"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

terça-feira, março 29, 2011

Cercando a Rússia e a China com a mão do gato

Site do Azenha - 29 de março de 2011 às 0:44

Cercar a Rússia, visar a China: O verdadeiro papel da NATO na grande estratégia dos EUA

Diana Johnstone*, em 02.12.10, no Diario.info, sugestão do pessoal da Vila Vudu, ajustado para o brasileiro
Embora escrito antes da Cúpula da OTAN em Lisboa, este texto de Diana Johnstone mantém toda a atualidade. Depois de desmascarar os objetivos da OTAN, a autora conclui: “Os governos euro-atlânticos proclamam a sua «democracia» como prova do seu direito absoluto de intervir nos assuntos do resto do mundo. Com base na falácia de que os «direitos humanos são necessários para a paz», proclamam o seu direito de fazer a guerra. Uma questão crucial é se a «democracia ocidental» ainda tem força para desmantelar esta máquina de guerra antes que seja tarde demais:
Nos dias 19 e 20 de Novembro, reúnem-se em Lisboa dirigentes da OTAN numa cúpula chamada de “Conceito Estratégico da OTAN”. Entre os tópicos para discussão encontra-se uma série de “ameaças” assustadoras, desde a guerra cibernética até à alteração climática, assim como belas coisas protetoras como armas nucleares e uma inútil Linha Maginot de alta tecnologia destinada a fazer parar os mísseis inimigos em pleno vôo. Os dirigentes da OTAN não conseguirão evitar falar da guerra no Afeganistão, essa cruzada interminável que une o mundo civilizado contra o esquivo Velho da Montanha, Hassan i Sabah, chefe dos Assassinos do século onze na sua mais recente encarnação como Osama bin Laden. Sem dúvida vai haver muita conversa sobre os “nossos valores comuns”.
A maior parte do que vai ser discutido é ficção com uma etiqueta de preço.
A única coisa que falta na agenda da cúpula Conceito Estratégico é uma discussão a sério sobre estratégia.
Isto, em parte, resulta de a OTAN, enquanto tal, não ter qualquer estratégia, e não poder ter a sua própria estratégia. A OTAN é na verdade um instrumento da estratégia dos Estados Unidos. O seu único Conceito Estratégico operacional é o que é posto em prática pelos Estados Unidos. Mas até esse é um fantasma esquivo. Segundo parece, os dirigentes americanos preferem posições impressionantes, “soluções espetaculares”, em vez de definirem estratégias.
Um dos que pretendem definir uma estratégia é Zbigniew Brzezinski, padrinho dos mujahidin afegãos quando estes podiam ser utilizados para destruir a União Soviética. Brzezinski não evitou declarar abertamente o objetivo estratégico da política dos Estados Unidos no seu livro de 1993, O Grande Tabuleiro de Xadrez: “A supremacia americana”.
Quanto à OTAN, descreveu-a como uma das instituições que servem para perpetuar a hegemonia americana, “fazendo dos Estados Unidos um participante-chave até nos assuntos intra-europeus”. Na sua “rede global de instituições especializadas”, que obviamente incluem a NATO, os Estados Unidos exercem o seu poder através de uma “permanente negociação, diálogo, difusão e procura de um consenso formal, apesar de o poder ser sempre proveniente duma única fonte, nomeadamente, Washington, D.C.”
Esta descrição cai como uma luva na conferência “Conceito Estratégico” de Lisboa. Na semana passada, o secretário-geral dinamarquês da NATO, Anders Fogh Rasmussen, anunciou que “estamos muito perto de um consenso”. E este consenso, de acordo com o New York Times, “seguirá provavelmente a formulação do presidente Barack Obama: trabalhar para um mundo não nuclear mantendo, apesar disso, um dissuasor nuclear”.
Esperem aí, será que isto faz sentido? Não, mas é o tipo de consenso da OTAN. A paz através da guerra, o desarmamento nuclear através do armamento nuclear, e acima de tudo, a defesa dos estados membros enviando forças expedicionárias para enfurecer os nativos de países distantes.
Uma estratégia não é um consenso escrito por comissões.
O método americano de “permanente negociação, diálogo, difusão e procura de um consenso formal” neutraliza qualquer resistência que possa aparecer ocasionalmente. Assim, a Alemanha e a França resistiram inicialmente à entrada da Geórgia na OTAN, assim como ao célebre “escudo anti-míssil”, considerados ambos como provocações abertas capazes de provocar uma nova corrida às armas com a Rússia e de prejudicar as frutuosas relações da Alemanha e da França com Moscou, sem qualquer resultado útil. Mas os Estados Unidos não aceitam um não como resposta, e continuam a repetir os seus imperativos até esmorecer a resistência. A única exceção recente foi a recusa da França em aderir à invasão do Iraque, mas a reação irritada dos Estados Unidos assustou a classe política conservadora francesa, o que levou ao apoio de Nicolas Sarkozy, pró-americano.
À procura de “ameaças” e “desafios”
O verdadeiro conteúdo do que passa por um “conceito estratégico” foi declarado pela primeira vez e posto em ação na primavera de 1999, quando a OTAN desafiou a lei internacional, as Nações Unidas e a sua própria carta inicial entrando numa guerra agressiva, fora do seu perímetro de defesa, contra a Iugoslávia. Esse passo transformou a OTAN de uma aliança defensiva para uma aliança ofensiva. Dez anos depois, a madrinha dessa guerra, Madeleine Albright, foi escolhida para presidir o “grupo de especialistas” que passou vários meses realizando seminários, consultas e reuniões para preparação da agenda de Lisboa.
Entre os mais importantes nesses encontros estavam Lord Peter Levene, presidente do Lloyd’s de Londres, a gigantesca seguradora, e o antigo diretor executivo da Royal Dutch Shell, Jeroen van der Veer. Estas figuras da classe dirigente não são propriamente estrategistas militares, mas a sua participação serve para garantir à comunidade internacional de negócios que vão ser levados em consideração os seus interesses a nível mundial.
É bem verdade que o rol de ameaças enumeradas por Rasmussen num discurso do ano passado dava a entender que a OTAN trabalhava para a indústria dos seguros. Disse ser necessário que a OTAN tratasse do combate à pirataria, da segurança cibernética, da alteração climática, de incidentes radicais do clima tais como tempestades e inundações catastróficas, da elevação dos níveis do mar, da movimentação em grande escala de populações para áreas desabitadas, por vezes atravessando fronteiras, da escassez de água, secas, da diminuição da produção de alimentos, do aquecimento global, das emissões de CO2, do recuo dos gelos do Ártico, que revelam recursos até agora inacessíveis, da eficiência de combustíveis, da dependência de recursos externos, etc.
A maior parte das ameaças apresentadas nem mesmo de longe podem ser interpretadas como exigindo soluções militares. Obviamente, não são os “estados vilões” nem os “bastiões de tirania” nem os “terroristas internacionais” que são responsáveis pela alteração climática, no entanto Rasmussen apresenta-os como desafios para a OTAN.
Por outro lado, alguns dos resultados destes cenários, como os movimentos de populações provocados pela elevação dos níveis do mar ou pela seca, podem de fato ser considerados como potenciais causas de crises. O aspecto sinistro desta enumeração é precisamente que esses problemas são avidamente agarrados pela OTAN como exigindo soluções militares.
A maior ameaça para a OTAN é ficar obsoleta. E a procura de um “conceito estratégico” é a procura de pretextos para se manter em ação.
A ameaça da OTAN para o mundo
Embora ande à procura de ameaças, é a própria OTAN que constitui uma ameaça crescente para o mundo. A ameaça básica é a sua contribuição para o reforço da tendência liderada pelos Estados Unidos para abandonar a diplomacia e as negociações em favor da força militar. Isto percebe-se claramente quando Rasmussen inclui os fenômenos climáticos na sua lista de ameaças para a OTAN, quando eles deviam ser, pelo contrário, problemas para a diplomacia e negociações internacionais. O perigo crescente é que a diplomacia ocidental está moribunda. Os Estados Unidos deram o tom: nós somos virtuosos, nós temos o poder, o resto do mundo tem que obedecer, senão…
A diplomacia é desprezada como sendo uma fraqueza. O Departamento de Estado há muito que deixou de estar no centro da política externa dos Estados Unidos. Com a sua ampla rede de bases militares em todo o mundo, assim como adidos militares em embaixadas e inúmeras missões em países clientes, o Pentágono é incomparavelmente mais poderoso e influente no mundo que o Departamento de Estado.
Os últimos secretários de Estado, longe de procurarem alternativas diplomáticas à guerra, desempenharam de fato um papel preponderante na defesa da guerra em vez da diplomacia, desde Madeleine Albright nos Balcãs ou Colin Powell acenando com falsos tubos de ensaio no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A política é definida pelo Conselheiro de Segurança Nacional, por diversos grupos de opinião financiados por privados e pelo Pentágono, com a intervenção de um Congresso que, por sua vez, é formado por políticos ansiosos em obter contratos militares para as suas clientelas.
A OTAN está arrastando os aliados europeus de Washington pelo mesmo caminho. Tal como o Pentágono substituiu o Departamento de Estado, a OTAN está a ser utilizada pelos Estados Unidos como um potencial substituto para as Nações Unidas. A “guerra do Kosovo” de 1999 foi um primeiro passo importante nessa direção. A França de Sarkozy, depois de ter entrado no comando conjunto da OTAN, está  destruindo os serviços de diplomacia franceses, tradicionalmente competentes, reduzindo a sua representação civil em todo o mundo. Os serviços de relações externas da União Europeia que estão sendo criados por Lady Ashton não vão ter nem política nem autoridade próprias.
Inércia burocrática
Por detrás dos seus apelos aos “valores comuns”, a OTAN é impulsionada sobretudo pela sua inércia burocrática. A própria aliança é uma excrescência do complexo militar-industrial dos Estados Unidos. Há sessenta anos que as aquisições militares e os contratos do Pentágono têm sido uma fonte essencial da investigação industrial, dos seus lucros, de empregos, de carreiras no Congresso e até mesmo de financiamentos universitários. A interação destes diversos interesses converge para determinar uma estratégia implícita dos Estados Unidos de conquista do mundo.
Uma rede global sempre em expansão, de 800 a mil bases militares em solo estrangeiro.
Acordos militares bilaterais com estados-clientes que oferecem formação em troca da compra obrigatória de armas fabricadas nos Estados Unidos e da reestruturação das suas forças armadas, trocando a defesa nacional pela segurança interna (ou seja, repressão) e a possível integração nas guerras de agressão lideradas pelos Estados Unidos.
Utilização dessas relações estreitas com as forças armadas locais para influenciar a política interna de estados mais fracos.
Exercícios militares permanentes com estados clientes, que fornecem ao Pentágono um conhecimento perfeito sobre o potencial militar dos estados clientes, os integram na máquina militar dos Estados Unidos e alimentam uma mentalidade de “prontos para a guerra”.
Posicionamento estratégico da sua rede de bases, exercícios com “aliados” e militares de forma a cercar, isolar, intimidar e acabar por provocar importantes nações consideradas potenciais rivais, nomeadamente a Rússia e a China.
A estratégia implícita dos Estados Unidos, tal como as suas ações dão a entender, é uma conquista militar gradual para garantir o domínio do mundo. Uma característica original deste projeto de conquista do mundo é que, embora extremamente ativo, dia após dia, é praticamente ignorado pela grande maioria da população da nação conquistadora, assim como pelos seus aliados mais estreitamente dominados, ou seja, pelos estados da OTAN.
A propaganda infindável acerca das “ameaças terroristas” (as pulgas do elefante) e outras diversões mantêm a maioria dos americanos totalmente inconscientes quanto ao que está acontecendo, tanto mais facilmente quanto os americanos praticamente desconhecem o o resto do mundo e portanto não se interessam minimamente. Os Estados Unidos podem varrer do mapa um país antes que a grande maioria dos americanos saiba onde é que ele se encontra.
A tarefa principal dos estrategistas dos Estados Unidos, cujas carreiras passam pelos grupos de opinião, conselhos de diretores, firmas de consultoria e governo, é muito mais justificar este gigantesco mecanismo do que tentar dirigí-lo. Em grande medida, ele dirige-se a si mesmo.
Desde o colapso da “ameaça soviética”, que os políticos andam à procura de ameaças invisíveis ou potenciais. A doutrina militar dos Estados Unidos tem como objetivo atuar preventivamente contra qualquer rival potencial para a hegemonia mundial dos Estados Unidos. Desde o colapso da União Soviética, é a Rússia que mantém o maior arsenal bélico para além dos Estados Unidos e a China está crescendo rapidamente em poder económico. Nenhum deles ameaça os Estados Unidos ou a Europa ocidental. Pelo contrário, ambos estão dispostos e desejosos de se concentrarem em negócios pacíficos.
Mas encontram-se cada vez mais alarmados com o cerco militar e com os exercícios militares provocatórios realizados pelos Estados Unidos mesmo à sua porta. A implícita estratégia agressiva pode ser obscura para a maioria dos americanos, mas é certeza absoluta que os dirigentes dos países visados percebem o que está acontecendo.
O Triângulo Rússia-Irã-Israel
Actualmente, o principal “inimigo” explícito é o Irã.
Washington afirma que o “escudo anti-míssil”, que  tenta impor aos seus aliados europeus, se destina a defender o ocidente do Irã. Mas os russos vêem muito claramente que o escudo anti-míssil está virado contra eles. Primeiro de tudo, sabem perfeitamente bem que o Irã não tem mísseis desses nem nenhum motivo para os usar contra o ocidente. É perfeitamente óbvio para todos os analistas bem informados que, mesmo que o Irã desenvolvesse armas nucleares e mísseis, seriam destinados a funcionar como dissuasor contra Israel, a superpotência nuclear regional que tem mãos livres para atacar os países vizinhos. Israel não quer perder essa liberdade de atacar, e naturalmente opõe-se ao dissuasor iraniano.
Os propagandistas israelenses clamam em voz alta contra a ameaça do Irã, e têm trabalhado incansavelmente para infectar a OTAN com a sua paranóia.
Israel até já foi descrita como o “29º membro da OTAN global”. Os funcionários israelenses têm trabalhado assiduamente junto de uma Madeleine Albright receptiva para se assegurarem de que os interesses israelenses são incluídos no “Conceito Estratégico”. Nos últimos cinco anos, Israel e a OTAN tomaram parte em exercícios navais conjuntos no Mar Vermelho e no Mediterrâneo, assim como em exercícios terrestres conjuntos desde Bruxelas até à Ucrânia. Em 16 de outubro de 2006, Israel tornou-se no primeiro país não europeu a fazer um acordo chamado “Programa de Cooperação Individual” com a OTAN para cooperação em 27 áreas diferentes.
Vale a pena notar que Israel é o único país fora da Europa que os Estados Unidos incluem na área da responsabilidade de seu Comando Europeu (em vez do Comando Central que cobre o resto do Médio Oriente).
Num seminário de Relações OTAN-Israel em Herzliya em 24 de Outubro de 2006, a ministra de relações exteriores israelense de então, Tzipi Livni, declarou que “a aliança entre a OTAN e Israel é uma coisa natural… Israel e a OTAN partilham uma visão estratégica comum. Sob muitos aspectos, Israel é a linha da frente que defende o nosso estilo de vida comum”.
Nem toda a gente nos países europeus considera que os colonatos israelenses na Palestina ocupada refletem “o nosso estilo de vida comum”.
Esta é sem dúvida uma das razões pelas quais o aprofundamento da união entre a OTAN e Israel não assumiu a forma aberta de dar a Israel uma vaga na OTAN. Principalmente depois do selvagem ataque a Gaza, uma decisão dessas iria levantar objeções nos países europeus. No entanto, Israel continua a fazer-se convidado da OTAN, apoiado ardentemente, claro, pelos seus fieis seguidores no Congresso dos Estados Unidos.
A causa principal desta crescente simbiose Israel-OTAN foi identificada por Mearsheimer e Walt: é o vigoroso e poderoso lobby pró-Israel nos Estados Unidos. [1]
Os lobbies israelenses também são fortes na França, na Grã-Bretanha e no Reino Unido. Têm desenvolvido com entusiasmo o tema de Israel como a “linha da frente” na defesa dos “valores ocidentais” contra o islã militante. O facto de o islã militante ser principalmente um produto dessa “linha da frente” cria um círculo vicioso perfeito.
A atitude agressiva de Israel para com os seus vizinhos regionais seria uma responsabilidade grave para a OTAN, capaz de ser arrastada para guerras do interesse de Israel que não interessam mesmo nada à Europa.
Mas há uma sutil vantagem estratégica na conexão israelense que, segundo parece, está sendo usado pelos Estados Unidos… contra a Rússia.
Subscrevendo a histérica teoria da “ameaça iraniana”, os Estados Unidos podem continuar a afirmar, sem corar, que o planjado escudo anti-míssil é dirigido contra o Irã, e não contra a Rússia. Não é que esperem convencer os russos. Mas pode ser utilizado para fazer com que os protestos deles pareçam “paranóicos” – pelo menos aos ouvidos dos ingênuos ocidentais. Meu caro, de que é que eles se queixam, se nós “restabelecemos” as nossas relações com Moscou e convidamos o presidente russo para a nossa alegre assembleia de “Conceito Estratégico?
No entanto, os russos sabem muito bem que:
O escudo anti-míssil vai ser construído em volta da Rússia, que tem mísseis, que mantem como dissuasores.
Neutralizando os mísseis russos, os Estados Unidos ficam de mãos livres para atacar a Rússia, sabendo que a Rússia não pode retaliar.
Portanto, digam o que disserem, o escudo anti-míssil, se funcionar, servirá para facilitar uma eventual agressão contra a Rússia.
O cerco em volta da Rússia
O cerco em volta da Rússia continua no Mar Vermelho, no Báltico e no círculo Ártico.
Funcionários dos Estados Unidos continuam a afirmar que a Ucrânia deve integrar a OTAN.
Ainda esta semana, numa coluna do New York Times, Ian J. Brzezinski, filho de Zbigniew, avisou Obama quanto ao perigo do abandono da “visão” de uma Europa “unida, livre e segura” incluindo “a inclusão da Geórgia e da Ucrânia na OTAN e na União Europeia”. O fato de a grande maioria da população da Ucrânia ser contra a entrada na OTAN não foi levada em consideração.
Para o atual rebento da nobre dinastia Brzezinski é a minoria que conta. Abandonar a visão “isola os que, na Geórgia e na Ucrânia, vêem o seu futuro na Europa. Reforça as aspirações do Kremlin a uma esfera de influência…”
A noção de que “o Kremlin” aspira a uma “esfera de influência” na Ucrânia é absurda, considerando os laços históricos extremamente fortes entre a Rússia e a Ucrânia, cuja capital Kiev foi o berço do estado russo. Mas a família Brzezinski é proveniente da Galícia, a parte da Ucrânia ocidental que pertenceu outrora à Polônia, e que é o centro da minoria anti-russa. A política externa dos Estados Unidos é frequentemente influenciada por essas rivalidades estrangeiras que a grande maioria dos americanos ignora completamente.
Os Estados Unidos continuam com a sua insistência incansável em absorver a Ucrânia, apesar de isso implicar a expulsão da frota russa do Mar Negro da sua base na península da Crimeia, onde a população local é esmagadoramente de língua russa e pró-russa. Isto é a receita para uma guerra com a Rússia, se alguma vez ocorrer.
E entretanto os funcionários americanos continuam a declarar o seu apoio à Geórgia, cujo presidente treinado pelos americanos espera abertamente levar a OTAN a apoiar a sua próxima guerra contra a Rússia.
Para além das manobras navais provocatórias no Mar Negro, os Estados Unidos, a OTAN e a Suécia e a Finlândia que não são (ainda) membros da OTAN, realizam regularmente importantes exercícios militares no Mar Báltico, praticamente à vista das cidades russas de São Petersburgo e Kaliningrado. Estes exercícios envolvem milhares de efetivos terrestres, centenas de aeronaves, incluindo os caças a jato F-15, aviões AWACS, assim como forças navais que incluem o U.S. Carrier Strike Group 12, barcos de desembarque e navios de guerra de uma dúzia de países.
Talvez o mais sinistro disto tudo, os Estados Unidos têm envolvido persistentemente, na região do Ártico, o Canadá e os estados escandinavos (incluindo a Dinamarca através da Gronelândia) num posicionamento estratégico militar abertamente dirigido contra a Rússia. O objetivo deste posicionamento no Ártico foi afirmado por Fogh Rasmussen quando referiu, entre as “ameaças” que a OTAN tem que enfrentar, o fato de que o “gelo do Ártico está recuando, libertando recursos que até agora têm estado cobertos pelos gelos”.
Ora bem, podíamos pensar que esta descoberta de recursos seria uma oportunidade para a cooperação na sua exploração. Mas não é essa a disposição oficial dos Estados Unidos.
Em outubro passado, o almirante americano James G. Stavridis, comandante supremo da OTAN na Europa, disse que o aquecimento global e a corrida aos recursos podia levar a um conflito no Ártico. O almirante Christopher C. Colvin, da Guarda Costeira, responsável pela linha costeira do Alasca, disse que a atividade mercante marítima russa no Oceano Ártico constituía uma “preocupação especial” para os Estados Unidos e pediu mais recursos militares na região.
O Serviço Geológico dos EUA crê que o Ártico contém um quarto dos depósitos mundiais inexplorados de petróleo e de gás. Sob a Convenção da Lei dos Mares das Nações Unidas, de 1982, um estado costeiro tem direito a uma EEZ [Zona Económica Exclusiva] de 200 milhas náuticas e pode reclamar mais 150 milhas se provar que o fundo do mar é a continuação da sua plataforma continental.
A Rússia está requerendo isso.
Depois de pressionar o resto do mundo a adoptar a Convenção, o Senado dos Estados Unidos ainda não ratificou o Tratado.
Em janeiro de 2009, a OTAN declarou que o “Alto Norte” era de “interesse estratégico para a Aliança” e, desde então, a OTAN tem realizado vários importantes jogos de guerra nitidamente em preparação de um eventual conflito com a Rússia sobre os recursos do Ártico.
A Rússia desmantelou fortemente as suas defesas no Ártico depois do colapso da União Soviética e tem apelado para a negociação de compromissos quanto ao controle de recursos.
Em setembro passado, o primeiro-ministro Vladimir Putin apelou por esforços conjuntos para proteger o frágil ecossistema, atrair o investimento estrangeiro, promover tecnologias amigáveis ao ambiente e tentar solucionar as disputas através da lei internacional.
Mas os Estados Unidos, como de costume, preferem resolver as questões pela força. Isso pode levar a uma nova corrida armamentista no Ártico e até mesmo a confrontos armados.
Apesar de todas estas movimentações provocatórias, é muito pouco provável que os Estados Unidos procurem uma guerra com a Rússia, embora não se possam excluir confrontos e incidentes aqui e além.
Segundo parece, a política dos Estados Unidos é cercar e intimidar a Rússia de tal modo que ela aceite um estatuto de semi-satélite que a neutralize no futuro conflito previsível com a China.
O alvo China
A única razão para ter a China na mira é a mesma da razão proverbial para escalar a montanha: ela está ali. É grande. E os Estados Unidos têm que estar no topo de tudo.
A estratégia para dominar a China é a mesma seguida para com a Rússia. É a guerra clássica: cerco, assédio, apoio mais ou menos clandestino a questões internas.
Como exemplos desta estratégia:
Os Estados Unidos estão reforçando de forma provocativa a sua presença militar ao longo das costas chinesas do Pacífico, oferecendo “proteção contra a China” a países asiáticos do leste.
Durante a guerra fria, quando a Índia recebia o seu armamento da União Soviética e assumia uma postura não alinhada, os Estados Unidos armaram o Paquistão como seu principal aliado regional. Agora os Estados Unidos estão desviando os seus favores para a Índia, a fim de manter a Índia fora da órbita da Organização de Cooperação Xangai e de a utilizar como um contrapeso à China.
Os Estados Unidos e seus aliados apoiam qualquer dissidência interna que possa enfraquecer a China, seja o Dalai Lama, os Uighurs, ou Liu Xiaobo, o dissidente preso.
O Prêmio Nobel da Paz foi atribuído a Liu Xiaobo por uma comissão de legisladores noruegueses chefiados por Thorbjorn Jagland, o eco de Tony Blair na Noruega, que foi primeiro-ministro e ministro das relações exteriores da Noruega, e tem sido um dos principais defensores da OTAN em seu país.
Numa conferência patrocinada pela OTAN de parlamentares europeus no ano passado, Jagland declarou: “Quando somos incapazes de impedir a tirania, começa a guerra. É por isso que a OTAN é indispensável. A OTAN é a única organização militar multilateral com raízes na lei internacional. É uma organização que a ONU pode usar quando necessário – para impedir a tirania, tal como fizemos nos Balcãs”. Isto é uma espantosa adulteração dos fatos, considerando que a OTAN desafiou abertamente a lei internacional e as Nações Unidas quando declarou guerra nos Balcãs – onde na realidade havia conflitos étnicos mas não havia “tirania” alguma.
Ao anunciar a escolha de Liu, a comissão norueguesa do Nobel, chefiada por Jagland, declarou que “há muito que considerava que há uma estreita ligação entre os direitos humanos e a paz”. A “estreita ligação”, para seguir a lógica das próprias afirmações de Jagland, é que, se um estado estrangeiro não respeita os direitos humanos segundo as interpretações ocidentais, pode ser bombardeado, tal como a OTAN bombardeou a Iugoslávia. De fato, os mesmos poderes que mais barulho fizeram sobre os “direitos humanos”, nomeadamente os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, são os que mais guerras fazem em todo o mundo. As afirmações do norueguês tornam claro que a atribuição do Prêmio Nobel da Paz a Liu (que passou algum tempo na Noruega quando jovem) correspondia na realidade a uma confirmação da OTAN.
“Democracias” para substituir as Nações Unidas
Os membros europeus da OTAN pouco acrescentam ao poder militar dos Estados Unidos. A sua contribuição é acima de tudo política. A sua presença mantém a ilusão duma “Comunidade Internacional”. A conquista do mundo que está sendo tentada pela inércia burocrática do Pentágono pode ser apresentada como a cruzada das “democracias” do mundo para espalhar a sua ordem política esclarecida pelo resto de um mundo recalcitrante.
Os governos euro-atlânticos proclamam a sua “democracia” como prova do seu direito absoluto de intervir nos assuntos do resto do mundo. Com base na falácia de que os “direitos humanos são necessários para a paz”, proclamam o seu direito a fazer a guerra.
Uma questão crucial é se a “democracia ocidental” ainda tem força para desmantelar esta máquina de guerra antes que seja tarde demais.
* Diana Johnstone é analista de política internacional especializada em assuntos militares
[1] No seu livro “The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy” (2007), descrevem este lobby como uma “coligação informal de indivíduos e organizações que trabalham ativamente para guiar a política externa dos Estados Unidos numa direcção pró-Israel”. O livro “concentra-se principalmente na influência do lobby sobre a política externa dos Estados Unidos e nos seus efeitos negativos para os interesses americanos” (N.T.)
Tradução de Margarida Ferreira
PS do Viomundo: Brilhantes analistas descobriram virtudes no texto do voto brasileiro que aprovou o envio de um investigador dos Direitos Humanos ao Irã. Teria sido um tapa com luva de pelica nos Estados Unidos. [Pausa para a gargalhada]. Podem esperar sentados por uma articulação internacional que resulte numa investigação de Guantánamo. [Pausa para nova gargalhada]. O que interessa a Washington é isolar o Irã politicamente para facilitar a troca de regime. O resto é delírio tropical.

Os falcões querem a cabeça de Mantega

site do Azenha - 29 de março de 2011 às 2:32

O ministro no alvo
da CartaCapital, em 27/03/2011, reproduzido no site da Copel
Dispostos a liquidar a continuidade da política econômica e restabelecer a ortodoxia, os mercados fiam-se em Palocci para investir contra Mantega

GUIDO MANTEGA considerava que o pior havia passado. A entrevista da presidenta Dilma Rousseff ao jornal Valor e as sucessivas mensagens do Palácio do Planalto de apoio à política econômica fizeram brotar no ministro da Fazenda a sensação de que a campanha do mercado financeiro a favor de sua demissão pode até ser estimulada, senão tramada, entre as divisórias do espaçoso gabinete do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, mas de lá nunca passou. As pressões, de fato, haviam diminuído consideravelmente.
Mas eis que um lance fortuito recolocou Mantega na linha de tiro. Na segunda-feira 21, uma reunião do ministro com o presidente do conselho do Bradesco, Lázaro Brandão, vazou à imprensa. No encontro, Mantega teria solicitado a substituição de Roger Agnelli na presidência da Vale, empresa de capital misto, mas que tem entre seus principais acionistas o BNDESpar e os fundos de pensão de estatais. Ainda que até os homens-sanduíches prostrados nas imediações da Bolsa de Valores de São Paulo conheçam a insatisfação do governo com a gestão de Agnelli, o vazamento deu nova munição aos críticos de Mantega e à oposição ávida por temas para confrontar o Palácio.
Líderes oposicionistas como Aécio Neves e José Serra criticaram o intervencionismo estatal na mineradora privatizada em 1997. Duas comissões do Congresso, a de Fiscalização e Controle da Câmara e a de Assuntos Econômicos do Senado, querem convocar o ministro a dar explicações. Um movimento de defesa da permanência de Agnelli, cuja espontaneidade não está totalmente clara, ganhou corpo na Vale. Além de um abaixo-assinado, funcionários da empresa anunciavam a intenção de trabalhar com roupas pretas numa espécie de luto pelo afastamento do executivo que comanda a mineradora há uma década. E falou-se na possibilidade de um pedido de demissão conjunta da diretoria.
Ao longo da semana, circularam diversas versões sobre o encontro entre Mantega e Brandão. Em círculos petistas, vigorava a tese de que o ministro te ria tratado com a pessoa errada no Bradesco. Brandão apoiaria Agnelli, que não contaria com a simpatia do presidente do banco, Antonio Carlos Trabuco. Por esse motivo, o teor da reunião teria chegado aos ouvidos de aliados do executivo da Vale e em seguida aos jornais.
Gente ligada à Fazenda contava outra história. Quem teria solicitado a conversa teria sido Brandão, ansioso por uma definição rápida de um assunto que desgasta a imagem da companhia há meses. Instruído pelo Planalto, Mantega recebeu o banqueiro em seu escritório em São Paulo e iniciou as negociações. Um acordo teria sido selado com o Bradesco: o substituto seria alguém da própria mi neradora. Na quinta 24, após a especulação de ao menos meia dúzia de sucessores, todos executivos com passagens por grandes empresas e sem ligação com o governo, ventilava-se o nome de Tito Botelho, atual diretor-presidente da Inco, subsidiária da Vale no Canadá.
A série de queixas do governo, acumuladas desde o tempo em que Dilma comandava a Casa Civil e os principais investimentos públicos, é conhecida. Apesar de ter negociado os reajustes de preços do minério que possibilitaram lucros recordes nos últimos anos, Agnelli, na visão de Brasília, é personalista em excesso, usa as estruturas mais para promover a si mesmo do que à companhia, e não compartilha a ideia de que a Vale, por sua dimensão e papel estratégico, não pode pensar apenas em maximizar o lucro dos acionistas. Integrantes da Esplanada sempre citam a opção do executivo por encomendar navios na Ásia em vez de compra-los de estaleiros brasileiros.
A recuperação da indústria naval, agonizante na era FHC, é um dos grandes orgulhos de Lula. Agnelli justificou com o argumento de que o setor nacional, ainda em reconstrução e abarrotado por encomendas da Petrobras, não estava preparado para atender à demanda da mineradora no prazo exigido e a preços competitivos. O presidente da Vale tem dito a interlocutores esperar uma decisão rápida, mas gostaria de negociar uma transição mais lenta, de forma a não atrapalhar os atuais planos da empresa.
Não se sabe por quanto tempo o assunto interessará à oposição, que tem sido estimulada pelo próprio Agnelli, mais próximo do PSDB desde o início da disputa pessoal com os petistas. Mas os piores adversários de Mantega não se encontram no Congresso. Embora as expressões públicas de beatitude de Antonio Palocci – e seu silêncio jesuíta possam comover até o papa Bento XVI, um manancial de intrigas parece jorrar sistematicamente da Casa Civil. Palocci, sabe-se, é uma espécie de ouvidor das butiques bancárias. O problema é que, em vez de acalmar os aflitos, ele semeia dúvidas e ceva os preconceitos. E tem o hábito de se apresentar como cgr de uma estabilidade que não depende dele. Suas movimentações nada discretas acabaram por chamar a atenção do Planalto. Na terça 22, em entrevista ao portal IG, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, não poderia ter sido mais explícito: “O Palocci é suficientemente inteligente para não entrar em nenhuma disputa. Ele sabe que, cada vez que entrarem uma disputa, perde autoridade”.
É uma situação peculiar. Economista, professor da Fundação Getulio Vargas, Mantega sofre resistências nas finanças pelo simples fato de pensar de forma autônoma e em sentido contrário. Hoje é chamado de “gastador”, em decorrência das medidas anticíclicas que possibilitaram à economia brasileira recuperar em tempo recorde as perdas do estouro da bolha norte-americana no fim de 2008, início de 2009. Trata-se do mesmo ministro que manteve os superávits primários nos dois anos anteriores e que agora comanda o ajuste necessário das contas públicas. O mercado, “técnico”, preferiria ver na Fazenda o médico sanitarista que exibe um fervor ortodoxo típico dos neófitos, dos recém convertidos. Cabeças mais inteligentes do setor financeiro talvez pudessem se perguntar se, após o desastre de 2008, não teria ficado claro que meros fantoches acabam por se tornar um risco ao próprio sistema e a seus lucros.
Fontes do Palácio garantem que Dilma Rousseff tem sido sincera ao defender o ministro da Fazenda e está convicta de que a guerra das expectativas em torno da inflação será vencida quando os índices começarem a mostrar claramente o recuo na alta de preços, o que deve ocorrera partir do meio do ano. A presidenta, não se pode esquecer, integra a ala desenvolvimentista que dominou o segundo mandato de Lula e que hoje predomina no governo. Para esse grupo, o Brasil só conseguiu crescer e gerar empregos e renda após a inflexão “desenvolvimentista” a partir de 2006. A mudança de rumo coincide justamente com a queda de Palocci na esteira do escândalo da quebra do sigilo do caseiro Francenildo e a nomeação de Mantega. A mesma turma vê com ressalvas o novo ciclo de aperto monetário e alta dos juros, atribuída ao retorno de Palocci.
O apoio ao ministro da Fazenda não significa que Dilma o isente de críticas. A presidenta teria ficado especialmente irritada quando Mantega, durante a entrevista coletiva na qual foi anuncia do o corte de 50 bilhões de reais, decla. rou que a inflação não preocupava o governo. A entrevista ao Valor, entre outros motivos, visava corrigir esse erro Dilma acha ainda, segundo um assessor próximo, que o ministro não compreendeu seu estilo de decidir, baseado na preferência por encontros individuais e objetivos com subordinados em vez de extensas reuniões coletivas, convocadas apenas para dirimir divergências extremas. Na área econômica, seus principais interlocutores, além do titular da Fazenda, são o secretário Nelson Barbosa, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e, claro, Palocci. Segundo uma fonte do Planalto, Mantega se incomoda quando os encontros não o envolvem.
O mercado alimenta-se e retroalimenta dessas intrigas. Dispostos a garantir a supremacia dos “falcões” sobre. os “pombos” da política monetária, departamentos de economia dos bancos e analistas influentes reforçam o pessimismo quanto ao futuro. Mesmo assim, ante um cenário nebuloso, não existe um consenso monolítico. Na verdade, as análises do setor financeiro nunca aparentaram tantas divergências. No boletim Focus, levantamento do Banco Central que reúne as projeções de economistas de bancos, as mais recentes expectativas de crescimento do PIB vão de 3% a mais de 6%, diferença que aumentou desde o fim do ano passado. Quanto à inflação, o intervalo entre as apostas é um pouco menor: de 5″/o a quase 7%.
Isso não significa que Brasília deva ignorar os riscos de descontrole dos preços em favor da expansão da economia. “Se eu estivesse no governo, estaria preocupado, porque a inflação ficou acima do centro da meta no ano passado, e repetir isso acende o sinal amarelo”, diz o coordenador do IPC-Fipe, Evaldo Comune. “Não adianta, segurar a inflação exige segurar o crescimento. Mas acredito que uma alta de 4% no PIB em 2011 seria de bom tamanho para conter os preços e garantir investimentos que não há como deixar de fazer, como a reforma da infraestrutura e as obras para os grandes eventos esportivos.”
Segundo Comune, o índice da Fipe, medido na cidade de São Paulo, fechou em 6,4% em 2010, acima, portanto, do IPCA, indicador adotado oficialmente pelo governo federal, que registrou 5,91%. O especialista lembra, porém, que o índice foi influenciado por fatores locais, entre eles o reajuste acumulado das passagens de ônibus e do IPTU. Excluídos tais aumentos, tanto o IPC quanto o IPCA tiveram comportamento bastante próximo, e influenciado pelas altas de alimentos (só a carne subiu 34% no ano) e os combustíveis (em especial, o etanol).
Com relação a 2011, o coordenador do IPC alerta para o risco de as estiagens prejudicarem novamente a produção de itens agrícolas e de o choque internacional das commodities afetar, finalmente, o preço da gasolina, contido por uma política de não repasse da Petrobras. “Se o barril do petróleo ultrapassar os 130 dólares, será difícil segurar a alta dos derivados.” Preços administrados, como as tarifas de energia elétrica, prossegue o especialista, tiveram repasses represados nos últimos anos, o que pode representar surpresas negativas neste ano. Comune lembra ainda os custos de habitação, com a alta de preços dos imóveis no último ano e a indexação dos contratos de aluguel ao IGPM, índice forte mente ligado ao atacado e que acumulou aumento de 11,32% em 2010.
O setor de serviços, por sua vez, depois de pressionar a média da inflação não deverá mais ser uma fonte de preocupação, segundo o pesquisador. “Se a renda e o emprego estão em alta, o prestador de serviços tende a repassar, arredondando para cima as elevações de preço que percebe no supermercado. Mas o reajuste do salário mínimo neste ano (sem ganho real) já deu o recado de que o espaço para isso será reduzido.” Feitas as ponderações, o coordenador do IPC-Fipe prevê que a inflação em São Paulo vai ficar entre, 5% e 6% até o fim de 2011.
A análise de Comune é semelhante à de Paulo Pichetti, coordenador do IPC-S (índice de Preços ao Consumidor Semanal, medido pela Fundação Getulio Vargas). “A alta de preços não deverá ser tão grande quanto o mercado prevê. Mas isso não chega a servir de consolo se o nível já está elevado.” O especialista da FGV diverge, no entanto, ao se referir ao risco de propagação da inflação no setor de serviços. “A demanda continua elevada e há uma percepção de que a inflação voltou a ser um problema, o que torna os preços mais suscetíveis aos choques de oferta. Os prestadores de serviços começam a tentar repassar até mesmo oscilações normais, como a dos preços de hortaliças e legumes.”
Pichetti acredita que o mercado tem encontrado dificuldades para fazer suas projeções diante de uma conjuntura internacional indefinida, o que leva a reações exageradas aos sinais de curto prazo. “Nem o mercado nem o BC têm hoje motivos confiáveis para apostar se é necessário elevar demais os juros ou se é possível controlar a inflação apenas com medidas macroprudenciais. Não acho que seja necessário derrubar a atividade econômica. Mas não dá para ignorar os sinais de aquecimento excessivo.”
As divergências de expectativas não ocorrem apenas no mundo financeiro. A Federação do Comercio de São Paulo revisou suas projeções para níveis próximos das previsões mais sombrias do mercado financeiro. “Alertamos os empresários para que não se criem expectativas de que 2011 será igual ou melhor do que 2010″, afirma o diretor-executivo da Fecomercio-SP, Antônio Carlos Borges. A entidade trabalha com um cenário de apenas 3% de expansão do PIB e inflação entre 6% e 7%. O pessimismo tem entre suas bases a pesquisa de intenção de consumo, que pelo terceiro mês consecutivo indica menor propensão às compras. “Temos uma resistência à queda de preços que se deve também a pressões externas, o que torna extremamente difícil trazer o índice de volta à meta.”
Na área industrial, medir a temperatura dos negócios é ainda mais difícil, segundo o gerente-executivo de política econômica da Confederação Nacional da indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. “O ritmo é bem mais moderado do que no ano passado, numa mudança de ciclo que percebemos já no segundo semestre”, afirma. “Há um descaramento entre o consumo doméstico e a produção industrial, por conta das importações, usadas para suprir o crescimento da demanda.”
Castelo Branco explica que as pressões por repasses de preços ocorrem apenas nos segmentos que sofrem menos com a concorrência externa, como alimentos, bebidas, farmacêuticos e, até certo ponto, materiais de construção. “A elevação na taxa de juros tem efeito negativo tanto para quem eleva preços quanto para os setores desaquecidos, ou que têm dificuldade para brigar com as importações.”
A CNI ainda não concluiu a última revisão de.suas previsões econômicas. A expectativa de crescimento do PIB, que havia caído de 5% para 4,5%, provavelmente ficará ainda menor. Quanto à inflação, Castelo Branco acredita em uma queda dos níveis atuais até o fim do ano, mas à custa de uma boa dose de desaceleração da atividade econômica. “Como a inflação espraiou-se para os custos domésticos e os salários, o cenário de queda pode não ser tão rápido. E quanto mais tempo a inflação permanecer em patamares elevados, pior será o ajuste.”
O grupo desenvolvimentista do governo, Mantega à frente, acredita que, passados os choques do primeiro semes tre, os preços tendem a refluir. Em meados do ano, os índices acumulados em 12 meses ainda serão altos, num efeito meramente estatístico por conta dos níveis próximos a zero registrados no ano passado. Mas os reajustes correntes terão perdido o fôlego, Além disso, grande parte da alta é atribuída aos problemas da economia mundial, que não podem ser combatidos adequadamente com o aumento dos juros domésticos. O argumento é justificado com o fato de que a maioria dos países que adotaram o regime de dietas de inflação tem convivido nos últimos meses com índices fora da curva. O Brasil, nessa plêiade de nações, tem, até apresentado oscilações de preços mais suaves.
0 que preocupa essa turma é outro ponto, a valorização do real. Desde a ano passado, a moeda brasileira valorizou 32% em relação ao dólar e 28% na comparação com uma cesta de 15 outras. A capacidade de competição da indústria e das exportações está cada vez mais comprometida, embora o aumento dos preços de produtos básicos como minério e soja no mercado internacional mascare os efeitos nocivos do câmbio. Projeta-se um déficit nas contas externas de 64 bilhões de dólares neste ano, ante 47,5 bilhões em 2010.
Uma política ortodoxa baseada em fortes aumentos dos juros e excesso de medidas para segurar a economia pode até aumentar a popularidade de chefe da Casa Civil nas tesourarias dos bancos, mas é extremamente nociva em um prazo mais longo. Cabe a Dilma mediar as tensões. E será mais difícil para ela do que para Lula. No primeiro mandato, premido pela especulação contra sua eleição, o presidente viu-se obrigado a render-se à ortodoxia. No segundo, livre de certas amarras (e de certos indivíduos), deu a guinada que guiou o País ao caminho do cresci mento e elevou seus índices de aprovação a níveis nunca antes alcançados na história republicana.
A presidenta herdou uma economia bem encaminhada, mas dependente de ajustes inadiáveis. Começa um governe sob a esperança de equilibrar fiscalistas e desenvolvimentistas. Falcões e pombos. A história tem demonstrado que uma hora ou outra, um dos lados sai der rotado. Dilma aparenta preferir os pombos. Mas os falcões nunca descansam.

Não sou economista e pouco entendo do assunto, mas não engulo todo esse medinho do mercado financeiro, que por sinal, é uma das piores invenções humanas. Não serve pra nada e só atrapalha a distribuição de renda. 

Rebeldes recuam e Kadafi exige fim de "agressão selvagem"

iG São Paulo | 29/03/2011 05:55 - Atualizada às 09:16

O líder da Líbia, Muamar Kadafi, exigiu nesta terça-feira que a coalizão internacional ponha fim à "agressão selvagem" contra o país, no momento em que forças leais ao regime intensificam ataques contra rebeldes.
Nos últimos dias, a oposição retomou o controle de cidades que haviam capturado no início da rebelião contra o regime, mas que haviam caído nas mãos de forças do governo. Entre as cidades retomadas estão áreas estratégicas no litoral do país e que contam com instalações petrolíferas, como Ras Lanuf, Brega, Uqayla e Bin Jawad.
Mas repetidos ataques realizados por tropas leais ao regime impediram-nos de alcançar Sirte, a cidade natal do coronel Kadafi e um alvo de forte simbolismo para os rebeldes. As forças pró-Kadafi usaram metralhadoras e foguetes contra os rebeldes, produzindo um recuo caótico para Bin Jawad.

Foto: AP
Rebeldes líbios rezam em Bin Jawad
Um dos combatentes, Faisal Ali, afirmou à agência Associated Press que os rebeldes ainda não conseguiram se organizar em Bin Jawad. "Se as forças de Kadafi usarem tanques e armamentos pesados, podem conseguir o controle da cidade", afirmou.
O recuo dos rebeldes acontece apesar da ação militar internacional contra a Líbia, criticada por Kadafi nesta terça-feira. Em carta divulgada pela agência oficial Jana e destinada aos líderes mundiais que estão reunidos em Londres para discutir a situação no país, Kadafi disse que a coalizão está "exterminando" o povo líbio.
O líder líbio comparou a ação militar com "a invasão da Europa por Hitler e o bombardeio do Reino Unido" e disse que "não há nenhum motivo interno para a crise na Líbia". "O poder está nas mãos do povo, o petróleo é propriedade do povo e as armas também, afirmou.
Reunião em Londres
A reunião que acontece nesta terça-feira em Londres contará com a presença de delegações de cerca 35 países e de representantes órgãos internacionais irá discutir os próximos passos da ação militar na Líbia. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse esperar que o encontro venha a garantir ''o máximo de unidade política e diplomática''.
A reunião terá integrantes da coalizão que participa da operação militar contra posições de Kadafi, bem como de representantes da ONU, da Otan, da União Africana e da Liga Árabe. Os países ocidentais esperam que a presença de países árabes como Qatar, Iraque, Jordânia, Marrocos, Líbano, Tunísia e Emirados Árabes vá reforçar a aliança e indicar que países árabes endossam a operação.
Mas a Rússia, que diz que a operação militar vai além dos termos da resolução da ONU que a autorizou, afirmou que não irá participar do encontro. A conferência irá também discutir o fornecimento de ajuda humanitária.
Em encontro paralelo à conferência, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teve uma reunião com um dos líderes da oposição líbia, Mahmoud Jibril, responsável pelas "relações internacionais" do Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR).
Hillary e Jibril já se encontraram em Paris em 15 de março, quando discutiram uma possível ajuda econômica e política à oposição líbia. Mais cedo, Jibril também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague.
Em comunicado, Hague definiu o CNTR como "interlocutor político importante e legítimo" e disse que durante a reunião ele e Jibril analisaram a "situação política e humanitária na Líbis". "Concordamos na importância absoluta de proteger e salvaguardar os civis", destacou.
'Antes que seja tarde'
Em um comunicado conjunto, a Grã-Bretanha e a França conclamaram correligionários do líder líbio, o coronel Muamar Kadafi, a abandoná-lo ''antes que seja tarde demais''. No documento, Cameron e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmam que a conferência ''irá aproximar a comunidade internacional de modo a dar apoio à transição da Líbia de uma ditadura violenta para criar as condições para que o povo da Líbia possa escolher seu próprio futuro''.
Grã-Bretanha e França foram os defensores mais veementes da implementação de uma ação militar contra as forças leais a Kadafi, que vinham avançando sobre áreas controladas por rebeldes que lutam contra o regime líbio. No documento, os líderes dos dois países disseram que o governo líbio perdeu toda a sua legitimidade e deve ''partir imediatamente''.

Obama
Na segunda-feira à noite, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento no qual defendeu o envolvimento americano na operação militar internacional. Ele afirmou que a intervenção americana salvou ''incontáveis vidas'' ameaçadas pelas forças do ''tirano'' Muamar Kadafi.
Mas, ciente de uma parcela expressiva da opinião pública americana vê com receios o envolvimento americano em mais um conflito militar, frisou que os Estados Unidos estavam passando o controle da incursão militar para a aliança militar Otan.
A ação militar americana na Líbia foi autorizada há dez dias - quando Obama estava em Brasília, em visita oficial ao Brasil - e segue uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.
A resolução, aprovada sem o voto do Brasil, que se absteve, prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia e "todas as medidas necessárias" para proteger "civis e áreas habitadas por civis" de ataques por parte das forças de Kadafi.
Com AP, EFE, Reuters e BBC

China, EUA e Coreia do Sul detectam radiação vinda do Japão

BBC Brasil | 29/03/2011 04:22

Autoridades de China, EUA e Coreia do Sul afirmaram nesta terça-feira terem detectado radiação vinda do Japão. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos disse ter detectado indícios de radiação na água da chuva de diferentes Estados americanos, como Alabama, Califórnia, Havaí, Idaho, Nevada, Washington, e em territórios do país como Ilhas Mariana do Norte e Guam.
A agência divulgou comunicado no qual afirma que ''a quantidade de isótopos radiativos é condizente com o incidente nuclear japonês'', em referência às explosões que ocorreram na usina de Fukushima Daiichi, pouco após o tsunami e o terremoto que abalaram o Japão no último dia 11 de março.
A agência acrescentou, entretanto, que eles não constituem um perigo para a saúde. Já o Ministério da Proteção Ambiental da China disse que doses ''extremamente baixas'' do iodo-131, um material radioativo, têm sido encontrados nas zonas costeiras do país, como Guangdong, Jiangsu, Xangai, Zhejiang, Anhui e Guangxi.
O ministério já havia detectado vestígios de material radioativo no ar da província de Heilongjiang, no nordeste do país. Mas as doses encontradas, de acordo com o ministério, foram tão pequenas que não representam ameaça para a saúde pública. O ministério chinês afirmou ainda que não seria necessária a adoção de qualquer medida especial. 

Veto
A China vem realizando testes na água e em alimentos para monitorar níveis de radiação. Permanece em vigor a proibição da importação de certos produtos importados japoneses. No Vietnã, o jornal Thanh Nien relatou que cientistas vietnamitas também encontraram pequenas quantidades de radiação no ar do país.
O Instituto Sul-Coreano de Segurança Nuclear disse que detectou vestígios de iodo-131 em Seul e em sete outros lugares no sul da Coréia do Sul. Um funcionário do Ministério da Agricultura disse à agência de notícias AFP, entretanto, que "nenhum vestígio de radiação tem sido encontrado até agora, quer no nosso próprio peixe ou os importados do Japão". 
Plutônio
A empresa japonesa Tokyo Electric Power (Tepco), que administra a usina nuclear de Fukushima Daiichi, anunciou na segunda-feira que técnicos detectaram plutônio no solo de cinco locais da usina Fukushima Daiichi. A Tepco afirmou que o nível de plutônio encontrado não oferece risco à saúde. Mas a empresa disse que reforçará o monitoramento do ambiente dentro e nos arredores de Fukushima Daiichi. As autoridades japonesas anunciaram horas antes que água com alto teor de radiação havia sido encontrada pela primeira vez do lado de fora de um dos reatores da usina nuclear.
A Agência de Segurança Nuclear e Industrial do governo disse que a Tepco precisará retirar mais água contaminada que vaza de um túnel ligado ao reator número 2. O vazamento da usina elevou os temores de uma possível contaminação ambiental provocada por líquidos radioativos que estariam escapando do local. A água contaminada foi encontrada em um túnel subterrâneo que tem uma das entradas localizadas a apenas 55 metros do mar. Mas a Tepco afirmou que não há indícios de que a água contaminada tivesse chegado ao mar.

segunda-feira, março 21, 2011

domingo, março 20, 2011

Intervention en Libye : la Ligue arabe critique les bombardements

rfi - Libye - 
Article publié le : dimanche 20 mars 2011 - Dernière modification le : dimanche 20 mars 2011


Tirs du destroyer américain lance-missiles Barry, le 19 mars 2011.
Tirs du destroyer américain lance-missiles Barry, le 19 mars 2011.
Reuters/Roderick Eubanks/U.S. Navy

Des appareils arabes devraient bientôt entrer en action dans le cadre de l'opération «Aube de l'Odyssée» qui a débuté samedi 19 mars. Ce soutien arabe était une des conditions sine qua non de l'opération en Libye. Pourtant la position de certains pays, confrontés à des mouvements de contestation, est délicate. Le secrétaire général de la Ligue arabe, Amr Moussa, a ainsi critiqué dimanche les bombardements de la coalition, estimant qu'ils s'écartent «du but qui est d'imposer une zone d'exclusion aérienne».



 
 


Pour que l'intervention en Libye n'apparaisse pas comme une nouvelle agression occidentale, les Français et les Américains ont beaucoup insisté pour que le monde arabe y soit associé. La Ligue arabe a donné son aval à la mise en place d'une zone d'exclusion aérienne. C'est la première fois qu'elle autorise une opération militaire contre un de ses membres.
Dans le même temps, beaucoup de pays arabes sont aujourd'hui plus ou moins engagés dans la répression des aspirations démocratiques de leur population.
Au Yémen, 50 manifestant ont été tués cette semaine à Sanaa, et la Syrie de Bachar al-Assad n'a pas choisi la voie du dialogue avec l'opposition.
Dernièr exemple de cette ambiguïté, la semaine passée la secrétaire d'Etat américaine, Hillary Clinton, a demandé aux Emirats arabes unis d'envoyer des avions au-dessus du territoire libyen mais aussi de se retirer de Bahreïn où leurs troupes aidaient à mater les protestataires contre le régime.
Pour aller plus loin
Le Qatar a pour sa part clairement annoncé qu'il participera à l'opération militaire, sans toutefois préciser la forme de cet engagement. L'émir, cheikh Hamad Ben Khalifa Al-Thani, assure que cette opération « n'est pas dirigée contre le peuple libyen ni même contre le colonel Kadhafi. L'important est d'arrêter le bain de sang ».

Crise sistémica global: Implosão do mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA no 2º semestre de 2011

resistir info - 19 mar 2011

por GEAB [*]
Para além das suas trágicas consequências humanas [1] , a terrível catástrofe que acaba de atingir o Japão irá revelar-se o choque fatal para o mercado cambaleante dos Títulos do Tesouro americano. No GEAB Nº 52 , nossa equipe havia explicado como o encadeamento das revoluções árabes, esta queda do "muro dos petro-dólares" [2] , ia traduzir-se no ano corrente de 2011 pela travagem das compras maciças de Títulos do Tesouro dos EUA pelos países do Golfo. Neste GEAB Nº 53, antecipamos que o choque brutal que sofreu a economia japonesa vai implicar não só travagem das compras dos T-Bonds US pelo Japão como vai obrigar as autoridades de Tóquio a vender duradouramente uma parte importante das suas reservas em Títulos do Tesouro dos EUA a fim de financiar o enorme custo da estabilização, da reconstrução e do relançamento da economia nipónica [3] .

O Japão e os países do Golfo representando por si só 25% do total dos 4.400 mil milhões de dólares da dívida federal dos EUA (Dezembro 2010), o LEAP/E2020 considera que esta nova situação que se afirma no decurso deste primeiro trimestre de 2011, num fundo de reticência crescente da China (20% do Títulos do Tesouro dos EUA) em continuar a investir nos títulos federais estado-unidenses [4] , contém o germe da implosão do mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA no segundo semestre de 2011; um mercado que doravante não tem mais do que um único comprador: a Reserva Federal dos EUA [5] .

É certo que o contexto da crise dos títulos das colectividades locais estado-unidenses (os Munis ) e das dívidas públicas europeias (do conjunto da periferia da UE e inclusive as do Reino Unido) que nossa equipe antecipou para este período (ver GEAB Nº 50 ) não fará senão amplificar o fenómeno. É igualmente muito significativo que PIMCO, o mais importante gestor de fundos obrigacionistas do mundo, tenha decidido no fim de Fevereiro de 2011 desembaraçar-se dos seus Títulos do Tesouro dos EUA. E isto foi antes da catástrofe no Japão! [6]
Figura 1.
Para para além dos choques japonês e árabes (ver GEAB Nº 52 ), o processo de implosão do mercado da dívida federal dos EUA no segundo semestre de 2011 acelera-se sob o efeito de quatro outros fenómenos:

- a execução da austeridade orçamental nos EUA (como antecipado no GEAB Nº 47 ) que condena as colectividades locais dos EUA a uma grande crise do mercado da sua dívida ("Munis")
- a impossibilidade para o Fed de executar um QE3
- a inelutável alta das taxas de juro sobre o fundo da inflação mundial
- o fim do estatuto de refúgio da divisa americana.

Figura 2. Naturalmente, em conjunto, estes fenómenos estão ligados entre si e, característico de uma crise importante, entra-se num período que verá seus impactos reforçarem-se mutuamente, conduzindo a este choque brutal do segundo trimestre de 2011. Poder-se-ia igualmente acrescentar um quinto fenómeno: a paralisia decisional completa do poder estado-unidense. A afrontamento quotidiano, sobre praticamente todos os assuntos, entre republicanos (radicalizados pelos "Tea-Parties") e democratas (desmoralizados por uma administração Obama que traiu o essencial dos seus compromissos eleitorais [7] ), tende cada vez mais a demonstrar que Washington doravante é uma espécie de "nau dos loucos", sacudida pelos acontecimentos, sem estratégia, sem vontade, sem capacidade de acção [8] . Dito de outra forma, conforme o LEAP/E2020, quando a implosão do mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA começar, não será preciso esperar de Washington senão uma prodigiosa cacofonia que apenas agravará a crise.

Neste comunicado público do GEAB Nº 53, optámos por apresentar mais em pormenor a nossa antecipação do choque japonês à escala global, nomeadamente em matéria de inflação e de geopolítica. Os outros fenómenos que conduzem à implosão do mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA no segundo semestre de 2011 são analisados neste GEAB onde formulamos igualmente recomendações para enfrentar o evidente agravamento do processo de deslocamento geopolítico mundial.

A tripla catásfrofe que acaba de sacudir o Japão (tremor de terra, tsunami e acidente nuclear) constitui um acontecimento crucial que vai acelerar e intensificar a crise sistémica global e, em particular, o processo de deslocamento geopolítico mundial. A amplitude das destruições, o choque directo sobre as infraestruturas energéticas da terceira (ou quarta) economia do planeta [9] , a gravidade dos acidentes nas centrais nucleares [10] , constitui um destes choques maiores ao qual o actual sistema internacional já não é capaz de resistir como antecipámos no GEAB Nº 51 ("2011: o ano impiedoso").

O Japão, já muito enfraquecido por uma crise económica crónica que dura desde há vinte anos e cujo endividamento público é um dos mais importantes do mundo, encontra-se doravante face à dupla necessidade de financiar uma reconstrução em grande escala e de assegurar a transição para um período indeterminado caracterizado por uma limitação da energia disponível e por interrupções destes circuitos de aprovisionamento comerciais e industriais. Ora, o Japão é um componente fundamental do sistema de governação mundial destas últimas décadas. Tóquio é uma das principais praças financeiras do planeta, um dos três pólos de gestão dos mercados de divisas (com Londres e Nova York) e a economia japonesa fornece grande quantidade de componentes electrónicos vitais para a economia mundial. Finalmente, como analisámos anteriormente no GEAB, é juntamente com o Reino Unido uma das duas "bóias" [11] que permitem aos Estados Unidos gerirem os assuntos planetários em matéria económica, monetária e financeira desde há mais de cinquenta anos.

Esta "bóia" desde há alguns anos é lançada de maneira crescente na órbita chinesa, ao ritmo da ascensão de poder da China e do enfraquecimento dos Estados Unidos. A crise desencadeada pelo tremor de terra vai, segundo LEAP/E2020, acelerar fortemente esta evolução nomeadamente porque hoje só a China está em condições de dar uma ajuda financeira maciça ao Japão [12] , ajudando directamente a sua economia abrindo ainda mais às empresas japonesas o imenso mercado chinês [13] .

No que se refere à inflação mundial, já se pode identificar cinco canais pelos quais a crise japonesa vai reforçar as pressões inflacionárias actuais:

1. o golpe brutal de travagem no desenvolvimento das políticas de equipamento em nuclear civil no conjunto do planeta [14] que vai rapidamente agravar a pressão sobre os preços do petróleo [15] do gás e do carvão
2. a penúria de numerosos componentes electrónicos vitais que vai gerar uma alta dos preços dos equipamentos electrónicos (computadores passando pelos écrans TV [16] ) devido a cortes de electricidade que afectam as fábricas e à desorganização dos transportes [17]
3. uma pressão agravada sobre os preços alimentares e energéticos [18] mundiais devido a um acréscimo significativo das importações alimentares do Japão (nomeadamente arroz) uma vez que a região afectada é uma das grandes regiões agrícolas do país (ver mapa)
4. um novo recuo da globalização económica na sequências das consequências mundiais da quase paragem da economia nacional, campeã em simultâneo das exportações e da entrega "just-in-time" [19] , que vai limitar em consequência o efeito "deflacionista" dos intercâmbios mundializados [20]
5. e finalmente um duplo fenómeno de perda de valor do yen devido a injecções maciças de liquidez pelo Banco do Japão e ao encarecimento directo do "aluguer" do dinheiro a nível mundial (alta das taxas) por causa das necessidades gigantescas do Japão para assegurar a sua reconstrução.

Figura 3.
Estas antecipações evidentemente não integram o cenário de catástrofe suprema que seria a região de Tóquio contaminada maciçamente pela radioactividade a seguir a uma fusão explosiva de um dos reactores da central de Fukushima [21] . Uma tal situação conduziria, à semelhança do que aconteceu em Chernobyl, a criar uma zona de exclusão afectando esta região onde habitam mais de trinta milhões de pessoas e que está no centro de fluxos planetários essenciais, a qual implicaria uma catástrofe humanitária sem precedente histórico e uma interrupção imediata dos mercados económicos, financeiros e monetários mundiais. Não há muito simplesmente "plano B" para uma "travagem brutal" do nó global que constitui Tóquio e a sua região.

Desejando que esta situação extrema não se concretize, nossa equipe considera que o choque já verificado vai agora traduzir-se por um agravamento brutal da crise sistémica mundial e que o mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA será a primeira grande vítima colateral a partir do segundo semestre de 2011 como analisamos em pormenor neste número do GEAB. O pior felizmente não é certo, mas em contrapartida já não há dúvida quanto ao muito grave.
16/Março/2011

Notas:

(1) Nestas circunstâncias trágicas, a equipe do LEAP/E2020 deseja exprimir a sua solidariedade com o povo japonês e em particular com nossos numerosos assinantes e visitantes japoneses. Queremos igualmente sublinhar que nossa análise muito "clínica" das consequências da catástrofe que acaba de ocorrer no Japão não é uma marca de indiferença mas muito simplesmente o respeito da nossa metodologia que visa limitar ao estrito mínimo possível os elementos subjectivos nas nossas antecipações.

(2) Mesmo o Telegraph de 24/02/2011 já interpreta as revoluções populares árabes como a queda império americano do Médio Oriente.

(3) Fonte: JapanToday, 14/03/2011

(4) Segundo o FT Deutschland, o banco central chinês teria mesmo recebido instrução para não comprar mais nada. Fonte: FT Deutschland, 10/03/2011

(5) Antes da catástrofe japonesa, considerava-se que o Fed, tornado doravante o primeiro detentor de Títulos do Tesouro dos EUA, já comprava mais de 70% das novas emissões. Nas próximas semanas, esta proporção vai aproximar-se progressivamente de 90% a 95%. Pois apesar da sua docilidade para com as pressões dos EUA, o Reino Unido, que a cada dia afunda um pouco mais na nova fase da crise, a "double-dip-flation" como a denominou a nossa equipe, não tem mais meios para comprar Títulos do Tesouro americano: está demasiado ocupado a comprar os títulos da sua própria dívida pública. E, segundo Karen Ward, um dos principais economistas do HSBC, o governo britânico arrisca-se mesmo a ter de enfrentar tumultos da fome se os preços alimentares continuarem a disparar como o fazem desde há várias semanas. Fonte: SkyNews, 09/03/2011

(6) A curto prazo, a fuga dos valores bursáteis (japoneses e outros) pode beneficiar os Títulos do Tesouro dos EUA, mas trata-se de um fenómeno transitório. Fonte: CNBC, 09/03/2011

(7) O último até à data é a reabertura dos processos de Guantanamo quando ele havia prometido o encerramento da prisão o mais tardar um ano após a sua eleição, atraindo assim milhões de eleitores da esquerda do Partido Democrata.

(8) O outro grande país ocidental cujas elites dirigentes estão na mesma situação é a França.

(9) Conforme se considere ou não a Eurolândia como uma economia em si própria. Ora, a cimeira de 11 de Março último que aprofundou ainda mais a integração orçamental e financeira dos países da zona Euro torna cada vez mais aberrante a posição consistente em querer contabilizar de maneira separada os grandes agregados económicos dos países da zona Euro. Assim, com 8.400 mil milhões €, o PNB da Eurolândia situa-se em segunda posição atrás dos Estados Unidos (10.428 mil milhões €), à cotação actual de 1€ por 1,4US$ e muito amplamente à frente da China (4.100 mil milhões €) e do Japão (3.850 mil milhões €). Fontes: Wikipedia, Eurozone , Lista de pa�ses por PIB .

(10) Sem mesmo evocar nesta fase o risco de uma neutralização parcial ou total da região de Tóquio, uma das metrópoles-chave do mundo destas últimas décadas, depois de uma contaminação nuclear.

(11) Como um trimarã.

(12) É preciso ter em mente que Pequim procura por todos os meios desembaraçar-se rapidamente, mas de maneira rentável, da sua montanha de Títulos do Tesouro e outros US dólares. O cataclismo que experimenta o Japão vai assim proporcionar aos dirigentes chineses uma ocasião única para aproximar estrategicamente Tóquio de Pequim.

(13) Inversamente, a muito controversa presença de tropas americanas no Japão vai evidenciar-se, para a opinião pública nipónica, como ainda mais anacrónica e inútil face ao desastre actual. É outro exemplo, como já se pôde constatar no caso das revoluções árabes, da inutilidade crescente do imenso aparelho militar americano: crise após crise, torna-se evidente que ele não tem praticamente nenhuma utilidade para permitir ao governo americano influenciar os acontecimentos.

(14) É certo com efeito que o nuclear civil acaba de sofrer um golpe brutal de que terá muita dificuldade para recuperar-se, nomeadamente porque esta catástrofe se inscreve doravante neste conflito entre elites e opiniões públicas que a crise sistémica global a cada dia exacerba um pouco mais. Dentre os países que vão sofrer o pleno impacto desta "revolução" em relação ao nuclear já se pode citar a França que há mais de cinquenta fez do nuclear civil uma das jóias da sua tecnologia e das suas exportações. Fonte: Spiegel, 14/03/2011

(15) Um factor que vai reforçar a evolução inexorável da região do Golfo para uma situação de caos, mesmo de conflito directo entre xiitas e sunitas, entre os povos da região e seus dirigentes, entre o Irão e a Arábia Saudita. O envio de tropas sauditas ao Bahrein é um indício da escalada dos riscos em toda a região assim como a implicação financeira dos Emirados Árabes Unidos que tentam colmatar com urgência quarenta anos de desinteresse por segmentos inteiros das suas populações. Fontes: AlJazeera, 15/03/2011; New York Times, 10/03/2011; AlJazeera, 10/03/2011

(16) Um dos raros factores "baixistas" que permitia esconder a subida dos preços da alimentação ou da energia em numerosos índices de preços. Assim, mesmo na China e em toda a Ásia Sudeste, o impacto das penúrias de componentes japoneses já se faz sentir com a alta imediata dos preços uma vez que a indústria electrónica japonesa deslocalizou maciçamente partes inteiras da sua produção através de toda a Ásia, mas conservando fabricações estratégicas no Japão. Fonte: China Daily, 15/03/2011

(17) E por toda a parte do mundo vão-se experimentar penúrias de carros japoneses e de peças sobressalentes para os mesmos. Dada a importância mundial da indústria automóvel japonesa, não haverá solução substitutiva fácil para por em prática. Assim, mesmo na Índia, ainda que pouco dependente das marcas japonesas, o impacto já se faz sentir directamente com a anulação pelos grandes grupos japoneses de vendas e de promoção de novos modelos. Fonte: Times of India,

(18) Várias refinarias japonesas foram destruídas. Isso implica importações japonesas acrescidas de produtos refinados que geram já altas de preços da gasolina nos Estados Unidos. Fonte: USAToday, 14/03/2011

(19) As economias exportadoras chinesa e alemão (assim como a da Coreia do Sul, Formosa, ...) vão igualmente sofrer as consequências negativas desta evolução.

(20) É importante manter em mente que o recuo da mundialização dos intercâmbios em proveito da recentragem em zonas económicas regionais dotadas de uma moeda única ou dominante (UE, Ásia, América Latina, ...) implica um recuo simultâneo das necessidades de US dólares para financiar as trocas internacionais. Ver diferentes GEAB anteriores.

(21) O que induziria igualmente consequências internacionais em matéria de precipitações radioactivas. 15/03/2011

[*] Global Europe Anticipation Bulletin.

O original encontra-se em www.leap2020.eu/...

DO CONTRA [79] tolerância vaticanina


aijesus.blogspot.com - 20 mar 2011

  1. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos acaba de autorizar a presença de crucifixos nas escolas públicas italianas. O Vaticano considerou "histórica" a decisão -- e em Portugal prepara-se já a luta, proximamente e na Assembleia da República, pelo regresso dos crucifixos às salas de aula
    [é curioso que sejam os crucifixos: mais uma prova a favor da minha tese de que o cristianismo é a religião da dor, do sofrimento -- não da ressurreição libertadora].
    É, diz-se, a vitória da liberdade religiosa.
  2. Recordo: o Senado francês aprovou, há meses, por ampla maioria, a proibição do uso da burca, a vestimenta islâmica que cobre totalmente o corpo e o rosto da mulher, e também do véu integral, chamado niqab. A lei prevê uma multa de US$ 185 ou aulas de recuperação. Justificação: a proibição garante os valores seculares da França.
  3. Há um ano e pico, um referendo convocado pelo Partido Popular Suiço aprovou a proibição de construir minaretes nas mesquitas islâmicas da confederação helvética
    [isto apesar de, num total de 150 edifícios, apenas quatro terem minaretes e nenhum dos quatro minaretes existentes ser usado para chamar os fiéis para as orações do dia, o que já era proibido por lei].
    Justificação da proibição: os minaretes são "símbolo político-religioso".
É isto a coerência dos vaticaninos
[que com frequência acusam o islamismo de fundamentalista]:
tratando-se da defesa de Javé, é a liberdade religiosa que está em questão; se a questão for Alá, é laicidade que prevalece. Se esta atitude vaticanina não é fundamentalista, estamos conversados acerca do que é a tolerância.
 
Em minha opinião, mais do que uma questão do Vaticano, nesse tipo de situação mostrasse a grande evolução da democracia mundial que aparece em ações como essa, ou nas leis de imigração dos EUA, ou na manutenção de Berlusconni, mentiras para se conseguir desculpas para se ir para a Guerra como Blair fez. 
Isso tudo em países que como se escrito por grandes autores, representam importantes "democracias". 

Serviço Secreto revista até carro da Polícia Federal em Copacabana

viomundo - 20 de março de 2011 às 0:01

Mariana Costa, do R7, no Rio

Agentes do Serviço Secreto americano a paisana fazem uma varredura com cães farejadores nos arredores do hotel Marriott, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro – onde é esperado o presidente do EUA, Barack Obama, e sua comitiva, na noite deste sábado (19). Os veículos policiais, da Guarda Municipal e até mesmo da PF (Polícia Federal) foram vistoriados. Parte das centenas de curiosos em frente ao hotel vaiou a ação dos policiais no carro da PF.
Um trecho da avenida Atlântica, no sentido Ipanema, foi interditada por volta de 20h20 desta noite. Os motoristas devem seguir pela rua Figueiredo Magalhães até a rua Barata Ribeiro para acessar o avenida Atlântica pela rua Santa Clara.

Gostaria de entender essa. A Polícia Federal brasileira nesse caso estava sendo qualificada como incapaz, irresponsável, não confiável ou as três coisas juntas?

Antigos legionários das SS e seus apoiantes desfilaram em Riga

darussia.blogspot.com - Quarta-feira, Março 16, 2011


Mais de duas mil pessoas manifestaram-se na capital da Letónia a fim de assinalar o Dia do Legionário das SS nazis, tendo esse acontecimento decorrido sem incidentes, informa a polícia local.
“Cerca de 2 500 pessoas participaram na manifestação e na deposição de flores no Monumento à Liberdade. Os protestos contra ela não foram muito ativos. O número de polícias foi suficiente para manter a ordem em toda a cidade. Não se registaram incidentes”, declarou aos jornalistas Silgita Pildava, porta-voz da polícia.
Na manifestação participaram seis deputados do Parlamento da Letónia, bem como dirigentes de várias organizações nacionalistas desse país e da Estónia.
Cerca de 70 militantes antifascistas protestaram contra a realização dessa manifestação ao som da Sétima Sinfonia de Chostakovitch, também conhecida por Sinfonia de Leninegrado, dedicada à resistência ao fascismo.
A legião letã das SS foi criada pelo comando alemão durante a Segunda Guerra Mundial no território da Letónia, Estado que fora ocupado pela União Soviética em 1939 e invadido pela Alemanha nazi em 1941.
Esta legião foi acusada de participar em operações de extermínio de judeus na Letónia.
Por esta legião passaram cerca de 150 mil letãos. Após a reocupação desse país pela URSS em 1944, numerosos soldados dessa legião foram julgados e condenados a pesadas penas nos campos de concentração da Sibéria.
Depois da proclamação da independência da Letónia em 1991, os soldados sobreviventes dessa legião criaram uma organização que se manifesta anualmente em Riga a 16 de março.

Comentários da Semana

Na edição 637 de Carta, Maurício Dias em sua Rosa dos Ventos escreve sobre a problemática da localização "geográfica" do Governo Dilma, e a preocupação de alas do Partideco em relação à isso.
Só os ingênuos acreditavam numa mudança em relação ao anos Lula. Eu mesmo já havia escrito aqui que a eleição de Dilma representaria uma continuidade dos anos Lula, sem percalços, sem sustos. Mas, tanto o pessoal que fazia força contra a eleição dizendo que Dilma iria instalar o comunismo no Brasil, como os ingênuos que apoiavam dizendo que agora sim, o comunismo vai vir, estão tontos com o modelo Dilma.
Na mesma Carta está uma explicação para isso. O partideco nunca  foi de esquerda (como também já disse aqui). A trama para a volta de Delúbio mostra um arremedo de partido que um dia se disse ligado aos interesses dos trabalhadores e que quando chegou ao poder usou de todos os meios que podia para se manter nesta situação. O que é pior, até mesmo a alegada ala mais à esquerda que é coordenada por Markus Sokol apoia o retorno. 
Realmente a cada dia que passa vemos qual é a real composição dos representantes do Partideco.


Na mesma edição com o titulo de "Queime Depois de Ler", Marina Amaral e Natália Viana esclarecem o mundo da diplomacia americana. Fica bem nítido o total despreparo por parte da maioria de embaixadores americanos. Despreparo este motivado pelo fato de que esses cargos são vendidos. Bom, se são "indulgências" estão perdoados todos os pecados da ignorância, da luxúria e da vaidade que esses "embaixadores" praticaram ou praticam pelo mundo.
Mais uma vez, estamos diante da comercialização tão comum nos EUA. Mas, o que se esperar de um país em que o FED (Banco Central) é tão federal quanto a Federal Express?


A ofensiva ocidental sobre a Libia deu nova esperança aos rebeldes libios, mas, como está me reportagem de Carta, os Libios gostariam de resolverem suas discrepâncias internamente. Os rebeldes aceitam o auxílio de armamentos e suprimentos ocidentais, mas não querem uma invasão de tropas como a que aconteceu no Iraque e no Afeganistão.
Creio que o respeito aos interesses dos rebeldes dependerá em grande parte dos interesses aliados em relação ao petróleo líbio.