"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sábado, maio 16, 2009

Lula vai à China propor o fim do uso do dólar no comércio bilateral

Instituto Humanitas Unisinos - 16/05/09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai propor ao seu colega chinês, Hu Jintao, na terça-feira, que o comércio entre Brasil e China seja feito na moeda dos dois países. "Nós não precisamos de dólares. Por que dois países importantes como China e Brasil têm que usar dólares como referência, em vez de suas próprias moedas?", afirmou Lula, em entrevista à revista chinesa Caijing (Finanças).

A reportagem é de Cláudia Trevisan e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-05-2009.

O presidente brasileiro chegará a Pequim na segunda-feira, para uma visita que vai durar pouco mais de 48 horas. A ampliação do peso dos países em desenvolvimento nos organismos multilaterais será outro ponto crucial do encontro de trabalho que ele terá com Hu Jintao às 17 horas de terça-feira (horário local). Antes disso, na segunda-feira, os dois presidentes vão jantar juntos.

Brasil e China possuem uma série de posições comuns nas negociações de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC) e respondem por metade da sigla Bric - a outra metade é formada por Rússia e Índia.

Os dois países também se alinharam na reunião do grupo dos 20 (G-20) - que inclui países ricos e emergentes - realizada no dia 2 de abril, em Londres, para discutir a crise financeira internacional.

Ambos defenderam a ampliação da presença das nações emergentes em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial e uma reengenharia financeira global.

"Foi a primeira fez que estive em encontros nos quais os países ricos, que no passado sabiam tudo, não sabiam nada. Hoje, nós podemos discutir em condições de igualdade decisões que antes excluíam Brasil e China", destacou o presidente Lula.

A proposta de adoção de moedas nacionais no comércio bilateral está em linha com reiteradas manifestações de autoridades chinesas em defesa de uma alternativa ao dólar na economia internacional.

Dez dias antes da reunião do G-20, o presidente do Banco da China (equivalente ao banco central), Zhou Xiaochuan, publicou artigo no qual defendeu a criação de uma moeda internacional para substituir o dólar como reserva de valor.

PODER GLOBAL

A China possui US$ 2 trilhões de reservas internacionais, o maior volume do mundo, e o texto de Zhou Xiaochuan evidenciava a preocupação das autoridades de Pequim com o fato de grande parte desses ativos financeiros estar aplicada em uma única moeda.

Por trás da discussão sobre a moeda internacional também há uma questão de disputa de poder político global, permeada pela concepção de que o uso do dólar como moeda de troca e de reserva de valor reflete e sustenta a supremacia norte-americana no mundo.

Paralelamente à defesa de uma moeda internacional, Pequim deu os primeiros passos no sentido de promover o uso internacional de sua própria moeda, o yuan. Desde o dia 12 de dezembro, a China já fechou acordos de swap cambial no valor de US$ 95,6 bilhões com seis países, incluindo a Argentina.

Um mês depois da publicação do artigo de Zhou Xiaochuan, o governo chinês anunciou ainda que quatro cidades do país poderiam utilizar o yuan para quitar suas transações de comércio exterior, exatamente o que Lula pretende que seja feito agora com o Brasil - em uma rua de duas mãos, com uso também do real.

Para o presidente brasileiro, é inevitável que os países emergentes tenham mais voz e voto nas instituições e nas decisões globais. "Agora, sempre que há uma reunião no mundo, as pessoas querem saber o que a China pensa e o que o Brasil sente. As pessoas começam a perceber que não somos mais atores coadjuvantes, mas atores principais. Isso cria uma nova e real possibilidade para uma nova política global. É precisamente neste momento que China, Brasil, Rússia e Índia precisam ser muito humildes e calmos, mas também muito audaciosos", declarou Lula à Caijing.

Parte da receita do pré-sal pode ir para fundo social

Instituto Humanitas Unisinos - 16/05/09

A equipe econômica estuda a criação de um Fundo de Responsabilidade Social, que seria abastecido com recursos arrecadados com a extração do petróleo da camada pré-sal. Segundo uma fonte do governo, esse fundo, diferentemente do Fundo Soberano do Brasil, terá por objetivo investir em educação, saúde e combate à pobreza, com uma atuação de longo prazo, atravessando gerações. "Se for criado, esse fundo muda o Brasil", afirmou a fonte.

A reportagem é de Fabio Graner e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-05-2009.

A modelagem do mecanismo ainda está em fase de elaboração, no âmbito das definições do marco regulatório da exploração do pré-sal. A intenção é que os estudos e propostas técnicas de regulamentação do tema estejam prontos até o fim deste mês, ou no mais tardar no início de junho, para poderem ser encaminhados ao Congresso ainda no mês que vem.

Embora o governo esteja trabalhando intensamente na elaboração do marco regulatório do pré-sal, há sérias dúvidas sobre a viabilidade da aprovação pelos parlamentares das regras propostas, por causa da proximidade das eleições presidenciais de 2010. De qualquer forma, o atual governo não quer perder a oportunidade de dar uma referência ao debate. Além disso, as propostas já serão uma explicitação clara do programa de governo da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para o petróleo.

Nessa regulamentação, o governo deve propor a criação de uma empresa para gerenciar as reservas do pré-sal. Além disso, estará se definindo o modelo de exploração: de partilha - em que o produto é todo do governo, que o divide com a empresa que extrai o petróleo - ou de concessão, modelo atual, em que o governo licita blocos de exploração para as empresas, que podem vender o produto, pagando impostos e royalties à União.

O outro foco dessa discussão é o que fazer com o grande volume de recursos financeiros que o pré-sal promete gerar para o País. E é nesse sentido que o Fundo de Responsabilidade Social, nome provisório do mecanismo em estudo, está sendo preparado. A ideia é que seja abastecido com um porcentual das receitas que o governo federal vai obter com a exploração nas águas profundas.

Quanto será o porcentual é um dos temas em discussão. Disso e também das estimativas de produção nos próximos anos dependerá o tamanho do fundo. Outro aspecto da discussão é detalhar o tipo de política pública na área social na qual os recursos do fundo podem ser aplicados. Outro tema em discussão é a partir de quando o dinheiro poderá ser gasto, já que o caráter desse fundo é de longo prazo.

Promessas de campanha ficam pelo caminho e Obama cede ao pragmatismo

Instituto Humanitas Unisinos - 16/05/09

Nos quatro meses na Casa Branca, o presidente dos EUA, Barack Obama, começa a abandonar a retórica de campanha e a conviver com uma dura realidade: algumas promessas serão difíceis ou impossíveis de cumprir. Fechar a prisão de Guantánamo e acabar com as comissões militares criadas para julgar suspeitos de terrorismo são alguns compromissos que ficarão pelo caminho.

A reportagem é do jornal O Estado de S. Paulo, 16-05-2009.

O primeiro sinal do pragmatismo de Obama surgiu na quarta-feira, quando ele mudou de ideia e decidiu contestar a determinação judicial de divulgar fotos de americanos torturando presos. "As imagens incentivariam o antiamericanismo e colocariam nossas tropas em risco", justificou o presidente.

A decisão enfureceu alguns democratas, que reclamam da guinada para o centro do governo, que ainda não emplacou uma reforma das leis de imigração, não tem um plano de retirada do Afeganistão e até o cronograma para o fim das operações no Iraque está ameaçado pelo retorno da violência na região.

Obama bem que tentou. Seu primeiro ato de governo foi assinar uma ordem executiva suspendendo as comissões criadas por George W. Bush e prometendo fechar Guantánamo em um ano. Quatro meses depois, tudo continua na estaca zero.

O revés político era previsível, já que ninguém sabe o que fazer com os 240 presos da base. "Não traremos a Al-Qaeda para meu Estado", disse na semana passada Max Baucus, senador democrata de Montana.

"Para Quantico ninguém vai", disse Mark Warner, senador democrata de Virgínia, sobre a possibilidade de alojá-los numa base em seu Estado. "Alcatraz é um parque nacional, não uma prisão de terroristas", afirmou Dianne Feinstein, senadora democrata da Califórnia.

A pressão da opinião pública fez com que deputados de Louisiana, Califórnia, Mississippi, Missouri e Virgínia aprovassem leis proibindo a transferência de detentos para seus territórios. Os republicanos encaminharam um projeto ao Congresso que, se aprovado, não permitirá que detentos de Guantánamo sejam transferidos para Estados sem a aprovação de governadores e deputados estaduais.

Em abril, o senador republicano Jeff Sessions questionou a autoridade do governo federal de transferir presos para o território americano com base em uma lei federal de 2005, que proíbe a entrada nos EUA de estrangeiros que tenham envolvimento com o terrorismo.

Sem saída, o secretário de Justiça, Eric Holder, fez em abril um giro pela Europa para tentar se livrar de alguns detentos. No entanto, o máximo que conseguiu foi um aceno de britânicos e alemães, que prometeram pensar no assunto.

Há duas semanas, o secretário de Defesa, Robert Gates, reconheceu que cerca de 75 presos não poderão ser libertados nem julgados nos EUA por causa de confissões obtidas sob tortura. Ao mesmo tempo, muitos são considerados perigosos demais para serem soltos.

Além disso, nem todos podem ser devolvidos a seus países, pois correm o risco de ser mortos. Uma solução seria aprovar no Congresso uma lei permitindo que presos sejam mantidos indefinidamente sob custódia, sem julgamento, opção que causaria uma convulsão na base democrata. Para a maioria dos constitucionalistas americanos, o nó dado por Bush é impossível de desatar.

Rondon – de Mimoso à Praia Vermelha

Por Cel Hiram Reis e Silva, 15 de Maio de 2009

Rondon: altura média, testa larga, fisionomia distinta,traços finos, olhos amendoados, queixo delgado. Herói que nasceu soldado e morrerá soldado. Mas herói ‘sui generis’ que, para não matar, nem deixar que se matasse um só homem, preferiu arrostar cem vezes a morte...

(Fuad Carim - Embaixador da Turquia no Brasil)”.

Falar de Rondon é abusar dos adjetivos, é falar no superlativo. Encontramos na obra de Esther de Viveiros um relato pessoal que não nos cabe, como cronista, nada acrescentar. Apresentamos ao leitor brasileiro a vivencia contagiante de brasilidade de um ícone tão magnífico que a própria história resolveu materializar sua grandeza emprestando seu nome a um estado brasileiro - Rondônia. Resolvemos apresentar Rondon em quatro artigos iniciando pela sua origem até o seu ingresso na Escola Militar.

- Benjamim Costallat

"Esse caboclo, peregrino por patriotismo, viajante por ideal, desbravador por destino, apaixonado por ofício, pionei­ro por temperamento, incansável por dever, estóico por profis­são, soldado da paz, a serviço das fronteiras que ajudou a de­marcar e do sertão ,que ajudou' a revelar, na mais nobre das conquistas e na mais santa das vitórias, Rondon é glória que reúne os mais altos méritos militares aos mais altos méritos civis".

- Família

Cândido Mariano da Silva Rondon, militar e sertanista brasileiro, mais conhecido como Marechal Rondon, nasceu em Mimoso, MT, em 5 de maio de 1865.

“(...) minha ascendência materna indígena - índios terena e índios borôro. Com os guaná de quem descendia minha avó paterna, Maria Rosa Rondon, são três as tribos de que descendo.

(...) Casaram-se meus Pais, Cândido Mariano da Silva e Claudina Lucas Evangelista, no Mimoso. Foram meus padrinhos Antônia Rosa da Silva e Quintiliano Pereira de Castro. Maria Antonia de Arruda, mulher do pescador Antônio Alves, foi ‘madrinha de carregar’, isto é, ter nos braços o neófito, até lhe ser ministrado o sacramento do batismo”. (Viveiros)

- A terra Natal

Mimoso é distrito do município de Santo Antonio do Leverger, antigamente Santo Antonio do rio Abaixo.

(...) Era eu já um pequenino vaqueiro. Corria logo que alguém ia tratar do gado ou tirar leite. E não era só do leite que eu gostava. Quando, segundo a expressão popular, ‘o homem transformava o touro, que Deus fez, em boi’, corria para junto da fogueira onde se realizava a operação e onde se assava o que fora extraído, e que todos nós saboreávamos.

Iniciei, bem pequeno, as caçadas, de que fui sempre apaixonado - até que lhes compreendi a desumanidade. Minha arma era um bodoque com que atirava pelotas de barro.

Vivia vida ao ar livre, vida sã e ativa, naquelas paragens pelos borôros denominadas Aquiríio - nome de um pequenino pássaro que vive e faz os ninhos no capim macio das campinas. Voa para o alto, verticalmente, como uma seta, a subir cada vez mais, embriagado de luz e de altura, até desaparecer no azul... para depois se deixar cair, com um longo assovio aquirí-i-i-i-i-i-o...

Em mim se desenvolviam, assim, naturalmente, os germes de todos os elementos do sertanejo.

Meu avô materno, já viúvo, e Dindinha Joaquina que me criavam, não se esqueciam, entretanto, de me instruir.

Terminada a guerra do Paraguai, em fins de 1871, veio para o Mimoso um ex-sargento de ‘Voluntários da Pátria’. Propôs aos fazendeiros de maior destaque - entre os quais Antônio Caetano, meu tio, e João Lucas Evangelista, meu avô - ensinar a petizada, fundando uma escola de onde, ao terminar o ano, saía eu sabendo ler e escrever.

Usava o ex-sargento barba cerrada. Apesar do aspecto severo, só lhe chamávamos o 79, seu número no regimento. Seu nome era Jacinto Heliodoro de Almeida e nascera em Niterói”. (Viveiros)

- Cuiabá

Em colóquio íntimo, transmitira meu Pai a meu tio seus tristes pensamentos: ‘Mano Manoel Rodrigues, sinto-me muito doente. Penso no primeiro filho que vou ter. Posso morrer antes que ele nasça. Meu irmão, se isso acontecer, e se o filho esperado for um menino, não o deixe no Mimoso. Mande-o buscar, afim de o salvar da triste ignorância em que jazem os filhos dos mimoseanos. Aqui. em Mimoso. Será ele um vaqueiro ignorante; na Cidade, poderá se preparar para servir melhor nossa Terra’.

E realizaram-se aqueles tristes pressentimentos - não pôde ele estreitar nos braços o filhinho. Veio a falecer em fins de dezembro de 1864, Quando rebentou a guerra do Paraguai, e eu nasci a 5 de maio de 1865, no aceso da luta desumana.

Dois anos e meio depois, falecia minha Mãe.

Meu tio. Manoel Rodrigues da Silva. sem aquilatar o alcance do compromisso tomado, cumpriu-o religiosamente: mandou buscar-me quando atingi a idade de 7 anos. E assim é que passei a segunda infância e o início da puberdade em Cuiabá, em companhia daquele tio, realizador dos sonhos de meu Pai.

(...) Era solitária e triste minha vida, em casa do tio viúvo - perdera ele a esposa, dois anos depois de minha vinda para sua companhia. Só tinha relações com a família de Manoel Lino de Christo, casado com Nhá Vita, irmã de sua falecida esposa, com Nhá Juvência, outra irmã, casada com João Marques, o ‘palhaço’, como lhe chamavam, pelas suas pilhérias e com Nhá Balbina, outra parenta.

Minha convivência era, pois, com filhos de trabalhadores que frequentavam a escola. E, desde logo, como sempre, no correr de minha carreira, puseram-me como chefe, chefe da meninada.

Aliás, não tinha eu muito tempo para brincar. Quando não estava agarrado aos livros, ia ajudar o tio na venda de roça, onde de tudo se vendia, inclusive peixe frito que, com farinha, constituía a alimentação dos trabalhadores.

(...) Ao chegar eu a Cuiabá, em 1873, estavam fechadas as matrículas nas escolas públicas e, para não perder tempo, pôs-me meu tio na escola particular de Mestre Cruz. No ano seguinte fui matriculado na escola pública do Professor João Batista de Albuquerque, uma vez que meu tio não tinha posses para pagar uma escola particular.

(...) Passei, depois da escola de Mestre João, para a do Professor Francisco Ribeiro da Costa, Mestre Chico, na qual completei o curso primário, em 1878.

(...) Matriculei-me em 1879 na Escola Normal - que tomou no ano seguinte o nome de Liceu Cuiabano - completando com distinção o curso normal, em princípio de novembro de 1881, isto é, com 16 anos. Tornei-me assim, uma vez diplomado, apto a exercer as funções de professor primário, tendo sido nomeado.

Sem conhecer ainda os sonhos de meu Pai a meu respeito, inspirei-me nas resoluções de meus colegas do Liceu, que assentavam praça para estudar na Escola Militar.

(...) Por isso, pouco antes de me formar, procurei meu tio, para uma conversa. O bom Manoel Rodrigues assustou-se, quando lhe disse:

- Meu tio, deixe-me estudar no Rio de Janeiro.

- Como te poderei eu sustentar lá! Procurei satisfazer teus desejos, nesse teu anseio de aprender, de progredir, mas mandar-te para o Rio, não é possível, não tenho recursos para isso!

- Não lhe estou a pedir recursos, meu tio, e sim o seu consentimento. Quanto aos meios para estudar no Rio, há muito venho preocupado com o problema, e já lhe encontrei a solução.

(...) Aflito, ao pensar nas dificuldades que teria eu de enfrentar, como soldado, foi procurar seu amigo, o Dr. Malhado, médico, professor de pedagogia na Escola Normal, que me dera distinção. Expôs-lhe suas preocupações.

Voltou Manoel Rodrigues satisfeitíssimo e apressou-se em me comunicar que decidira me adotar, para que, na qualidade de filho de Capitão da Guarda - Nacional, me fosse possível iniciar a carreira como cadete, e não como soldado. Dr. Malhado dar-me-ia carta de recomendação.

Qual não foi, porém, sua surpresa quando, em vez da alegria entusiástica com que contava, teve a minha resposta:

- Fico-lhe muito agradecido pela sua idéia, mas não posso aceitar que me adote.

- Dizes-me isso a mim, que te criei, que fiz por ti tudo quanto em mim coube!

- Pai só posso ter um - é o Senhor meu tio, um tio que muito prezo e a quem muito estimo. Nunca poderá, entretanto, ser meu Pai!

E fui assentar praça.

Não aceitei também carta de recomendação.

- Se não puder me encaminhar sozinho, renunciarei a meus projetos e serei vaqueiro - garanto-lhe que bom vaqueiro!

- Para não magoar Dr. Malhado, aceite a carta e dê-ma. Inutilizá-la-ei.

Tinha Manoel Rodrigues da Silva um homônimo cajas falcatruas andavam pelos jornais - resolveu, por isso, acrescentar ao seu nome o apelido de sua Mãe: Rondon. E passou a assinar-se Manoel Rodrigues da Silva Rondon.

Ao formar-me, adotei o nome de Rondon, em homenagem ao tio que quisera ser meu pai. Requeri, ao Ministro da Guerra, permissão para acrescentar Rondon ao meu nome e passei a assinar Cândido Mariano da Silva Rondon, depois de deferido meu requerimento”. (Viveiros)

- Soldado

“Poucos dias, apenas, depois de ter terminado meu curso no Liceu Cuiabano, era eu soldado do 3° Regimento de Artilharia a cavalo, com praça verificada a 26 de novembro de 1881, no Quartel do antigo acampamento Couto de Magalhães, em Cuiabá, e com destino à Escola Militar da Praia Vermelha. Para isso requeri, previamente, licença para nela me matricular.

Embarquei a 2 de dezembro desse mesmo ano de 1881, com destino ao Rio de Janeiro, aonde cheguei a 31.

Fui então mandado adir ao 2° Regimento de Artilharia a cavalo, onde iniciei a instrução de recruta, e incluído na 4ª Bateria do Regimento, sob o comando do então Capitão Hermes da Fonseca, com o soldo de 3$160.

Não tardou muito, porém, que reconhecessem em mim preparo acima daquelas funções e, como eu tinha boa letra. fui designado para o cargo de amanuense da secretaria do Regimento.

Tendo, mais tarde, o Quartel Mestre General requisitado uma praça, graduada ou não, para o cargo de amanuense, fui eu designado.

Vinha a pé de São Cristóvão ao Quartel General - mas, ao chegar à esquina da praça, comprava pé de moleque a uma baiana. Sacudindo os balangandãs e mostrando os dentes alvos, em bondoso sorriso, oferecia ela gostosas guloseimas, ativando, de vez em quando, as brasas em que assava os beijus.

Muito me fazia sofrer o alojamento com os cadetes. Minha vida de menino que só tinha um sonho - estudar para bem servir sua Terra - não me preparara para a convivência com rapazes de tão descabelada linguagem.

Como amanuense do Quartel Mestre General, porém, poderia eu residir fora do alojamento. Desarranchado, passei a receber um soldo que me permitia pagar o aluguel do quarto e fazer as refeições em um frege-moscas... Vinha o bodegueiro, um gordo português, ler o cardápio - deixava-o eu cantar a lista dos quitutes e invariàvelmente pedia um prato de feijão... que comia com pão.

E assim vivia sem apuros. Arranjara um meio de poupar lavagem de roupa: usava um colarinho de celulóide na gola da farda irrepreensível, rigorosamente abotoada... para disfarçar a falta da camisa.

Não eram válidos, para a matrícula nas Escolas Superiores do Rio, os exames do Liceu Cuiabano. Não me foi assim possível matricular-me na Escola Militar em 1882. Não desisti, entretanto, como meus colegas de Cuibá, vindos ao Rio com o mesmo objetivo, que regressaram, convidando-me a que fizesse o mesmo. Mantive-me firme no propósito de contornar a dificuldade.

Procurei imediatamente solução para esse novo problema e verifiquei que os exames, prestados na Instrução Pública, eram válidos para a Escola Militar.

Inscrevi-me, pois, em 1883, em todos os exames do Externato Pedro II e cheguei a prestar os de português e geografia cujo lente, o Dr. Xavier - que mais tarde viria a ser meu sogro - me deu plenamente.

Choviam, entretanto, empenhos para que todas as praças, aprovadas no exame de admissão, que tivessem requerido matrícula na Escola Militar - era esse o meu caso - fossem admitidas como adidas à mesma Escola. O Ministro Carlos Afonso, o Afonsinho, como lhe chamavam, cedeu e assim nós, 200 praças, fomos adidos à Escola Militar. Eram 200 novos alunos acrescentados à matrícula de 1883.

Iniciei, pois, em 1883 meu curso de preparatórios, de 3 anos. Assim, só em 1886, no caso de ser sempre aprovado, poderia eu iniciar meu curso superior, para o qual trazia, do Liceu Cuiabano, todos os preparatórios necessários que só não poderiam ser aproveitados por não serem reconhecidos oficialmente. Decidi, pois, cursar o 1° ano exigido pelo regulamento e requerer, no fim do ano, exame vago dos 2° e 3° anos.

Meus companheiros ficaram estatelados ante minha audaciosa decisão.

- Bicho peludo! pensas que com matemática de Cuiabá vais vencer! É muito atrevimento! Vais levar bomba, na certa!

- É possível, mas estou convencido de que sei e vou tentar.

E tentei. Com matemática de Cuiabá, tirei eu, o ‘bicho peludo’, distinção no 1° ano e plenamente de 2° e 3° anos.

Nunca se havia realizado tal façanha na Escola Militar cujo rigor era inquebrantável, mas, vencendo, habilitei-me a me matricular no curso superior, o que realmente fiz, em 1884. (Viveiros)

Fonte: VIVEIROS, Esther de – Rondon conta sua vida - Brasil, Rio de Janeiro,1958 – Livraria São José.

Os ‘sacoleiros’ do Conselho Indígena de Roraima (CIR)

Por Cel Hiram Reis e Silva, 13 de Maio de 2009

‘Malévolos sicários,

Raça espúria, sem Pátria, ermos de brio,

Já traidores alfanges afiando,

O ensejo só aguardam favorável

De ensopá-los no sangue

Daqueles a quem bens, e honra devem.’

(Domingos José Gonçalves de Magalhães)

- O ‘padre’ italiano Giorgio Dal Bem

Giorgio, que vive no Brasil desde a década de 60, a Igreja Católica, Organizações Não-Governamentais (ONGs) estrangeiras e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) sempre defenderam a demarcação contínua das reservas de Raposa e Serra do Sol. Desde que chegou à região o padre guerrilheiro promoveu, com seus simpatizantes, uma série de invasões a propriedades rurais no estado procurando intimidar os não-índios e os indígenas que não faziam parte de sua corja. As ações do CIR seguiam à risca a cartilha preconizada pelo missionário estrangeiro. Os criminosos destruíram patrimônio público e privado, atentaram contra a vida de seus opositores, impediram o acesso aos postos de saúde de elementos não filiados ao CIR e cercearam, indiscriminadamente, o direito de ir e vir das pessoas.

“Ele anda armado e usa os índios na exploração de ouro e no garimpo de diamante. Antes isso era feito com máquinas, e hoje o trabalho é todo manual, feito pelos índios. Enquanto estivemos juntos, sempre vi o padre pegando ouro e diamantes. Não sei o que ele fazia com aquilo, para onde mandava. Só sei que ficava com ele.” Acusava, na época, o tuxaua Terêncio Luiz.

O ‘bom’ padre transformou a aldeia Maturuca numa fortaleza na qual só permitia a entrada da FUNAI, missionários e representantes de ONGs. Sempre que se sentia acuado, o ‘padre’ se refugiava na Guiana, por diversas vezes teve de travestir-se de mulher, substituindo o hábito ou as roupas ‘mundanas’ por roupas femininas.

- O ouro de Dom Aldo Mongiano

Em abril de 1988, agentes do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e o secretário de Segurança de Roraima, Coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto, invadiram a casa do arcebispo dom Aldo Mongiano. No cofre da arquidiocese foram encontrados um saco com 615 gramas de diamante e dois quilos de ouro. Na queixa que fez à polícia sobre a invasão de sua residência, dom Mongiano não registrou o sumiço de ouro e diamante. Aldo Mongiano, da Ordem Missionária da Consolata, antes de vir para o Brasil, havia fugido de Moçambique onde apoiava a guerrilha de esquerda. O bispo italiano ofereceu, em 1993, recursos internacionais a Maurício Corrêa, então ministro da Justiça, para a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol.

- Semeando a Cizânia e o ‘Apharteid’

Aliciados pelas espúrias ONGs estrangeiras e seduzidos pela cantilena malévola e entreguista, patrocinada pelos missionários do clero católico, acobertado pelo manto da fé, o CIR, desde a década de 70, vem trabalhando na cizânia e no ‘apharteid’. O objetivo final do famigerado Conselho é, sem dúvida, criar uma nação independente com o beneplácito do governo federal e recursos fornecidos pelo próprio estado brasileiro. A recente vitória na demarcação contínua da Raposa e Serra do Sol, com o apoio de nossos alienados Ministros do STF parece que os encorajou a mostrar finalmente a sua verdadeira cara. Transcrevemos, abaixo, um artigo do amigo Wilson Barbosa, jornalista em Roraima.

- CIR rola a sacolinha - Jornalista Wilson Barbosa – Boa Vista, RR

“Não dá para acreditar. O Conselho Indígena de Roraima (CIR) está rolando a sacolinha, em linhas gerais, pedindo dinheiro sob a alegação que está enfrentando dificuldades financeiras para continuar a luta pelos povos indígenas de Roraima. Pelo menos é o que consta na página da entidade do Estado que recebe recursos do governo Federal além de governos estrangeiros e entidades internacionais.

Isto é o que consta na página da ONG. “O CIR enfrenta dificuldades financeiras para continuar a luta pelos povos indígenas de Roraima. Se desejar, você pode fazer uma contribuição Solidária aos Índios de Roraima. O depósito, de qualquer valor, pode ser feito na (...)”.

O que não para dá para entender é como uma organização não governamental cujos diretores vez por outra estão viajando pelo Brasil afora e porque não dizer pelo exterior, está rolando a sacolinha, ou seja, pedindo dinheiro para continuar a luta pelos povos indígenas de Roraima, o que não é verdade. A luta da entidade deve ser apenas para os índios que rezam pela cartilha da ONG e os indígenas de outras associações ficam apenas a ver navios.

Outro ponto que acho estranho é que meses atrás o diretor da ONG, Dionito José de Souza teria declarado a imprensa que a entidade iria comprar maquinários para tocar a lavoura de arroz quando os não índios e os arrozeiros deixassem a reserva Raposa/Serra do Sol. E agora na página da ONG tem o pedido de dinheiro. Fica difícil de entender a real dificuldade financeira do CIR se é que realmente ela existe.

E o baixo astral do CIR teve mais um desdobramento. Esta semana o coordenador da Funasa em Roraima, Marcelo Lopes, concedeu entrevista para esclarecer denúncias de atrasos de salários do Conselho Indígena de Roraima (CIR), e anunciou as novas medidas quanto ao fim das assinaturas de convênios para prestação de saúde indígena com as organizações não governamentais (ONGs).

Em Roraima, os convênios com o CIR, Serviços de Cooperação aos Povos Yanomami (Secoya) e a Diocese de Roraima vencem entre maio e julho deste ano e não serão renovados. Com isso, a intenção é contratar apenas uma conveniada para o Distrito Leste de Roraima e a outra para o Distrito Yanomami. Segundo Marcelo Lopes, coordenador da Funasa no Estado, o CIR estava inadimplente com o órgão em cinco convênios.

E para receber a última parcela do convenio no valor de R$ 7,8 milhões, foi criada uma condição para que o CIR regularizasse a situação. “Esse valor é suficiente para pagar todos os funcionários e custear todas as despesas. Os convênios não serão renovados”, enfatizou Lopes a imprensa.

Durante a coletiva aos meios de comunicação do Estado, o coordenador Marcelo Lopes, afirmou que a idéia é quebrar o ciclo de convênios renováveis, tendo em vista que há dez anos que o CIR tem convênio com a Funasa. “Houve um desgaste. Vale ressaltar que o CIR foi um modelo para todo o Brasil. Porém, vamos corrigir todos os erros. Precisamos de um modelo que se adeque a nossa realidade”, declarou o coordenador da Funasa em Roraima.

E ao tudo indica vem mais pressão contra o Conselho Indígena de Roraima. O deputado federal Márcio Junqueira tem prometido que vai continuar denunciando a não prestação de contas da entidade, que tem o dever de apresentar como foram gastos os recursos recebidos nos últimos anos do governo Federal.

Em 2002 o Senado Federal criou a 1ª Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no sentido de apurar as atividades das organizações não governamentais (ONGs) no País e este ano o Senado vai implantar em breve a segunda CPI que tem o objetivo de investigar os recursos oriundos do governo Federal que foram repassados as ONGs do Brasil”.

Cada um salva-se como pode

darussia.blogspot.com - Sexta-feira, Maio 15, 2009

A Rússia e a Itália assinaram hoje um documento que prevê duplicar a capacidade de transporte do sector marítimo do gasoduto South Stream, passando de 31 para 63 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano.
O memorando foi assinado pelos dirigentes da Gazprom russa e da Eni italiana, Alexei Miller e Paolo Scaroni, na presença dos primeiros-ministros russo e italiano, Vladimir Putin e Sílvio Berlusconi, que estiveram reunidos numa estância balnear do Mar Negro para dar um novo impulso às relações económicas e políticas entre Rússia e Itália.
De uma capacidade de 63v mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, o gasoduto South Stream ligará a Rússia à Europa Meridional por debaixo dos mares Negro e Adriático, contornando a Ucrânia.
O tubo passará a mais de 2 mil metros de profundidade no Mar Negro, entre o porto russo de Novorrossisk e Varna, na Bulgária) e terá cerca de 900 quilómetros de comprimento.
Com vista à realização dos sectores terrestres do gasoduto, na mesma cerimónia foram assinados acordos com a Bulgária, Sérvia, Hungria e Grécia.
A Rússia prometeu que o combustível azul irá começar a correr no tubo em 2015, o mais tardar. Na conferência realizada após o encontro de Putin e Berlusconi, o primeiro-ministro russo sublinhou que a Rússia não se opõe a projectos de gasodutos alternativos, nomeadamente o projecto da União Europeia Nabucco.
Sílvio Berlusconi, pelo seu lado, considerou que o projecto South Stream é “um importante passo para garantir a segurança energética da Europa”.
Putin pediu ao seu homólogo italiano que o ajude na tarefa de melhorar as relações bitareiais com a União Europeia, pedido que recebeu resposta afirmativa de Berlusconi. “Se se formassem com toda a Europa relações como as que existem com Itália, isso seria um desenvolvimento muito bom da situação”.
Os dois primeiros-ministros analisaram também as possibilidades de desenvolver a cooperação bilateral noutras esferas como energia atómica e energia eléctrica. No sábado, Berlusconi reúne-se com o Presidente russo, Dmitri Medvedev.

Justiça dos EUA mantém dinheiro de Dantas bloqueado

Conversa Afiada - 15/maio/2009 10:19

Na foto, o freezer americano onde penduraram o filé mignon do Dantas

Na foto, o freezer americano onde penduraram o filé mignon do Dantas


Saiu na Folha Online:

Justiça dos EUA mantém até setembro bloqueio de dinheiro de Dantas
A Justiça dos Estados Unidos manterá até setembro o bloqueio de cerca de US$ 450 milhões pertencentes ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, depositados naquele país. A Secretaria Nacional de Justiça confirmou hoje que enviou novos documentos sobre o caso para a Justiça norte-americana.

O governo brasileiro alega que a origem do dinheiro é criminosa e que os recursos foram enviados ilegalmente para os EUA. O Opportunity nega.
Segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., os juízes americanos receberam os documentos e decidiram julgar o recurso apresentado pelo Brasil somente em setembro. Tuma Jr. disse, por meio de sua assessoria, que o recurso será julgado somente entre agosto e setembro. Até lá, o dinheiro fica bloqueado.



Se fosse no Brasil, descongelavam o dinheiro e ainda pediam desculpas – diz um amigo navegante, razoavelmente cético …

Paulo Henrique Amorim

Chuíça (*): Polícia de SP lucrou US$ 1 milhão na empresa com Abadia

Conversa Afiada - 15/maio/2009 8:29

O CEO da empresa – antes e depois da plástica – que distribuía dividendos antecipados

O CEO da empresa – antes e depois da plástica – que distribuía dividendos antecipados

. O Conversa Afiada sempre sustentou a tese de que a Polícia da Chuíça (*) é a mais corrupta do Brasil.

. O Conversa Afiada sempre disse que a Polícia de São Paulo tinha feito uma empresa com o traficante colombiano Juan Carlos Abadia (**)

. O business plan da empresa era: a polícia de São Paulo deixava Abadia vender cocaína e Abadia distribuía lucros antecipados à polícia de São paulo.

. Abadia diz que distribuiu US$ 1 milhão.

. E pronunciou frase histórica: a melhor maneira de combater o tráfico em São Paulo é fechar a delegacia que combate o tráfico, o Denarc.

. Abadia só teve o infortúnio de ser preso, porque a Polícia Federal escondeu da polícia de São Paulo que ia prendê-lo.

. Agora, o novo Secretário de Segurança, Ferreira Pinto, informou na primeira página do Caderno Cotidiano da Folha:

“A polícia (de São paulo) tinha em mãos um dos homens mais procurados do mundo . Infelizmente, alguns policiais preferiram extorqui-lo a cumprir com sua obrigação”.

Paulo Henrique Amorim


(*) Chuíça: é como o PiG (***) tentar descrever São Paulo para o resto do Brasil: São paulo tem o desenvolvimento eocnômico da China e o IDH da Suíça.

(**) O corajoso Juiz Fausto De Sanctis prendeu Abadía e não aceitou fazer um acordo de delação preimiada co m ele. O Supremo ntriubunal federal mandou Abdaía para os Estados Uniods …

(***) PiG: A Folha, o Globo e o Estadão, suas agencias de informação e, sobretudo, a Rede Globo compõem o PiG. Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

Gilmar persegue Juizes que reagiram a autoritarismo dele

Conversa Afiada - 15/maio/2009 9:26

Na foto, Gilmar empurra a escada e Nabarrete ajuda com as costas

Na foto, Gilmar empurra a escada e Nabarrete ajuda com as costas

. O Corregedor-geral do TRF da 3ª. Região. André Nabarrete acaba de sofrer outra derrota política fragorosa.

. Quando tentou, em dois processos, enforcar o corajoso Juiz fausto De Sanctis.

. Deu com os burros n’água.

. Agora, num gesto desesperado, tenta punir os juizes que se rebelaram contra a tentativa de Gilmar Dantas (*) (**) de suprimir os juízes de primeira instância.

. O amigo navegante lerá a seguir a íntegra da nota da associação dos juizes federais de São Paulo.

. E verá que, enquanto Nabarrete e Gilmar Dantas (*) colocavam as achas de madeira da fogueira medieval em que assariam De Sanctis, os juizes federais manifestaram a sua indignação contra um ato de autoritarismo: “Os juízes federais externaram sua posição em relação a um ato do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o envio de cópias da decisão do juiz federal Fausto De Sanctis, atacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para órgãos correcionais. A medida significaria a possível punição de um magistrado em razão de seu entendimento jurídico, ferindo a Independência Judicial, garantia do Estado Democrático de Direito. Não houve juízo de valor sobre o conteúdo de nenhuma decisão proferida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.”

. O Supremo Presidente do Supremo tem porta-vozes por toda a parte.

. O corajoso Ministro Joaquim Barbosa chamaria de “capangas”.

. Especialmente no PiG (****) e, especialmente, no Estadão, que se transformou no house-organ da Suprema Presidência do Supremo.

. Sem falar no Jornal da Globo, em que o “colonista (***) político, Heraldo Pereira, é empregado dos Marinho e de Gilmar Dantas (*).

. Mas, nem o Estadão deixa de manifestar, nas entrelinhas – clique aqui para ler na página A4 - certa perplexidade com a reação deste senhor Nabarrete.

. Aparentemente, a fúria inquisitorial de Nabarrete/Gilmar contra os juizes de primeira instância tem a ver com uma disputa pelo poder no TRF-3ª. Região.

. Quer dizer, expediente eleitoral de segunda classe.

. Faz parte do pensamento autoritário – de que Gilmar Dantas (*) é símbolo e fulgurante expressão – calar a primeira instância.

. Os juizes de primeira instância, jovens e idealistas, são perigosíssimos: eles têm os pés mais perto do chão em que também pisa o “sujeito da esquina”.

. Não foi à toa que Daniel Dantas, o “brilhante”, segundo Fernando Henrique Cardoso, percebeu isso com clarividência e disse que nas instâncias superiores ele tinha “facilidades”.

. Veja, amigo navegante o que se conheceu das entranhas da República, no momento em que Gilmar Dantas (*) deu dois HCs em 48 horas ao passador de bola apanhado em ato de passar a bola, o banqueiro condenado a dez anos de cadeia, o “brilhante” Daniel Dantas, segundo Fernando Henrique Cardoso.

. O câncer de Dantas saiu da cápsula e contaminou o Brasil.

. Clique aqui para ler sobre o câncer de Dantas http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=305

. E, na seção de anatomia, que se desenrola sobretudo na blogosfera brasileira, foi possível localizar manifestações cancerígenas generalizadas: como se percebe agora, na biópsia que se faz na Justiça Federal da 3ª. Região.

. Leia a íntegra da nota dos juizes que Gilmar Dantas (*) tentou calar e agora Nabarrete volta a tentar:


NOTA DE REPÚDIO A ATO DO CORREGEDOR-GERAL DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO

Em relação ao Pedido de Esclarecimento formulado pelo Corregedor Geral da Justiça Federal da 3ª Região, desembargador federal André Nabarrete, enviado na tarde de ontem, 13/05, aos juízes federais signatários do manifesto em solidariedade ao juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, em 11 de julho de 2008, a AJUFESP – Associação dos Juízes Federais de SP e MS pronuncia-se publicamente nos seguintes termos:
1 – O manifesto foi um ato de livre expressão do pensamento dos juízes que a ele aderiram, garantido pelo art. 5°, IV, da Constituição Federal de 1988. Trata-se de um fato histórico, que marca a chegada da democracia plena ao Poder Judiciário.
2 – Os juízes federais externaram sua posição em relação a um ato do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o envio de cópias da decisão do juiz federal Fausto De Sanctis, atacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para órgãos correcionais. A medida significaria a possível punição de um magistrado em razão de seu entendimento jurídico, ferindo a Independência Judicial, garantia do Estado Democrático de Direito. Não houve juízo de valor sobre o conteúdo de nenhuma decisão proferida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.
3 – É completamente equivocado atribuir a mais de uma centena de juízes a violação ao art. 36, III, da LOMAN, que veda ao magistrado manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento. Ao contrário, o manifesto teve por objetivo a defesa das prerrogativas da magistratura, consagradas na Constituição Federal e na LOMAN. Não é razoável supor que tantos juízes desconheçam as vedações que lhe são impostas.
4 – Causa espanto que, dez meses depois da ampla divulgação do manifesto pelos meios de comunicação, sejam pedidos esclarecimentos sobre o episódio. Essa é mais uma atitude incoerente do Corregedor-Geral da Justiça Federal da 3ª Região, incompatível com o bom senso e equilíbrio esperados de um agente público. Por isso, merece repúdio de toda a sociedade e, especialmente, da comunidade jurídica.
5 – O manifesto foi publicado no sítio da internet do TRF da 3ª Região, que, como instrumento de comunicação dessa Corte, busca divulgar atos de seus integrantes. É, no mínimo, incoerente, que agora os juízes tenham que dar explicações sobre algo a que o próprio Tribunal deu publicidade;
6 – Lembramos que, recentemente, o Órgão Especial do TRF da 3ª Região determinou o arquivamento de Procedimento Disciplinar proposto pelo mesmo corregedor contra o juiz Fausto De Sanctis por sua atuação no episódio Satiagraha;
7 – É intolerável que qualquer magistrado sofra constrangimento em razão de ter aderido ao manifesto. A Ajufesp agirá em defesa de livre manifestação de seus associados.
Ricardo de Castro Nascimento – Presidente
São Paulo, 14 de maio de 2009

(*) Veja e ouça essa preciosidade: como o reputado jornalista Ricardo Noblat se refere ao Supremo Presidente do Supremo.

(**) Se o amigo navegante tem algum motivo para se indignar com a forma de Gilmar Dantas (*) presidir o Supremo, tem a chance de ir à manifestação de 1º. de junho. A primeira do tipo “Saia às ruas, Gilmar (e não volte ao Supremo”, a primeira na História deste país contra um presidente de Supremo Tribunal, já foi um sucesso. O sucesso da segunda (dentre as dezenas que virão por aí …) pode ser maior. Clique aqui para conhecer a musica que, então, será cantada: http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=10483

(***) Colonista não tem nada a ver com cólon. Colonista é o antigo colunista dos jornais. Hoje (****), o colonista serve ao patrão acima de tudo e à metrópole, sem saber como a metrópole funciona. O Brasil sempre será inferior ao que o colonista pensa que a metrópole é. O colonista tem a missão de ajudar o patrão a derrubar o presidente Lula ou qualquer outro governante de origem trabalhista.

(****) A Folha, o Globo e o Estadão, suas agências de informação e, sobretudo, a Rede Globo compõem o PiG. Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

As agências de risco e o FED

Blog do Luis Nassif - 15/05/2009 - 13:43

Por Roberto São Paulo/SP

Agência Estado, duvulgado pelo Último Segundo do IG,15/05/2009 - 12:21

Fed revisa uso de agências de crédito

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) está revisando o uso das agências de rating de crédito, de acordo com carta enviada pelo presidente da instituição, Ben Bernanke, ao advogado-geral do Estado de Connecticut, Richard Blumenthal. Em resposta à preocupação de Blumenthal, de que o Fed estaria usando apenas três agências - Moodys , Standard& Poors e Fitch - no Programa de Crédito a Termo de Títulos Lastreados em Ativos,

Bernanke disse que o banco central americano está “conduzindo uma revisão abrangente de sua abordagem no uso de agências de rating”.

Por Almir R. Américo

A excelente revista alemã Der Spiegel publicou uma matéria muito boa sobre a imoralidade intrínseca ao negócio dessas agências. Recomendo a leitura, eles vão à essência do assunto e mostram os números por detrás do negócio.

http://www.spiegel.de/international/business/0,1518,623197,00.html

A Europa derretendo

Blog do Luis Nassif - 15/05/2009 - 13:31

Por Marcos Doniseti

Nassif, a economia da zona do Euro sofreu uma forte queda no primeiro trimestre de 2009, com o PIB acumulado uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2008. O PIB da Alemanha teve uma queda de 3,8%, o do Reino Unido se reduziu em 1,9% e o da França em 1,2%. O número de desempregados na ‘Eurolândia’ já ultrapassa os 14 milhões. Enquanto isso, em toda a União Européia o número de desempregados já passou dos 20 milhões.

Notícia:

Alemanha, Reino Unido e França encabeçam a lista dos países mais ricos da Europa, mas isso não os deixa imunes aos efeitos da crise econômica mundial. Números do primeiro trimestre de 2009 mostram que a desaceleração atingiu em cheio o continente e derrubou praticamente todas as economias da região, jogando a maioria delas em recessão (ou perto disso).

Dados sobre os primeiros três meses deste ano mostram que a economia alemã, a mais desenvolvida da região e quarta maior do mundo, sofreu nos três primeiros meses deste ano a maior contração em quase 40 anos.

O PIB (Produto Interno Bruto) alemão caiu 3,8% entre janeiro e março na comparação com o último trimestre do ano. Em recessão técnica (termo usado quando o PIB tem seis meses seguidos de queda) desde o terceiro trimestre do ano passado, a Alemanha viu suas exportações, a base de sua economia, minguarem.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u566276.shtml

A poupança e a queda da Selic

Blog do Luis Nassif - 15/05/2009 - 13:13

Conforme vocês conferiram em outros posts, à medida que a Selic for caindo, será diminuído o fator de redução da parte tributável dos juros da poupança.

Cria-se uma situação curiosa. Como o pequeno poupador não será tributado, chegará o momento em que a poupança dele renderá mais do que a Selic.

No caso dos grandes investidores - alíquota máxima de IR -, supondo que a TR fique em 0,03% ao mês, à medida que caia a Selic, cai sua remuneração na poupança, mas cai também o diferencial entre a taxa Selic e a da poupança - que, grosso modo, corresponde à taxa de administração do banco.

Com a TR a 0,03%. a remuneração líquida anual da poupança isenta continuará sendo de 7,11% independentemente do valor da Selic.

No caso dos poupança sujeita à maior tributação, com a Selic a 9,5%, a poupança renderá liquidamente 6,85% - uma diferença de 2,98%. Com a Selic a 7%, a poupança renderá 6,24%, ou apenas 0,25% de diferença.

O todo-poderoso yuan?

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

"A China é um país credor com grandes superávits em conta corrente, um pequeno déficit orçamentário, uma dívida pública equivalente a uma proporção do Produto Interno Bruto (PIB) muito menor que a americana e um crescimento sólido. Além disso, o país já está adotando medidas no sentido de desafiar a supremacia do dólar. Pequim pediu a criação de uma nova moeda para as reservas internacionais de acordo com o modelo dos direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional ( fundo composto por dólares, euros, libras e ienes). A China logo vai querer que a sua própria moeda seja incluída nesse fundo, além de ver o yuan sendo utilizado como forma de pagamento no comércio bilateral", escreve Nouriel Roubini, professor de economia na Escola de Administração Stern da Universidade de Nova York e presidente de uma empresa de consultoria econômica, em artigo publicado no jornal The New York Times e reproduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo, 15-05-2009. "O declínio do dólar - alerta Roubini - pode durar mais de uma década, mas pode ocorrer antes, se não pusermos ordem nas nossas finanças domésticas".

Eis o artigo.

O século XIX foi dominado pelo Império Britânico, o século XX, pelos Estados Unidos. Podemos agora estar testemunhando o início do século asiático, dominado pela ascensão da China e sua moeda. Apesar de o status do dólar como principal moeda das reservas internacionais não correr o risco de desaparecer da noite para o dia, não podemos mais dar como certa a sua manutenção. Mais cedo do que pensamos, o dólar pode ser desafiado por outras moedas, principalmente pelo yuan chinês. Isso teria um custo alto para os Estados Unidos, implicando o fim da nossa capacidade de financiar os déficits orçamentário e comercial a um custo baixo.

Tradicionalmente, os impérios responsáveis por cunhar a moeda das reservas internacionais são também credores internacionais líquidos. O Império Britânico entrou em declínio - e a libra perdeu o status de principal moeda das reservas internacionais - quando a Grã-Bretanha se tornou uma devedora líquida, durante a 2ª Guerra Mundial. Hoje, os Estados Unidos estão numa posição semelhante. O país está incorrendo em déficits orçamentários e comerciais e depende da boa vontade dos inquietos credores internacionais, que começam a se sentir inseguros em relação ao acúmulo de um número ainda maior de ativos em dólar. Por isso, o declínio do dólar pode ser apenas uma questão de tempo.

Mas que moeda poderia substituir o dólar? A libra britânica, o iene japonês e o franco suíço continuam sendo moedas menores nas reservas internacionais - e esses países não são grandes potências. O ouro ainda é uma relíquia bárbara, cujo valor aumenta somente quando a inflação é alta. O euro está agrilhoado à preocupação em relação à viabilidade da União Monetária Europeia no longo prazo. Isso nos deixa o yuan (ou renminbi).

A China é um país credor com grandes superávits em conta corrente, um pequeno déficit orçamentário, uma dívida pública equivalente a uma proporção do Produto Interno Bruto (PIB) muito menor que a americana e um crescimento sólido. Além disso, o país já está adotando medidas no sentido de desafiar a supremacia do dólar. Pequim pediu a criação de uma nova moeda para as reservas internacionais de acordo com o modelo dos direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional ( fundo composto por dólares, euros, libras e ienes). A China logo vai querer que a sua própria moeda seja incluída nesse fundo, além de ver o yuan sendo utilizado como forma de pagamento no comércio bilateral.

Entretanto, no momento, o yuan ainda tem um longo caminho a percorrer antes de estar pronto para o status de moeda das reservas internacionais. Primeiro, a China terá de relaxar as restrições à entrada e saída de dinheiro do país, tornar sua moeda totalmente cambiável para tais transações, dar prosseguimento às reformas financeiras domésticas e aumentar a liquidez dos seus mercados de títulos. Assim, levaria muito tempo para que o yuan se tornasse uma moeda das reservas internacionais, mas isso pode, de fato, acontecer. A China já fez uma demonstração de força ao estabelecer swaps cambiais com diversos países (entre eles Argentina, Bielo-Rússia e Indonésia) e ao permitir que as instituições de Hong Kong emitam títulos denominados em yuans, o primeiro passo no sentido da criação de um profundo mercado doméstico e internacional para a sua moeda.

Se a China e outros países tomassem a iniciativa de diversificar as reservas internacionais optando por moedas diferentes do dólar - e em algum momento isso deve acontecer -, os EUA sofreriam as consequências.

Obtivemos benefícios financeiros significativos por ser o dólar a moeda das reservas internacionais. Em especial, o forte mercado do dólar permite que os americanos paguem juros baixos pelos empréstimos que contraem. Fomos, assim, capazes de financiar déficits maiores durante mais tempo e pagando taxas de juros menores, conforme a demanda estrangeira manteve baixo o rendimento dos títulos do Tesouro. Pudemos emitir títulos de dívida na nossa própria moeda, sem ter que recorrer a uma moeda estrangeira, transmitindo para os nossos credores as perdas resultantes da queda do valor do dólar. O fato de o preço das commodities ser definido em dólar também significou que uma queda no valor do dólar não levaria a um aumento no preço das importações.

CONSEQUÊNCIAS

Imagine agora um mundo no qual a China pudesse tomar e fazer empréstimos internacionais na sua própria moeda. O yuan, em vez do dólar, poderia, afinal, se tornar uma forma de pagamento no comércio e uma unidade contábil empregada no estabelecimento do preço das importações e exportações, além de ser uma fonte de riqueza para os investidores internacionais. O preço seria pago pelos americanos.

Teríamos de gastar mais para obter os artigos que importamos e as taxas de juros aumentariam tanto na dívida pública quanto na privada. O custo privado mais alto dos empréstimos poderia levar a um enfraquecimento no consumo e no investimento e a um crescimento mais lento.

O declínio do dólar pode durar mais de uma década, mas pode ocorrer antes, se não pusermos ordem nas nossas finanças domésticas. Os EUA precisam controlar os gastos e empréstimos e buscar um crescimento que não se apoie em bolhas de crédito e ativos. Durante as duas últimas décadas, o país gastou mais que a sua renda, aumentando suas obrigações estrangeiras e incorrendo em dívidas que se tornaram insustentáveis. Um sistema no qual o dólar foi a principal moeda mundial permitiu que nós prolongássemos nossos empréstimos irresponsáveis.

Agora que a posição do dólar não se mostra mais tão sólida, precisamos alterar nossas prioridades. Isso envolve o investimento na nossa decadente infraestrutura, nas fontes energéticas alternativas e renováveis e no capital humano produtivo - em vez de moradias desnecessárias e da inovação financeira tóxica. Essa será a única maneira de desacelerar o declínio do dólar e manter a nossa capacidade de influenciar as questões globais.

Obama diz que os EUA não podem depender da China

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

O presidente americano, Barack Obama, disse ontem que os Estados Unidos não podem continuar dependendo de financiamento da China ou de outros países. O risco é que os credores parem de comprar títulos da dívida americana reduzindo as fontes de recursos dos EUA. Isso obrigaria o país a elevar as suas taxas de juros. Segundo Obama, a solução para tornar o país menos vulnerável aos investidores estrangeiros é reduzir a dívida externa. Essa é a forma, segundo o presidente, de evitar possíveis danos econômicos provocados pelas dívidas de longo prazo.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 15-05-2009.

"O déficit de longo prazo e a dívida que temos acumulada são insustentáveis. Não podemos continuar emprestando dinheiro da China ou emprestando de outros países", afirmou Obama durante um evento na cidade de Rio Rancho, no Estado do Novo México. "Temos de pagar juros dessa dívida e isso significa que estamos hipotecando o futuro de nossas crianças com mais e mais dívida."

A China é o maior credor da dívida externa dos Estados Unidos, dona de US$ 744 bilhões em títulos do governo americano até o fim de fevereiro, último mês com dados disponíveis, segundo o Departamento do Tesouro americano.

Obama afirmou que a situação da dívida vai criar sérios problemas econômicos se países como a China perderem o apetite pelos títulos do Tesouro americano. "É certo que em algum momento eles vão se cansar de bancar nossos recursos", disse. "E, quando isso acontecer, nós vamos ter de aumentar os nossos juros para conseguirmos financiamento, e isso vai provocar o aumento dos juros para todo mundo."

No início da semana, a Casa Branca reviu a estimativa do déficit do orçamento americano, que deve subir para US$ 1,84 trilhão para o ano fiscal que termina em 30 de setembro. Obama prometeu reduzir pela metade o déficit americano em quatro anos, apesar das medidas de estímulo econômico, que vão alargá-lo no curto prazo.

PREOCUPAÇÃO CHINESA

Em março, o governo da China cobrou dos Estados Unidos que mantenham a segurança dos papéis da dívida americana e protejam o valor deles. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou estar "preocupado" com os investimentos e levantou dúvidas sobre a liquidez dos títulos. "Temos feito uma quantidade enorme de empréstimos aos Estados Unidos e, obviamente, nos preocupamos com a proteção de nossos ativos", disse. "Sinceramente, estou um pouco apreensivo."

As incômodas declarações provocaram uma reação rápida da Casa Branca. O porta-voz do governo americano, Robert Gibbs, foi a público responder que "não há investimento mais seguro no mundo do que os EUA".

Wen ainda chegou a pedir aos EUA uma resposta à crise que não sacrifique o valor dos ativos. "Gostaria de pedir aos EUA que cumpram sua palavra e continuem uma nação confiável."

A oposição está se lixando

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

"Na poupança, oposição faz picuinha, mas apoia lambança do governo e não investiga bancos ou negócios públicos", escreve Vinicius Torres Freire, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 15-05-2009.

Eis o artigo.

Aquele deputado federal ferrabrás e agreste que disse estar "se lixando para a opinião pública", um dos "autênticos" do PTB, tornou-se uma entidade (ele disse se "lixar" ao justificar sua intenção de absolver o deputado "dono do castelo"). Títulos de notícias referem-se ao parlamentar petebista como o "deputado que se lixa".

Trata-se de um homem que saiu da sua vida obscura para entrar na história como uma oração adjetiva deplorável. Além de indizível, tornou-se inominável. Mas, além da gramática: um "parlamentar que se lixa" é um adjetivo ou um substantivo? Pois parece que "se lixar" é da essência do parlamentar brasileiro.

O líder do governo no Senado, o já bastante notório Romero Jucá, do PMDB "autêntico" de Roraima, por exemplo, quer usar um projeto de emenda à Constituição como instrumento de "vendetta" de sua parentela.

O governo, num acesso esquisito de seriedade, fez uma limpa na boquinha de cargos da Infraero, demitindo vários parentes de parlamentares da direção da empresa, entre eles o irmão de Jucá. Como vingança, o senador Jucá quer emendar a Constituição a fim de reservar o cargo de ministro da Defesa para militares. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, cuida da Infraero. Jobim não é militar. Jucá, por sua vez e portanto, é um "senador que se lixa" para a opinião pública.

Seria apenas outro caso anedótico? Bem, o PMDB quase todo está em "pé de guerra" e se pintou de lama para lutar pela boquinha, chantageando o governo, seu aliado -eles se merecem. Seria apenas o PMDB, em plena demonstração de autenticidade? Considerem a atitude do "alto clero" da oposição (DEM, PSDB e PPS) no caso da poupança.

É tão fácil bater no governo. Motivo sério não falta. Inclusive no caso da poupança. Mas os líderes da oposição se aferraram à picuinha mais populista, terrorista e mentirosa para atacar a tributação das cadernetas ("confisco" etc.). Reclamam ainda que o governo não "mexeu com os bancos" (só com os "poupadores"). Ótimo: ficaram então com a oportunidade de criar uma CPI das taxas bancárias. Esses líderes e partidos tão financiados pela banca (assim como os do governo) vão investigar, digamos, a existência de um oligopólio maléfico nas finanças?

Essa gente "se lixa". A oposição critica a gastança do governo e aprova aumentos de gastos propostos por Lula; aprovou a enésima anistia para sonegadores de impostos. Mas reclama que Lula não quer ver dinheiro saindo de fundos (que financiam a dívida pública) porque o governo gasta demais. Reclama (agora) dos juros altos, mas quer manter juros tabelados (o da poupança).

Para falar de coisa mais séria, essa gente nunca se deu ao trabalho de reformar a caquética lei financeira, de quase meio século de idade. Essa gente não discute a rolagem da dívida pública e seus instrumentos, também caquéticos, da era da inflação. Fundos públicos são utilizados à larga em fusões de megaempresas, via BNDES, mas o Congresso não dá um pio sobre tais negócios. Aliás, nem se move para rediscutir os fundos oriundos de poupança forçada (FGTS, FAT), que datam alguns da ditadura e que rendem pouco para o trabalhador. Não se mexem, apenas se lixam para a opinião pública.