"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sábado, maio 16, 2009

União Sadia-Perdigão criará Brasil Foods

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

Brasil Foods (BRF) será o nome da nova companhia que surgirá da união entre Sadia e Perdigão. O nome da futura maior empresa de alimentos industrializados do Brasil será em inglês, mas Brasil será grafado com s, como na língua portuguesa, não com o z do inglês.

A reportagem é de Maria Cristina Frias e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 15-05-2009.

O negócio poderá ser fechado hoje, mas, ontem à noite, ainda não se sabia precisar quando exatamente será assinado.

"Pode sair a qualquer momento, estamos de prontidão, mas ontem não foi possível porque há muito detalhamento jurídico. Questões fundamentais já foram ultrapassadas, e o negócio está em fase de finalização", disse um executivo que participa das negociações entre as empresas. Advogados, profissionais de banco e das duas empresas estão reunidos há dias, trabalhando intensamente. Para o executivo, a sinergia obtida com a BRF será maior no exterior e imediata. Haverá ganhos de logística, de meios de produção e em outras áreas.

A nova companhia será a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo. Será também a terceira maior exportadora brasileira, atrás de Petrobras e Vale do Rio Doce, mas " a única que levará a marca brasileira para a mesa de consumidores no mundo todo", afirma. Sadia e Perdigão hoje competem entre si em mais de cem países.

O banco e a corretora ficarão de fora da nova empresa por exigência das duas partes. O acordo não poderia acontecer com a área financeira, segundo uma fonte que participou de muitos encontros para fechar o acordo, que chegaram a reunir até 20 pessoas na sala.

Os percentuais com que ficarão as partes, divulgados pela imprensa, são aproximados, porém não são corretos, segundo um executivo. Especula-se que o acordo tenha sido firmado na base de pouco mais de 30% para Sadia e de pouco menos de 70% para a Perdigão.

A BRF terá dois copresidentes em seu conselho de administração, Nildemar Secches, da Perdigão, e Luiz Fernando Furlan, da Sadia. O mandato no conselho será de dois anos.

Na nova empresa, aproximadamente 45% de vendas serão destinadas ao mercado externo, e 55%, ao mercado interno.

A união das duas trará ganhos principalmente no exterior. Produtos da Perdigão, como os lácteos, que a Sadia não produz, poderão ser oferecidos a mercados em que a Sadia está bem posicionada no exterior, como no Chile, onde já vende margarina. Ambas passam a vender os produtos uma da outra, sem a necessidade de construção de novas fábricas.

Com a operação mais diversificada, haverá mais segurança, afirma um dos executivos, que diz acreditar que todos ganham com a nova estrutura, clientes, funcionários, acionistas e fornecedores.

As negociações, que desembocaram no acordo firmado, começaram meses atrás. É a quarta ou quinta tentativa de união entre Perdigão e Sadia.

Quando o negócio for assinado, as companhias passarão por um período de transição, em que terão que aguardar até que a BRF seja aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Emprego na indústria vai se estabilizar, diz Fiesp

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

Apesar do número negativo registrado em abril, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vê sinais de que o emprego no setor caminha para a estabilidade entre geração e corte de postos, algo que já poderá ser visto em maio. O emprego na indústria paulista caiu 1,09 % em abril ante março, com ajuste sazonal, mas sem ajuste registrou alta de 0,8 %, o que equivale à abertura de 19 mil vagas no mês.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 15-05-2009.

"Ainda estamos com uma diminuição residual do emprego da indústria", disse Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. "Não nos surpreenderia se em maio chegássemos a uma estabilidade'', afirmou o executivo, referindo-se aos demais setores da indústria, já que os segmentos ligados a açúcar e álcool continuaram abrindo vagas neste mês, como já havia ocorrido nos meses anteriores;

Em abril, o setor de açúcar e álcool criou 28.207 vagas, enquanto os demais segmentos cortaram 9.207 postos, o saldo positivo de 19 mil vagas.

Dos 22 setores pesquisados pela Fiesp, 17 tiveram desempenho positivo de vagas no mês de abril, enquanto cinco apresentaram desempenho negativo.

SENSOR

Os números que levam a Fiesp a acreditar que os índices de emprego devem melhorar a partir do próximo mês fazem parte da pesquisa Sensor da primeira quinzena de maio, índice que aponta a percepção dos empresários a respeito das perspectivas econômicas.

O índice do Sensor geral da quinzena ficou em 53,2 pontos, acima, portanto, dos 51,4 registrados na segunda quinzena de abril. O índice da Fiesp é positivo sempre que está acima de 50 pontos.

Economia informal cresceu 27,6%

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

A economia subterrânea cresceu 27,6% de dezembro de 2007 a dezembro de 2008. É o que revelaram os Institutos Brasileiros de Economia da Fundação Getúlio Vargas e de Ética Concorrencial, ao anunciarem o Índice da Economia Subterrânea, que mede o desenvolvimento de empresas e atividades envolvidas com o mercado informal ou em práticas de sonegação. Foi o mais forte avanço em igual período desde 2003.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 15-05-2009.

Flexibilização da legislação ambiental: uma verdadeira inversão de valores. Artigo de Márcia Pimenta

Instituto Humanitas Unisinos - 15/05/09

"Para combater o desmatamento ilegal criminoso na Amazônia, bastaria cumprir a legislação, mas o que se vê é a tentativa da bancada ruralista e do Ministério da Agricultura de mudar o Código Florestal Brasileiro para ampliar as áreas agricultáveis e diminuir as reservas florestais", escreve Márcia Pimenta, jornalista com especialização em Gestão Ambiental, em artigo publicada pelo sítio EcoDebate, 15/05/2009.

Eis o artigo.

Nossa elite política tem um projeto; nos catapultar para um passado remoto, um passado de atraso, onde a poluição é sinônimo de desenvolvimento e onde qualquer floresta em pé, é um mato que precisa ser eliminado a ferro e fogo. Em um mundo tecnocientifico avançado, bagres, pererecas, índios e legislação ambiental são ervas daninhas que precisam ser extirpadas para dar lugar à modernidade. Embora haja um consenso mundial de que a degradação ambiental é um sério impedimento para qualquer projeto de desenvolvimento econômico ou social, para alguns políticos, empresários e ruralistas a preocupação ambiental é uma conspiração para impedir o país de crescer, por que todo mundo sabe, para crescer é preciso destruir a natureza!

Essa visão ultrapassada de conquista da vantagem material imediata faz parte de nossa história colonial. A natureza intacta era, e ainda o é, vista como um inimigo do progresso e precisa ser eliminada para dar lugar as estradas, agricultura e pecuária. Distantes da crise ambiental que afeta o planeta hoje, em forma de escassez de recursos naturais, desertificação, contaminação do ar, da água e do solo, buraco na camada de ozônio e aquecimento global, intelectuais do século XIX, como José Bonifácio questionavam as práticas tecnológicas e sociais rudimentares originadas no passado colonial e compreendiam a destruição do ambiente natural como o “preço do atraso” e não como o “preço do progresso”. A preservação da natureza era vista como um trunfo, devido a sua importância econômica e política.

Para Lula essa “ficha ainda não caiu”. Em seus devaneios nostálgicos já deve ter se imaginado no lugar de JK na foto emblemática, onde este posava ao lado de um gigantesco jequitibá derrubado durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Ali, como um bravo caçador ao lado da árvore derrubada como se fosse uma caça abatida, JK repercutia a idéia de que na busca pelo progresso o homem vence a natureza! Hoje, “infelizmente”, há uma grita geral quando se propõe a construção de mais uma rodovia na floresta amazônica ou uma hidrelétrica. Logo aparecem os ambientalistas, as ONG`s, o Ministério Público, os índios e todo esse “tipo de pessoas”, que na visão do nosso governo e empresariado, estariam agindo para impossibilitar o desenvolvimento nacional.

Nossos políticos parecem ter esquecido que a legislação ambiental mundial é fruto da conscientização e mobilização da sociedade que percebeu que o processo de industrialização trazia em seu bojo, não apenas os benefícios de suas atividades, produtos e serviços, mas também riscos que ocasionam graves impactos ambientais. A sociedade compreendeu que não era mais possível que a forma capitalista de produzir ampliasse seus lucros e socializasse os prejuízos, em forma de degradação ambiental. Para produzir mais rápido era preciso extrair recursos naturais numa velocidade cada vez maior e para que os lucros viessem num espaço de tempo cada vez menor, era necessário economizar na preocupação ambiental. Misturando um pouco de ganância e uma pitadinha de ignorância foi possível fazer grandes estragos.

Nas décadas de 70 e 80 o mundo industrializado começava a ficar dependente do “ouro negro” e a indústria química e do petróleo tiveram suas imagens desgatadas por uma série de acidentes que teve grande destaque na mídia. Em 1976, 200 mil pessoas ficaram feridas por vazamento de tetracloro-dibenzo-dioxina –TCDD em Sevezo, na Itália. Em 1984, em Bhopal na Índia foram 200 mil feridos e 3.800 mortos por vazamento de metil isocianato. Em 1984, 500 pessoas morreram em Cubatão devido ao incêndio provocado pelo vazamento de hidrocarbonetos líquidos. Em 1962, a cientista Rachel Carson publicou o bombástico “Primavera Silenciosa” onde fazia o elo entre o desaparecimento de pássaros dos campos americanos e o emprego do inseticida DDT. Sua denúncia, que foi alvo de desqualificação da indústria química na época, teve imensa repercussão e culminou com a proibição do uso do DDT nos Estados Unidos e mais tarde na Europa.

A sociedade confusa não sabe se ri da piada dos bagres e pererecas, defenestrados da teia da biodiversidade como se não tivessem uma função nos serviços prestados pelos ecossistemas, ou se chora por não ser ouvida. Afinal, pesquisa recente encomendada pela ONG Amigos da Terra Amazônia à Datafolha mostrou que 94% dos entrevistados preferem o fim da derrubada florestal, mesmo que isso implique em frear o crescimento da produção agropecuária. O certo é que muitos já perceberam que será impossível para o país atingir as metas de redução do desmatamento ilegal contribuindo com o esforço mundial de diminuir as emissões de gases de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global. O discurso “para inglês ver” é bem diferente das ações domésticas em marcha. Para combater o desmatamento ilegal criminoso na Amazônia, bastaria cumprir a legislação, mas o que se vê é a tentativa da bancada ruralista e do Ministério da Agricultura de mudar o Código Florestal Brasileiro para ampliar as áreas agricultáveis e diminuir as reservas florestais.

A preservação ambiental e de todas as formas de vida é uma questão ética. Mas podemos abordá-la pelo viés econômico e ainda assim parece uma insanidade promover sua destruição. No mundo inteiro tem havido um endurecimento das leis ambientais. Países que investem em formas mais sustentáveis de produção, certamente tem uma sociedade bem informada e exigente e não adianta insistirmos em produzir sem preocupação socioambiental e depois ficar reclamando do protecionismo do mercado internacional, como no caso dos biocombustíveis. Ou fazemos direito ou estamos fora deste mercado. Todos sabem que a natureza é a base da vida e aqueles que estimulam sua destruição visando lucro e acumulação só podem estar contando com a tecnologia para substituir os serviços ambientais prestados pela natureza. Supondo que isto fosse possível, pesquisadores avaliaram, em 1997, que 33 trilhões de dólares anuais seria o valor dos serviços ambientais prestados pela natureza. Para se ter uma idéia o Produto Nacional Bruto mundial está em torno de US$18 trilhões/ano.

Partindo da certeza de que a conscientização sobre os problemas ambientais é irreversível, resta-nos a mobilização sem trégua, contra aqueles que pretendem flexibilizar a legislação ambiental com vistas a benefícios individuais. E para ajudar na reflexão proponho o pensamento do filósofo e político anglo-irlandês Edmund Burke; “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam”.

terça-feira, maio 12, 2009

No Vietnã, general Giap volta à luta

Site do Azenha - Atualizado em 10 de maio de 2009 às 23:23 | Publicado em 10 de maio de 2009 às 23:22

Gen. Vo Nguyen Giap de volta à luta, no Vietnam: contra a mineração de bauxita

9/5/2009, Tom Fawthrop (de Hanoi, Vietnam), Al-Jazeera

http://english.aljazeera.net/news/asia-pacific/2009/05/200956235120956564.html

55 anos depois de comandar a vitória militar histórica dos vietnamitas contra a França colonialista na Indochina, o General Vo Nguyen Giap ainda luta.

Aos 98 anos, seus novos combates – com palavras, não com armas – visam a salvar o Vietnam de outro inimigo: a mineração de bauxita.

Em busca de rápido desenvolvimento econômico, o governo do Vietam planeja extrair cerca de 5,3 bilhões de toneladas de bauxita, principal insumo para a produção de alumínio, de minas localizadas quase todas no planalto central do país, na província de Dak Nong.

Giap, que comandou o exército que derrotou os franceses em Dien Bien Phu, dia 7/5/1954, conclamou o governo do Vietnam a suspender esses planos, em nome da preservação do meio ambiente, do risco a que expõe minorias étnicas que habitam a região e porque implicam ameaça à segurança nacional.

O homem que também comandou o exército do Vietnam do Norte que também derrotou os EUA nos anos 60, já publicou duas cartas abertas – a segunda das quais mês passado –, contra os planos governamentais de extração de bauxita; sua atitude parece que, afinal, começa a inspirar outros militantes.

Em rara manifestação de oposição ao partido comunista que governa o país, 135 intelectuais e cientistas divulgaram abaixo-assinado que foi entregue ao presidente da Assembleia Nacional, em Hanoi.

"Não podemos continuar a extrair bauxita. A exploração terá graves consequências sobre o meio ambiente, a sociedade e a defesa nacional."

Conclamam o governo a suspender outros projetos de extração de bauxita no planalto central, até que se completem os estudos de impacto ambiental.

Nguyen Tan Dung, primeiro-ministro, definiu a mineração de bauxita como "a principal política do partido e do Estado", e diz que os projetos não serão suspensos enquanto prosseguem os estudos de impacto ambiental.

Mas, para o professor Vo Quy, um dos mais conhecidos especialistas vietnamitas em meio ambiente, "os danos ao ambiente são muito maiores que qualquer benefício econômico. Apoio o esforço nacional de desenvolvimento, mas não a mineração de bauxita em grande escala", disse ele à Al Jazeera. E acrescentou: "As terras altas do centro do país são região de imensa beleza, que têm alto potencial para atrair projetos de ecoturismo, além de ser zona de produção agrícola."

A extração da bauxita gera centenas de toneladas de lixo tóxico, chamado "lama vermelha", como informam o professor Quy e outros especialistas.

Os ambientalistas vietnamitas temem que esses resíduos tóxicos contaminem rios que correm por regiões densamente povoadas, inclusive pelo importantíssimo delta do rio Mekong, no sul – onde há fazendas de criação de peixes e as áreas de mais alta produção de arroz do país.

Nas duas cartas, Giap convoca cientistas, administradores e ativistas a "sugerir ao partido e ao Estado que construam melhores políticas para a extração de bauxita no planalto central."

"Minha opinião é que não devemos explorar a bauxita. Essa exploração implicará graves danos ao meio ambiente, à sociedade e à defesa nacional", escreveu.

O gen. Giap também cita um relatório de 1980, que chama a atenção do governo para a evidência de que "a exploração da bauxita naquela região causará dano ecológico devastador, com graves consequências e danos de longo prazo ao meio ambiente, que afetarão não apenas os habitantes locais, mas também o meio ambiente e a vida das populações que habitam as planícies do sul das províncias do centro do país."
Contratos já assinados

Apesar da ação do gen. Giap, já há contratos assinados com uma subsidiária da gigante chinesa Chinalco, que produz alumínio, para extração de bauxita no planalto central do Vietnam. A empresa, mês passado, organizou seminário de especialistas, por dois dias, em Hanoi, para discutir meios pelos quais reduzir os danos ambientais. A empresa também informou que o projeto da extração de bauxita no Vietnam seria de pequena escala, com restrições quanto ao número de trabalhadores chineses.

Para os críticos, a presença de milhares de mineiros chineses, na área estratégica do planalto central, implica inaceitável ameaça à segurança, considerada a longa história de conflitos entre o Vietnam e o vizinho do norte.

Nguyen Thien, escritor, diz que o projeto "é ilógico e irracional; há quem desconfie de negócios secretos entre o Vietnam e a China, com implicações estratégicas".

Para outros, a mineração de bauxita não é viável, nem no plano econômico, porque exige grande quantidades de eletricidade e água – fatores de produção cuja oferta é restrita, no Vietnam.

Para o professor Dao Cong Tien, ex-reitor da Escola de Economia da Universidade Ho Chi Minh, a mineração naquela região implicará uso de grande quantidade de água, e implicará racionamento de água para os produtores agrícolas da região.

Nguyen Huu Ninh, que recebeu o Prêmio Nobel por estudos sobre mudança do clima, não vê qualquer benefício para a região. "Não faz sentido investir num projeto que não beneficia a população local," diz ele.

Mas, apesar de todas as dúvidas e objeções, o governo tem dito que o Projeto Bauxita não será suspenso.

É possível que a luta para defender o planalto central do Vietnam contra o avassalador crescimento da economia chinesa seja, para o heroico general Giap, que já derrotou a França e os EUA, sua mais dura guerra.

A pandemia de 1918 e a gripe suína

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 10 de maio de 2009 às 23:17

por sugestão da Alice Matos

10/05/2009
"Situação de 2009 não é a mesma da pandemia de gripe de 1918", diz historiador da medicina
Le Monde

Paul Benkimoun, Stéphane Foucart e Hervé Morin

Historiador da medicina e da saúde pública no Centro de Pesquisa da Medicina, da Ciência, da Saúde e da Sociedade (Cermes, CNRS-Inserm-EHESS, Paris), Patrick Zylberman estudou as grandes pandemias, e em especial a forma como a França reagiu à gripe espanhola que, entre 1918 e 1919, fez mais de 50 milhões de mortos no mundo. Ele comenta a forma como as autoridades sanitárias compreenderam os períodos de crise sanitária, e alerta quanto às armadilhas das comparações anacrônicas.

Le Monde - Qual sua opinião a respeito do episódio atual da epidemia de gripe A (H1N1)?
Zylberman - O mais surpreendente são as mortes dos jovens adultos no México. Isso logo lembra a pandemia de 1918, que atingiu a faixa etária dos 16 aos 40 anos, em vez de pessoas idosas ou crianças.

Le Monde - Não é uma forma de anacronismo comparar os dois episódios?
Zylberman - Certamente. A pandemia de 1918 se tornou uma figura de retórica. Desde a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) em 2003, todos os médicos, epidemiologistas e dirigentes da saúde pública apresentam o retorno da gripe espanhola como o próximo "holocausto". Entende-se bem o porquê: é preciso atingir em cheio as imaginações para que os dirigentes políticos e os cidadãos coloquem a mão no bolso para que a comunidade esteja pronta para resistir.

Bem, o mundo de 1918 e o de hoje não são comparáveis de forma alguma. O vírus e seu poder patogênico não são o único parâmetro de uma epidemia ou de uma pandemia, seja no nível da morbidez, seja no nível da mortalidade.

Hoje, nós dispomos de conhecimentos científicos sobre o vírus, ao contrário de 1918 (o H1N1 só foi isolado no homem em 1933). Nós dispomos de antivirais e de vacinas. Os antibióticos permitem tratar as superinfecções. Sem falar na vigilância epidemiológica, instaurada desde 1995, e de planos de resposta epidêmica previstos, mesmo que nem tudo seja perfeito.

Le Monde - O que se aprendeu com o episódio de 1918?
Zylberman - Veja a reação especialmente notável das autoridades de Hong Kong em 1997, diante da gripe aviária. Após alguns falecimentos humanos, abateram as aves, o que foi uma decisão muito boa. A reação à Sars foi muito ruim no começo, mas em seguida, os governos na Ásia e no Canadá retomaram as rédeas e se saíram muito bem.

Houve uma conquista, não há dúvida. Mas é suficiente? O último estudo até hoje sobre o preparo antipandêmico feito em 2006 pela London School of Hygiene and Tropical Medicine concluiu que, ainda que alguns países como a França ou o Reino Unido estivessem relativamente bem preparados, esse não era o caso na Europa em geral.

Le Monde - Em 1918 houve o sentimento imediato de enfrentar uma pandemia?
Zylberman - As autoridades foram pegas totalmente desprevenidas. Não vamos esquecer que a guerra não tinha terminado. Os países distantes de zonas de combate, como os Estados Unidos, também não sabiam com o que tinham de lidar. O que certamente contribuiu para a alta mortalidade (4% na Europa, até 22% na Samoa Ocidental), foi exatamente a grande desorganização dos poderes públicos e seus fracos meios de ação (fechamento de lugares públicos).

Le Monde - O exemplo de 1976 não é uma ilustração de que uma superreação das autoridades pode produzir mais danos do que a epidemia em si?
Zylberman - A epidemia de 1976 nos EUA, na verdade, é aquela "que nunca aconteceu"... Houve alguns casos em um forte de Nova Jersey. Eles logo criaram um pânico, exatamente porque a lembrança de 1918 estava muito viva. Tratava-se de uma estirpe H1N1, que só circulara nos EUA a partir de 1920, o que levou o presidente Gerald Ford a vacinar a população americana inteira. A campanha foi interrompida no final de dois meses, devido a acidentes vacinais, e também porque o vírus havia sumido. A decisão de vacinar havia sido tomada por razões muito mais emotivas do que científicas.

Le Monde - A reação atual das autoridades ainda é emotiva?
Zylberman - Hoje, algumas pessoas criticam a Organização Mundial da Saúde (OMS) por ter "superreagido". É injusto: todos os governos que puseram em prática planos de resposta se inspiraram no da OMS. Esta simplesmente elevou seu nível de alerta para ter uma influência um pouco maior junto aos governos relacionados: reforçar seus escritórios regionais, enviar suas equipes a campo... Desde 2003, todas as discussões sobre o preparo contra as epidemias, o bioterrorismo, etc., levantam a controversa questão do modo de resposta coletiva a se adotar: será que a OMS deve ser o Estado-maior disso? A Europa seria favorável a isso, a América do Norte, um pouco menos. A Ásia muito menos.

Le Monde - Qual é o impacto possível dessa pré-pandemia nos países pobres que começam a ser atingidos?
Zylberman - Essa é a grande preocupação. Uma segunda onda agravada no hemisfério norte no outono faria bem mais estragos nos países que não tivessem sistema de saúde adequado ou tratamentos antivirais, do que nos países ricos bem equipados para enfrentar a infecção. Haveria meios de retardar a propagação da epidemia compartilhando uma parte - entre 10% e 20%, dizem os especialistas - dos estoques de antivirais com os países de baixa renda. Do ponto de vista político, isso parece delicado: a opinião pública poderia não ser muito "solidária".

Le Monde - Essa preocupação pública com a gestão dos riscos é sinal de uma evolução de nossas sociedades?
Zylberman - Certamente. A passagem dessas problemáticas da esfera técnica para a esfera pública chega a ser uma evolução notável que é uma das razões pelas quais o mundo atual é totalmente diferente daquele de 1918. O ponto de virada aconteceu nos anos 1980, com as preocupações crescentes diante das doenças emergentes, sobretudo a epidemia do HIV, bem como com as crises de segurança alimentar no fim do século 20.

Le Monde - Que papel as mídias exercem na evolução dessas percepções?
Zylberman - Elas exercem um papel crucial, e os governos sabem bem disso. Em época de crise, a informação é um bem tão importante para limitar o efeito de uma epidemia quanto os antivirais, mas um bem dos mais problemáticos para se administrar. A comunicação preventiva visa limitar o fenômeno do pânico, mas ao mesmo tempo deve incentivar as pessoas a não ficarem passivas. Trata-se certamente de um dos domínios em que menos avançamos em matéria de preparo.

Le Monde - Por que isso?
Zylberman - Os governos resistem em se separar de uma parte do controle da informação e o meio das mídias teorizou pouco essas questões.

Tradução: Lana Lim

Saramago e a gripe suína: Quem manda é a indústria

Site do Azenha - Atualizado em 10 de maio de 2009 às 07:33 | Publicado em 10 de maio de 2009 às 07:26

por José Saramago, em seu blog

Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa.

Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor. Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vector da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genómico.

Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe.

Nas últimas décadas, o sector pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever…

Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações.

Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.

Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada. Voltarei ao assunto.

*****

Continuemos. No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”.

A comissão alertou também para o facto de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogénico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão.

Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco.

Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandémica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?

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Banco do Sul está prestes a entrar em funcionamento

Instituto Humanitas Unisinos - 10/05/09

Os sete países membros do Banco do Sul contribuirão com um capital inicial de sete bilhões de dólares. O anúncio chegou em meio à crise internacional e serve para impedir a crescente pressão do FMI, que procura voltar a se converter no principal financiador da região.

A reportagem é do jornal Página/12, 09-05-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Banco do Sul já está pronto para ser ratificado pelos Parlamentos de seus países membros e para começar a funcionar. Os ministros da Economia do Mercosul, mais Venezuela, Equador e Bolívia, concordaram ontem com as minúcias do seu estatuto, última escala técnica. O anúncio chega em meio à crise internacional e serve para impedir a crescente pressão do FMI, que procura voltar a ser o principal financiador da região.

"Valoriza-se mais a criação do Banco no contexto da crise financeira internacional", assegurou o ministro da Economia argentino, Carlos Fernández, junto ao seu colega brasileiro, Guido Mantega. "Estamos dando mais um passo no sentido da integração financeira regional", disse Mantega, que também ponderou o fato de que se conseguiu um acordo em meio à crise atual. "Há muito tempo não se cria uma instituição financeira", acrescentou o brasileiro.

Os sete sócios contribuirão com um capital inicial de sete bilhões de dólares. Argentina, BrasilVenezuela colocarão dois bilhões cada um. Uruguai e Equador, outros 400 milhões em partes iguais; e Paraguai e Bolívia, os 200 milhões restantes. Cada país terá um voto no diretório, mas para a aprovação dos projetos de mais de 70 milhões de dólares, será necessário o apoio de dois terços do capital aprovado no banco. e

Agora, só falta que o acordo seja ratificado pelos presidentes e pelos Parlamentos dos diferentes países. O ministro da Economia argentino, Carlos Fernández, considerou que o acordo "tem termos aceitáveis, e por isso pode ser rapidamente aprovado". A reunião ocorreu em Buenos Aires, e, além de Fernández e Mantega, participaram seus colegas do Uruguai, Alvaro García; do Paraguai, Dioniso Borda; do Equador, María Elsa Bitel; da Venezuela, Alvaro García, e da Bolívia, Luis Alberto Arce Catacora.

O objetivo do banco é financiar projetos de desenvolvimento em setores chave da economia para melhorar a competitividade e combater a pobreza e a exclusão social. Poderão acorrer à instituição os diferentes Estados ou empresas com prévio aval dos Estados. Nas negociações realizadas durante os últimos três anos, descartou-se a possibilidade de que a entidade opere como financiadora de última instância, no estilo do FMI, como pretendiam o presidente venezuelano Hugo Chávez, e seu colega equatoriano, Rafael Correa. No entanto, ele dará maior força aos governos para continuar mantendo distância do Fundo Monetário.

Se os projetos de infraestrutura, por exemplo, podem começar a ser financiados com o dinheiro proveniente do Banco do Sul, então os governos poderão dispor de maiores recursos próprios para enfrentar sua dívida financeira sem ter que voltar a depender dos empréstimos do organismo multilateral, que, nos últimos acordos assinados com países como El Salvador, Ucrânia, Islândia e Hungria, demonstrou que segue impondo as mesmas exigências de raiz neoclássica que levaram a região à crise.

Além disso, não se pode descartar que, uma vez que o banco esteja em funcionamento, volte-se a avaliar a possibilidade de que cubra necessidades de financiamento diante dos vencimentos da dívida, caso a crise internacional se aprofunde. Desse modo, poderia imitar os países asiáticos que recorreram a essa estratégia para evitar as receitas do FMI, que sempre recomenda cortes da taxa de interesse e cortes no gasto público, aprofundando as crises em momentos em que, em geral, é preciso reativar a demanda para seguir em frente.

O Banco do Sul é uma ideia original do presidente venezuelano Hugo Chávez. Foi em agosto de 2004 que ele propôs a criação de uma entidade financeira regional para "deixar de depositar nossas reservas nos bancos do Norte" e poder dispôr desses recursos para "ajudar-nos", em vez de pedir emprestado ao FMI e ao Banco Mundial. Sua intenção é delinear a integração sobre a base de dois pilares chaves: o financeiro e o energético. O Banco do Sul cumpriria o primeiro objetivo, e o Gasoduto do Sul, o segundo, mesmo que essa última iniciativa, por agora, esteja desativada.

O projeto contou com a adesão inicial da Argentina. Depois, somaram-se Equador e a Bolívia, e finalmente Brasil, Paraguai e Uruguai, mesmo que a intenção é ir somando outros países integrantes da Unasul. No começo, o Brasil chegou a dizer que a iniciativa carecia de consistência técnica e sugeriu que se criasse um fundo de estabilização regional, que atuaria como financiador de última instância diante de uma eventual crise de pagamentos. O temor era que Chávez utilizasse o banco para disputar a liderança da região, mas finalmente ele baixou a guarda e se integrou.

Depois de vários anos de negociação, em dezembro de 2007 os chefe de Estado assinaram a ata de fundação em Buenos Aires, um dia antes da posse como presidenta de Cristina Fernández de Kirchner, e definiram que o organismo teria uma sede em Caracas e duas subssedes, uma em Buenos Aires e outra em La Paz.

Parecia então que o Banco se colocaria em funcionamento em poucos meses, mas a iniciativa voltou a se esfriar por diferenças pontuais entre seus membros. O Brasil, por exemplo, queria que os votos fossem proporcionais ao capital investido, enquanto que o resto dos participantes se inclinava por dar um voto a cada Estado, independentemente do investimento, para que a marca igualitária e democrática o diferenciasse dos bancos multilaterais, dominados pelas potências centrais, como o FMI e o Banco Mundial. Finalmente, optou-se por um voto para cada Estado, mas com certas restrições vinculadas ao capital investido.

Crise muda mapa da produção de carros

Instituto Humanitas Unisinos - 10/05/09

A mudança de sócios da Chrysler e a disputa por pedaços da General Motors, dois ícones da indústria automobilística americana, tem um peso mais do que simbólico. São sinais de uma grande mudança no jogo de forças da indústria automobilística global. Países de periferia passarão ao centro do mapa das montadoras. Marcas poderosas, que dominaram o mercado por um século, estão cedendo espaço para novos competidores, alguns deles pouco conhecidos fora de seus países de origem.

A reportagem é de Cleide Silva e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 10-05-2009.

Os Estados Unidos, líder mundial da produção de carros por décadas, já perderam o posto para o Japão, que ficará por pouco tempo no topo. Este ano, pela primeira vez, a China deve ocupar o posto. No lugar de Detroit, Xangai será a nova capital do automóvel. É na maior cidade chinesa que estão as fabricantes que ajudaram o país a aumentar em 1,6% a produção no primeiro trimestre (2,56 milhões de veículos), enquanto nos EUA as vendas despencaram 53,3% (1,17 milhão de unidades) e na Alemanha, 34,8% (1,06 milhão). No Japão, a queda foi de 49% só no primeiro bimestre (1,05 milhão de unidades), segundo dados tabulados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O jogo entre as fabricantes é feroz. Grupos americanos como a gigante GM vão encolher, enquanto algumas europeias como Volkswagen e Fiat vão se sobressair, assim como marcas chinesas até pouco tempo desconhecidas pelo consumidor ocidental. Há um importante movimento na China entre as mais de dez fabricantes locais de se unirem em um ou dois grupos para criar uma marca internacional.

Levantamento feito pela consultoria Jato do Brasil Informações Automotivas, a pedido do Estado, mostra que a GM aparece em sexto lugar no ranking mundial de vendas no primeiro trimestre . A Toyota está em primeiro, mas como enfrenta dificuldades no Japão e nos EUA, seus maiores mercados, pode ser desbancada pela Volkswagen, que acaba de unir-se à Porsche e juntas administrarão dez marcas. O grupo é um dos poucos que está crescendo e já aparece como segunda maior no primeiro trimestre.

A Fiat está na oitava posição, mas desponta como uma das favoritas ao pódio após a aquisição de ações da Chrysler e, possivelmente, da Opel, braço da GM na Europa. Com com apoio do Brasil, seu principal mercado fora da Itália, a Fiat pode atingir produção anual de cerca de 5 milhões de veículos.

A Fiat não confirma que estuda ficar com operações da GM na América Latina e África do Sul. Só no Brasil, se a união der certo, GM e Fiat teriam 44% do mercado. Há quem duvide da capacidade financeira da Fiat em abraçar esses mercados. "A indústria passará por um grande redesenho e será muito diferente do que é hoje", confirma o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

Ele ressalta que haverá diferentes composições societárias, por meio de aquisições, fusões e parcerias e podem surgir outros modelos produtivos. A intenção da fabricante de autopeças Magna em disputar a Opel com a Fiat e outros grupos interessados na empresa alemã pode criar um novo formato de produção de veículos.

Num mercado mundial que está encolhendo - já foi de 70 milhões de veículos ao ano e agora não deve passar de 55 milhões -, as empresas precisam se consolidar para participar do jogo global."Vão ganhar aquelas que aproveitarem a crise para reduzir custos, se tornarem enxutas, desenvolverem melhor qualidade e investirem em tecnologia", afirma Jaime Ardila, presidente da GM do Brasil e Mercosul.

Para ele, se a GM escapar do problema atual, terá estrutura forte no futuro. "Provavelmente não será mais a número 1, mas será uma jogadora global". Ele conta com a estrutura que o grupo manteria na China - onde é líder de mercado na joint venture com a SAIC -, América Latina, África e Oriente Médio. "Ainda teremos capacidade para produzir de 6 a 7 milhões de veículos."

Pressão de ruralistas libera transgênicos

Instituto Humanitas Unisinos - 10/05/09

Entre 2003 e 2004, o Brasil se viu numa posição curiosa. Suas lavouras de soja transgênica se expandiram de 3 milhões para 5 milhões de hectares, segundo o Serviço Internacional de Aquisição de Aplicações de Biotecnologia Agrícola. Tornou-se o quarto maior produtor de transgênicos do mundo.

A reportagem é de Cláudio Ângelo e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 10-05-2009.

Até então, plantar transgênicos era ilegal no país. Cedendo à pressão ruralista, o governo decidiu por MP que a soja Roundup Ready da Monsanto era segura para a saúde e para o ambiente.

Seis anos depois, não há evidência de colapso sanitário ou ambiental. Só moral, pela maneira como a soja foi liberada e pela forma como o governo manobrou para alterar o quórum da CTNBio.

Devagar, o país começa finalmente a rotular seus derivados de soja. Até mesmo o óleo, que em tese nem DNA contém. Os temores, afinal, eram fantasias ecoxiitas.

Com base em raciocínio análogo, libera-se o milho transgênico. Se a soja é segura, o milho há de ser também.

É aqui que os defensores da biotecnologia cometem o mesmo erro que seus detratores: botar todos os transgênicos no mesmo balaio. A biologia não permite esse tipo de simplificação.

Em 2001, por exemplo, os pesquisadores californianos David Quist e Ignacio ChapelaNature", que pólen de milho transgênico contaminara variedades de milho "criollo", produzidas tradicionalmente por lavradores mexicanos há milênios. mostraram, em estudo na revista "

O estudo foi criticado por cientistas que recebiam financiamento de uma multinacional biotecnológica e retratado (anulado) pela revista. Em 2009, porém, uma pesquisa da Universidade Nacional Autônoma do México chegou à mesma conclusão que Quist e Chapela.

O milho é uma plantinha promíscua, em que uma mesma espiga pode conter grãos vindos de pólen de vários "pais" diferentes.

Estudos de impacto seriam necessários para avaliar as consequências disso, mas eles não foram feitos no Brasil. No extremo oposto, a França cria um rótulo especial para produtos animais alimentados sem transgênicos. Devem estar achando que o DNA da comida, como um vírus, infectará a carne. Mendel gargalharia.

Não há tecnologia nova livre de risco. A biotecnologia agrícola tem mostrado até agora que seus benefícios superam seus riscos. O diabo é que, como cada transgênico é diferente do outro, o passado não garante o futuro.

Milho transgênico autorizado no Brasil foi proibido na Alemanha

Instituto Humanitas Unisinos - 10/05/09

O milho Bt Mon 810, tecnologia de propriedade da multinacional Monsanto, teve a autorização de cultivo revogada recentemente na Alemanha.

A notícia é do jornal Folha de S. Paulo, 10-05-2009.

Esse foi o sexto país da União Europeia, região que já havia aprovado o uso da tecnologia, a revogar a autorização para o plantio. Além de proibido em solo alemão, a autorização para o cultivo também foi suspensa em Luxemburgo, Hungria, Áustria, Grécia e França. O milho vetado pelo governo alemão possui o mesmo gene inserido no DNA de variedades de milho cultivado neste momento no Brasil. Em algumas regiões do Paraná, o plantio de milho com a tecnologia atingiu 40% da área plantada.

País perde controle dos transgênicos

Instituto Humanitas Unisinos - 10/05/09

A primeira safra de milho geneticamente modificado no Brasil ampliará o descontrole do país em relação ao controverso uso desse tipo de produto na de alimentos.

Além de já representar uma ameaça de contaminação a produtores de variedades não transgênicas, o milho transgênico deverá contaminar milhões de toneladas do grão convencional devido à decisão dos produtores de não separar os dois tipos de cultivo.

A reportagem é de Agnaldo Brito e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 10-05-2009.

A reportagem visitou regiões produtoras no interior do Paraná e ouviu de produtores e cooperativas que não existe estrutura suficiente para colheita, transporte e armazenagem da produção transgênica separada da convencional.

A Lei de Biossegurança não exige a separação da produção, mas é clara ao exigir a fiscalização de todos esses processos, o que não ocorre.

Responsável por esse controle, o Ministério da Agricultura diz que ele é realizado, embora os produtores neguem.

Edmundo Klotz, presidente da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), afirma que a indústria está sendo obrigada a controles de matéria-prima que não são de responsabilidade dela.

A falta de controle confronta o direito dos consumidores de saber o que consomem e pode dificultar as exportações de produtos agrícolas e pecuários.

sábado, maio 09, 2009

A “emenda Cacciola”

Blog do Luis Nassif - 08/05/09

Está aí um tema que dará uma grande discussão: um acordão entre PT e PSDB visando blindar autoridades monetárias que precisem agir rapidamente em socorro a bancos, no caso de crises agudas.

Mais uma vez dou a cara para bater, em defesa da atuação de Chico Lopes no episódio.

A matéria é do Estadão

Socorro financeiro ganha carta-branca

Acordo entre PT e PSDB dá poderes ao governo para defender bancos

Felipe Recondo e Denise Madueño

Um acordo costurado por líderes do PT e do PSDB permitiu a aprovação de uma emenda à Medida Provisória (MP) 449 que concede uma verdadeira anistia aos ministros de Estado, presidentes do Banco Central (BC) e demais funcionários públicos que estão sendo processados por tomar decisões em defesa da solvência dos bancos que o Ministério Público considerou crimes contra o sistema financeiro.As equipes econômicas dos governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) sempre se queixaram do “oportunismo” dos processos e do fato de eles criarem insegurança nos agentes públicos que tomam essas decisões, mas os críticos da emenda aprovada ontem avaliam que a redação final do texto criou um vale-tudo jurídico, funcionando, na prática, como uma carta branca para o governo defender os bancos e justificar toda e qualquer medida adotada.

A emenda diz que os “agentes públicos” não sofrerão nenhum tipo de punição desde que as “medidas excepcionais” tenham sido tomadas e executadas “com o propósito de assegurar liquidez e solvência ao Sistema Financeiro Nacional, de regular o funcionamento dos mercados de câmbio e de capitais e de resguardar os interesses de depositantes e investidores”.

EMENDA CACCIOLA

Apesar de dirigir o benefício aos “agentes públicos”, se a emenda 19 não for vetada pelo presidente Lula ela também pode beneficiar banqueiros envolvidos em escândalos financeiros. No meio jurídico e entre parlamentares o texto já foi batizado de “Emenda Cacciola”. Ela pode ser usada na defesa de Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, condenado por crime contra o sistema financeiro e atualmente preso no Brasil.

(…) A emenda serve, de acordo com advogados ouvidos pelo Estado, perfeitamente ao caso Cacciola. O ex-dono do Banco Marka se beneficiou de informações privilegiadas passadas pelo ex-presidente do Banco Central Chico Lopes às vésperas da desvalorização do real, em 1999.Se

Se se beneficiou de informações privilegiadas, porque quebrou?

Para evitar a quebra do banco e uma suposta crise sistêmica, Cacciola conseguiu do Banco Central uma ajuda superior a R$ 1 bilhão. Por causa disso, o ex-presidente do BC foi acusado e condenado pela Justiça.

Havia risco de crise sistêmica, sim. Como ele era um jogador alucinado, e havia um teto para a venda de dólares, o BC vendeu-lhe dólares para cobrir a posição no mercado futuro, atropelando todos os procedimentos burocráticos.

Com a aprovação da emenda pelo Congresso e a promulgação pelo presidente da República, Chico Lopes poderia pedir para ser enquadrado na nova regra. Argumentaria que beneficiou o Marka para garantir a solvência do sistema financeiro, como prevê a emenda.

Fez de uma forma atabalhoada, mas foi isso mesmo.

A volta da apreciação cambial

Blog do Luis Nassif - Coluna Econômica - 08/05/2009

O país está entrando novamente na armadilha do câmbio. Aconteceu em 1994, em 1999, depois da desvalorização, em 2003, depois da desvalorização. É um círculo vicioso terrível, pelo qual a grande responsabilidade é do Banco Central.

Em quase todos os episódios, o jogo é assim:

  1. O BC mantém os juros internos muito acima dos juros internacionais. Com isso, atrai dólares que vêm atrás de dois ganhos somados: as taxas de juros e a apreciação cambial.
  2. Com a apreciação do real, as exportações perdem fôlego e amplia-se o espaço das importações. Isso acarreta uma redução dos saldos da balança comercial e amplia o déficit nas contas correntes.
  3. À medida que o déficit se amplia, os investimentos especulativos começam a sair do país. Há uma forte desvalorização cambial que reduz os preços dos ativos brasileiros em dólares.
  4. A desvalorização traz transtornos enormes mas ajuda a reequilibrar as contas – em outros momentos, pela melhoria das exportações; agora, por ter vindo acompanhada de um resfriamento da economia que está reduzindo as importações.
  5. Com as contas externas melhorando, se o BC mantém o diferencial de juros, volta a atrair os capitais que fugiram da renda fixa. Atrás deles vêm capitais para a renda variável, sabendo que ganharão com o chamado efeito-manada, em cima da valorização dos ativos brasileiros e da apreciação do real – que proporciona ganho para que traz dólares.

***

Esta é a lógica que tem provocado essa nova enxurrada de dólares para o país, proveniente especificamente de fundos de private equity – entrando em empresas brasileiras que estão passando aperto com a crise - e em operações de “carry trade” (pela qual investidores tomam empréstimos em determinadas moedas para aplicar em reais).

Esse movimento é influenciado muito mais pelas baixas taxas de juros internacionais e pela recessão aguda na Europa e nos Estados Unidos. E também pelo excesso de dinheiro injetado no sistema financeiro pelos respectivos bancos centrais. As cautelas na concessão de crédito, os receios com os chamados ativos tóxicos, que ainda não foram completamente extirpados do sistema, faz com que essa dinheirama procure o pato da vez. E, aparentemente, mais uma vez é o Brasil. Daí essa profusão de elogios enganadores de porta-vozes do mercado internacional.

***

Já caiu a ficha do BC de que não poderá tolerar outra rodada irresponsável de apreciação do real, como houve no final de 2007. Por outro lado, continua preso a uma ortodoxia exasperante. O caminho natural seria adquirir dólares no mercado à vista, sinalizando fortemente a intenção de impedir a apreciação do real.

Em vez disso, o BC limita-se às chamadas operações de “swap reverso” – uma operação pela qual ele opera no mercado futuro de dólares garantindo à outra ponta (investidores e bancos) no mínimo a remuneração pela taxa Selic.

***

Enquanto ocorre essa apreciação, porta-vozes do BC cometem a imprudência de acenar com a volta da alta dos juros, sinalizando para uma recuperação econômica que ainda nem ocorreu. Esse tipo de declaração, quase sempre em off, visa exclusivamente estimular esse efeito manada, para os especuladores tirarem mais uma casquinha à custa do Tesouro.

A bolha da bolha

Site do Azenha - Atualizado e Publicado em 09 de maio de 2009 às 11:33

quarta-feira, 06 de maio de 2009
Folha de S.Paulo
Paulo Rabello de Castro

O retorno da bolha

A euforia, desta vez, é alimentada pelos bancos centrais com uma quantidade sem precedentes de moeda

O SISTEMA de crédito norte-americano ainda vai precisar de uma grande faxina de ativos desvalorizados antes de se ouvirem as trombetas da recuperação global. O anúncio da concordata da Chrysler desmancha a profecia das autoridades e dos diversos porta-vozes do setor financeiro de que o balanço de lucros e perdas da crise já teria virado o "cabo da boa esperança".

Os grandes bancos americanos terão que contabilizar enormes perdas adicionais decorrentes da transformação dos seus empréstimos às montadoras GM e Chrysler em partes acionárias. Mas é possível também que, fora dos seus balanços, os bancos problemáticos carreguem mais alguns bilhões em operações de troca de riscos (ou "swaps") de crédito, tendo que arcar com o pagamento integral de dívidas asseguradas, independentemente de as montadoras poderem ou não saldar os valores originalmente devidos.

Se isso se confirmar, mais socorro do governo americano aos bancos por meio do Tarp ("Troubled Asset Relief Program") vai se tornar indispensável. Desde o início da crise, cerca de US$ 2,7 trilhões (cerca de 20% do PIB) já foram despendidos pelo governo em operações de socorro ou estímulo.

Na absoluta contramão, os mercados de renda variável continuaram a emitir sinais de euforia cada vez mais acentuados nas últimas semanas e dias. A alta generalizada das Bolsas e das cotações em março, abril e nestes primeiros dias de maio (no Brasil, isso ocorre desde o fim de 2008) é interpretada por muitos como um sintoma inequívoco da virada, não só de humor dos investidores como da próxima retomada de compras pelos consumidores, mesmo nos países hoje mais afetados pela retração generalizada. Está mais para retorno da bolha.

A leitura alternativa é que essa recuperação recente das cotações de Bolsa de Valores e de commodities, especialmente petróleo e soja, foge aos padrões esperados de oferta e demanda, para se localizar, de novo, como no ano passado, na mesma febre especulativa que enfeitiçou os especuladores com delírios de ganhos extraordinários. E por que essa nova bolha acontece? A explicação ainda é a mesma que a de 2007 e a de 2008, só que a euforia, desta vez, é alimentada pelas autoridades monetárias dos principais países com uma quantidade sem precedentes de moeda, emitida para financiar as operações de socorro. Sem risco imediato de inflação, o Fed dos EUA, os bancos centrais da China e Japão, os bancos da Inglaterra e da Europa passaram a utilizar o expediente das emissões sem lastro como recurso de última instância para financiar as intervenções de ajuda dos seus governos ao setor financeiro, às empresas em apuros e às agências hipotecárias insolventes.

A enorme liquidez adicional, neste primeiro momento, contorna o mercado de empréstimos a empresas, de cujos riscos de crédito os bancos estão fugindo, para se alojar no circuito mais líquido da compra e venda de ativos. Constitui atrativo permanente a especulação compradora em mercados de valores e commodities que permitem a entrada e a saída a qualquer momento, embora extremante voláteis. São esses movimentos de acomodação da enorme massa monetária adicional que, afinal, conduzem a estímulos altistas nas Bolsas, como temos visto.

Mesmo um não especialista desconfiaria de que o apelo desesperado à injeção de liquidez encontrará, mais à frente, empresas e indivíduos ainda mais debilitados para prosseguir na rolagem de seus débitos. Mas, até lá, é uma festa dos comprados.

PAULO RABELLO DE CASTRO , 59, doutor em economia pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), é vice-presidente do Instituto Atlântico e chairman da SR Rating, classificadora de riscos. Preside também a RC Consultores, consultoria econômica, e o Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio SP

A operação abafa do PT

Sie do Azenha - Atualizado em 09 de maio de 2009 às 11:28 | Publicado em 09 de maio de 2009 às 11:24

A operação abafa do PT

08/05/2009 18:21:38

Leandro Fortes
, na CartaCapital


Por nove votos a cinco, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados rejeitou, na quarta-feira 6, a realização de uma audiência pública para apurar as denúncias de tortura, no Rio Grande do Sul, contra a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 2001, durante interrogatório comandado pelo delegado Luiz Fernando Corrêa, atual diretor-geral da Polícia Federal. O requerimento havia sido feito pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) com base em reportagem publicada na edição de 25 de março de CartaCapital. Ivone acusa Corrêa de tê-la torturado, com a ajuda de outros agentes da PF gaúcha para que confessasse a participação em um assalto na casa da avó da mulher do delegado federal. Por causa das supostas sevícias, Ivone ficou cega. Na Câmara, a empregada tem a companhia de outro denunciante, a ser convocado pela CDH, o deputado José Edmar (PR-DF). Há seis anos, o parlamentar acusa Corrêa de, também, tê-lo torturado.

Comandada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, a base governista da comissão montou uma operação de guerra para evitar a aprovação do requerimento de Chico Alencar. Até o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (SP), foi chamado por Tarso para evitar a convocação – na verdade, um convite – do delegado Luiz Fernando Corrêa. Aos petistas e aliados da base governista, Vacarezza reverberou a tese da defesa de Corrêa, baseada pedido de arquivamento da denúncia feito pelo Ministério Público Federal, em 2007. “Como de costume, o Legislativo foi a reboque, submisso a outras instâncias”, lamentou Alencar. “Ivone vai seguir carregando sua cruz, o diretor-geral da PF perde a chance de jogar luz sobre este nebuloso episódio e a Câmara se apequena”, resume.

Todos os deputados do PT presentes à sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara seguiram a orientação do líder Vacarezza. Entre eles, Iriny Lopes (ES), Pedro Wilson (GO) e Domingos Dutra (MA), todos com histórico de defesa na área de direitos humanos. O deputado Luiz Couto (PT-PB), presidente da comissão, foi um dos primeiros parlamentares a pedir providências para uma apuração parlamentar sobre as denúncias feitas pela empregada Ivone da Cruz. Na sessão de quarta-feira, contudo, se absteve de votar. Dos que ajudaram o PT a engavetar o pedido de audiência pública o maior destaque foi o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), acusado de usar verbas da Câmara para construir um castelo na cidade mineira de São João do Nepomuceno. Indicado pelo DEM, Moreira nunca havia comparecido antes a uma sessão da comissão.

Sem o apoio da Câmara dos Deputados, a única chance de Ivone da Cruz, agora, é conseguir levar o caso adiante na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. A julgar pela ação do PT, na quarta-feira passada, em Brasília, as chances da empregada, em Porto Alegre, deverão ser menores ainda. Lá, Tarso Genro se articula ostensivamente para sair candidato do partido ao governo do estado, em 2010. Uma ação dos deputados estaduais contra o delegado Luiz Fernando Corrêa, homem de confiança do ministro da Justiça no comando da PF, está, portanto, fora dos planos do PT gaúcho, também detentor da maioria na comissão de direitos humanos da Assembléia.

A reportagem de CartaCapital demonstrou que o delegado Corrêa comandou uma operação ilegal para interrogar a empregada Ivone da Cruz, em 2001, e depois forjou uma versão para justificar o fato de ter atropelado a competência da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Ouvido pela sindicância interna da PF, em 2005, o delegado civil Fernando Rosa Pontes, responsável pela investigação do assalto à casa da avó da mulher de Corrêa, negou ter solicitado ajuda do colega da PF – justamente a viga mestra da defesa do diretor-geral. Em 29 de janeiro passado, o corregedor-geral da PF, Valdinho Caetano, nomeado por Corrêa pouco mais de um mês antes, arquivou o processo.

Chama a atenção, nesse processo, duas circunstâncias distintas, mas convergentes. A primeira, diz respeito à posição do ministro Tarso Genro e, por extensão, do secretário especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi. Ambos defendem a punição dos torturadores que operaram nos porões da ditadura militar (1964-1985). Para tal, contam, basicamente, com os depoimentos dos torturados, exatamente como no caso de Ivone da Cruz. Mas a semelhança do caso não para por aí. Assim como ocorreu com a empregada, as vítimas da ditadura também foram neutralizadas por processos legais. Talvez, no entanto, não tenham passado pelo vexame de, como Ivone, já totalmente cega, serem chamadas para fazer o reconhecimento visual dos possíveis algozes.

Para o texto completo, vá até aqui

O muro do apartheid

site do Azenha - Atualizado e Publicado em 09 de maio de 2009 às 08:39

Nu'man: O muro do apartheid na Cisjordânia converteu uma vila palestina em prisão-dormitório para 200 moradores

6/5/2009, Rory McCarthy [de Nu'man, Palestina], Guardian, UK

Os moradores da vila de Nu'man, na Cisjordânia, vivem no alto de sua colina há gerações, rodeados terraços onde sempre cultivaram as milenares oliveiras da Palestina. Mas o local está mudando dramaticamente, e eles temem que não haverá mais lugar para eles na nova paisagem.

A vila, perto de Belém, está cercada, em três lados, pelo gigantesco muro do apartheid, aqui uma sólida parede de aço. Há uma entrada, controlada por soldados israelenses que têm ordens de não deixar passar ninguém senão os cerca de 200 moradores que ainda vivem em Nu'man. Bem perto dali, na direção oeste está a enorme colônia de Homa, exclusiva para judeus, onde já vivem cerca de 15 mil colonos e cuja expansão já planejada deverá ocupar mais uma parte da terra que pertence a moradores de Nu'man.

Na vila, só há uma loja, funcionando precariamente, e nenhuma escola, nenhuma mesquita, nenhuma clínica de atendimento médico. Não há transporte público e ninguém é autorizado a construir, sequer os casais que se formam e queiram construir suas casas.

Para as autoridades israelenses, Nu'man é parte de Jerusalém, na porção que foi anexada na guerra de 1967 – anexação considerada ilegal por toda a comunidade internacional.

Israel confiscou a terra e, de fato, também os direitos dos moradores da vila. Ninguém recebeu certificado de residência em Jerusalém e, portanto, ninguém tem acesso aos serviços públicos. E as autoridades israelenses confiscaram os documentos de identidade da Cisjordânia – o que significa que os moradores de Nu'man não podem viajar a Jerusalém e explicar por que acontece de serem detidos, não raras vezes, pelo inacreditável 'crime' de viverem onde sempre viveram e em suas próprias casas.

Por praticamente 40 anos, moradores de Nu'man, como Ibrahim Darawi, 62, viveram na Cisjordânia, obrigados a atravessar as colinas até as vilas próximas para comprar comida, trabalhar e rezar. Mas, a partir de 2002, quando Israel começou a construir o muro da separação, a situação piorou rapidamente. "A vila ficou cercada dentro dos limites do muro", diz Darawi. "Querem nos forçar a sair. Estão-nos expulsando. "

Israel insiste em que o muro é crucialmente importante para fazer parar os ataques contra Israel. Contudo, quase todo o muro está localizado dentro da Cisjordânia e é instrumento importante para anexar terras palestinas ao território de Israel, para novas colônias. A Corte Internacional de Justiça já apresentou parecer, segundo o qual o muro da separação é ilegal em todos os pontos em que invade a Cisjordânia e tem de ser demolido.

Nenhuma construção é permitida em Nu'man – as que foram construídas sem alvará já foram demolidas ou serão demolidas a qualquer momento. Os moradores também não podem ampliar as casas existentes. Darawi não pode ampliar o apartamento de dois dormitórios onde vive com a família de onze pessoas. Seus oito filhos estudam na cozinha e, quando concluírem a universidade deixarão Nu'man para trabalhar em outra cidade.

"É uma tragédia", diz ele. "Acho que a estratégia é conseguir que, em 15 anos, a cidade esteja completamente desabitada. Os velhos morrerão e os jovens partirão." Os proprietários, donos de casas e terrenos em Nu'man já por duas vezes recorreram à Suprema Corte de Israel, pedindo que Nu'man fosse reconhecida como território da Cisjordânia, ou que os moradores recebessem certificados de residência em Jerusalém. A questão, pela segunda vez, está sendo julgada.

A ONU, em novo relatório no qual alerta para a crescente fragmentação da região de Belém, por ação da ocupação israelense, descreve Nu'man como "vila que vive no limbo".

Partes do território da vila foram confiscadas, diz a ONU, para a construção do muro, de uma base da polícia israelense de fronteira, para um grande ponto de controle e para uma estrada de uso exclusivo dos colonos judeus, que liga Jerusalém a outras colônias localizadas na área central da Cisjordânia ocupada, como Nokdim, cidade natal do primeiro-ministro israelense, o sionista Avigdor Lieberman.

"A combinação de vários tipos de restrições acabou por segregar a vila, isolando-a das comunidades vizinhas e obstruindo a vida normal das famílias", diz o relatório da ONU, da coordenação de assuntos humanitários. "Os casais jovens que constituam família são impedidos de construir casas, porque não obtêm alvarás de construção."

Para Niveen Darawi, 20, não há alternativa. Está cursando o terceiro, dos cinco anos de seu curso de engenharia de computadores e ainda mora com a família em Nu'man. Quando concluir os estudos, terá de sair. "Terei de sair da cidade. É o que acontecerá", diz ela. "Não há como construir casas. Todos são obrigados a partir. É exatamente o que Israel deseja que aconteça."

O artigo original pode ser lido em:

http://www.guardian.co.uk/world/2009/may/06/israel-palestinian-territories

Roubini: Capitalismo selvagem faliu

Atualizado e Publicado em 09 de maio de 2009 às 08:34

28 DE ABRIL DE 2009 - 12h19

Roubini: ''Capitalismo selvagem do Ocidente já está falido''

''Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável'', profetizou Karl Marx, em 1867. O mercado jamais levou seus aforismos a sério. Após 150 anos, Nouriel Roubini chega à mesma conclusão quando convidado a explicar a crise cada vez maior nos mercados e economias do planeta.

''Não são uma crise de crédito ou muito menos a desaceleração econômica as causadoras do problema. Ambas são sintomas de uma correção mais ampla no consumo mundial, algo inevitável após o acúmulo tão grande de dívidas entre 2001 e 2007'', afirma. Roubini usa o termo ''desmanipulação'' do consumo. ''O que observamos no último tempo - destaca - não é apenas o desinflar da bolha de crédito, criada por capitais manipulados (quer dizer, endividamento) dos bancos. É uma ''desmanipulação'', em larga escala, de um modelo de vida. Durante longos anos, os consumidores contraíam dívidas para adquirirem equipamentos elétricos, automóveis, casas, férias e outros bens'', diz.

''Por sua vez, as empresas e os mercados basearam-se nesta demanda ignorando os alicerces (de crédito) podres. Este superendividamento dos consumidores, os bancos alimentavam com capitais ''manipulados'', e surgiu a bolha no mercado norte-americano de imóveis'', continuou. Este foi o motivo que fez com que o professor até então relativamente desconhecido da Universidade de Nova York fosse o primeiro a prever a iminente crise.

''Por isso os bancos não são os únicos responsáveis pela falta de fluxo de liquidez no mercado. Atrás de tudo isso oculta-se a grande ''desmanipulação'' do consumo, que deixa produtos nas prateleiras e depósitos, sem venda, resultando no fato de as empresas suspenderem seus planos de expansão e não buscarem financiamentos nos mercados de crédito'', ressaltou. De acordo com Roubini, ''são os próprios consumidores que retiram seus recursos do consumo e os ''estacionam'' em contas de poupança, e os bancos hesitam atirá-los para a economia real, preocupando-se com a própria suficiência de capital. Isto é, sua possibilidade para cobrir as obrigações de resgate de seus próprios empréstimos''.

''A própria ''desmanipulação'' do consumo, revelada grande pela contração do Produto Interno Bruto (PIB) de duas superpotências exportadoras no quarto trimestre, a do Japão em 12,7% e a de Taiwan em 8,36%, oculta-se também atrás da correção das bolsas de valores'', afirma Roubini. E destaca que ''o mergulho do indicador Dow Jones abaixo das 7.500 unidades comprova que o mercado começa gradualmente a reconhecer a ''desmanipulação'' do consumo''. Paralelamente, diz que ''começa a perceber que Washington não está disposta a distribuir dinheiro público sem pensar''.

Os pontos obscuros do revisado plano de ajuda aos bancos norte-americanos, anunciado há cerca de 20 dias pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, dizem respeito às hesitações do governo Obama de liberar mais dinheiro público para salvar ''papéis queimados''. ''Se o ativo dos bancos norte-americanos fosse desvalorizado com base nos atuais preços no mercado, a maioria deles seria tomadora de empréstimos de alto risco e rumaria para a falência'', comentou Roubini.

Por isso, ele recomenda ao governo Obama estatizá-los com base nos preços atuais de mercado, e assim sanear de forma mais indolor possível seus ativos dos produtos de investimentos e empréstimos tóxicos, e em seguida privatizá-los novamente. ''O capitalismo selvagem do Ocidente fracassou, e por isso o day after deve encontrar os governos dispostos a adotarem medidas drásticas, fora das restrições de doutrinas e percepções e que tenham como finalidade única o enfrentamento da crise'', diz.

''Neste sentido, a Europa, diferenciada do modelo financeiro anglo-saxão, pode desempenhar papel de liderança. Basta encontrar saídas para os seus sérios problemas. A crise é o primeiro teste essencial de resistência da Zona do Euro'', estabelece Roubini.

E, conforme destaca, ''muitos países possuem um setor bancário muito maior do que podem salvar sozinhos, e isto constitui o maior problema para a sobrevivência da União Monetária. O aumento de custo do endividamento para muitos países da Zona do Euro aumenta as pressões para a saída de vários deles da Zona do Euro''. Esta perspectiva pode parecer distante por ora, ''mas se a médio prazo algo não mudar, a dissolução da Zona do Euro não deve ser excluída'', sentencia Roubini, encerrando esta entrevista.

A informação é de Laura Britt, no Monitor Mercantil

Reforma política. Oligarquias vão definir hierarquia do financiamento?

Instituto Humanitas Unisinos - 09/05/09

O cientista político Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, 08-05-2009, não concorda com a adoção "da noite para o dia" da lista fechada, atrelada ao financiamento público de campanha. Segundo ele, a falta de identificação do eleitor com partidos políticos inviabiliza a votação na legenda. E o financiamento público seria o mesmo que oferecer dinheiro às oligarquias partidárias.

Eis a entrevista.

O que falta para dar certo?

As duas coisas estão muito ligadas. Não tem como fazer financiamento público sem lista fechada. Mas para o sucesso da lista fechada é preciso ter partido com identidade, para que as pessoas votem em um programa partidário. Não dá para fazer lista fechada com a quantidade de partidos que existem hoje.

Como fica o financiamento público?

Os partidos precisam se democratizar. Hoje quem define as candidaturas são as oligarquias partidárias, sem competição interna. Partido nenhum tem feito prévias. E quem vai definir, provavelmente, a hierarquia do financiamento público? As oligarquias.

Antes deve vir uma reforma interna dos partidos?

Teria de estabelecer uma reforma, mas não vejo no horizonte nada viável. Os mais notáveis ficam com praticamente com quase toda verba.

Qual a saída?

Primeiro, falta aos partidos terem conexão efetiva com a sociedade. Hoje a gente procura alguém pra votar em função de plataformas e vínculo. Com a lista fechada, vamos votar em quê? Qual programa, qual partido? Nunca houve um programa legislativo.

Esses dois pontos são um passo maior que a perna?

Olhando claramente para nossa realidade é certo que isso não se faz da noite para o dia. É preciso haver uma mudança maior.

A voragem do sistema financeiro

Instituto Humanitas Unisinos - 09/05/09

Dez dos 19 maiores bancos dos Estados Unidos vão precisar levantar US$ 74,6 bilhões de capital extra para enfrentar possíveis perdas, caso a recessão no país se agrave, segundo diagnóstico divulgado ontem pelo governo americano. As instituições foram submetidas a "testes de estresse" feitos por 150 técnicos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) desde 10 de fevereiro, para avaliar sua resistência à crise.

A reportagem é do jornal O Estado de S.Paulo, 08-05-2009.

Bank of America (BofA), Wells Fargo e GMAC (braço financeiro da GM) são os bancos menos capitalizados e vão precisar de US$ 33,9 bilhões, US$ 13,7 bilhões e US$ 11,1 bilhões, respectivamente. O Citigroup terá de captar mais US$ 5,5 bilhões, segundo o governo.

JP Morgan Chase, Goldman Sachs, Bank of New York Mellon e American Express não demonstraram necessidade de recapitalização, mesmo nas simulações de cenários mais pessimistas para a economia americana, com o nível de desemprego chegando a 10,3%, por exemplo.

Pela conclusão do governo, o sistema financeiro americano está se recuperando, mas ainda não está curado. Alguns dos maiores bancos estão estáveis. Outros, no entanto, necessitam de injeção de bilhões de dólares. Mas nenhum, segundo garantem as autoridades financeiras, está prestes a falir.

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, disse que está "razoavelmente confiante" em que os bancos poderão levantar o capital necessário. A administração do presidente Barack Obama espera que as companhias consigam novas injeções por meio de fontes privadas. Mas Geithner já acena para uma reabertura dos cofres públicos ao dizer que o Tesouro tem recursos suficientes do que sobrou dos US$ 700 bilhões originalmente disponibilizados pelo Congresso para ajudar os bancos a montar colchões de capital.

Segundo ele, o Tesouro vai estender o programa de ajuda aos bancos de todos os tamanhos, sugerindo que a intervenção do governo no sistema financeiro deverá durar mais do que se previa. "É muito importante que o resto do sistema tenha acesso ao capital."

O presidente do Fed, Ben Bernanke, reforçou a afirmação. "Estamos prontos para prover qualquer capital adicional necessário para garantir que nosso sistema bancário esteja hábil para navegar por uma desafiante queda econômica". Segundo os reguladores, a injeção de capital no sistema é necessária para que a economia americana possa ser "relançada."

Os bancos que precisam de mais dinheiro terão até 8 de junho para desenvolver planos que devem ser aprovados pelas autoridades. "Vamos analisar atentamente para ter certeza de que eles nos apresentarão planos com credibilidade para levantar capital e se tornar de capital privado de novo."

Ao oferecer uma ideia mais realista da situação dos bancos ao mercado, o governo espera que a confiança dos investidores seja restabelecida. Bernanke disse que os resultados devem transmitir "conforto considerável" sobre a saúde do sistema bancário, mas ressaltou que os testes não são de "solvência" das instituições.

Em comunicado, Geithner, o secretário do Tesouro, disse que "o público agora tem uma ideia melhor sobre quanto capital os bancos vão precisar para assegurar que eles têm capacidade suficiente para continuar a prover crédito durante uma contração econômica mais adversa". Geithner sublinhou, no entanto, que os testes não podem ser interpretados como uma previsão.

Nas bolsas americanas, investidores demonstraram cautela ontem. O fechamento ocorreu antes divulgação do resultado dos testes. O Índice Dow Jones fechou em queda de 1,20%; o S&P 500 caiu 1,32% e a Nasdaq recuou 2,44%. As ações do Wells Fargo caíram 7,75%, depois de a instituição anunciar uma oferta de ações no valor de US$ 6 bilhões. As do Citigroup caíram 1,30%, as do American Express, 4,31%, JPMorgan, 5,32%, Goldman Sachs, 3,94%, e Bank of New York Mellon, 3,12%. As do BofA subiram 6,46%.