"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

sábado, abril 11, 2009

O "militante" cubano, adoentado, não é terrorista

Site do Azenha - Atualizado em 10 de abril de 2009 às 11:11 | Publicado em 10 de abril de 2009 às 11:06

Este é um caso clássico para os estudantes de Jornalismo. Uma demonstração clara de como a mídia escolhe as palavras de acordo com suas convicções políticas e ideológicas.

Luis Posada Carriles foi agente da CIA. Permanece impune, nos Estados Unidos, apesar de ter confessado publicamente envolvimento em atentados terroristas. Os ataques dos quais ele participou derrubaram um avião da Cubana de Aviação -- em 6 de outubro de 1976, matando 76 pessoas que estavam a bordo -- e causaram a morte de um turista italiano em Havana em 1997.

Para a agência Associated Press, no entanto, Posada é "militante". Acompanhem trecho da notícia:

Cuban militant Posada indicted on new charges

By ALICIA A. CALDWELL

El Paso, Texas (AP) -- Um militante cubano anti-Castro foi acusado quarta-feira em um indiciamento federal de mentir sobre seu envolvimento em uma série de ataques que tinham como alvo pontos turísticos em Cuba.

Luis Posada Carriles, um ex-agente da CIA e soldado do Exército dos Estados Unidos, foi indiciado em 11 acusações, incluindo perjúrio e obstrução de um procedimento federal. O militante de 81 anos de idade tinha sido indiciado previamente em seis acusações, incluindo fraude na imigração e mentir para autoridades federais para se naturalizar cidadão americano.

O indiciamento é a primeira vez que Posada foi acusado nos Estados Unidos de envolvimento nos ataques. Autoridades cubanas faz tempo o acusam de ter orquestrado os ataques assim como a derrubada de um jato cubano em 1976.

Felipe Milan, o advogado de Posada em El Paso, nega as acusações.

"Ele é inocente... e aguarda a chance de ser julgado", Milan disse à Associated Press.

Tentativas de falar com a seção cubana que Havana tem em Washington, no lugar de uma embaixada, foram mal sucedidas na noite de quarta-feira.

O governo cubano não comentou o indicamento, que aconteceu quando os escritórios já haviam fechado. O noticiário estatal em Cuba não noticiou o indiciamento.

Posada foi indiciado originalmente em janeiro de 2007. Na época, promotores alegaram que ele mentiu para investigadores sobre o uso de apelidos e sobre como havia entrado nos Estados Unidos na primavera de 2005. Posada diz que entrou pela fronteira do México, perto de Brownsville, Texas, mas promotores dizem que ele chegou em Miami em um barco vindo do México.

O novo indiciamento diz que Posada, que está na lista de procurados na Venezuela e em Cuba pelo ataque ao avião, mentiu sobre seu envolvimento em "recrutar outros indivíduos para provocar ataques em Cuba".

Promotores alegam que ele também mentiu sobre um pedido que fez a um homem chamado Raul Cruz Leon para levar explosivos a Cuba, usados nos ataques a hotéis em 1997 que eles dizem tinha como objetivo prejudicar o turismo. Cruz foi condenado à morte pelos ataques, que matatam um turista italiano.

Posada previamente admitiu envolvimento nos ataques em entrevistas publicadas, dizendo que as bombas tinham o objetivo apenas de "quebrar vidraças e causar pequenos danos" e que a morte do turista Fabio di Celmo foi "falta de sorte". Mais tarde ele voltou atrás.

Posada, nascido em Cuba e naturalizado cidadão venezuelano, negou conhecer Cruz ou ter envolvimento com os ataques durante uma audiência em El Paso em 2005.

Ele foi preso por violações de imigração em Miami em 2005. Ficou em uma cadeia de El Paso até ser indiciado por fraude.

Um juiz de imigração de El Paso disse que ele deveria ser deportado em 2005, mas que o militante adoentado não poderia ser mandado para Cuba ou Venezuela porque temia que ele fosse torturado.

Posada ficou livre depois de pagar fiança e vive com sua família na Flórida desde 2007. Ainda não há data para o julgamento.

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