbo, o que não foi respeitado.
Poucos dias depois, forças de Outtara, vindas do norte do país, entraram na cidade de Abidjan.
Qual o nível de violência das batalhas?
É difícil dizer já que a maioria ocorreu em áreas remotas, mas o rápido avanço das tropas pró-Outtara sugere que ocorreu pouca resistência
Ocorreram, no entanto, vários choques violentos e assassinatos em Abidjan nos últimos três meses.
A ONU acusou as forças de Gbagbo de atacar áreas consideradas simpatizantes de Outtara. Um grupo pró-Outtara em Abidjan é acusado de assassinar simpatizantes de Gbagbo.
A ONU diz que quase 500 pessoas foram mortas e um milhão teriam sido obrigados a deixar suas casas.
Muitos têm pouco acesso a comida ou abrigo e vêm vivendo em situação precária.
O que acontece agora?
No momento, parece que os dias de Gbagbo no poder estão contados. A dúvida é se ele tentará manter Abidjan, resultando em um grande número de mortes, ou se fugirá antes.
O Tribunal Internacional Penal analisa a possibilidade de que tenham ocorrido crimes contra a humanidade, portanto Gbagbo pode evitar fugir para algum país ocidental de onde seria extraditado, tendendo a permanecer em algum africano.
Ele sempre foi aliado próximo do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos e analistas acreditam que o país poderia ser um destino natural.
Qual o pano de fundo?
Há uma década, a Costa do marfim, era considerado um país pacífico e próspero da África ocidental.
Mas a nação sempre teve profundas divisões étnicas, religiosas e econômicas.
Sua indústria de cacao proporcionava um padrão de vida melhor do que em outros países africanos, portanto imigrantes de alguns dos países mais pobres do mundo, como Mali e Burkina Faso, foram atraídos para lá.
Alguns desses imigrantes compartilhavam laços étnicos com habitantes do norte da Costa do Marfim, incluindo o islamismo.
Muitos dos habitantes do sul, estimulados por políticos populistas, passaram a se ressentir dos estrangeiros e dos moradores do norte.
Qual foi a reação dos habitantes do norte?
Eles reclamaram de discriminação. O muçulmano Outtara foi impedido de concorrer em eleições presidenciais anteriores sob a alegação de que seus pais teriam vindo de Burkina Faso, mesmo ele tendo sido premiê no passado.
Muitos habitantes do norte tinham ainda grandes dificuldades em conseguir documentos de identidade ou o direito ao voto.
Em 2002, alguns soldados do norte do país abandonaram o Exército e marcharam rumo a Abidjan. Eles estavam prestes a tomar o país quando foram impedidos por soldados franceses e cerca de nove mil tropas de paz da ONU.
O país foi então dividido entre norte e o sul, divisão que as eleições deveriam sepultar.
Mas o pleito acentuou as divisões, embora pareça que estas devam chegar ao fim em breve. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fome e Produção de Alimentos

A edição de Carta Capital de nº 638, traz um complemento da The Economist sobre a fome mundial.
Lá temos o de sempre, estudiosos que, ou consideram o problema pelo viés da produtividade, ou, pela discussão da obesidade e questão animal. Ambos os grupos levam a discussão para o lado politico.
O grupo da produtividade (que deve ter ligação com a FAO) está preocupado com a capacidade de limitação do poder de aumento desta. O outro, que corresponde ao deserdados do Muro de Berlim, atiram para todo lado.
O cerne do problema (já que todos sabem que no mundo se produz mais do que suficiente para alimentar a todos) que recai na distribuição e não na produção não é citado por nenhum dos grupos. Ou seja, solução viável, nada.
O texto, claro muito bem escrito, repleto de estatísticas leva o desavisado a crer que a questão da produtividade é central, quando na realidade tem todo um sistema de exploração e de interesses que não é citado no artigo.
Como já disse outro dia, o sistema financeiro que não serve pra nada, ainda por cima atrapalha com seu jogo de negócios na bolsa (que é uma porcaria) a alimentar a problemática de distribuição.
Lembro que no documentário Corporation, os dois reporteres mostram o contra-senso da DEA (outra porcaria dos EUA) ter liberado o uso de um produto que notoriamente fazia mal às vacas (provocando mastite) com o objetivo de ampliar a produção de leite, quando o Governo dava subsídios para que o produtor reduzisse essa produção para evitar queda dos preços no mercado.
Vemos assim que o problema é (não o produtor) alguém na Bolsa ganhar dinheiro no mercado. E da mesma forma, os demais produtos acompanham essa situação.
Na mesma reportagem de Carta vemos a situação de que a Embrapa produziu soja capaz de crescer no sertão, em um ambiente adverso ao que naturalmente ela está adaptada. Não seria o caso, ao invés de se investir em um produto para exportação, a Embrapa (com o nível técnico que tem) se voltar para a melhoria e ampliação da produtividade de sementes que estejam na cesta básica do brasileiro?
Sei que não depende da Embrapa em si, as ordens vem de cima. Será que não era a hora da "democracia" funcionar? De cobrar dos representantes eleitos uma mudança no direcionamento de parcela desta pesquisa?
Se é importante para o país ampliar as divisas com a exportação agrícola, mais importante é aumentar os nutrientes que chegam à população.
Os bancos e demais áreas financeiras já ganharam o bastante e bateram recordes durante o governo Lula, creio que dá para repassar um pouco desse ganho das mãos de poucos para a barriga de muitos.
E isso se faz com políticas públicas e econômicas voltadas à uma ampliação da cidadania, e não com aumento de produtividade que vai gerar riqueza no mercado de capitais (principalmente para os grupos internacionais que realizam pesquisa nessa área, ou será que a Monsanto e demais fazem pesquisa filantrópica?) para poucos.